"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, novembro 16, 2010

A primeira “Pocahontas” viveu entre os vikings há mil anos
16.11.2010 - 18:56 Por PÚBLICO

http://www.publico.pt/Ciências/a-primeira-pocahontas-viveu-entre-os-vikings-ha-mil-anos_1466512

« anteriorQuando Colombo voltou da América trouxe consigo ameríndios para mostrar aos europeus os humanos que existiam na suposta Índia. Mas há provas que os vikings podem ter feito o mesmo 500 anos antes. Uma equipa de cientistas encontrou em quatro famílias islandesas genes provenientes de uma mulher índia que terá sido levada para a Islândia no ano 1000 d.C..
O local arqueológico dos vikings no Canadá fica na Terra Nova (DR)

A descoberta foi publicada na revista Journal of Physical Anthropology.

Uma análise genética a mais de 80 islandeses destas quatro famílias mostrou que o ADN das mitocôndrias pertence a um grupo genético que existe hoje na Ásia e entre os indígenas americanos.

As mitocôndrias são estruturas que temos nas células para produzirmos energia, com material genético próprio, que recebemos pela via materna. Antes, pensava-se que a origem deste material seria asiático, mas os quatro antepassados comuns destas famílias situam-se entre 1710 e 1740 no Sul da Islândia.

“Como a ilha ficou praticamente isolada desde o século X, a hipótese mais coerente é que os genes correspondam a uma mulher ameríndia que foi trazida da América pelos vikings cerca do ano 1000”, explicou Cales Lalueza-Fox citado pelo El País, investigador do Instituto de Biologia Evolutiva da Universidade de Pompeu Fabra, Barcelona. O projecto contou com o trabalho de investigadores da Universidade da Islândia e da empresa farmacêutica Decode Genetics, de Reiquejavique.

Achados arqueológicos mostram que durante o século X os vikings colonizaram a região de Terra Nova, no Canadá. Durante o século XIII textos medievais islandeses descrevem esta conquista. A descoberta genética é mais uma prova desta colonização, e mostra que houve miscigenação entre os índios e os vikings.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Investigação publicada hoje online na revista Science
O cérebro de um adulto muda tanto como o de uma criança, quando aprende a ler

http://www.publico.pt/Ciências/o-cerebro-de-um-adulto-muda-tanto-como-o-de-uma-crianca-quando-aprende-a-ler_1465736?all=1
Por Clara Barata

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Cientistas e voluntários portugueses participaram num estudo internacional inédito sobre os efeitos da leitura no córtex cerebral, comparando analfabetos, leitores e ex-iletrados.
Quando reconhecemos uma palavra escrita, o córtex auditivo é activado (Foto: Daniel Rocha)

Quando se aprende a ler, é como se uma armada vitoriosa chegasse às costas desprevenidas do nosso cérebro. Muda-o para sempre, conquistando territórios que eram utilizados para processar outros estímulos - para reconhecer faces, por exemplo - e estendendo a sua influência a áreas relacionadas, como o córtex auditivo, para criar a sua própria fortaleza: uma nova zona especializada, a Área da Forma Visual das Palavras. Isto acontece sempre, quer se tenha aprendido a ler aos seis anos ou já na idade adulta.

Esta é uma das conclusões de um estudo internacional publicado hoje na edição online da revista Science, em que participaram cientistas portugueses - e voluntários portugueses também, pessoas que aprenderam a ler já tarde na vida.

"Este é o primeiro trabalho que compara o cérebro de pessoas letradas e analfabetas, mas também de ex-iletradas (que aprenderam a ler em adultos)", explica José Morais, professor jubilado de Psicologia da Universidade Livre de Bruxelas e um dos autores do artigo.

Reciclagem neuronal

"Comparando o cérebro destas pessoas podemos ver o impacto da aprendizagem deste código no nosso cérebro", adianta Paulo Ventura, professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. "Trabalhámos sobre a hipótese da reciclagem neuronal, defendida pelo chefe da equipa, Stanislas Dehaene [do INSERM-Instituto Nacional da Saúde e da Investigação Médica francês]. A ideia é que, sendo a escrita algo relativamente recente na história humana, com cerca de 6000 anos, não houve tempo suficiente para que se desenvolvessem estruturas físicas no cérebro" com ela relacionadas, explica.

