"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Universidade de Oxford
Cientistas identificam região do cérebro responsável pelo instinto de proteger crianças
28.02.2008 - 12h40 Lusa
PUBLICA

Investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirmam ter localizado a região do cérebro que activa o desejo de proteger e cuidar das crianças, o chamado instinto maternal e paternal, revela um estudo hoje divulgado.

Um grupo de pediatras, psiquiatras e neurologistas britânicos afirma ter localizado na área do cérebro conhecida como “córtex orbitofrontal medial” (localizada acima dos olhos) a região que é activada quando os adultos visionam as crianças, criando uma necessidade de as proteger e cuidar. A área cerebral em causa está ligada à região que trata do reconhecimento de rostos e é também uma peça-chave para o controlo das emoções, segundo os especialistas.

Além de contribuir para compreender os chamados instintos paternal e maternal, os investigadores afirmam que o estudo pode ser útil na identificação e tratamento da depressão pós-parto, sintoma que afecta cerca de 15 por cento das mulheres e três por cento dos homens nos países desenvolvidos.

Para medir a função que a região do cérebro em causa desenvolve nos instintos humanos, os cientistas analisaram a actividade cerebral de voluntários que, sentados diante de um monitor, tiveram de carregar num botão assim que uma imagem de uma cruz projectada mudava de cor. Entre as imagens projectadas, também foram exibidas rapidamente fotos de adultos e crianças que os voluntários não conheciam.

O mapeamento cerebral instantâneo realizado evidenciou que, enquanto não havia qualquer reacção perante as imagens dos adultos, um grande estímulo cerebral era detectado quando os voluntários viam as fotos das crianças. O afecto sentido pelas crianças e o instinto que leva a cuidar das crias tinha até agora uma explicação darwinista e outra etológica.

Darwin versus Konrad
A primeira, de Charles Darwin, afirma que se trata de um instinto desenvolvido evolutivamente para assegurar a continuidade da espécie; a segunda, do prémio Nobel Konrad Lorenz, indica que a cara e as expressões das crianças representam estímulos que activam uma resposta imediata.

De acordo com os investigadores britânicos, a velocidade com a qual o “córtex orbitofrontal medial” dos voluntários era activado (um sétimo de segundo) quando visionavam as crianças, indica que a reacção não pode ter uma origem consciente ou cultural.

"Acreditamos que a resposta imediata nos leva a tratar crianças de maneira especial", considerou Morten Kringelbach, neurocientista e um dos principais autores do estudo, citado pela agência de notícias britânica Reuters. "A resposta cerebral é tão rápida que temos quase a certeza absoluta de que não há controlo consciente sobre ela", acrescentou.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Jovens tibetanos cegos escalam uma das montanhas mais altas do mundo
www.publico.pt
22 de fevereiro de 2008

seis jovens tibetanos cegos escalaram uma montanha
a proeza vai ser partilhada
em filme
no próximo mês
nos estados unidos

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Aos 81 anos
Fidel Castro abandona definitivamente o poder
O líder cubano renunciou à Presidência do Conselho de Estado e diz que chegou a hora de eleger o seu sucessor.
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/245818
Alexandre Costa
9:43 | Terça-feira, 19 de Fev de 2008
Alejandro Ernesto/EPA
Por motivos de saúde Fidel estava afastado do poder há 19 meses
Fidel Castro renunciou à Presidência do Conselho de Estado de Cuba remetendo a escolha do seu sucessor para a eleição que terá lugar na próxima semana. "Não aspiro, nem aceitarei - repito - não aspiro, nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe", escreveu o líder cubano numa mensagem divulgada hoje na edição online do diário Granma, o jornal oficial do Comité Central do Partido Comunista de Cuba.

Afastado oficialmente do poder há cerca de 19 meses, devido a doença, Fidel anuncia agora a sua saída definitiva, aos 81 anos. "Chegou o momento de escolher o Conselho de Estado, o seu presidente e vice-presidente", afirmou, referindo-se às eleições da próxima semana. Segundo os observadores, Raul Castro, irmão de Fidel e actual Presidente interino, deverá ser o escolhido para presidir ao Conselho de Estado,.

