"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

domingo, abril 30, 2006

A paciente viva

"Freud salvou-me", recorda a última paciente viva do pai da psicanálise
http://dn.sapo.pt/2006/04/30/sociedade/freud_salvoume_recorda_a_ultima_paci.html
30 de Abril de 2006
Diário de Notícias

aos 88 anos a escultora tem intacta a memória de um homem
o especialista mais famoso chamava-se freud
e curou-a em 45 minutos
é a última paciente ainda viva

foi a única pessoa que me escutou", garante a escultora, que vivia subjugada por um pai autoritário. "Freud é a chave da minha vida. (...) Abriu em mim uma porta que ninguém tinha querido abrir antes", conta Margarethe ao Die Zeit, sublinhando ter "saboreado tudo" o que Freud lhe transmitiu. " Essa fonte de alimentação da alma nunca se esgotou em 70 anos. Salvou-me a vida."
Nesse ano de 1936 do século passado, Freud estava já na recta final da sua vida. Morreria três anos depois, já no exílio, em Londres, logo após o início da II Guerra Mundial.Para trás ficava uma vida de trabalho original sobre a mente humana, que o médico de Viena foi sempre reelaborando e transformando, e que acabou por revolucionar a história do pensamento, repercutindo-se até hoje nas ciências, nas artes e na cultura. Da linguagem comum à literatura, das manifestações artísticas às correntes filosóficas, os conceitos psicanalíticos são hoje indissociáveis da cultura ocidental, ainda que muitos dos seus agentes o rejeitem com fúria, ou o senso comum lhes deturpe o significado, ao sabor dos pequenos conflitos quotidianos.Mas, nesse ano distante de 1936, Margarethe Walter ainda não podia saber nada disto. Sabia, isso sim, que se sentia só, "muito oprimida, fechada e certamente não amada". Vivia então com o pai, "muito autoritário", de quem era "completamente dependente". O seu encontro com Freud, embora curto, foi libertador. Margerethe recorda "um homem muito velho, mas cheio de força". Tinha "uma pequena barba branca, um fato cinzento e estava um pouco curvado".O relato da escultora prossegue, sempre vívido. "Olhou-me de frente nos olhos, profundamente." Depois encorajou-a a desligar-se do pai, que a acompanhava nessa consulta, e a quem ele próprio pediu na ocasião para "sair da sala". Freud disse então as palavras mágicas, segundo a sua última paciente viva: "Para se chegar a adulto é preciso atender aos desejos, alimentar a contradição, colocar a questão do 'porquê', não aceitar tudo em silêncio". A julgar pela memória que guarda desse encontro decisivo, Margarethe deve ter seguido o conselho. Mas não conta como o fez.

Água da chuva

Crianças vítimas do 'Katrina' têm medo de tomar banho e da água da chuva
http://dn.sapo.pt/2006/04/30/sociedade/criancas_vitimas_katrina_medo_tomar_.html
30 de Abril de 2006
Diário de Notícias

de cada vez que entro na banheira vou-me afogar
antes de abrir e de sentir a água a subir pelas pernas
não adianta a avó garantir que não vai aconteer nada de mal
nao podemos contar com os que nos amam
quando uma onda enorme
destroi o telhado e as paredes
e nao sabemos nadar


650 famílias estudadas continuam a morar em habitações precárias
as crianças não reagem todas da mesma maneira
os adolescentes apercebem-se que vai demorar até regressar a casa
se isso acontecer
os pequenos perdem brinquedos
preferidos

aprendida a lição, depois da tempestade
guardemos os tesouros numa mala
que levamos para todo o lado
e se houver outro furacão?

