Saúde
Relógios humanos
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17 de Novembro de 2007
A cronobiologia, área de investigação que estuda as relações entre os seres vivos e o tempo, pode ajudar a medicina na luta contra o cancro e a obesidade.
Margarida Cardoso
Nacho Doce/Reuters
Nas viagens de longo curso, quando se atravessam vários fusos horários, há perturbações e ritmo que baralham o funcionamento dos relógios endógenos
9:37 Sábado, 17 de Nov de 2007
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Sabia que a força muscular tem o seu pico às 15h00? A memória de curto prazo é mais eficiente ao meio-dia e a eficácia da memória semântica aumenta à tarde? Estes são apenas três segredos dos relógios biológicos, accionados naturalmente no organismo, sem necessidade de despertador.
A descoberta recente dos relógios endógenos é uma nova área de investigação transdisciplinar, capaz de contribuir para melhorar a organização dos horários escolares, combater a obesidade ou, até, aumentar a eficácia da medicação contra o cancro.
Têm sido descritos efeitos dos fármacos no tratamento do cancro que diferem conforme as horas a que são dados. Não é uma diferença radical, mas é mais um contributo no combate à doença, uma nova área a aprofundar", refere Isabel Azevedo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e uma das pessoas que se tem dedicado à Cronobiologia, a disciplina que estuda as relações entre os seres vivos e o tempo.
Um dos aspectos do funcionamento dos relógios biológicos é o seu acerto por sinais externos, da luz solar à ingestão alimentar. Mas, o sono e as refeições são, também, duas áreas em que os ritmos biológicos são boicotados". A par das viagens de longo curso, em que uma pessoa atravessa vários fusos horários, há outras perturbações decorrentes de factores como o trabalho por turnos ou a simples ingestão de pequenas refeições fraccionadas.
São perturbações agudas dos ritmos que não estão, ainda, completamente avaliadas, mas baralham o sistema e podem ser nocivas para a saúde", afirma Isabel Azevedo, que presidiu sexta-feira a um dos primeiros debates nacionais sobre este tema.
As jornadas "Cronobiologia: o Tempo e a Vida", da Cofanor, discutiram as implicações dos ritmos biológicos nas doenças psiquiátricas e cardiovasculares e até na secreção de melatonina, a hormona produzida de noite, que já começa a ser ingerida por alguns viajantes para compensar o efeito do "jet leg".
O simples movimento de atrasar os relógios 60 minutos, exige ao organismo humano um esforço de adaptação que se prolonga durante três dias a uma semana porque o ritmo circadiano (marca o dia de 24 horas) é mais difícil de acertar que os ponteiros do relógio.
Uma das explicações está no cortisol plasmático, a hormona que nos prepara para o despertar e tem o seu pico entre as 7h00 e as 8h00. O cortisol tem o seu máximo uma hora antes de nos levantarmos. Mas se alteramos o ritmo, a glândula não sabe e acaba por ser necessário fazer um esforço de adaptação maior", explica.
Síndrome Metabólica
A Síndrome Metabólica, uma patologia relativamente recente que atinge metade da população mundial, é outra área visada pela cronobiologia. Este transtorno, caracterizado por um conjunto de factores de risco cardiovasculares relacionados com a resistência à insulina e obesidade abdominal está directamente ligado ao estilo de vida e à indisciplina alimentar.
Quando parte significativa da população do mundo ocidental vive de acordo com um tempo social que nada tem a ver com o seu tempo biológico e a própria tecnologia atenua os marcadores dos ritmos biológicos como a luz e a temperatura, surge aquilo a que o investigador alemão Till Renneberg chama o fenómeno do "jet leg social".

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