"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, setembro 28, 2006

Mona Lisa afinal sorria porque tinha sido mãe pela segunda vez http://dn.sapo.pt/2006/09/28/sociedade/mona_lisa_afinal_sorria_porque_tinha.html
Filomena Naves

Há uma nova teoria para o misterioso sorriso da Mona Lisa: afinal a senhora do quadro tinha acabado de dar à luz. A conclusão é de um grupo de investigadores canadianos e resulta de um estudo com uma técnica de imagiologia numérica por laser, a cores e em 3D, que permitiu olhar "para dentro" da pintura e ver o que nunca tinha sido visto antes. De acordo com os cientistas do conselho nacional de pesquisas do Canadá (CNRC), que fizeram o trabalho a pedido do Museu do Louvre, a Gioconda tem vestida uma cobertura de tule fina e transparente, que está presa à gola de uma peça de vestuário que ela tem por baixo, e que normalmente era usada na época pelas mulheres grávidas ou que tinham acabado de dar à luz."Este quadro foi pintado para comemorar o nascimento do segundo filho de Mona Lisa. É uma mulher que acaba de ter um filho, que se volta para nós, nos fixa, e que sorri ligeiramente", explicou ontem, em Otava, no Canadá, Bruno Mottin, conservador do centro de pesquisa e restauração dos museus de França, na conferência de imprensa que divulgou os resultados do estudo.A tecnologia utilizada, que tem a precisão de um mícron - equivalente a um décimo do diâmetro de um cabelo humano -, e que passou também pela reflectografia por infravermelhos, permitiu ver através das várias camadas de tinta e mostrou outra surpresa. A Gioconda tem os cabelos apanhados atrás, tal como se usava na época, e cobertos por uma touca atrás. Pensava-se que ela tinha o cabelo solto, mas isso sempre foi inexplicável para os historiadores, já que, na época, só as mulheres de má fama usavam o cabelo solto, e esta era a mulher do comerciante florentino Francesco del Giocondo.Resolvidos estes enigmas, "não resta no quadro nenhum mistério como o do Código Da Vinci, de Dan Brown", gracejou Bruno Mottin, sublinhando que o quadro contém toda a técnica do mestre. "Foi esse mistério que agora descobrimos."A análise mostra que a Mona Lisa está bem conservada e que, se for tratada como até agora, terá uma longa vida. "O estudo não nos ajudou apenas a aprofundar a técnica do sfumato de Da Vinci, com efeitos vaporosos muito sombreados, servirá também para resolver os problemas da sua conservação", disse o director do Louvre, Henri Loyrette. As imagens em 3D mostram ainda as pinceladas, que não são visíveis a olho nu porque a camada de tinta é muito suave e uniforme, e revelam que neste quadro, Da Vinci não usou directamente os dedos, como fez em outras obras. A razão? Não se vêem impressões digitais.

A bordo de um avião
Médicos realizam primeira cirurgia sob gravidade zero num ser humano
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1271518
27.09.2006 - 13h53 Lusa, AP

