"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, setembro 30, 2008

A paz de Munique levou à guerra no ano seguinte
http://dn.sapo.pt/2008/09/30/internacional/a_de_munique_levou_a_guerra_ano_segu.html

ABEL COELHO DE MORAIS
Efeméride. Em Setembro de 1938, Londres e Paris cediam perante Hitler

Churchill, então quase isolado, definiu o acordo como uma "derrota total"

Há precisamente 70 anos o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain regressava a Londres convicto de ter alcançado "uma paz honrosa" - a "paz para o nosso tempo", como proclamou ao desembarcar na capital britânica.

Horas antes, de madrugada, assinara com o führer alemão Adolfo Hitler, o duce italiano Mussolini, e o chefe do Governo francês Édouard Daladier, o Pacto de Munique, o instrumento diplomático que visava substituir a lógica das relações europeias resultante do Tratado de Versalhes, imposto à Alemanha derrotada em 1918.

O acordo permitia a Hitler anexar a região dos Sudetas, que correspondia a partes das províncias checoslovacas da Boémia e Morávia, habitada por uma população de extracção alemã. Hitler ameaçara tomar pela força esta região e as negociações em Munique, mediadas por Mussolini por insistência de Londres, destinavam-se a impedir um confronto. Para Chamberlain evitara-se o "cavar trincheiras" por causa de uma "desavença numa terra distante entre povos dos quais nada sabemos".

Quando Chamberlain se reuniu a 29 de Setembro em Munique com os outros dirigentes europeus tinha presente o relatório das chefias militares britânicas com um sombrio ponto da situação - "não estamos preparados para a guerra" - e as preocupações de defender um império que se estendia da América à África, do Médio Oriente à Ásia. Além disso, Chamberlain e Daladier temiam nova guerra na Europa, um cenário que a retórica belicista de Hitler não cessava de cultivar.

O julgamento histórico sobre Chamberlain é duro e das conclusões do encontro em Munique vai surgir, com conotações negativas, o termo "apaziguamento". No seu Executivo, só uma minoria se opõe ao acordo: o ministro dos Negócios Estrangeiros, Anthony Eden, e o responsável pela Marinha de Guerra, Duff Cooper, que se demitem. Voltarão ao Governo com Winston Churchill, em 1940.

Na oposição, será Churchill quem define o sucedido como uma "derrota total". Entre apupos de uma Câmara dos Comuns que votará por larga maioria o acordo, dirá : "Isto é apenas o princípio (...) de tempos amargos, que se irão suceder ano após ano".

Pouco menos de um ano após a assinatura do acordo de Munique, a 1 de Setembro de 1939, começava a II Guerra Mundial.

Foto de Capa da guerra civil espanhola é autêntica
http://dn.sapo.pt/2008/09/30/artes/foto_capa_guerra_civil_espanhola_e_a.html

Fotografia. Uma das mais célebres imagens do conflito

Fotos descobertas no México corroboram que imagem não foi encenada

A famosa fotografia tirada por Robert Capa na guerra civil de Espanha, a 5 de Setembro de 1936, de um miliciano das forças republicanas morto por um tiro, e cuja autenticidade tem sido discutida desde então, é verdadeira e documenta uma morte real e não encenada.

Mais de 70 anos depois, a descoberta, numa mala no México, dos negativos das fotos tiradas imediatamente antes e depois da imagem que ficou conhecida como Morte de Um Miliciano, levam a sugerir que esta, longe de ser uma foto encenada com fins de propaganda antifranquista, documenta a morte real de Federico Borrell Garcia, conhecido por El Taino, um anarquista de 24 anos.

Aquele achado, num total de 127 rolos com fotografias inéditas da guerra civil, atribuídas a Capa, à sua noiva Gerda Taro e ao fotógrafo David Seymour foi comparado "à descoberta do Santo Graal" pelo Centro Internacional de Fotografia de Nova Iorque, e inclui as 40 fotografias relacionadas com Cerro Muriano, onde morreu Borrell. Estas vão ser mostradas no Barbican Centre, em Londres, a partir de 17 de Outubro.

Entre as fotos está um instantâneo feito pouco antes do tiro que matou Borrell, em que se vê este levantando a sua espingarda junto de outros companheiros, posando para a câmara de Capa. Uma imagem posterior mostra um segundo soldado morto, corroborando que houve fogo inimigo.

Segundo disse Cynthia Young, organizadora da citada exposição, ao The Sunday Times, "estas imagens e um detalhado trabalho de investigação fazem muito para apoiar a afirmação de que a foto é real".

Tudo indica que Morte de Um Miliciano foi tirada por acidente. Capa e Taro, que também fotografou Borrell, estavam nas fileiras republicanas simulando situações de guerra, quando se deram os disparos inesperados do lado franquista.

