"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, dezembro 31, 2009

um milhão de bíblias na china

Monges de Taizé distribuem um milhão de Bíblias aos cristãos da China
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/31-12-2009/monges-de-taize-distribuem-um-milhao--de-biblias-aos-cristaos-da-china-18504683.htm
Por António Marujo

A comunidade monástica, que realiza até dia 2 de Janeiro um encontro europeu na Polónia, mantém contactos com os cristãos chineses há mais de duas décadas

Encontro no Porto

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A comunidade monástica de Taizé (França), que reúne monges de origem católica e protestante, está a concluir a distribuição de um milhão de Bíblias aos cristãos da China. A iniciativa, divulgada nas vésperas do encontro europeu de jovens que esta terça-feira começou em Poznan, na Polónia, foi concretizada através da Operação Esperança, espécie de fundo de solidariedade que a comunidade mantém para apoio a necessidades sociais ou culturais em diversas partes do mundo.

As Bíblias foram impressas na China, como forma de apoiar também a economia e os trabalhadores, disse ao PÚBLICO um dos irmãos de Taizé. O próprio prior da comunidade, irmão Aloïs, esteve três semanas no país, no início de Dezembro, acompanhado de dois outros monges de Taizé, um chinês e um coreano.

"A fé entre os cristãos deste país é muito dinâmica", relata o irmão Aloïs, alemão que sucedeu ao fundador, irmão Roger Schutz, morto em 2005 por uma mulher com perturbações mentais. "Admiramos a sua perseverança e a sua fidelidade. Houve várias pessoas que nos falaram sobre o sofrimento que os seus pais ou os seus avós atravessaram por causa da fé. Encontrámos cristãos que, no seu humilde lugar, contribuem activamente na construção do futuro do seu país."

Apesar das restrições que têm existido, a comunidade mantém contactos com os cristãos chineses há mais de duas décadas. A partir da sua experiência do início de Dezembro, o prior de Taizé escreveu a Carta da China. Em Poznan, até sábado, 2 de Janeiro, o texto será debatido em várias das dezenas de actividades que o encontro prevê - a par de duas orações diárias, a decorrer no parque de exposições.

No texto (disponível em http:/www.taize.fr/pt_article9567.html), escreve o irmão Aloïs que "as fronteiras dos países mais ricos devem poder abrir-se mais". E acrescenta: "A guerra não é inevitável. (...) É possível haver mais justiça na terra. As análises e os apelos com vista a promover a justiça e a paz não faltam. O que falta é a motivação necessária para perseverar para lá das boas intenções."

Perante um quadro de graves injustiças, o prior de Taizé sugere iniciativas que podem merecer o envolvimento pessoal: "Há muitas iniciativas de partilha que estão ao nosso alcance: desenvolver redes de entreajuda; favorecer uma economia solidária; acolher os imigrantes; (...) utilizar bem as novas tecnologias para criar laços de apoio..."

Barroso enviou mensagem

Um outro tema para o debate dos participantes será animado por um antigo presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Hungria: o que foi feito da liberdade na Europa, duas décadas depois da queda do muro de Berlim, é o mote. A questão da falta de liberdade em vastas regiões do globo, bem como a solidariedade e a justiça económica serão temas de outros ateliês.

Em mensagem aos participantes, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, regista a propósito que Poznan e a Polónia "evocam duas datas cruciais para a nossa história: o deflagrar da Segunda Guerra Mundial, em Agosto de 1939, e a queda da Cortina de Ferro, no Outono de 1989, que permitiu o regresso da democracia na Europa Central e abriu caminho à reunificação" europeia.

Além do Papa Bento XVI, do patriarca ortodoxo Bartolomeu, de Constantinopla, e do arcebispo anglicano de Cantuária, Rowan Williams, também o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, enviou uma mensagem destacando a importância da expressão "comunidade": "Sozinhos conseguimos muito pouco. Mas acções conjuntas podem mudar o mundo para melhor. Alegro-me particularmente com a ênfase que a peregrinação deste ano coloca nas questões sociais, nomeadamente sobre o sentido da liberdade."

No encontro, participam 30 mil jovens de toda a Europa. Centena e meia de paróquias mobilizaram-se para acolher os jovens, incluindo perto de 500 portugueses que participam também neste 32.º encontro europeu de jovens promovido pela comunidade de Taizé. Neles se incluem 100 jovens da diocese do Porto, como acto de preparação imediata para o encontro ibérico que decorre na cidade, em Fevereiro.