A primeira operação cirúrgica em condições de ausência de gravidade foi hoje realizada por uma equipa francesa a bordo de um avião e "decorreu sem qualquer dificuldade particular", anunciaram as autoridades médicas.
O plano era a excisão de um quisto do braço de um paciente do sexo masculino a bordo do Airbus 300 Zero-G, enquanto este era pilotado de maneira a que a cirurgia decorresse como se numa montanha-russa, entre a gravidade e a gravidade-zero, durante três horas. Segundo a Novespace, responsável pelo avião, estavam planeadas 30 manobras tipo montanha-russa, chamadas parábolas, para a totalidade do voo. Os cirurgiões terão estado seguros às paredes do avião durante a cirurgia. O avião levantou voo esta manhã e aterrou pouco depois das 12h00 (hora de Lisboa) no Instituto para a Manutenção Aeronáutica de Merignac, junto a Bordéus, no sul de França.O voo, que durou três horas e atingiu uma altura entre 6000 e 8500 metros, foi feito em condições de gravidade zero no decurso de 32 períodos de 22 segundos em que o avião fez descidas súbitas com uma inclinação de 47 graus."Se tivéssemos tido duas horas de imponderabilidade contínua, poderíamos ter operado uma apendicite", sublinhou cirurgião Dominique Martin, coordenador do projecto.A experiência faz parte de um esforço mais alargado que visa o desenvolvimento de robôs que possam efectuar operações cirúrgicas à distância, seja no espaço ou na Terra. Da responsabilidade do Centro Nacional Francês para os Estudos Espaciais, apoiado pela Agência Espacial Europeia, o projecto foi chefiado pelo .O paciente é o francês Philippe Sanchot, escolhido pelo seu amor à prática do bungee-jumping e por estar, por isso, habituado a mudanças de gravidade bruscas, segundo explicou Frederique Albertoni, porta-voz do hospital onde trabalha Dominique Martin.Quanto à cirurgia, Albertoni explicou que foi seleccionada por ser relativamente simples e implicar apenas uma anestesia local."Há toda uma série de dilemas interessantes quanto à cirurgia no espaço", comentou Joseph LoCicero, responsável pelo serviço de Cirurgia Torácica no Hospital Maimonides, em Nova Iorque. "Sem gravidade, as coisas podem flutuar", como os instrumentos, e implica uma grande concentração por parte do médico, que deve ser preciso nos seus movimentos.Antes de passarem à prática, o médico, o paciente e outros cinco médicos foram treinados em máquinas que produzem o efeito gravidade-zero, similares às usadas no treino dos astronautas. Os médicos já tinham sido os primeiros a realizar uma operação deste tipo, mas desta feita num animal. No início do ano, conseguiram remendar a artéria da cauda de uma ratazana em condições de gravidade-zero.Também a NASA, a agência espacial dos EUA, já testou a cirurgia robótica, desta feitas no fundo do mar, onde mantém um laboratório que recria a vida numa estação espacial em órbita, mas em modelos de animais.

sábado, setembro 23, 2006

'Cara de Marte' afinal é só mesmo uma montanha
http://dn.sapo.pt/2006/09/23/sociedade/cara_marte_afinal_e_mesmo_montanha.html
POR Filomena Naves
22 de Setembro de 2006

Há 30 anos, a primeira sonda Viking da NASA passou junto a Marte e enviou para a Terra uma série de imagens da sua superfície. Uma delas, que ficou conhecida por "Cara de Marte", acabou por entrar para a História da forma mais inesperada: através de teorias da conspiração, que perduraram até hoje. Novas fotografias feitas pela sonda europeia Mars Express vieram agora reafirmar o que os cientistas já dizem há três décadas: a cara, não é uma cara. Trata-se apenas de uma estrutura geológica moldada para erosão. O resto - olhos, nariz e boca - é apenas uma ilusão. Uma (boa) partida das condições de luz.No seu comunicado sobre aquela fotografia, foi a própria NASA que, em Julho de 1976, chamou a atenção para a semelhança entre aquela formação na superfície do Planeta Vermelho e uma "cabeça humana". Explicava-se ainda nesse comunicado a sua verdadeira natureza. Mas o "rosto" teve mais força e acabou por incendiar imaginações e desencadear especulações desenfreadas sobre civilizações extra-terrestres e tudo o mais que sempre vem no rol (ver textos na página seguinte).Com a sua sonda Mars Global Surveyor, colocada na órbita de Marte no final da década de 90, a NASA viu aí uma oportunidade para voltar a olhar para a "cara" e assim tentar desfazer o mito. A nave fez então imagens detalhadas daquela estrutura localizada em Cydonia, algures na transição entre os planaltos do sul do planeta e as planícies marcianas a norte, numa região de nome Arabia Terra. As imagens, divulgadas em 1998, mostravam uma estrutura montanhosa. "É só um monte como qualquer outro. Sem as sombras, não há ali formas faciais", explicou nessa altura Ron Baalke, um dos cientistas do Jet Propulsion Laboratory da NASA, ligado à missão.Mas os mitos têm muito peso e este não terá fugido à regra. Conta Gerhard Neukum, da Universidade Livre de Berlim e chefe científico da câmara de alta resolução da Mars Express, citado pela New Scientist: "Mandaram-se centenas e centenas de emails dizendo coisas como 'porque não fazem imagens de Cydonia, digam-nos a verdade, não acreditamos na NASA'."A equipa europeia já estava a tentar esquadrinhar a zona de Cydonia desde 2004, mas o posicionamento da sonda, ou as condições de visibilidade, com muitas poeiras em suspensão, nunca tinham permitido fazer imagens detalhadas daquela estrutura. Isso tornou-se possível a 22 de Julho deste ano, quando a nave, no seu sobrevoo a Cydonia, se encontrou nas condições ideais para fazer as fotografias."São imagens espectaculares, diz o líder de projecto da Mars Express, Agustin Chicharro, sublinhando que elas "são importantes para os geólogos planetários, devido ao seu nível de detalhe". De acordo com os cientistas, Cydonia já foi uma montanha com uma altura uniforme, mas a erosão talhou ali várias depressões, provavelmente por efeito de glaciares ou de água corrente. Só o seu estudo, justamente pelos geólogos planetários, poderá agora esclarecer qual terá sido exactamente esse processo. É por isso que estas imagens da Mars Express são tão "importantes", garantem os cientistas da ESA.

