"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, outubro 31, 2006

As novas sete maravilhas

“Eleja as Novas Sete Maravilhas do Mundo e faça parte da génese da história”.
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=371504
31 de Outubro de 2006


pertencem ao passado
à excepção de três pirâmides, nenhuma existe

até agora (nos últimos dois mil anos)
não houve acordo
os candidatos:

uma acrópole, atenas
ruínas no camboja
basílica na turquia
um castelo na alemanha
uma pirâmide existente no méxico

um coliseu
um cristo (redentor)
uma estátua (de uma liberdade)
várias outras estátuas numa ilha
a grande muralha da china, na própria china

uma praça vermelha, uma ópera e mais três pirâmides
(as três existentes no egipto)
um círculo de pedra e um monumento ao amor
(em sítios diferentes)

sábado, outubro 28, 2006

É preciso encarar o apocalipse

É preciso encarar o apocalipse para poder encontrar soluções
http://dn.sapo.pt/2006/10/28/artes/e_preciso_encarar_o_apocalipse_para_.html
Entrevista a Jean-Pierre Dupuy, filósofo
28 de Outubro de 2006


o terramoto
uma bomba (mas em hiroxima)
uma data (11 de Setembro)
as catástrofes são momentos que alteram a visão
a maior está para breve
(para este século)

se não mudarmos, avisa
a fuga e a tecnologia não são as melhores soluções
nem acreditar
o fim próximo da humanidade é bastante assustador
existem perigos
o clima vai ser muito grave
a manipulação das matérias pequenas junto do átomo
a cegueira e a lucidez
há um filósofo alemão que fala da cegueira
(um tema importante)
apesar disso, não acreditamos

não fazemos nada
não acreditamos
eu tenho a certeza, eu vou morrer
a maioria das pessoas não tem certezas
estamos a falar no fim da humanidade
somos responsáveis quando falamos
os primeiros sintomas vão ser guerras e falta de água
movimentos de populações
uma violência
somos responsáveis
refiro-me ao orgulho
é necessário mais modéstia na arte
não é só arte
como evitar apocalipses?
conheço a solução errada
se conhecesse a solução seria o rei do universo
acreditamos num milagre
se conhecesse outras soluções salvava-me

uma história
no início do século XX havia um problema de acumulação
mas substituíram os cavalos
como se define uma catástrofe?
é uma palavra grega


o momento final da tragédia muda o sentido
o momento da revelação, no cinema
como se diz revelação em grego?
apocalipse
é um sentido diferente
este suicídio não é uma fatalidade
sou optimista
temos a possibilidade de escapar
a humanidade poderá acabar

sexta-feira, outubro 27, 2006

Uma invenção do oriente

"A democracia é uma invenção do Oriente"
http://dn.sapo.pt/2006/10/27/artes/a_democracia_e_invencao_oriente_entr.html(Entrevista a John Keane, professor de política) Isabel Lucas Diana Quintela (foto)