O mistério da "gaja boa"
Será que tudo se resume a um belo rabo, cabelos loiros, lábios carnudos e peito extra-avantajado? Fui tentar perceber...

http://aeiou.expresso.pt/o-misterio-da-gaja-boa=f555191
Paula Cosme Pinto, sapato nº 37 (www.expresso.pt)
20:15 Quarta-feira, 30 de Dez de 2009



Scarlett Johansson, exemplo de gaja boa





"Achas que sim? Tem umas boas pernas... mas a Scarlett Johansson é que é boa!". Sempre tinha achado a Catherine Zeta-Jones um exemplo de sensualidade e charme, mas depois desta afirmação, corroborada por vários homens, pensei: Será que é isso que os homens procuram... Ou uma "gaja boa" resume-se a um belo rabo, cabelos loiros, lábios carnudos e peito avantajado?

Como resposta, oiço algo que me deixa de boca aberta: "Para ser boa é fundamental ter um ar meio ordinareco". Posto isto, já não me surpreende nenhumas das respostas seguintes, quando decido fazer um mini "estudo de mercado" sobre o tema.

Nas preferências dos homens em causa (asseguro-vos, bem diferentes uns dos outros!), vinham a Shakira ("porque abana bem as ancas"), a Soraia Chaves (recuso a escrever aqui os porquês, mas o que é certo é que ideias não faltavam sobre o que fazer com a senhora...), a Charlize Theron (que "parece uma boneca de tão perfeita que é") e a Benedita Pereira (porque "tem cá um ar de sexo louco!"). Ninguém menciona o facto de serem mulheres interessantes ou inteligentes. Fico a pensar.

Decido fazer o mesmo teste a companheiras dos saltos altos. Todas me fazem a mesma pergunta: "Mas 'bom' em que aspecto?". Diferença número um, penso eu...


John F. Kennedy, exemplo de gajo bom

Mesmo depois de explicado que estou a falar de "gajos bons = giros, etc", na lista surgem: John F. Kennedy (porque "tinha muita presença... um ar inteligente"), Jude Law ("aqueles olhos... há ali qualquer coisa"), Sayid Jarrah ("o homem é maravilhoso") e Sting (resumindo, "um poço de charme"). Tirando alguém que me menciona "os ombros largos" do Brad Pitt, na primeira abordagem mais ninguém fala do "gajo bom" como objecto sexual.... Mas sim como um potencial homem para ir jantar fora.

Escusado será resumir aqui as diferenças entre as respostas dos dois nichos em estudo. Mas ficam-me duas perguntas na cabeça: Será que para os homens uma mulher "interessante" nunca será uma gaja boa? E no caso das mulheres, será que um homem com um corpo escultural nunca será suficientemente "bom"? (Ainda) Não consegui perceber.

Ps - Eu voto no Javier Bardem... os motivos explico noutro dia! ;)

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Explicada a orelha cortada de Van Gogh?
Uma nova teoria baseia-se num quadro do pintor holandês para esclarecer a orelha cortada, pintada num dos seus mais famosos auto-retratos.

http://aeiou.expresso.pt/explicada-a-orelha-cortada-de-van-gogh=f554937
Raquel Albuquerque (www.expresso.pt)

Um auto-retrato do pintor que mostra a orelha cortada.

Um dos mistérios da História de Arte está num quadro do pintor holandês Vincent Van Gogh, de 1889. Num auto-retrato, o pintor aparece com uma orelha enfaixada, sem nunca ter explicado o que aconteceu. Uma das teorias apontava para que tivesse sido Paul Gauguin, pintor francês e amigo de Van Gogh, a cortar a orelha ao pintor, em resultado de uma discussão.

Mas existe agora uma nova teoria. Martin Bailey, especialista em arte e autor de um livro sobre o pintor holandês, afirmou que Van Gogh cortou a sua orelha depois de receber a notícia do casamento do irmão, Theo. "Vincent receeou perder o apoio emocional e financeiro do irmão", escreveu Martin Bailey, na edição de Janeiro do Art Newspaper , segundo o Timesonline . Theo era negociante de arte, tinha estado na origem do lançamento do trabalho do irmão e pagava-lhe mensalmente.

O especialista de arte baseia a sua teoria num envelope pintado num quadro de Van Gogh ( Drawing board pipe onions and Sealing Wax , 1889). Depois de o analisar ao microscópio, Bailey diz ter descoberto o número 67. Esse seria o número da estação de correios da Place des Abbesses, perto da casa do irmão do pintor, em Montmartre, Paris. O envelope representaria a carta escrita por Theo, em Dezembro de 1888, anunciando o seu casamento.
O quadro que ajudou a explicar o mistério.


