"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, agosto 31, 2010

Elefante declarado "património nacional" indiano
Elefante vai ser declarado património nacional pelo Governo indiano, o que irá resultar no reforço da proteção do animal de grande porte.

http://aeiou.expresso.pt/elefante-declarado-patrimonio-nacional-indiano=f601478

60% dos elefantes asiáticos estão em território indiano. Com o estatuto de património nacional, a proteção do elefante vai ser reforçada
Jaipal Singh/EPA

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O Governo indiano vai declarar o elefante "património nacional" e reforçar a proteção desta espécie animal, divulgou hoje o ministro do Ambiente indiano, Jairam Ramesh.

"Fazem parte do nosso património há vários séculos (...) e temos de dar (à espécie) uma importância igual à do tigre", afirmou Ramesh, citado pela agência noticiosa indiana IANS.

O Ministério do Ambiente indiano recebeu hoje um relatório, elaborado por um grupo de trabalho, que define, entre outros aspetos, uma agenda com várias ações de preservação.

Elefante igual ao tigre


No documento, o grupo aconselha a criação de uma Autoridade Nacional de Conservação do Elefante, entidade que já existe para a preservação dos tigres e que terá como principal missão a gestão e o aumento de fundos para o bem-estar e conservação da espécie.

"Precisamos de alterar a lei de proteção da vida selvagem para ser possível a criação da Autoridade. Vamos apresentar a alteração na sessão de inverno do Parlamento", acrescentou Ramesh.

No território indiano vivem cerca de 60% dos elefantes do continente asiático, perto de 25 mil exemplares, dos quais 3.500 vivem em cativeiro, de acordo com dados divulgados pela agência noticiosa IANS.

Proteger o habitat invadido por humanos


Em 1992, as autoridades indianas criaram o Projeto Elegante, um programa que atribuía ajuda técnica e financeira aos estados indianos habitados por estes mamíferos. O programa tinha como principal objetivo proteger o habitat dos elefantes e as respetivas rotas migratórias.

Algumas centenas de pessoas foram vítimas de ataques de elefantes nos últimos anos no território indiano, em parte pela crescente presença humana em áreas normalmente habitadas por estes animais de grande porte.

segunda-feira, agosto 30, 2010

extinção

Extinção foi causada por duplo impacto
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1650516

uma cratera na realidade, há 65 milhões de anos.
os dinossauros não tiveram hipótese de sobrevivência
um impacto
dois
uma chuva

duas coisas separadas por milhares de anos

pólens, esporos
uma cratera
antiguidade e semelhança
fetos, plantas, uma surpresa
uma segunda createra

aparentemente, origem e mistério

quinta-feira, agosto 26, 2010

Higroelectricidade
E se a electricidade viesse....do ar?
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1648187&seccao=Biosfera
por DN.pt


Investigadores brasileiros estão a trabalhar no projecto, que é apresentado hoje no 240.º Encontro da Sociedade Americana de Química, em Boston.

A notícia é divulgada pela publicação brasileira 'Veja', e a ideia é esta: a atmosfera produz, naturalmente, humidade. Então, tudo passa por captar essa humidade e conduzi-la de forma proveitosa, procurando gerar electricidade que - esperam os responsáveis do projecto, da Unicamp - possa alimentar casas, recarregar automóveis, etc. No fundo, fazer o mesmo que fazem os painéis solares já existentes no mercado.

Fernando Galembeck, o cientista responsável pelo projecto, diz que a 'nossa pesquisa pode abrir caminho para transformar a electricidade da atmosfera em uma fonte de energia alternativa no futuro'.

A produzir resultados positivos, o projecto, em estudo há 12 anos, traria grandes benefícios económicos para as populações. 'Assim como a energia solar pode fazer com que pessoas não precisem mais pagar pela energia que consomem, essa nova fonte de energia poderá ter um efeito semelhante', diz o cientista.

Como tudo funciona
Contrariamente àquilo que vinha sendo pensado, Galembeck percebeu que as gotas de água presentes na atmosfera, e que lhe conferem mais ou menos humidade, contêm carga eléctrica.

O que a equipa do projecto fez foi utilizar dois elementos químicos presentes no ar – sílica e fosfato de alumínio – e mostrar que a sílica revelava carga negativa na presença de humidade, enquanto o fosfato revelava carga positiva. 'Isso mostrou', elucida Galembeck, 'que a água na atmosfera pode acumular cargas eléctricas e transferi-las para outros materiais que estiver em contacto'.

A experiência já está cunhada: 'higroelectricidade', que não significa mais do que a geração de electricidade a partir da humidade.

Prevenção de raios
Uma segunda funcionalidade seria possível através deste método de geração de energia, ainda em estudo. Os painéis 'higroeléctricos', que se espera venham a ser desenvolvidos, colocados no topo dos edifícios em zonas especialmente húmidas, conseguiriam captar a electricidade presente no ar, evitando as descargas eléctricas que depois se produzem.

As previsões são de que em na próxima década a tecnologia estará pronta a ser utilizada. 'Acreditamos que em dez anos será possível levar essa tecnologia para a casa das pessoas', conclui Galembeck.

Estudo
Tecnologia não evita subida do mar
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1648401&seccao=Biosfera

por FILOMENA NAVES


Investigadores testaram cenários com mais ou menos emissões e com soluções técnicas de vários tipos

Ideias não faltam e algumas são até muito imaginativas. Por exemplo, colocar espelhos gigantes no espaço ou injectar dióxido de enxofre na atmosfera estão entre as hipóteses que os cientistas da geoengenharia já sugeriram para tentar travar o aquecimento global. Mas, diz agora uma equipa que testou várias soluções em simulações computorizadas, a geoengenharia não resolve o problema do aumento do nível do mar.

Até final do século, a subida dos oceanos deverá situar-se entre os 30 e 70 centímetros e afectará mais de 150 milhões de pessoas, alerta a equipa internacional que publicou um estudo na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

"A subida do nível do mar devido ao aquecimento global deverá afectar cerca de 150 milhões de pessoas que vivem em zonas costeiras baixas, incluindo algumas das maiores cidades do mundo", afirmou Svetlana Jevrejeva, do National Oceanography Centre, nos EUA, e uma das investigadoras que fez os cálculos.