A fotografia de Borrell saiu pela primeira vez na revista francesa Vu, tendo aparecido logo em seguida na Life. O negativo perdeu-se e o resto das fotografias de Capa, Taro e Seymour feitos na guerra civil de Espanha acabaram no México, até os negativos terem chegado há alguns meses ao Centro Internacional de Fotografia de Nova Iorque. Fundado por Cornell Capa, irmão de Robert Capa.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Investigação da Universidade de Nova Iorque
Estrelas de Hollywood recebiam fortunas para promoverem hábito de fumar
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1343914
25.09.2008 - 13h10 Lusa

Clark Gable, Cary Grant, Spencer Tracy, Joan Crawford, John Wayne, Bette Davis e Betty Grable receberam dinheiro para promover o hábito de fumar, de acordo com investigadores da Universidade de Nova Iorque, citados pela BBC.

Os fabricantes de cigarros pagavam somas elevadas para que as estrelas dos “Anos de Ouro” de Hollywood promovessem os seus produtos.

Documentos divulgados pela indústria, depois de processos judiciais de grupos de combate ao tabagismo, revelam a extensão da relação entre estas empresas e os estúdios de produção cinematográfica.

Filmes da primeira metade do séc. XX ainda ajudam tabaco

Segundo um artigo da revista “Tobacco Control”, investigadores garantem que os filmes “clássicos” das décadas de 30, 40 e 50 ainda hoje ajudam a promover o hábito de fumar.

Praticamente todos os grandes nomes da época estavam envolvidos na promoção de cigarros, de acordo com os investigadores da Universidade de Nova Iorque, que tiveram acesso aos contratos assinados na época, o que os ajudou a calcular o montante de dinheiro envolvido.

Há acordos que datam do começo do cinema sonoro. O astro de “O Cantor de Jazz” (Jazz Singer), Al Jolson, assinou documentos afirmando que Lucky Strike era “o cigarro dos actores”.

Um dos documentos-chave descobertos pelos investigadores foi uma lista de pagamentos num único ano, no final da década de 30, onde é detalhado quanto recebiam os actores da American Tobacco, fabricante da marca Lucky Strike.

Foram pagos 3,2 milhões a preços actuais

Carole Lombard, Barbara Stanwyck e Myrna Loy receberam 10 mil dólares americanos (equivalente hoje a quase 150 mil), para promoverem a marca. O mesmo aconteceu com Clark Gable, Gary Cooper e Robert Taylor. No total, foram pagos aos actores o equivalente, hoje, a 3,2 milhões de dólares americanos.

Nalguns casos, os fabricantes de cigarros pagaram aos estúdios para criarem programas de rádio que incluíam a promoção feita pelas suas estrelas. A American Tobacco pagou à Warner Brothers o equivalente a 13,7 milhões por “Your Hollywood Parade”, em 1937, e patrocinou The Jack Benny Show, da década de 40 a meados da década de 50.

Os investigadores, liderados por Stanton Glantz, disseram que os efeitos dos milhões investidos pela indústria do tabaco em Hollywood ainda hoje podem ser sentidos, apesar de uma recente proibição imposta pela própria indústria do cinema em relação à promoção do tabaco nos filmes.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Programa de software estuda a manipulação dos discursos
Investigadores criam mecanismo para saber se os políticos dizem a verdade
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1343381
19.09.2008 - 17h17 Inês Subtil

Chegou o momento da verdade para os políticos. Saber se estão ou não a mentir será possível sem que para isso tenham que responder a perguntas embaraçosas sobre a sua vida pessoal. Uma equipa de investigadores canadianos tem uma proposta bem mais simples. Através de um programa de "software" os cientistas analisam o discurso, a voz e as expressões faciais e descobrem se há manipulação ou não da verdade.

“O mais importante é reconhecer que os políticos não são normalmente bons a mentir sobre tudo, mas são muito adeptos da ‘dança em torno’ da verdade”, explicou David Skillicorn, matemático e investigador de ciências da computação na Queen’s University em Kingston, Ontário, no Canadá, citado na revista "New Scientist".

O investigador diz que as eleições de 2008 para a presidência dos Estados Unidos da América (EUA) têm dado muitas oportunidades aos cientistas para ver os políticos em acção. Um bom exemplo de manipulação da verdade foi a expressão de repulsa do ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, durante a convenção nacional dos Democratas quando disse a palavra “Obama”, referindo-se ao candidato do partido que venceu a sua mulher, Hillary Clinton, nas eleições para a corrida à casa Branca. Durou uma fracção de segundo. Quase ninguém reparou.

