"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

domingo, setembro 30, 2007

Astrónomo corrige distância das estrelas
http://dn.sapo.pt/2007/09/30/ciencia/astronomo_corrige_distancia_estrelas.html

As distâncias entre cerca de cem mil estrelas foram recalculadas e apresentadas num novo catálogo. O responsável pelo acerto das distâncias entre estrelas é o astrónomo de Cambridge Floor van Leeunwen, que passou os últimos dez anos a corrigir erros nos mapas dos céus.O holandês Floor van Leeunwen recorreu aos dados recolhidos pelo satélite Hipparcos para recalcular o posicionamento das estrelas entre si. "Era necessário extrair todos os dados da informação que tínhamos recolhido", disse. "Estas missões são caras e há que conseguir apurar o maior número de dados que conseguirmos. Esse devia ser o objectivo de cada cientista", frisou.O catálogo que agora publicou tem a designação Hipparcos - The New Reduction of the Raw Data. Com ele pretende dar aos astrónomos uma melhor percepção das características de cada estrela ou galáxia. Isto, porque a única forma de as estudar passa pela comparação da sua luminosidade com a sua distância da Terra. Logo, se os dados sobre essa distância forem errados, a luminosidade ou tamanho das estrelas nunca serão correctos. A técnica usada por van Leeunwen pode até permitir conhecer as distâncias à Terra de objectos celestes ainda mais distantes.O astrónomo detectou um erro nos cálculos do satélite, que variavam segundo as flutuações na sua temperatura em órbita. "A descoberta desta falha não me deixou outra opção senão a de recalcular tudo." Van Leeunwen explicou que foi um processo complicado porque "passava-se uma semana a analisar uma pequena quantidade de dados e outras duas semanas a fazer cálculos para os corrigir. Mas agora sabemos que temos um catálogo preciso e com dados que funcionam".Os resultados conseguidos pelo novo catálogo já permitiram alterar a visão sobre o universo, que será maior e mais recente do que antes se pensava.

Cegos 'visitam' Igreja da Graça com os dedos
http://dn.sapo.pt/2007/09/30/cidades/cegos_visitam_igreja_graca_os_dedos.html

Com a ajuda de uma guia turística, de um documento em Braille, traduzido pela Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), de algumas maquetas com relevos em madeira, dando a noção do monumento e do recurso ao tacto, Ana Sofia e outros três cegos percorreram ontem a Igreja da Graça, monumento nacional localizado em Santarém. A iniciativa, que decorreu no âmbito das Jornadas Europeias do Património, partiu da Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Santarém (AEDPHCS), Casa da Europa do Ribatejo e Fundação Passos Canavarro, teve o apoio da ACAPO mas não teve o patrocínio do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), que promove as jornadas a nível nacional. Ana Sofia Antunes, vice-presidente da ACAPO, lamenta que em Portugal sejam escassas as iniciativas que permitam aos cegos aceder à cultura e ao património como qualquer outro cidadão. O que existe, disse à agência Lusa, são casos pontuais, pelo que a ACAPO tem tentado junto do Instituto Português de Museus aprofundar um protocolo de colaboração, que inclua a formação dos funcionários sobre orientação e acessibilidade para cegos. A ACAPO gostaria ainda que fosse generalizado o recurso a instrumentos como guias áudio, legendagem em Braille, acesso facilitado a determinados objectos ou réplicas, eliminação de barreiras. Satisfeita por ter podido "visualizar" os pormenores da célebre rosácea da Igreja da Graça, Ana Sofia recusou a oferta do presidente da AEDPHCS de levar os materiais utilizados na visita para a sede da ACAPO, uma vez que estes não podem ficar no monumento. Frisou que podem voltar a ser úteis, prometendo responder ao desafio de organizar uma visita a Santarém.