Era uma das intervenções mais aguardadas dos três dias de conferência na Gulbenkian. Será a democracia um ideal universal? John Kean reconhece a rasteira da interrogação e vai respondendo com os novos desafios que se colocam aos defensores deste sistema político. Que abram os olhos à mudança, avisa, alertando ainda para as ameaças: terrorismo, guerra, império, tráfico de armas, exclusão social.Quando poderemos ler a sua história da democracia?Este livro tem sido a minha amante há seis anos. Acabo-o no próximo ano e será publicado na Primavera de 2008 em Inglaterra e nos EUA. Irá coincidir com as eleições legislativas e presidenciais, respectivamente. É um livro muito extenso.Quantas páginas?800 páginas, com muitas fotografias. É uma sinopse para o público em geral e não só para académicos. Tentei escrevê-la com personagens, acção e enorme atenção à ironia. Temos de rir da democracia?Claro. Tem tanto de absurdo...Por exemplo?Se olhar para as instituições básicas da democracia, nenhuma foi criada em nome da democracia. Um dos meus absurdos preferidos é o voto secreto. É uma invenção australiana. Até 1850, todas as eleições na América, Europa e Austrália eram abertas e se eu queria ser candidato tentava persuadir alguém a votar dando álcool ou comida, dinheiro, ou ameaçando. Os arquitectos do voto secreto eram protestantes e não gostavam do alcoolismo. Pensavam que se houvesse um método de tornar privado o voto ninguém saberia em quem se votava, o que cortaria a relação entre álcool (suborno) e voto. Mais: imaginavam que o acto de estar sozinho com a sua consciência num lugar privado com um pedaço de papel era um pouco como rezar, estar diante de Deus, com a sua consciência. É a primeira história da democracia escrita em cem anos.A última foi escrita por um americano, Nahum Capen, depois da Guerra Civil Americana e do que consideravam ser uma vitória da democracia americana contra a escravatura. Ele tinha a ideia de que a democracia era uma dádiva de Deus e que essa dádiva tinha a sua melhor concretização nos EUA. Que revelações traz este seu livro?Haverá muitas surpresas e algumas coisas chocantes. Por exemplo, a história que se vende é a de que a democracia nasceu em Atenas. Não é verdade. A democracia é uma invenção do Oriente e nunca do Ocidente. Isto pode ser muito surpreendente, mas será uma tese bem documentada.Divide a história da democracia em três fases. Como define a actual?Chamo-lhe democracia complexa, mas pode ser chamada "democracia representativa de proximidade". O primeiro indício da mudança é a democracia indiana, uma nova democracia complexa que sobrevive e marca a Índia como modelo. Acontece num contexto multirreligioso, multilinguístico, ou noutras palavras, onde as fundações sociais do poder não são homogéneas. O multiculturalismo é o centro desta democracia. Esta nova forma engloba multiculturalismo e o respeito e tolerância por diferentes identidades. Estamos a assistir ao declínio da ideia de um povo homogéneo. Isso é ficção e má ficção que mostra os abusos da história da democracia. Nesta nova fase há um enfraquecer da ideia de um povo igual com todo o poder e legitimidade.A democracia é um ideal universal?É uma questão espinhosa. À partida diria que é universal. Porquê? Porque na China, em Singapura, na Indonésia, Uruguai, Brasil, África do Sul, Nigéria, na União Europeia, nos EUA, toda a gente fala de democracia, todos são democratas. Há algo de estranho neste consenso e mais estranho ainda é que ninguém faça a pergunta: porque é que a democracia é tão boa?Tem uma resposta?Todas as justificações da democracia supõem que há um Primeiro Princípio que é absolutamente verdade: Deus, História, Utilidade, Nação. Isso é antidemocrático. Devemos democratizar o ideal de democracia, torná-la mais humilde. A democracia não é um Primeiro Princípio, é antes a condição da possibilidade, uma liberdade contra primeiros princípios e arrogâncias. É uma maneira de pensar, uma maneira de ser, com uma série de instituições e linguagem que garanta pluralismo de valores e modos de vida. A democracia devia ser a campeã da humildade. Quando intitula o livro Life and Death... pressupõe que há ameaças. Entre as maiores está a "guerra" e o "império". Uma das grandes questões é o comportamento dos EUA.Representa uma ameaça?Potencialmente. É o primeiro império global, opera nos quatro cantos do mundo, tem bases militares em mais de cem países, capacidade de estar em várias guerras em simultâneo, controla parte da indústria de telecomunicações e por aí fora e faz o que faz em nome da democracia. Muita gente não gosta de democracia por confundir democracia com o estilo americano de governar. A questão para mim é a de como o império americano pode ser democratizado. É bom que os defensores da democracia acordem para o que é novo e inventem o potencial da democracia, com uma representatividade mais complexa, comprometida com a prevenção da alienação, da estupidez, da fome. Para muitas destas ameaças não temos solução.Em conclusão, é pessimista em relação ao futuro da democracia.Não sei se consegue traduzir isto, mas sou um "possumista". Vem do latim possum, que significa 'eu posso'. Tendo em conta a longa história da democracia, ser optimista é ser tonto.

domingo, outubro 15, 2006

Nos 200 anos da batalha de Iena
http://dn.sapo.pt/2006/10/15/internacional/nos_anos_batalha_iena.html
15 de Outubro de 2006

Mais de 1300 nostálgicos vindos de toda a Europa concentraram-se ontem no antigo campo de batalha perto da cidade alemã de Iena, fardados a rigor, para reconstituírem a vitória da "Grande Armée" (o Grande Exército) de Napoleão sobre os (então) fracos prussianos. A reconstituição foi bem mais divertida do que o combate original. Tirando dores de cabeça e alergias ao fumo, não há notícia de ferimentos. Os 30 mil turistas presentes não deram por mal gasto o preço do bilhete (entre 8 e 60 euros).Há 200 anos, os acontecimentos foram mais dramáticos. A fuzilaria deixou 30 mil a 50 mil soldados mortos ou feridos. Um quinto a um terço de baixas, pois os dois exércitos somavam 150 mil homens. A pólvora foi autêntica. Napoleão era autêntico.Ontem, os uniformes eram apenas cópias rigorosas; os canhões faziam barulho, mas só disparavam pólvora seca. Verdadeira, só mesmo a banda de música, reunida à pressa para satisfazer o imperador, um actor americano com forte sotaque, que gritou convictamente "La victoire ou la mort". O público, maioritariamente alemão, assistiu a uma copiosa derrota prussiana e os figurantes, vindos de toda a Europa, reproduziram as geniais manobras de Napoleão. Em 1806, venceram os franceses, consumando a construção de um império vasto, mas efémero. Em 2006, houve cerveja, salsichas, e os nostálgicos gritaram "Vive l'Empereur!" num francês duvidoso. No fim, ganharam todos, como devia ser sempre.LN

terça-feira, outubro 10, 2006

Humanos estão a explorar recursos em excesso
Terra está em saldo negativo ecológico desde ontem
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1272812&idCanal=96
10.10.2006 - 09h04 PÚBLICO

