Coreia do Norte celebra aniversário sem ditador
http://dn.sapo.pt/2008/09/10/internacional/coreia_norte_celebra_aniversario_dit.html
LUÍS NAVES
Pyongyang. Ausência do 'Querido Líder' faz temer transição
Serviços secretos dizem que Kim Jong-il sofreu ataque cardíaco
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, não compareceu na gigantesca parada militar realizada ontem em Pyongyang para marcar o 60.º aniversário do regime comunista. A ausência tornou mais credíveis as informações sobre um grave problema de saúde do ditador norte-coreano, mas não houve ainda nenhum sinal sobre uma iminente (e perigosa) transição.
Vários jornais sul-coreanos escreviam ontem que o "querido líder" (como a população chama a Kim) foi vítima de uma doença súbita em Agosto. O jornal Chosun Ilbo, citando uma fonte diplomática sul-coreana em Pequim, mencionava mesmo a data de 2 de Agosto para a indisposição do ditador. Cinco destacados médicos chineses estão há uma semana na Coreia do Norte, previsivelmente para tratar o dirigente.
Os rumores de problemas de saúde circulam há várias semanas e o seu aparecimento coincidiu com a estranha decisão de Pyongyang de suspender o desmantelamento do reactor nuclear de Yongbyon, encerrado após um acordo internacional que obrigou a longas negociações entre a Coreia do Norte e um grupo de seis países, incluindo China e EUA.
Ontem, as agências de notícias citavam fontes dos serviços de informação americanos que, sob anonimato, mencionavam a elevada probabilidade de Kim Jong-il ter sofrido um ataque cardíaco ou um acidente vascular-cerebral. A condição do anonimato deve-se à natureza sensível da recolha de informação, já que o regime político norte-coreano é talvez o mais impenetrável do mundo.
Kim Jong-il, de 66 anos, tem uma saúde frágil e sabe-se que sofre de diabetes e de problemas cardíacos. O ditador não teve qualquer aparecimento público desde 14 de Agosto, quando inspeccionou uma unidade militar. É também conhecida a sua predilecção pelo uso de sósias, dada a paranóia pela segurança. Um especialista japonês, Toshimitsu Shigemura, publicou anteontem um livro onde afirma que o ditador morreu em 2003 e que, nos últimos cinco anos, só foram usados sósias, mesmo em contactos internacionais.
Na parada de ontem, participaram um milhão de coreanos, numa rara demonstração de poderio militar, mesmo para os padrões do regime totalitário. A república popular foi fundada em 1948, pelo pai do actual líder, Kim Il-sung, cuja invasão do Sul, em 1950, deu origem à guerra da Coreia, na qual morreram mais de um milhão de pessoas.
A Coreia do Norte é a única dinastia comunista do mundo e muitos analistas consideram que, em caso de desaparecimento de Kim Jong-il, o sucessor será um dos seus filhos, talvez o do meio, Kim Jong-chul, de 27 anos. Outros cenários, bem mais prováveis, incluem um golpe militar ou o colapso violento do regime.

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