"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Mutandis

E os outros
Mutatis mutatis
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24749274
L.M. Faria
Expresso, 31 de Janeiro de 2005

há duas propostas no reino
uma proíbe a caça
a outra permite beber

chama-se pelo bem-estar dos animais
mas serão tantos?
e pelas questões de classe
uma vingança?

os cidadãos são tratados como adultos
a maioria?
bebem até à sua última hora
e deixam as piores lutas

o que são, como bebem e como lutam
os interesses comerciais
pensem na morte
onde as classes são ao contrário
e os casinos nas cidades
pode ser útil

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Mudança boa

"Se a mudança permitir maior mobilidade, é boa"
http://dn.sapo.pt/2005/01/28/sociedade/se_a_mudanca_permitir_maior_mobilida.html
Ângela Marques DN
28 de Janeiro de 2005

Arrancam todos os dias pela mesma hora para fazerem os mesmos percursos da área metropolitana de Lisboa. Os passageiros não reclamam da falta de originalidade porque têm pressa de chegar ao destino. Dentro de um autocarro da Carris, os 50 minutos que distam entre Odivelas e o Cais do Sodré são vividos com agitação. A maioria das pessoas faz trajectos curtos. Por isso, "pagar só o que se anda será melhor".Porque a cidade mudou muito, e tem hoje menos habitantes e emprego que nos últimos anos, a Carris anunciou no dia 20 a reestruturação da sua rede de transportes - que se quer mais circular, mais segmentada e mais complementada com o Metropolitano. Para quem, como José Maria Barros, de 52 anos, utiliza diariamente estes serviços, "todas as mudanças que permitam maior mobilidade são boas". Empregado de mesa num estabelecimento da baixa da cidade, José Maria é a favor da simplificação "um cartão que dê para todos os transportes é uma boa ideia".São "bem usados os 25 euros por mês" que Luci Sanches, de 37 anos, gasta no passe combinado que lhe permite andar de autocarro e de Metro pela cidade. As viagens que faz "não são só de casa para o trabalho e de volta a casa". Durante o dias usa muitas vezes os transportes públicos. O preço não lhe parece, por isso, abusivo, e o serviço prestado pelas empresas "satisfaz". No entanto, considera que, se o modelo proposto pela Autoridade Metropolitana de Transportes avançar, "a situação melhora". Os 90 euros que Maria Wilson, de 33 anos, gasta em transportes públicos por mês "pesam muito no orçamento familiar". As duas horas que demora a chegar ao emprego - em Lisboa -, todos os dias, pesam no corpo que tem de despertar de madrugada no Barreiro.Primeiro é o barco, depois o comboio e só então o autocarro. "Um cansaço que não termina." Maria não usa regularmente o Metropolitano, pelo que não vê "grande vantagem em ter um cartão que dê para andar de Metro". Mas "se o resto ficasse mais barato, seria óptimo", conclui.

Erro real

A nova candidatura 'inteligente'
Erros detectados em tempo real http://dn.sapo.pt/2005/01/28/sociedade/erros_detectados_tempo_real.html
28 de Janeiro de 2005

Para concorrerem a uma colocação neste ano lectivo, os docen- tes têm que aceder ao site www.dghre.min-edu.pt, onde encontram os novos formulários electrónicos. Entre 14 de Fevereiro e 1 de Março, terão que fazer a sua inscrição no sistema, sob pena de serem desqualificados. Até ao final da primeira semana de Março, os candidatos recebem em casa, pelo correio, uma password e um login. Com estes poderão fazer (entre 7 de Março e 15 de Abril) as suas candidaturas. Os formulários de "candidaturas inteligentes" detectam e corrigem, em tempo real, os erros.

