Crianças questionam Rice sobre waterboarding
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05.05.2009
Condoleezza Rice, na sua primeira visita a Washington desde que deixou de ser secretária de Estado, esteve numa escola primária judaica, na capital dos Estados Unidos. Com um discurso amigável perante algumas dezenas de estudantes, revelou o seu amor por Israel, o seu gosto por viagens, a importância de aprender línguas e, em seguida, propôs-se a responder a algumas perguntas.
No início, foram inócuas. Por exemplo, "como foi crescer numa cidade segregada como Birmingham, no Alabama?" Até que Mischa Lerner lhe perguntou: "O que é que pensa do que a Administração Obama está a dizer sobre os métodos utilizados pela Administração de George W. Bush para obter informação dos detidos?"
Rice respondeu imediatamente, dizendo que estava relutante em criticar Obama, e foi ao centro da questão. "Deixem-me dizer que o Presidente Bush tornou bastante claro que faria tudo para proteger o país", afirmou. "Mas também deixou claro que não faria nada que fosse contra a lei ou contra as nossas obrigações internacionais."
"Espero que compreendam que foram tempos difíceis. Estávamos aterrorizados com a possibilidade de um novo ataque. O 11 de Setembro foi o pior dia do tempo em que estive no governo, ao ver morrer 3000 americanos. E mesmo nas mais árduas circunstâncias, o Presidente não estava disposto a cometer ilegalidades", acrescentou.
A mãe de Misha, Inna Lerner, disse que a pergunta que o seu filho tinha inicialmente pensado era ainda mais insubordinada: "Se trabalhasse para a Administração Obama, avançaria com a tortura?" "Teve de a aligeirar e retirar a palavra 'tortura'. Mas a essência da pergunta era a mesma".
Rice pôs o dedo na ferida quando, na semana passada, discursou na Universidade de Stanford. Disse "não torturámos ninguém". "O Presidente tinha-nos instruído para que não fizéssemos nada contra as nossas obrigações, obrigações legais, de acordo com a Convenção Contra a Tortura". "E assim, por definição, se foi autorizado pelo Presidente, não violou as nossas obrigações para com as convenções de Genebra", acrescentou.
Os críticos disseram que o comentário tinha ecos do discurso do Presidente Richard M. Nixon, "Quando um Presidente o faz, quer dizer que não é ilegal". Alec MacGillis, Exclusivo PÚBLICO/Washington Post
Rice defende que o uso de waterboarding foi legal, uma vez que foi autorizado pelo Presidente George W. Bush

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