"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, abril 30, 2007

Quase nove meses

Quase nove meses após ter sido submetido a uma cirurgia
Chávez garante que Fidel Castro reassumiu presidência de Cuba

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1292492&idCanal=17
29.04.2007 - 16h19 Reuters

no poder
de novo à frente do destino
para continuar
com projectos


há fotografias e mensagens em que ele promete regressar
existe uma data provável para o seu regresso

sábado, abril 28, 2007

Estátua

Rússia ameaça Estónia por causa de uma estátua
http://dn.sapo.pt/2007/04/28/internacional/russia_ameaca_estonia_causa_uma_esta.html
28 de Abril de 2007
POR Luís Naves

há um morto e protestos
extrema irritação das autoridades
a estátua lembra a memória dos que combateram

os trabalhos foram há muito anunciados
já começaram
para muitos, é uma lembrança
para outros, lembra os soldados que venceram
com violência


os trabalhos permitirão saber se há soldados enterrados debaixo do monumento

Animais também

Animais também sabem planear para o futuro
http://dn.sapo.pt/2007/04/28/sociedade/animais_tambem_sabem_planear_para_o_.html
28 de Abril de 2007
POR Filomena Naves

só os humanos antecipam
se há pássaro que conhece bem o amanhã

e em comida depois do presente

se o futuro existe vale a pena
e vale a pena enterrar alimentos para mais tarde
dois tipos de alimentos

sábado, abril 21, 2007

Entusiasmo

Jovens nos EUA ignoram incentivos à castidade
http://dn.sapo.pt/2007/04/21/internacional/jovens_eua_ignoram_incentivos_a_cast.html
Por Abel Coelho de Morais

um estudo não mostra entusiasmo pela abstinência
entre os jovens
nas escolas
um universo de dois mil mantém a idade da sua primeira vez
uma percentagem mantém relações
outra evita a gravidez e as doenças
ao mesmo tempo

À espera

Vaticano decreta o fim do limbo para as crianças
http://dn.sapo.pt/2007/04/21/internacional/vaticano_decreta_o_do_limbo_para_cri.html
POR Abel Coelho de Morais
21 de Abril de 2007


acabou o lugar onde as crianças mortas permanecem
eternamente
sem saída
uma concepção demasiado estrita da salvação

podemos ajudá-las, a título pessoal
há um documento que demonstra que deus é misericordioso
e deseja a salvação
de todos
os humanos
é uma hipótese

a resposta é urgente
a comissão afirma que não é justo castigar crianças
que todos fujam, dede a idade média
de um lugar ent o paraíso e o inferno
que fujam todos
esperemos que os bebés se salvem

Cidadão é uma deusa

Já foi fotógrafo e desenhador
Cidadão inglês é uma deusa na Índia
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=387297
21 de Abril de 2007
POR Pedro Chaveca


embira tenha chegado ao país há menos de quatro semanas
um cidadão já é uma deusa dos cidadãos sem pénis
fiéis que a tratam carinhosamente
por diminutivos
tocando-a para se transformarem em homens

na próxima vida

os melhores dias de uma deusa passam-se no exterior dos templos
de brincos
inspirando pessoas que lhe tocam os pés
enquanto ela lhes toca a cabeça
e sente amor

as autoridades não distinguem a divindade
que diz no dialecto do local: "como está?"
ou: "gostaria de tomar um chá"
por monossílabos
que lava a própria roupa
e quer ficar na índia para o resto da vida

a índia é especialmente rica em deuses e deusas

sexta-feira, abril 20, 2007

Luz

Suspeitos foram torturados pela CIA ao som de Eminem
http://dn.sapo.pt/2007/04/20/internacional/suspeitos_foram_torturados_pela_ao_d.html
20 de Abril de 2007

a prisão era um lugar tão escuro
não via as mãos e eram as minhas mãos
penduradas na parede
bem alto
como eu ouvia música, canções

essas prisões, onde os americanos davam chocolates
vieram para a luz do dia por causa de amantes de fotografia
aeronáutica