Várias teorias procuraram explicar o que aconteceu à orelha do pintor. Investigadores da Universidade de Hamburgo afirmaram que foi Paul Gauguin, pintor francês, que cortou a orelha a Van Gogh, depois de uma discussão por causa de uma prostituta. No entanto, o Museu de Van Gogh em Amesterdão afastou essa teoria.

Em dez anos de carreira artística (1880-1890) Van Gogh pintou cerca de 864 quadros, muitos apenas conhecidos depois da sua morte em 1890, aos 37 anos.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Arqueologia
Copérnico vai ser enterrado 467 anos depois
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1457555
Hoje


Os ossos do astrónomo foram descobertos há quatro anos, por arqueólogos polacos. Especialistas policiais reconstruíram o rosto do cientista que disse que a Terra é que se movia em volta do Sol.

O astrónomo Nicolau Copérnico terá um enterro solene no próximo dia 22 de Maio, 467 anos depois da sua morte. A informação foi dada pelo porta- -voz eclesiástico da diocese de Erm- land, no Noroeste da Polónia.

O funeral dos restos mortais deste cientista, que viveu entre 1473 e 1543, será realizado na catedral de Frau- enburger. Os ossos cranianos desenterrados há quatro anos serão sepultados debaixo de um dos altares da catedral. Em Janeiro irão começar os trabalhos para se construir o túmulo de duas toneladas de granito negro.

Os restos mortais foram descobertos por arqueólogos polacos em Grabungen. Três anos depois, uma análise de ADN trouxe a certeza de que eram os restos mortais do astrónomo. Especialistas policiais reconstruíram o rosto do cientista, com base nos ossos encontrados, que coincide com o retrato de Copérnico.

O cientista desenvolveu a teoria heliocêntrica - a Terra move-se em volta do Sol. A sua obra "De Revolutionibus Orbium Coelestium" é considerada uma pedra basilar da astronomia.

Sentidos
Mulheres têm melhor tacto que os homens
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1457596
por BRUNO ABREUHoje


Investigadores da Universidade de Ontário, no Canadá, descobriram porque é que as mulheres têm melhor tacto do que os homens. Os responsáveis são os receptores sensoriais que temos nas pontas dos dedos. Como o sexo feminino tende a ter as mãos mais pequenas do que o masculino, os sensores que identificam as texturas estão mais concentrados.

Mãos pequenas. É este o segredo que faz com que as mulheres tenham normalmente mais sensibilidade nas mãos que os homens. Tudo porque ao serem menores, as mãos femininas têm os receptores sensoriais mais concentrados e poderosos. Uma capacidade que pode ser partilhada pelos homens que, ao contrário do que é geneticamente habitual, tenham as mãos tão ou mais pequenas que as delas. A descoberta foi feita por investigadores da Universidade de Ontário, no Canadá.

"Os neurocientistas já sabiam há algum tempo que algumas pessoas têm melhor sentido de tacto do que outras, mas as razões para esta diferença eram um mistério", explicou ao Journal of Neuroscience um dos autores do estudo, Daniel Goldreich.

Para compreender porque é que os sexos têm diferentes sensibilidades nos dedos, os autores do estudo mediram primeiro a ponta do dedo indicador de 100 estudantes da universidade. A capacidade táctil foi testada premindo progressivamente uma série de sulcos paralelos contra as pontas dos dedos - o equivalente do tacto para a escala optométrica (tabela com letras de diferentes tamanhos, que se usa no oftalmologista).

Os investigadores descobriram que os pessoas da mesma idade têm habitualmente o mesmo número de sensores nas pontas dos dedos. E que a chave do mistério estava no tamanho das mãos: as pessoas com dedos mais pequenos conseguiam sentir sulcos mais apertados. "A diferença entre os sexos parece ser inteiramente devido à relação entre o tamanho das pontas dos dedos das pessoas", diz Ethan Lerner, médico do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, que não está envolvido no estudo. O médico explica que não chega ser mulher para ter uma sensibilidade maior, pois "um homem com pontas dos dedos mais pequenas do que as de uma mulher será mais sensível ao toque do que ela".

Os cientistas canadianos exploraram ainda porque é que os dedos mais pequenos transmitem mais sensações. E a explicação é simples: têm os receptores sensoriais mais concentrados.

Diversos tipos de sensores ligam o interior da pele e cada um deles detecta um tipo específico de estimulação exterior. Alguns receptores, chamados de células de Merkel, respondem a texturas estáticos, enquanto que outros captam as vibrações ou os movimentos.

Quando a pele é estimulada, os receptores activados dão sinal ao sistema nervoso central, onde o cérebro processa a informação e gera imagens da maneira como uma superfície é "sentida". Fazendo uma comparação, são como os pixéis numa fotografia. Cada receptor envia um "pixel" da imagem táctil para o cérebro: quantos mais receptores por centímetro, mais clara é a imagem.