Argentina de 82 anos casa-se "por amor" com jovem de 24
http://dn.sapo.pt/2007/09/30/internacional/argentina_82_anos_casase_por_amor_jo.html

É o casamento do ano na Argentina. Uma mulher de 82 anos e um jovem de 24 oficializaram uma relação de seis anos e deram o nó no registo civil de Santa Fé perante familiares, amigos e curiosos. Adelfa Volpes e Reinaldo Waveqche, que disseram não existir qualquer interesse económico por detrás da boda - ela já lhe havia doado parte dos seus bens e por isso não precisavam casar -, vão passar a lua de mel no Rio de Janeiro."Estamos muito felizes por finalmente concretizar algo que sempre quisemos, que era casar", disse Reinaldo aos jornalistas. A noiva, que vestia um vestido azul com brilhantes e um casaco de peles branco, disse que conhecia o marido "desde que nasceu", já que era amiga da sua mãe. Quando ela morreu, Reinaldo tinha 15 anos e foi viver com Adelfa: "O nosso amor nasceu com base no respeito e nos momentos que partilhámos. Nunca nos importámos com a diferença de idades." - S.S. e DIREITOS RESERVADOS (imagem)

Um bebé usa cinco mil fraldas que ficam mais de 500 anos no aterro
http://dn.sapo.pt/2007/09/30/sociedade/um_bebe_cinco_fraldas_ficam_mais_500.html
POR Rita Carvalho

Sabia que, até utilizar o bacio, um bebé chega a usar cinco mil fraldas, o que equivale a uma tonelada? E que cada uma demora cerca de 500 anos a deteriorar-se num aterro? A estimativa excede o nosso tempo de vida mas as empresas especializadas do sector garantem que não há engano. Por estranho que pareça, as fraldas são dos piores resíduos domésticos e aqueles que mais urge retirar dos aterros. O Ministério do Ambiente está a analisar a forma de reciclar este material com que lidam milhares de famílias e que, juntamente com outros têxteis sanitários - como as fraldas de incontinência, os pensos higiénicos ou as batas e toucas usadas na saúde -, já representa quase 10% do lixo doméstico.A tecnologia que permite separar o plástico e a componente orgânica existente na fralda já existe na Europa e pode estar prestes a chegar a Portugal. Mas para montar um sistema de reciclagem não basta haver solução de tratamento para os resíduos, realça Luísa Pinheiro, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. "A constituição dos fluxos de reciclagem tem de ser bem construída de raiz. Tem de se definir a partilha de responsabilidades dentro do sistema e o modelo económico-financeiro adequado", explicou ao DN.Tal como nas embalagens ou nas pilhas, há que estudar o mercado e o público alvo, definir a logística da recolha, os custos e contrapartidas financeiras para cada interveniente: produtor, consumidor e reciclador. Este é, contudo, um resíduo com algumas especificidades, pelo que não basta copiar o modelo das outras fileiras geridas por entidades gestoras, diz Luísa Pinheiro. Não é expectável que seja criado um ecoponto próprio para colocar as fraldas nem que estas sejam recolhidas porta-a-porta a um determinado dia da semana, como acontece com os resíduos orgânicos. É que, além de serem produzidas em grande quantidade, não são um resíduo generalizado existente em todos os lares, e possuem um grande problema: cheiram mal.Aura Carvalho, da Tecnoexpor, empresa que está a tentar trazer a tecnologia para Portugal, desmistifica a questão. "O porta-a-porta não é difícil de implementar. Mas o tipo de recolha deve ser adequado ao local onde se faz." Por exemplo: num local pode ser o camião que recolhe os lixos domésticos a transportar as fraldas num contentor específico. Noutro podem ser recolhidas em casa uma vez por semana se, entretanto, ficarem armazenados num recipiente que a empresa possui e garante não emitir cheiro.Arranque do sistemaEm cima da mesa estão várias opções, explica Luísa Pinheiro: ou se fazem acordos voluntários com câmaras ou associações para recolherem estes resíduos, ou se aprova legislação a obrigar os intervenientes do sistema a recolherem e reciclarem. Outra diferença na implementação deste sistema é que ainda não há operadores no mercado, ao contrário de fluxos como o dos óleos em que, antes de avançar a lei, já havia empresas a operar no terreno.O Ministério do Ambiente considera que o sistema deve arrancar, a título experimental, junto dos grandes produtores como as unidades de saúde ou as creches. Um ano depois deverá arrancar na prática. Se a opção for a criação de legislação específica, com objectivos de quantidades de recolha e reciclagem bem definidos, o processo será mais moroso.Com esta reciclagem, será desviada dos aterros grande parte da matéria orgânica, para além de ainda ser possível reciclar o plástico. Duas tendências que respondem aos objectivos comunitários e às estratégias dos resíduos sólidos urbanos e biodegradáveis aprovadas pelo Governo.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Bush recorre à fonética para dizer "sar-KO-zee"
http://dn.sapo.pt/2007/09/28/internacional/bush_recorre_a_fonetica_para_dizer_s.html
POR Helena Tecedeiro
SHAWN THEW-EPA/LUSA (imagem)