Literários

Juízes excedem-se nos recortes literários http://dn.sapo.pt/2005/01/28/sociedade/juizes_excedemse_recortes_literarios.html
C. r. l.g. h.
28 de Janeiro de 2005


O presidente em exercício do Supremo Tribunal de Justiça, José Nunes da Cruz, fez ontem uma crítica ao excesso de recorte literário utilizado por alguns juízes em sentenças. Para o conselheiro, "os excessos discursivos na formulação das decisões" têm sido difíceis de ultrapassar. Por isso, insistiu num "apelo a redacções mais curtas e directas, explicadas com simplicidade, numa terminologia sucinta e capaz de ser percebida pelo comum dos mortais".Discursando na cerimónia de abertura do ano judicial, José Nunes da Cruz considerou que o " ponto-chave" da chamada crise na justiça está na lentidão do sistema. "Estou certo de que, não fosse a morosidade que a todos afecta, tudo mais se resolveria pela aplicação de medidas simples", reforçou. Mas, ao mesmo tempo que não escamoteou a "existência de alguns juízes cujo desempenho não responde à produtividade exigida", não deixou de fazer uma contundente referência ao "crescimento verdadeiramente assustador" do "uso abusivo de incidentes processuais totalmente infundados e inconse- quentes" da parte dos advogados. Paralelamente a estes, continuou o juiz-conselheiro, "parece terem-se generalizado os incidentes de recusa de juízes", os quais, na sua opinião, "chegam a ser ofensivos e entraram no infindável rol dos expedientes dilatórios".Por sua vez, no primeiro discurso que fez numa cerimónia de abertura do ano judicial, o bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, declarou que a justiça continua "lenta", "cada vez mais cara" e que para "mudar é necessário ter coragem de reconhecer que o sistema judicial está ultrapassado, decrépito e inoperante". Para Rogério Alves, apesar de toda a gente estar de acordo quanto à lentidão da justiça, nos tribunais continua-se a "perder horas a fio em interrogatórios e audiências, ditando requerimentos sobre questões la- terais de índole processual co- mo um"brutal desafio" o afastamento dos "dogmas, medos, tabus, rivalidades e corporativismos estéreis".

segunda-feira, janeiro 24, 2005

À solta

Cães à solta na auto-estrada
http://dn.sapo.pt/2005/01/24/sociedade/caes_a_solta_autoestrada.html 24 de Janeiro de 2005

aparecem mais cães à caça e à solta
depois do natal e no verão

as vedações são danificadas por animais de grande porte
e não evitam limites à propriedade

segunda-feira, janeiro 17, 2005

O salário do rei

Revista divulgou salário do rei
http://dn.sapo.pt/2005/01/17/internacional/revista_divulgou_salario_rei.html
17 de Janeiro de 2005

perto de mais de mil
este é o salário mensal do rei
um dos últimos
uma série de outros números que desde a independência
não interessam aos deputados
salário do rei, dos príncipes e de outras, princesas
donativos de soberania
dos quais um terço a favor
de fins desconhecidos
o funcionamento da corte, os salários de mil e cem funcionários
o palácio
viagens e cerimónias
cada ano

quinta-feira, janeiro 13, 2005

A família só

«A família só existe quando há pai e mãe»
http://dn.sapo.pt/2005/01/13/sociedade/a_familia_existe_quando_pai_e_mae.html
POR Ângela Marques
13 de Janeiro de 2005

Já não há famílias em Portugal. A julgar pelas convicções expressas ontempelo presidente do Instituto de Ciências da Família - da UniversidadeCatólica Portuguesa, o padre Duarte da Cunha, nas jornadas «Que futuropara a família?», uma mãe e um filho não constituem um modelo familiarválido. Da mesma forma, duas pessoas do mesmo sexo não podem formar umafamília, uma vez que não há «possibilidade de haver filhos».Convencido de que «o coração gosta de fidelidade e não da instabilidadedas relações», Duarte da Cunha apelou a que a «família saudável» sejaprotegida. Para o conferencista, «um pai e uma mãe é melhor». Assim,«devemos estar atentos aos pseudo-desejos porque às vezes achamos quequeremos o que não queremos». Michel Renaud, professor catedrático da UCP,lembrou que «temos que manter as nossas convicções fortes, mas não podemoscondenar à partida uma aliança de que resulta felicidade».O Estado terá um papel importante no futuro da família, mas terá que mudarde mentalidade na discussão do tema, defendeu a ministra da Educação,Maria do Carmo Seabra. A ministra confessou mesmo que o seu ministério dápouca importância aos problemas apresentados pelos pais. De acordo comMaria do Carmo Seabra, os requerimentos nem sempre são bem atendidosporque há a ideia, preconcebida, de que «os pais não têm razão».

