"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, agosto 11, 2008

Descoberta em ratos capacidade de decisão
http://dn.sapo.pt/2008/08/11/ciencia/descoberta_ratos_capacidade_decisao.html

Surpreendente. O estudo de um cientista da Fundação Champalimaud, que sai hoje na edição 'online' da 'Nature', mostra que as opções do cérebro, fruto do nível de confiança, não são, afinal, exclusivas do ser humano

O estudo é publicado hoje na 'Nature'

Um estudo coordenado por Zachary Mainen, investigador do Programa Champalimaud em Neurociências, concluiu que a capacidade de confiança na tomada de decisões não é só humana, comprovando que os ratos têm diferentes níveis de confiança. Os resultados do estudo "Elucidando como o cérebro gera confiança", obtidos em Cold Spring Harbour Laboratory, nos EUA, são agora publicados na revista Nature.

A capacidade de confiança numa decisão é considerada uma característica humana: que caminho seguir ao chegar a um cruzamento depende da confiança em cada alternativa. Mas os investigadores treinaram ratos para escolherem, mediante uma recompensa, o composto químico de odor mais intenso numa mistura de dois compostos e concluíram que essa capacidade não é exclusiva dos humanos. Segundo Zachary Mainen, "ao variar a composição da mistura, foi possível manipular o grau de dificuldade da decisão e o grau de incerteza na decisão". Uma situação "equivalente a pedir a uma pessoa que decida se determinada mistura de tons verdes e azuis é mais verde ou azul. Quando a mistura é predominantemente verde ou azul, a confiança é mais elevada. Pelo contrário, na presença de quantidades equivalentes das cores, a incerteza é maior".

A equipa de investigadores registou a actividade de um pequeno grupo de células localizadas no chamado córtex orbitofrontal, zona existente em ratos e humanos. Nas experiências com odores verificaram a correlação entre a velocidade de disparo das células (medida da sua actividade) e o grau de indecisão dos animais ao escolherem o odor mais intenso.

"Estas células pareciam ser activadas após a decisão estar tomada, como se estivessem a indicar quão confiante está o animal que receberá o prémio aguardado", diz Zachary M. A melhor explicação, acentua, "é que estas células assinalam a confiança que o rato tem na sua decisão", acrescenta o cientista.

A equipa mostra que estimar confiança numa decisão pode ser um componente neurológico básico, característica partilhada por todos os ani- mais. -L.M.