Conhecido pelas gaffes linguísticas, George Bush decidiu seguir o provérbio popular "mais vale prevenir do que remediar" e recorreu à fonética para o ajudar no seu discurso na 62.ª Assembleia Geral da ONU. O Presidente dos EUA, que, em Maio, deu quase trezentos anos à Rainha Isabel II de Inglaterra, parece ter dificuldade tanto com o nome do novo aliado, o Presidente francês, Nicolas "sar-KO-zee", como com o do velho inimigo, o Presidente do Zimbabwe, Robert "moo-GAH-bee".Uma cópia do discurso de Bush, com as pequenas ajudas dos seus assistentes, foi divulgada durante breves momento no site da ONU. Uma gaffe que a Casa Branca teve dificuldade em explicar. A porta-voz Dana Perino garantiu que o recurso à fonética é habitual. Além dos nomes de líderes como Sarkozy ou Mugabe, Bush precisou de ajuda para pronunciar Quirguistão ("KEYR-geez-stan") e Mauritânia ("moor-EH-tain-ee-a").As dificuldades de Bush com a língua inglesa são do domínio público. O próprio Presidente costuma brincar com o assunto e recordar aos jornalistas que nunca foi um aluno brilhante a Inglês. Uma das suas últimas gaffes aconteceu no fórum para a Cooperação Económica Ásia Pacífico (APEC) quando Bush confundiu o nome da organização com o da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEC, na sigla em inglês).Apesar do cuidado dos assistentes, na ONU Bush tropeçou no nome da líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, que curiosamente não estava em fonética.

terça-feira, setembro 25, 2007

Estudo sobre atracção
Os homens são mais ciumentos

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/124682
25 de Setembro de 2007

Estudo da Universidade da Florida revela diferentes comportamentos entre solteiros e comprometidos quando olham para pessoas atraentes. Os homens revelaram ser mais inseguros quanto a potenciais rivais.
Paula Cosme Pinto
Mary R. Vogt
A insegurança e o ciúme limitam a nossa capacidade de observação de pessoas atraentes
10:34 Terça-feira, 25 de Set de 2007