quinta-feira, abril 19, 2007

A importância das florestas

Artigo publicado hoje na revista "Nature"
Árvores sem folhas resolvem mistério da origem das florestas
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1291600
19 de Abril de 2007
POR Rita Sousa


as florestas apareceram antes dos animais gigantescos
foram descobertos troncos enorme
dois pedaços de tronco da mesma espécie
tão antigos como os ramos minúsculos
as raízes, o chão e a água
da mesma idade

as árvores morrem e caem depois de mortas
perto da vida de insectos e aranhas
sem répteis

as árvores apareceram antes dos dinossauros
as florestas são tão importantes

terça-feira, abril 10, 2007

Páscoa na terra onde a Igreja Católica tem representação parlamentar
A Paixão de Cristo em versão maltesa
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=385428
10 de Abril de 2007
POR Nair Alexandra

No arquipélago onde o catolicismo revela, ainda, uma influência fortíssima na vida quotidiana, não temos, apesar de tudo, os «crucificados» das Filipinas. Mas neste ano um maltês quis fazer-se crucificar. Não o deixaram.


Joseph Abela, aos 33 anos, quis fazer-se crucificar, tal como Jesus
20:03 terça-feira, 10 ABR 07





Link permanente:
x
La Valletta, terça-feira de manhã, semana santa. Ainda a ressaca da representação pascal de Tarxien, com milhares a encherem as ruas nessa noite longa, actores sérios e um homem de 33 anos, com as costas flageladas. Atravessamos uma das artérias principais da capital maltesa, cheia de turistas e de locais, que cruzam a rua, apressados. Numa entrada apresenta-se um crucifixo enorme, decorado com os panejamentos e as cores da época pascal. Mais uma igreja? Não. Um café, com sala de bilhar, quiosque, homens à conversa. A sala é enorme e o seu estilo requintado sugere o princípio do século XX. Há uma exposição de arte sacra, naquela que é a sede da sociedade filarmónica.
Estranho? Não em Malta, a terra dos cavaleiros com a ordem do mesmo nome (também chamados Hospitalários), uma igreja em cada esquina e uma imensa maioria católica. Ali o período da Semana Santa é celebrado com um fulgor invulgar. Como se sabe, a história do arquipélago que entrou na União Europeia em 2004 confunde-se com a desta ordem religiosa militar, nascida no fervor das Cruzadas e o catolicismo, presente no Parlamento, é religião oficial. Mas o local onde o crucifixo pontifica, entre o café e a sala de bilhar, já não surpreende quem vê, a toda a hora, em jornais, «outdoors» nas ruas e à beira da estrada, anúncios de reconstituições de cenas da Paixão de Cristo em diversas localidades.
Destes acontecimentos, um tem impacto local: em Tarxien, localidade situada a leste de Malta e conhecida pela riqueza do seu património pré-histórico, teve lugar, na véspera do Domingo de Ramos, uma representação com 400 participantes, música e um desfile teatral. O naipe das participações inclui nomes conhecidos no país, como as cantoras Mary Spiteri e Debbie Scerri, que participaram já no Festival da Eurovisão e que, diriam ao Expresso, estavam «muito emocionadas» por tomarem parte.
