"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, abril 29, 2009

Cinema
Princesa negra da Disney causa polémica
http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1215416&seccao=Cinema
por LUÍS FILIPE RODRIGUES, com The TimesHoje

'The Princess and the Frog' estreia-se em Novembro nos EUA. Há um ano o filme foi acusado de ser demasiado preconceituoso. Agora, está a ser criticado por o príncipe encantado não ser também um afro-americano.

Barack Obama, o primeiro presidente afro-americano na história dos EUA, foi eleito em Novembro do ano passado. Dentro de alguns meses, em Novembro de 2009, estrear-se-á nos cinemas a primeira princesa negra da história da Disney. E se a chegada dos Obamas à Casa Branca foi muito aplaudida, o mesmo não está a ocorrer com o filme The Princess and the Frog, que tem sido criticado desde que foi anunciado há já alguns anos.

A mais recente controvérsia? Tiana, a princesa afro-americana interpretada por Anika Noni Rose, não se apaixonará por um príncipe negro, mas antes por um latino. James Collier, do blogue anti-racista Acting White foi um dos primeiros a criticar esta decisão. "Talvez a Disney não queria que as futuras mães da América branca tenham contacto tão cedo com a ideia de um pretendente negro", escreveu, apesar dos estúdios norte-americanos estarem a promover uma relação inter-racial.

Apesar de ainda não se saberem muitos detalhes sobre a história, esta não é sequer a primeira controvérsia em torno do filme. Há perto de um ano, por exemplo, o jornal britânico The Independent garantia que o guião original tinha sido rejeito por ser demasiado preconceituoso. Além da acção decorrer em Nova Orleães, a protagonista começou por se chamar Maddy, um nome muito próximo do Mammy com que os americanos se dirigiam às suas escravas. Por outro lado, num primeiro momento a princesa foi uma empregrada doméstica. Agora é uma empresária do sector da restauração.

Contudo, estas não são as únicas críticas apontadas a esta animação. É que para alguns comentadores, a Disney está a aproveitar-se da actual obamania para colocar uma primeira princesa negra nos grandes ecrãs. De facto, a personagem de Tiana vai estrear-se nos cinemas apenas um ano após a eleição do mais recente inquilino da Casa Branca, e sete décadas depois do aparecimento da Branca de Neve, a primeira princesa da Disney. No entanto, o projecto começou desenvolvido a meio desta década, quando George W. Bush era o presidente dos EUA.

Mas se é verdade que as eleições de 2008 não influenciaram esta história, a Disney acredita que a obamania pode ter um efeito positivo nas bilheteiras. As duas últimas princesas da Disney, Pocahontas (1995) e Mulan (1998), também pertenciam a minorias e renderam mais de 300 milhões de dólares (cerca de 230 milhões de euros). De acordo com o The Times, a Disney espera agora bater estes recordes.

Vício
Americana viciada em plásticas já fez 47 operações
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1215461
por RUI MARQUES SIMÕESHoje

Cindy Jackson é recordista em cirurgias estéticas e esteve ontem no Porto a gabar o seu modo de vida. Especialistas consideram o caso anormal, mas alertam que em Portugal há jovens "de 21 anos que já vão na terceira operação".

"Em 1988 recebi um herança do meu pai. Podia comprar uma casa, um carro, uma viagem... ou fazer uma cirurgia plástica. Escolhi a última opção e ganhei tudo o resto." Quem fala assim, é uma viciada confessa: Cindy Jackson já fez 47 operações do género. Ontem esteve no Porto, a falar de um vício que especialistas em plásticas, ouvidos pelo DN, não consideram normal.

Cindy Jackson, nascida nos EUA, em 1955 (mas com o ar de um trintona), foi uma das oradoras do segundo e último dia do VI Congresso Internacional do Espaço T, subordinado ao tema "O desejo". Com o sonho de " se parecer como Brigitte Bardot", a escritora, cantora e dona de uma gama de produtos cosméticos tem feito cirurgias um pouco por todo o corpo (das pernas aos cabelos, passando por glúteos, seios ou nariz... três vezes). "Há vinte anos, quando comecei, diziam-me que ia ficar horrível passados vinte anos. Continuo na mesma e estarei igual em 2029", afirmou Jackson, apregoando o seu estilo de vida e a "procura da beleza".

Mas a verdade é que o caso de Cindy - registado no Livro dos Recordes como a pessoa que fez mais cirurgias plásticas no Mundo - é encarado por Biscaia Fraga e Victor Fernandes, especialistas na matéria, com um misto de surpresa e reprovação. "Ela fez 47 operações? Meu Deus, isso não é normal", reagiu Biscaia Fraga, assegurando que tal caso não tem paralelo em Portugal. "No limite, há estrelas do espectáculo que fizeram cerca de 10."

