"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sábado, abril 19, 2008

Mulher anunciou o divórcio e humilhou o marido no YouTube
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19.04.2008, Pedro Ribeiro




A Tricia Walsh-Smith é uma actriz e escritora britânica, de 49 anos. Está em processo de divórcio do seu marido, Philip Smith, um produtor teatral norte-americano. Colocou um vídeo há uma semana no YouTube descrevendo o divórcio e a vida conjugal do casal; o vídeo já foi visto mais de 2,6 milhões de vezes, e levantou nos Estados Unidos questões sobre a privacidade na era da Internet.
Walsh-Smith aparece no clip (com uma legenda que diz "actriz/escritora/boa pessoa") a falar sobre o marido.
Diz que o marido tem "mais 25 anos" que ela; explica detalhes do seu acordo pré-nupcial; acusa-o de querer "pô-la na rua", "sem razão nenhuma". Depois dá detalhes íntimos sobre sua vida conjugal.
Antes do final do vídeo de seis minutos, Walsh-Smith telefona à secretária do marido ("estamos a filmar isto para o YouTube") e mostra uma série de fotos de família (aponta por exemplo a "enteada malvada").
O vídeo tornou-se um fenómeno no YouTube. Os media americanos noticiaram o caso, especulando sobre as consequências das novas tecnologias no "lavar de roupa suja" das disputas conjugais.
Já existem na Web vários blogues em que homens ou mulheres atacam os seus ex-cônjuges. Há vários anos que existe o site Don"t Date Him Girl, uma rede social on-line que começou por ser um depósito de testemunhos de mulheres sobre "maus namorados".
Mas a popularidade do vídeo pode ser contraproducente para Tricia Walsh-Smith. Um jurista consultado pelo jornal The New York Times disse que os juízes de casos de divórcio "levam muito a mal" este tipo de gesto.
E Walsh-Smith tornou-se objecto de ridículo, no próprio YouTube (há vídeos satíricos e milhares de comentários) e em programas de TV como o talk show de Jimmy Kimmel, que descreveu o seu vídeo como "um argumento contra o casamento".
2,6

milhões de visualizações do vídeo de Walsh-Smith já tinham sido feitas até ontem

Simples e complexo

Havana prepara-se para autorizar cubanos a entrar e sair da ilha sem pedir autorização
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19.04.2008, Fernando Sousa


O Governo de Raúl Castro vai acabar com a "carta branca" e as cartas de convite e talvez aliviar as represálias para os cidadãos cubanos que partem e nunca mais voltam