Mas, o que passou despercebido ao comum dos mortais, foi facilmente detectado por Paul Ekman, que estuda as expressões faciais e a maneira como actuam os políticos, em relação ao que pensam, há 40 anos. “Tendo em conta que Clinton provavelmente sentiu rejeição por a sua mulher não ter conseguido a nomeação, eu diria que todo o discurso foi na verdade dado de uma maneira muito graciosa”, explicou Ekman, citado pela "New Scientist".

’O Jogo da Sedução’

Apesar deste pequeno percalço continua a ser muito difícil para a maioria das pessoas perceber se os políticos dizem o que realmente pensam ou não. Por isso, Skillicorn criou um programa informático que funciona como uma espécie de detector do ‘verbal spin’, ou seja, da manipulação verbal nos discursos, que determina quando a pessoa “se apresenta a si mesma ou o conteúdo do que diz de uma maneira que não reflecte necessariamente o que sabe ser a verdade”, explicou, citado pelo “El Mundo”.

Trata-se portanto de uma maneira de analisar não a mentira, mas sim a tendência dos políticos para apresentar uma imagem que lhes convém no processo de sedução do eleitor. O "software" analisa indicadores de ‘verbal spin’: o recurso a frases generalistas, sem acrescentar muitos detalhes ou precisar o que se diz; o uso do pronome pessoal “nós”, em vez do “eu”; e a utilização de verbos de acção como “vou” ou “vamos” e de palavras de grande conteúdo emocional, como “ódio” ou “inimigo”, apontam para maiores níveis de manipulação dos discursos.

Objecto de estudo: Eleições dos EUA

O investigador canadiano e a sua equipa analisaram um conjunto de 150 discursos de políticos envolvidos na corrida eleitoral para a presidência norte-americana de 2008, que inclui candidatos que ficaram pelo caminho como Hillary Clinton, do partido democrata, ou Mitt Romney, do partido republicano.

Skillicorn descobriu que apesar de todos os discursos serem ensaiados e escritos por profissionais da retórica, apresentavam diferenças substanciais: “É óbvio que os discursos ainda são muito individualizados”, disse o investigador, citado pela "New Scientist". Outra das conclusões é que todos os candidatos tiveram oscilações no seu ‘verbal spin’, dependendo da ocasião.

O mais curioso é reparar que no caso do uso de pronomes como “nós” e “eu”, a escolha é feita a nível subconsciente, não interessando qual é a forma escrita no discurso.

Os resultados não deixam dúvidas quanto ao candidato que mais manipula o que diz: Barack Obama, o candidato democrata, aparece destacado com um ‘verbal spin’ de 6,7 – onde 0 é o valor médio de todos os discursos políticos analisados, e os valores positivos representam uma maior manipulação.

Por seu lado, John McCain, o representante republicano, registou -7,58 valores, enquanto o discurso de Hillary Clinton durante a convenção nacional dos democratas alcançou os 0,15. Da mesma forma, Skillicorn concluiu que Sarah Palin, a candidata republicana à vice-presidência, apresenta um ‘verbal spin’ ligeiramente mais alto do que o valor médio.

O discurso de McCain parece de “alguém que está deprimido”

O cientista canadiano concluiu, citado pelo “El Mundo”, que “Obama é muito hábil na hora de recorrer a uma retórica emotiva, quando fala dos diferentes temas em jogo nas eleições, e que as sondagens reflectem que essa estratégia lhe está a ser muito vantajosa”.

Já McCain, ao recorrer a uma linguagem mais directa e a um tom calmo, é claramente prejudicado. No artigo da "New Scientist", Branka Zei Pollermann, fundadora do Vox Institute em Genebra, na Suíça, que analisou os discursos do candidato republicano, sugere que isso acontece porque os seus discursos falham a nível emocional.

A investigadora vai inclusive mais longe e diz que “a análise do tom de voz de McCain é muito semelhante à de alguém que está clinicamente deprimida”. Pollerman é psicóloga e usa "software" de análise auditiva para mapear o discurso de cada pessoa, que depois compara com o perfil das expressões faciais, usando para isso os indicadores definidos por Ekman.

Segundo Skillicorn, citado pelo “El Mundo”, “as pessoas têm tendência a ver os políticos como vendedores de carros”, o que acaba por tornar o ‘jogo político’ numa questão de eficácia da manipulação verbal, o que melhor souber vender, mais eleitores consegue.

O mesmo investigador explica, na "New Scientist", que “os candidatos acreditam claramente no que estão a dizer, mesmo que estejam a dar mais atenção a alguns factos do que a outros. Nesse sentido, apanhar alguém a mentir descaradamente é relativamente raro”.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Nova sub-família
Descoberta espécie de formiga tão estranha que podia ser de Marte
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342981
16.09.2008 - 19h34 Nicolau Ferreira

Não se sabe se existiu vida em Marte, mas na Amazónia foi encontrada uma formiga tão diferente do que se conhece que poderia ter vindo de lá. A descoberta obrigou a equipa da Universidade do Texas, em Austin, a criar uma nova sub-família.

