"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, novembro 19, 2007

Greenpeace vai seguir frota de baleeiros
Japão volta a caçar baleias de bossa
http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/170292
19 de Novembro de 2007


Em nome da investigação científica os nipónicos vão caçar cerca de mil cetáceos até Abril de 2008, entre eles a vulnerável baleia de bossa. Os ambientalistas já prometeram ir dar luta.
Pedro Chaveca
15:20 Domingo, 18 de Nov de 2007






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Reuters
O Nisshin Maru e os outros quatro navios deverão regressar em Abril
Uma frota de quatro baleeiros japoneses, liderada pelo gigante de oito mil toneladas, Nisshin Maru, levantou hoje ferro em direcção ao Pacífico Sul. Aí deverá permanecer até meados de Abril de 2008, quando tiver nos porões a carne de cerca de mil cetáceos, a maioria baleias anãs, mas pelo menos 50 serão baleias de bossa, uma espécie protegida e que já esteve à beira da extinção.
Embora a caça com motivos comerciais esteja proibida desde 1986, Tóquio contínua a caçar baleias, alegadamente para fins científicos. Uma justificação que custa a vida a cerca de um milhar de cetáceos todos os anos e que não convence os activistas de muitas organizações ambientais, entre elas a Greenpeace.
"É claramente um disfarce do governo japonês para que o país volte a caçar baleias com fins comerciais", sugeriu Karli Thomas, membro da tripulação do Esperanza, o navio da Greenpeace que irá seguir a frota de baleeiros. Uma das medidas que a organização vai realizar para chamar a atenção do mundo para o que se está a passar.
Animais muito sensíveis
"A frota de baleeiros deve ser chamada de volta imediatamente. Se não for, nós tomaremos medidas não violentas para tentar acabar com a caça", avisou Thomas. Este protesto está a regimentar muitos activistas, pois também tem como objectivo censurar o abate de cerca de meia centena de baleias de bossa, uma espécie que os cientistas consideram seriamente ameaçada e que não era caçada desde meados dos anos 60 do século passado.
"As baleias de bossa são muito sensíveis e vivem em grupos bastante unidos, por isso uma só morte pode causar danos irremediáveis", sublinhou outro activista da organização.
Pouco ou nada preocupados com estas acusações, os japoneses alegam que a população de baleias de bossa já se encontra recuperada e em franco crescimento: "As baleias que temos investigado estão a recuperar rapidamente. E não vai haver qualquer impacto se abatermos 50 num universo de dezenas de milhar", resumiu o Hideki Moronuki, porta-voz da frota pesqueira.
As pressões que vêm de Tóquio
Moronuki sublinhou ainda que a morte das baleias tem permitido aos biólogos marinhos descobrir mais sobre a estrutura interna destes animais. E recusou quaisquer fins comerciais para a caçada que irá durar até 2008.
Investigação científica ou não, certo é que a carne de baleia é uma iguaria apreciada pelos japoneses, que não raras vezes acaba na mesa de alguns restaurantes, ou a ser vendida em mercados.
Tóquio continua a argumentar que a caça à baleia é uma tradição ancestral e são muitas as pressões feitas junto da Comissão Internacional para a Pesca da Baleia, para que seja levantada a suspensão do abate destes animais para fins comerciais.
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