"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, janeiro 29, 2008

Descoberto cemitério de guerrilheiros incas
http://dn.sapo.pt/2008/01/29/ciencia/descoberto_cemiterio_guerrilheiros_i.html
INÊS DAVID BASTOS

Arqueólogos encontraram 475 corpos
As obras de ampliação da Avenida Javier Prado, em Lima, no Peru, estavam a decorrer quando, de repente, o funcionário que as dirigia mandou parar as máquinas. É que a escavadora tinha acabado de extrair vários crânios e restos de ossos humanos. De imediato, o arqueólogo Guillermo Cock se dirigiu ao local e ficou surpreendido com a descoberta: a escavadora tinha acabado de pôr a nu o cemitério inca de Puruchuco, que tinha sido alvo das suas investigações entre os anos 1999 e 2001.

As escavações de resgate dos corpos começaram no dia seguinte e tiveram como resultado a descoberta de 475 corpos mumificados que vieram juntar-se aos 1836 corpos que tinham sido já achados em operações anteriores. Com a diferença de que os corpos agora descobertos estavam sepultados quase junto ao solo e em "completa desordem", como noticiou ontem o El Mundo.

O arqueólogo, também investigador da Universidade Católica de Lima, e a sua colega Elena Goycochea depararam-se com outro dado novo: as 475 múmias encontradas não estavam envolvidos em panos, como era costume entre os anos de 1480 e 1535, e as ossadas apresentavam "graves feridas, que não podiam ter sido feitas por armas rudimentares com as que possuíam os incas".

Os habitantes do litoral peruano, onde se encontra o cemitério de Puruchuco, tinham por prática enterrar os seus mortos envoltos em panos de algodão, a mais de sete metros de profundidade e na posição fetal.

Nenhuma destas práticas se verificou no recente achado, pelo que os investigadores tenham concluído que aqueles incas tinham sido mortos às mãos dos conquistadores espanhóis. As provas extraídas em laboratório demonstraram que aqueles homens, cujas idades oscilavam entre os 18 e os 22 anos, faleceram em 1536, o mesmo ano que Manco Inca Yupanqui se revoltou contra Francisco Pizarro, estabelecendo um cer- co em torno das colónias de Li-ma e de Cuzco.

Outro achado que surpre-endeu a equipa de arqueólogos foi a de um crânio perfurado por uma bala. O que levou os investigadores a acre-ditarem que se tratou de um homicídio recente ou de uma execução levada a cabo na década de 90 pelos terroristas do Sendero Luminoso. Como tal, participaram o caso à polícia. Mas um dos arqueólogos acabaria por encontrar o resto do esqueleto, que correspondia a um guerreiro (de 18 anos) de Manco Inca, que teria sido baleado por um dos soldados do espanhol Francisco Pizarro.