"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, setembro 28, 2006

A bordo de um avião
Médicos realizam primeira cirurgia sob gravidade zero num ser humano
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1271518
27.09.2006 - 13h53 Lusa, AP

A primeira operação cirúrgica em condições de ausência de gravidade foi hoje realizada por uma equipa francesa a bordo de um avião e "decorreu sem qualquer dificuldade particular", anunciaram as autoridades médicas.
O plano era a excisão de um quisto do braço de um paciente do sexo masculino a bordo do Airbus 300 Zero-G, enquanto este era pilotado de maneira a que a cirurgia decorresse como se numa montanha-russa, entre a gravidade e a gravidade-zero, durante três horas. Segundo a Novespace, responsável pelo avião, estavam planeadas 30 manobras tipo montanha-russa, chamadas parábolas, para a totalidade do voo. Os cirurgiões terão estado seguros às paredes do avião durante a cirurgia. O avião levantou voo esta manhã e aterrou pouco depois das 12h00 (hora de Lisboa) no Instituto para a Manutenção Aeronáutica de Merignac, junto a Bordéus, no sul de França.O voo, que durou três horas e atingiu uma altura entre 6000 e 8500 metros, foi feito em condições de gravidade zero no decurso de 32 períodos de 22 segundos em que o avião fez descidas súbitas com uma inclinação de 47 graus."Se tivéssemos tido duas horas de imponderabilidade contínua, poderíamos ter operado uma apendicite", sublinhou cirurgião Dominique Martin, coordenador do projecto.A experiência faz parte de um esforço mais alargado que visa o desenvolvimento de robôs que possam efectuar operações cirúrgicas à distância, seja no espaço ou na Terra. Da responsabilidade do Centro Nacional Francês para os Estudos Espaciais, apoiado pela Agência Espacial Europeia, o projecto foi chefiado pelo .O paciente é o francês Philippe Sanchot, escolhido pelo seu amor à prática do bungee-jumping e por estar, por isso, habituado a mudanças de gravidade bruscas, segundo explicou Frederique Albertoni, porta-voz do hospital onde trabalha Dominique Martin.Quanto à cirurgia, Albertoni explicou que foi seleccionada por ser relativamente simples e implicar apenas uma anestesia local."Há toda uma série de dilemas interessantes quanto à cirurgia no espaço", comentou Joseph LoCicero, responsável pelo serviço de Cirurgia Torácica no Hospital Maimonides, em Nova Iorque. "Sem gravidade, as coisas podem flutuar", como os instrumentos, e implica uma grande concentração por parte do médico, que deve ser preciso nos seus movimentos.Antes de passarem à prática, o médico, o paciente e outros cinco médicos foram treinados em máquinas que produzem o efeito gravidade-zero, similares às usadas no treino dos astronautas. Os médicos já tinham sido os primeiros a realizar uma operação deste tipo, mas desta feita num animal. No início do ano, conseguiram remendar a artéria da cauda de uma ratazana em condições de gravidade-zero.Também a NASA, a agência espacial dos EUA, já testou a cirurgia robótica, desta feitas no fundo do mar, onde mantém um laboratório que recria a vida numa estação espacial em órbita, mas em modelos de animais.