Os cubanos vão poder sair do país quando quiserem. Não é para já, diz o diário espanhol El Pais, que dá a notícia, mas não demorará muito. Melhor para a cubana L.N., de 20 anos, que anda a tentar dar um salto a Portugal. A morte de uma das mais odiadas restrições na ilha está a ser estudada pelo Governo do Presidente Raúl Castro. Na prática, trata-se de simplificar os trâmites legais não só das saídas como das entradas no país, demorados e caros.
Um cubano que pretendesse - que ainda pretenda - viajar esbarrava com uma apertada malha de dificuldades. Tinha que obter a chamada "carta branca", a autorização de saída, esperar meses, na melhor das hipóteses semanas, e pagar 150 pesos convertíveis, a moeda nacional de valor equivalente ao dólar, uns 100 euros. Além disso, teria de apresentar uma carta de convite, isto é, que alguém de fora o convidasse. Este requisito também tem os dias contados.
O desaparecimento desta exigência, pedida pelas embaixadas dos países para onde as pessoas pretendem deslocar-se, teria um efeito que não desagradaria às autoridades: endossaria às requeridas a responsabilidade de serem elas a controlar o fluxo imigratório. Segundo o diário espanhol, que no passado anunciou em primeira mão outras iniciativas liberalizadoras do Governo, por exemplo a autorização de venda e compra de electrodomésticos, a possibilidade migratória já está decidida, tudo o que falta é regulá-la, o que deverá ser rápido e noticiado pelos media oficiais.
Mas a facilitação não será para todos. Para já, dirige-se só aos cidadãos comuns. Os de profissões estratégicas, como universitários, médicos graduados há pouco, militares ou membros dos serviços de informação na posse de segredos vão ter ainda de pedir autorização para sair.
Proibição "complexa"
O El Pais, como em geral as agências, recordam que Raúl Castro, no discurso de 24 de Fevereiro, quando sucedeu ao irmão, Fidel, na Presidência, prometeu eliminar várias proibições ditas "simples" - o caso dos electrodomésticos foi uma - mas que as mais complexas levariam mais tempo. A das saídas e entradas era uma destas.
No mês passado, durante um encontro em Havana de emigrantes favoráveis à situação, o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, tinha insinuado que algo viria aí: "Não quero antecipar-me ao tema, mas são assuntos que têm estado permanentemente sob a nossa consideração", declarou.
O Governo vai ainda permitir que os cubanos fiquem mais tempo fora, já não só 11 meses, mas dois anos, e que levem os filhos consigo. Sobre a confiscação dos bens de quem não voltasse, não se sabe ainda nada.
A notícia chegou um dia depois de um antigo cônsul cubano no México, Pedro Aníbal Escalante, ter entregado ao Parlamento uma petição pedindo a eliminação de "todas as formas de restrição" à saída e entrada no país.
Muitos cubanos tentam sair da ilha. Uma portuguesa, R.A, de 30 anos, visitou há semanas o país, onde fez amigos. Dias depois de voltar, recebeu um e-mail de L.N., de 22 anos, por sinal partidária do regime, pedindo-lhe uma carta de convite. O PÚBLICO leu o pedido: "No se si recuerdas lo que hablamos aqui en caso de que quisiera una carta de invitacion tu la ponías y eso lo estoy pensando." (Não sei se te lembras do que falámos aqui, se eu quissese uma carta de convite tu punha-la, e eu estou a pensar nisso).
Ao mesmo tempo que Cuba estuda abrir as portas, os Estados Unidos condicionam as viagens a quem quer lá ir. Um projecto de lei para dissuadir as pessoas de viajar está em estudo no Senado em Tallahassee, na Florida, noticiou o Nuevo Herald. A ideia é obrigar as agências que vendem viagens ou enviam mercadorias para Cuba a pagarem um imposto anual e a informar as autoridades de todos os detalhes, bem como de efectuar um depósito bancário que pode ir até 100 mil dólares. As empresas estão revoltadas. No ano passado, três mil cubanos aventuraram-se no estreito da Florida para tentar chegar aos Estados Unidos. A substituição de Fidel por Raúl e as iniciativas de flexibilização do regime não abrandaram as fugas. Entre Fevereiro e Março o número de ilegais que se fizeram ao mar de noite e no meio de tubarões passou de 219 para 412.
"As mudanças anunciadas são boas. Mas isso deles poderem viajar era o melhor", disse J.N., de 24 anos, contactado pelo PÚBLICO, um estudante estrangeiro que paga sempre que quer visitar a família o que um colega cubano ganha em pelo menos dois anos.

Dois meses de reformas

19.04.2008




Electrodomésticos
Liberalização da venda e aquisição, por fases, de computadores, leitores de DVD, fornos de micro-ondas, acumuladores de água quente, torradeiras e outros electrodomésticos

Agricultura
Concessão de empréstimos às cooperativas como forma de estímulo à produção, beneficiando 1300 unidades de terras estatais, possibilidade de pagarem melhor a técnicos e licença para venderem os produtos nas cidades

Hotéis e praias
Autorização aos cidadãos de poderem frequentar as unidades hoteleiras e as praias até agora reservadas exclusivamente aos turistas.
Telemóveis
Acesso dos cubanos aos telefones móveis, até agora um luxo reservado a funcionários públicos e trabalhadores de empresas estrangeiras

Automóveis
Autorização à venda e compra livre de automóveis, algo nunca permitido às pessoas desde a revolução, e às restrições impostas a viajantes

Casas
Os cubanos a viver em casas propriedade do Estado há pelo menos 20 anos vão poder tornar--se seus proprietários de pleno direito e legá-las aos herdeiros

Saúde
Desburocratização do sistema de prescrições médicas e reforma do programa de saúde de forma a acorrer com mais celeridade aos cuidados primários

sexta-feira, abril 18, 2008

Gregor Schneider pretende representar "a beleza da morte"
Artista alemão quer transformar morte humana numa "performance"
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1326316
18.04.2008 - 18h21 PÚBLICO

Se Duchamp foi ousado demais para o seu tempo pintando bigodes à Mona Lisa, Gregor Schneider, pode ser no mínimo... mórbido. Numa ode à morte, o artista alemão quer convencer doentes terminais a mostrarem como morrer também pode ser belo.

"Quero mostrar uma pessoa a morrer naturalmente ou alguém que acabou de morrer. O meu objectivo é mostrar a beleza da morte", disse Gregor Schneider ao "The ArtNewspaper".

O artista afirma que Roswitha Franziska Vandieken, gestora da uma clínica privada em Düsseldorf, vai ajudá-lo a encontrar pessoas dispostas a morrer em público em nome da arte. “Estou confiante que encontraremos pessoas que queiram participar”, disse Scheneider.

