"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, novembro 15, 2007

"Foi um aviso para os que brincam com o Rei"
http://dn.sapo.pt/2007/11/15/media/foi_aviso_para_que_brincam_o_rei.html
MARIA JOÃO ESPADINHA

Albert Monteys, DIRECTOR DO & 'EL JUEVES'

Como reagiu à decisão do juiz, que na terça-feira passada considerou a capa e o cartoon da El Jueves [os príncipes Filipe e Letizia foram caricaturados num acto sexual em alusão à política de natalidade do Governo espanhol do cheque-bebé] como uma ofensa à Coroa espanhola e aos príncipes das Astúrias?Nós vamos dar a nossa resposta na próxima revista. O cartoonista que fez o anterior cartoon [Guillermo Torres] está a preparar outro desenho que vai ser a nossa resposta a esta decisão. Acha que esta sentença [uma multa de três mil euros para o cartoonista e o guionista, cada um] foi uma decisão com justiça?Não. Achamos que foi um julgamento pouco legal. Para nós, era óbvio que este seria o resultado final. Porquê?Porque 30 segundos depois de o advogado de defesa terminar a sua exposição no julgamento, o juiz deu a sua sentença e mandou-nos embora. Já tinha a sua decisão tomada. Nós vamos responder como sempre respondemos: com humor. Esta será a história principal da nossa revista da próxima semana, assim como a separação da infanta Elena e de Jaime de Marichalar, os duques do Lugo.Vão deixar de fazer humor como têm feito até aqui por causa da sentença e das consequências?Não, já falámos muito sobre isso. Fazemos o mesmo tipo de humor há mais de 30 anos e achamos que não é legal fazerem o que fizeram. Não conseguimos entender a decisão que o juiz tomou.Acha que a revista EL Jueves pode vir a ser alvo de outro processo judicial como este que aconteceu?Não. Todo o processo foi um grande erro, mas saiu ao contrário. Deu bastante publicidade à revista El Jueves. Por alguma razão estamos a falar consigo, de um jornal em Portugal. Já conversámos com estações de televisão como a BBC ou do outro lado do mundo, como a Al-Jazeera, entre vários outros meios de comunicação. O resultado final foi exactamente o contrário do que inicialmente estávamos à espera.Foi um sinal dos tempos actuais?Sim, foi um aviso para as pessoas. Não só para os que nos processaram como para aqueles que fazem humor e que brincam com a figura do Rei, o que há uns anos não acontecia. É um exemplo que estes humoristas podem seguir.Vão recorrer desta decisão do tribunal?Sim, não consideramos esta decisão justa e por isso vamos recorrer até à última instância. Com HUGO GONÇALVES, Madrid