"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, setembro 30, 2009

Um desenho que mostra como poderia desenvolver-se uma doença destas no tiranossauro

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1402980





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Antepassado da tricomonose propagava-se devido ao comportamento dos répteis
T. rex pode ter sido vítima do parente de um microrganismo que hoje afecta aves
29.09.2009 - 22h50 PÚBLICO
Foram as mandíbulas que levantaram as suspeitas aos paleontólogos. Os furos que muitos dos fósseis apresentam sugerem que o Tyrannosaurus rex e as suas espécies parentes sofreram de uma doença parecida com a que hoje assola muitas aves.

A tricomonose, que existe nos pombos sem os afectar mas que é grave nas aves de rapinas é causada pela Trichomonas gallinae, uma espécie de protozoário que causa inchaços na parte interior da mandíbula inferior e que acaba por atacar o osso. Alguns das especímenes mais famosas de T. rex encontrados têm exactamente o mesmo tipo de buracos nas mandíbulas.

“Os buracos na mandíbula do tiranossauro ocorrem exactamente no mesmo local das aves que têm tricomonose. A forma dos buracos e a maneira como o osso à volta está, é muito parecido em ambos os animais”, explicou em comunicado Ewan Wolff, paleontólogo da Universidade de Wiscosin-Madison, e um dos autores do artigo publicado hoje na “PLoS One”. O paleontólogo acrescenta que se pensava que estas lacerações eram feitas por mordidas ou devido a infecções bacterianas.

A doença parece ser muito comum nos tiranossauros e pode ter sido mortal. “À medida que o parasite começa a causar uma infecção importante, as lesões ao redor da mandíbula e dentro da garganta acabam por desgastar o osso. Assim que as lesões crescem, o animal tem problemas em engolir comida e acaba por morrer à fome”, disse em comunicado Steve Salisbury, paleontólogo da Universidade de Queensland, que também foi responsável pelo estudo.

Os dinossauros e as aves estão ligados evolutivamente. Não é de estranhar que uma doença tenha evoluído a partir dos grandes répteis para as aves.

Segundo os investigadores, a doença poderá ter sido dispersa através de lutas em que os tiranossauros se mordiam uns aos outros ou devido ao canibalismo, um comportamento defendido em alguns estudos. “Lutar e especificamente morder na cabeça poderia ter sido um mecanismo ideal para espalhar a doença entre tiranossauros”, disse Salisbury.

“Não achamos que seja uma coincidência que um número significativo de tiranossauros adultos mostrem marcas de mordidas na cabeça e sinais da doença parecida com tricomonose”, disse Salisbury, acrescentando que estudos passados mostram que 60 por cento dos indivíduos apresentam mordidas na cara.

“No nosso estudo encontrámos provas de mordidas na cabeça em 30 por cento dos indivíduos com a doença”, disse Wolff. Segundo o investigador este grau de proporção sugere que o comportamento e a doença podem estar relacionados.

“Podemos ver parecenças com o que está a acontecer recentemente com os diabos da Tasmânia, onde um cancro facial debilitante está a ser espalhado pelos animais quando lutam e mordem na cara uns dos outros”, disse Salisbury. “A doença pode acabar por matar o mamífero icónico da Austrália.”