França começou a debater o que é ser francês
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/03-11-2009/franca-comecou-a-debater-o-que-e-ser-frances-18141781.htm
Clara Barata
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Nas aventuras de Astérix e Obélix era fácil, a pequena aldeia gaulesa definia-se pela sua resistência "ainda e sempre face ao invasor" romano. Mas o que é a identidade francesa? O Governo de Nicolas Sarkozy quer saber, e lançou um debate nacional, com sede na Internet (http://www.debatidentitenationale.fr/) e debates programados em cada um dos departamentos e arrondissements. Será o que o ministro da Imigração, Eric Besson, chama um debate "com as forças vivas da nação".
Uma sondagem publicada no fim-de-semana pelo jornal Le Parisien adiantava que 60 por cento dos franceses concordam com este debate. Os principais elementos da identidade francesa, diz a sondagem, são a língua (80 por cento), a República (64), a bandeira tricolor (63), o Estado laico (61), os serviços públicos (60), o hino A Marselhesa (50) e o acolhimento de imigrantes (31 por cento).
Mas esta discussão acontece num ambiente carregado de subentendidos, precisamente por causa da imigração - dos novos migrantes, que continuam a chegar à Europa, procurando uma vida melhor, ou dos filhos dos imigrantes de outras gerações, que apesar de serem franceses são vistos como "árabes" ou "negros", cidadãos de quem se diz que é preciso serem "integrados".
A ideia do debate foi lançada pelo ministro da Imigração, da Integração, da Identidade Nacional e do Desenvolvimento, porta-voz da política de imigração "firme e descomplexada" de Sarkozy, como lhe chama a agência AFP. O processo deverá estar terminado até 31 de Janeiro de 2010, com uma síntese a ser apresentada por Besson a 4 de Fevereiro. O primeiro debate público é a 24 de Novembro, no ministério de Besson, em Paris.
A oposição de esquerda considera este debate "perigoso", sublinhando a dificuldade em definir a identidade nacional de um país construído por sucessivas ondas de imigração - a França é há séculos um destino privilegiado para imigrantes, tanto da Europa como de fora do continente.
Ségolène Royal, eterna candidata à liderança do Partido Socialista, diz não rejeitar o debate: "É preciso reconquistar os símbolos da nação. É por isso que se canta A Marselhesa em todos os meus comícios."
No entanto, ouvem-se vozes preocupadas vindas da direita, mesmo de dentro da UMP, o partido de Sarkozy. Alain Jupé, ex-primeiro-ministro, criticou no seu blogue a iniciativa. E Bernard Kouchner, ministro dos Negócios Estrangeiros, confessou-se "desconfiado dos debates teóricos".

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