"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, julho 08, 2008

Mao Zedong perde lugar nas notas de dez yuans
http://dn.sapo.pt/2008/07/08/internacional/mao_zedong_perde_lugar_notas_dez_yua.html
LUÍS NAVES
China. Pequena revolução no papel-moeda

Líder comunista substituído por estádio olímpico
São frequentes as petições na China para haver diversificação das imagens nas notas de yuans em circulação. No entanto, todas as maiores denominações (5, 10, 20, 50 ou 100) incluem a imagem de um sorridente Mao Zedong, embora se fale da possibilidade de este ser substituído pelo sucessor político, Deng Xiao Ping.

Apesar da riqueza histórica da China, as autoridades sempre recusaram aceder a estes pedidos de mudança e o primeiro líder comunista só não aparece nas notas mais antigas ainda em circulação.

Mas os Jogos Olímpicos de Pequim, que começam no próximo mês, conseguiram o feito notável de substituir a efígie de Mao das notas de 10 yuans. O banco central chinês coloca hoje em circulação uma emissão de notas em que, em vez do fundador da República Popular da China, surge o novo estádio olímpico, o já famoso "ninho de pássaro". Em fundo, um dos edifícios mais visitados de Pequim, o Templo do Céu.

A substituição, apesar de tudo, não é inédita, pois já surgira uma nota de 100 yuans com um dragão, em 2000, para comemorar o novo milénio. A nova emissão olímpica limita--se a seis milhões de notas e, além do logótipo dos jogos, terá no verso a imagem de uma estátua clássica grega, de um lançador de disco. O valor da nota de 10 yuans ronda um euro.

As novas notas serão um pouco maiores do que as de Mao e incluem elementos de segurança mais sofisticados do que é habitual no dinheiro chinês. O domínio da imagem do antigo Presidente nas notas de banco surgiu em 1999, para tentar impedir as falsificações.|

sábado, julho 05, 2008

Exposição abriu hoje ao público
Berlim: visitante do museu Tussauds decapita figura de cera de Adolf Hitler
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334543&idCanal=62
05.07.2008 - 12h12 Agências

Um homem de 41 anos foi hoje detido por arrancar a cabeça da figura de cera de Adolf Hitler no Museu Tussauds de Berlim, que hoje abriu as suas portas ao público, informou a polícia alemã. A presença da figura do ditador germânico tinha já gerado duras críticas antes da inauguração.

De acordo com a polícia, o responsável da decapitação vive no bairro de Kreuzberg, um lugar conhecido pela sua multiculturalidade e porque os seus habitantes são tradicionalmente votantes de esquerda.

O homem quis manifestar-se contra o facto de a figura de Hitler fazer parte da exposição, opinião partilhada por muitos sectores da opinião pública e política.

Os organizadores explicaram a sua presença na galeria afirmando que o ditador pertence à História alemã e que, para além disso, a figura mostra a sua época de decadência, encerrado no seu “bunker” e rodeado pelo som de bombas aliadas, não se prestando a qualquer espécie de culto por parte dos membros da extrema-direita.

Para além disso, de acordo com os responsáveis, a figura não poderia ser tocada nem fotografada, advertência que caiu por terra logo na primeira jornada de exibição.

Contrariando as advertências, o homem abeirou-se da figura de cera de Hitler, tendo sido admoestado por outro visitante, o que originou uma escaramuça entre ambos. No final, o habitante de Kreuzberg arrancou a cabeça a Hitler.

A filial do Museu Tussauds em Berlim é a terceira na Europa, depois de Londres e Amesterdão, e a oitava em todo o mundo.

sexta-feira, julho 04, 2008

As Olimpíadas que não foram
http://dn.sapo.pt/2008/07/04/dnsport/as_olimpiadas_nao_foram.html
LUÍS PEDRO CABRAL

Adiados. Devido à I Guerra Mundial, a competição de 1916 não se realizou. Sobraram, sim, polémicas ligadas aos anteriores, na Suécia. Que chegaram a pôr em causa o próprio Comité Olímpico Internacional e a sua concepção de amadorismo. Situação criada pelas guerras desportivas entre ingleses e americanos
O mundo não estava interessado em questões desportivas
O sucesso dos Jogos Olímpicos de 1912 em Estocolmo revitalizou o espírito olímpico e mostrou ao mundo como organizar uma competição destas dimensões, integrando comitivas dos cinco continentes, globalizando-a, no melhor sentido do termo. O mundo, porém, caminhava inevitavelmente para um dos momentos mais tenebrosos da história da humanidade, na vertigem da eclosão da I Guerra Mundial. Em Julho de 1914, com o assassínio do arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do Império Austro-Húngaro, às mãos da Mão Negra, grupo terrorista nacionalista sérvio, tornou-se imparável a sequência de acontecimentos que culminariam na Grande Guerra. Quatro impérios desmoronaram, mais de nove milhões de pessoas perderam a vida até à paz podre de 1918.

Não estava, portanto, o mundo virado para o desporto, nem com espírito remotamente olímpico para levar por diante os Jogos Olímpicos de 1916, marcados para a cidade de Berlim que, por razões mais que óbvias, seriam anulados. Foi um duro golpe para o Comité Olímpico Internacional, chegando mesmo a colocar em causa a sua continuidade, mesmo em tempos de paz, coisa que ainda não estava à vista no futuro próximo. O próprio barão de Coubertin mostrou-se muito abalado com o que o Mundo estava a fazer ao Mundo e com o que o Mundo estava a fazer aos Jogos Olímpicos, em riscos sérios de extinção neste momento.

Aliás, na ressaca dos Jogos Olímpicos de Estocolmo, muitos heróis, muitas polémicas e pelo menos uma discussão acérrima entre ingleses e americanos, estritamente desportiva, havia de perdurar. É que, os resultados de alguns superatletas americanos nas Olimpíadas da Suécia trouxeram a lume, algo que o barão de Coubertin entendia ser uma questão de princípio e de honra para a manutenção do espírito olímpico, que tinha por base o amadorismo. O mesmo "amadorismo" que a veia aristocrata de Charles Pierre Fredy protegia com unhas e dentes. O "amadorismo" que durante um longo período acabaria por beneficiar os atletas do Leste europeu.

Um ano depois das Olimpíadas de 1912, estalou o escândalo em torno de Jim Thorpe, a quem o rei Gustavo V da Suécia chamou o melhor atleta do planeta, mas a quem acabariam por ser retiradas as medalhas de ouro, conquistadas no decatlo e no pentatlo, alegando que Thorpe tinha jogado futebol americano profissionalmente anos antes destas olimpíadas. Os ingleses aproveitaram imediatamente a deixa para acusar os americanos de ter um sistema semiprofissional dos seus atletas, já que este estava alicerçado no próprio sistema de ensino escolar. Jim Thorpe foi a grande vítima deste braço-de-ferro. Mesmo que mais tarde tenha provado à saciedade as suas qualidade atléticas sem igual. O próprio Comité Olímpico Internacional viu em Jim Thorpe o bode expiatório ideal, para que a mensagem ficasse bem vincada e, sobretudo, para evitar futuros "prevaricadores". A história de Jim Thorpe, como tantas outras à volta da História do olimpismo, estava mal contada. Passaram-se décadas até ter sido reposta a justiça das vitórias deste norte-americano, embora contendo a mais injusta das injustiças para o atleta: Aconteceu a título póstumo.|