O mesmo número é apontado por Victor Fernandes, também cirurgião plástico. "A atitude dessa senhora é um bocado estranha. Três ou quatro operações, quando muito, é o normal", explica, admitindo conhecer celebridades que também passaram a dezena.

Fernandes, assim como António Reis Marques, psiquiatra, recusam falar de "dependência ou viciação" em operações, mas admitem que há pessoas com baixa auto-estima que as procuram em excesso. "Aí terão de encontrar um cirurgião plástico com bom-senso, que lhe explique que elas não são solução" aponta Reis Marques.

Biscaia Fraga mostra preocupação com "miúdas de 21 anos", que conhece, "que já vão na terceira operação". "É exagerado", admite. Mas quais são as cirurgias mais solicitadas? Biscaia Fraga responde: "Lipoescultura (extracção de gordura), mamoplastia de crescimento e aumento de glúteos, nas mais jovens, e eliminação de rugas na face e pescoço, nas mais velhas". Cindy Jackson já fez todas.

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EUA
100 dias de Obama em 20 momentos
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1215552&seccao=EUA e Am%E9ricas

Cem dias provam pouco sobre a capacidade de um Presidente mas dão um sinal do que está para vir. Depois da ordem para fechar a prisão de Guantánamo, da promessa de retirar os soldados do Iraque, passando pelos planos milionários para salvar o país da pior crise desde os anos 1930, uma coisa, porém, parece certa: Obama está a mudar a América.

Cem dias na Casa Branca é um marco e um pretexto habitual para fazer um balanço. Barack Obama foi eleito com a missão de acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão e resolver uma crise económica como já não se via desde a Grande Depressão dos anos 1930.

1. À segunda é que ele tomou posse

20 Janeiro de 2009

"Juro solenemente desempenhar com fidelidade o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América. "Às 12.00, Barack Obama tomou posse. O 44.º Presidente dos EUA, o primeiro afro-americano, prestou juramento no Capitólio perante dois milhões de pessoas. Porém, trocou uma palavra e um dia depois repetiu o juramento na Casa Branca.

2. Fotógrafo português regressa à Casa Branca

21 Janeiro de 2007

Ainda Obama não conhecia os cantos à sua nova casa e já Pete Souza andava a "retratar a história". O lusodescendente a viver nos EUA foi escolhido para ser o fotógrafo oficial do Presidente. Descendente de açorianos, Souza já tinha fotografado Ronald Reagan e seguia Obama desde que chegou ao Senado, em 2004.

3. Primeira decisão: acabar com a "Guerra ao Terror"

22 Janeiro de 2009

George W. Bush afastou os EUA do resto do mundo com a sua Guerra ao Terror. Logo que chegou à Casa Branca, Obama fez por se livrar desse legado. Ao segundo dia no poder, o Presidente assinava uma ordem para encerrar a prisão de Guantánamo dentro de um ano, e proibir os métodos de tortura usados pela CIA.

4. O Congresso, a oposição e os planos contra a crise

24 Janeiro de 2009

Quatro dias na Casa Branca e Obama subia a Pennsylvania Avenue até ao Capitólio para revelar ao Congresso os seus planos para tirar a América da crise. O Presidente abriu caminho às propostas da sua Administração mas não convenceu a oposição. Dias depois, os republicanos criticavam o défice milionário previsto para o orçamento. A guerra prosseguiu com o pacote de estímulo de 787 mil milhões de dólares, que seria aprovado à tangente com os votos de alguns republicanos moderados.

5. O conselheiro filho de portugueses

30 Janeiro de 2009

Além do fotografo, há um outro português a cruzar-se com Obama nos corredores da Casa Branca. Chama-se David Simas e foi contratado - com o acordo do Presidente - para assessorar David Axelrod, o conselheiro que inventou o slogan de campanha Yes we can (sim, podemos) e que tem sempre garantida a atenção de Obama.

6. Quando o Presidente admitiu a 'asneira'

3 de Fevereiro de 2009

Quinze dias no poder e Obama fazia "asneira". O próprio Presidente admitiu-o aos americanos, após a notícia de que o nomeado para secretário da Saúde, Tom Daschle, fugira ao fisco. Os problemas com a formação da equipa estavam longe do fim. Uma semana depois, o nomeado para o Departamento do Comércio, o republicano Judd Gregg, demitiu-se por "diferenças ideológicas".