"Bomba nuclear é contrária ao islão", diz 'ayatollah' iraniano
http://dn.sapo.pt/2006/09/23/internacional/bomba_nuclear_e_contraria_islao_ayat.html
22 de Setembro de 2006
POR António Rodrigues e Manuel Almeida

Entrevista a Yussef Saanei, "Ayatollah" de Qom.As ideias que Khomeiny tinha quando fez a Revolução ainda permanecem vivas no Irão?As ideias do imã Khomeiny, tal como são conhecidas e mantidas na sua essência, serão, agora e sempre, perceptíveis para toda a humanidade e podem ser concretizadas.As pessoas que hoje dirigem o país estão a seguir os preceitos de Khomeiny?Em parte, não totalmente.Qual é a parte que não está a ser cumprida?Se se tivessem concretizado todas as suas ideias, a taxa de participação nas eleições seria muito mais elevada do que foi na última eleição presidencial. Se os governantes do Irão, assim como o resto do mundo, tivessem seguido essas ideias e as tivessem aplicado na sua essência, não teria havido nem a Al-Qaeda nem o terrorismo. Não quero dizer que desapareceria o terrorismo mundial, mas seria bem menor o seu impacto.Porquê?Durante os 20 anos que o imã Khomeiny lutou contra o Governo do xá Reza Pahlevi, e contra os Governos das grandes potências, nunca permitiu que se recorresse à luta armada. Inclusivamente, o atentado que vitimou o primeiro-ministro do xá não foi autorizado por ele. Em toda a sua vida nunca instigou ninguém a atingir o seu objectivo através do terrorismo. Quando o imã regressou ao Irão, depois do triunfo da Revolução, foi recebido por cinco milhões de pessoas, quando morreu, mesmo tendo governado uma década, dez milhões de pessoas estiveram no funeral.A grande taxa de abstenção nas eleições do ano passado mostra, então, que as pessoas estão descontentes com o rumo da revolução?Ou não se importam ou estão descontentes. O imã Khomeiny tinha a capacidade de criar um sentimento de amor pelos governantes. Um Governo ao mesmo tempo sentimental e racional. E este tipo de Governo exige que o povo não seja maltratado e os seus direitos sejam respeitados.Isso quer dizer que hoje em dia não se respeitam os direitos do povo no Irão?Não se respeitam da forma que pretendia o imã Khomeiny. Até certo ponto, não se respeitam.Quais são os direitos que não se respeitam?Cabe aos governantes, aos que têm o poder, dizê-lo, as minhas palavras não servem para nada.No entanto, é um líder religioso importante, tem seguidores. A sua opinião não tem influência?Sim, é verdade, mas aos governantes não lhes importa aquilo que eu digo. Mas é preciso fazer alguma coisa para que as pessoas participem mais nos actos eleitorais, para que os filhos da revolução sejam bem tratados, para que os pobres tenham mais atenção. As eleições não podem ser controladas por quatro pessoas do Conselho dos Guardiães.O senhor também fez parte do Conselho de Guardiães?Naquele tempo, éramos 12, tal como agora, mas havia uma pessoa para servir o chá e duas para administrar tudo. Hoje, o orçamento do Conselho de Guardiães supera 200 milhões de rials (quase 20 mil euros) e tem 300 mil inspectores. Também é preciso encontrar uma solução para mudar as penas islâmicas, porque o islão está a perder os jovens.Está a defender a necessidade de uma revisão constitucional no Irão?Basta que se ponha em prática a Constituição aprovada nessa altura.A Constituição do tempo de Khomeiny não está actualmente em vigor?Acrescentaram algumas alíneas e o Conselho de Guardiães interpreta--as à sua maneira.Acredita que a energia nuclear é essencial para a sobrevivência da República Islâmica do Irão?O assunto nuclear é um entretenimento e não vale a pena discuti-lo. Os Governos estão apenas a tocar o clarim. Javier Solana esteve aqui, tal como Kofi Annan; todos acabarão por se entender.Acha que o Irão pagará um preço muito alto por ter provocado esta crise nuclear?Não. Saddam Hussein ficou louco e pagou por isso, mas os Governos do Irão e dos países ocidentais não farão o mesmo. Os ocidentais têm uma boa vida e vivem num excelente lugar e não o estragarão por causa da guerra.Afirmou numa entrevista que ter a bomba nuclear contrariava o islão. Se o Irão desenvolver a arma nuclear estará a ir contra o islão?Já o disse e volto a repetir: a bomba nuclear é contrária ao islão. Inclusivamente, produzi-la e guardá-la. Utilizá-la, então, é muito pior. Se alguém no Governo quiser produzir este tipo de armas estará a ir contra o islão. Até mesmo para autodefesa é proibido. Ou seja, mesmo atacados com uma arma nuclear, não devemos responder também com uma arma nuclear, porque ao utilizá-la vamos provocar uma catástrofe para o meio ambiente, morrerá muitíssima gente, desaparecerão espécies de animais e isso é proibido. Um exemplo: durante a guerra Irão-Iraque, os iraquianos atacaram-nos com armas químicas e biológicas e nem uma vez o Irão respondeu com as mesmas armas.As suas interpretações do Alcorão são minoritárias no Irão - sobre as armas nucleares, sobre os atentados suicidas, que também