Os dois primeiros espécimes da Martialis heureka (Martialis por causa de Marte e Heureka do mesmo eureka, “Eu descobri!”, que foi utilizado por Arquimedes) que se encontraram, foram obtidos em amostras de solo mas perderam-se. Só passados cinco anos, em 2003, é que se descobriu a nova formiga trabalhadora que permitiu confirmar a existência de uma nova espécie.

A Martialis heureka tem características suficientes para ser considerada uma formiga, mas é tão diferente de tudo o que já se viu que os cientistas criaram uma nova sub-família, Martialinae, só para ela. Há 85 anos, desde 1923, que não se criava uma nova sub-família de uma espécie de formiga viva, as que se têm sido criadas foram a partir de formigas fósseis.

“Esta descoberta indicia que existe uma riqueza de espécies, possivelmente com uma enorme importância evolutiva, que está escondida nos solos das florestas tropicais ainda existentes”, escreve Christian Rabeling e os co-autores do artigo que saiu esta semana na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

A espécie tem dois ou três milímetros de comprimento, não tem olhos, tem duas grandes mandíbulas, as patas dianteiras são finas e mais compridas que o normal. Todas estas características indicam que habita no solo, raramente vê a luz do dia e alimenta-se de outros animais como insectos, artrópodes ou anelídeos.

Posteriormente, a análise genética confirmou que esta formiga é diferente de tudo o que se conhece, e que estava na base da árvore evolutiva das formigas, ou seja é muito antiga. ”Esta descoberta suporta a ideia de que as formigas cegas dos subterrâneos que são predadoras, apareceram no início da evolução das formigas”, disse Rabeling investigador em evolução e comportamento.

As formigas apareceram há 120 milhões de anos a partir dos antepassados das vespas. A evolução foi rápida e deu lugar a muitas linhagens, com as espécies a adaptarem-se a vários ambientes.

“Com base na nossa informação e no registo dos fósseis, assumimos que o antepassado desta formiga era parecido com uma vespa, talvez similar ao Sphecomyrma, o fóssil de âmbar do Cretácico que é conhecido como sendo o elo perdido entre as vespas e as formigas”, disse Rabeling.

O investigador defende que as adaptações a um estilo de vida subterrâneo e sem luz apareceram numa primeira fase da evolução das formigas e que se mantiveram ao longo dos anos.

“A nova espécie de formiga está escondida no solo, num ambiente tropical estável, que é potencialmente menos competitivo. Esta espécie pode ser uma relíquia que reteve características morfológicas ancestrais”, conclui.

sábado, setembro 13, 2008

Intrusos queriam provar vulnerabilidade do sistema
Maior acelerador do mundo sofreu ataque de “hackers” durante experiência
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342566
12.09.2008 - 22h12 Romana Borja-Santos

As primeiras partículas estavam a circular no Grande Acelerador de Hadrões, perto de Genebra, onde nasceu a World Wide Web, quando um grupo de “hackers” grego invadiu o sistema com o único objectivo de mostrar a sua fragilidade. Ao que parece, se o regresso ao “Big Bang” foi um sucesso, os piratas informáticos também foram bem sucedidos no seu objectivo: mostrar aos cientistas que estes não passavam de “um bando de miúdos da escola”, segundo noticia o jornal britânico “Daily Telegraph”.

A “Equipa de Segurança Grega”, como se auto-intitularam os intrusos, entrou quarta-feira no sistema informático do LHC (como é conhecido em inglês) simplesmente para deixar a mensagem referida e provar a vulnerabilidade dos técnicos que estavam à frente daquela que foi considerada uma das maiores experiências do mundo. O objectivo foi simplesmente provar que era possível violar o sistema, mas nunca criar problemas, ainda de acordo com o jornal inglês.

“Estamos a baixar-vos as calças por não vos querermos ver a correr nus enquanto se tentam esconder quando o pânico chegar”, lê-se também na mensagem que os “piratas” deixaram no sistema informático do acelerador. E, ao que parece, a intrusão foi mais do que suficiente para alertar os cientistas, que impediram entretanto os cibernautas de aceder ao site www.cmsmon.cern.ch.

Os cientistas envolvidos no projecto receberam também, ao longo dos dias, várias mensagens electrónicas e telefonemas do público em geral que se mostrou preocupado com os objectivos das experiências e com as potencialidades da máquina – produzir um buraco negro para engolir a terra, terramotos ou tsunamis foram apenas algumas das hipóteses colocadas.