O artista disse ainda que gostaria de apresentar a sua "performance" no museu Haus Lange, em Krefeld, na Alemanha. Os responsáveis do museu não querem fazer qualquer declaração sobre o assunto.

Scheneider diz ter ficado fascinado com a ideia de poder representar a morte depois de, em 2000, ter simulado a sua morte numa "performance" no museu Haus Esters. Se o museu não aceitar a proposta, Schneider sublinhou que concretizará o projecto no seu estúdio, em Rheydt, também na Alemanha.

O artista, conhecido pelas instalações pouco habituais, tem neste momento uma exposição na galeria La Maison Rogue, em Paris, que consiste numa série de quartos de tamanho decrescente. Os visitantes têm de entrar sozinhos e, depois de passarem pelos vários espaços, acabam num quarto totalmente escuro. O objectivo é encontrarem uma forma de sair e serem filmados nesse momento.

segunda-feira, abril 14, 2008

Pequim
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14.04.2008, Helena Geraldes


Há fábricas a abrandar a produção, obras de construção paradas e automóveis retirados das estradas. Pequim sustém a respiração para dar ar limpo aos Jogos Olímpicos. E à China um pretexto para a sustentabilidade


Já se sabe que não vai chover no dia da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, no estádio de 91 mil lugares, sem cobertura. Não porque se consiga prever, mas porque os chineses assim o querem. Segundo o Instituto de Pequim para a Alteração do Clima, existem 50 por cento de probabilidades de chover a 8 de Agosto, dia do arranque das provas olímpicas, em plena estação das chuvas no Norte da Ásia. Já que não podem evitar que os Jogos Olímpicos se realizem nesta época (de 8 a 24 de Agosto), as autoridades chinesas incumbiram uma vasta equipa de cientistas de aperfeiçoar as técnicas para dispersar as nuvens ou antecipar a chuva. Por exemplo, para fazer com que chova apenas de noite. Mas estas fórmulas apenas conseguem produzir efeito numa área reduzida e com aguaceiros. Se cair água a potes, admitem, não há mesmo nada a fazer.
A tentativa de controlar a natureza não pára aqui e alastra-se às flores. Uma equipa de cientistas dedicou-se meses ao cruzamento de determinadas variedades de crisântemos para os fazer florir durante os Jogos.
Mas longe de ser uma extravagância ou capricho, o desafio olímpico em Pequim, uma das cidades mais poluídas do mundo, com 17,4 milhões de habitantes, é uma necessidade. Para o bem-estar dos atletas que vão competir pelas 302 medalhas de ouro e para os próprios chineses, que atravessam um boom industrial sentados em cima de uma bomba-relógio poluente. No país que se tornou a "fábrica do mundo" - para onde são relocalizadas indústrias manufactureiras ocidentais devido aos baixos custos de produção -, a poluição do ar nas cidades causa, anualmente, cerca de 400 mil mortes prematuras e a má qualidade da água mais de 60 mil, segundo um relatório do Banco Mundial de 2007.
As vozes críticas dizem que as medidas aplicadas vão mascarar durante as duas semanas dos Jogos Olímpicos a poluição de Pequim. O comité que apresentou a candidatura chinesa argumenta que os Jogos deixarão "o maior legado ambiental de sempre".
Nick Nuttall, porta-voz do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), não vai tão longe mas acredita que a organização dos Jogos Olímpicos "está a provar ser um catalisador para acelerar as melhorias ambientais na capital, numa altura em que Pequim se esforça para equilibrar o rápido crescimento económico e a protecção da saúde e do ambiente".
"Parece que os mais de 12 mil milhões de dólares [7700 milhões de euros] investidos pelo município e Governo estão a ser bem gastos", comentou ao P2.
Indústrias suspensas
A estratégia de Pequim - a segunda maior cidade chinesa, depois de Xangai - tem dez anos e foram escritas 200 grandes medidas para tornar a cidade um local onde o ar é puro, a água limpa e há muito mais verde.
Mas a tarefa não é simples. Pequim, cidade onde entram diariamente 1200 novos automóveis, vê-se a braços com as emissões das suas fábricas - de metais, produtos químicos, pasta de papel e produção de energia -, com os gases poluentes vindos das fábricas das províncias vizinhas e com as tempestades de areia, causadas pelo pó da erosão dos desertos na zona Norte da China. O Comité Olímpico Internacional já admitiu que a poluição do ar pode adiar competições mais longas, como a maratona.
O teste à estratégia para combater a poluição do ar chama-se "Céu Azul", um conceito inventado em 1998 por Pequim para monitorizar a concentração de determinados poluentes na atmosfera com o objectivo de ter 245 dias "limpos" por ano, ou seja, obter níveis de poluição que não ponham em risco a saúde humana. No entanto, esta avaliação deixa de fora o ozono ao nível do solo, um dos principais poluentes.