A comunidade científica é consensual sobre os efeitos no clima da crescente concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera, devido às actividades humanas. As alterações climáticas, visíveis no aumento global da temperatura, na subida do nível do mar e nos fenómenos climáticos extremos mais frequentes são já o resultado dessa maior concentração de gases com efeito de estufa, dizem os climatologistas. A temperatura média da Terra, por exemplo, subiu 0,76 graus Celsius no último século e o nível médio dos oceanos está a aumentar 1,5 milímetros ao ano, com tendência para ficar mais elevado.

Cálculos anteriores, conforme os cenários de maior ou menor emissão de gases com efeito de estufa por parte da civilização humana, tinham já determinado que a subida do nível médio dos oceanos até final do século poderia andar entre os 18 e os 59 centímetros. Outros cálculos projectaram valores mais elevados, até 1,2 metros.

A equipa internacional que agora publicou o seu estudo na PNAS, vem propor um novo intervalo: entre 30 e 70 centímetros. Mesmo se houver recurso a soluções de geoengenharia, como a captura de carbo-no ou a utilização combinada de soluções que envolvam menos emissões e captura simultânea de uma parte das que forem produzidas.

A solução dos espelhos no espaço, para reflectir uma parte das radiações solares e, portanto, do calor que chega à Terra, foi descartada pela equipa, devido às suas gigantescas dificuldades técnicas.

A injecção de partículas (aerossóis) de dióxido de enxofre na atmosfera, para gerar o seu arrefecimento, também foi analisada pelos investigadores, mas a incerteza é tanta que a puseram de parte como solução possível. "Simplesmente não sabemos como o sistema da Terra iria reagir a uma acção dessas em larga escala", afirmou Svetlana Jevrejeva, sublinhando que substituir o controlo das emissões de gases com efeito de estufa pela soluções da geoengenharia seria "tratar apenas os sintomas e colocar um fardo cheio de riscos nas gerações futuras".

quarta-feira, agosto 25, 2010

Investigação espacial

Bactérias sobrevivem 553 dias no espaço
24.08.2010
http://www.publico.pt/Ciências/bacterias-sobrevivem-553-dias-no-espaco_1452713

Por PÚBLICO

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As baratas podem resistir ao holocausto nuclear, mas não ganham a competição no concurso do ser vivo mais rijo. O troféu vai para as bactérias que conseguiram sobreviver 553 no espaço, fora da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês).
Os astronautas retiram a cápsula onde estão guardadas as amostras (NASA)

As bactérias foram retiradas dos desfiladeiros da região costeira da Inglaterra, perto da aldeia de Beer, condado de Devon. Os cientistas retiraram um pedaço de rocha deste local e enviaram para a ISS em 2008.

Na rocha iam várias espécies de bactérias que colonizam este substrato, mas só sobreviveram células de uma espécie parente da Gloeocapsa – uma bactéria capaz de fazer a fotossíntese como as plantas que pertence ao grupo das cianobactérias.

“A Gloeocapsa forma uma colónia de muitas células que provavelmente protegem as células do centro da exposição à radiação ultra violeta, e que também dá uma certa resistência à dissecação”, explicou citado pela BBC News Charles Cockell, professor que trabalha no Instituto de Investigação das Ciências Espaciais, na Universidade Aberta, em Milton Keynes, no Sul da Inglaterra.

Apesar de os cientistas saberem que esporos de bactérias sobrevivem vários anos no espaço, esta experiência mostra pela primeira vez que bactérias que fazem a fotossíntese também são capazes de resistir.

A rocha foi colocada numa caixa no Laboratório Colombus, que fica no extremo da ISS. Durante a viagem, as bactérias foram expostas a mudanças dramáticas de temperatura, e à radiação ultra violeta extrema, que é filtrada quando chega à Terra pela camada de Ozono. Toda a água da rocha também evaporou.

Os cientistas defendem que a parede celular que estas bactérias possuem pode ter ajudado a resistir, mas ainda estão a investigar para justificar a causa da sobrevivência específica desta espécie.

A forma como as bactérias reagem ao espaço pode ser importante para o futuro da exploração espacial. “Foi proposto que as bavctérias podiam ser utilizadas em sistemas de suporte de viva para reciclar tudo”, explicou Karen Olsson-Francis.

“Também existe o conceito que se desenvolvermos bases na Lua ou em Marte, poderíamos usar bactérias para actividades mineiras – utilizá-las para extrair minerais importantes das rochas”, adianta o investigador que também pertence ao mesmo instituto.

Esta experiência dá argumentos à possibilidade dos microrganismos poderem ser transportados em meteoros e colonizarem outros planetas.

terça-feira, agosto 24, 2010

Novo prédio ficaria a poucos quarteirões do símbolo de Nova Iorque
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/mundo/arranha-ceus-ameaca-vistas-do-empire-state-building

Arranha-céus ameaça vistas do Empire State Building
Os donos do Empire State Building, um dos símbolos de Nova Iorque, estão a tentar impedir a construção de um arranha-céus que poderá tapar as vistas da cidade norte-americana que atraem diariamente milhares de turistas ao prédio construído há 79 anos.

12h47Nº de votos (0) Comentários (0) Por:L.R.


Caso seja construído, o edifício Penn Plaza ficará a apenas 270 metros de distância do Empire State Building, sobrepondo os seus 370 metros de altura (só menos 11 do que o edifício escalado por um gorila gigante no filme 'King Kong') ao horizonte da cidade.

Considerado uma "monstruosidade" pelos proprietários do Empire State Building e por alguns autarcas da ilha de Manhattan, o Penn Plaza está a ser defendido pelos seus promotores como uma forma de criar milhares de empregos no coração de Nova Iorque.

Numa votação marcada para quinta-feira na assembleia municipal de Nova Iorque serão pesados os argumentos das duas partes - os donos do Empire State Building chegaram a requerer uma zona de protecção num raio de 17 quarteirões - e deverá chegar-se à decisão que pode alterar de forma drástica o horizonte da cidade.

Basta trocar de nome para trocar de país?

http://aeiou.expresso.pt/basta-trocar-de-nome-para-trocar-de-pais=f600240|


Basta trocar de nome para trocar de país?
Dezenas de estados foram rebatizados nas últimas décadas. É uma mera cosmética ou muda alguma coisa na vida dos povos respetivos?