7. A gafe na primeira visita ao estrangeiro

19 Fevereiro de 2009

Cumprindo a tradição, Obama foi ao vizinho Canadá na sua primeira saída ao estrangeiro. A visita de sete horas e o encontro com o primeiro-ministro canadiano, Stephen Harper, teriam passado sem história, não fosse o Presidente ter dito que estava feliz por visitar o Iowa (estado americano) quando estava em Otava, a capital do Canadá. Uma pequena gafe, para variar.

8. Retirada do Iraque e reforço no Afeganistão

27 Fevereiro 2009

Obama não pôde escolher as suas guerras mas, desde cedo, deixou claro quais são os seus "verdadeiros" inimigos. O Presidente anunciou que vai retirar as forças de combate do Iraque até 2010. Em contrapartida, os Estados Unidos enviarão mais quatro mil soldados para travar o avanço dos talibãs no Afeganistão e prometem dar mais atenção ao Paquistão.

9. Preocupações fazem cabelos brancos

6 Março de 2009

Quarenta e cinco dias na Casa Branca deixaram Obama com cabelos brancos. Por todo o mundo, os jornais publicaram fotografias a provar o envelhecimento do Presidente. E todos concordaram na explicação: duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, e um país mergulhado na pior crise económica desde os anos 1930 deixam marca em qualquer um.

10. Para que a política deixe a ciência em paz

9 Março de 2009

No que foi um dos mais emblemáticos cortes com o conservadorismo de W. Bush, Obama revogou a proibição de financiamento federal à investigação com células estaminais. O Presidente defendeu que a política não deve intervir na ciência. Prometeu também reduzir a poluição para travar o aquecimento global.

11. Obama irritado com bónus da AIG

16 Março de 2009

Houve poucos momentos em que Obama cedeu às emoções. Um deles foi quando soube que a empresa AIG estava a pagar indemnizações milionárias aos seus gestores com fundos do plano de resgate, dinheiro dos impostos dos americanos. Foi tal a ira que os gestores apressaram-se a devolver os dólares. O caso acabou bem mas não para o secretário do Tesouro. Os jornais descobriram que Timothy Geithner sabia dos bónus mas não fez nada para os travar.

12. Presidente no 'talk show' de Jay Leno

19 Março de 2009

Obama rompeu mais um vez com a tradição ao tornar-se no primeiro Presidente em exercício a participar num dos populares talk shows da televisão americana. O Presidente enfrentou o humor de Jay Leno no sofá do Tonight Show quase sem mácula - ridicularizou os atletas paralímpicos e veio pedir desculpa por isso. Mas houve quem o acusasse de mediatismo em excesso.

13. Com Barroso na cimeira do G20

2 Abril de 2009

Na reunião dos 20 países mais ricos do mundo, Obama encontrou-se com Durão Barroso. O Presidente dos EUA e o português que preside à Comissão Europeia estiveram juntos na cimeira do G20 em Londres onde se decidiu o reforço da regulação do sistema financeiro.

14. Encontro com Sócrates em Praga

5 Abril de 2009

Dois meses e meio na Casa Branca, e Obama veio à Europa apresentar-se, pedir favores e ouvir conselhos. O primeiro-ministro José Sócrates cumprimentou-o durante a Cimeira UE-EUA, em Praga, e elogiou a sua vontade para combater o aquecimento global. Horas antes, Obama prometeu a milhares de europeus, numa praça da capital checa, lutar por um mundo sem armas nucleares.

15. Piscar o olho ao Islão

6 Abril de 2009

O seu nome do meio é Hussein. A infância foi passada na Indonésia. Mas ao contrário do que possa parecer - e do que foi dito na campanha - Obama não é muçulmano. Mas tem um jeito raro nos Presidentes dos EUA para lidar com o Islão. Quando visitou a Turquia disse: "Os EUA não estão nem estarão em guerra com o Islão". Semanas antes enviou uma mensagem ao povo iraniano e deu uma entrevista à televisão Al-Arabiya.

16. Atirar a matar sobre piratas

12 Abril de 2009

Quando o capitão de um navio americano foi feito refém por um grupo de piratas ao largo da Somália, o Presidente não hesitou em recorrer à força. Para salvar Richard Philips, os SEALS receberam autorização para atirar a matar. Uma semana depois o capitão do Maersk Alabama estava de volta a casa. Três piratas morreram e um foi capturado.

17. O cão-d'água português

14 Abril de 2007

Chama-se Bo, tem algo de português e fez as capas dos jornais americanos. O cão que Obama prometeu às suas filhas chegou após meses de especulação. O cachorro é um cão-d'água português oferecido pelo senador Ted Kennedy. Mesmo assim só foi aceite na Casa Branca depois de passar nos testes de bom comportamento.