Para conseguir ar puro durante os Jogos Olímpicos, Pequim decidiu restringir a circulação automóvel e promover os transportes públicos, suspender os trabalhos de construção (de 25 de Julho a 17 de Setembro), abrandar a produção em algumas fábricas e encerrar as mais poluidoras.
A cidade já multou mais de 7400 estaleiros pela falta de controlo do pó e emitiu mais de quatro mil multas pela realização de churrascos ilegais ao ar livre e queima de lixo não autorizada.
Em Fevereiro, as autoridades ordenaram a redução da poluição industrial por dois meses, a partir do final de Julho, na capital e em cinco províncias vizinhas, altamente industrializadas: Tianjin, Hebei, Shanxi, Shandong e Mongólia Interior.
O plano ambiental de Pequim inclui ainda a deslocação de 200 unidades fabris do centro da cidade - como a central de Shougang, o quarto maior fabricante de aço do país, que será transferida para a ilha de Caofeidian, na província de Hebei -, o encerramento e recuperação ambiental de 80 minas até ao final do ano, a construção de quatro centrais de tratamento de resíduos até 2010, a criação de uma cintura verde que inclui o Parque Florestal Olímpico com 580 hectares e a instalação de 33 turbinas eólicas para fornecer electricidade a Pequim.
Na Aldeia Olímpica, que cobre uma área total de 27,5 hectares, a climatização das habitações é feita a partir de energias renováveis. Nas ruas, os candeeiros são alimentados a energia solar e os blocos do pavimento são permeáveis para permitir recolher e reutilizar a água da chuva. Os estádios onde decorrerão as provas, doze dos quais construídos de raiz, foram dotados de tecnologias que permitem reutilizar águas e aproveitar a luz natural.
Greenpeace China
As Nações Unidas consideram que estas são "excelentes medidas" e acreditam que as tecnologias "limpas" vão continuar para além dos Jogos Olímpicos.
A Greenpeace na China, estrutura criada em 1997 e que conta hoje com 18 mil membros, tem uma posição mais céptica. Lo Szeping, director de campanhas da organização na China, saúda a aposta nas energias renováveis, mas diz que Pequim podia ter feito mais. "Muitas das suas orientações para a construção [das infra-estruturas olímpicas], ainda que bem-intencionadas, são de aplicação apenas voluntária. O que significa que alguns materiais usados, como as madeiras, podem não cumprir os padrões ambientais desejados."
Na opinião de Nick Nuttall, do PNUA, Pequim podia ter conseguido mais melhorias na área dos transportes públicos: "O Metropolitano de Pequim tem capacidade para transportar 19 milhões de passageiros por dia. Mas é pouco utilizado, registando uma média de 8,9 milhões de pessoas por dia."
Andres Liebenthal, conselheiro para o Ambiente do Banco Mundial para a China, admite que nem todas as medidas aplicadas se vão manter. "Algumas das estruturas de saneamento básico que estão a ser construídas permanecerão a longo prazo. Mas algumas das medidas de controlo da poluição do ar, como as restrições à utilização dos automóveis e das emissões industriais, são só temporárias", contou ao P2, lembrando que os maiores desafios ambientais da China são a poluição do ar e da água e as alterações climáticas.
Apesar disso, Liebenthal acredita que os Jogos podem significar o início de uma nova era para o desenvolvimento sustentável daquele país.
"É importante que os Jogos Olímpicos sejam o mais verdes possível. Mas é ainda mais importante que os impactos ambientais positivos não se limitem a este evento" e se espalhem "pela China para além de 2008", disse o activista Lo Szeping.
Wu Weijia, professor no Instituto de Estudos Urbanos da Universidade de Tsinghua, sublinhou ao New York Times que Pequim se comprometeu com medidas ambientais mas não abrandou o crescimento. Pelo contrário, incentivou um boom de urbanização que pode tornar ilusórios os sucessos ambientais. O investigador prevê que o ritmo de construção em Pequim vai durar mais 20 ou 30 anos.
Andres Liebenthal considera que "está a aumentar a consciencialização para os problemas do ambiente e, por consequência, o seu peso no processo de tomada de decisão".
Lo Szeping concorda: "O público chinês está cada vez mais preocupado com a situação ambiental. O que não surpreende porque as pessoas preocupam-se com o ar que respiram, a água que bebem e os alimentos que comem." Mas, recorda: "O povo chinês ainda não tem os canais necessários para se fazer ouvir. Isto é algo que o Governo devia melhorar. Devia aceitar as pessoas como parte da solução para os problemas ambientais."