A iniciativa, a cargo de uma associação cultural local (Ghaqda Kultura u Armar Marija Annunzjata é o nome, na língua maltesa), vai já no seu 13.º. ano e tem direito a cobertura televisiva em directo. O circunspecto 'The Times', de Malta, anunciou o acontecimento com destaque, mas não referiu a questão mais controversa: Joseph Abela, o homem de olhos azuis e intensos que iria interpretar o papel de Jesus, quis mesmo fazer-se crucificar, tal como o Nazareno, que há dois milénios, em Jerusalém, morreu com a sua idade: 33 anos.
Não o deixaram. Mesmo numa ilha onde religião, poder e festividade popular se misturam num caldo de cultura com sabor a hóstia, o facto é insólito e todos os malteses que o Expresso ouviu discordaram das intenções de Abela, funcionário dos Correios, ao que apurámos. O comentário mais benevolente que ouvimos foi: «Bem, ele pediu para ser crucificado, era porque queria». Malta não é as Filipinas, mas J. Abela ainda deixou-se flagelar por um «soldado» – alguém que, assim, colaborou com a sua vontade de sacrifício. Em visita a Malta e a Chipre, acompanhando uma viagem do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA), fomos ver.
Em Tarxien cai a tarde. Não é preciso perguntar onde as cenas decorrem: toda a gente converge para o mesmo sítio. Em breve serão milhares. Pessoas de todo o país (incluindo a vizinha ilha de Gozo) vieram para ver. Mocinhas de minissaia curtíssima, cabelos muito compridos, botas altas pregueadas, caras cheias de maquilhagem, blusas até ao umbigo, a rirem-se entre si como se viessem a uma festa – e vieram. Rapazes com corte de cabelo de reminiscências «punk», famílias com carrinhos de bebé, cabelos grisalhos, padres.
A resposta à pergunta sobre as motivações da vinda é invariável: a fé. Um altifalante recita o início do Evangelho de São João enquanto o frade franciscano Edmond Elm, de La Valetta, queixa-se do «espírito consumista» que afecta alguns católicos mais novos, hoje. Tem razões para queixa: um recenseamento encomendado pela própria Igreja de Malta, de 2005, revela um claro decréscimo da frequência da missa entre os habitantes do arquipélago. Segundo estes dados, só 52,6% da população assiste com regularidade aos serviços religiosos.
Nada disto parece demover a organização das cenas litúrgicas: quando se abre o pórtico improvisado os «quadros» sucedem-se, desde o imperador romano Constantino, que legalizou a fé cristã, e da sua mãe, Santa Helena (a quem se atribui a descoberta da cruz da Paixão), até Adão e Eva. Seguem as personagens do Antigo Testamento: os patriarcas, os faraós, dançarinas com roupas vistosas, o povo do Êxodo, o bezerro de ouro, o rei David. E vem o Novo Testamento, à mistura com cavaleiros templários. As personagens, mesmo as crianças, entram sérias, compenetradas. Nem um relógio de pulso à mostra, nem um soldado romano desleixado. O desfile dura horas enquanto a multidão se apinha.
A chegada do Cristo, já com coroa de espinhos, a sangrar, é o clímax: câmaras de televisão, luzes, telemóveis apontados para a foto, exclamações. O actor vacila para o palco onde está erguida a cruz, mas agora só um ecrã gigante permite acompanhar as cenas. O público reage à dor física do homem com expressões horrorizadas. Os risos do início da festa deram lugar ao silêncio. E o espectáculo segue pela noite.