18. Guerra por causa dos relatórios da CIA

17 Abril de 2009

A ideia era demarcar-se da Administração Bush e seguir em frente. Mas as contas saíram furadas. Quando divulgou os relatórios sobre a tortura da CIA contra terroristas, Obama comprou uma guerra com os republicanos. O Presidente desiludiu também as organizações de direitos humanos por recusar levar à justiça os torturadores. A hipótese de acusar aqueles que deram as ordens permanece em aberto
.
19. Estender a mão aos vizinhos

18 Abril de 2009

Uma nova relação com o mundo, a começar pela vizinhança parece ser o lema de Obama. O Presidente foi a estrela da Cimeira das Américas e surpreendeu todos ao apertar a mão ao Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Dias antes Obama estendera a mão a Cuba quando decidiu levantar algumas restrições às viagens e remessas para a ilha.

20. Epidemia de gripe ensombra o dia 100

27 Abril de 2009

Sem dramatismos, como é seu estilo, Obama falou à América sobre epidemia de gripe suína que ameaça o mundo. Os EUA são o segundo país mais afectado e temem mortes. O Presidente declarou o estado de emergência sanitário e deu conselhos à população, mas disse não haver razões para alarme.

Fenómeno deu-se 600 milhões de anos após o Big Bang
Detectado o objecto mais longínquo do Universo através de explosão de raios gama
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377305
28.04.2009 - 21h32 Nicolau Ferreira
Há mais de 13 mil milhões de anos, deu-se uma explosão de raios gama que só na quinta-feira passada foi observada por vários telescópios na Terra. Só durou dez segundos, mas foi o suficiente para localizar o mais afastado objecto do Universo.

Na manhã de 23 de Abril, o telescópio espacial Swift observou uma explosão na constelação de Leão que rapidamente foi seguida também pelos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile, o ESO/MPG e o Very Large Telescope (VLT). Através da leitura de infravermelhos, o VLT conseguiu calcular a distância e a idade do objecto que produziu a explosão, devido ao fenómeno chamado desvio para o vermelho.

A luz comporta-se como uma onda que pode ser mais ou menos energética. Na zona do espectro da luz visível ao olho humano, as ondas menos energéticas e mais compridas transmitem a cor vermelha. Ao viajar pelo espaço, o comprimento de onda que a luz emite tende a tornar-se cada vez menos energético, devido à expansão contínua do Universo. Quanto maior for a distância atravessada pela luz, maior vai ser este desvio.

“Descobrimos que a luz vinda da explosão foi consideravelmente esticada, ou desviada para o vermelho, pela expansão do Universo”, disse em comunicado Nial Tanvir, o líder da equipa que fez as observações do VLT. “Com um desvio para o vermelho de 8,2, esta é a explosão de raios gama mais remota que alguma vez foi detectada, e também o objecto mais distante alguma vez descoberto.”

A luz viaja a uma velocidade finita. Quando observamos uma estrela que está a um ano-luz de distância, a imagem que temos dela aconteceu há um ano. Se ajustarmos as lentes dos telescópios para estrelas ou galáxias ainda mais distantes, acabamos por olhar para o passado do Universo.

A nova explosão, denominada GRB 090423, aconteceu 600 milhões de anos depois do início do Universo, com o Big Bang — há 13.700 milhões de anos. As primeiras estrelas estavam a formar-se e o tamanho do espaço seria uma pequena parte do que é agora.

“A descoberta prova a importância das explosões de raios gama na procura das regiões mais distantes do Universo”, disse Tanvir. “Podemos agora estar confiantes que explosões ainda mais remotas serão encontradas, o que vai abrir portas para estudar a primeiríssima estrela e, em última análise, o fim da idade das trevas do Universo”, disse o investigador, referindo-se ao período em que o Universo era demasiado novo para formar estrelas e a luz que emitia não seria captada por um telescópio. Calcula-se que as primeiras estrelas só se formaram quando o Universo tinha entre 200 e 400 milhões de anos.

O anterior objecto mais afastado no espaço é a galáxia I0K-1 descoberta em 2006, que está a 12.880 milhões de anos-luz de distância.

sábado, abril 25, 2009

Desempregados americanos refugiam-se nas bibliotecas

Para aceder à Internet, para manter uma rotina diária, e até para esconderem que estão sem trabalho, muitos nova-iorquinos (e não só) acorrem a um lugar que antes raramente visitavam.