Na falta de ordens evolutivas codificadas no nosso ADN, o que acontece é que o cérebro de cada pessoa que aprende a ler se modifica para acomodar as novas capacidades, porque tem uma grande capacidade plástica. E a leitura recruta uma área cortical semelhante em todas as culturas humanas. Os cientistas estavam também interessados em perceber quais as funções desalojadas, digamos assim, pela nova área cerebral que é criada quando se aprende a ler, para além de compreenderem como passa a funcionar o cérebro leitor.

Dez analfabetos brasileiros, da região em torno de Brasília (com a idade média de 53,3 anos, e originários de meios rurais), 22 pessoas que aprenderam a ler em adultos (12 deles portugueses, alguns recrutados na zona de Paris) e 31 letrados (11 portugueses) foram os participantes.

"Foi difícil encontrar iletrados portugueses, até porque quando começámos o estudo, há três anos, acabaram os cursos de alfabetização para adultos, que era onde podíamos mais facilmente encontrar estas pessoas, quando se inscreviam", diz José Morais. "Em Portugal, felizmente, é cada vez mais difícil encontrar analfabetos."

Os cérebros dos voluntários recrutados foram analisados - observados em acção - quando resolviam uma série de testes. Para isso, foi usada a ressonância magnética funcional, um exame de imagiologia que permite medir os níveis de actividade nas diferentes zonas do cérebro num determinado momento (ver ilustração).

"Os brasileiros foram testados no Brasil, através da rede de hospitais privados SARAH, de neurodiagnóstico e neurorreabilitação, mas quando o projecto começou, não havia em Portugal máquinas com potência suficiente. Fizemos uma ponte aérea com Paris", explica Paulo Ventura.

E o que descobriram então os cientistas sobre o que acontece ao cérebro de quem aprende a ler?

Nunca é tarde

Antes de mais, que nunca é tarde para aprender: "O cérebro dos ex-analfabetos só em poucas coisas difere do dos alfabetizados, está muito mais próximo destes", diz José Morais, ainda que as suas condições sócio-económicas se possam assemelhar mais à dos iletrados. "Ensinar alguém a ler na idade adulta tem os mesmos efeitos do que ensinar uma criança. É uma boa notícia, não há razão para desistir dos iletrados", sublinha.As diferenças entre o cérebro leitor e aquele dos que nunca aprenderam a ler é que são todo um rol. Por exemplo, no cérebro de quem lê, os exames de ressonância magnética revelam um aumento de actividade no córtex auditivo, quando vê uma palavra escrita. É activado quando temos de decidir se estamos perante uma palavra a sério ou um conjunto de letras sem nexo, ilustra José Morais.

"Poder-se-ia pensar que no córtex auditivo há uma extensão das áreas ligadas ao visual", diz o cientista ao telefone, a partir de Bruxelas. "É uma área envolvida no tratamento de fonemas, que são as unidades mais pequenas da fala. Curiosamente, os iletrados são incapazes de manipular as unidades fonéticas", contribui Paulo Ventura.

Finalmente, há o curioso roubar de terreno à área cerebral que processa o reconhecimento de rostos pela Área da Forma Visual das Palavras, que ganha terreno no córtex, quando se aprende a ler. "Há menos área dedicada a esta função anterior nos alfabetizados. A nova área rouba um bocadinho à antiga para lidar com a leitura. É como se os iletrados fossem melhores, entre aspas, a reconhecer os rostos, mas obviamente as diferenças são minúsculas", diz Paulo Ventura. O interessante disto, nota, é que "comprova a teoria da reciclagem neuronal".

segunda-feira, novembro 08, 2010

primeiro fígado em laboratório

Investigação
Português cria primeiro fígado em laboratório

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1705375&seccao=Sa%FAde


Pedro Baptista espera conseguir fazer um transplante em humanos daqui a cinco a dez anos. Hepatologistas dividem-se quanto à funcionalidade do órgão agora criado


Um investigador português é o líder da equipa que promete revolucionar o transplante de fígado. Pedro Baptista criou pela primeira vez em laboratório um fígado humano. Para já só tem 2,5 centímetros e pesa pouco mais de cinco gramas, mas o objectivo agora passa por descobrir a fórmula para o fazer crescer.

"Se as coisas correrem bem nas experiências com os ratos, ou seja, se o órgão tiver a função que nós esperamos, então começaremos a tentar aumentar o seu tamanho e o transplante numa espécie maior", explicou Pedro Baptista, que publicou a sua investigação no jornal Hepatology. O investigador realçou ainda que "este é um passo importante para os doentes porque são os primeiros fígados alguma vez feitos em laboratório que têm a função de um fígado humano".

