"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, outubro 28, 2010

O suor das mulheres é diferente?
Elas suam menos porque souberam ficar à sombra, desde o tempo das cavernas. Eles suam mais porque andavam no campo. Até hoje há diferenças na forma de suar, garante um estudo japonês.

http://aeiou.expresso.pt/o-suor-das-mulheres-e-diferente=f611866

Christiana Martins


Em condições semelhantes, os homens suam mais
Fotografia Rogelio V. Solis/AP
Uma mulher que trabalhe numa fábrica sua como um homem? Esta questão está a ser alvo do mais cuidadoso escrutínio científico. Um novo estudo publicado este mês no jornal "Experimental Physiology" dá provas evidentes de que uma mulher produz abundante suor durante o exercício físico.

O mais interessante, contudo, é que este suor possui características diferentes do suor de pessoas que não pratiquem atividade física e, sobretudo, bastante diferente do suor produzido pelos homens, fator que poderá ter consequências em quem praticar desporto de alta competição.

Investigadores das universidades de Osaka e de Kobe, no Japão, recrutaram um grupo de atletas, de ambos os sexos, com as mesmas idades e com pesos semelhantes e colocaram-nos em confronto com pessoas que não praticam habitualmente exercício físico. Todos tiveram de pedalar em bicicletas fixas num espaço fechado e a uma temperatura estabilizada.

Homens suam mais


Segundo o "The New York Times", que divulgou a notícia, os resultados do estudo indicam que os atletas do sexo masculino transpiram mais do que as atletas, mas as mulheres usam mais glândulas sudoríparas do que os homens. Quem suou menos foram as mulheres sedentárias, embora tenham registado altas temperaturas corporais.

Assim, os cientistas concluíram que há diferenças sexuais no que toca à produção do suor e na correspondência entre a quantidade de suor e a intensidade do exercício praticado. Há explicações de que este comportamento estará ainda associado a formas de vida pré-históricas, em que as mulheres se abrigavam à sombra e os homens atuavam mais ao ar livre, formas essas que os seus corpos encontraram para a sobrevivência de cada sexo, de acordo com o respetivo habitat.

terça-feira, outubro 26, 2010

Estudo
Paixão acende o cérebro em menos de um segundo
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1695037
por FILOMENA NAVES


Pelo menos doze zonas do cérebro estão envolvidas em rede nesta emoção complexa.


É o tempo de uma faísca, menos de um segundo. É quanto basta para se atear em alguém apaixonado o estado emocional que lhe corresponde, à vista do parceiro amado. E esse estado activa várias zonas cerebrais envolvidas em processos e funções tão diferentes como a libertação de alguns químicos, a imagem do corpo ou a memória. Entre elas estão, por exemplo, o núcleo caudado e o putâmen, localizados no interior do cérebro, que têm uma particularidade: também são activados por substâncias como a cocaína, induzindo a euforia que acompanha o seu consumo.

Para chegar a estas conclusões, a equipa passou em revista todos os estudos feitos nesta área que recorreram à imagiologia cerebral in vivo, utilizando a ressonância magnética funcional para visualizar as áreas cerebrais activadas numa dada situação.

Ao todo são 12 as áreas cerebrais convocadas para o estado emocional do amor-paixão, segundo um estudo publicado ontem no Journal of Sexual Medicine, por um grupo internacional coordenado pela neuropsicóloga Stephanie Ortigue, da universidade de Syracuse, nos Estados Unidos. Essas áreas são as que estão ligadas às emoções, à motivação, à recompensa, à cognição, à atenção e auto-imagem ou auto-representação, que ficam activas numa complexa rede de interacções neuronais.

Toda esta actividade cerebral mostra que o amor "é uma emoção complexa e não básica como tem sido descrita", escrevem os investigadores no artigo.

Por outro lado, nos cérebros das pessoas apaixonadas foi observada uma significativa desactivação de áreas como a amígdala, que, pelo contrário, se alumiam quando as pessoas sofreram recentemente, ou estão ainda a sofrer, um desaire amoroso, como uma separação.

