"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, janeiro 09, 2007

Fogueira de luxo
China queima sapatos Hugo Boss
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=375000
Cátia Mateus

Cerca de uma centena de sapatos Hugo Boss foram queimados pelas autoridades chinesas que consideraram que o produto não tinha qualidade para ser vendido naquele país.


Bob Krist/Corbis
13:08 quinta-feira, 04 JAN 07





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As autoridades da província chinesa de Zhejiang deitaram fogo a perto de uma centena de sapatos de várias marcas consideradas de luxo, entre as quais se incluem Hugo Boss, Trussardi, Dolce & Gabana ou Strada, que são vendidas na China a preços que facilmente superam os 200 euros.
Segundo a agência de notícias EFE, o departamento de Indústria e Comércio daquela província chinesa justificou esta “fogueira de luxo” com o facto dos artigos “não atingirem os níveis necessários de qualidade”. A mesma fonte explicou que foram analisadas 46 remessas dessas marcas e 80% não apresentava os índices de qualidade exigidos pelo departamento de controlo de qualidade do comércio de Zhejiang.
Ren Panwei, responsável pelo referido departamento de controlo de qualidade, apontou como principais problemas dos artigos queimados “a etiquetagem – que apresenta os tamanhos segundo os standards franceses e britânicos que são desadequados aos padrões chineses, a qualidade ao tacto –, a par da resistência da sola que em alguns casos se separa com muita facilidade”.
O curioso é que esta fogueira teve, na China, honras de transmissão televisiva pela Televisão Central da China, no Domingo passado. Tudo porque, como referiu um especialista chinês em questões relacionadas com a União Europeia ao jornal Zhejiang News (citado pela EFE) “as autoridades chineses querem mudar a mentalidade dos consumidores chineses face às marcas estrangeiras que estão sobrevalorizadas”.
Na verdade, os artigos europeus (incluindo o calçado) são vendidos na China a um preço que pode ser três vezes superior ao da produção local. Um par de sapatos provenientes da Europa ascende facilmente aos 200 euros podendo, em alguns casos, atingir os 400 euros. E como o público chinês é exigente quanto à qualidade dos produtos que usa, o que não cumpre os padrões tem como destino a incineração.

Como é o esqueleto que ninguém vê do Cosmos
Feito o mapa mais detalhado da matéria invisível no Universo
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1281815
08.01.2007 - 13h41 Teresa Firmino

