Estudo publicado na PNAS
Intolerância ao leite de vaca acompanha-nos desde o Neolítico
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1286805
27.02.2007 - 14h01 PUBLICO.PT
Se é intolerante à lactose, ou pelo menos não se sente bem após beber um copo de leite, e pensa que a sua condição é anormal, não podia estar mais enganado.
O normal é não nos darmos bem com o leite de vaca. E essa característica já nos acompanha há uns milhares de anos, pelo menos desde o período Neolítico, diz um grupo de investigadores na última edição da revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS).O estudo de vestígios de humanos do período Neolítico na Europa levaram os cientistas do University College de Londres e da Universidade de Mainz, na Alemanha, a concluir que, àquela época — que acabou há seis mil anos — era generalizada a intolerância ao leite de vaca e que o gene responsável por desmanchar as moléculas da lactose mais duras para o nosso estômago é um bom exemplo da evolução genética em acção. "É talvez o aspecto da evolução genética que mais vantagem teve para os humanos nos últimos 30 mil anos", defende Mark Thomas, coordenador da equipa.A equipa constatou que no ADN de esqueletos de humanos do Neolítico não se verificava a presença do gene necessário para a digestão do leite na perfeição. Esse gene activa a produção de uma enzima, a lactase, que parte, ou simplifica, as cadeias da lactose (um açucar do leite, uma das principais moléculas constantes na sua composição).Sem a presença da lactose, beber um simples copo de leite pode ser uma experiência muito desconfortável, que se traduz normalmente em vómitos, contracções do estômago muito dolorosas e até diarreia.Para a equipa, o dado mais interessante do estudo tem a ver com o facto de ficar aqui definido que a tolerância à lactose é algo conquistado pelo homem há menos tempo do que se pensava, talvez quando os humanos se estabeleceram e começaram a criar gado, numa estrutura parecida com as actuais quintas. Nessa altura o consumo do leite de animais saudáveis seria mais vantajoso uma vez que era um elemento menos exposto à contaminação do que a água. Terá sido então que os humanos tolerantes à lactose começaram a ser predominantes, por uma questão de selecção natural.Actualmente aqueles que evoluíram geneticamente e conseguem experimentar os benefícios da lactose, ou seja, beber um bom copo de leite sem sofrer, representam 90 por cento das pessoas, diz o estudo.