as crianças desta idade enfrentam pesadelos

e dores de barriga
voltam a pedir colo
nao confiam nos pais
casas destruídas só acontece em contos de fadas
(como na história dos três porquinhos
agora tudo pode acontecer
com um sopro

quando o pai vai dormir
fica a rondar o quarto e abre a porta para ver se ele está bem
chora desesperada quando a mãe se afasta
e difícil acalmar uma criança que viu árvores a caírem ao pé de casa
o barulho de um monstro

ainda hoje
sempre que chove
esconde-se debaixo da mesa

Por buda

30-04-2006 - 09:31
Saltar por Buda
Público, 30 de Abril de 2006

os festejos começaram
no aniversário do buda
os soldados não são excepção à alegria e saltam contentes
perto do templo

quarta-feira, abril 26, 2006

O dicionário

Falta verba para actualizar o Dicionário da Academia
http://dn.sapo.pt/2006/04/26/artes/falta_verba_para_actualizar_o_dicion.html
26 de Abril de 2006
POR José Mário Silva José Carlos Carvalho

em que se encontram os trabalhos do dicionário?
mantém-se actualizado
no essencial
além das mudanças
da consulta mais prática
do aumento de 70 para 90 mil palavras
de dois para três volumes


a equipa, parada
poderia voltar com um diccionário escolar
mas o antigo dicionário tem falhas
e precisa de ser aumentado
um dos problemas tem a ver com as palvaras estrangeiras
seriam usadas, as palavras novas?
quanto às críticas
a maior parte veio de pessoas que lêem
que não compreendem a lógica do diccionário

há problemas nas listas de palavras
um maior cuidado com o vocabulário
integrando termos como 'pessoano', 'ficcional' e 'recarregável'.
deve ser ousado
até porque uma palavra pode ser sempre retirada
na edição seguinte

sábado, abril 22, 2006

Perda

Perda da memória em idosos pode ser combatida
http://dn.sapo.pt/2006/04/22/sociedade/perda_memoria_idosos_pode_combatida.html
22 de Abril de 2006
Elsa Costa e Silva Hernâni Pereira

Odeclínio de memória nos idosos pode ser revertido. Um estudo realizado num centro de dia mostra que, quando submetidos a exercícios de estimulação cognitiva, os mais velhos conseguem melhorar o seu desempenho. A falta de uso mental é a grande responsável pelos défices da população idosa, contudo, esta é uma área a descoberto: faltam programas dirigidos para a "ginástica" mental e a preocupação da comunidade em geral está ainda mais vocacionada para o exercício físico ou actividades lúdicas.Realizado no Porto, por Maria José Peneda (no âmbito de um mestrado orientado por Constança Paul, directora da Unidade de Investigação e Formação em Adultos e Idosos - Unifai), o estudo de treino da memória envolveu pessoas com idades entre os 65 e os 84 anos, divididas em dois grupos de características semelhantes. No conjunto de idosos submetido a sessões de estimulação cognitiva, a partir de um computador, a investigadora registou melhores resultados. E assim, defende ser "vital a estimulação nos mais velhos para o uso das capacidades e competências cognitivas no caminho da autonomia e da velhice com sucesso". Uma medida que "contraria o declínio das mesmas, por falta de uso".Contudo, a estimulação cognitiva não precisa de ser feita no âmbito de programas específicos de objectivo terapêutico. Nem deve. A ideia, explica Constança Paul, deve ser "integrá-la no dia-a-dia de uma forma que faça sentido, simpática e divertida". O problema da velhice não é, muitas vezes, a doença, mas a falta de uso, determina o conceito de "envelhecimento activo" da Organização Mundial de Saúde. Porque se determinadas capacidades não são exercitadas, vão ser inevitavelmente perdidas.Constança Paul assinala a inexistência de programas no terreno para manter activos os idosos do ponto de vista mental e cognitivo. "Há mais preocupação com a actividade física e a estritamente lúdica, ainda que nenhuma destas vertentes seja trabalhada o suficiente. Há poucas actividades significativas. E o objectivo deveria ser acções integradas", defende, afirmando ainda que "deveria ser dada prioridade à visão e audição, o que não está acautelado."Também Nelson Lima, do Instituto da Inteligência, adianta que "a sociedade cultiva a imagem do corpo e falta um neurofitness, para nos tornamos mais ágeis". A alimentação cuidada que serve o culto do físico também ajuda, afirma este psicólogo, e é preciso "mais cuidados com o sono, porque a nossa sociedade não dorme o suficiente". O problema, diz, "é que os médicos sugerem sobretudo actividade física e não estão sensibilizados para a importância do exercício mental".A actividade é vantajosa, diz a directora da Unifai, também em quadros demenciais como na doença de Alzheimer, para retardar o declínio. Celso Pontes, director de neurologia do Hospital S. João, confirma: "A ginástica mental melhora a vivência do doente e há vários patamares de neuroestimulação, como fazer uma agenda e programar o presente."Por outro lado, a institucionalização em lares só deve ser aplicada a idosos que precisam de cuidados diários e estes só podem ser ministrados em função das necessidades. Num estudo mais antigo, Constança Paul assinalou uma perda significativa de competências nas pessoas institucionalizadas, quando comparadas com idosos inseridos nas comunidades. "Temos aí um declínio induzido pelo ambiente. Num lar, nada promove a autonomia", explica.Em Portugal, estima, haverá perto de 70 mil idosos institucionalizados. Mas há 1,7 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o que significa que a grande maioria "anda na sua vida, a lutar com a reforma, para saber se tem dinheiro para comprar o pão", diz Constança Paul. Há, contudo, um problema sério com a população idosa portuguesa: uma parte muito significativa é analfabeta ou iliterata. O que limita o âmbito de intervenção em áreas de treino mental.Mas "a estimulação cognitiva é absolutamente essencial e há muito a fazer", defende a investigadora. Por isso, diz, "seria prioritária uma intervenção neste campo. E quanto mais cedo, melhor." Em causa está a autonomia do idoso. Por isso, é importante que as famílias "preservem a sua participação nas decisões".