Martin Strel nadou mais de dois meses
Esloveno atravessa o rio Amazonas
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=385215
POR Pedro Chaveca
10 de Abril de 2007


Martin Strel nadou dos confins do Peru ao nordeste brasileiro. Tudo para bater mais um recorde pessoal e entrar para o Guinness.


Martin Strel nadou mais de dois meses
Esloveno atravessa o rio Amazonas
Pedro Chaveca

A máscara de protecção não surtiu o efeito desejado
09:03 terça-feira, 10 ABR 07





Link permanente:
x
Quando Martin Brel deu a última braçada no Amazonas conseguiu duas coisas: terminar a epopeia que iniciara no dia 1 de Fevereiro e bater o seu recorde pessoal de 4003 quilómetros, estabelecido ao nadar o gigantesco Yang-Tsé na China. Tornando-se assim, sábado passado, o primeiro homem a atravessar o Amazonas na sua totalidade, o rio com maior caudal do planeta.
O esloveno de 52 anos atravessou o segundo maior rio do mundo, a uma média de 80 quilómetros por dia, perfazendo os 5265 quilómetros que compõem a sua extensão total em 65 dias. O ponto de chegada foi já perto do Oceano Atlântico, nos arredores da cidade brasileira de Belém, a 2400 quilómetros do Rio de Janeiro.
As autoridades brasileiras, ou não tivéssemos na terra do forró, já organizaram uma festa para o aventureiro quinquagenário, num tributo ao que poderá ser o mais recente recorde do Guinness.
Kate White, porta-voz do Guinness World Records, confirmou que a organização está a aguardar o envio dos documentos necessários por parte da equipa de Strel, para ser determinado, se existe um novo máximo estabelecido ou não.
Segundo a mesma fonte o processo de avaliação "poderá demorar seis a oito semanas a ser concluído".
Cara queimada
Os grandes obstáculos que se interpuseram entre a vontade deste verdadeiro “Homem da Atlântida” e a foz do Amazonas foram o cansaço extremo e o delírio, para além do convívio, felizmente sempre pacífico, com os habitantes do rio.
As dificuldades começaram logo no início da prova, com Strel a ser fustigado com queimaduras de segundo grau no rosto. A equipa de apoio ainda lhe arranjou uma máscara de protecção, feita com a fronha de uma almofada, mas o desconforto e a dificuldade em respirar impediram-no de a usar com regularidade, o que fez com que o estado das feridas piorasse.
Em declarações feitas, à Associated Press, na passada quinta-feira e ainda durante a prova, o nadador não escondeu estar perto do limite, “a parte final está a ser o momento mais difícil até agora”, disse quando faltavam apenas 100 quilómetros para a chegada.
“Quanto mais perto estou do fim, menos quilómetros consigo nadar”, queixou-se Strel que vê nas correntes do rio a causa para a perda de rendimento: “As marés do oceano têm muita influência nas correntes e por vezes são tão fortes que me arrastam para trás”.
Piranhas, sanguessugas & tubarões-touro
Pressão sanguínea elevada, insónias, infecções cutâneas, desidratação, espasmos musculares e a sempre confortável diarreia, para quem está dentro de água, foram mais alguns inimigos com que o obstinado desportista teve de lidar.
Martin Strel não se esquece também das vezes em que as dores eram tantas, que precisou de auxilio para entrar na água, ou da ajuda preciosa do seu médico contra as alucinações, “ele fala comigo, pergunta-me sobre as dores e redirecciona o meu pensamento para outras coisas”.
Strel julga que se tornou numa espécie de Tarzan do Amazonas. Só assim consegue explicar não ter sido incomodado por piranhas, pelas minúsculas sanguessugas que se alojam nos orifícios humanos ou pelos maciços tubarões-touro, uma espécie que consegue sobreviver em água doce. “Já nado com eles há tanto tempo que devem pensar que eu sou mais um”, brinca o esloveno.
O Nilo, esse “pequeno carreiro”
Apesar de ter dificuldade em manter-se em pé e de ter sido aconselhado pelo médico a não continuar a prova, tudo acabou bem para este herói por conta própria.
Questionado se está a pensar em atravessar o Nilo, para juntar ao seu currículo o maior rio do mundo, Strel não deixa margens para dúvidas: “não o vou atravessar. É enorme mas não representa um grande desafio. É apenas pequeno carreiro. O Amazonas é muito mais grandioso”.
Depois do Danúbio, do Mississipi, do Yang-Tsé, do Amazonas e com tanta ambição, parece já não restarem muitos desafios para o esloveno. Quem sabe, se um dia a água voltar a Marte, talvez…

segunda-feira, abril 09, 2007

O produtor que falsificava discos da mulher por amor
http://dn.sapo.pt/2007/04/09/artes/o_produtor_falsificava_discos_mulher.html
9 de Abril de 2007
POR José Mário Silva