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Os homens são mais ciumentos do que as mulheres. Esta foi uma das conclusões de um estudo da Universidade da Florida, que pôs à prova os índices de atracção física entre homens e mulheres heterossexuais.
O teste era simples: cada participante tinha de ver uma série de imagens rápidas, onde apareciam tanto pessoas atraentes como de aparência comum. O tempo que cada um levava a retirar a atenção da fotografia era medido pela equipa de investigadores. De acordo com as conclusões do estudo, todos os participantes fixaram a sua atenção em pessoas atraentes logo na primeira metade de segundo em que observaram as imagens. No entanto, duas diferenças de comportamento saltaram à vista: os solteiros fixaram-se maioritariamente em pessoas do sexo oposto, enquanto os comprometidos olharam mais frequentemente para pessoas do mesmo sexo. Porquê? "A insegurança e o ciúme", explicam os investigadores.
Medo dos rivais
"Se estamos interessados em encontrar um parceiro, a nossa atenção fixa-se em pessoas atraentes do sexo oposto", esclarece o coordenador do estudo, Jon Maner. "Por outro lado, se estamos preocupados com uma possível traição dos nossos parceiros, a atenção fica rapidamente presa em pessoas atraentes do próprio sexo, uma vez que são eles os nossos rivais."
A pesquisa da equipa norte-americana baseou-se na ideia de que a evolução do corpo humano preparou os nossos cérebros não só para captar sinais de atracção física, como também para encontrar potenciais rivais em momentos de maior insegurança. Segundo o estudo, publicado na revista LiveScience, foram os participantes masculinos aqueles que mais prenderam a atenção em imagens de pessoas atraentes do mesmo sexo. "Quando há preocupação com a infidelidade os homens ficam muitos atentos a homens muito atraentes porque presumivelmente as suas mulheres ou namoradas também ficarão", justifica Jon Maner.
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Muçulmanos rendem-se às tecnologias
A febre do Alcorão digital

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/124498
24 de Setembro de 2007

Com auscultadores nos ouvidos e um pequeno leitor mp3 no bolso, os muçulmanos levam para todo o lado a versão áudio do livro sagrado. O dispositivo alerta para as horas das orações e indica a direcção de Meca.
Paula Cosme Pinto
Crack Palinggi/Reuters
Na Indonésia o negócio vai de vento em popa, com mais de 50 aparelhos vendidos diariamente
13:27 Segunda-feira, 24 de Set de 2007






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O Alcorão digital é a grande sensação das comemorações anuais do Ramadão. Com o pequeno leitor, que se assemelha a um IPod, os fiéis muçulmanos podem agora ouvir e ler trechos do livro sagrado, a qualquer hora e em qualquer lugar.
O período do Ramadão puxa ao fervor religioso e a popularidade do Alcorão electrónico não pára de crescer na Indonésia, o maior país muçulmano. Com uns pequenos auscultadores nos ouvidos e um finíssimo leitor no bolso, já são muitos os fiéis que se renderam a esta versão das sagradas escrituras. Num visor LCD colorido, o dispositivo mostra o texto completo do Alcorão em árabe, indonésio e ainda noutras oito línguas. Para que nada falhe, o leitor dá um sinal de alerta nos horários das orações e indica a direcção correcta de Meca.
De acordo com os produtores dos leitores, na Indonésia são vendidos mais de 50 aparelhos por dia. A alternativa ao grosso livro chama-se "Iqra'a" e custa 900 mil rupias (cerca de 75 euros).
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quarta-feira, setembro 19, 2007

Estudo publicado hoje pela revista científica "Genome Biology"
Investigadores descobrem marcas da solidão nos genes
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1304836&idCanal=13
13.09.2007 - 19h12 PUBLICO.PT