Luís M. Faria
17:31 Sábado, 25 de Abr de 2009

http://aeiou.expresso.pt/desempregados-americanos-refugiam-se-nas-bibliotecas=f510986
Ninguém se recorda de ver tanta gente de fato e gravata nas bibliotecas públicas de Nova Iorque como agora. O motivo é a crise. Uma boa parte dos novos frequentadores são pessoas que ficaram subitamente desempregadas. Lugar tranquilo e seguro, a biblioteca proporciona um conjunto de facilidades (a começar pelo acesso à Internet ) absolutamente essenciais nesta altura.

Os funcionários não desconhecem o papel que podem ter no esforço de reconstrução de muitas vidas pessoais. "Há décadas que estamos nesse negócio da busca de emprego", diz Paul LeClerc, presidente da instituição. Além do venerável e famoso edifício na rua 42, a New York Public Library (NYPL) tem dezenas de sucursais espalhadas pela cidade. Em todas elas tem havido um afluxo de desempregados à procura de ajuda, ou simplesmente dos computadores.

A busca de emprego é um processo muitas vezes longo, e que hoje em dia passa quase sempre pela Internet. Ter acesso gratuito a um terminal -- e funcionários treinados para ajudar, por exemplo, a preencher candidaturas de emprego -- pode significar a diferença entre uma situação normal ou a degradação progressiva e irreversível.

Conforme os psicólogos têm ultimamente lembrado, o desemprego não é mau apenas do ponto de vista financeiro. O sentido pessoal de auto-estima está frequentemente associado ao trabalho que se tem, ou não. A ausência de uma rotina diária é perigosa em si mesma. E os desempregados estão sujeitos a um conjunto de humilhações diárias que podem levar a estados de vergonha paralizantes.

Talvez por isso, segundo LeClerk, muitos dos actuais visitantes da NYPL não revelaram aos seus conhecidos que perderam o emprego. Alguns nem sequer terão contado à família. Saem de manhã como sempre saíram, como a roupa que sempre usaram, e dirigem-se à biblioteca, onde passam o dia.

Os funcionários da NYPL, como os de outras redes de bibliotecas pelo país fora, têm detectado inúmeras situações de fragilidade emocional. Ocasionalmente, essas situações desembocam em violência. As organizações com meios para isso procuram dar formação psicológica aos funcionários. Algumas disponibilizam um terapeuta para os ajudar a lidar com o seu próprio stress.

Numa biblioteca de Chicago, uma funcionária disse que não está habituada a pessoas com lágrimas nos olhos. Outra funcionária contou que os adultos muitas vezes se queixam das crianças que ocupam os computadores para se divertir com jogos, etc. Mas muitas crianças passaram a frequentar as bibliotecas justamente porque deixaram de ter Internet em casa. A ligação online é uma das despesas em que as famílias têm cortado.

Para alguns visitantes, outra dessas despesas era a própria aquisição de livros. Havia quem comprasse dois ou três por semana, hábito de repente tornado incomportável. Como um leitor voraz não se deixa dissuadir nem pela crise, essas pessoas continuam a ler. A diferença é que agora o fazem na companhia de muita gente que não vai ao lugar dos livros por causa dos livros.

quinta-feira, abril 23, 2009

Guia de interpretações legais para interrogar sem torturar
http://jornal.publico.clix.pt/
23.04.2009




