a urgência de babilónia
Babilónia tem de ser restaurada com urgência
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12.07.2009, Sofia Lorena
A lendária capital da Suméria recebeu uma base militar norte-americana e foi "seriamente danificada"
Erguer uma base militar na cidade arqueológica da Babilónia é "como estabelecer um campo militar em redor da Grande Pirâmide do Egipto ou à volta de Stonehenge, no Reino Unido", escreveu-se em 2005 num estudo do Museu Britânico. A verdade é que em 2003 e 2004 ali funcionou uma base militar, primeiro norte-americana e depois polaca, e os estragos que ela provocou, diz agora a UNESCO, têm de ser resolvidos com urgência.
"Sem apontar dedos, temos um retrato claro da situação", afirmam os autores do novo relatório, do comité internacional para a salvaguarda da herança cultura iraquiana. "A presença na cidade implicou estabelecer uma zona militar, com fortificações e medidas defensivas que causaram estragos directos e indirectos", explica-se.
Há os tijolos esmagados em nove dos corpos de animais que adornam a Porta de Ishtar, estragos devidos à construção de estacionamentos e depósitos de petróleo, uma estrada que foi aberta até à zona dos templos, materiais arqueológicos retirados do contexto para dar lugar a barreiras de segurança e trincheiras. E estragos que se imaginam mas não se podem confirmar, já que boa parte da cidade está por escavar. "Várias zonas" foram "niveladas e cobertas de areia e gravilha", e nalguns casos ainda "tratadas com químicos", antes de o solo ser compactado por "equipamento pesado", o que "pode ter destruído quaisquer antiguidades no subsolo". "Os efeitos dos químicos nas camadas subterrâneas não são ainda conhecidos".
A Babilónia, ocupada a 21 de Abril de 2003, já tinha sido pilhada: foram roubados e destruídos objectos da biblioteca e dos arquivos da cidade e ainda dos museus com os nomes de dois reis que a governaram, Nabucodonosor (604-562 a.C.), o construtor dos jardins suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e Hammurabi (1792-1750 a.C.), autor do primeiro código de leis do mundo.
Entre os estragos, a prioridade vai para a Porta de Ishtar e para o Caminho Processional, parcialmente esmagado por tanques e helicópteros. Cabe ao Conselho das Antiguidades e do Património Iraquiano "realizar intervenções de urgência: restaurar os templos de Ninmah, de Nabu-sha-Hare, de Ishtar e o muro da cidade interior". Depois, é preciso pensar na "reabertura parcial". E assim, a cidade da antiga Mesopotâmia, "indiscutivelmente um dos mais importantes lugares arqueológicos do mundo", poderá integrar a Lista do Património Mundial da UNESCO.

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