Pedro Cordeiro (texto), Jaime Figueiredo (infografia) (www.expresso.pt)
8:50 Terça feira, 24 de Agosto de 2010

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Bordúria, Sildávia, Suvadiva, Ubangi-Shari. O leitor já viajou para algum destes lugares? No caso dos dois primeiros só o poderá ter feito na sua imaginação; são países fictícios dos livros de Tintim, inventados por Hergé. Quanto ao terceiro e ao quarto são Estados reais, mas já não se chamam assim. Trata-se, respetivamente, do arquipélago das Maldivas, no Oceano Índico, e da República Centro-Africana: dois de 35 países independentes que mudaram de nome nas últimas décadas. Há-os nos cinco continentes.

Desde o fim da II Guerra Mundial - faz 65 anos a 2 de setembro -, 119 países proclamaram a independência e foram reconhecidos pela comunidade internacional, dez fizeram-no sem reconhecimento, cinco reunificaram-se (Alemanha, Somália, Tanzânia, Vietname e Iémen) e um foi criado de raiz (Israel). "Muitos destes 135 territórios alteraram a sua designação, o que implicou mudanças importantes na cultura dos seus cidadãos", explica ao Expresso o engenheiro e jornalista argentino Edgardo Otero, autor do livro "A Origem dos Nomes dos Países" (editora Gargaola, Buenos Aires, 2009, versão brasileira na Panda Books).

Embora diga que "não existe uma razão única" para um país mudar de nome, Otero lembra que um motor comum é "a ânsia de liberdade e a busca desesperada da independência". A mudança de nome visa, nesses casos, "mitigar o sofrimento". Também "pode significar o início de uma nova era e ser um fator de mobilização dos cidadãos na afirmação duma nova identidade", concorda o criador de marcas Carlos Coelho. Avisa, contudo, que "o novo nome não deve imposto e, ainda menos, ser uma expressão artificial que não corresponda à alma coletiva desse Estado-Nação". E defende que os Estados outrora colonizados que mantiveram os nomes originais "foram muito mais bem sucedidos nos processos de construção identitária".

Contendas dos eslavos do sul


Como exemplo do que não deve ser o batismo de um país, este perito menciona a Jugoslávia (literalmente terra dos eslavos do sul). "É um nome criado no início do século XX, para agregar nações, que vieram, depois , a afirmar-se de forma individual". Isto porque o termo nasceu de "conveniências políticas irrefletidas, não da vontade coletiva", diz Coelho, presidente da Ivity Brand Corp, empresa que se dedica à criação, reformulação e inovação de marcas. O nome anterior da Jugoslávia era Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, o que espelhava melhor a sua diversidade. Em 2003 a palavra Jugoslávia deixou de designar qualquer entidade, quando a federação das últimas duas repúblicas que a constituíam passou a chamar-se Sérvia e Montenegro. A cisão final, via referendo, veio em 2006.

Se dúvidas houver quanto à importância do nome de um país, pense-se na Antiga República Jugoslava da Macedónia. Independente desde 1991, este país - candidato à União Europeia e à NATO - utiliza esta longa designação provisória em vez de Macedónia tout court, como gostariam os seus habitantes e dirigentes. Tudo devido à objeção da Grécia, que tem uma região homónima fronteiriça. Atenas não aceita o nome do país, do povo e da língua oficial, e conseguiu que a Macedónia mudasse de bandeira, pois na inicial figurava o "sol de Vergina", um símbolo helénico. Os governos grego e macedónio e as instituições internacionais debatem o assunto há 19 anos, sem alcançar um acordo. Entre os nomes propostos figuram Nova Macedónia, Alta Macedónia, Eslavomacedónia, Macedónia do Norte, Macedónia Skopje e Macedónia Vardar.

Os capitães Gilbert e Ellice


Quando o processo é libertador, diz Otero, "os habitantes apoiam-no, deixam cair a designação usada por quem ocupou as suas terras sem pedir licença e recuperam denominações antigas e tradicionais". Foi assim que as Honduras Britânicas escolheram o nome do rio Belize quando se tornaram independentes, ou que as ilhas Ellice abandonaram a homenagem ao mercador e político britânico Edward Ellice para adotarem o topónimo Tuvalu, que significa "oito ilhas" no idioma que ali se fala. Já as vizinhas ilhas Gilbert, cujo nome honrava o também britânico capitão Thomas Gilbert, preferiram adaptá-lo à língua local: ficou Kiribati. Nenhuma das antigas colónias portuguesas mudou de nome ao conquistar a soberania.

"A comunidade internacional costuma apoiar alterações que ajudem a construir um futuro melhor", assegura Otero. Caso distinto é o dos "caprichos de governos com ideais tresloucados, que alteram um topónimo apenas para impor a nova denominação". Quando assim é, o povo "fica desorientado, perde identidade e é renitente à mudança". Frequentemente são Estados ditatoriais e, embora instituições como as Nações Unidas aceitem o novo nome, para não se imiscuírem nos assuntos internos, a imprensa estrangeira e os cidadãos comuns retêm o vocabulário preexistente, fortemente implantado na sociedade. "É um erro mudar o nome de uma nação que já se encontrou na sua identidade, que a vive e a pratica ao longo de séculos", diz Coelho.

Se a mudança se cinge, por vezes, à designação oficial - repúblicas que passam de corporativas a democráticas, sendo por vezes populares, socialistas ou islâmicas -, há casos em que se tornam difíceis de pronunciar. "Desde o golpe de Estado de 1988, as autoridades da Birmânia querem que o mundo designe aquele país por Myanmar, que significa Birmânia em birmanês. Mais do que uma mudança de nome, é o Governo que exige, de forma autoritária e pouco cortês, que se use a forma local", indigna-se Otero. A Costa do Marfim também pretende ser Côte d'Ivoire em todos os idiomas, mas só protocolarmente o consegue, até por se tratar de um nome de fácil tradução. "Falta de consideração pelas outras línguas", sentencia Otero. Se o princípio fosse adotado por outros países, teríamos de aprender a dizer Shqipëria (Albânia), Misr (Egito) ou Bharat (Índia).