O padrão molecular dos indivíduos que ao longo da vida não desenvolveram relações de proximidade, considerados em solidão crónica, afinal é diferente do das pessoas sistematicamente incluídas em redes sociais. É como se a solidão fosse uma molécula ou deixasse uma impressão digital no organismo, diz o estudo publicado pela revista científica "Genome Biology".
Já se sabia que o envolvimento social de uma pessoa tinha efeito no seu estado de saúde mas não era certo que as doenças cardíacas, infecções virais ou o desenvolvimento de cancros, mais frequentes em indivíduos em determinados contextos sociais estivessem relacionadas com factores biológicos e não com condicionantes exteriores consequentes, como a falta de assistência física ou económica proporcionada pelas redes pessoais.“O que este estudo revela é que o impacto biológico do isolamento social interfere com alguns dos nossos processos internos mais básicos, ao nível da actividade genética”, disse Steve Cole, um dos investigadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), responsáveis pelo estudo. “Descobrimos que alterações na expressão genética das células do sistema imunitário estão directamente ligadas à experiencia subjectiva da distância social”.Os investigadores monitorizaram a actividade genética nos glóbulos brancos, elementos vitais no sistema imunitário. Dos 14 participantes em estudo, seis foram colocados no topo da “escala de solidão” (desenvolvida em 1970 pela UCLA) e os restantes obtiveram classificações subtancialmente inferiores.Analisado o sangue dos participantes, descobriram 209 diferenças entre os dois grupos: as pessoas mais isoladas tinham 78 genes mais activos e 131 com menor expressão, o que reforçou a tese de uma alteração molecular nos indivíduos numa situação de solidão crónica.“As diferenças que encontrámos não dependiam de outros factores de risco, como o estado de saúde, a idade, o peso ou o tipo de medicação. As alterações eram até independentes do tamanho objectivo da rede social de uma pessoa”, disse Steve Cole.A confrontação das funções destes genes com os problemas registados entre os indivíduos em isolamento social revelaram uma nova chave para o problema: entre os genes mais activos nos indíviduos solitários estavam alguns envolvidos no sistema imunitário, nomeadamente nas reacções inflamatórias. Os menos activos tinham papéis fundamentais nas respostas anti-virais e produção de anti-corpos. “Estas descobertas fornecem novos alvos moleculares para o esforço de tentar travar os efeitos negativos do isolamento social”, explicou o responsável.Segundo os investigadores, esta diferença no padrão molecular reflexo da situação social de isolamento nos indivíduos pode vir a ser utilizada enquanto marcadores biológicos para se desenvolverem tratamentos de forma a reduzir os impactos negativos na saúde.

Cardeal faz ressuscitar o fantasma do nazismo
http://dn.sapo.pt/2007/09/18/internacional/cardeal_ressuscitar_o_fantasma_nazis.html
POR Carla Guerra

Indignação generalizada no país após declarações de Joachim Meisner
O cardeal de Colónia, Joachim Meisner, poderá ser obrigado a abandonar o cargo depois de ter utilizado num discurso de inauguração de um museu a palavra "degeneração", expressão que na Alemanha recorda os fantasmas do nazismo e relembra a perseguição aos artistas que, nessa época, eram acusados de produzir arte "degenerativa"."Quando a cultura não está ligada à veneração do divino, o culto cai no ritualismo e a cultura degenera. Perde o centro", terá afirmado o cardeal, de 73 anos. O comentário foi já amplamente criticado por intelectuais, imprensa e políticos em todo o país.O ministro da Cultura da Alemanha, Bernd Neumann, considerou que as palavras do cardeal são inaceitáveis, enquanto Claudia Roth, dirigente da oposição ecologista, apelou ao cardeal para que se demitisse: "Na minha opinião, ele não pode continuar a ser aceite como cardeal na Igreja católica".O Conselho Central dos judeus alemães pronunciou-se igualmente de forma crítica sobre o episódio, classificando Joachim Meisner de "falso espiritual" e de "notório incendiário intelectual". Segundo a imprensa, este episódio reforça a ideia de que a sociedade alemã ainda é extremamente sensível ao passado nazi, demonstrando igualmente que alguns responsáveis da Igreja Católica ainda revelam uma visão medieval do mundo, ao considerar que a arte que não faça referência ao divino e a Deus não é arte.O que Joachim Meisner, que é conhecido pelas suas posições conservadoras, fez, não hesitando em afirmar que existe uma relação inalienável "entre a cultura e o culto".Levando a revista Der Spiegel a ironizar sobre a situação, quando ontem escrevia que os talibãs do Afeganistão não teriam quaisquer dificuldades em subscrever as afirmações proferidas por Joachim Meisner. Elogio aos nazisA polémica em torno do cardeal de Colónia surge dias depois de uma veterana apresentadora do canal público ARD, Eva Herman de 48 anos, ter sido despedida em cinco minutos, na sequência dos elogios que fez à política de família do regime nazi. "Foi uma época de loucos e perigosa que conduziu a Alemanha à ruína, mas que tinha uma coisa boa: o valor família". A frase caiu como uma bomba e apenas contentou os extremistas do NPD, que convidaram Eva Herman para assessorar o partido. Na prática, os nazis incentivavam as mulheres a ter filhos através de um programa cujo objectivo era o aumento de uma raça ariana; os casais que tinham 3 ou mais filhos eram honrados com medalhas, autorizados a fazer compras nas melhores lojas ou tinham ainda direito às rendas de casa pagas pelo governo.