Pedro Baptista, de 33 anos, está a trabalhar nos Estados Unidos, no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte. Este instituto tem-se destacado nesta área e foi nos seus laboratórios que foi criado o primeiro órgão implantado em humanos, nomeadamente, a bexiga.

Com o problema de falta de órgãos para transplante a aumentar, com grande incidência no fígado, "esta descoberta de Pedro Baptista é muito relevante" na opinião do médico Manuel Guilherme Macedo. O hepatologista espera que se torne realidade o objectivo de criar um fígado que possa ser transplantado, mas salientou que já houve projectos em que houve grande entusiasmo mas que depois não se concretizaram.

"Com este avanço passa a existir um modelo para que se possa testar a toxicidade de novos fármacos no fígado. Será uma forma de optimizar esta investigação", disse ao DN o especialista. Isto é, pode ser uma forma de evitar testes em humanos e Pedro Baptista confirma que este é um dos primeiros objectivos da sua investigação, já que o ter um fígado pronto para transplante pode demorar cinco a dez anos, na perspectiva do português.

"Para o metabolismo de drogas e de toxicidade de químicos faz mais sentido usar este tipo de tecido, com células humanas, do que os tecidos de células animais, porque nem sempre os órgãos animais metabolizam as drogas e os químicos da mesma maneira do que os humanos", referiu o investigador de 33 anos.

O hepatologista Rui Tato Marinho mostra-se mais céptico quanto à possibilidade de se conseguir criar um fígado para ser transplantado, mas referiu ao DN que esta investigação poderá ser importante para ajudar os doentes a ganharem tempo enquanto esperam pelo transplante de um órgão verdadeiro (ver entrevista).

Mas Pedro Baptista avisou em declarações à Lusa: "Enquanto não tentar o transplante, que é o que estou a fazer, não vou arredar pé daqui [do instituto]."

Investigação
Português cria primeiro fígado em laboratório

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1705375&seccao=Sa%FAde


Pedro Baptista espera conseguir fazer um transplante em humanos daqui a cinco a dez anos. Hepatologistas dividem-se quanto à funcionalidade do órgão agora criado


Um investigador português é o líder da equipa que promete revolucionar o transplante de fígado. Pedro Baptista criou pela primeira vez em laboratório um fígado humano. Para já só tem 2,5 centímetros e pesa pouco mais de cinco gramas, mas o objectivo agora passa por descobrir a fórmula para o fazer crescer.

"Se as coisas correrem bem nas experiências com os ratos, ou seja, se o órgão tiver a função que nós esperamos, então começaremos a tentar aumentar o seu tamanho e o transplante numa espécie maior", explicou Pedro Baptista, que publicou a sua investigação no jornal Hepatology. O investigador realçou ainda que "este é um passo importante para os doentes porque são os primeiros fígados alguma vez feitos em laboratório que têm a função de um fígado humano".

Pedro Baptista, de 33 anos, está a trabalhar nos Estados Unidos, no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte. Este instituto tem-se destacado nesta área e foi nos seus laboratórios que foi criado o primeiro órgão implantado em humanos, nomeadamente, a bexiga.

Com o problema de falta de órgãos para transplante a aumentar, com grande incidência no fígado, "esta descoberta de Pedro Baptista é muito relevante" na opinião do médico Manuel Guilherme Macedo. O hepatologista espera que se torne realidade o objectivo de criar um fígado que possa ser transplantado, mas salientou que já houve projectos em que houve grande entusiasmo mas que depois não se concretizaram.

"Com este avanço passa a existir um modelo para que se possa testar a toxicidade de novos fármacos no fígado. Será uma forma de optimizar esta investigação", disse ao DN o especialista. Isto é, pode ser uma forma de evitar testes em humanos e Pedro Baptista confirma que este é um dos primeiros objectivos da sua investigação, já que o ter um fígado pronto para transplante pode demorar cinco a dez anos, na perspectiva do português.

"Para o metabolismo de drogas e de toxicidade de químicos faz mais sentido usar este tipo de tecido, com células humanas, do que os tecidos de células animais, porque nem sempre os órgãos animais metabolizam as drogas e os químicos da mesma maneira do que os humanos", referiu o investigador de 33 anos.

O hepatologista Rui Tato Marinho mostra-se mais céptico quanto à possibilidade de se conseguir criar um fígado para ser transplantado, mas referiu ao DN que esta investigação poderá ser importante para ajudar os doentes a ganharem tempo enquanto esperam pelo transplante de um órgão verdadeiro (ver entrevista).