condena, sobre os direitos das mulheres…Os direitos humanos, porque acredito que todos os seres humanos têm os mesmos direitos.Acha que a sua interpretação tem possibilidades de se impor no futuro?Enfrentamos muitas restrições e obrigações neste país; no entanto, as minhas palavras possuem muitos seguidores nas universidades e fora delas. Esse é o caminho que a história trilhará e a humanidade e o Irão, se Deus quiser, encontrarão esse caminho. Há dois dias disse a um jornalista do Washington Post: o ser humano chegou a um ponto em que odeia a guerra, a violência, os maus tratos de seres humanos e é muito diferente do homem do passado, porque já não pode viver com a falta de democracia e de liberdade.No entanto, no Irão há ainda uma grande falta de liberdade?Oficialmente e legalmente ainda demorará tempo. Se fosse no tempo do imã Khomeiny já tudo se teria cumprido, mas hoje, para chegar àquilo que defendo, ainda vamos demorar. É preciso ter em conta que, nas últimas presidenciais, Rafsanjani, um dos pilares da revolução, e o senhor Karubi, um mullah muito importante, foram derrotados por uma campanha eleitoral negativa, e o doutor Ahmadinejad conseguiu votos dessa forma. Ninguém poderia imaginar que Hashemi Rafsanjani não iria ganhar as eleições, mas foi tanta a propaganda negativa que no fim acabou mesmo por não conseguir. Esta opinião é partilhada por Rafsanjani, mas como este tem um cargo oficial muito importante no Governo não se atreve a expressá-la publicamente. Há algum tempo esteve em Qom e veio aqui a minha casa e eu aproveitei para lhe perguntar: "Antes, falava de uma forma muito mais aberta nas orações de sexta-feira, porque é que agora não denuncia isto?" E respondeu-me que não se atrevia a fazê-lo e que se sentia mal por isso.Algumas pessoas aqui no Irão afirmam que os direitos das mulheres são os direitos básicos a melhorar para que todos os outros se alterem para melhor. Está de acordo?Não só os direitos das mulheres, os direitos das minorias religiosas, o direito de voto, o primeiro direito dos seres humanos que hoje está nas mãos do Conselho dos Guardiães. Outro problema prende-se com o facto de os governantes pretenderem proibir os líderes religiosos de emitir opiniões que sejam contra os interesses do Governo.Não teme que as suas palavras lhe possam causar dissabores?Não, porque se tiver dissabores ao citar as palavras do imã Khomeiny é sinal de que já acabaram com a revolução islâmica. Se a madrassa [escola corânica] Feizeh [onde dá aulas] não fosse independente poderia ter problemas, assim não.O Governo iraniano parece estar a endurecer a sua actuação no que diz respeito à liberdade de expressão.Acontece o mesmo em todos os países do mundo, está-se sempre a discutir os limites da liberdade de expressão. Umas vezes mais liberal, outras mais limitada, e cada ministro que chega tem uma opinião diferente.Mas as suas opiniões podem entrar na interpretação restrita que o Governo terá dos interesses do Estado e da salvaguarda do Irão.Informar não causa problemas; tudo o que cumpre as regras de Deus e a Constituição não causa problemas. Lamento que a situação tenha levado a que as pessoas no exterior do país pensem que há muita pressão e muito controlo no país.E não há?Não tanto como vocês pensam. Antes, sim, havia, mas da parte de grupos que não pertenciam ao Governo. Mas, sobretudo desde a época do presidente Khatami, já não existe essa pressão sobre as pessoas. Como existem pessoas boas no Governo, o mundo está desperto e a pensar.O que pensa deste primeiro ano do Governo de Ahmadinejad?Toda a gente diz que ainda não chegou a hora de fazer juízos sobre a matéria.E quando é que se poderá emitir uma opinião?Quiçá quando acabarem os seus primeiros quatro anos. Mas, por exemplo, o Governo decidiu aumentar o ordenado mínimo dos trabalhadores, o que provocou muitos despedimentos nas empresas. Isso levou a que tivessem que diminuir o salário outra vez, mas muitas empresas não voltaram a contratar os trabalhadores que tinham despedido. E o descontentamento dentro das empresas também foi grande, porque deram o aumento e depois tiraram-no. Vamos ver também o que se vai passar com o preço do petróleo e como vão solucionar a falta de gasolina no país nos próximos seis meses. Se vão introduzir o limite de apenas três litros de gasolina por automóvel - só para que as pessoas ponham o carro a trabalhar e a bateria não se gaste -, ou se pretendem solucionar o problema de outra maneira. E o que acontecerá se subirem o preço da gasolina. Hoje, os preços já são muito altos, o que é que sucederá amanhã? A resolução destes problemas depende da questão nuclear, porque se esta for solucionada talvez os governantes possam pensar noutros assuntos e o investimento regresse ao país. Mas se me perguntam a minha opinião sobre o nuclear, então digo que tudo não passa de uma história, contos para entreter o povo iraniano e os povos ocidentais.* Jornalistas da Lusa/Especial para o DN