Como se pode contar o número de fiéis de uma religião?
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14.04.2008, Alexandra Prado Coelho


Em Portugal, a pergunta sobre a identidade religiosa foi incluída no censo da população mas com resposta facultativa.


Se uma família muçulmana quiser, em Portugal, registar com um nome islâmico uma criança recém-nascida terá que pedir na mesquita uma carta confirmando que a sua religião é o Islão e que esse nome está ligado à tradição islâmica. Não existindo no Islão nenhuma cerimónia equivalente ao baptismo cristão, estes pedidos para o registo de nomes são, segundo o xeque David Munir, da Mesquita Central de Lisboa, o único tipo de dados ligados aos nascimentos islâmicos em Portugal recolhidos na mesquita.
Num país onde a esmagadora maioria da população é católica, que tipo de dados existem em Portugal sobre as outras religiões, os ateus e agnósticos, e as práticas religiosas dos católicos? "Temos dados muito escassos", afirma Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica. "O censo da população usou uma grelha que não é muito fina, mas provavelmente teria dificuldade em usar outra, porque os outros grupos são acentuadamente minoritários em relação aos católicos. Para conseguirmos uma amostra representativa, a amostragem tornar-se-ia quase incomportável ".
O estudo mais actualizado, segundo Alfredo Teixeira, é o de Helena Vilaça, publicado em 2006 com o título Da Torre de Babel às Terras Prometidas: Pluralismo Religioso em Portugal (Ed. Afrontamento), no qual se faz um levantamento das religiões minoritárias.
A pergunta relativa à religião foi introduzida pela primeira vez no censo da população em 1991 e voltou a ser repetida no de 2001, mas sempre com carácter facultativo. Em 1991, dos pouco mais de oito milhões de inquiridos, perto de um milhão e meio preferiu não responder. Curiosamente, dez anos depois esse número desceu drasticamente, e foram já só 786 mil que não responderam.
Só judeus descem
Do último censo conclui-se que, a seguir aos 7.353.548 que se dizem católicos, o segundo maior grupo é o dos que não têm religião (342.987), seguido por outras religiões cristãs (122.745), protestantes (48.301), ortodoxos (17.443), outras religiões não cristãs (13.882), muçulmanos (12.014) e judeus (1773). A comparação com o censo de 1991 será pouco interessante: o facto de muito mais pessoas terem respondido a esta pergunta em 2001 fez aumentar todos os grupos (à excepção dos judeus, que em 1991 eram 3523).
O problema, sublinha Alfredo Teixeira, é que se olharmos para todos os dados disponíveis, desde os censos às sondagens (o registo dos baptismos, por exemplo, é pouco fiável, porque pode haver cristãos que não se baptizaram e pessoas que foram baptizadas em crianças e se afastaram da religião), os números são muito diferentes. "Será um problema das categorias usadas, das questões que são colocadas?". É para tentar perceber isso que o Centro de Estudos de Religiões da Católica está actualmente a fazer um estudo comparativo entre todos esses inquéritos.
"No quadro social em que vivemos, o facto de alguém se dizer católico diz-nos muito pouco do que é realmente em termos religiosos", explica. Por isso é que há uma diferença entre perguntar a alguém se se assume como católico e perguntar-lhe quantas vezes vai à missa ou que tipo de rituais segue.
Crentes sem religião
Alfredo Teixeira cita um outro estudo, de 2000, elaborado pelo centro da Universidade Católica e analisado por Manuel Luís Marinho Antunes, que tem dados significativos. Os católicos surgem aí como 97 por cento da população, e destes 61,1 por cento dizem-se praticantes, o que não se confirma nos números de frequência das igrejas. Isto significa que "há uma larga maioria que se auto-classifica como praticante", mas que terá desse termo um entendimento diferente do da Igreja Católica. Quando a pergunta se centra nas práticas que mantêm, percebe-se que "tem havido uma transferência dos praticantes regulares para os praticantes não regulares".
Curioso também é o aumento de uma "categoria nova na sociologia, mas significativa", a dos crentes sem religião (2,1 por cento), com grande peso nas camadas mais escolarizadas e mais urbanizadas. Nesse estudo, só 2,7 por cento se diziam ateus, 1,7 por cento agnósticos e 1,7 por cento indiferentes. Dentro dos grupos minoritários, estão em claro crescimento, de acordo com estes dados, os grupos evangélicos, e as Testemunhas de Jeová, que, atingindo 1 por cento, "são já o segundo maior grupo religioso em Portugal".

