Dois terços dos dadores de órgãos são presos executados
por HUGO COELHO
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1346454&seccao=%C1sia
Hoje
Pela lei os condenados deviam assinar declaração a ceder os órgãos, depois de mortos. Mas o sistema é corrupto e as operações são um luxo dos ricos que podem ir ao mercado negro
Na China, os criminosos condenados à pena capital são executados com um tiro na nuca. Quando caem mortos são examinados por médicos que lhes medem o pulso. Depois são levados para dentro de uma ambulância que está perto. Há quem diga que é logo ali que os carniceiros começam a tirar os rins, o fígado e o coração dos cadáveres.
Um chinês apanhado no corredor da morte é na maioria das vezes um homem condenado a tornar-se num dador de órgãos, depois de morto. Segundo o jornal China Daily, os executados fornecem os órgãos para cada dois em cada três transplantes no país.
Sem confirmar os números, o ministro da Saúde adjunto, Huang Jiefu, veio reconhecer o problema e dizer que "os executados não são, definitivamente, um fonte adequada para transplantes".
A revelação, inédita, escandalizou os chineses e surge num momento em que o Governo se prepara para lançar um programa de dadores voluntários para tentar dar resposta à procura de órgãos .
De acordo com o Ministério da Saúde, perto de um milhão e meio de chineses precisa de um transplante, mas são apenas realizadas dez mil cirurgias por ano (menos de 1%).
O problema agravou-se no último ano porque o número de condenações à morte caiu a pique. Mesmo assim, em 2008, segundo a Amnistia Internacional foram executadas 1718 pessoas. O que quer dizer que a China executa mais criminosos do que todo o resto do mundo.
A escassez de órgãos alimentou a corrupção e ajudou a criar um mercado negro gigantesco. Em 2007, o Governo aprovou uma lei que proíbe o comércio de órgãos e doações a não familiares, mas não teve, praticamente, efeito.
As histórias de transplantes ilegais ou de estrangeiros que viajam para a China para fazer essas cirurgias são recorrentes na imprensa chinesa. Organizações de direitos humanos criticaram Pequim pela falta de transparência na doação de órgãos.
Oficialmente, os executados têm de assinar um declaração em como aceitam ceder os órgãos. Mas poucos acreditam que essa regra é respeitada. A percepção é que, para se fazer um transplante, é preciso ser rico.
Qian Jianmin, chefe da equipa de cirurgiões do hospital Huashan, em Xangai, confirmou ao jornal britânico The Times que muitos dos pacientes recebem órgãos de executados. O médico admitiu que o sistema está sujeito a abusos. O programa de voluntários avançará como projecto piloto em dez províncias do país. Ao mesmo tempo será criado um fundo para ajudar as famílias dos dadores.
Analistas ouvidos pela BBC garantiram que o projecto dificilmente terá sucesso por causa do preconceito cultural contra a rem

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