Já lhe chamam o Hattogate. A história de Joyce Hatto, uma pianista mediana que o marido, apaixonado mas sem escrupúlos, transportou ao Olimpo da crítica musical - ao inventar os seus discos, através da apropriação ilegítima do trabalho de outros músicos e de manipulações digitais - tem feito correr rios de tinta nas últimas semanas, tanto nas publicações especializadas como na imprensa generalista e na Internet. O escândalo rebentou em Fevereiro, quando a revista Gramophone revelou a primeira prova concreta da fraude de William Barrington-Coupe, marido de Hatto (falecida em Junho de 2006) e produtor musical da Concert Artist, a pequena etiqueta em que a pianista, supostamente retirada dos palcos devido a um cancro debilitante, publicara misteriosamente mais de cem discos na última década. Esta prolixidade tardia, que abarcou não apenas as sonatas completas de Beethoven, Mozart, Haydn ou Prokofiev, mas também as peças mais difíceis de Liszt ou Rachmaninoff, já levantara muitas suspeitas em fóruns de discussão na Internet, no início de 2006. Como é que uma mulher enfraquecida conseguira gravar tantos discos, ainda por cima de altíssima qualidade e elogiados entusiasticamente pela mesma crítica que a ignorara durante décadas? Por muito improvável que fosse a ascensão desta intérprete obscura, os melómanos desconfiados não se mostraram capazes de apresentar provas credíveis contra Hatto, que continuou a merecer uma espécie de culto entre um círculo de "conhecedores" cada vez menos restrito. Entre outros epítetos laudatórios, houve quem a considerasse "a maior pianista viva de que quase ninguém ouviu falar".Até que o acaso interveio. Brian Ventura, um analista financeiro norte-americano, decidiu ouvir no seu computador o disco de Hatto com os 12 Estudos Transcendentais de Franz Liszt. Para seu espanto, o software da loja iTunes, que recorre à base de dados da Gracetone, identificou o disco como sendo do pianista húngaro Laszlo Simon (ver infografia ao lado). Perplexo, escreveu à Gramophone e a revista, somando dois mais dois, pediu imediatamente um estudo detalhado dos discos de Hatto a Andrew Rose, um engenheiro de som da empresa Pristine Audio.O resultado foi devastador: pelo menos 20 dos discos atribuídos a Hatto contêm material realmente gravado por Laszlo Simon e outros pianistas (Carlo Grante, Yefim Bronfman ou Vladimir Ashkenazy), além de manigâncias digitais grosseiras. Depois de ter negado as acusações, Barrington-Coupe confessou a fraude, em carta a Robert von Bahr (director da editora sueca BIS, a principal lesada), dizendo que manipulou as gravações por amor à mulher doente, para corrigir as suas falhas, apagar "os murmúrios de dor" que ela não conseguia suster e para lhe criar a ilusão de que o cancro não lhe minara a capacidade criativa. Além disso, garante que a mulher não sabia de nada, o que muitos analistas também põem em causa. O escândalo está agora sob investigação da British Phonographic Industry, a autoridade competente no combate à pirataria no Reino Unido.Contactado pelo DN, o musicólogo Rui Vieira Nery afirmou que, embora nunca tenha ouvido os discos da polémica, compreende o engano que traiu os críticos. "Ninguém conhece todos os discos que se gravam no mundo, pelo que ao ouvir uma gravação excelente, apresentada como original, nunca se pode ter a certeza de que não pertence a outro músico". Quanto à história humana de Joyce Hatto, não tem dúvidas: "Dava um belo guião para um filme".

Não chega

Morte banalizada mina fé na ressurreição
http://dn.sapo.pt/2007/04/09/sociedade/morte_banalizada_mina_na_ressurreica.html
9 de Abril de 2007

onde se mata facilmente não se acredita em ressurreição
perigos, existem perigos
esta ideia é forte: os perigos existem
duvidar da ressurreição fortalece o instinto de sobrevivência

há o hábito de esconder a dramaturgia e as mortes
de encorajar os jovens todos a continuar
antes de mais, factos:
uma ou duas destas vitórias não chegam para uma ressurreição

quarta-feira, abril 04, 2007

Dado um passo na produção de sangue universal
POR Ana Gerschenfeld
3 de Abril de 2007