O xeque David Munir diz que os pedidos para uso de nomes muçulmanos são a única estatística existente

quinta-feira, abril 10, 2008

Ideólogo dos atentados de Londres morreu de hepatite no Paquistão
http://dn.sapo.pt/2008/04/10/internacional/ideologo_atentados_londres_morreu_he.html

PATRÍCIA VIEGAS
Egípcio dos três dedos, como era conhecido, treinou vários terroristas
O ideólogo dos atentados de 7 de Julho de 2005 em Londres e dos ataques terroristas falhados de 2006 a dez aviões transatlânticos terá morrido no Paquistão, por doença, provavelmente de hepatite, segundo informações ontem veiculadas pelos media norte-americanos.

"Temos razões para acreditar que Abu al-Ubaida al-Masri está morto", disse um oficial dos EUA, em declarações à Fox News, acrescentando que o combatente da Al- -Qaeda terá morrido de causas naturais e não na sequência de um ataque da CIA em Janeiro. Os jornais do grupo McClatchy avançaram que sofria de hepatite.

Abu al-Ubaida al-Masri, conhecido como o egípcio dos três dedos, andaria na casa dos 40 anos e, tal como muitos membros da Al-Qaeda, passou os últimos anos na fronteira entre o Afeganistão e Paquistão. Muito mais não se sabe sobre a sua pessoa.

O Los Angeles Times escreveu no início deste mês que o terrorista combateu no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina e na Chechénia, tendo-lhe sido rejeitado o pedido de asilo na Alemanha em 1999. Entre os amigos que aí fez contam-se um marroquino que casou com a filha de Ayman al-Zawahiri.

O artigo de investigação do jornal, baseada em ficheiros alemães aos quais conseguiu ter acesso, começa da seguinte forma: "Se a Al-Qaeda atacar o Ocidente nos próximos meses, é muito provável que o responsável seja um perito egípcio em explosivos, com dois dedos a menos". Desde que Khaled Shaikh Mohammed foi preso, em 2003, al- -Masri ficou como responsável pelas "relações externas".

Foi ele que treinou os bombistas suicidas que se fizeram explodir em três estações de metro e num autocarro da capital britânica - fazendo 52 mortos e 700 feridos. Mas também alguns dos 24 suspeitos detidos por prepararem bombas, a partir de líquidos com potencial explosivo, para fazerem atentados em aviões com destino aos EUA e Canadá.

Gosto pelo flirt ou por relações amorosas a longo prazo está-nos escrito na cara
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10.04.2008, Margarida Paes

Simplesmente por olhar para a cara de alguém, pode saber logo se é mais propensa a ter relações sexuais esporádicas ou, pelo contrário, se procura uma relação a longo prazo - homens e mulheres procuram o oposto uns nos outros.
Os traços faciais são, também, o espelho da alma sexual, diz uma investigação feita por cientistas de três universidades britânicas - Durham, Aberdeen e Saint Andrews.
O estudo, cujas conclusões foram publicadas na revista Evolution and Human Behavior, realizou-se em Durham com 700 voluntários heterossexuais, aos quais foram apresentados pares de fotografias de homens e mulheres com cerca de 20 anos de idade.
Aos participantes foi pedido que, em cada par, escolhessem quem tivesse mais cara de vir a ter relações sexuais esporádicas e sexo sem amor. Também lhes foi pedido que distinguissem quais as pessoas nas fotografias que estariam mais interessadas em relações a curto e a longo prazo, quais os rostos mais femininos ou masculinos e qual lhes pareceu, no geral, mais atraente. As opiniões dos participantes foram comparadas com as verdadeiras posturas dos sujeitos das fotografias, conhecidas através de um questionário.
Os cientistas mostraram que os homens preferem, geralmente, as mulheres dispostas a ter relações sexuais esporádicas, enquanto as mulheres optam pelos homens que queiram empenhar-se numa relação mais duradoura.
"Este estudo demonstra que as pessoas são capazes de fazer este tipo de juízos instintivos para ter sexo. Temos um guia subconsciente - nem sempre exacto, mas razoavelmente preciso", disse à BBC Lynda Boothroyd, do Departamento de Psicologia da Universidade de Durham.
Como saber que se acerta ao primeiro olhar? Segundo o estudo, as mulheres que procuram relações esporádicas são as mais atraentes, enquanto os homens mais promíscuos são considerados como tendo traços faciais muito masculinos, como a mandíbula quadrada, um nariz grande ou olhos pequenos.
"Este é o primeiro estudo que mostra que as pessoas são sensíveis a traços subtis do rosto que indicam o tipo de relação romântica que o outro procura", comentou Ben Jones, do Laboratório de Investigação Facial da Universidade de Aberdeen.