Profeta nomeado

Profeta ignorado é nomeado ministro
http://dn.sapo.pt/2005/01/13/sociedade/profeta_ignorado_e_nomeado_ministro.html
13 de Janeiro de 2005

de profeta ignorado a chefe
acusado do pânico há sete anos
de querer, quando o país enfrentou o novo desastre

segunda-feira, janeiro 10, 2005

As ilhas inabitáveis

Inabitáveis nove ilhas nas Maldivas
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, visitou ontem o arquipélago devastado
http://dn.sapo.pt/2005/01/10/sociedade/inabitaveis_nove_ilhas_maldivas.html
POR Ângela marques
AP-Petros Karadjiassri lanka.

Vítimas do tsunami esperam por ajuda no campo de refugiadosNove ilhas do arquipélago das Maldivas ficaram inabitáveis à passagem dasondas gigantes de há duas semanas. Pelo menos 82 pessoas morreram e 15 milficaram sem casa. Na ilha de Kolhufushi, o mar é o melhor refúgio para umanoite bem dormida. As águas paradas adormecem os pescadores, que deixammulheres e crianças nos edifícios que ficaram de pé.Para avaliar os estragos provocados pelo maremoto, o secretário-geral daONU, Kofi Annan, visitou ontem o arquipélago. A cumprir a terceira etapada sua viagem aos países afectados pelo tsunami, Kofi Annan foi recebidono aeroporto de Male pelo ministro dos Negócios Estrangeiros das Maldivas,Hasthulla Jameel, e pelo presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn.«É a primeira visita de um secretário-geral da ONU ao arquipélago»,declarou o porta-voz do Governo. E acrescentou «Gostaríamos que ascircunstâncias fossem outras, mas queremos mostrar a destruição que omaremoto aqui deixou.» Segundo o representante permanente das Maldivas nasNações Unidas, Mohamed Latheef, as ilhas tornaram-se inabitáveis, dado oelevado custo para retirar a água acumulada e reconstruir asinfra-estruturas.O Governo das Maldivas calcula que sejam necessários 1,5 mil milhões dedólares para os trabalhos mais urgentes de ajuda e reconstrução, para alémdo grande investimento que terá que ser feito para recuperar ainfra-estrutura hoteleira, que colocou o arquipélago no mapa dos destinosturísticos de luxo do mundo.Elevadas a apenas um ou dois metros do nível da água, 14 ilhas tiveram queser evacuadas. O Governo das Maldivas expressou já a intenção de instalaras pessoas que nelas viviam noutras ilhas do país - onde os riscos decatástrofe são menores. Para o Presidente da República das Maldivas,Maumoon Abdul Gayoom, «em termos proporcionais, este pode mesmo ter sido oPaís mais afectado pelo maremoto».Gayoom considera que as Maldivas não poderão recuperar da catástrofe sem«uma cooperação regional e internacional maciçaa», uma vez que as ondas dequatro metros que varreram o arquipélago provocaram «estragos a longoprazo, cujo impacto ambiental e económico é ainda imprevisível». Muitascomunidades tinham como fonte de rendimento plantações que foramdevastadas. A pressão da água levantou vários centímetros da camadasuperficial do solo e os recifes ficaram cobertos de sedimentos. «Estasúbita erosão provocará danos por agora incalculáveis», afirma Gayoom.As Maldivas têm uma população de 300 mil pessoas. Pelo menos 100 milprecisam de ajuda imediata. Segundo o Presidente, a população não afectadapelo maremoto foi tão pouca que é impossível contar com ela para asoperações de reconstrução das ilhas. Até agora não há registo dosurgimento de qualquer epidemia, mas a partilha de espaços exíguos pordezenas de pessoas preocupa as autoridades.