Mudar para vender melhor


Carlos Coelho frisa que também se pode crismar um lugar para o promover. É, inclusive, algo que se faz há muitos séculos. "Pode resultar de uma estratégia de marketing para atrair moradores para regiões recém-descobertas, como foi o caso da Gronelândia." O nome original é Kalaallit Nunaat ("terra dos humanos", no dialeto nativo kalaallisut). O víquingue Erik, o Vermelho, que descobriu a região, chamou-lhe "terra verde" (Grønland, em dinamarquês), para atrair colonizadores. O certo é que a ilha é, ainda hoje, quase totalmente branca de neve. Noutro âmbito, a cidade de Topeka, capital do Estado americano do Kansas, autointitulou-se Google, Kansas durante um mês, para propagandear o alargamento da Internet de banda larga no município.

Este mecanismo de renomeação é parodiado num episódio da série de animação "Os Simpsons". Estando a célebre família amarela a caminho de um safari, a hospedeira recebe notas de última hora para corrigir o nome do destino: "Por favor preparem-se para aterrar na Tanzânia... perdão, agora chama-se Nova Zanzibar... desculpem, agora chama-se Pepsi Apresenta Nova Zanzibar". O nome Tanzânia resulta, na verdade, da fusão da região de Tanganica com as ilhas de Zanzibar.

Outras transições de nome são mais naturais. "Decorrem ao longo de anos, por processos aculturação ou simplificação", explica Carlos Coelho. O Japão teve vários nomes, mas deve aos portugueses a palavra por que é conhecido no mundo. "Ao chegarem à Malásia, constataram que, ali, o atual Japão era designado por Jipangu, que em chinês significa 'origem do sol'. Tentando transferir o som para o papel, chegaram a Giapan e, posteriormente, Japão, em português, que veio a ser traduzido para Japan, em inglês.

sábado, agosto 21, 2010

como peregrinos, e a jerusalém ou meca

Fotorreportagem
A eterna elvismania ao redor do planeta
http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1645552&seccao=M%FAsica
por FERNANDO MADAÍLHoje



Os fãs de Elvis Presley demandam Graceland como se fossem peregrinos a Jerusalém, Meca ou Varanasi

O miúdo que nasceu em Tupelo, essa pequena terriola então com apenas seis mil habitantes, e se estrearia nos palcos "com umas calças vermelhas, um casaco verde, camisa e meias cor-de-rosa e um grande sorriso nos palcos", na descrição do cantor country Bob Luman, não imaginaria que o seu túmulo se tornaria um santuário visitado anualmente por uns 600 mil fãs, sobretudo nas datas em que se celebra o seu nascimento (8 de Janeiro de 1935) ou se faz uma vigília de velas pela sua morte (16 de Agosto de 1977). E ainda hoje haverá gente capaz de repetir o que pensava, quando andava no liceu, John Lennon: "Elvis era mais importante do que a religião na minha vida."

Ninguém parece muito interessado em reflectir se a carreira do Rei do Rock foi desigual, bastando comparar a fase em que, qual gato selvagem, Elvis The Pelvis gingava de forma sexual, para delírio das adolescentes, e a do galã obeso, entretido nos seus fatos kitsch, ursinhos de peluche e Cadillacs dourados ou rosa - alguns especialistas dividem mesmo o seu percurso musical entre o antes e o depois do serviço militar.

Pouco importa! Em concursos de sósias nas Filipinas ou em romagens à mansão que a estrela comprou em 1957, e onde foi encontrada morta em 1977, as multidões sucedem-se. Afinal, até parece que Graceland é agora uma espécie de Jerusalém ou Meca ou Varanasi para os peregrinos revivalistas do rock - e o audioguia daquele monumento de Memphis até tem versão em português. Mas talvez fosse melhor ouvirem uma canção, mesmo se uns escolhem Jailhouse Rock e outros preferem antes Love me Tender.

astronautas como homens de 80 anos

Astronautas fracos como idosos de 80 anos após seis meses em órbita
Estudo da Universidade de Marquette nos EUA levanta sérias preocupações em termos de saúde.
13:22 Sábado, 21 de Agosto de 2010

http://aeiou.expresso.pt/astronautas-fracos-como-idosos-de-80-anos-apos-seis-meses-em-orbita=f600090

Os astronautas podem ficar tão fracos como pessoas de 80 anos depois de seis meses na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), concluiu um estudo que levanta sérias preocupações em termos de saúde.

Robert Fitts, da Universidade de Marquette, que coordenou o estudo, afirma que o envelhecimento acelerado no espaço é temporário, uma vez que os músculos dos astronautas recuperam depois de alguns meses na Terra.

Mas e se a tripulação precisar de fazer uma aterragem de emergência no planeta Terra e fugir de uma nave espacial em chamas? E se, depois de aterrar em Marte, for precisa uma expedição urgente para reparar alguma coisa? Estariam os marcianos capazes de unir forças para o trabalho rotineiro no espaço?

"Eu estaria preocupado", alertou Fitts, numa entrevista à agência AP, acrescentando que os astronautas podem evitar ficar fracos, mas com mais investigação e com o equipamento certo para instalar um ginásio espacial.

Declínio da massa muscular


Fitts baseia a sua análise em biopsias aos músculos das pernas que a sua equipa realizou a nove norte-americanos e russos que estiveram a morar na ISS entre 2002 e 2005.

Cada astronauta esteve seis meses em órbita e foi submetido à biopsia antes de sair da nave espacial, assim que ela aterrou na Terra.

Os investigadores descobriram que os astronautas perderam mais de 40 por cento da força na contração das fibras dos músculos das pernas, que são os que determinam o equilíbrio e a postura.

Robert Fitts adiantou que este declínio da massa muscular na estação espacial equivale ao de uma pessoa com o dobro da idade dos astronautas sujeitos a biopsia.

sexta-feira, agosto 20, 2010

'Sopa de plástico' no Pacífico choca cientistas
http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=999306
por

PATRÍCIA JESUS


Correntes oceânicas mantêm lixo sempre no mesmo sítio

Foi durante uma competição de barco à vela entre Los Angeles e o Havai, em 1997, que o norte-americano Charles Moore encontrou um enorme depósito de lixo em pleno oceano Pacífico. Actualmente, o oceanógrafo estima que existam cerca de cem milhões de toneladas de lixo a circular no Pacífico Norte. Desde 1997, esta mancha tem vindo a crescer: estende-se por uma área sete vezes superior à superfície de Portugal.

