"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, novembro 21, 2007

"Juan Carlos é um rei muito humano"
http://dn.sapo.pt/2007/11/21/internacional/juan_carlos_e_rei_muito_humano.html
PATRÍCIA VIEGAS, em Madrid

Monarca, que subiu ao trono faz amanhã 32 anos, continua popular
Fotografias queimadas de Juan Carlos e Sofia, caricaturas censuradas do seu filho Felipe e da sua nora Letizia, uma visita inédita a Ceuta e Melilla, um incidente diplomático na cimeira ibero-americana com Hugo Chávez e a separação da sua filha Elena. Nas últimas semanas multiplicaram--se os acontecimentos que colocaram a monarquia espanhola no centro de um furacão, mas, mesmo assim, o Rei parece manter o apoio popular."Não há razão para criticar Juan Carlos, é muito humano, se mandou calar Chávez, apoiamo-lo", garante ao DN Leonor Liza, uma espanhola de origem peruana, de 63 anos. A imagem de um rei mais interventivo agrada-lhe, confessa, antes de entrar num dos prédios que estão virados de frente para o Palácio Real, na praça do Oriente, em Madrid. A mesma opinião expressa, à saída da estação de metro da Opera, Antonio Lorenzo, de 70 anos, lembrando que Juan Carlos, a festejar amanhã 32 anos de subida ao trono, "é autor da estabilidade política e de uma transição sem mortos". Este reformado, de gabardina e chapéu, jornal debaixo do braço, considera, porém, que a intervenção do Rei não deveria ir mais além, mandando calar, por vezes, também, o primeiro-ministro, José Rodríguez Zapatero, e o líder da oposição (PP), Mariano Rajoy, protagonistas de uma afiada crispação política em Espanha nos últimos anos. A sugestão-piada tem circulado nalguns blogues da Internet. Já Cynthia Monescillo não se importaria que o monarca o fizesse. "Seria boa ideia", diz, sorrindo, esta estudante de Ciências Ambientais da Universidade Rei Juan Carlos. Quanto ao facto de o monarca ter mandado calar Hugo Chávez, quando este interrompia a intervenção de Zapatero para chamar fascista a Aznar, esta madrilena de 23 anos considera que o monarca "fez muito bem porque alguém tinha de dizer alguma coisa naquela situação". "Foi um gesto de humanidade, sentiu-se impotente, perante as críticas a um ausente, que era nesse caso o ex-primeiro-ministro de Espanha". "Não se pode insultar uma pessoa que não está presente", afirma Alberto dos Santos, estudante de Engenharia Química, de 18 anos, justificando a intervenção do monarca. Espanhol, filho de portugueses de Bragança, Alberto diz que "a monarquia não está em crise, mas enfrenta problemas, pois há grupos que querem uma república". E ele? "Eu acho que estou bem como estou. Sempre conheci um rei". Que é Juan Carlos.