Terra

Terra ficou mais 'acelerada'
http://dn.sapo.pt/2005/01/10/sociedade/terra_ficou_mais_acelerada.html
10 de Janeiro de 2005

Cientistas australianos admitiram ontem que o movimento de rotação daTerra tenha vindo a ficar «permanentemente acelerado» pelo violento sismode dia 26 de Dezembro ao largo de Aceh, responsável pelo maremoto queprovocou mais de 156 mil mortos. A Terra terá sido acelerada em apenas umafracção de segundo, mas, para todos os efeitos, os dias estarão mesmo maiscurtos.O sismo foi o maior dos últimos 40 anos (grau 9 na escala de Richter) e omais mortífero de que há memória na história da humanidade. Os cientistasdizem que, para além das várias réplicas que têm vindo a ser assinaladasna região, o próprio planeta ainda está a vibrar devido à potência doabalo.«Isto não são coisas que nos façam cair da cadeira», esclareceu oinvestigador australiano Herb McQueen, numa entrevista dada à agêncianoticiosa Reuters e divulgada em vários jornais. «Mas estão certamenteacima do nível de vibração que estamos habituados a registar normalmente.»---------------------

Dois mil corpos por dia

Sismo na Ásia
Dois mil corpos por dia
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24748880
10 de Janeiro de 2005

Cerca de dois mil corpos por dia é a média de cadáveres que osfuncionários humanitários continuam a encontrar em zonas destruídas dacosta ocidental de Samatra, duas semanas depois das ondas gigantes quevarreram aquela zona da Indonésia, indicou hoje um responsável da CruzVermelha.«É um número alarmante e demonstra que a fase de emergência ainda nãoterminou», referiu Markku Niskala, secretário-geral da Federação da CruzVermelha.Os balanços mais recentes apontam para um número superior a 104 mil mortosna Indonésia em resultado do maremoto de 26 de Dezembro.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Número corrigido

Erro no registo na Indonésia dava conta de mais 12 mil mortos
Sismo na Ásia: número de mortos corrigido para 153 mil
http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1212517&idCanal=90

Um erro no registo das vítimas do maremoto de 26 de Dezembro fez com quetivesse sido anunciado esta manhã que o número total de mortos ascendiaaos 165 mil, mas as autoridades esclarecem que na Indonésia morreram101.318 pessoas, o que aponta para um total de 150 mil mortos.Segundo as autoridades indonésias, houve um erro na contabilidade donúmero de vítimas numa aldeia de Aceh, onde morreram 12 pessoas. Mas onúmero que chegou à contabilidade geral foi 12 mil, pelo que o balançoglobal chegaria aos 165 mil mortos.Assim, reposta a verdade nas contas, pelo menos 153 mil pessoas morreram e20.451 desapareceram após o maremoto no sudeste asiático. Peter Dejong/APHouve um erro na contagem dos mortos num aldeia indonésia

Silêncio

Portugal falha silêncio europeu
http://dn.sapo.pt/2005/01/06/sociedade/portugal_falha_silencio_europeu.html
POR Ângela Marques
6 de Janeiro de 2005

os relógios não marcaram os minutos de silêncio
em memória das vítimas
a homenagem falhou
alguns orgãos noticiaram às 11.00
na maioria dos países aconteceu às 12.00
a interrupção da música que sai dos altifalantes
mas poucos cidadãos

milhões de pessoas deixaram os escritórios
lojas, escolas, ruas
a televisão emitiu, sem som
imagens das áreas
os comboios regionais atrasaram-se um minuto para o gesto simbólico
as autoridades anunciaram que o dinheiro será doado

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Os actores secundários

Os actores secundários no cenário iraquiano
Ninguém sabe quantos são e quem os regula. Muitos acusam-nos de serem«mercenários»
http://dn.sapo.pt/2005/01/03/internacional/os_actores_secundarios_cenario_iraqu.html
POR Patrícia Viegas, AP-Washington Post
3 de Janeiro de 2005