Estação iguala tamanho do dia ao da noite
Observatório Astronómico diz que Outono começa amanhã às 05h03
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1271058
22 de Setembro de 2006

O Outono chega a Portugal amanhã às 05h03, marcando o início de um novo ciclo da vida vegetal e animal e igualando o tamanho do dia ao da noite, informou o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).
Ao contrário do que normalmente se pensa, o começo do Outono não ocorre sempre na mesma altura, já que esta data é estabelecida a partir de cálculos matemáticos para se ajustar ao movimento da Terra.Segundo o OAL, este ano o equinócio de Outono ocorre às 05h03 em Portugal Continental e Madeira e às 04h03 nos Açores, instante que corresponde a uma dada posição do Sol no espaço.Trata-se do "instante em que o Sol corta o equador celeste" no seu movimento aparente anual, sendo aqui o comprimento do dia igual ao da noite.Conforme explicou uma astrónoma do OAL, o Sol parece mover-se, mas na realidade este movimento aparente é o resultado do movimento de translação da Terra em torno do Sol.A duração do tempo que o Sol leva até regressar à mesma posição deu origem à medida de tempo "ano" (ano trópico), de grande "importância para a humanidade " na medida em que inclui o ciclo das estações e consequentemente o ciclo da vida animal e vegetal.Acontece que o ano não comporta um número exacto de dias: tem 365 dias, cinco horas, 48 minutos e 45,2 segundos.Assim, a data do início da Primavera e do Outono diferem de ano para ano."Depois de um ano comum de 365 dias, as estações começam, em média, cinco horas e 49 minutos mais tarde nesse ano. Para corrigir esse desvio um dia adicional é introduzido todos os quatro anos (ano bissexto)", explica a especialista.Daqui resulta que depois de cada quatro anos há um salto de um dia para trás.A entrada na hora de Inverno ocorre este ano às 02h00 de dia 29 de Outubro, altura em que os relógios deverão ser atrasados 60 minutos em Portugal Continental e na Madeira. No arquipélago dos Açores, a mudança ocorre à 01h00, devendo os relógios ser atrasados para as 00h00.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Lavar as mãos, o corpo e a consciência
http://dn.sapo.pt/2006/09/20/sociedade/lavar_maos_o_corpo_consciencia.html
POR Filomena Naves