Não é possível fazer uma transfusão de glóbulos vermelhos sem olhar para o grupo sanguíneo. O problema pode estar em vias de resolução
Os glóbulos vermelhos do sangue não são todos iguais. Em função de diferentes moléculas que apresentam, como verdadeiras antenas, à sua superfície, pertencem a um de quatro grandes grupos: A, B, AB ou O. Estas letras aparentemente inócuas poderão fazer a diferença entre a vida e a morte se, por alguma razão, viermos a precisar de uma transfusão sanguínea. Isto porque alguns destes grupos sanguíneos são incompatíveis com outros, e a mistura de sangues incompatíveis pode provocar, no organismo do receptor de uma transfusão, graves reacções imunitárias - e inclusivamente, conduzir à sua morte. (Existe também um outro grande sistema de tipologia sanguínea, chamado Rhesus e designado por um "+" ou um "-", mas essa é outra história...).Voltando às letras: há um tipo de glóbulos vermelhos que pode ser inoculado em qualquer pessoa sem provocar reacções potencialmente letais: o O. Por isso, o sangue de tipo O é o mais procurado quando não há sequer tempo para determinar o grupo sanguíneo de um doente que precisa urgentemente de uma boa dose de glóbulos vermelhos. E é também este o tipo de sangue que mais depressa se esgota quando acontecem desastres com muitos feridos a precisarem de levar transfusões.Os glóbulos vermelhos dos diversos grupos distinguem-se uns dos outros através de pequenas moléculas de açúcar, chamadas "antigénios", presentes nas extremidades das suas antenas de superfície. Os glóbulos vermelhos dos grupos A e B têm obviamente antigénios diferentes, enquanto os do grupo AB têm, como a sua designação indica, antigénios de ambos os tipos (A e B). Já os glóbulos vermelhos de tipo O são desprovidos de tais antigénios, o que faz com que as suas antenas moleculares de superfície sejam inertes, por assim dizer, não suscitando qualquer reacção indesejável por parte do organismo dos receptores da transfusão. Em Portugal, segundo dados do Instituto Português do Sangue, 46,5 por cento da população pertence ao grupo A; 7,7 por cento ao B; 3,4 por cento ao AB; e 42,3 por cento ao O.Apagar os grupos sanguíneosProcura-se há muito maneiras de transformar qualquer sangue em sangue de tipo O, eliminando os bocadinhos de açúcar que distinguem os glóbulos vermelhos dos diversos grupos. O princípio é simples e foi vislumbrado pelo norte-americano Jack Goldstein nos anos 80: bastaria encontrar uma forma de retirar os incómodos bocadinhos de açúcar das extremidades das antenas dos glóbulos vermelhos, de forma a transformá-los todos em inócuas células do grupo O. Mais precisamente, bastaria descobrir uma ou várias enzimas - as enzimas são autênticas "tesouras" moleculares, capazes de cortar outras moléculas em sítios muito específicos - que cortassem apenas as pontinhas reactivas, deixando intacto o resto das células sanguíneas.A dada altura, Goldstein descobriu uma substância, nos grãos de café, capaz justamente de transformar as células do grupo B em células do grupo O. Mas o mesmo não aconteceu com as do grupo A. Para mais, o processo era pouco eficiente, sendo precisas grandes quantidades da enzima para o realizar, explicam Henrik Clausen, da Universidade de Copenhaga, e os seus colegas, na última edição on-line da revista Nature Biotechnology. Agora, mais de 25 anos depois, estes cientistas deram finalmente mais um grande passo na obtenção de "glóbulos vermelhos universais", como eles próprios os designam no título do seu artigo. O que Clausen os seus colegas de vários países (EUA, França, Suécia) fizeram foi procurar, entre cerca de 2500 bactérias e fungos, enzimas produzidas por esses microrganismos que conseguissem retirar os açúcares indesejáveis sem pôr em causa a integridade e a função dos glóbulos vermelhos. Por outro lado, era necessário que essas enzimas se revelassem eficazes mesmo em pequenas quantidades. E descobriram duas.Os problemas ainda não estão todos resolvidos, dizem. Ainda será preciso testar não apenas a eficácia, mas sobretudo a inocuidade destes glóbulos vermelhos "todo-o-terreno" nos seres humanos. Mas, se se confirmarem as expectativas, as implicações serão imensas. "Ficamos à espera dos resultados dos ensaios clínicos com interesse", dizem por seu lado Geoff Daniels, do Instituto de Ciências da Transfusão de Bristol (Reino Unido), e Stephen Withers, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), num artigo que acompanha a publicação dos resultados na mesma revista. Ainda é preciso testar a eficácia e sobretudo a inocuidade destes glóbulos vermelhos "todo-o-terreno" nos humanos