A Foram escritos por advogados e a pedido da CIA, em 2002 e em 2005. Baseiam-se nas informações que a agência forneceu sobre "técnicas de interrogatório avançadas" que foram ou serão aplicadas aos "detidos de alto valor" nas prisões secretas e procuram atestar a sua legalidade.
Cada um dos quatro memorandos descreve as técnicas, sistematizando as condições e os limites com que podem ser usadas e aplicando-lhes as suas interpretações das leis que a CIA quer saber se está a violar.
Os autores, Steven G. Bradbury, do Gabinete de Aconselhamento Legal do Departamento da Justiça, e Jay S. Bybee, que integrou o gabinete até ir para juiz num tribunal federal de recurso, desenvolvem o mesmo tipo de argumentos para chegar à mesma conclusão: nenhuma destas técnicas de interrogatório constitui tortura. Há outras explicações, mas a regra é que não provocam "dor severa ou sofrimento". A tortura é, aliás, "repugnante, tanto para a lei e valores americanos como para as normas internacionais".
Correctivas, coercivas
O primeiro grupo de técnicas é definido como "de condicionamento". Cabem aqui a nudez - "para induzir desconforto psicológico", sendo "moderadamente desconfortável". Entra igualmente a manipulação da dieta, "a substituição da comida normal por refeições líquidas", e para a qual são determinados quais os líquidos e calorias diários. Inclui-se ainda aqui a privação do sono: "até 180 horas", visa "enfraquecer a resistência"; o detido está "acorrentado, de pé, com as mãos na frente do corpo".
Como noutros casos, os memorandos citam informações adquiridas pela CIA junto do Exército e da Marinha, que usaram estas técnicas no treino de soldados, e outra literatura existente, para concluir que a privação do sono "geralmente tem poucos efeitos negativos (para além de enfraquecimento cognitivo temporário e alucinações transitórias)". Há quem experimente "fadiga temporária, dificuldade de discurso, náusea e visão desfocada". Mas, segundo "estudos científicos", "até ao limite de 180 horas" geralmente regressa-se "a um funcionamento neurológico com uma noite de sono normal". Para além de estar acorrentado, o detido poderá usar fralda - "a pele é monitorizada e um detido não permanecerá com uma fralda suja".
"Insulto, estalada, estalada abdominal" integram o segundo grupo das técnicas "correctivas". Seguem-se as "coercivas", para "colocar o detido num stress "mais físico e psicológico": incluem-se walling (puxar o detido e depois atirá-lo contra uma parede flexível), ensopar em água, posições de stress, confinamento ou waterboarding (simulação de afogamento). Como sempre, há regras: quanto ao confinamento, por exemplo, trata-se de colocar o detido dentro de caixas - há uma mais pequena e outra maior e limite de horas (duas ou oito).
Tanto quando se ensopa o detido como no waterboarding, a água "deve ser potável". No waterboarding, "considerada 'a mais traumática das técnicas'" usadas pela CIA (a Administração Obama diz que é tortura), "o detido tem a cabeça inclinada para trás" e é-lhe posto "um pano por cima da cara sobre o qual se despeja água por períodos de 40 segundos no máximo" para "induzir a sensação de afogamento". Pode ser aplicada em cinco dias "ao longo de 30" e não pode haver "mais do que duas sessões em 24 horas", nem ser aplicada água "por mais do que 12 minutos no mesmo período".
O Código dos EUA proíbe a tortura e define-a como "um acto cometido com a intenção específica de provocar dor severa ou sofrimento". Os memorandos explicam que "dor severa" é, neste contexto, "dor difícil de suportar ou de uma intensidade comparável à que acompanha um ferimento grave". A maioria das técnicas em análise "não envolve qualquer dor", antes "fadiga muscular" ou "desconforto bem menor do que o necessário para chegar ao ponto de dor física severa", tal como não implica "sofrimento" físico.
Uma questão de intenção
A "dor ou sofrimento mental" é definida no Código dos EUA como "'dano mental prolongado causado ou resultante de' uma de várias condições": a "intenção de provocar ou ameaçar provocar dor severa ou sofrimento"; "a aplicação ou ameaça de aplicação de substâncias psicotrópicas ou outras acções para perturbar os sentidos ou a personalidade; "a ameaça de morte iminente" ou a ameaça de estas acções serem aplicada a outra pessoa.
Concluem estes advogados que na maioria das técnicas nenhuma das condições se aplica, "uma pessoa razoável não inferiria que dor física severa seja o passo seguinte". Há uma excepção: "Concluímos que o waterboarding constitui uma ameaça de morte iminente."
Apesar disso, aplicá-lo não é violar a lei. Falta a "intenção específica": "Para violar o estatuto, um indivíduo tem de ter a intenção específica de infligir dor severa ou sofrimento. Intenção específica é um elemento da infracção e por isso a sua ausência invalida a acusação de tortura."
Há leis que não se aplicam por outras razões: "Como é interpretada pelos tribunais", a proibição de "tratamento cruel, fora do comum e desumano", na Quinta Emenda da Constituição, "não se aplica a estrangeiros fora dos EUA". A Convenção da ONU contra a Tortura também está "limitado a comportamentos dentro de 'território sob jurisdição [dos EUA]'". A mesma Quinta Emenda proíbe "a conduta que 'choca a consciência', mas "o Supremo já sublinhou [que] depende muito do contexto". Sofia Lorena

terça-feira, abril 21, 2009

Europa gasta dez mil milhões contra espécies invasoras
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375587
21.04.2009 - 09h21 Helena Geraldes
O jacinto-de-água e o lagostim-do-Luisiana estão entre as onze mil espécies de plantas e animais que chegaram à Europa sem serem convidadas e estão a fazer perigar o frágil baralho de cartas ecológico do Velho Continente. Para travar o avanço dos invasores, a Europa gasta dez mil milhões de euros por ano. Só para ter uma ideia do que representa este valor, basta dizer que custará 12 mil milhões a reconstruir Abbruzzo, região italiana devastada pelo sismo no início de Abril.