sexta-feira, abril 21, 2006

Pessoas de todo o mundo felizes

Pessoas de todo o mundo felizes com sexo na meia-idade
http://dn.sapo.pt/2006/04/21/sociedade/pessoas_todo_o_mundo_felizes_sexo_me.html
21 de Abril de 2006

é o fim de um velho
muitos pensavam que o sexo pode ser bom
e contrariamente

não há um obstáculo na satisfação
há pessoas de oitenta anos felizes
e mais em países maiores
o médico surpreende-se com a satisfação nos últimos doze meses

em todos os países
os homens são mais felizes do que as mulheres
as mulheres são sensíveis
os homens precisam de menos tempo
na áustria oitenta por cento estão satisfeitos
já menos sorte tem o japão

terça-feira, abril 18, 2006

Vizinhança

Felinos de circo rugem e assustam vizinhança
http://dn.sapo.pt/2006/04/18/cidades/felinos_circo_rugem_e_assustam_vizin.html
18 de Abril de 2006
POR Daniel Lam Rodrigo Cabrita

Moradores da localidade de Vale de Touros, no concelho de Palmela, queixam-se que numa mata defronte das suas vivendas estão jaulas do Circus Universal com dois tigres e dois leões. Dizem-se incomodados pelos animais, que "rugem durante a noite", e "preocupados com o bem-estar" dos felinos, considerando-os "mal tratados". A GNR já esteve no local, tal como o veterinário da câmara municipal e elementos da Direcção-Geral de Veterinária. Mas todos empurram as responsabilidades de uns para os outros e ninguém se entende sobre quem deve fazer o quê.No local, dezenas de reboques e atrelados de vários circos - Universal, Gottani, Cardinali e Circo do Futuro - estão espalhados pela mata. Por apresentarem um aspecto já degradado , parecem constituir uma espécie de cemitério do circo. Mais atrás, dois reboques com grades guardam um casal de leões (César e Sara) e de tigres (Tarzan e Royal). Nas imediações, pastam dois póneis.Do circo, apenas falou o jovem tratador Daniel Sobral, dizendo que os animais "não estão velhos e continuam a poder fazer os números de acrobacia. Só precisam de voltar a ser ensaiados". Conta que "há um mês, eles estavam fraquinhos e magros, porque o outro tratador não lhes dava a atenção que devia".Segundo explicou, cada felino "come três ou quatro cabeças de porco por dia ou quatro ou cinco perús, mas daqueles enormes". Esclarece que os felinos "rugem de noite, porque é o instinto deles". Recorda que "aqui na mata há cães perigosos à solta. No ano passado, o nosso búfalo foi atacado por dois cães e ficou com as pernas todas rasgadas".Naquela mata, propriedade de um privado que vive em Lisboa, estão desde há cerca de oito meses os animais, o dono do circo, a sua mãe, o tratador e outro empregado.A situação "foi denunciada à Câmara de Palmela pela Associação de Moradores da Lagoinha e Vale de Touros", relatou ao DN a assessora de imprensa da autarquia. Adianta que, "em Janeiro, o veterinário municipal foi com elementos da GNR ao local, mas não pudemos fazer nada, porque a câmara não pode intervir em espaço privado".Acrescentou que, "no dia 1 de Fevereiro, o veterinário municipal foi lá com elementos da Divisão de Bem-estar Animal da Direcção-Geral de Veterinária (DGV), mas eles consideraram que os animais estão em condições, pelo que tudo se mantém. A única solução é o proprietário do terreno expulsá-los dali".O dono do terreno, António Pateiro, diz já ter falado com eles "há uns 15 dias. Responderam-me que daqui a pouco tempo vão embora para trabalhar, mas nunca mais. Os vizinhos estão sempre a telefonar-me a queixar-se que os animais fazem muito barulho à noite. Mas também me custa ir gastar dinheiro numa acção em tribunal, que depois nunca mais sei quando se resolve".Sandra Moutinho, do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), refere ao DN que, "sobre a legalidade dos animais, os tigres cumprem as normas. No caso dos leões, em 2005 a GNR levantou um auto de notícia, porque faltava documentação".Fonte da DGV informa que "a avaliação das condições de bem-estar dos animais deve ser feita pelo veterinário municipal. A DGV só intervém quando há denúncias do ICN ou do veterinário municipal".