O parlamento cubano, recentemente eleito, reúne-se no dia 24 de Fevereiro para designar os membros do Conselho de Estado, a mais alta instância do poder executivo do regime comunista, bem como o presidente - equivalente a chefe de Estado - e o ou os vice-presidentes.

Na mensagem ao Granma, Fidel Castro sublinhou ter tido "honra de ocupar este cargo - presidente do Conselho de Estado - durante longos anos", depois da nova Constituição de 1976.

O líder comunista está à frente dos destinos de Cuba desde a revolução de Janeiro de 1959. A mensagem de Fidel Castro está datada de 18 de Fevereiro, com a indicação de que foi assinada pelo próprio líder comunista às 17h30 locais (22h30 de Lisboa).

"Conhecendo o meu estado de saúde crítico, muita gente no estrangeiro que pensou que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado, a 31 de Julho de 2006, que deixei nas mãos do primeiro vice-presidente Raul Castro Ruiz, era definitiva", acrescentou.

"Mais tarde, pude novo recuperar totalmente as minhas faculdades, tive a possibilidade de ler e de meditar muito, obrigado a isso pelo repouso. Ao mesmo tempo tinha forças físicas suficientes para escrever durante muitas horas, a par da recuperação", relatou Fidel Castro na mensagem.

"A minha primeira obrigação depois de tantos anos de luta era de preparar (o povo) para a minha ausência, psicológica e politicamente. Nunca deixei de lembrar que se tratava de uma recuperação que não era 'isenta de riscos'", acrescentou.

"Felizmente, o nosso processo (político) ainda conta com quadros da Velha Guarda, unidos a outros, que eram mais jovens quando começou a primeira etapa da Revolução", referiu.

"O caminho vai ser difícil e vai exigir o esforço inteligente de todos", indicou.

"Não vos digo adeus. Desejo combater como um soldado das ideais. Continuarei a escrever, sob o título "Reflexões do camarada Fidel". Será uma arma do arsenal, com a qual há que contar. Pode ser que a minha voz seja ouvida. Serei prudente. Obrigado", conclui a mensagem.

Estudo de três anos
Investigadores britânicos querem descobrir por que acreditamos em Deus
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1320118
19.02.2008 - 13h19 Lusa
Um grupo de cientistas da Universidade de Oxford, Reino Unido, vai gastar dois milhões e meio de euros para descobrir por que é que as pessoas acreditam em Deus.

Os investigadores do Centro Ian Ramsey para a Ciência e Religião e do Centro de Antropologia e da Mente, em Oxford (Reino Unido), vão desenvolver uma "abordagem científica ao porquê de se acreditar em Deus e a outros assuntos em torno da natureza e da origem da crença religiosa", explicaram na edição de hoje do jornal "The Times".

Os cientistas não tentarão responder sobre se Deus existe ou não: eles vão investigar se a crença em Deus foi uma vantagem que contribuiu para a sobrevivência e evolução da espécie humana, ou, ao contrário, se a fé é, tal como outras características do Homem, um produto dessa evolução.

"Estamos interessados em explorar exactamente de que forma a crença em Deus é um fenómeno natural [na espécie humana]. Achamos que há mais de natural do que muitas pessoas supõem", adiantou o psicólogo Justin Barret.

O cientista compara os crentes a crianças de três anos de idade, que "assumem que os adultos sabem praticamente tudo o que há para saber".

Justin Barret, que é cristão, explicou que a tendência das crianças para acreditar na omnisciência dos outros, que é necessária para permitir que os seres humanos socializem e cooperem, é atenuada pela experiência ao longo do crescimento, mas continua no que diz respeito à crença em Deus.

"Geralmente ela continua na vida adulta", afirmou o investigador britânico, rematando: acreditar "é fácil, é intuitivo, é natural".