Para descobrir se os dedos pequenos tinham mais receptores, os investigadores mediram a distância entre os poros nos estudantes. Isto porque as células de Merkel agrupam-se nas bases dos poros da pele. As pessoas com dedos mais pequenos tinham maior densidade de poros e receptores mais concentrados.

"Vamos tornar-nos super-sapienscabeçudos"EntrevistaYves Coppens
Quem somos, donde viemos, para onde vamos? Estes foram alguns temas da conversa que tivemos há dias, em Lisboa, com o paleontólogo francês Yves Coppens, que falou com o P2 entre uma conferência sobre os mamutes e outra sobre o "acontecimento Homo".

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/29-12-2009/vamos-tornarnos--supersapienscabecudosentrevistayves-coppens-18491512.htm
Por Ana Gerschenfeld


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"Crânio pequeno", comenta em voz baixa Yves Coppens. Está a olhar para o retrato de um personagem do século XVIII, pendurado na sala da Embaixada de França onde nos encontramos. "Desculpe", acrescenta logo, mas explica que não consegue deixar de ver os ossos por baixo da pele e dos músculos quando olha para uma cara. Mesmo que seja um retrato. Coppens, paleontólogo há 50 anos, gosta de contar histórias da sua vida científica e conta-as muito bem. Na véspera, no Instituto Franco-Português, em Lisboa, com o seu ar de Pai Natal e a sua voz suave, deleitou a assistência durante duas horas com a descrição dos seus trabalhos de juventude sobre os mamutes e os elefantes. Mas a sua grande descoberta foi Lucy, o celebérrimo esqueleto de Australopithecus afarensis, encontrado em 1974, quando Coppens dirigia, com vários colegas, uma expedição científica internacional ao deserto de Afar, na Etiópia. E hoje ainda, aos 75 anos, continua a viajar para lugares recônditos e inóspitos do planeta à procura das origens dos homens.

Qual é, em grandes linhas, a história mais provável da origem e da disseminação geográfica de Homo sapiens?

O homem é um primata e a sua história está ligada à dos primatas. Os primatas aparecem há uns 70 milhões de anos e surgem porque nessa altura - há sempre uma razão ambiental - aparecem as plantas com flores. As plantas com flores fazem frutos. De facto, os primatas são animais insectívoros que se adaptaram ao consumo de frutos e à vida nas árvores. Aliás, ainda temos em nós os vestígios disso tudo: continuamos a comer fruta, temos os olhos à frente do rosto para apreciar as distâncias (o que é bom para saltar de ramo em ramo), vemos às cores, o que é útil para saber se a fruta está madura ou não.

A vida nas árvores dos nossos antepassados também ficou registada na nossa clavícula - que não é feita para abraçar melhor os amigos, mas para abraçar melhor as árvores e conseguir trepar. Temos cinco dedos para agarrar coisas e se perdemos as garras e adquirimos unhas, também foi para facilitar a subida. Todos estes sinais anatómicos remontam à época da passagem dos insectívoros para os primatas.

Damos agora um grande salto e chegamos a dez milhões de anos atrás, quando a família dos grandes símios africanos, nomeadamente os chimpanzés, se separa da nossa família. E nessa altura, sem dúvida também por razões ambientais, uns continuam a viver num meio coberto, florestal, denso, enquanto os outros - nós - passam para um meio menos coberto, uma floresta menos densa ou uma savana arborizada. É aí que começa a aparecer uma série de pré-humanos, que são preciosos porque nos fornecem informações sobre o nosso passado próximo. São os fósseis de Tumai, com sete milhões de anos [descobertos no Chade em 2001], de Orrorin, com seis milhões de anos [2000, Quénia], os ardipitecos, com 5,8 a 4,4 milhões de anos, os australopitecos como a Lucy [3,2 milhões de anos], etc. Estes hominídeos ainda não são humanos.

Que características têm?

São todos tropicais, surgem todos em África, têm um encéfalo que tende a desenvolver-se aos poucos, uma face que vai aos poucos perdendo o focinho para se tornar mais plana, andam todos de pé. No início, são bípedes e arborícolas ao mesmo tempo - andam a pé mas continuam a trepar às árvores. Mas há uns quatro milhões de anos, acabam por se virar exclusivamente para a marcha, abandonando os ramos. Estas espécies são o viveiro, o bouquet de formas que precede a Humanidade. Entre eles está Lucy, a minha preferida.

De quem falaremos mais adiante...