Já não existe

Procissão ainda percorre as ruas de uma aldeia que já não existe
http://dn.sapo.pt/2006/04/18/cidades/procissao_ainda_percorre_ruas_uma_al.html 18 de Abril de 2006
POR Roberto Dores


São Gregório já foi uma aldeia, hoje é uma aldeia turística. O único elemento de ligação à comunidade é a igreja de S. Gregório, o Santo que sai à rua todos os anos, como ontem.Para quem chega, não é fácil compreender o que leva os populares de Rio de Moinhos, de Borba, a terem tanta devoção por São Gregório. Ao ponto de a capela lá do sítio ser pequena para receber tantos fiéis em mais uma segunda-feira de Páscoa. Pelo menos metade passaram ao lado da missa. Afinal, a prioridade era mesmo marcar presença na procissão, na única vez no ano em que a capela se abre para deixar sair São Gregório à rua. A procissão está cá fora. O pendão vem à frente e logo atrás segue São Gregório, carregado por ombros femininos. A devoção está patente entre mais de 300 pessoas. O santo avança por entre as vinhas a perder de vista, enquanto a banda de Borba marca o ritmo. Lá no ar vão rebentando foguetes, para que bem se perceba que o dia é de festa na integralmente restaurada Aldeia de São Gregório ( ver caixa)."Costuma chover, mas hoje escapa", diz-nos quem melhor conhece a efeméride. E parece que sim. Mas ontem aconteceu o inverso. Ameaçou durante toda a manhã, mas o vento amainou quando o santo saiu da igreja e nem o sol quis perder o cortejo. Sempre por terra batida, a procissão deu meia-volta após percorrer os 300 metros e regressou à capela. Não sem antes ser licitado o pendão. Um ritual que serve para ajudar à manutenção da igreja. "São 50 euros, para começar", gritou alguém, mas rapidamente a parada subiu e chegou aos 2500 euros. Foi Marcolino Sebo que arrematou o pendão, mas entregou-o a uma senhora que tem a filha desempregada. "É para ver se ajuda", justificou, explicando o padre António Silva ser este "convívio humano e grande camaradagem", que torna esta festa especial. "Sem a parte humana, a parte religiosa não faz sentido", admite o pároco, para quem sem um rol de boas vontades "era impossível manter estas tradições e aldeias com vida, porque as contribuições que se pagam ao Estado inviabilizam e desmotivam as pessoas", diz o padre António Santos.Mas o que leva alguém a arrematar o pendão por 2500 euros? Marcolino Sebo confirma que a ideia é não deixar acabar esta tradição, revelando ter comprado a propriedade que circunda a aldeia de São Gregório e, como tal, acha-se no dever de contribuir para animar a terra. É verdade que após o 25 de Abril a tradição sofreu uma quebra, mas o pessoal da terra não desistiu. Aos poucos retomou a tradição e reconstruiu a capela. As dezenas de fiéis que apareciam nas "páscoas" dos anos 80, deram lugar às centenas actuais, que em dias de bom tempo já chegaram perto do milhar. É que depois da procissão, os fiéis espalham-se pelos campos da zona, onde comem o borrego. "Cuidem desse campo como se fosse o vosso quintal!", apelou uma voz ao megafone. Era o Sr. Vivas, um dos principais responsáveis pelo fenómeno de popularidade que hoje caracteriza São Gregório. Foi ele que há 15 anos iniciou as obras na igreja, com recursos do próprio bolso. Houve mesmo um ano em que o pendão deu pouco, mas logo alguém avançou com o que faltava.