Existem duas manchas de lixo, também chamadas de "sopa de plástico" por serem sobretudo compostas por plásticos, uma de cada lado do arquipélago do Havai. O lixo é mantido no local pelas correntes oceânicas. No Pacífico Norte, com ventos fracos, as correntes tendem a empurrar qualquer material que flutue para o centro, uma área com pouca energia. Há poucas ilhas onde o lixo possa dar à costa, por isso, acumulam-se grandes quantidades. Algumas estimativas do Programa Ambiental das Nações Unidas apontam para a existência de quase três quilogramas de plástico por cada um de plâncton. A mancha de plásticos é conhecida como "o caminho de lixo da Ásia".

David Karl, professor da Universidade do Havai, afirma que é necessária mais investigação para determinar o tamanho e composição desta mancha. O oceanógrafo está a planear uma viagem de pesquisa para este Verão, juntamente com a Algalita Marine Research Foundation, criada por Charles Moore.

A presença de tanto plástico é problemática para a vida marinha. De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, o plástico constitui 90% de todo o lixo flutuante nos oceanos e é a causa da morte de mais de um milhão de aves marinhas todos os anos, bem como de mais de cem mil mamíferos marinhos. Rolhas, isqueiros e escovas de dentes já foram encontrados nos estômagos de aves mortas, que os engolem pensando tratar-se de comida.

O Programa Ambiental das Nações Unidas estima ainda que cada metro quadrado de oceano contém cerca de 46 mil pedaços de plástico. É que a mesma característica que torna o plástico útil para os consumidores, a durabilidade, transforma-se num problema no mar, alerta a Greenpeace. Cerca de cem milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos e 10% acabam no mar. Cerca de um quinto do lixo vem de navios e plataformas petrolíferas, o restante vem de terra. De acordo com a Greenpeace, há outra consequência negativa: o plástico pode funcionar como uma esponja química, concentrando poluentes. Assim, ao ingerirem pequenos pedaços de plástico, as aves absorvem químicos tóxicos.

É possível que este fenómeno se repita em menor escala noutros oceanos com correntes semelhantes, como o mar de Sargaços, no Atlântico Norte.

quinta-feira, agosto 19, 2010

50 mil soldados ficam a treinar iraquianos até ao fim de 2011

Última brigada de combate norte-americana sai do Iraque
19.08.2010 - 09:16
http://www.publico.pt/Mundo/ultima-brigada-de-combate-dos-eua-sai-do-iraque_1452037
Por PÚBLICO

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A última brigada de combate dos Estados Unidos que se encontrava ainda mobilizada no Iraque deixou esta noite o país, através de território do Kuwait, duas semanas antes de terminar o prazo determinado para acabar a missão militar de guerra.
Um soldado americano grita "Vamos para casa!" ao passar pela fronteira Kuwait-Iraque (Foto: Departamento da Defesa norte-americano/Reuters)

“Os últimos elementos passaram a fronteira às 06h00 [locais, 04h00 em Portugal]. Esta era a última brigada de combate, mas isto não quer dizer que já não haja tropas de combate no Iraque”, notou o porta-voz do exército norte-americano, tenente-coronel Eric Bloom, citado pelas agências noticiosas.

Uns 50 mil soldados dos Estados Unidos permanecem no Iraque, com a tarefa de treinar as forças armadas do país, e ali vão ficar para lá da data de 31 de Agosto – fixada pela Administração de Barack Obama para pôr fim às missões de combate.

Até ao final de 2011 todos os soldados norte-americanos deverão já ter partido do Iraque, segundo o acordo firmado com Bagdad e cujo calendário o Presidente dos Estados Unidos garante será cumprido zelosamente.

A brigada que esta madrugada saiu do território iraquiano, sete anos após a invasão do país liderada pelas tropas dos Estados Unidos, é a 4ª brigada da segunda divisão de Infantaria – com o cognome de Stryker –, que estava colocada na base de Abu Ghraib, um dos mais perigosos locais no Iraque, uns 25 quilómetros a oeste de Bagdad.

“Metade [dos soldados] deixaram o país de avião e a outra metade pelas estradas. Vai demorar ainda alguns dias para limpar e preparar todo o equipamento, de forma a poder enviar tudo. Então os últimos soldados deixaram também a base”, precisou Bloom.

sexta-feira, agosto 06, 2010

as emoções ajudam os animais

Ambiente
Emoções ajudam animais a tomar decisões sobre perigos
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1634132&seccao=Biosfera
Ontem



Cientistas britânicos desenvolveram uma nova abordagem no estudo das emoções animais, tentando determinar se determinadas escolhas feitas em situações ambíguas são de carácter "optimista" ou "pessimista". O objectivo da investigação é conseguir interpretar as emoções animais, melhorando a forma como eles são tratados.

Estudos da equipa de Mike Mendl, da escola de Ciência Veterinária de Bristol, mostram que existe uma relação entre as decisões e as emoções, as primeiras mais fáceis de identificar do que as segundas. Tal como acontece com os humanos, as emoções estão ligadas à experiência ambiental, ou seja, se um ambiente está cheio de perigos, o animal sentirá grande ansiedade; inversamente, se o ambiente estiver cheio de oportunidades, as emoções dominantes serão de carácter mais positivo.

O estado emocional que resulta destas experiências determina a reacção a novas sensações. Por exemplo, como irá o animal reagir a um som de algo a rastejar na erva? As hipóteses "optimista" ou "pessimista" estão ligadas ao estado emocional anterior. O animal que já foi exposto a perigos e que vive em maior ansiedade, interpretará o som como de um predador; um animal menos ansioso terá uma resposta mais tranquila.

A medição destas respostas e a correspondência a emoções abre caminho ao estudo da vida emocional dos animais, um universo cujo conhecimento terá óbvios benefícios para os humanos.

Descoberta
Crocodilo 'queria ser' mamífero
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1635060&seccao=Biosfera
por FILOMENA NAVES


Tinha o tamanho de um gato e dentes de mamífero, mas era um réptil. Viveu há 105 milhões de anos.


