O livro de instruções foi escrito por um ilusionista no pico da guerra fria
Manual de artimanhas mágicas da CIA à venda nas livrarias norte-americanas
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27.11.2009 - 11:46 Por Dulce Furtado
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Um ardiloso manual escrito para a CIA com o propósito de ensinar os agentes secretos a usarem truques de magia chegou às bancas nos Estados Unidos mesmo a tempo das compras de Natal.DR
O livro foi feito por um mágico, com truques de magia de palco
Escrito em 1953, bem no pico da guerra fria, pelo ilusionista norte-americano John Mulholland, contém instruções sobre como dissimular, desviar as atenções e iludir à boa maneira dos mágicos de palco.
Ali são explicadas artimanhas várias como a de esconder um comprimido soporífero numa caixa de fósforos e deitá-lo furtivamente na bebida de alguém enquanto se acende um cigarro ao alvo, quais as técnicas de dissimulação para passar papeis e microfilmes a um outro agente sem ser detectado, quais os comportamentos que permitem dar a impressão de se ser meio idiota e absolutamente inofensivo até às tácticas de sucesso garantido para a “remoção sub-reptícia de objectos por parte de mulheres”.
Contém ainda o famoso código de sinais expressos na forma de atar os cordões dos sapatos para “dizer” a um outro agente secreto coisas como “siga-me”, “tenho informações” ou “trago outra pessoa comigo”. Por tudo isto, Mulholland recebeu da CIA o pagamento de três mil dólares, um valor bastante significativo para a época.
Pensava-se que todas as cópias do manual – mais um memorando que lhe foi aditado, exclusivamente sobre a arte de transmitir mensagens dissimuladamente – tinham sido destruídas em 1973 sob ordem da direcção da agência de espionagem norte-americana. Mas uma cópia sobreviveu e o seu conteúdo, já destituído do estatuto de “altamente secreto”, foi descoberto pelo historiador de espionagem Keith Melton e pelo antigo director da CIA Bob Wallace. Agora foi publicado e está à venda desde ontem nas livrarias sob o título “The Official CIA Manual of Trickery and Deception”.
No prefácio, o ex-vice director da CIA John McLaughlin (2000-2004) explica que “a magia e a espionagem são almas gémeas” e que “a escrita de Mulholland sobre como deitar comprimidos, poções e pós [na bebida ou comida de alguém] é apenas um exemplo da pesquisa que se fazia então, e que se expandia para áreas tão diversas como a lavagem cerebral e a psicologia paranormal”. Tanto quanto McLaughlin sabe, as técnicas de uso de comprimidos descritas pelo mágico “nunca foram utilizadas”.
Parte do malfadado MK Ultra
O manual de Mulholland integra de facto um programa mais vasto – e de negra fama para a CIA – que respondia pelo nome de código MK Ultra, o qual tinha o objectivo de encontrar formas de contra-atacar as técnicas de controlo cerebral empregadas pela União Soviética durante a guerra fria.
O MK Ultra, que terá sido desenvolvido desde a década de 1950 até pelo menos ao fim da seguinte, está frequentemente associado a técnicas de interrogatório com recurso a drogas, amiúde psicadélicas como o LSD, e controlo da mente.
Esta não foi, de resto, a primeira vez que um mágico terá sido chamado a dar uma ajuda aos serviços de espionagem de um país ocidental: uma biografia de 2006 narra que o gigante do ilusionismo Harry Houdini espiara militares alemães e russos para a britânica Scotland Yard.
E há teorias de que outro grande mágico do Reino Unido, Jasper Maskelyne, criava ilusões de submarinos e tanques falsos para distrair as tropas do marechal alemão Rommel, a “Raposa do deserto”, durante a Segunda Guerra Mundial, e que terá mesmo conseguido “esconder” o Canal do Suez com engenhosos efeitos de luz.

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