O estudo vai também tentar demonstrar se a crença na vida depois da morte é algo que tem de ser ensinado ou se é uma característica inata ao Homem, produto da selecção natural, tal como procurará investigar outras questões, por exemplo se os conflitos religiosos são inerentes à natureza humana.

Os cientistas vão relacionar a religião com a biologia evolutiva, recorrendo ainda a outras disciplinas científicas ligadas à mente, da neurociência à linguística.

O estudo conseguiu o financiamento de 2,5 milhões de euros da Fundação John Templeton, que apoia pesquisa em religião, ciência e espiritualidade, e terá a duração de três anos.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Como aprendem os cães

Portugal: Como aprendem os cães que guiam os cegos
http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080212095041&z=1
12.02.2008

Foi na Escola de Cães-guia de Mortágua, a única em Portugal, que Camila e Lua foram treinadas. Esta escola, criada em 1999, já entregou 50 cães-guia. Recebe do Estado cerca de 60 por cento do seu financiamento, o resto do orçamento é conseguido através de doações de empresas e de festas e sorteios de rifas organizados pela própria escola. "Temos falta de ajudas financeiras que nos possibilitem aumentar o número de educadores e consequentemente formar mais cães", apela Filipa Paiva. Com três educadores, forma anualmente 12 guias e tem uma lista de espera de cem pessoas - o tempo previsto para a entrega de um cão é de quatro anos. "A situação começa a complicar-se", queixa-se Filipa Paiva, a veterinária da escola. "Os primeiros cães que entregámos estão a morrer e damos sempre prioridade às pessoas que já tiveram um cão-guia".

Apesar de a peça jornalística me parecer muito pobre em termos de informação, esta é 1 realidade para a qual vale a pena chamar a atenção. Há pessoas a fazer um trabalho meritório em prol daqueles que necessitam de um guia para ultrapassar os obstáculos que os mentalmente débeis (embora possam ver) espalham pelas cidades, vilas e aldeias deste país. Já para não falar dos transeuntes, que como diz uma das educadoras dos cães-guia, são o maior obstáculo que estes cães (e obviamente os cegos que eles guiam) enfrentam. Típico, num país em que o civismo é palavra desconhecida. Quanto aos obstáculos estáticos são inúmeros: sinais de trânsito em locais inacreditáveis, com alturas totalmente ilegais, buracos, alturas desiguais de passeios, quando os há – já para não mencionar a ordem dos números nos terminais de multibanco, sempre diferente - como é que um cego pode usar as caixas multibanco se é impossível decorar a ordem dos números? Ah, e não esquecer os carros estacionados selvaticamente por tudo quanto é passeio... Quanto a estes obstáculos, penso que a única forma de sensibilizar os débeis mentais instalados nos poderes locais, a solução passa por soltá-los nas suas cidades, vilas e aldeias, de olhos vendados. Talvez assim, depois de algumas nódoas negras, percebam como vai o (des)ordenamento do território por cá. (Isto implica que, muito generosamente, ainda acredito que essas criaturas são capazes de aprender alguma coisa.) Uma última questão: para quando o ensino da linguagem gestual no 1º ciclo da escolaridade obrigatória? Será possível que ainda ninguém tenha pensado nisso?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Embriões com duas mães e um pai
http://dn.sapo.pt/2008/02/07/ciencia/embrioes_duas_maes_e_pai.html
LUÍS NAVES
GETTY IMAGES
Um embrião humano com um pai e duas mães? Não, não é ficção, mas o resultado de uma experiência científica. Segundo o Daily Telegraph, uma equipa britânica criou dez embriões com material genético proveniente de três progenitores. Isso foi conseguido por fertilização in vitro. Mas se eventualmente a técnica vier a dar origem a pessoas, estas terão a aparência e personalidade resultantes de apenas um pai e de uma mãe. A descoberta ainda não foi publicada em revistas científicas e a equipa, liderada por Doug Turnbull, quer avançar para a fase de desenvolvimento de tratamentos. A notícia coincidiu com a discussão, no Parlamento britânico, de uma nova lei sobre fertilidade humana e embriologia, o que aumentou um já de si vivo debate no Reino Unido.