Era um réptil, viveu há 105 milhões de anos onde hoje fica a Tanzânia, em África, mas, ao contrário dos seus primos modernos, esta criatura mastigava como um mamífero. Com os seus caninos, molares e pré-molares, uma dentição muito invulgar para parente de crocodilo, esta espécie já extinta foi ontem descrita num artigo, na Nature.

O pequeno crocodilo, que não tinha uma dimensão superior à de um gato doméstico actual, foi baptizado pelos seus descobridores como Pakasuchus kapilimai. O nome não lhe foi dado ao acaso. Numa alusão à sua pequena dimensão, "paka" foi escolhido porque significa gato na língua suaíli da região. "Souchos" é uma palavra grega que quer dizer crocodilo.

"Se se olha só para os seus dentes não se pode dizer que era um crocodilo e fica-se a pensar que género de estranho mamífero, ou de réptil próximo de um mamífero, seria", afirmou o coordenador das escavações, o paleontólogo Patrick O'Connor, da universidade norte-americana do Ohio.

Os investigadores conseguiram, no entanto, verificar que se tratava sem dúvida de um crocodilo, dada a configuração do crânio e das placas ósseas do dorso e da cauda, apesar da forte "aspiração" do animal à condição de mamífero.

"À primeira vista, dir- -se-ia que este crocodilo deu o seu melhor para ser um mamífero", comentou o investigador na brincadeira.

A especialização dentária mostra que os indivíduos daquela espécie beneficiavam de uma dieta muito diversa da que os seus primos actuais praticam. Mas o achado vem sobretudo confirmar a ideia cada vez mais consensual de que, no passado, os crocodilos eram mais diversificados do que actualmente, do ponto de vista do habitat, mas também do regime alimentar e da sua anatomia.

O Pakasuchus kapilimai , por exemplo, além da sua dentição surpreendente, tinha uma dimensão que poderia ser hoje considerada diminuta para um crocodilo. "A cabeça não era maior do que a palma de uma mão", adiantou o coordenador do estudo. Os membros, por outro lado, eram finos, capazes de lhe dar grande mobilidade, escrevem os investigadores.

A equipa pensa que estes pequenos crocodilos terão sido bastante numerosos em pleno Cretáceo, há entre 10 milhões e 80 milhões de anos, naquela região que então pertencia ao surpercontinente Gonduana, que incluía as actuais regiões continentais do hemisfério Sul.

Outros achados fósseis recolhidos na mesma região mostram que o Pakasuchus Kapilimai conviveu com saurópodes vegetarianos e dinossauros carnívoros e com outros tipos de crocodilos.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Tecnologia

Chineses vêem duas vezes menos televisão do que norte-americanos
05.08.2010 - 10:55

http://www.publico.pt/Tecnologia/chineses-veem-duas-vezes-menos-televisao-do-que-norteamericanos_1450157

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Os chineses vêem duas vezes menos televisão do que os norte-americanos mas vêem mais vídeos no computador e no telemóvel, concluiu um relatório da Nielsen Co., divulgado ontem.
Os norte-americanos têm uma percentagem muito maior de acesso à televisão por cabo em casa do que os chineses (Lee Jae Won/Reuters)

Para este estudo foram inquiridos 27 mil consumidores online de 55 países, durante o mês de Março. As respostas permitem perceber a forma como a tecnologia é usada em diferentes partes do mundo.

É muito mais comum as pessoas verem vídeos no telemóvel nos países asiáticos do que nos Estados Unidos e na Europa: os chineses são o povo que mais opta pelo telemóvel para ver vídeos (51 por cento), enquanto nos Estados Unidos 55 por cento não vêem.

Em média, os norte-americanos viram cinco horas e quatro minutos de televisão por dia, em Março, estando apenas atrás da Sérvia e da Macedónia.

Na China, essa média desce para as duas horas e 36 minutos por dia e a Tailândia é o país com o valor menor, com duas horas e 11 minutos.

O estudo revela também que os norte-americanos têm uma percentagem muito maior de acesso à televisão por cabo em casa do que os chineses.

As casas norte-americanas são as que têm mais probabilidade de terem televisão de alta definição: mais de metade dos norte-americanos tem televisão com definições de alta qualidade em casa.

O estudo demonstra também que as populações da China e de Hong Kong são as mais aptas a ver vídeos nos computadores no trabalho. Ao contrário, 40 por cento dos norte-americanos dizem ser pouco provável ver vídeos no trabalho.

Os sauditas e os paquistaneses são pelo menos duas vezes mais aptos do que qualquer outro povo a afirmarem que têm um computador de dimensão reduzida (tablet) ou a dizerem que o vão comprar em breve.

Nos Estados Unidos, casa mãe da Apple e do seu iPad, as pessoas estão quase 20 por cento menos interessadas neste tipo de equipamentos.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Censo da Vida Marinha faz inventário mundial de espécies e antecipa a ciência do futuro

http://jornal.publico.pt/noticia/04-08-2010/censo-da-vida-marinha-faz-inventario-mundial-de-especies-e-antecipa-a-ciencia-do-futuro-19956693.htm

Por Nicolau Ferreira

Há 230 mil espécies identificadas nos oceanos, mas háainda muito que está por se conhecer. O esforço terá de ser internacional


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As regiões marítimas ao redor da Austrália e da Nova Zelândia são as que têm mais organismos endémicos, os que só existem ali e em mais lado algum do mundo. Já o Mediterrâneo conta com o maior número de espécies invasoras: são 637, quatro por cento de todas as que se identificaram neste mar.



Estas são algumas das somas que vêm no estudo publicado esta semana na revista científica on-line e disponível a todos PLoS One. Nele se actualizou o estado da biodiversidade marinha e são já apresentadosos resultados preliminares de uma década de trabalhos a nível global para aprofundar o conhecimento das espécies nos oceanos, o Censo da Vida Marinha.



O inventário permite marcar uma estaca zero do que se conhece nos mares do planeta, a partir da qual se pode avaliar o impacto das actividades humanas. "Para criar esta base, o Censo da Vida Marinha explorou nove áreas e ecossistemas, descobrindo novas espécies e registando outras espécies em novos locais", disse em comunicado Patricia Miloslavich, última autora do artigo, uma das cientistas seniores do censo e líder dos estudos regionais.