Pela primeira vez, cientistas colocaram etiquetas com o preço a pagar pela Europa pelas plantas e animais invasores mais perigosos. A equipa, coordenada por Montserrat Vilà, da Estação Biológica de Doñana, em Sevilha, listou as dez espécies mais perigosas e cujo combate é mais caro, com base no projecto DAISIE (Delivering Alien Invasive Species Inventories for Europe), de 2005.

São os vertebrados terrestres os que provocam estragos em mais frentes, com "uma cascata de impactos", como diz Vilà no estudo publicado esta semana na revista Frontiers in Ecology and the Environment.

Mas quem causa maiores prejuízos económicos são os invertebrados terrestres, como insectos e aranhas. Vilà lembra os danos causados em plantações agrícolas e em florestas, por exemplo. "A presença e, muitas vezes, o domínio das espécies invasoras pode ter muitos impactos ecológicos que se traduzem em alterações nos serviços dos ecossistemas", explica Vilà. "Essas alterações podem ser irreversíveis e muitas são tão importantes como as alterações climáticas ou a poluição", acrescenta.

Combater este problema implica gastar milhões de euros, investidos em acções de monitorização, controlo e erradicação das espécies e em programas de educação ambiental. Entre os invasores mais dispendiosos estão o jacinto-de-água, o roedor ratão-do-banhado e uma alga marinha.

A maior dificuldade nesta batalha é, segundo Vilà, o facto de que muitos dos impactos ainda não serem conhecidos. De facto, os ecologistas e economistas só conhecem o impacto de dez por cento das espécies invasoras da Europa.

Vilà sugere a criação de organismos institucionais em várias áreas - agricultura, ambiente, saúde e transportes - para "prevenir e gerir os impactos das invasões biológicas", permitindo uma resposta transversal.

No início do mês de Abril, Vilà e um grupo de cientistas europeus publicaram um artigo de opinião na revista Science através do qual pediram à União Europeia que crie um centro de gestão contra estas espécies.

segunda-feira, abril 20, 2009

Novo estudo cartográfico
Grande Muralha da China tem mais 3000 quilómetros do que se pensava
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375498
20.04.2009 - 19h33
A Grande Muralha da China é maior do que se previa, de acordo com o primeiro mapa detalhado da antiga fortificação. O estudo revelou que a muralha tem cerca de 8850 quilómetros, em vez dos 5000 que lhe eram anteriormente atribuídos. As estimativas anteriores baseavam-se em registos históricos.

As tecnologias de infravermelhos e GPS permitiram localizar algumas das áreas que desapareceram ao longo do tempo, fustigadas por tempestades de areia, diz a BBC.

O estudo foi realizado ao longo de dois anos e orientado pela Agência de Património Cultural e pelos Serviços de Cartografia chineses.

Os peritos afirmam que as secções agora descobertas foram construídas durante a dinastia Ming (1368-1644) e estendem-se desde a montanha Hu, no Norte da província de Liaoning, até à Passagem de Jiayu, na zona oeste da província de Gansu.

O projecto continuará nos próximos 18 meses, para modo mapear algumas secções construídas durante as dinastias Qin (221-206 a.C.) e Han (206 a.C.-9 d.C.).

Este mapeamento faz parte de um projecto de conservação a dez anos, lançado em 2005, e servirá para identificar quais as secções da muralha que necessitam de preservação mais urgente, ao mesmo tempo que relata os esforços para a renovar e preservar, segundo a agência de notícias AFP.

“A Grande Muralha está sob grande ameaça. As alterações mudanças climáticas e a enorme construção de infra-estruturas em curso no país os maiores problemas”, disse Shan Jixiang, director da Agência de Património Cultural, em entrevista ao jornal “China Daily”.

A Grande Muralha da China é a maior estrutura construída pelo Homem e foi erguida na fronteira norte do Império Chinês. É Património Mundial da Unesco desde 1987.

Simulação de afogamento
Técnica de waterboarding foi usada 266 vezes pela CIA
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375350&idCanal=11
20.04.2009 - 09h11 Maria João Guimarães
O waterboarding (técnica de simulação de afogamento) foi usado 266 vezes por agentes da CIA em dois suspeitos-chave da Al-Qaeda detidos pelos EUA, noticiou o "New York Times". O número é muito superior ao que tinha sido reportado anteriormente.

