"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sábado, fevereiro 21, 2009

Centenas de línguas ameaçadas de extinção no mundo
http://jornal.publico.clix.pt/
21.02.2009


Se há línguas faladas por muitos milhões de pessoas, há outras que só estão vivas porque uma família ou uma única pessoa ainda as usa, diz a UNESCO


Dentro de uns 100 anos, no máximo, ou metade disso, já ninguém falará karaim ou holikachuk, duas das línguas que por milagre ainda se ouvem, de acordo com o último levantamento que a UNESCO fez das falas humanas. Mas o problema é maior: as que estão em perigo são 36 por cento das ainda vivas.
O aviso consta no mais recente atlas internacional das línguas lançado ontem em Paris pela Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação, que analisou o que se fala no mundo. Concluiu que 2500 das 6900 línguas estão em perigo de extinção.
A edição foi realizada por 25 linguistas, sob a direcção do australiano Christopher Mosely, e está na Internet para melhor ser corrigida ou actualizada em http://www.unesco.org/culture/fr/endangeredlanguages.
Numa primeira leitura parece que a situação se agravou - na primeira edição, em 1996, havia 600 línguas em perigo e, na de 2001, já 900. Mas não é verdade: o que aconteceu, disse a subdirectora-geral da organização, Françoise Riviére, foi que a base de investigação foi "alargada", a metodologia "desenvolvida" e o terreno "mais bem coberto". E isso deu um resultado aparentemente mais assustador do que é.
Segundo os investigadores, que assentaram o trabalho numa tipologia compreendendo quatro categorias, 200 línguas extinguiram-se nas últimas três gerações, 538 estão em situação crítica, 502 estão seriamente em perigo, 623 em perigo e 607 vulneráveis.
Curiosamente, é nos maiores países que o panorama é pior: a Índia vem à frente, com 196 casos, os Estados Unidos com 192, a Indonésia com 147, a China com 144, o México com 144 e a Rússia com 136. O "paradoxo" é explicado por Moseley: "Quanto maior for a diversidade linguística, maior é o número de línguas em perigo".
Umas vezes, as línguas em risco não são faladas senão por um grupo muito diminuto. Há 199 nessa situação. É o caso do karaim, usado apenas por seis pessoas na região ocidental da Ucrânia, do holikachuk, com cinco falantes no Alasca, ou do gweno, usado só por dez tanzanianos. Na África subsariana, onde se falam 2000 línguas, pelo menos dez por cento não se aguentarão mais de 100 anos.
Mas há regiões onde as coisas não correm tão mal. É o caso da Papuásia-Nova Guiné, onde se concentra a maior diversidade linguística do planeta, com 800 línguas, onde apenas 88 são consideradas em perigo.
As causas de extinção das línguas são basicamente duas, segundo Françoise Rivière: a "militar", quando há a "vontade de erradicar a visão do mundo de um grupo", e uma psicológica, ou a "vontade de um grupo de se submeter à língua dominante".
Não sendo assim uma questão de grande alarme, a UNESCO aconselha, no entanto, "políticas educativas" como forma de contrariar o fenómeno, empobrecedor da diversidade cultural da humanidade.
2500

das 6900 línguas faladas no mundo estão em riscos de extinção - a UNESCO sugere "políticas educativas"

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

O mamute de Los Angeles
http://dn.sapo.pt/2009/02/20/ciencia/o_mamute_los_angeles.html

FILOMENA NAVES
Descoberta. Podia parecer o argumento de uma sequela do filme 'A Idade do Gelo', com o mamute a liderar um tigre dentes de sabre, um leão pré-histórico, mais uns bisontes e um par de linces. Mas não. Desta vez, o que chega da cida- de de Los Angeles é a descoberta de alguns milhares de ossos fossilizados de espécies... da última Idade do Gelo. Um mamute é a estrela da companhia

Apenas os dentes têm três metros de comprimento

No coração de Los Angeles, a cidade californiana dos sonhadores e dos campeões com os olhos postos no futuro, como os nativos se vêem a si próprios, cientistas do George C. Page Museum, o museu de história natural local, desenterraram um verdadeiro tesouro do passado. Trata-se de uma enorme colecção de ossos fossilizados de várias espécies já extintas, entre as quais está a um mamute quase completo, a que os paleontólogos chamaram carinhosamente Zed.

Zed, aquele que "abre uma nova era de investigação e de descoberta", como explicou o curador do museu Page para justificar o nome escolhido, foi encontrado por acaso, há cerca de seis meses, mas o achado só ontem foi publicamente divulgado. Os trabalhadores que estavam a fazer as escavações para a construção de um grande parque de estacionamento tropeçaram literalmente no achado, junto ao La Brea Tar Pits, uma zona paleontologicamente muito rica, onde o próprio museu Page tem feito escavações e diferentes descobertas desde há várias décadas.

Zed, no entanto, é o primeiro mamute a ser encontrado naquela região americana e tem a vantagem de estar quase completo, faltando-lhe apenas uma das pernas traseiras. Mas Zed não estava só. Os investigadores descobriram também fósseis de um felino com dentes de sabre, de um leão americano já extinto, de linces, de coiotes e de bisontes, entre outros, todos da última era glaciar, entre há 40 mil e 10 mil anos.

Os ossos fossilizados, que foram retirados do local em duas dezenas de blocos e acondicionados em grandes caixas de madeira, estão agora a ser retirados das caixas, a ser cuidadosamente limpos da terra que os envolve e recuperados para poderem ser estudados em detalhe.

O trabalho já dura há alguns meses e os cientistas pensam que ele ainda vai continuar pelo menos durante cinco anos até os fósseis ficarem completamente tratados. Mas, do trabalho realizado, os cientistas já conseguiram tirar algumas conclusões. Sobre Zed, por exemplo, os cientistas já sabem que ele tinha mais de 40 anos quando morreu e que viveu entre há 40 mil e 10 mil anos. Impressionante é a dimensão dos seus dentes externos, com cerca de três metros de comprimento.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Televisões apostam em pivôs afro-americanos
http://dn.sapo.pt/2009/02/16/media/televisoes_apostam_pivos_afroamerica.htmlEUA. Mudança social ou efeito Obama?

Jornalistas e analistas políticos afro--americanos ganharam protagonismo nas cadeias televisivas dos Estados Unidos durante o último ano. É difícil pensar nesta mudança sem a associar ao efeito Obama, até porque a tendência se acentuou durante o longo período eleitoral.

Para além da estação pública PBS que tem dois dos seus programas de prime time apresentados por afro- -americanos - Gwen Ifill e Tavis Smiley -, a cadeia privada CNN não escapou à tendência.

The Situation Room, um dos espaços informativos com maior audiência na CNN, passou a ser apresentado por Suzanne Malvaux, sempre que o seu carismático apresentador Wolf Blitzer não o pode fazer. Também em termos de analistas políticos, o canal noticioso passou a contar com a participação quase diária de quatro afro-americanos: Roland Martin, Donna Brazile, Jamal Simmons e Amy Holmes.

Para Joe Klein, presidente da CNN, esta mudança não é produto do efeito Obama, mas sim o reflexo de uma grande transformação social que se tem registado na sociedade norte-americana e que tem permitido a ascensão social dos afro-americanos.

Para além da eleição de Barack Obama, na semana passada também os republicanos elegeram pela primeira vez um presidente do partido negro, Michael Steele.| - M. M., com agências