No trabalho de Turnbull, o que está em causa é um transplante de ADN mitocondrial, que os humanos herdam das suas mães e que, neste caso, virá de uma dadora. As mitocôndrias são as "centrais eléctricas" das células, os órgãos onde é produzida a energia que permite sustentar a vida. Ali existe também material genético, mas em pequena quantidade, apenas 16 mil dos três mil milhões de pares-base do genoma humano, que codificam as proteínas.

O estudo realizado pelos britânicos consistiu em retirar um núcleo de um óvulo fertilizado, que depois foi implantado numa célula da dadora de ADN mitocondrial. Foram usados embriões que não iriam servir para tratamentos de fertilidade e os embriões foram destruídos ao fim de alguns dias. Segundo afirmou um dos investigadores, Patrick Chinnery, citado pelas agências, a intenção não era modificar genes, "mas apenas substituir uma pequena parte" de genes defeituosos por outros sem deficiências.

Grupos pró- -vida opõem-se à continuação deste tipo de investigação. A descoberta é controversa, mas tem potencial para solu- cionar doenças genéticas transmitidas pelo ADN mitocondrial. No futuro, pode salvar vidas, pois calcula-se que uma em cada cinco mil crianças nasça com deficiência deste tipo. As doenças mitocondriais incluem desordens musculares e epilepsia, mas há doenças fatais, afectando órgãos como fígado, cérebro ou coração.

"A investigação visou prevenir um grupo de doenças pouco comuns, mas severas, que afectam o sistema nervoso e os músculos", explicou Chinnery à AFP.

De acordo com o investigador, "em muitos casos, [estas doenças] são fatais e não têm tratamento. O objectivo é desenvolver formas de evitar que passem da mãe para os seus filhos". Segundo esta equipa, a técnica de transplantar "mitocôndrias boas" poderá ser uma rotina acessível dentro de uma década.|

Máquinas de Da Vinci em tamanho real mostram o génio em Belém
http://dn.sapo.pt/2008/02/07/artes/maquinas_da_vinci_tamanho_real_mostr.htmlLEONOR FIGUEIREDO
São 20 máquinas de madeira em tamanho real, fabricadas por artesãos italianos que respeitaram as indicações deixadas por Leonardo Da Vinci (1452-1519) há vários séculos, podendo todas elas ser accionadas para demonstração.

Algumas das obras marcaram passos gigantescos nas áreas da engenharia e ciência. Na exposição que pode ser visitada até 25 de Maio, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, das 10.00 às 19.00, vêem-se ascensores de manivela, hélices, tanques blindados, automóveis, asas voadoras e barcos de pás. São apenas algumas das invenções do génio renascentista que já passaram por outros países europeus e que ajudarão a redescobrir este importante artista italiano.

"A exposição é um estímulo à compreensão para a cultura, integrando-a num ambiente divertido, onde a aprendizagem se faz sem esforço e se ajuda o público a encontrar espaços que fomentem a sua auto- -realização e o conhecimento das realidades que fizeram e fazem história" diz, sobre a mostra, Paco Molina, da empresa Cultura Entretenida, que a trouxe a Portugal.

As "Asas Voadoras" (na foto), uma das máquinas de Da Vinci, utiliza manivelas, sistemas de roldanas, cordas e rodas dentadas, com a finalidade de reproduzir fielmente as asas dos morcegos e as suas articulações.

Outra das "máquinas" incríveis é uma bicicleta concebida na Renascença. Foi tão surpreendente que ainda se pôs a hipótese de ser uma cópia, mas "a projecção do sistema de transmissão - a corrente dentada -, idealizada por Da Vinci, que foi encontrada no Códice de Madrid, afastou essa ideia. Paralelamente à exposição, irão decorrer colóquios e actividades relacionadas com a obra de Da Vinci.