Chegamos assim a uns três milhões de anos atrás - e é aí que um desses pré-humanos se torna homem. Mais uma vez, por causa de uma mudança climática - e neste caso, para se adaptar a um aquecimento. Isto acontece há 2,7 ou 2,8 milhões de anos. Eu estudei esta questão e mostrei a correlação entre as mudanças climáticas e a origem do homem. O homem aparece porque um pré-humano teve a obrigação de se adaptar a uma mudança ambiental; a transformação de pré-humano em humano é uma adaptação ambiental.

O que distingue o pré-humano do humano?

Duas coisas essenciais. Como vimos, o pré-humano já estava de pé, era exclusivamente bípede, mas desta vez, são os dentes que mudam: tornam-se dentes de omnívoro. Como há menos vegetais [devido ao aquecimento], esse pré-humano começa também a comer carne. O seu cérebro também se desenvolve nitidamente, tanto do ponto de vista volumétrico como da sua complexidade. Como os cérebros dos nossos antepassados já desapareceram, fazem-se moldes da cavidade que ocupavam no crânio e os moldes mostram uma crescente complexidade dos lobos cerebrais e da irrigação sanguínea, que deixaram as suas marcas na face interna da caixa craniana.

Por sua vez, o desenvolvimento do cérebro, que é a forma de adaptação escolhida por aquela personagem - o Homo habilis - traz com ele a consciência, o que é realmente extraordinário. Significa que em vez de saber - como Lucy provavelmente sabia -, graças a um bocadinho de córtex a mais, a um punhado de células cerebrais a mais, o Homo habilis sabe que sabe, como uma espécie de retorno em espelho. E, sabendo que sabe, pode antecipar o futuro, pode imaginar coisas. É a partir dessa altura que, em vez de utilizar simplesmente os objectos à sua volta, começa a transformá-los. E isso muda tudo. "More is different", como dizem os ingleses. Apenas um bocadinho de cérebro a mais e sobe-se logo para o nível acima. Acontece como nos impostos: basta ganhar mais uns cêntimos para passar para o escalão superior e pagar três vezes mais (acabei de pensar nisso agora mesmo). O mesmo acontece com a vida: com um pequeno acrescento, o cérebro torna-se capaz de reflexão.

Portanto, o homem aparece nos trópicos, em África, onde viveram todos os seus predecessores, incluindo o pré-humano que se tornou homem, e vai espalhar-se geograficamente, primeiro por esse continente fora e depois pela Eurásia.

É, portanto, o Homo habilis que começa a viajar.

Sim, penso que sim. Há quem tenha dito que foi o Homo erectus [mais tardio], mas não há qualquer razão para que o Homo habilis tenha ficado lá à espera, a pensar "quando for erectus, vou começar a mexer-me" [ri-se].

E essa migração acontece porquê?

Acho que tem a ver com a procura de alimentos, numa altura em que a demografia começa lentamente a crescer. Quando um grupo destes humanos caçadores-recolectores atinge um certo patamar numérico, alguns deles têm de formar um novo grupo noutro sítio. E quando esse grupo atinge, por sua vez, o patamar, um novo grupo desloca-se para um pouco mais longe. Fala-se em 50 quilómetros por geração, o que significa que foram precisos 15 mil anos para passar dos trópicos para a Europa. Como as técnicas de datação não são tão finas, não os vemos a deslocar-se; vemo-los ali e depois vemo-los aqui - e entretanto, passaram-se 15 mil anos.

Mas então, onde aparece pela primeira vez o Homo sapiens?

É preciso não esquecer que os territórios na altura eram imensos: abrangiam a totalidade da África e Eurásia. Os diversos grupos estavam isolados uns dos outros e isso conduziu a uma diversificação das espécies humanas. O Homo habilis inicial tornou-se Homo erectus em cada sítio onde estava - e, por sua vez, o Homo erectus tornou-se Neandertal na Europa (que funcionava como uma ilha na época das glaciações), sapiens em África e na Ásia continental, Homem de Java na ilha de Java e Homem das Flores na ilha das Flores. Há sem dúvida outros, cujos fósseis vamos encontrar um dia.

Esta diversificação humana aconteceu há quanto tempo?

Há 50 a 100 mil anos. Mas a difusão do homem começou dois milhões de anos mais cedo e a sua diversificação há mais de um milhão de anos. Há quem diga que o Neandertal tem 200, 300 ou mesmo 400 mil anos. Os mais arrojados dizem 500 mil - e eu digo que tem muito mais. E desses quatro tipos de humanos (Neandertal, sapiens, Java, Flores) só o Homo sapiens é que se vai deslocar (há 40 a 60 mil anos).

O Homo sapiens espalha-se a partir da África?