Tal como o corpo humano, o Universo tem um esqueleto que não está à vista. É feito de uma matéria invisível, a que apropriadamente chamaram matéria escura.
Enquanto os ossos humanos podem ficar expostos em qualquer radiografia, os telescópios mais poderosos não conseguem ver directamente os ossos do cosmos. No entanto, os cientistas estão a contornar essa dificuldade e a fazer mapas da matéria que não se vê: os mais pormenorizados foram revelados ontem, na edição "on-line" da revista "Nature".Os cientistas já não duvidam de que a matéria escura existe, apesar de não emitir nem reflectir a luz. Sabem que está lá pelos efeitos gravitacionais que causa na matéria que vemos - afecta a rotação das galáxias e distorce a luz que emitem. Utilizando o telescópio espacial Hubble, a equipa de Richard Massey (do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos) começou por medir a forma de 500 mil galáxias distantes. Depois, os cientistas usaram a distorção na luz emitida por elas, causada tanto pela matéria visível como pela invisível, para elaborar mapas da distribuição da matéria escura entre essas galáxias e a Terra, numa grande área do céu (o equivalente a oito vezes o tamanho ocupado pela Lua Cheia). "Se um fotão vem de uma dessas galáxias e atravessa essa rede de matéria escura, a sua trajectória é distorcida. Tem uma trajectória às ondinhas, ligeiramente irregular", explica Domingos Barbosa, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. O cosmólogo português acrescenta que, em galáxias distantes, como as que foram observadas, é mais difícil detectar o efeito de distorções da luz pela matéria do que em exames de galáxias. Mesmo assim, o resultado foi o atlas mais detalhado dos ossos do Universo, e não só. "Conseguiram também reconstituir a distribuição da matéria escura em três dimensões entre nós e essas galáxias, no campo do céu que observaram. E é a primeira vez que se faz isso", comenta. Há uma razão para se dizer que a matéria escura é o esqueleto do Universo, e não é só porque não está à vista. Oitenta por cento da matéria é escura, distribuída pelo Universo em enormes filamentos. E são eles que agregam a matéria visível, ou bariónica, como os físicos chamam à matéria normal. "Descobriram que a matéria invisível está agrupada em enormes filamentos e em bolas, mais ou menos conectados com outras regiões com matéria escura e bariónica. A matéria escura funciona como um esqueleto gravitacional, para onde a matéria bariónica acaba por ser atraída", explica Domingos Barbosa. "É um esqueleto invisível, à volta do qual a matéria normal vai cair e formar essa carne de estrelas e galáxias."Assim, o trabalho da equipa de Richard Massey permite compreender melhor como a matéria está ordenada pelo Universo, sublinha o investigador português. Mas ninguém sabe de que é feita a matéria escura, que terá surgido pouco depois do Big Bang, o fenómeno que criou, há 13.700 milhões de anos, o Universo que conhecemos. Aliás, os mapas apresentados pela equipa de Richard Massey mostram a distribuição da matéria até à altura em que o Universo tinha metade da idade actual. A escola de pensamento dominante defende que a matéria escura é exótica, logo totalmente diferente da matéria vulgar. "O mais plausível - diz também Domingos Barbosa - é que seja feita de uma partícula exótica."

Colocado na Internet
Novo vídeo mostra corpo de Saddam Hussein
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1281906&idCanal=15
09.01.2007 - 11h07 Lusa

Um vídeo disponível na Internet mostra o corpo de Saddam Hussein parcialmente coberto por um lençol branco, depois de ter sido executado, no passado dia 30 de Dezembro.
O vídeo, provavelmente filmado com um telemóvel, dura 27 segundos e começa com um plano do corpo de Saddam, deitado numa maca e com um braço por cima de um lençol, mostrando o tronco, vestido com um fato preto e uma camisa branca.A cabeça repousa sobre o ombro direito, formando um ângulo de 90 graus devido à fractura na nuca. Sob a barba grisalha aparece uma profunda incisão sangrenta resultante do enforcamento.Um primeiro vídeo filmado com um telemóvel revelava os detalhes da execução de Saddam, enforcado em Bagdad depois de ter sido condenado à morte por ter ordenado o massacre de 148 xiitas em 1982.O vídeo mostra Saddam a ser insultado e provocado pelas testemunhas da execução. Uma delas gritava "Moqtada, Moqtada, Moqtada", o nome do chefe radical xiita Moqtada al-Sadr, cujo pai e tio foram assassinados pelo regime do sunita Saddam Hussein.As autoridades iraquianas abriram um inquérito à divulgação do primeiro vídeo, o que levou à detenção de dois guardas do quadro do Ministério da Justiça para interrogatórios.O procurador do Alto Tribunal Penal iraquiano que condenou Saddam à morte, Mounqith al-Faroun, presente na execução, disse ter visto duas "altas personalidades" a filmar a cena com os seus telemóveis.A televisão iraquiana difundiu um curto vídeo oficial que mostra Saddam a recusar cobrir a cabeça e rodeado de carrascos.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Dez dólares

Aos 12 anos, enquanto estudante num colégio católico
Fidel Castro pediu 10 dólares a Roosevelt
Seria o mundo um lugar diferente se ele a tivesse recebido?
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374705
Expresso 4 de Janeiro de 2007
POR Pedro Chaveca

No dia 6 de Novembro de 1940, o menino Fidel Castro enviou uma simpática carta ao presidente norte-americano, onde pedia “uma nota verde de 10 dólares americanos”.