Assustador

Os responsáveis explicaram que o acto só teria sido verdadeiramente perigoso se o grupo tivesse conseguido entrar numa outra rede onde, aí sim, teriam conseguido desligar algumas partes do sistema. Felizmente, apenas um ficheiro foi afectado, mas o incidente foi assustador para a comunidade.

A grande preocupação dos cientistas da organização europeia era de que os “hackers” entrassem em um dos maiores detectores da máquina, que pesa 12.500 toneladas e mede 21 metros de comprimento e 15 de altura. Entretanto, a área atacada pelos invasores foi o "Compact Muon Solenoid Experiment", um dos quatro detectores que analisam o choque das partículas.

O LCH, um projecto faraónico que juntou 6000 cientistas do mundo durante 20 anos, procura simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, há cerca de 13,7 mil milhões de anos, e é considerado a experiência científica do século. Desde 1996, o CERN construiu, 100 metros debaixo da terra, perto de Genebra, na Suíça, um anel de 27 quilómetros, arrefecido durante dois anos para atingir 271,3 graus negativos.

À volta deste anel estão instalados quatro grandes detectores, no interior dos quais vão produzir-se colisões de protões numa velocidade próxima da da luz. Em plena força, 600 milhões de colisões por segundo irão gerar uma floração de partículas tal como aconteceu no início do mundo, algumas das quais nunca puderam ser observadas.

Descobrir o Universo

No entanto, só daqui a alguns meses, quando se comprovar a evolução do funcionamento, é que haverá colisões de partículas e estarão criadas as condições para o estudo de novos fenómenos, através da recriação das condições que se produziram instantes depois do Big Bang. O objectivo final desta grande experiência é poder dar resposta a muitas perguntas sobre a origem do mundo, entender por que a matéria é muito mais abundante no Universo do que a anti-matéria, e chegar a descobertas que "mudarão profundamente a nossa visão do Universo", segundo o director do CERN, Robert Aymar.

Uma das aspirações dos cientistas é encontrar o hipotético bosão de Higgs, uma partícula que nunca foi detectada com os aceleradores existentes, muito menos potentes que o LHC. O projecto custou dez mil milhões de dólares - mas isso "é apenas 0,005 por cento do Produto Interno Bruto mundial durante esse período", escreveu o físico Stephen Hawking na revista americana Newsweek. "Será que não podemos gastar dois centésimos de um por cento para tentar compreender o Universo?", interrogou.

Nesta catedral subterrânea caberiam várias Notre Dame de Paris. São usados ali 9600 ímanes para forçar os feixes de protões e iões de chumbo a dobrarem as curvas deste túnel circular de 27 quilómetros de circunferência. Estes ímanes estão arrefecidos com 60 toneladas de hélio superfluido até uma temperatura ainda mais baixa do que a do espaço profundo: 271,25 graus negativos, perto do zero absoluto. É o maior frigorífico do mundo (na verdade, bastaria um oitavo da sua capacidade de refrigeração para ter esse título), mas no seu interior atingir-se-ão temperaturas 100.000 vezes superiores às do coração do Sol - embora concentradas num espaço minúsculo, inferior ao de um átomo.

É também o local mais vazio do sistema solar, diz o CERN, onde está alojado: as partículas subatómicas aceleradas viajam dentro de um tubo tão vazio como o espaço interplanetário: a pressão interna é dez vezes menor que na superfície da Lua, onde os astronautas saltam como cangurus quando tentam andar.

Maior criação de Deus

Não é de admirar que os cientistas falem de uma forma que raia o discurso religioso. "Esta máquina, o superacelerador, levar-nos-á tão perto como humanamente for possível à maior criação de Deus, o Génesis. É uma máquina do Génesis, concebida para estudar o maior acontecimento em toda a história: o nascimento do Universo", escrevia, também no “Guardian”, Michio Kaku, professor de Física Teórica na Universidade da Cidade de Nova Iorque e divulgador de ciência.

Há também os que, como o Nobel da Física de 1979 Steven Weinberg, preferem dizer que as descobertas no LHC podem tornar Deus menos importante na nossa compreensão do Universo: "Se conseguirmos criar uma teoria final em que todas as forças e partículas são explicadas, e essa teoria ajudar a compreender o Big Bang e nos der uma cosmologia consistente, deixar-se-á menos à religião para explicar", escreveu na Newsweek.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Coreia do Norte celebra aniversário sem ditador
http://dn.sapo.pt/2008/09/10/internacional/coreia_norte_celebra_aniversario_dit.html
LUÍS NAVES
Pyongyang. Ausência do 'Querido Líder' faz temer transição

Serviços secretos dizem que Kim Jong-il sofreu ataque cardíaco

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, não compareceu na gigantesca parada militar realizada ontem em Pyongyang para marcar o 60.º aniversário do regime comunista. A ausência tornou mais credíveis as informações sobre um grave problema de saúde do ditador norte-coreano, mas não houve ainda nenhum sinal sobre uma iminente (e perigosa) transição.