Se é um consumista inato ou simplesmente gosta do conforto ocidental, preste atenção a este dado: desde ontem, a conta ecológica da Terra entrou em saldo negativo. Por outras palavras, a partir de agora e até ao fim de 2006, os seres humanos estarão a explorar mais recursos naturais do que aqueles que podem ser renovados num ano civil.
O cálculo exacto do dia do ano em que a Terra passa a estar em débito ecológico é uma derivação da "pegada ecológica", que estima qual a área do planeta que cada pessoa precisa para suportar o seu estilo de vida. Outro conceito é o da biocapacidade de renovar os recursos - de uma cidade, uma região, um país ou da Terra como um todo.Segundo os últimos cálculos da organização não-governamental Global Footprint Network, cada português precisava, em 2002, de 4,2 hectares de recursos do planeta. Mas o país só tinha capacidade para suprir 1,7 hectares por pessoa. Por habitante, havia então um débito de 2,5 hectares.Com base neste tipo de dados, a New Economics Foundation (NEF), outra organização não-governamental, passou a determinar o dia exacto em que o salário ecológico anual da Terra termina. E "o dia em que a humanidade começa a comer a Terra", como define um comunicado da NEF, ocorre cada vez mais cedo. Em 1987, o "dinheiro" acabou em 19 de Dezembro. Em 1995, a data estava já em 21 de Novembro. E este ano a conta entrou no vermelho ontem, 9 de Outubro."A humanidade está a viver do cartão de crédito ecológico e só o pode fazer liquidando os recursos naturais do planeta", resume Mathis Wackernagel, director executivo do Global Footprint Network.

domingo, outubro 08, 2006

Repetir letras do alfabeto é sinal de competência na leitura e na escrita
http://dn.sapo.pt/2006/10/08/sociedade/repetir_letras_alfabeto_e_sinal_comp.html
Elsa Costa e Silva
8 de Outubro de 2006

A, b, c, d... x, z. Quantas letras do alfabeto conseguem dizer as crianças num minuto? Cerca de 15 perto do final do 1.º ano, e à volta de 40 no final do 1.º ciclo. Mas parece claro que a produção automática das letras do alfabeto não fica consolidada apenas com quatro anos do ensino básico, ainda que o desempenho das crianças progrida ao longo dos anos. Mais: de acordo com um estudo do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (UP), esta é uma tarefa útil na identificação de dificuldades de aprendizagem, já que as crianças sinalizadas têm um desempenho significativamente pior.Este Grupo de Investigação da Linguagem da UP - coordenado por São Luís Castro e em colaboração com seis técnicas do serviço de pediatria do Centro Hospitalar do Alto Minho - comparou um conjunto de 52 crianças, referenciadas e seguidas por dificuldades de aprendizagem, com perto de 200 alunos do 1.º ciclo.Para além da produção rápida de letras no período de um minuto, a investigação avaliou ainda a sequência correcta das letras, de forma a detectar perturbações na ordem. Um trabalho que, refere Rui Alves, do grupo de investigação, não estava até agora referenciado na literatura portuguesa.Contudo, esta é uma tarefa internacionalmente considerada adequada para avaliar questões como competência ortográfica e dificuldades de aprendizagem. "Tem muita relevância para o domínio da escrita", explica Rui Alves, acrescentando ainda fazer sentido que esta tarefa seja discriminativa, já que se trata da peça básica para a automatização da escrita e da leitura. Quem tem domínio sobre o alfabeto, "passa a ter espaço mental para outras competências, como planeamento do discurso, e pode produzir textos com outra qualidade", adianta ainda o investigador.Ou seja, o domínio sobre o alfabeto "é um bom preditor da competência ortográfica e da produção de textos". E o facto de uma criança com cinco ano - ou seja, antes de entrar para o primeiro ciclo - conhecer já algumas letras "é um sinal de que poderá ser bem sucedida na aprendizagem".No entanto, os investigadores notaram também que a progressão das crianças, no grupo dito normal do ensino básico, não foi linear. Ou seja, "existia a expectativa de encontrar neste conjunto um perfil de desempenho em escada, do primeiro ano para o quarto". Mas não foi isso que os investigadores verificaram: "Do primeiro para o segundo ano há um grande crescimento, mas depois pára", sendo que o desempenho é mesmo melhor no terceiro do que no quarto ano." Uma possível explicação poderá ser a de que os professores não insistem no alfabeto, depois de as crianças serem iniciadas em todas as letras.Mas na produção automática do alfabeto "há influências positivas da repetição, ainda que não seja preciso muito", explica também Rui Alves. O ideal, esclarece ainda, "é que as crianças tenham experiências variadas de escrita, desde letras, palavras isoladas, até textos".