Da África e da Ásia (China, Mongólia, Sudeste asiático). Passa para a América, onde não há ninguém, para a Austrália, onde também não há ninguém. Mas também para Java, Flores e para a Europa, onde já há outros homens. Em todas as regiões onde já existem populações, o Homo sapiens vai coabitar com elas e acabar por as eliminar, por assim dizer. A prazo, o Neandertal, o Homem de Java e o de Flores desaparecem e só resta o Homo sapiens. É por isso que somos todos sapiens.

Foi um dos descobridores de Lucy, com o norte-americano Donald Johanson e outros. Quando encontraram a Lucy, perceberam logo a sua importância?De maneira nenhuma. Eu já trabalhava, na altura, no Sul da Etiópia, onde já tinha encontrado fósseis de hominídeos. E sabia que os fósseis do deserto de Afar tinham a idade certa para conter também fósseis de hominídeos. Aliás, num colóquio antes da nossa expedição, tinha mesmo anunciado que iríamos lá encontrar hominídeos. Não falhou. Mas era previsível.

Quando começámos o trabalho em Afar, em 1972, encontrámos muitos vertebrados, mas nenhum hominídeo. Mas logo em 1973 começámos a encontrar alguns fósseis de hominídeos e nos anos seguintes ainda mais. Começámos por encontrar um bocado de osso temporal e um joelho, que baptizei "o joelho de Claire" [do título de um filme de Eric Rohmer]. Portanto, quando dois jovens da nossa equipa encontraram os primeiros fragmentos de Lucy, pareceu-nos interessante, mas nada de extravagante.

Quando voltámos ao local, em 1974, e fomos desenterrando mais fragmentos, vimos que eles tinham mais ou menos o mesmo calibre e a mesma cor, a mesma densidade e que as suas dimensões eram compatíveis com o facto de terem pertencido a um único e mesmo esqueleto. No início, Lucy era apenas o AL-288 - um conjunto de fósseis encontrados numa dada localidade de Afar. Aos poucos, fomos percebendo que se tratava provavelmente de um único indivíduo. E isso permitiu-nos obter uma silhueta. De repente, ficámos com uma ideia da sua altura - 1,10 a 1,20 metros -, do seu peso (20 a 25 quilos) e também das articulações e da proporção das suas extremidades superiores em relação às inferiores. Foi assim que vimos que as curvas da coluna vertebral, a forma muito achatada da bacia mostravam que esse ser andava de pé. Mas, por outro lado, as articulações do úmero e do joelho mostravam que era arborícola. Era a primeira vez que se descobria no mesmo esqueleto sinais de bipedismo e de vida nas árvores. Era uma demonstração inesperada e fantástica do estado intermédio entre o carácter arborícola de antes e o bipedismo de depois.

Por que lhe chamaram Lucy?

Lucy era o fóssil 288. Na grande tenda-laboratório onde marcávamos os fósseis, que não era uma tarefa muito divertida, costumávamos conversar ou ouvir rádio ou cassetes de Bach, Mozart, dos Beatles. Acontece que no dia em que marcámos o osso da bacia e percebemos que era do sexo feminino, estávamos a ouvir Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles. A partir daí, 288 passou a chamar-se Lucy, que era, admitamos, uma designação mais elegante.

Foi recentemente publicado o estudo de uma outra hominídea fóssil, Ardi (ardipiteco), cujos ossos sugerem que nós, humanos, somos muito mais parecidos com o antepassado comum ao homem moderno e aos chimpanzés do que os próprios chimpanzés. Ou seja, que foram os chimpanzés que divergiram muito a partir desse antepassado comum e não nós, como se pensava. O que acha desta teoria?

Penso, o que não é novo, que os chimpanzés também se especializaram. Ou seja, que essa maneira que têm hoje de se erguer de vez em quando ou de andar nas quatro patas apoiando-se nos nós dos dedos das mãos é muito específico dos chimpanzés. Isso já se sabia, mas é verdade que se pensava que o antepassado comum teria mais a silhueta de um chimpanzé. Ardipiteco mostrou que não era bem assim. Mas a mim agrada-me essa especialização em duas direcções, ao mesmo tempo na direcção dos pré-chimpanzés e dos chimpanzés, por um lado, e na direcção dos pré-humanos e dos humanos por outro.

O facto de o registo fóssil da Humanidade ser tão fragmentado, tão incompleto, deve ser frustrante. Pensa que a genética vai conseguir fornecer respostas que faltam para colmatar as brechas?

