"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, agosto 28, 2009

Desejo
Especialistas explicam as leis da atracção
por BRUNO ABREU
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1346465
Hoje


As mulheres avaliam a atracção de uma face pelas suas características únicas, seja a cor dos olhos, a forma dos lábios ou até do queixo. Estas conclusões foram tiradas com a realização de um estudo na universidade de Penn State, nos EUA. Investigadores querem agora estudar a influência da cultura e também dos ciclos hormonais das mulheres na atracção sexual

É a forma dos lábios, do nariz, ou outra característica específica, que atrai as mulheres sexual- mente. Esta é a conclusão de um estudo de Robert G. Franklin, fi- nalista de Psicologia da Universidade de Penn State, nos Estados Unidos. Em conjunto com o professor assistente do mesmo curso Reginald Adams, Franklin descobriu que as mulheres avaliam a atracção em dois níveis: "Um nível sexual, baseado em características distintas, como o osso do maxilar, o osso malar ou os lábios, e um nível não sexual, baseado na estética global", explica o investigador. O estudo foi publicado no Journal of Experimental Social Psychology.

"No nível sexual mais básico, a atracção representa uma quali- dade que aumenta o potencial reprodutivo, como a fertilidade ou a saúde", diz. Mas na vertente não sexual, a atracção deve ser compreendida num todo, onde o cérebro julga a beleza baseada na so-ma das partes que vê. "Mas até agora este conceito (realizado como duplo processo) ainda não tinha sido testado."

Para avaliar os métodos que as mulheres usam para definir a atracção nos rostos, os psicólogos mostraram fotos a dois grupos de alunas para as avaliarem. Num segundo passo dividiram-nas e pediram o mesmo (ver caixa).

Ao dividir as faces a meio, e interrompendo o processamento facial completo das alunas, os investigadores acreditam que as mulheres dão mais importância a por- menores faciais para determinar a atracção. Eles concluem que esta via sexual entra em acção particularmente quando as participantes viam faces que eram consideradas hipotéticos encontros, mais do que companheiros de laboratório. Foi exactamente isso que o estudo demonstrou. A nível estatístico, dividir as faces a meio fez com que as mulheres se baseassem numa estratégia puramente sexual para processar as caras masculinas. O estudo verifica que estas duas maneiras de avaliar a atracção facial existem e podem ser separadas para as mulheres.

"Não sabemos se a atracção é um efeito cultural ou apenas o nosso cérebro a processar essa informação", admitiu o investigador.

"No futuro planeamos estudar como as diferenças culturais nas nossas participantes têm um papel na avaliação das caras. Também queremos ver como as mudanças hormonais durante a menstruação afectam a maneira como avaliam a atracção nestes dois níveis", termina.