segunda-feira, abril 17, 2006

Nenhum método é fiável

Nenhum método é fiável
Continua a ser impossível prever sismos

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1254203
16 de Abril de 2006

POR Maria Ana Colaço

Prever sismos, o local onde vão ocorrer e quando, tem sido o objectivo de vários cientistas, devido ao grande potencial destruidor deste fenómeno. No entanto, estes não se podem prever. Até à data, nenhum dos métodos para prever sismos é fiável.
Não há ciência física demonstrada de forma inquestionável e que possa prever a ocorrência no tempo e no espaço.Portugal tem vários cientistas que estudam estes fenómenos sobre vários pontos de vista. Miguel Miranda, coordenador do Laboratório Associado Instituto D. Luis, explica que a grande questão é saber se a incapacidade de prever um sismo se deve à falta de conhecimento ou se é um problema intrínseco ao fenómeno: sabe-se que o sismo vai acontecer, mas não quando, devido à sua componente caótica. Para este cientista, prever não é a questão essencial, mas sim saber o que é preciso fazer para evitar danos ou minimizá-los. Os sismos fazem mais vitimas nos países onde as construções não são feitas segundo normas anti-sísmicas. As tendências actuais não são para as previsões, mas sim para os alertas rápidos, diz Miguel Miranda. Se se souber que o sismo está a acontecer (informação em tempo real), pode-se ter um conjunto de procedimentos automáticos que permitem tomar medidas para minimizar estragos, se estiverem montados para dar respostas rápidas. Os países que têm observatórios instalados têm observado fenómenos que ninguém conhecia até à data, pois não havia medições contínuas que os pudessem detectar. Com a continuidade da observação consegue-se antever, mas não prever. Ainda não se consegue prever sismos em todo o mundo, explica Gabriela Queiroz, do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores. É tudo uma questão de probabilidades. Esta cientista fala do caso da região autónoma dos Açores. Está instalada uma rede de observação que faz a monitorização sísmica continua. Estuda-se onde há mais tensões, onde se estão a acumular, quais as zonas onde ocorrem sismos. Analisam-se vários parâmetros, como o aumento ou diminuição da frequência dos sismos, os níveis de gases raros nas falhas, o nível das águas nos poços. Vai-se informando a Protecção Civil da análise deste conjunto de parâmetros.O importante é investir na diminuição que o mal pode causar, diz Gabriela Queiroz. Dá o exemplo do que se passou na Ilha do Faial em 1998: as casas sofreram danos porque eram antigas. A reconstrução após o sismo foi feita com normas anti-sismicas. As casas têm uma construção melhor, estão longe de falhas e de arribas onde possa haver deslizamentos de terra. O que importa é melhorar as condições de vida da população, independentemente de se poder prever ou não.João Fernandes, do Instituto Superior Técnico, também é da opinião que os sismos não se podem prever. Nos anos 70 e 80 tentava-se prever, mas estes estudos foram depois abandonados devido à componente caótica dos sismos. Nos últimos anos, está a haver um reavivamento de estudos de previsão, com a descoberta de que os fenómenos que acontecem numa falha interagem com outras da mesma região. Os sismos terão de ser estudados à escala regional e não cada falha individualmente. Mas o que um engenheiro necessita de saber não é em que data o sismo vai acontecer, mas sim do risco que está a assumir ao construir o edifício numa determinada área, ou seja, qual a intensidade do movimento do solo nos próximos 50 anos, a perigosidade sísmica. É com a informação da perigosidade sísmica aliada à vulnerabilidade da região (se tem hospitais, escolas, centrais nucleares) que se estabelece o risco sísmico.Para Pedro Terrinha, do Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação, a previsão depende do intervalo de tempo com que queremos prevê-los. Se falarmos de horas ou dias, é impossível. O que se sabe é que sismos grandes são geralmente precedidos por uma série de pequenos eventos que produzem deformação dos solos, libertam radão (gás nobre radioactivo), podem alterar o comportamento dos animais, alterar a composição química e o nível das águas subterrâneas, assim como podem ocorrer variações no fluxo de calor emitido pela Terra e no campo magnético. Algumas vezes estes fenómenos podem-se medir, mas prever com antecipação a hora ou um dia em que um sismo vai acontecer é impossível.