quarta-feira, abril 09, 2008

Um gene para a crueldade e para o altruísmo humano
http://dn.sapo.pt/2008/04/09/ciencia/um_gene_para_a_crueldade_e_para_o_al.html
LUÍS NAVES
Receptores de vasopressina em causa
Os comportamentos tirânicos podem estar ligados à genética das pessoas, segundo sugere um estudo conduzido por uma equipa israelita liderada por Richard Ebstein, da Uni- versidade Hebraica de Jerusalém. Os cientistas dizem que a investigação foi a primeira a mostrar que há genes, existentes noutros mamíferos, que estão relacionados, nos humanos, com decisões sobre comportamentos de altruísmo ou do seu inverso, o egoísmo.

A ideia de existir um "gene da crueldade" promete conduzir a novas perspectivas sobre os mecanismos da evolução, embora também haja uma crítica ligada ao método. O estudo da equipa de Ebstein, publicado na revista científica Genes, Brain and Behavior, baseia-se num jogo económico, chamado Jogo dos Ditadores, onde se verificam fortes diferenças de comportamento entre os jogadores, que geram interpretações (nem sempre coincidentes) das razões para tais comportamentos.

No Jogo dos Ditadores, um grupo relativamente limitado comporta-se de forma totalmente egoísta. Um grupo menor faz o inverso. Nesta investigação, foram analisadas as reacções de 203 estudantes universitários, divididos entre "ditadores" e "receptores".

Ora, quase 18% do primeiro grupo guardava todo o dinheiro e apenas 6% eram suficientemente generosos para oferecerem tudo ao receptor. Faltava dar o passo seguinte: tentar perceber as variações genéticas dos participantes. E, aqui, havia um bom suspeito.

A ideia de Ebstein e da sua equipa foi a de investigar o gene AVPR1, porque este produz receptores que detectam uma hormona, a vasopressina, que se sabe estar ligada ao altruísmo e a outros comportamentos sociais, nomeadamente a afectividade.

Depois de identificarem as pessoas menos generosas, através do jogo dos ditadores, os investigadores olharam para o AVPR1 dos sujeitos e a respectiva vasopressina. Foram também estudados os progenitores dos jogadores. Feitas as contas: o comportamento mais cruel estava ligado a indivíduos onde o gene AVPR1 surgia numa versão mais curta. Verificou-se também a correlação inversa: as pessoas mais altruístas parecem ter um gene mais comprido.

Não existe ligação aparente entre o comportamento egoísta no Jogo dos Ditadores e o sexo dos jogadores, mas o mecanismo envolvido nas acções generosas não é claro. Ebstein supõe que a distribuição dos receptores de vasopressina possa ter aqui um papel, dando à pessoa maior ou menor compensação por uma acção de generosidade.

Esta investigação pode vir a ter implicações na forma de avaliar a "crueldade" humana e o seu oposto, a generosidade. A genética, apesar de tudo, não poderá explicar casos extremos de tiranias, os comportamentos que nos habituámos a classificar de "desumanos". Há quem lembre que as ditaduras têm complexos contextos sociais e políticos e que os mecanismos genéticos podem influenciar certas acções, mas nunca explicam o conjunto.

Outra crítica tem a ver com a interpretação das acções dos jogadores. O comportamento no Jogo dos Ditadores nem sempre coincide com o de outros jogos económicos: pessoas que no primeiro dão alguma coisa, nos segundos agem de forma impiedosa, talvez por acharem que, no primeiro, os cientistas esperam deles um comportamento altruísta.

terça-feira, abril 01, 2008

HOMENS MENTEM MAIS QUE AS MULHERES
http://dn.sapo.pt/2008/04/01/centrais/homens_mentem_mais_as_mulheres.html
LICÍNIO LIMA
"Mentir não é só dizer aquilo que não é. É também, e sobretudo, dizer mais do que aquilo que é e , do que diz respeito ao coração humano, dizer mais do que se sente. É isso que fazemos todos, todos os dias, para simplificar a nossa vida."

A expressão é de Albert Camus, escritor francês do século XX, também jornalista, um dos autores que mais pensou o absurdo. Neste caso, o absurdo da mentira neste dia 1 de Abril, exaltado desde 1564 porque, não raras vezes, também torna a vida bem mais suportável.

Segundo um estudo feito pela companhia britânica Beverage Brands, todas as pessoas mentem cerca de quarto vezes por dia. Quando alcançam os 60 anos de vida, já mentiram pelo menos 88 mil vezes. Como muitos previam, os homens mentem mais vezes do que as mulheres. Em média, os homens mentem cinco vezes por dia, ao passo que as mulheres o fazem apenas três.