terça-feira, setembro 11, 2007

Líder de seita poligâmica arrisca prisão perpétua
http://dn.sapo.pt/2007/09/11/internacional/lider_seita_poligamica_arrisca_prisa.html
POR Helena Tecedeiro


Warren Jeffs foi detido há um ano, em Las Vegas, por suspeita de violação
Tem 40 mulheres, 60 filhos e já esteve na lista dos criminosos mais procurados pelo FBI. Um ano após ter sido preso perto de Las Vegas, Warren Jeffs começou ontem a ser julgado num tribunal de St. George, no estado do Utah, por suspeita de ofensas sexuais e violação. Se for considerado culpado, o líder da Igreja Fundamentalista dos Santos dos Últimos Dias, a maior seita poligâmica dos EUA - com dez mil membros -, arrisca-se a uma pena de prisão perpétua. O julgamento deste antigo professor de 51 anos promete trazer a público a questão da poligamia. Proibida nos EUA, esta prática raramente é punida. Segundo a BBC, as autoridades receiam a repetição do que aconteceu em 1993 quando o cerco ao rancho de uma seita poligâmica em Waco, Texas, fez 80 mortos. Quanto a Jeffs, tornou-se líder - ou profeta - da Igreja Fundamentalista dos Santos dos Últimos Dias há quatro anos, sucedendo ao pai, Rulon. A seita, que se afastou dos mórmons há cem anos, quando estes baniram a poligamia, vive em comunidades isoladas, onde as mulheres usam roupas do século XIX. Os fiéis acreditam que têm de casar pelo menos três vezes para irem para o Céu. Acusado de ofensas sexuais por alegadamente organizar casamentos entre raparigas menores e homens mais velhos, Jeffs é procurado no Utah por cumplicidade num caso de violação. Durante dois anos, o líder religioso conseguiu fugir à polícia, tendo sido detido em Agosto de 2006, numa operação stop perto de Las Vegas. O homem, cuja captura valia uma recompensa de cem mil dólares, estava acompanhado pelo irmão e por uma das mulheres.Jeffs, que as autoridades acreditam ter expulso da seita mais de mil rapazes para que os membros mais velhos tivessem menos concorrência no momento de escolher uma mulher, deverá explicar o seu comportamento perante um júri que ontem começou a ser escolhido. Segundo o Salt Lake Tribune, a defesa apresentará 70 testemunhas, todas elas membros da seita. Em declarações ao mesmo jornal, Rod Parker, advogado que já trabalhou para a seita, explicou que os seus membros não vão "mudar de profeta" só porque Jeffs está preso.

Ser de esquerda ou direita também está no cérebro
http://dn.sapo.pt/2007/09/11/ciencia/ser_esquerda_direita_tambem_esta_cer.html
POR Filomena NAves