Colmatar as brechas não me parece, porque será sempre precisa uma demonstração paleontológica para ter a certeza do que a genética nos diz. Mas todas essas ciências, genéticas ou moleculares, são preciosas porque fornecem elementos novos. Portanto, os paleontólogos permanecem atentos aos dados vindos dessas ciências.

Tem dito que não gosta muito da teoria darwiniana porque, nela, o acaso parece funcionar bem de mais. Pode explicar?

A ideia de Darwin da selecção natural é uma realidade, mas a evolução é um fenómeno complexo que não se explica só pela selecção natural. Eu acho que Darwin era um homem de grande qualidade, de grande lucidez e clareza de pensamento, que fez um grande trabalho - um homem de síntese por excelência. O que eu digo é que, no terreno, sempre vi os animais transformarem-se no bom sentido. Portanto, eu era sobretudo crítico da interpretação genética [que diz que a selecção natural opera sobre mutações aleatórias], porque me parecia que as mutações aleatórias eram demasiado boas - que o acaso fazia demasiado bem as coisas, por assim dizer.

Christian de Duve, o Prémio Nobel de Medicina, deu-me uma explicação interessante. Segundo ele, é preciso ter em conta o stress induzido pelas mudanças climáticas. Nessas condições, as mutações continuam a ser aleatórias, mas aparecem às centenas ao mesmo tempo. E quando isto acontece, o acaso fornece uma escolha muito maior [à selecção natural]. Acho que isto permite em parte explicar por que é que, no terreno, as coisas não parecem ser o fruto do acaso. Quando a escolha é possível entre 500 opções, é mais fácil acertar no alvo do que quando só existem duas opções.

Há quem diga que os humanos já não evoluem - e outros que afirmam que os nossos genes nunca tinham evoluído tão depressa como nos últimos 1000 a 2000 anos, nomeadamente por causa da mudança de dieta, da explosão demográfica, etc. Acha que ainda estamos a evoluir?

Continuamos com certeza a evoluir. Mas com um pouco menos de ruído. E é verdade que a cultura, que tem funcionado como um ecrã entre a solicitação ambiental e a resposta da nossa anatomia, tem limitado os estragos, por assim dizer.

E como vamos evoluir?

Vamos transformar-nos noutra coisa. Não em mil ou dois 2000 anos, mas mais para a frente: vejo um desenvolvimento do encéfalo, do cérebro, que se vai tornar mais complexo, mais denso, mais rico em neurónios, com mais sinapses, mais volumoso também - o que quer dizer partos mais problemáticos. Mas isso pode resolver-se naturalmente com uma redução do tempo de gestação, dando ao crânio da criança a possibilidade de crescer tranquilamente fora da barriga da sua mãe.

Vamos transformar-nos em super-sapiens?

Sim, vamos tornar-nos super-sapiens cabeçudos. Em vez de termos 1500 centímetros cúbicos de volume craniano, o que não é nada, vamos ter 5000 cc.

Mas não vamos conseguir mexer-nos!

Sim, vamos. Lucy tinha apenas 400 cc! Se ela estivesse cá e visse o tamanho das nossas cabeças, ou acharia graça ou ficaria muito assustada - ou morria a rir ou fugia a sete pés.

Outros caracteres físicos terão de evoluir também para suportar o cérebro.

Forçosamente. Os caracteres evoluem em função uns dos outros. Mas só até certo ponto, uma vez que precisamos de conseguir estar de pé ou sentados. Eu teria gostado que a roda aparecesse na anatomia humana, mas isso nunca aconteceu...

O que faz actualmente?

De há dez anos para cá tenho-me dedicado a escavar o permafrost da Sibéria e da Mongólia, à procura de mamutes. O último que encontrámos, e que ainda não vi, tem 47 mil anos. Outros têm entre 15 mil e 25 mil anos.

Então já não se interessa pelo homem?

Pelo contrário. Imagine o que seria encontrar, ao pé de um mamute, um caçador - ou uma caçadora - perfeitamente conservado, durante milhares e milhares de anos, a 15 graus negativos!

As proporções divinas do rosto feminino
Estudo revela novas proporções ideais da beleza do rosto feminino. O espaço entre os olhos e a distância dos olhos à boca são determinantes.
http://aeiou.expresso.pt/as-proporcoes-divinas-do-rosto-feminino=f554539

Raquel Albuquerque (www.expresso.pt)

15:19 Quarta-feira, 23 de Dez de 2009

As caras identificadas foram consideradas as mais belas. Na primeira linha muda a distância entre os olhos e a boca, na a distância entre os olhos.


