"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, agosto 20, 2008

Estará o homem a fartar-se de ver mulheres nuas?
http://dn.sapo.pt/2008/08/20/media/estara_o_homem_a_fartarse_ver_mulher.html
FILIPE FEIO

Impotência. Apesar de o mercado português não seguir, para já, a tendência, as vendas das revistas masculinas continuam em queda no Reino Unido, e os editores já não sabem o que fazer
Há quem culpe a Internet. Outros, mais extremistas, afirmam que o paradigma do homem moderno se alterou. Independentemente da razão, a verdade é que, no Reino Unido, a população masculina se interessa cada vez menos por revistas como a FHM ou a Loaded, famosas pelas suas capas com mulheres quase despidas. No nosso país, e apesar da ligeira queda nas vendas de revistas masculinas no segundo semestre do ano, os portugueses não seguem, para já, a tendência dos britânicos.

"O mercado português ainda não é afectado", garantiu ontem ao DN o director da Maxmen. Luís Merca afirma que, no entanto, é importante estar atento ao fenómeno, que se iniciou no Reino Unido há cerca de "um ano e meio, dois anos". E se cá chegar? "Já estamos a preparar-nos", garantiu o responsável, que admitiu ser a Internet uma aposta "muito importante", e em estudo pela revista da Media Capital.

Opinião partilhada por Luís Godinho, director da FHM, revista que tem já uma forte presença na Web, muito ao estilo da Monkey ."Não se pode pensar na Internet como um inimigo a abater, mas antes como um aliado". Além disso, afirmou o responsável pelo título da Edimpresa, "o mercado das revistas masculinas em Inglaterra está numa fase completamente diferente do nosso. Existe há muito mais tempo, há muito mais players, publicações semanais, gratuitas..."

"O que espoletou a chamada crise nas revistas masculinas foi o aparecimento da Nuts, uma semanal mais arrojada", afirmou, por mail, Luís Godinho. As revistas mensais "assustaram-se com as vendas que a Nuts estava a conseguir, e seguiram o mesmo caminho: mais corpo à mostra, menos conteúdo", explicou o responsável. As revistas "tornaram-se todas muito iguais, numa competição desenfreada para ver quem mostrava mais. Isto criou saturação nos leitores", explicou. "Além de que mulheres despidas é conteúdo que não falta na Internet", disse o director da FHM portuguesa, e "eu sempre acreditei que para apreciar a beleza de um Ferrari não é preciso olhar para o motor que se esconde por debaixo do capot".

Independentemente do que cada um aprecia, a verdade é que, no Reino Unido, e de acordo com o The Guardian, nenhuma das revistas masculinas tem conseguido segurar os leitores. Loaded, a pioneira, que já chegou a vender meio milhão de exemplares por mês, vende agora 95.371 unidades. A FHM, que já distribuiu 700 mil cópias, perdeu 11% dos leitores nos últimos seis meses, e tem agora uma tiragem mensal de 280 392 exemplares. A Maxim foi aquela que levou o maior golpe: no último ano, as vendas desceram 59,6%, e a revista tem agora uma tiragem de 43 542 exemplares.

Phil Hilton, ex-editor da Nuts, escreveu acerca da crise, no jornal Independent: "É possível que estejamos prestes a assistir a uma daquelas mudanças periódicas na moda e nos costumes, depois da qual o homem não vai continuar a querer ver as mulheres tão destapadas". Será possível? |