Há diferenças na actividade cerebralSer conservador ou liberal, ou ser de direita ou de esquerda, para usar uma linguagem mais próxima da visão portuguesa acerca desta oposição, corresponde a perfis cognitivos distintos e, garantem agora os cientistas, a funcionamentos cerebrais diferentes também. Essa é a conclusão de um estudo de investigadores dos Estados Unidos, que testaram a performance de um grupo de voluntários, estudaram as sua actividade cerebral por EEG (electroencefalograma) e descobriram que os conservadores tendem a reagir de forma conservadora a novos estímulos, enquanto os outros têm respostas mais inovadoras perante estímulos diferentes. Nada de novo? Longe disso. É que a diferença entre os dois tipos de respostas é perfeitamente visível nos registos do EEG. E a equipa até identificou a zona do cérebro que gera essa diferença. É o córtex cingulado anterior, uma pequena estrutura localizada no interior do cérebro, atrás do lobo frontal, que parece estar associada a certas memórias que permitem à mente humana reconhecer as situações em que é necessário alterar o comportamento habitual.De acordo com os resultados do estudo, que foi coordenado por David Amodio, da universidade de Nova Iorque e publicado na Nature Neuroscience, "as pessoas de esquerda" apresentam quase o dobro da actividade das "de direita" nesta estrutura cerebral.O estudo envolveu 43 voluntários que, numa primeira fase, responderam a um questionário de personalidade para determinar o seu perfil. Depois foram sujeitos a uma experiência muito simples: frente a um computador, tinham que carregar num de dois botões consoante lhes fosse apresentada a letra M ou a W. Os sujeitos tinham apenas meio segundo para reagir a cada visualização (eram 500 ao todo) e em 80% delas a letra apresentada era sempre a mesma.De acordo com os resultados obtidos pela equipa, os voluntários mais conservadores carregavam 47% mais vezes no botão correspondente à letra mais frequente, quando a letra apresentada era a outra. Ou seja, a sua resposta era "conservadora" perante o novo estímulo visual. Já os "os esquerdistas" apresentavam uma margem de erro bem menor, com apenas 37% de respostas ao contrário.Para os investigadores isso demonstra que uns e outros têm perfis diferentes de resposta a novos estímulos. Que isso se "veja" na actividade cerebral, é a grande novidade desta trabalho, que levanta a hipótese de um dia, quem sabe, se poder prever quem vota à direita, e quem vota à esquerda com um simples EEG.

terça-feira, setembro 04, 2007

Coreia do Norte será retirada da lista americana do "eixo do mal"
http://dn.sapo.pt/2007/09/04/internacional/coreia_norte_sera_retirada_lista_ame.html
LUÍS NAVES

Responsáveis norte-coreanos anunciaram que os Estados Unidos tinham aceitado retirar a Coreia do Norte da lista de países que apoiam o terrorismo. Integrar a lista implicava sanções cujo fim era a principal exigência de Pyongyang para prosseguir a desnuclearização unilateral.A agência oficial norte-coreana informou que a medida resulta de um acordo obtido este fim-de-semana em Genebra. Segundo esta versão, Pyongyang abdica da tecnologia nuclear e, em troca, beneficiará de ajuda económica, nomeadamente no campo da energia. A Coreia do Norte constava desde 2002 da lista americana de países que apoiam o terrorismo, grupo que George Bush baptizou de "eixo do mal" e que integrava o Iraque e o Irão.O secretário de Estado adjunto dos EUA, Christopher Hill confirmou ontem que a Coreia do Norte aceitou desnuclearizar, mas disse que a retirada da lista não "está iminente" e que há "coisas para fazer". No ano passado, Pyongyang provou que domina todo o ciclo da tecnologia nuclear e que é capaz de fabricar bombas atómicas. O regime de Kim Jong-Il usou estes conhecimentos para pressionar os vizinhos, sobretudo Japão e Coreia do Sul.Na altura, especulava-se que Pyongyang queria garantias de segurança e contrapartidas económicas. O fim da crise só foi possível após a Coreia do Norte ter encerrado, em Julho, a sua principal instalação nuclear, Yongbyon. Até Dezembro, Pyongyang deverá desmantelar as restantes.Ontem, de Seul e Tóquio, vieram reacções prudentes. Os sul-coreanos dizem esperar negociações difíceis e não excluem a possibilidade de o Norte voltar atrás nas promessas. No início de Outubro, realiza-se a segunda cimeira entre os líderes do Sul e do Norte (a primeira foi em 2000). Tóquio quer mais pressão sobre o tema dos cidadãos japoneses raptados pelo regime norte-coreano. Pyongyang reconhece que raptou 13 indivíduos (foram forçados a ensinar japonês a espiões), tendo devolvido cinco. Os restantes morreram.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Escavações na Ribeira da Atalaia
Arqueólogos descobrem objectos com 300 mil anos e fogueira com 24 mil anos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1303965
03.09.2007 - 18h51 Marta Ferreira dos Reis