Foram consideradas várias regiões como os Estados Unidos, o Atlântico Norte, a Austrália, o Índico, o Báltico, a Austrália, América do Sul, a Antárctida e o Japão, entre outras. A contagem total de espécies foi de 230 mil. A Austrália e o Japão tiveram ambos um número próximo de 33 mil espécies (sem contar com bactérias), a costa da China veio em terceiro lugar com mais de 22 mil. A Austrália tem 9286 espécies endémicas, mas quem ganha em proporção é a Nova Zelândia: 51 por cento das 12.780 espécies identificadas só vivem naquela região.



"É normal as zonas como a Austrália ou a Antárctida [outra vencedora em organismos únicos] terem muitos endemismos, porque são continentes longínquoshá muito tempo e há espécies com um padrão de movimento muito restrito", explicou por telefone ao PÚBLICO José Paula, professor associado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.



O especialista em peixes apontou que a identificação de espécies é uma das formas de olhar para a biodiversidade, que também passa pela riqueza dos ecossistemas, da diversidade populacional de cada espécie e da diversidade do próprio ADN.



Investigação global



O projecto do Censo da Vida Marinha teve início em 2000, juntou 2700 cientistas e já conta com 1200 novas espécies identificadas. Mas o que se conhece está muito aquém do que se pensa existir. Por cada espécie identificada há pelo menos quatro desconhecidas.



No artigo, os autores defendem que a identificação de espécies depende muito do conhecimento de especialistas nos diversos grupos de animais, vegetais e organismos celulares que povoam os oceanos. "É improvável que cada país necessite de um especialista em cada grupo taxonómico ou de grandes instalações de investigação. Por isso as colaborações entre países, que já ocorrem informalmente, são fulcrais para o desenvolvimento do conhecimento de novas espécies", diz o artigo, que propõe que os organismos internacionais coordenem estes projectos.



José Paula concorda: "Se não houver coordenação não há capacidade para estudar o oceano de uma forma avançada, porque os custos são tão elevados que nacionalmente não é possível." Até porque o "mar não tem fronteiras e os fenómenos só se compreendem sem barreiras políticas".



Porque os problemas estão lá. O artigo determinou os principais riscos que afectam a vida marinha: a pesca, a perda de habitats, as espécies invasoras e a poluição. Apesar da ordem de risco não ser a mesma de região para região, todos os factores estão a pressionar os ecossistemas.



"Ainda não se percebe até que ponto os ecossistemas vão aguentar a mudança", avisa o biólogo.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Estudo
Sismo do Chile abre falha de 500 km
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1632077&seccao=Biosfera
por PEDRO VILELA MARQUESHoje


Cientistas alertam que sismo de Fevereiro levantou partes da costa chilena em 2,5 metros e noutras zonas afundou um metro. 'Efeito-acordeão' faz temer que a terra trema de novo.


O sismo que varreu o Chile em Fevereiro - considerado o quinto mais forte na história da sismologia moderna, ao atingir os 8,8 graus na escala de Richter - abriu uma falha no solo que se prolonga ao longo de 500 quilómetros de costa. Uma equipa de especialistas franceses, alemães e chilenos publicou um estudo na revista Science em que demonstra que o terramoto mudou a costa chilena, empurrando 2,5 metros para cima terrenos próximos do oceano e afundando um metro algumas zonas interiores.

A investigação centrou-se em 24 pontos junto ao mar e em nove vales de estuários, onde se encontra aquilo a que os cientistas intitulam de "linha charneira", 120 quilómetros de fissura que separam as áreas levantadas das outras que afundaram com o sismo. Os limites das áreas levantadas revelam algas sobre uma crosta de corais mortos, o que demonstra o sentido ascendente do movimento sísmico, enquanto os pontos de referência de obras humanas e o limite mais baixo da vegetação indicam as áreas de afundamento.

Este é o chamado "efeito-acordeão", considerado normal e semelhante ao que já tinha acontecido na Indonésia em 2004. O grande problema, alerta Andrés Tassara, um dos cientistas, é que a terra pode voltar ao mesmo lugar no futuro. "Se houver outro terramoto, essa força acumula-se em todos os lugares da costa onde a terra levantou até um ponto em que não aguenta e gera novo terramoto".

As conclusões do estudo feito no Chile parecem mesmo confirmar esta tese. Os especialistas perceberam que os deslocamentos verticais do solo resultaram da libertação da elasticidade acumulada entre as placas tectónicas desde os sismo de Fevereiro de 1835 em Conceição, que gerou também um maremoto. "A maior parte da tensão acumulada durante o ciclo sísmico libertou-se com o terramoto de 27 de Fevereiro", adiantam, ainda, os cientistas.

O efeito devastador deste sismo serviu como aviso para as autoridades chilenas que foram acusadas de não ter em conta o que os sismólogos lhes diziam, nomeadamente quanto à possibilidade iminente de um sismo de grande magnitude afectar o país. Com a natureza a dar razão aos cientista, a preocupação é, neste momento, tentar prever o próximo abalo e, principalmente, preparar a população.

O mais recente alerta surgiu para o Norte do Chile, junto à fronteira com o Peru. O último grande sismo da zona aconteceu em 1877 e os cientistas avisam que um abalo de magnitude idêntica à registada em Fevereiro poderá acontecer amanhã, ou nos próximos anos, mas defendem que vai acontecer. As autoridades locais já trabalham para minimizar os estragos e as vítimas.

Civismo
Manual de etiqueta para viajar nos transportes públicos
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1632171
por DANIEL LAM


Transportadoras publicaram regras de utilização para os passageiros. Duas 'socialites' também dão os seus conselhos.

O civismo deveria ser suficiente para as pessoas viajarem nos transportes públicos sem incomodar as outras. Mas não é. Motivo que levou os operadores de transportes a criarem informações e regras sobre a utilização correcta dos seus serviços. Mesmo assim, continua a haver muita gente que não segue essas instruções, viajando como se estivesse num campo de batalha em que os inimigos são os restantes passageiros, acotovelando-os, empurrando-os, barafustando e impedindo-os de entrar e sair. Para reforçar essas regras, alguns operadores, como o Metropolitano de Lisboa, lançaram este ano a "Carta do Cliente", revelando quais os deveres da empresa e quais os dos passageiros. O mais elementar de todos é que se deve adquirir e validar o título de transporte. Mas há muitos mais, que se seguem nesta espécie de manual de instruções.