Vários jornais sul-coreanos escreviam ontem que o "querido líder" (como a população chama a Kim) foi vítima de uma doença súbita em Agosto. O jornal Chosun Ilbo, citando uma fonte diplomática sul-coreana em Pequim, mencionava mesmo a data de 2 de Agosto para a indisposição do ditador. Cinco destacados médicos chineses estão há uma semana na Coreia do Norte, previsivelmente para tratar o dirigente.

Os rumores de problemas de saúde circulam há várias semanas e o seu aparecimento coincidiu com a estranha decisão de Pyongyang de suspender o desmantelamento do reactor nuclear de Yongbyon, encerrado após um acordo internacional que obrigou a longas negociações entre a Coreia do Norte e um grupo de seis países, incluindo China e EUA.

Ontem, as agências de notícias citavam fontes dos serviços de informação americanos que, sob anonimato, mencionavam a elevada probabilidade de Kim Jong-il ter sofrido um ataque cardíaco ou um acidente vascular-cerebral. A condição do anonimato deve-se à natureza sensível da recolha de informação, já que o regime político norte-coreano é talvez o mais impenetrável do mundo.

Kim Jong-il, de 66 anos, tem uma saúde frágil e sabe-se que sofre de diabetes e de problemas cardíacos. O ditador não teve qualquer aparecimento público desde 14 de Agosto, quando inspeccionou uma unidade militar. É também conhecida a sua predilecção pelo uso de sósias, dada a paranóia pela segurança. Um especialista japonês, Toshimitsu Shigemura, publicou anteontem um livro onde afirma que o ditador morreu em 2003 e que, nos últimos cinco anos, só foram usados sósias, mesmo em contactos internacionais.

Na parada de ontem, participaram um milhão de coreanos, numa rara demonstração de poderio militar, mesmo para os padrões do regime totalitário. A república popular foi fundada em 1948, pelo pai do actual líder, Kim Il-sung, cuja invasão do Sul, em 1950, deu origem à guerra da Coreia, na qual morreram mais de um milhão de pessoas.

A Coreia do Norte é a única dinastia comunista do mundo e muitos analistas consideram que, em caso de desaparecimento de Kim Jong-il, o sucessor será um dos seus filhos, talvez o do meio, Kim Jong-chul, de 27 anos. Outros cenários, bem mais prováveis, incluem um golpe militar ou o colapso violento do regime.

A teoria é defendida por um biólogo alemão
Foi “para beber cerveja e embriagar-se” que o homem se tornou agricultor
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342273
10.09.2008 - 16h19 PÚBLICO

Há dez mil anos ocorreu a chamada revolução do neolítico, quando os seres humanos se tornaram sedentários e começaram a cultivar a terra. Uma nova teoria defende que o homem se tornou agricultor “para beber cerveja e embriagar-se”, contrariando a ideia que tinha sido a procura de uma melhor alimentação o motivo da mudança.

A teoria é da autoria do biólogo e historiador natural alemão, Josef H. Reichholf, e vem publicada no seu livro “Por que é que os homens se tornaram sedentários?”, lançado na Alemanha. A obra explica as causas da revolução que mais tarde estaria na origem dos povos e das religiões.

Josef H. Reichholf parte do pressuposto que “quando os caçadores recolectores abandonaram a sua forma de vida e alimentação tradicional teria que ter uma vantagem inicial”. No princípio, sublinha, “o cultivo de plantas não trouxe nenhuma vantagem visível para a sobrevivência”.

Por esse motivo, o cientista alemão considera que a teoria até hoje defendida, que a humanidade começou a cultivar plantas, abandonou a vida nómada e se estabeleceu de maneira permanente num sítio para se alimentar melhor, está totalmente errada.

Segundo o mesmo livro, as colheitas iniciais eram demasiado reduzidas e o cultivo da terra muito trabalhoso, o que implica que a sobrevivência não podia ser garantida em exclusivo através da agricultura. Josef H. Reichholf defende que o homem do período neolítico continuou a caçar e a ser recolector para subsistir.

"A agricultura surgiu de uma situação de abundância"

Outra das teorias criticada no livro do biólogo alemão é a que indica que nas primeiras regiões onde a humanidade se fixou, situadas entre o Egipto e a Mesopotâmia (actuais zonas não desérticas do território do Iraque), havia pouca caça e muita vegetação.

Josef H. Reichholf diz que essa teoria é absurda ao pressupor que uma zona com muita vegetação possa ao mesmo tempo não ter animais selvagens. O cientista sublinha que “era totalmente diferente” e que a caça não escasseava.