Mas Pedro Baptista avisou em declarações à Lusa: "Enquanto não tentar o transplante, que é o que estou a fazer, não vou arredar pé daqui [do instituto]."

a guerra como ela devia ser

A guerra como ela devia ser
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1705331&seccao=Tecnologia
por RICARDO SIMÕES FERREIRAHoje


O novo 'Call of Duty: Black Ops' chega esta noite às lojas, para delícia dos muitos fãs da série de jogos de tiros na primeira pessoa. Junta-se ao (concorrente) 'Medal of Honor', que já está nas prateleiras há três semanas. Ambos prometem muita acção, gráficos ultra-realistas e horas e horas de diversão. Baixas, aqui, são só o tédio e a monotonia. A guerra assim até parece ser uma coisa boa...

A hora está marcada: à meia-noite em ponto, os fãs mais acérrimos de Call of Duty são outra vez chamados "ao serviço". Esta madrugada é posto à venda o novo jogo da série que é, para muitos milhões de jogadores em todo o mundo, a mais realista saga de jogos de guerra na primeira pessoa alguma vez criada. Call of Duty: Black Ops, o sétimo deste franchise de FPS (first person shooters) iniciado em 2003, é lançado para PlayStation3, Xbox 360 e PC, e promete horas intermináveis de tiros, explosões, violência e... muito divertimento.

Para apresentar esta nova estrela do universo dos jogos de vídeo, a Ecofilmes, representante em Portugal da editora Activision, montou uma operação de envergadura, na Fnac do Colombo, para o lançamento oficial. Este serão realizar- -se-ão torneios de COD - como lhe chamam os mais íntimos - com a versão antiga até que, à meia-noite em ponto, será mostrado o novo jogo. A Fnac ficará aberta noite dentro para quem queira experimentar - e comprar - o novo Call of Duty. "Enquanto estiver lá gente, a loja não fecha", afirma ao DN Nuno Coelho, responsável da Ecofilmes por esta operação, que promete brindes alusivos ao jogo para quem o comprar durante o lançamento.

E não devem ser poucos os que quererão participar no evento desta noite. Pelo menos a julgar pelo êxito da versão anterior, Call of Duty: Modern Warfare 2, que segundo Nuno Coelho vendeu em todo o mundo "sete milhões de unidades em 24 horas", para um total registado, "até ao Verão, de 22 milhões de cópias" vendidas. Expectativas para esta nova versão? "A ideia é bater estes números", afirma Nuno Coelho, sem hesitações.

A concorrência é forte (ver mais à frente), mas o novo COD vem com argumentos (será mais correcto dizer munições...) suficientes para esperar que os fãs não fiquem desiludidos.

A história de Call of Duty: Black Ops passa-se durante a Guerra Fria. Ou, melhor dizendo, nos cenários em que esta guerra ficou a escaldar: Vietname, Laos, Cuba... com a presença do guerrilheiro Fidel Castro e tudo!

O jogador encarna várias personagens em missões a solo ou em grupo, a pé ou em veículos, que lhe abrem as portas a uma história que se promete digna de um filme de Hollywood. E mais o representante não diz. "A história do jogo é mais ou menos sigilosa", desculpa-se Nuno Coelho. "Só posso dizer-lhe que há missões em que vamos pilotar helicópteros e até aviões espiões."

Como é habitual nestes jogos, no modo "campanha", a história de Call of Duty: Black Ops espera-se bem contada e terá uma banda sonora a condizer (prometem- -se músicas marcantes dos anos 70, bem como a voz do famoso actor Gary Oldman). Os gráficos são, no mínimo, espectaculares. Mas, se há área em que os jogos de hoje em dia apostam é na opção multijogador, pela Internet. E estas novidades não são secretas...

"No modo multijogador criou-se os chamados 'COD points', que são uma espécie de dinheiro dentro do mundo virtual", explica Nuno Coelho. Consoante se joga COD online ganham-se pontos que depois podem ser trocados por armas, truques, emblemas, vestuário e outros adereços.

"Pode-se até apostar nos jogos. Se ganharmos, ou ficarmos em segundo ou terceiro lugar, ganhamos pontos. Se não, perdemos o que apostámos", explica ainda este responsável.

Finalmente, uma nota para os fãs da série: podem ficar descansados, que o modo de matar zombies continua a existir...