"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, outubro 14, 2008

A mulher em notas turcas
http://dn.sapo.pt/2008/10/14/internacional/a_mulher_notas_turcas.html
LUMENA RAPOSO

Polémica. Laicos descontentes com a escolha da escritora desconhecida

Para Aliye, a maternidade era o contributo da mulher para a civilização

As notas só começam a circular a partir de Janeiro, mas a polémica já aí está a marcar o quotidiano da Turquia. O rosto de uma mulher, sem lenço, irá aparecer nas novas notas de 50 liras turcas e, mal o anúncio foi feito pelo Banco Central, choveram críticas contra a instituição.

Curiosamente, as críticas não partiram dos radicais ou conservadores muçulmanos, mas dos laicos, que acusam o banco de ter cedido à pressão dos islamitas ao escolher Fatma Aliye - uma escritora desconhecida, segundo alguns - em vez de optar, por exemplo, por Halide Edip Adivar, um ícone feminista e escritora que lutou ao lado de Kamal Ataturk, o pai da Turquia moderna.

"Personalidade duvidosa" é como o deputado Mustafa Ozyurek, do Partido do Povo Republicano (laico), classifica Aliye. Por seu turno, Hulya Gulbahar, do grupo Kader - que defende a participação das mulheres na política -, recorda que Fatma Aliye lutou pela educação da mulher, mas , para ela, a contribuição da mulher para a civilização deveria fazer--se através da maternidade e do seu papel tradicional na família. Uma posição algo distante da de Adivar.

Um matemático, um compositor, um arquitecto e um místico sufista do século XIII fazem parte do grupo, escolhido pelo comité do banco, para figurar nas novas notas.