Sendo assim, seria mais lógico que existisse, antes, o dia da verdade. Sir Winston Churchill dizia que "uma mentira dá meia volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de se vestir". Merecia, pois, um dia de consagração. Mas também é certo que, "qualquer um, pode dizer a verdade, mas é necessário um espírito hábil para dizer uma boa mentira", como referiu Samuel Butler.

O certo é que, nascidos para a verdade, porque só a verdade liberta, lê-se na Bíblia, a mentira está enraizada no ser humano e ajuda a sobreviver.

"Estou contente por te ver". Quantas vezes esta expressão não é acompanhada de um sorriso amarelo... Os 'chicos espertos' preferem: "Voltei a a esquecer-me da carteira, desculpa". Ou uma mais sarcástica: "Não atendi porque não ouvi o toque do telemóvel". Ou, então: "Fiquei sem bateria".

Di zia Albert Camus: "Uma pessoa que eu conhecia costumava dividir os seres humanos em três categorias: aqueles que preferem nada ter a esconder de modo a não serem obrigados a mentir; aqueles que preferem mentir a não poderem esconder nada; e, finalmente, aqueles que gostam de mentir e esconder". Há, no entanto, quem defenda a mentira por amor. Porém, há quem diga: "Uma pessoa que minta por ti também mente contra ti".

Sendo assim, "a melhor política é dizer sempre a verdade, a não ser, claro, que sejamos uns excepcionais mentirosos", como também defendia Jerome K. Jerome. E acreditar nas palavras, como o filósofo Friedrich Wilhelm Nietzche: "As convicções são mais perigosas para a verdade do que as mentiras". Mas sempre escaparão as mais piedosas das inverdades: "Hoje trabalho até mais tarde"; "Ligo-te depois"; "Temos de nos encontrar novamente". "Claro que te amo".

A mentira sempre está presente no ser humano. Mas, o Dia das Mentiras é, sobretudo, um dia de brincadeira. Com partidas que podem ser bem interessantes, como as que pregou o DN ao longo dos anos.

Ouvida a mais antiga gravação da voz humana
http://dn.sapo.pt/2008/04/01/artes/ouvida_a_mais_antiga_gravacao_voz_hu.html

A mais antiga gravação conhecida da voz humana, com a duração de dez segundos, em que uma mulher canta "etereamente" a canção popular francesa Au Clair de la Lune, foi ouvida pela primeira vez em quase 150 anos, e apresentada numa conferência da Association for Recorded Sound Collections, que se realizou na passada sexta-feira, na Universidade de Stanford, na Califórnia.

Pensava-se até agora que uma gravação de Thomas Edison a cantar uma famosa canção infantil, Mary Had a Litle Lamb, em 1877, era a mais antiga de todas. Edison fez esta gravação para testar uma das suas muitas invenções - o fonógrafo.

Esta gravação de Au Clair de la Lune foi feita a 9 de Abril de 1860 por um inventor francês, o parisiense Édouard-Léon Scott de Martinville, com um aparelho por ele concebido, o "fonautógrafo", que "desenhava" representações das ondas sonoras em papel coberto de fuligem proveniente de uma lamparina a óleo.

Recuperação digital

A gravação foi recuperada digitalmente pelo historiador e investigador americano David Giovannoni, que a encontrou em Paris, e a trabalhou com um grupo de historiadores, arquivistas e de engenheiros de som do Lawrence Berkeley National Laboratory, da Califórnia, que visam tornar acessíveis a toda a gente as mais antigas gravações feitas.

Giovannoni disse à agência AP que, a primeira vez que ouviu a gravação, sentiu uma impressão "mágica, etérea. A verdade é que foi registada em fumo. A voz está a vir de detrás de uma cortina de fumo sonoro".

A gravação não foi feita com a intenção de ser reproduzida, mas sim como uma experiência, por Scott de Martinville, mas as tecnologias modernas permitiram que passasse a ficar acessível ao ouvido humano.

Ainda segundo este investigador, a invenção de Thomas Edison não fica "de modo algum" relegada "para segundo plano" por esta descoberta, já que o americano foi, "verdadeiramente, a primeira pessoa a gravar a voz humana e a reproduzi-la".|

Estudo pioneiro no mundo árabe
Doenças mentais afectam um quarto dos Libaneses
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324301
01.04.2008 - 09h40

um quarto dos libaneses sofrem de doenças
as mulheres têm fobias e depressões
os jovens são os mais afectados
até aos 75 anos alguns terão pelo menos uma doença mental

metade dos que falaram viveu um momento traumático entre 1975
e mil novecentos e noventa

aconteceu uma guerra civil no país dos libaneses