Mas se o amor pode ser "lido" no cérebro, que papel resta ao coração, nestes assuntos dele?

"Essa é uma questão difícil", diz a coordenadora do estudo. "O cérebro apaixona-se, mas o coração também tem algo que ver com isso, porque este é um conceito complexo, e há processos nos dois sentidos. Por exemplo, a activação de algumas zonas do cérebro pode gerar estímulos para o coração e borboletas no estômago, e vice--versa", explicou a investigadora, citada pela Science Daily.

No estudo, a equipa avaliou também outros tipos de amor, que designou por amor compassivo (entre um casal não apaixonado), amor maternal e amor incondicional (não espera retribuição) e concluiu que eles convocam diferentes redes neuronais. Segundo a equipa, abrem-se novas perspectivas na pesquisa em neurociências, mas também na terapia de casais, por exemplo.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Antropologia

Primeiros europeus cuidavam dos mais velhos

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1683546



Há mais de 500 mil anos, os primeiros homens europeus já cuidavam dos mais velhos e dos doentes que não podiam valer-se sozinhos. É a conclusão de uma equipa de investigadores espanhóis que estudou os fósseis do Homo antecessor e publicou os resultados na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Este hominídeo foi identificado em 1997, depois de os seus ossos fossilizados, os mais antigos até hoje descobertos na Europa, terem sido encontrados numa gruta em Atapuerca, no Norte de Espanha, e foi assim chamado porque é anterior ao homem de Neandertal e ao homem moderno, e seu antecessor comum (ver caixa).

A conclusão dos investigadores espanhóis sobre a capacidade de solidariedade geracional dos Homo antecessor baseia-se na avaliação dos ossos da bacia e de parte da coluna vertebral de um desses primeiros europeus, que viveu em Atapuerca há mais de 500 mil anos. O estudo revelou que o indivíduo, um homem muito corpulento, sofreu de várias doenças degenerativas e incapacitantes durante muito tempo antes de morrer, o que ocorreu quando tinha por volta de 45 anos.

Essas doenças, escreve a equipa coordenada por Juan-Luis Arsuaga, da Universidade Complutense de Madrid, "obrigavam o indivíduo a adoptar uma postura curvada e talvez a usar um pau para se manter de pé, impedindo-o provavelmente de caçar". A sua longa sobrevivência com esses problemas leva a supor que ele teria ficado ao cuidado do grupo.

Estudo
Luz durante a noite pode conduzir à obesidade

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1684500

As causas da obesidade podem estar onde menos se espera. É isso que transparece num estudo norte-americano publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, segundo o qual luz a mais durante a noite aumenta esse risco. Pelo menos nos ratinhos funciona assim.

"Embora não haja qualquer diferença no grau de actividade física ou na quantidade de alimen- tos ingeridos, os ratos que viveram com luz durante o ciclo nocturno, engordaram mais do que os outros", explicou Laura Fonken, neurologista e investigadora da Universidade de Ohio (EUA), e principal autora do estudo.

A equipa verificou que um grupo de ratos submetidos a iluminação fraca durante a noite, ao longo de oito semanas, tinham no final desse período um índice de massa corporal 50% mais alto do que os do grupo que viveu um ciclo de nocturno normal.

Apesar da luminosidade permanente, um grupo de ratos não tinha acesso a comida durante o ciclo nocturno, e por isso não ganhou mais peso. Foi um segundo grupo de ratos submetido às oito semanas de luz permanente e com acesso também permanente a alimentação, embora a quantidade fosse exactamente idêntica à dos outros, que engordou mais.

"Há qualquer coisa na noite que, juntamente com a luz, leva estes ratos a comer a más horas, o que provoca uma metabolização incorrecta da alimentação", afirmou por sua vez Randy Nelson, co-autor do estudo, sublinhando que "se isso se confirmar nos humanos, isso indica que as refeições tardias representam um risco particular para a obesidade".