QUANDO NIXON SE DESCULPOU NA TELEVISÃO
http://dn.sapo.pt/2009/01/22/artes/quando_nixon_desculpou_televisao.html
EURICO DE BARROS
Filme. Chega hoje aos cinemas 'Frost/Nixon', de Ron Howard, adaptação da peça de teatro sobre a longa e célebre entrevista feita em 1977 pelo britânico David Frost ao ex-presidente Richard Nixon, que entrou para a história da televisão
Realizador exigiu ter no filme os dois actores da peça
Em 1977, três anos após Richard Nixon ter abandonado a Casa Branca em desgraça por causa do escândalo Watergate, o apresentador de televisão e jornalista britânico David Frost, conseguiu acesso exclusivo ao ex-presidente dos EUA para uma longa e pormenorizada conversa com este, após uma cerrada negociação com o seu agente, o lendário Irving "Swifty" Lazar, e de ter investido dinheiro seu e de amigos. As estações americanas ainda recusavam o chamado "jornalismo de livro de cheques", e Frost teve que desembolsar 600 mil dólares para chegar à fala com Nixon.
As quatro partes da entrevista, com 90 minutos cada (montados das quase 29 horas de conversa originais), foram para o ar em Maio de 1977 nos EUA e em vários outros países. O trabalho de David Frost foi visto como o substituto televisivo do julgamento a que Richard Nixon não chegou a ser submetido por causa da sua resignação do cargo de Presidente dos EUA.
Segundo Frost, Nixon apresentou, frente às câmaras, "uma desculpa a 99,9 por cento" por tudo o que de ilegal que havia cometido. "Desiludi os meus amigos, desiludi o país, desiludi o nosso sistema de governo", admitiu Richard Nixon no final da conversa, num tardio acto de contrição.
O primeiro segmento dos quatro da entrevista, emitida no âmbito do programa Frost On America, com o título The Nixon Interviews With David Frost, foi visto por 45 milhões de pessoas nos EUA, e por muitos mais nos países que compraram os direitos das emissões. Esta é ainda hoje a entrevista política com as maiores audiências da história da televisão. E seria a derradeira grande aparição televisiva de Nixon antes da sua morte, em 1994.
Frost/Nixon, o filme de Ron Howard que se estreia hoje em Portugal, baseia-se na peça de teatro com o mesmo título escrita por Peter Morgan, o argumentista de A Rainha, de Stephen Frears, estreada em Londres em 2006. A peça dramatiza o difícil processo de negociação que conduziu à entrevista, bem como as relações entre entrevistador e entrevistado.
O americano Frank Langella e o britânico Michael Sheen interpretaram em palco os dois papéis principais, que repetem no filme de Howard. O realizador disse ao estúdio que não faria Frost/Nixon se os actores não voltassem às respectivas personagens na tela. "Durante dois anos, eles viveram como Frost e Nixon, por isso seria impossível termos outros actores nos papéis senão eles", explicou Ron Howard - que revelou ter votado por Richard Nixon nas eleições de 1972.
Apesar de ter sido um dos grandes derrotados dos Globos de Ouro, Frost/Nixon aparecerá decerto entre os nomeados aos Óscares. Esta semana, David Frost revelou ao The Times que tem um argumento sobre a juventude de Nixon, Young Nixon, escrito pelo falecido Robert Bolt. Que gostaria de ver filmado antes de morrer.

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