terça-feira, abril 11, 2006

A esfinge

Esfinge de Gizé está a ser 'retocada'
http://dn.sapo.pt/2006/04/11/artes/esfinge_gize_esta_a_retocada.html
11 de Abril de 2006


a esfinge está a ser restaurada
com retoques nas partes danificadas
o pescoço
o peito do monumentos

ventos fortes
tempestades de areia
variações de temperatura e clima
destroem a estátua sepultada
mas enterrados, os monumentos faraonicos conservam-se

a cabeça humana e corpo de leão
foi desenterrada em 1925
os cuidados deixam de fora o nariz, essa parte do rosto
a imagem que o mundo tem
o nariz foi derrubado pela artilharia dos que reinaram
e usavam a estátua em exercícios de pontaria

a rocha original
mantém-se sólida
sem nada a temer
a boca mede dois metros
cada uma das orelhas um

a identidade do construtor é um enigma
mas todas as teorias apontam que o rosto sob o véu é o do farao

segunda-feira, abril 10, 2006

Estudantes querem combater racismo com desporto
http://dn.sapo.pt/2006/04/10/sociedade/estudantes_querem_combater_racismo_d.html
10 de Abril de 2006

Em Estrasburgo
Na sala onde se pratica a democracia europeia, uma larga maioria de estudantes de 15 países assumiram, no plenário de Estrasburgo, que é preciso combater de forma veemente todas as manifestações de racismo. Uma das vozes mais empenhadas foi a de Bruna Matias, de 16 anos, da Escola Secundária de Santa Maria (Sintra/Portugal).Sentada na cadeira de deputada, a jovem esgrimiu argumentos a favor da prática desportiva como forma de quebrar barreiras entre os povos, após a discussão na comissão de Educação, Cultura e Desporto. O aproveitamento do desporto como arma contra o racismo foi uma medida aprovada por todos, no âmbito da iniciativa "Euroscola", que levou mais de 450 jovens ao edifício Louise Weiss. Os participantes neste jogo multilingue assumiram que lhes continua a faltar informação sobre assuntos comunitários, designadamente nas suas escolas. Por isso, foi sem surpresa que votaram a favor da criação de um feriado europeu, numa tentativa de criar laços mais fortes entre os cidadãos de todos os Estados-membros.Numa sondagem realizada aos 450 jovens, os resultados demonstraram algum eurocepticismo. Quando instados a responder à pergunta se as diversas políticas da União Europeia têm algum impacto na sua vida quotidiana, quase um terço dos jovens respondeu negativamente.O alemão Otmar Phillip, administrador do Parlamento Europeu (PE), pediu aos estudantes dos 15 países ali representados para que, nas eleições europeias de 2009, sejam também eles vozes intervenientes no futuro das suas nações. Nesta espécie de Parlamento Europeu dos Pequenitos, os jovens discutem e trocam ideias sobre as prioridades europeias, temas que prepararam previamente na sua escola.Depois disso, designam um porta-voz e um redactor de grupo que na sessão plenária mostram as conclusões aprovadas pelos diversos grupos. Segue-se a votação. Desta vez, no debate sobre a construção europeia, um dos temas abordados foi a possível entrada da Turquia no grupo dos 25.O espanhol Vitor Canalas, que também acompanhou os trabalhos dos mais novos, sublinhou que "a União Europeia não é um clube de Estados cristãos, mas, sim, uma comunidade laica em que se respeitam todas as religiões".Nos trabalhos da comissão dedicada ao meio ambiente, transporte e energia, o aluno português Pedro Carreira chamou a atenção para a necessidade de se minimizar a poluição com a utilização de mais transportes públicos, levando o administrador Canalas a recordar que "somos cidadãos que respiramos o mesmo ar".Trinta alunos da Escola Secundária de Santa Maria, liderados pela professora Manuela Queiroz, fizeram parte desta iniciativa Euroscola, criada desde 1989. Por ano, perto de 10 mil jovens vão a Estrasburgo, onde o edifício do PE entrará em obras em Agosto próximo.