Manter acessos livres


Quando entrar num autocarro, deve-se deslocar para a parte de trás do veículo para manter a zona de entrada e o corredor de passagem livres para os outros utentes que vêm atrás de si. Deste modo, evita bloquear a entrada de mais pessoas que, por isso, podem acabar por ficar na rua e ter de esperar pelo autocarro seguinte.

Não bloquear saídas


Também não deve ficar junto das portas de saída ao longo do percurso do autocarro para não dificultar nem impedir a passagem dos outros passageiros que pretendem sair. Caso contrário, essas pessoas correm o risco de ficar retidas no autocarro e só conseguir sair na paragem seguinte.


Fechar as janelas


Nos autocarros com sistema de ar condicionado ligado, não se deve abrir as janelas, senão o ar fresco escapa-se e entra o bafo quente do exterior. No fundo, deve-se fazer como nos automóveis, quando se viaja com o ar condicionado ligado.


Usar roupa fresca


E porque estamos no Verão, nunca é demais aconselhar o uso de roupas frescas de algodão ou de linho. Deve-se evitar ao máximo usar camisas de poliéster, uma fibra que impede a respiração corporal e provoca mais calor e transpiração a quem as usa. Como resultado, essa pessoa passa a emanar um odor desagradável para todos os passageiros que ali se encontram, muitas vezes completamente comprimidos uns contra os outros.


Esperar que as pessoas saiam


Nos comboios e no metropolitano, os passageiros que se encontram nos cais devem esperar que as pessoas saiam primeiro para só depois entrarem. De seguida, devem sentar-se ou ocupar o corredor ao longo dos bancos, deixando livre o hall de entrada e saída.


Encoste à direita


Nos interfaces e estações de transportes públicos, é importante não impedir a passagem de outras pessoas que pretendem andar mais rapidamente nos tapetes e escadas rolantes. Quem quiser utilizar esses equipamentos sem andar ou fazê-lo de forma mais lenta, deve encostar-se à direita do tapete ou da escada rolante para as pessoas mais apressadas poderem avançar e ultrapassar pela esquerda.

Música incómoda


Os utentes de transportes públicos devem evitar viajar com os telemóveis ou outros aparelhos de som a emitir música a um volume audível e incómodo para os restantes passageiros, que não são obrigados a gostar daquele ritmo.

Não baralhe o validador


No Metropolitano de Lisboa, não fique a esfregar o título de transporte rodando-o de um lado para o outro no validador, porque isso só contribui para baralhar o sistema que, assim, não consegue detectar a informação contida no passe ou no bilhete e não abre as portas de acesso. Limite-se a aproximá-lo suavemente do validador.


Proibido fumar


Não fume no interior dos transportes públicos nem nas estações e interfaces.

Evitar o mau cheiro e os volumes


Não transporte objectos que, pelo seu volume, forma, cheiro ou conteúdo, possam pôr em causa a segurança ou a comodidade dos outros passageiros.

Não comer nem beber


Não é permitido comer ou beber no interior dos autocarros, comboios e outros transportes públicos que não possuam bar ou zona de refeições.


Bagagem ter de ser pequena


Nos autocarros da Carris, em Lisboa, o transporte de bagagem permitido é de dimensão reduzida e deverá ser realizado nos lugares adequados, normalmente sobre a roda da frente esquerda.

DICAS DE VICKY FERNANDES

Respeitar a fila

As pessoas devem esperar pela sua vez na fila para entrar no transporte.

Lugares reservados

Os passageiros têm de respeitar os lugares reservados a pessoas idosas, grávidas, com crianças ao colo ou outras limitações.

Ocupar o nosso lugar

Temos de nos restringir ao nosso espaço, sem ocupar mais do que o nosso lugar.

Falar baixo ao telefone

Pode-se atender o telemóvel, mas sem falar muito alto para não incomodar as outras pessoas, porque o transporte público é um espaço de partilha com os outros.

DICAS DE PAULA BOBONE

Crianças caladinhas

Quando se viaja com crianças, deve-se ensiná-las a ir caladinhas, sem fazer barulho, e sossegadas para não incomodarem as outras pessoas.

Pés fora dos bancos

Deve-se habituar as crianças a não pôr os pés em cima dos bancos e ensiná-las a ceder o lugar às pessoas mais velhas.

Manter distância

As pessoas devem manter alguma distância entre elas.

Evitar peixeirada

Quando se gera uma discussão, as outras pessoas devem manter-se caladas, senão cria-se uma "peixeirada" que pode causar mais desacatos.

Espaço
Fósseis de seres vivos nas rochas marcianas
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1631522


Minerais detectados em Marte, com quatro mil milhões de anos, revelam fósseis da vida que existiu naquele planeta.

Uma equipa internacional de cientistas usou métodos indirectos para identificar aquilo que poderá ser vida fossilizada em rochas marcianas com quatro mil milhões de anos. A curiosidade dos cientistas foi provocada pela descoberta, em 2008, de carbonatos em rochas de Marte. Este mineral é produzido pelos restos fossilizados de seres vivos. Na Terra, surge associado a restos de ossos ou de conchas.

Nesta investigação, os cientistas usaram um dos instrumentos a bordo da sonda orbital da NASA Mars Reconnaissance Orbiter para estudar rochas da zona conhecida por Nili Fossae onde se sabia existir estes carbonatos. A técnica, que consistia em usar luz infravermelha, foi depois utilizada, da mesma forma, para analisar rochas muito antigas do planeta Terra, numa zona do Noroeste da Austrália conhecida por Pilbara.

O que o estudo apurou é que o conteúdo mineral das rochas de Nili Fossae e das de Pilbara era muito semelhante, sugerindo processos idênticos, envolvendo vida no segundo caso. Segundo os cientistas, nenhum processo geológico poderia ter produzido aquelas características.

Nili Fossae é agora um dos alvos primordiais para futuras explorações de Marte, estando a ser avaliado como potencial lugar de aterragem da próxima sonda da NASA, Mars Science Laboratory, cuja partida está prevista para 2011. Trata-se de um veículo não tripulado que precisará de planícies desafogadas, o que não é o caso de Nili Fossae, onde há muitas pedras de certa dimensão a impedir o progresso da máquina.