O mau tempo prejudica os salvamentos
Mau tempo previsto para hoje dificulta salvamentos
http://dn.sapo.pt/2007/11/13/internacional/mau_tempo_previsto_para_hoje_dificul.html
CADI FERNANDES
Ferro-velho, enxofre e petróleo - uma mistura explosiva que, em doses industriais, como é o caso, configura uma verdadeira catástrofe ambiental. Este o cenário visível ontem depois de, no domingo, uma violenta tempestade ter feito naufragar quatro navios e um petroleiro, o Volgoneft-139, no estreito de Kerch, na península da Crimeia, entre a Rússia e a Ucrânia. Na tragédia perderam a vida três marinheiros e de outros 20, na sua maioria sírios, desconhece-se o paradeiro.Ferro-velho, enxofre e petróleo - qual deles o mais nocivo para as águas entre os mares Negro e de Azov? Venham os especialistas e escolham. Perante os media, Sergei Baranovsky, presidente da Cruz Verde Russa, "escolheu" o enxofre, considerando-o mais danoso do que o derrame de petróleo. Vladimir Chuprov, da Green- peace da Rússia, "escolheu" o petróleo e questiona a fiabilidade do transporte marítimo de combustível, por manifesta falta de técnicas seguras. Já Pyotr Romanov, enfant terrible da ecologia russa e também deputado, não "escolhe" nem o petróleo, nem o enxofre, sequer o ferro-velho. Para ele, no pasa nada. É poluição, como de costume, nada que diferencie este acidente - que espalhou milhares de toneladas de detritos -, por exemplo, da "libertação de gases pelos automóveis" numa base diária e imparável.Se já foi mau no domingo e ontem, hoje poderá ser pior, prevendo-se um agravamento das condições meteorológicas, com neve, chuva e rajadas de vento até 20 metros por segundo, o que dificultará sobremaneira as operações de resgate dos homens desaparecidos e de salvamento da fauna (já morreram 30 mil aves, pretas de petróleo, e mais 30 mil podem ainda morrer numa faixa de 12 quilómetros). Nesse sentido, Rússia e Ucrânia decidiram criar uma comissão de crise mista - o que só prova que o que a política desune, o ambiente une. Os primeiros-ministros dos dois países, o russo Viktor Zubkov e o ucraniano Viktor Yanukovich mantiveram, ontem, uma conversa telefónica sobre o assunto e tencionam retomar hoje esse diálogo. Além disso, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, mandou Zubkov, por ele nomeado há poucos meses, partir para o local da tragédia ambiental com urgência, isto é, ontem. Kubkov parte hoje.No "terreno", os receios são muitos, pois logo no domingo, com ondas de cinco metros de altura, o petroleiro Volgoneft-139 partiu-se ao meio, a despeito de ter, como informa a Organização Marítima Internacional, duplo casco e tonelagens bruta e líquida de, respectivamente, 3463 e 1039. Foi fabricado em estaleiro da Bulgária, possuía bandeira russa e, desde 1978, galgava ondas e enfrentava tempestades. Até domingo, dia em que o navio registado na OMI com o número 69531 se transformou em caixa de fósforos. O Capitão Ismael não ficou melhor. Com um comprimento de 128 metros, bandeira da Geórgia, tinha, na OMI, o número 7607742. Tinha.Serão precisos meses para se lograr a limpeza da zona atingida.A justiça russa abriu dois inquéritos para apurar responsabilidades.

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