Javier Galeano/AP
O ícone vivo da luta anti-capitalista, em criança, simpatizava com o presidente americano
10:26 terça-feira, 02 JAN 07





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Fidel Castro, que hoje é o ícone vivo da luta anti-capitalismo, nem sempre se portou como um inimigo dos Estados Unidos. Na afável e cordial carta escrita a Franklin Delano Roosevelt, então presidente americano, o tom é tudo menos hostil.
A carta timbrada com o selo do Colégio de Dolores e manuscrita em inglês, numa impecável caligrafia de criança, inicia-se com um genuíno “meu querido amigo Roosevelt”, para, de seguida, reconhecer com humildade não dominar perfeitamente o inglês: “não sei o suficiente, mas sei o que preciso para lhe escrever”. Fidel aproveita para partilhar com o amigo americano que adora ouvir rádio e que ficou muito feliz com a reeleição de Roosevelt para um novo mandato.
“Uma nota verde de 10 dólares”
Na parte seguinte da carta, o menino de 12 anos vai directo ao assunto: “Se quiser pode enviar-me uma nota verde de 10 dólares americanos na carta, porque eu nunca vi uma nota verde de 10 dólares americanos e gostava de ter uma”. Assim que a carta perde o tom obsessivo em relação à “nota verde de 10 dólares americanos”, o jovem estudante escreve a sua morada, sempre acreditando no envio da tão desejada “nota verde de 10 dólares americanos”.
De seguida, explica que não sabe muito de inglês, mas domina o espanhol, e que o seu interlocutor não deve perceber muito de espanhol, embora domine o inglês, “porque o senhor é americano e eu não sou americano”. A história encarregar-se-ia de dar uma dimensão universal a esta frase.
No fim, já depois de ter assinado numa caligrafia trabalhada e imponente, “o seu amigo Castro. Fidel Castro”, e em estilo post-scriptum, o jovem cubano refere ainda uma das mais-valias da sua ilha natal – o ferro. E oferece-se como cicerone dos americanos para lhes mostrar “as maiores minas de ferro da terra. Elas ficam em Mayari, Oriente, Cuba”. A sua terra natal. O objectivo seria os americanos fornecerem-se de ferro para a construção dos seus navios. Aí, sim, choveriam as tais “notas verdes de 10 dólares americanos”.
Resposta sim, nota não
A História, contudo, não se compadece com os sonhos ingénuos das crianças e, em Outubro de 1962, com Fidel Castro à frente dos destinos de Cuba, o mundo esteve à beira de uma guerra nuclear. Mísseis armados com ogivas nucleares soviéticas estavam prontos a ser usados, caso os Estados Unidos tentassem uma invasão à ilha. Foram 14 dias em Outubro, que poderiam ter sido os últimos.
Quanto à carta propriamente dita, andou perdida durante algum tempo, tendo sido encontrada por uma investigadora há escassos anos. Neste momento, encontra-se arquivada nos Arquivos Nacionais Norte-americanos, juntamente com toda a correspondência enviada por crianças aos vários presidentes dos Estados Unidos.
Uma vez que a presidência norte-americana, possui um departamento próprio para lidar com este tipo de correspondência, é certo que Fidel recebeu resposta, mas não a “nota verde de 10 dólares americanos”.
A embaixada americana em Lisboa confirma a existência da carta e que foi dada uma resposta do lado americano. Embora não possa precisar o conteúdo da carta enviada a Castro, o gabinete de imprensa acredita ter sido um modelo «standard», igual ao que se costuma enviar na maioria dos casos.
O EXPRESSO contactou a embaixada de Cuba em Portugal e está há oito dias a aguardar uma resposta da administração cubana. Em Lisboa, “já ouviram falar desse assunto, mas é melhor esperar uma confirmação oficial”. Ao que parece, a demora deve-se à altura festiva do ano.