"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

domingo, dezembro 07, 2008

a história uma da outra

É urgente que as duas Europas saibam a História uma da outra
http://jornal.publico.clix.pt/
7 de Dezembro de 2008
Clara Barata

quando se fala em holocausto, pensa-se
mas do outro lado da cortina de ferro a história é mal conhecida
pelas populações eslavas
os ucranianos
bielorrussos, polacos
lembram-se mais da fome
(há duas narrativas)

entre a alemanha e a rússia o fuzilamento foi um método para desaparecer
na grande depressão a próxima refeição não estava garantida
o holocausto ainda causa espanto na europa ocidental
quando a guerra oriental correu mal
2,6 milhões de prisioneiros morreram à fome
"é preciso que morram pessoas para alimentar os soldados"
na década de 30 a fome distribuiu terras na ucrânia
onde as pessoas morreram
(3,5 milhões)

os alemães achavam a alemanha demasiado pequena
e na união soviética sentia-se a revolução
que ultrapassava a democracia e o capitalismo
sensação de que a história terminava
e outra começava
com sangue
moralidade (revolucionária)
de trabalhadores e raças
uma conferência moderna alimenta uma aldeia ucraniana no coffee-break
(hoje os regimes não contam calorias)

uma hierarquia: um grupo que vai comer
e os outros
(os outros)
porque foi esquecido o holocausto do leste?
na guerra fria desapareceram alguns dos terrenos das matanças
os campos da fome não são espectaculares
o holocausto compete com outros sofrimentos

as pessoas lembram-se dos assassínos
mas não da morte de 27,5 milhões de soviéticos
que eram judeus
"não compreendem que nós ganhámos a guerra e sofremos mais"
(a investigação sem arquivos russos torna-se difícil)
o terror de estaline é recordado, sim
mas é pessoal

os europeus têm de reconhecer os horrores verdadeiros