Abu Ghraib. Funcionários de empresas privadas participaram eminterrogatórios e torturas nesta prisão iraquianaGarantir a protecção de altos funcionários civis; vigiar oleodutos eoutras infra-estruturas; fazer a segurança de transportes não militares;facilitar o trabalho de companhias - como as de telecomunicações ouconstrução civil - que procuram novas oportunidades de negócio; ajudar afazer traduções. Estas são algumas das tarefas desempenhadas pelos agentesque estão no Iraque ao serviço das empresas militares privadas (EMP).Espalhados por todo o país, em locais como o aeroporto ou a Zona Verde,ninguém consegue precisar quantos são no total. David Isenberg, numrelatório recentemente divulgado pelo British American SecurityInformation Council (BASIC), descreve-os como «actores secundários» noIraque.Isenberg, autor de Uma Mão Cheia de Contratados O Caso para Uma AvaliaçãoPragmática das Empresas Militares Privadas no Iraque, esclarece «As EMPnão constituem o segundo ou terceiro maior exército no país, pois nãoestão coordenadas como um todo, nem envolvidas em operações ofensivas.»Mas observadores insistem em classificar os contratados como«mercenários», exigindo que sejam descritas ao pormenor as tarefas quedesempenham no terreno, em que circunstâncias podem fazer uso das armas ea quem prestam contas pelos seus actos.O envolvimento de, pelo menos, três dezenas destes «soldados privados» nosinterrogatórios de Abu Ghraib, confirmado pelos relatórios Taguba eJones-Fay, agudizou a discussão em torno do papel das EMP e do estatutodos seus funcionários. A falta de segurança no pós-guerra fez aumentar aprocura dos serviços das EMP, sendo previsível, refere Isenberg, que elaspermaneçam no terreno durante mais anos. Mas a insegurança atinge todos ea verdade é que os iraquianos e os estrangeiros, contratados por estasempresas, têm sido as principais vítimas dos raptos e decapitaçõesperpetrados por grupos radicais a actuar no país. O que nem sempre érevelado.O jornalista Robert Fisk, num artigo no The Star, explica que ascompanhias raramente comunicam as suas baixas e quando o fazem - como nocaso dos funcionários da Blackwater assassinados e mutilados em Fallujahem Março - é porque as mortes são noticiadas e passam a ser do domíniopúblico.retrato. Estima-se que o número de funcionários das EMP, após a retiradadas forças estrangeiras do Iraque, possa chegar aos 30 mil. A lista da CPA(Autoridade Provisória da Coligação que governou o Iraque até Junho)falava em 20 mil.Este número inclui americanos, iraquianos e indivíduos de outrasnacionalidades britânicos, nepaleses, chilenos, ucranianos, israelitas,sul-africanos, indianos, colombianos, argelinos, etc... Têm entre 30 e 40anos e são, geralmente, ex-militares e antigos membros de forças de elitecomo os Special Air Services ou a Força Delta. E podem chegar a receber900 dólares (mais de 600 euros) diariamente.Estatuto. O estatuto das PMC e dos seus funcionários é, à luz do direitointernacional, algo ambíguo. Este proíbe a figura do mercenário, definidocomo alguém que participa num conflito armado a troco de dinheiro, mas asempresas tentam afastar-se dessa imagem definindo-se como «consultoraspara a área da segurança». A solução pode passar, como avançou oInternational Herald Tribune, não por banir as companhias privadas, maspelo seu controlo através da lei nacional e internacional, para assegurarque os seus serviços não possam ser alargados a situações activas decombate.No caso do Iraque, antes de entregar a soberania aos iraquianos, oadministrador Paul Bremer tornou a Ordem 17 da CPA mais abrangenteconcedeu aos prestadores de serviços uma isenção à lei iraquiana enquantodesempenham as suas funções. O que inclui, como revelou o El País, osagentes privados que têm o direito de usar armas, pelo menos até queexista um Governo eleito no país.problema. A oferta de salários elevados, explica Isenberg, está a provocarum verdadeiro êxodo das forças armadas nacionais, à medida que as EMP sãochamadas a desempenhar um papel na luta contra o terrorismo. A competiçãocom as forças de elite é tão feroz que alguns países vêem-se obrigados aoferecer novos incentivos.