Oscar Pistorius
Atleta amputado proíbido de correr nos Jogos Olímpicos
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A Federação Internacional de Atletismo chumbou, hoje, a intenção do atleta sul-africano, de 21 anos, disputar os 400 metros em Pequim, alegando que as suas próteses lhe dão vantagem competitiva.
Isabel Paulo
16:16 | Segunda-feira, 14 de Jan de 2008
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Os 28 membros do Comité Técnico da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) concluíram que as já famosas cheetahs" de oscar Pistorius garantem-lhe uma clara vantagem mecânica" em relação aos atletas normais. Fabricadas em fibra de carbono ultra-leve (menos de um quilo), as próteses do sul-africano foram rejeitadas pela IAAF ao abrigo da regra dos seus estatutos (144.2) que proíbe a utilização de qualquer equipamento que incorpore molas, rodas ou outro elemento que garanta ao seu utilizador vantagens competitivas sobre os outros concorrentes.
A decisão do Comité Técnico, integrada entre outros por Sergei Bubka e Sebastian Coe, presidente da Comissão Instaladora dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, teve por base um estudo científico da Universidade do Desporto de Colónia, orientado por Peter Bruggemann e que contou com a participação de dez especialistas em fisiologoa e biomecânica. Os testes efectuados em Novembro com a concordância e participação de Pistorius e de outros cinco atletas normais levaram a IAAF a concluir que o sul-africano era capaz de correr as mesmas distâncias e à mesma velocidade com menos esforço, ou seja, consumindo menos 25% de energia do que os seus adversários.
O estudo revelou ainda que as cheetahs flex foot" - próteses flexíveis em forma de lâminas curvas - devolvem 30% mais energia do que a carga de retorno do impacto do pé humano quando toca no solo, vantagem encarada pela IAAF como uma espécie de doping-mecânico. Este resultados têm, contudo, gerado grande controvérsia nos meios científicos, sobretudo por não levarem em conta as desvantagens da utilização das próteses, tais como a menor inércia nos primeiros 30 metros da prova, a fricção e perda de energia na ligação do equipamento aos cotos ou maior instabilidade em piso molhado e sujeito a ventos.
Amputado aos 11 meses por ter nascido sem perónio, Oscar Pistorius viu ruir aos 21 anos o maior sonho da sua vida, após ter ganho as provas de 200 e 400 metros em jogos paralímpicos. Resta saber se, apesar do desaire, vai continuar a lutar para galgar os 61 segundos que o separam do mínimo olímpico estipulado para a prova de 400 metros em Pequim (45,95 segundos enquanto o seu recorde é de 46,56 segundos).

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