O waterboarding é uma técnica de interrogatório em que se enche as vias respiratórias com água para que a pessoa que é sujeita a esta prática tenha a sensação de que vai morrer afogada, e é geralmente classificada como tortura.

Em declarações ao Senado no final do mandato de Bush, o então director da CIA, Michael Hayden, tinha afirmado que a prática tinha sido usada “apenas” em três detidos.

Agora, o "New York Times" diz – citando um memorando do Departamento de Justiça de 2005 – que agentes da CIA usaram a técnica pelo menos 83 vezes em Agosto de 2002 em Abu Zubaydah, descrito como um operacional da rede terrorista Al-Qaeda.

Antes, um antigo responsável da CIA tinha afirmado à estação de televisão ABC news e outros media que Zubaydah tinha sido submetido a waterboarding durante apenas 35 segundos antes de concordar que revelaria tudo o que sabia.

O memorando do Departamento de Estado diz ainda que a simulação de afogamento foi feita 183 vezes em Khalid Sheikh Mohammed, o auto-proclamado planificador dos ataques de 11 de Setembro de 2001. Sabia-se que tinha sido sujeito a técnicas “duras” de interrogatório mais de cem vezes, e que tinha sido objecto de waterboarding, mas não havia, sublinha o "New York Times", ideia de que técnicas tinham sido usadas e quantas vezes.

O uso do waterboarding foi especialmente controverso, embora defendido pela Administração Bush que não o considerou “tortura”, e o Congresso votou, no ano passado, para proibir a técnica de interrogatório.

Na altura em que a questão foi debatida, responsáveis da CIA deram a entender que esta prática tinha sido usada só numa altura muito particular, apenas no período imediatamente a seguir ao 11 de Setembro, e apenas em três suspeitos. A dimensão do uso dessas técnicas referida no documento hoje citado no "New York Times" mostra um quadro diferente.

A CIA tinha antes causado especial polémica – e uma investigação do Departamento de Justiça – quando afirmou, em Dezembro de 2007, que tinha destruído as cassettes com as gravações dos interrogatórios de Mohammed e Zubaydah.

O então director da agência de espionagem tinha justificado as medidas duras com a quantidade de informação conseguida – Zubaydah e Mohammed tinham fornecido um quarto dos relatórios de informação humana sobre a rede de Osama bin Laden, disse Hayden.

sexta-feira, abril 03, 2009

Reuters

Adam, o primeiro robô a produzir conhecimento científico sozinho
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Inteligência Artificial
Investigadores dizem ter criado máquinas capazes de formular teorias científicas
03.04.2009 - 10h11 Reuters
Duas equipas de investigadores, uma no País de Gales e outra em Nova Iorque, anunciaram ontem a invenção de máquinas capazes de formular teorias e produzir conhecimento cientifico. Ambos os grupos publicaram os estudos hoje, na revista "Science".

Na Universidade de Aberystwyth, no País de Gales, um grupo de cientistas liderados por Ross King criaram Adam, um robô capaz de realizar experiências sobre o metabolismo do fermento, reflectir nos resultados dessa experiência e planear o próximo passo na investigação. Foi o primeiro robô a descobrir algo de forma autónoma: novos dados sobre a estrutura genética do fermento. "Nós verificamos, e os resultados estão correctos" afirma Ross King, que acrescenta que os cientistas estão a trabalhar num robô deste género desde os anos 1960. "Quando enviaram os primeiros robôs para Marte, os cientistas sonhavam que estas máquinas poderiam realizar as suas próprias experiencias lá. Após 40 ou 50 anos, temos os meios para isso" disse o cientista, durante uma entrevista.

O grupo de investigadores anunciou que o seu próximo robô, Eve, seria muito mais inteligente e estaria encarregado de criar novos medicamentos. King acredita que a inteligência artificial será bastante valiosa na procura de tratamentos para doenças tropicais como a malária.

Em Nova Iorque, Hod Lipson e Michael Schmidt da Universidade de Cornell, desenvolveram um robô capaz de entender as leis da física envolvidas no movimento de um pêndulo duplo. Apenas processando os dados, sem nenhuns "conhecimentos" sobre física, o computador foi capaz de decifrar as leis do movimento de Isaac Newton.

Lipson acredita que estes robôs não farão os cientistas humanos obsoletos, apenas serão capazes de fazer o trabalho rotineiro nos laboratórios.

"Actualmente, um dos problemas na ciência é descobrir os princípios subjacentes a áreas onde existem muitos dados" afirmou o cientista numa conferência de imprensa. "Estas máquinas podem acelerar as descobertas dos princípios científicos por detrás dos dados".