500 milhões de anos
Oceanos surgiram 500 milhões de anos mais cedo
http://dn.sapo.pt/2008/11/28/ciencia/oceanos_surgiram_milhoes_anos_mais_c.html
Terra. A história do planeta está a ser rescrita pelos cientistas. Uma equipa da Universidade da Califórnia estudou os minerais mais antigos que se conhecem e propõe que a tectónica de placas, como os oceanos, se formaram logo nos primeiros milhões de anos de existência da Terra
Minerais com 4 mil milhões de anos estudados
No princípio (ou quase no princípio) a Terra não era afinal tão quente como se pensava até agora - pelo menos em nalguns pontos -, a tectónica de placas era já uma realidade e os oceanos também. Isto apenas 500 milhões de anos após a Terra se ter formado, ou seja, há 4 mil milhões de anos.
O novo retrato desse tempo da infância do planeta é avançado por um grupo de investigadores das ciências da Terra da Universidade da Califórnia e foi feito com base na análise de amostras do mineral mais antigo que se conhece: o zircão. Os minerais estudados são oriundos da Austrália e os resultados dessa avaliação, liderada pelo geólogo Mark Harrison, foram publicados na edição de ontem da revista Nature.
A Terra formou-se há 4500 milhões de anos e pensava-se até agora que os oceanos e a movimentação das placas que moldaram (e continuam a moldar) a superfície terrestre só teriam começado mil milhões de anos depois, com a vida a emergir posteriormente nos oceanos há cerca de 3500 a 3200 milhões de anos.
Não é essa, no entanto, a história que contam os minerais de zircão analisados pelos investigadores norte-americanos. De acordo com o artigo publicado na Nature, os minerais de zircão ter-se-ão formado há 4 mil milhões de anos e a uma temperatura aproximada dos 700 graus Celsius, um valor incompatível com um mundo a fervilhar de magma e de fogo.
"Estamos a propor que nos primeiros 500 milhões de anos de existência da Terra já existia actividade tectónica de placas", disse Mark Harrison, que coordenou o estudo, citado pela Science Daily, sublinhando que os seus resultados "são a primeira prova de que isso foi assim".
Para chegar àquela conclusão, os investigadores avaliaram a quantidade de titânio contida nas amostras de zircão australianas, que são as mais antigas que se conhecem.
A medição da proporção do titânio tem uma razão de ser: é que quanto mais titânio existe naquele mineral, mais alta foi a temperatura a que ele se formou. E o que o estudos dos minerais de zircão australianos (que têm pouco mais de 4 mil milhões de anos) mostrou, quanto à proporção de titânio, foi que eles se formaram a cerca de 700 graus Celsius. Essa temperatura, que era "fresca" para aquele momento da História da Terra, como sustenta a equipa, só poderia existir na zona de subducção de placas (onde uma das placas mergulha sob a outra).
"Ao contrário do que diz o mito de uma Terra seca e desolada , sem continentes e com temperaturas infernais nos primeiros milhões de anos de existência, parece que o planeta entrou quase de imediato no regime que hoje tem", disse Harrison, notando que "a tectónica de placas e a vida eram inevitáveis" e que "na primeira idade da Terra já deveria haver oceanos". Isso é, pelo menos, o que dizem os minerais de zircão mais antigos do planeta.

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