Os cristãos, para quem o baptismo é um acto simbólico essencial, usam a expressão "lavar os pecados". Muçulmanos e hindus fazem abluções obrigatórias antes das preces e através delas atingem a purificação espiritual necessária às orações. Mas, do ponto de vista da psicologia, como se materializa esta associação entre pureza corporal e moral, que as religiões praticam, afinal, há milénios? Ou, de forma provocatória, será que Pilatos aliviou mesmo a sua consciência quando lavou as mãos do destino de Jesus?Um grupo de psicólogos, liderados por Chen-Bo Zhong, da Universidade de Toronto, no Canadá, decidiu olhar para a questão e, depois de algumas experiências, garante que a associação psicológica entre pureza corporal e moral é real e pode ser medida. Chamaram-lhe o "efeito Macbeth", numa vénia a William Shakespeare, e o seu estudo foi publicado na última edição da Science. Na sua famosa tragédia com o mesmo título, o dramaturgo inglês quinhentista mergulha na questão quando Lady Macbeth manipula o marido para assassinar o rei da Escócia e refere que "um pouco de água limpará esta acção". No entanto, ela acabará a gritar "fora, maldita mancha, fora" quando, sonâmbula, vê uma mancha de sangue que não consegue limpar. Para determinar de que forma as pessoas associam mentalmente os estados de limpeza corporal e a correcção ética ou moral, e até que ponto cada uma destas duas dimensões influencia ou se repercute na outra, a equipa fez três experiências diferentes, recorrendo a 60 voluntários, divididos em grupos de experimentação e de controlo.Num dos testes, para tentar perceber se uma ameaça de natureza ética activa a necessidade de limpeza do corpo, ou de algumas partes do corpo, como as mãos, os investigadores pediam a um grupo que copiasse uma história escrita na primeira pessoa, na qual o narrador tinha uma conduta moralmente incorrecta para com um colaborador. O outro grupo copiava uma história neutra, do ponto de vista moral. Depois era pedido a todos que escolhessem entre produtos variados (que incluíam objectos avulsos, como blocos-notas, pilhas ou chocolates e produtos de limpeza diversos). O resultado mostrou que o grupo que copiou a história com o comportamento ético censurável demonstrou uma apetência significativamente superior à do outro pelos produtos de limpeza.Noutra experiência, era pedido a um grupo que recordasse uma situação em que, na sua opinião, tivessem agido mal do ponto de vista moral e a outro que fizesse uma boa acção, como entregar uma carteira perdida. Depois era-lhes dada a escolha entre uma lapiseira e uma toalha de limpeza e mais de metade do primeiro grupo escolhia a toalha.Estabelecida esta associação, os psicólogos procuraram dar resposta a outra pergunta: pode uma lavagem corporal transmitir a sensação de purificação mental?Outra experiência avaliou a adesão a um trabalho voluntário, após uma acção negativa. A adesão foi maior por parte dos que não tiveram hipótese de lavar as mãos, dando assim resposta positiva à questão, garantem os investigadores. Ou seja, "uma ameaça à pureza moral activa a necessidade de limpeza física, e esta tem um efeito emocionalmente calmante, reduzindo a necessidade de comportamentos compensatórios". Este estudo, garantem os psicólogos, abre novos caminhos à pesquisa sobre os mecanismos que determinam as decisões éticas.