Uma equipa de arqueólogos do sítio da Ribeira da Atalaia, Vila Nova da Barquinha, encontrou vários utensílios do homem de Neandertal. Não é a primeira vez que estas ferramentas feitas de seixos lascados e utilizados no Paleolítico Inferior são descobertas em Portugal mas é a primeira vez que testes de luminescência, utilizados para a datação absoluta dos vestígios, comprovam um passado tão antigo: 300 mil anos.
Além dos objectos com uma datação absoluta única em território nacional, encontraram uma fogueira do Paleolítico Superior, com seixos rolados queimados e alguns estalados pelo fogo e a zona circular delimitada por terra queimada. “Sabíamos que era uma zona muito rica porque à superfície já tínhamos recolhidos milhares de objectos. Mas não estávamos a espera de encontrar uma fogueira com 24 mil anos”, disse Sara Cura, do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação e coordenadora do projecto.Segundo a arqueóloga, o grau de acidez da terra não permite conservar matéria orgânica e, como tal, não é possível saber se a fogueira (que mal foi descoberta teve direito a uma réplica no Centro de Interpretação do Alto Alentejo) servia para aquecimento ou alimentação. Mas não é por isso que deixa de ser importante. “Já foram descobertas várias estruturas de combustão no nosso país mas noutro tipo de contextos, em abrigos ou grutas. Esta é ao ar livre e num terraço fluvial, daí a sua singularidade”.“São raras no contexto de ar livre mas há outras, as mais antigas têm 50 mil anos e foram encontradas em Vila Velha de Ródão no início dos anos 80, no sítio Vilas Ruivas”, disse ao PUBLICO.PT Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia. Para o especialista neste período, o interesse reside nos instrumentos líticos encontrados.“São do mais antigo que conhecemos no Vale do Tejo e em Portugal. As maiores datações absolutas que se tinham conseguido obter apontam para os 150 mil anos, mas este método da luminescência é muito fiável”, disse. “O único problema é que este método dá-nos a ultima vez que o vestígio esteve exposto ao sol – estamos a datar um conhecimento físico e depois é precisa muita argúcia para ligar esse conhecimento físico às actividade humanas”, acrescentou.Trabalho para muitos anos O vale do Tejo, onde fica a Ribeira da Atalaia é uma das zonas do país com mais vestígios do Paleolítico. Esta escavação está a ser feita num conjunto de depósitos fluviais com dois milhões de anos, numa espécie de socalcos com zonas escarpadas e planas, explicou Pierluigi Rosina, também coordenador do projecto.“Não são muitas as ocorrências no nosso país, a maioria das datações são relativas e muito sinceramente não encontramos mais coisas porque não há mais meios”, explicou Sara Cura. As análises de luminescência foram feitas no Instituto Tecnológico e Nuclear e os resultados demoraram algumas semanas.“Há mais colaboração interdisciplinar e temos ao nosso dispor mais tecnologias que nos permitem ir mais além na análise, até dos gumes das peças. É possível reconhecer a funcionalidade específica dos objectos e conhecer as dinâmicas comportamentais”.As descobertas anunciadas são trabalho para muitos anos, disse Luiz Oosterbeek, director do projecto. Hoje em campo continuavam 17 estudantes de arqueologia da Universidade de Trento (Itália), do Instituto Politécnico de Tomar e da Universidade Nova de Lisboa.