quinta-feira, abril 06, 2006

Com 375 milhões de anos
Encontrados fósseis de animal que marca transição da água para a terra
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1253065
5 de Abril de 2006

Fósseis de uma espécie de peixe com 375 milhões de anos, encontrados no Árctico, preenchem um vazio evolutivo na transição entre animais marinhos e terrestres, anunciaram hoje cientistas da Universidade de Chicago. A descoberta foi publicada na revista “Nature”.
Os fósseis da espécie Tiktaalik roseae foram encontrados numa rocha gelada na ilha de Ellesmere, 966 quilómetros a norte do círculo Árctico no Canadá. O animal tem barbatanas e escamas de peixe mas tem também um crânio semelhante ao do crocodilo e o pescoço e costelas que lembram um animal terrestre.O animal, que tinha presas aguçadas, teria um comprimento total de três metros.“É um peixe que mostra uma surpreendente combinação de características de animais que viviam na terra”, explicou Neil Shubin, na Universidade de Chicago, coordenador da descoberta.“Este animal representa a transição da água para a terra, onde nos incluímos”.Os fósseis foram encontrados no âmbito de uma expedição em 2004. Foi o culminar de um projecto de cinco anos que começou em 1999. A equipa deverá regressar em Julho ao local para continuar as investigações.“Anteriores fósseis representando este acontecimento evolutivo eram peixes com poucas características terrestres ou vertebrados terrestres com características residuais de peixes”, disse Andrew Milner, do Museu de História Natural de Londres.“Estes fósseis mostram um animal que se situa entre os peixes e os animais terrestres”.Os fósseis indicam ainda que a transição da água para a terra ocorreu gradualmente, nos peixes a viver em águas pouco profundas. Gradualmente, estes desenvolveram características que lhes permitiram viver fora da água.Os fósseis serão expostos no Museu de Ciência de Londres de 6 de Abril até meados de Maio.

quarta-feira, abril 05, 2006

Onde nasce o nilo

Afinal parece que o Nilo não nasce no lago Vitória
http://dn.sapo.pt/2006/04/05/sociedade/afinal_parece_o_nilo_nasce_lago_vito.html
POR Sofia Jesus
5 de Abril de 2006

atravessaram cinco países
águas com crocodilos
um ataque rebelde mas valeu a pena
encontrar a verdadeira nascente
a descoberta de quilómetros ao maior rio do mundo

reclamam ser os primeiros a percorrer o rio
até ao ponto longínquo
um lago onde nascem vários países
os meus agradecimentos vão para todos
e especialmente para os guias e os nativos

terça-feira, abril 04, 2006

Também tortura

As fotos da Guerra Fria que Londres quis esconder
http://dn.sapo.pt/2006/04/04/internacional/as_fotos_guerra_fria_londres_quis_es.html
4 de Abril de 2006
POR Hugo Bordeira, Correspondente em Londres

pela primeira as imagens de prisioneiros
em que são visíveis sinais e maus tratos
a revelação pública das cicatrizes
o estado de fome, sono, violência e frio em campos

as imagens são muito semelhantes a outras onde morreram milhões de judeus
mas, ao contrário , os esqueletos no retrato eram suspeitos
que ajudaram o ocidente a derrubar a alemanha

um novo conflito iminente levou à detenção e à tortura
de centenas
antigos oficiais e industriais, mulheres
a divulgação das fotografias é recusada porque provoca angústia

e explicações às vítimas

os métodos não eram, afinal, diferentes
por isso muitas fotografias desapareceram
e as que restam