Para o biólogo “a agricultura surgiu de uma situação de abundância” e assegura que “a humanidade experimentou o cultivo dos cereais e usou os grãos como complemento alimentar. A intenção incial não era fazer pão, mas antes fabricar cerveja através da fermentação”.

As declarações de Josef H. Reichholf foram registadas durante a apresentação do seu livro, onde o cientista alemão fez questão de frisar que a humanidade sempre sentiu necessidade de alcançar estados de embriaguez com drogas naturais que lhe “transmitem a sensação de transcendência, de abandono do próprio corpo”.

A importância dos xamãs

Na teoria agora apresentada, os xamãs, espécie de líderes espirituais que entram em transe e manifestam poderes sobrenaturais e invocam espíritos da natureza, teriam tido um papel de destaque na revolução neolítica. Seriam eles que conheceriam os feitos e as dosagens das drogas, ou seja, do álcool, cogumelos e plantas, tomados durante as cerimónias de carácter religioso.Josef H. Reichholf destaca a importância que a cerveja e o vinho terão tido no fomento do sentido de unidade de um povo ou de uma tribo.

Da mesma maneira, defende que o pão só começou a produzir-se quando se conseguiu cultivar cereais em abundância. O cientista sublinhou que a fermentação é um processo mais antigo, “a capacidade de fermentar cerveja não foi algo espontâneo. A humanidade já conhecia antes o processo fermentação da fruta”.

Projecto envolve 6000 cientistas
A máquina de regressar ao Big Bang começa hoje a funcionar
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342210
10.09.2008 - 08h41 Clara Barata
"Clic" e já está: hoje vai iluminar-se o túnel a 100 metros de profundidade, na fronteira entre a Suíça e a França, onde terá lugar uma experiência que pode ser tão importante como a chegada do homem à Lua: o Grande Acelerador de Hadrões (mais conhecido pela sigla em inglês, LHC) vai começar a funcionar, acelerando partículas subatómicas até velocidades que ficam apenas a um fio de cabelo da da luz. E para que é que serve tudo isto? Para tentar compreender a natureza fundamental da matéria.

É um projecto ciclópico, em vários sentidos. Em termos de engenharia, para começar: é a maior máquina do mundo, tão grande e sofisticada que não poderia nunca ser fabricada por uma única empresa, ou um único país. Envolve 6000 cientistas, levou uma década a construir e custou dez mil milhões de dólares - mas isso "é apenas 0,005 por cento do Produto Interno Bruto mundial durante esse período", escreveu o físico Stephen Hawking na revista americana Newsweek. "Será que não podemos gastar dois centésimos de um por cento para tentar compreender o Universo?", interroga.

Esta catedral subterrânea (onde caberiam várias Notre Dame de Paris) impressiona pelos números. São usados ali 9600 ímanes para forçar os feixes de protões e iões de chumbo a dobrarem as curvas deste túnel circular de 27 quilómetros de circunferência. Estes ímanes estão arrefecidos com 60 toneladas de hélio superfluido até uma temperatura ainda mais baixa do que a do espaço profundo: 271,25 graus negativos, perto do zero absoluto. É o maior frigorífico do mundo (na verdade, bastaria um oitavo da sua capacidade de refrigeração para ter esse título), mas no seu interior atingir-se-ão temperaturas 100.000 vezes superiores às do coração do Sol - embora concentradas num espaço minúsculo, inferior ao de um átomo.

É também o local mais vazio do sistema solar, diz o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), onde está alojado: as partículas subatómicas aceleradas viajam dentro de um tubo tão vazio como o espaço interplanetário: a pressão interna é dez vezes menor que na superfície da Lua, onde os astronautas saltam como cangurus quando tentam andar.

Construtores de catedrais

"O físico austríaco naturalizado americano Victor Weisskopf descrevia os grandes aceleradores de partículas que começaram a ser construídos nas décadas de 1950 e 60 como 'as catedrais góticas do século XX'", recordou o físico Lawrence Krauss, da Universidade Case Western (Ohio, EUA), num texto no jornal The Guardian.

"É uma boa comparação", continuava Krauss. "As catedrais medievais empurraram os limites da tecnologia de então, absorveram o trabalho de milhares de artesãos e levaram gerações (por vezes séculos) a construir. Os modernos aceleradores de partículas envolvem milhares de cientistas de muitos países, que falam dezenas de línguas, e cujo trabalho individual tem de se combinar na perfeição com o dos outros, com uma margem de erro de milésimos de milímetros."

