"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sábado, março 07, 2009

ATENTADOS QUE MUDARAM A HISTÓRIA


ABEL COELHO DE MORAIS
Violência. Síntese não exaustiva do recurso à violência desde a segunda metade do século XX até à actualidade como instrumento de actuação política e arma para forçar a mudança de regimes ou alcançar a eliminação de adversários. Para alguns, a violência continua a ser a "grande parteira da história"

Quando a morte de governantes marca uma época

O destino marca a hora - a hora em que se desfazem os cálculos e carreiras políticas, o momento em que figuras centrais num país ou numa conjuntura histórica desaparecem pela acção violenta de adversários. Foi assim em Bissau, com o ataque que pôs fim à vida do Presidente Nino Vieira, num ajuste de contas com fiéis do comandante das forças armadas, Tagmé Na Waié.

Este foi o mais recente de uma longa lista de mortes que, após 1945, mudaram a História. A começar com John F. Kennedy que caiu pelos disparos de Lee Oswald, em Dallas a 22 de Novembro de 1963. Kennedy tinha uma visão para a América e um conceito para a Guerra Fria, mas tudo isso foi apagado no momento da sua morte.

Destino alterado de forma radical foi o de Espanha com o atentado à bomba da ETA que vitimou o chefe do Governo, almirante Carrero Blanco, a 20 de Dezembro de 1973, em Madrid. O grupo terrorista basco, sem o desejar, acelerou o caminho para a democracia, concretizado cinco anos mais tarde.

Outra mudança de regime - também a curto prazo - iria suceder com o desaparecimento brutal do rei Birendra, do Nepal. A 1 de Junho de 2001, em Catmandu, o monarca era assassinado com mais oito membros da família real pelo príncipe herdeiro Dipendra.

Aquele não concordou com os planos de casamento que os pais lhe prepararam. Entrou armado, e alcoolizado, no salão do palácio onde decorria a refeição familiar e disparou em todas as direcções. O sucedido levou ao poder Gyanendra, o irmão do falecido rei. Gyanendra apostou numa estratégia de tudo ou nada no combate à guerrilha maoísta e na concentração de poderes na sua pessoa. Acabou derrotado politicamente e forçado a abdicar.

País fronteiriço com o Nepal, a Índia, cuja política foi hegemonizada pela família Nehru (que adoptou o nome de Gandhi) e lhe deu vários chefes do Governo. Como Indira Gandhi, assassinada a 31 de Outubro de 1984 por dois guarda-costas sikhs, em retaliação pelo ataque do exército indiano à Templo Dourada, o mais importante para esta denominação religiosa.

Também de retaliação se tratou no Egipto, onde o Presidente Anwar al Sadat foi assassinado durante uma parada militar no Cairo, a 6 de Outubro de 1981. Abatido por militares islamitas, a morte de Sadat tem sido atribuída aos acordos de Camp David de 1978, com Israel, ou ao facto de ter acolhido o xá destronado da Pérsia. Significativamente, só um Chefe de Estado árabe esteve presente no funeral e só dois dos 24 Estados da Liga Árabe enviaram representantes ao funeral.

Por um outro acordo de paz, o de Oslo em 1993, irá morrer o chefe do Governo israelita Yitzhak Rabin, a 4 de Novembro de 1995, assassinado por um opositor radical à coexistência israelo-palestiniana.
http://dn.sapo.pt/2009/03/07/internacional/atentados_mudaram_a_historia.html
Fim de ciclo

Na Europa, duas mortes vão assinalar o fim de duas épocas. Na Suécia, o assassínio de Olof Palme evidencia que o regime quase perfeito da social-democracia e um líder político que vivia como um cidadão comum, não estão incólumes ao terrorismo. Palme foi assassinado à saída de um cinema com a mulher a 28 de Fevereiro de 1986.

Na Roménia, um Nicolae Ceaucescu envelhecido e crescentemente divorciado da realidade vai enfrentar uma vaga de protestos que, em menos de 24 horas, o afastou do poder. Ele e a mulher serão expeditamente julgados e executados a 25 de Dezembro de 1989. Também na Roménia, o regime do socialismo real não tinha futuro.

Quanto ao futuro na Guiné-Bissau, será que o desaparecimento dos dois adversários irredutíveis irá marcar um novo - e diferente - capítulo na história do país?

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

El asesinato del Almirante Carrero Blanco, mudó la Historia de España (para peor)

7:32 p.m.

 

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