Neurologia
Olhos nos olhos para reconhecer um rosto
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1324368&seccao=Sabia que
por F.N.03 Agosto 2009
O cérebro humano desenvolveu uma estratégia para reconhecer rostos, que se baseia num mínimo de elementos e num máximo de economia e de eficácia. O olhar é um elemento central dessa estratégia. É ali que o cérebro centra toda a sua atenção inicial, porque é esta a imagem que contém menos 'ruído' para o seu objectivo final: identificar de quem se trata.
Primeiro os olhos, e só depois a boca, e a seguir o nariz. Quando se trata de reconhecer o rosto de alguém, é esta a hierarquia estabelecida pelo nosso cérebro para a recolha da informação. Uma especialização, afinal, para captar o máximo de informação possível com um mínimo de elementos. Ou seja, há aí um processo de diferenciação e simultaneamente de economia de meios.
Esta é a conclusão de um estudo publicado por um grupo de investigadores da Universidade de Barcelona na revista PLos Computational Biology que pretendeu verificar, justamente, quais eram os elementos essenciais para o reconhecimento de uma cara.
Muitas questões à volta das estratégias visuais do cérebro, e dos seus circuitos neuronais, são estudadas há anos e já se se sabia, por exemplo, que o cérebro usa em primeiro lugar as chamadas frequências espaciais baixas para fazer o reconhecimento facial. Ou seja, prefere o que na imagem compõe o quadro geral, por oposição às frequências espaciais altas, que representam os detalhes.
Em consequência desta estratégia, quando nos afastamos de uma pessoa (ou quando a sua imagem se afasta de nós), a primeira coisas que perdemos de vista são os detalhes (altas frequências), permanecendo a percepção das generalidades, exactamente através das baixas frequências.
"Para identificar um rosto numa imagem, o cérebro processa a informação sempre com a mesma baixa resolução, ignorando a distância à imagem e até a própria resolução da imagem", explicou o principal autor do estudo, Matthias Keil, notando que, até agora, ninguém conseguido explicar este fenómeno da preferência do cérebro pelas baixas frequências espaciais para reconhecimento de um rosto. "Foi daí que parti", adiantou o investigador.
À chegada, o que o investigador da Universidade de Barcelona conseguiu perceber foi que o cérebro humano extrai a melhor informação (para o reconhecimento de um rosto) de uma imagem de baixa resolução de 30 por 30 pixels, o que mostra que não são exactamente os pormenores que contam.
O investigador testou também as várias "partes" do rosto como elementos de identificação e chegou à conclusão de que são os olhos que ganham aos pontos.
"As imagens dos olhos fornecem ao cérebro os dados com menor índice de 'ruído', o que significa que transmitem a informação de maior confiança para o reconhecimento de um rosto do que as imagens do nariz ou da boca", explicou o investigador. "O cérebro adaptou-se para extrair a informação mais útil de um rosto, de forma a identificá-lo rapidamente". E adaptou-se da forma mais económica e também mais eficaz, o que terá jogado um papel importante em termos evolutivos

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home