Mas o LHC não é apenas uma colecção de números impressionante. Os seus objectivos são absolutamente esmagadores. O que se poderia dizer de uma máquina que pretende reproduzir as condições do Universo um bilionésimo de segundo após o Big Bang, o momento em que as sementes da matéria começaram a existir?

A matéria então ainda não era tal como hoje a conhecemos. Ainda não havia átomos, era tudo uma sopa de partículas fundamentais, hoje identificadas como quarks e gluões - um plasma extremamente quente, que preenchia tudo o que tinha começado a existir. Só quando o Universo começou a arrefecer se formaram átomos, primeiro de hidrogénio e hélio, e progressivamente outros mais pesados, à medida que iam sendo fundidos nas fornalhas das estrelas, pela fusão nuclear. Passados 13.700 milhões de anos, aqui estamos nós, a tentar compreender o que deu origem a tudo - e a fazê-lo com uma máquina, tentando reproduzir em laboratório as condições que se seguiram ao Big Bang.

Com o LHC, os cientistas procuram obter resposta para questões que continuam a vexar a humanidade. Por exemplo, como é que as coisas têm massa? Para terem essa resposta, procuram o muito falado mas nunca detectado bosão de Higgs, que já foi apelidado "a partícula de Deus."

Maior criação de Deus

Não é de admirar que os cientistas falem de uma forma que raia o discurso religioso. "Esta máquina, o superacelerador, levar-nos-á tão perto como humanamente for possível à maior criação de Deus, o Génesis. É uma máquina do Génesis, concebida para estudar o maior acontecimento em toda a história: o nascimento do Universo", escrevia, também no Guardian, Michio Kaku, professor de Física Teórica na Universidade da Cidade de Nova Iorque e divulgador de ciência.

Há também os que, como o Nobel da Física de 1979 Steven Weinberg, preferem dizer que as descobertas no LHC podem tornar Deus menos importante na nossa compreensão do Universo: "Se conseguirmos criar uma teoria final em que todas as forças e partículas são explicadas, e essa teoria ajudar a compreender o Big Bang e nos der uma cosmologia consistente, deixar-se-á menos à religião para explicar", escreveu na Newsweek.

terça-feira, setembro 09, 2008

Depois de Kim 'morrer' já falou com Putin e Hu
http://dn.sapo.pt/2008/09/09/internacional/depois_kim_morrer_falou_putin_e_hu.html
HUGO COELHO
Embuste. Jornalista japonês denuncia farsa do regime norte-coreano

Sósias assegurarão aparições públicas do 'Querido Líder' desde 2003

"Será este o verdadeiro Kim Jong-il?" Nem mesmo os serviços secretos internacionais parecem capazes de responder. Há anos que dura a suspeita de que o Presidente norte-coreano usa duplos para se proteger de possíveis atentados. Mas, há poucos dias, um jornalista japonês veio dizer que, na verdade, esses duplos têm escondido a sua morte. Em O Verdadeiro Kim Jong-il, Toshimitsu Shigemura escreve que o líder estalinista terá morrido algures durante o Outono de 2003, vítima de diabetes, e o regime usa duplos para esconder o facto.

"Nos anos antes de morrer, Kim tomou várias grandes decisões sobre as relações da Coreia do Norte com o mundo exterior," diz o autor. Depois de Agosto de 2003, em que teve encontros de Estado com líderes russos e norte-americanos, "Kim desapare- ceu para o mundo durante 42 dias e a cúpula do regime deu sinais de desorientação." Para Shigemura, este é o sinal de que Kim terá morrido.

O investigador japonês acredita que desde então os líderes mundiais como o antigo presidente russo Vladimir Putin e o Presidente chinês, Hu Jintao, ditos próximos do regime ditatorial norte-coreano, têm negociado com um impostor.

Kim, que tinha medo de ser assassinado, terá recrutado pelo menos quatro sósias que actuaram durante anos como substitutos nas aparições públicas. Quando terá morrido o líder, as mais destacadas figuras do regime, com o intuito de preservarem o seu poder, terão acordado manter o mundo e o povo na ilusão de que Kim está vivo. Os sósias surgem ao lado de um membro do regime sempre que há um encontro com uma figura internacional e quando é preciso convencer as massas de que o Querido Líder está vivo.

A estratégia de Kim está longe de ser original. Ao longo da história, outros ditadores, temerosos de morrerem num atentado, esconderam-se atrás de sósias, verdadeiros duplos da política. Está confirmado que Franco, Estaline ou Hitler recorreram a sósias enquanto estiveram no poder. Sobre o líder nazi, diz-se mesmo que o atentado falhado contra a sua vida em 1944, não o terá sido, posto que o homem que fazia o seu lugar foi mortalmente ferido. Mais recentemente, Saddam Hussein e Ben Laden são outras duas personalidades políticas que se diz terem recorrido a sósias.