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Investigadores afirmam ter identificado a relação perfeita entre os olhos, a boca e o formato da cara de uma mulher. A distância entre os olhos é um dos factores determinantes. O outro factor é a distância dos olhos em relação à boca. Os investigadores norte-americanos da Universidade da Califórnia, San Diego e da Universidade de Toronto acreditam que os dois rácios são determinantes para definir a beleza de uma mulher e o grau de atracção.
Em quatro experiências diferentes, os investigadores pediram a estudantes que comparassem a beleza de vários rostos femininos, com traços faciais idênticos, mas com diferentes distâncias entre os olhos e a boca.
Os resultados indicam que a distância entre os olhos deveria corresponder a 46 por cento da largura da cara, enquanto que a distância dos olhos à boca deveria ser 36 por cento do comprimento total do rosto.
Já desde a Antiguidade Clássica que se procuram definir as proporções ideais para a beleza facial da mulher. "Os gregos descobriram o que eles achavam ser o 'número de ouro' - também conhecido como 'proporção divina' - e usaram-no na arquitectura e arte. Há quem diga que Leonardo DaVinci usou esse rácio quando pintou a Mona Lisa", explica Pamela Pallett, uma das investigadoras envolvidas no projecto.
O estudo contou com o apoio dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Palavras-chave estudo boca olhos beleza rosto feminino proporção divina rácio


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Proporção divina

Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), ontem às 21:40

Os gregos, e todos os grandes criadores do passado, entre eles o grande Leonardo, sabiam muito bem o que era a "proporção divina". A beleza do rosto humano é, sem dúvida, uma das manifestações mais extraordinárias da beleza divina. Mas um rosto não é rosto porque tem uma proporção matemática; o Rosto é rosto, e como tal fala, e diz, de facto diz quase tudo o que sobre uma pessoa se pode saber mesmo sem ela dizer palavra, porque o Rosto mostra muito do que a pessoa é. E a beleza de um rosto não está na equidistância das linhas; está sobretudo na alma que o habita: sem a alma o rosto não passa de uma carapaça plástica. Por isso, uma mulher verdadeiramente bela não é a mulher que faz muitas correcções plásticas ou se carrega de disfarces sem conta; a mulher mais bela é sempre a mulher mais pura, mais íntegra, mais autêntica. E claro, apesar das barbas e dos seus muitos picos, o mesmo se pode, e deve, dizer do homem: de qualquer homem que verdadeiramente o seja.
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As proporções divinas do rosto feminino

Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , ontem às 23:17

Se é a distância dos olhos à boca, ou se é uma bunda abundante, ou uma boa prateleira, não sei. o Que sei é que cada um tem o seus gostos e ainda bem que uns gostam de morenas outros de loiras, outros de baixas ou de altas, tudo se gasta e ainda bem que acaba por não sobrar nenhuma ou muito poucas. Cá o je é como o moi, gosta delas todas e se tudo o que vem à rede é peixe, também pensa como uma bota da tropa marcha tudo por enquanto. O moi tal como o je acha tudo divino.
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sim, mas...

odagrom (seguir utilizador), 1 ponto , ontem às 20:38

Mais importante que as dimensões e proporções são os cuidados de saúde e alimentares na juventude e a prática regular de exercício físico. Passada esta fase, hoje em dia não há nada que um bisturi e uns implantes de botox não resolvam...
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sou a rosa e estive a ler os comentários

Rosa Engeitada (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 1:11

antes do meu desabafo só estavam três comentários o do senhor miranda07 o senhor toni2 e o senhor odagrom e gostei muito de todos e o senhor miranda07 é o poeta em o que interessa é a pureza e o senhor odagrom é assim mais o que é preciso é comer bem deitar cedo e cedo erguer e se houver azar vai ao médico mas o senhor toni2 é o meu preferido porque me faz lembrar o meu alfredo quando andava na tropa ai ai o que me atazanava olhava para todas e não só para ele eram todas boas e que as comia todas dizia ele só para me fazer sofrer e tanto fazia se eram altas baixas marrecas coxas ceguetas e sei lá mais o quê porque ele também dizia tal como uma bota da tropa marcha tudo e só não dizia por enquanto como o senhor toni2 mas comigo nada e dizia que era por respeito e eu bem lhe dizia para me faltar ao respeito mas nada e eu pensava a culpa eram das desavergonhadas mas um dia soube a verdade e nem vos conto mas quando o encontro ainda lhe falo e digo olá lucybela e olá responde-me ele e dá-me dois beijinhos e lá segue rua abaixo com aquele tic tac dos saltos altos e portanto espero que nunca suceda isso ao senhor toni2 e que ele mais o je e o moi continuem a comê-las todas porque são todas boas e quando não têm uma coisa têm outra e se não tiverem coisa nenhuma também não interessa porque homem que usa botas da tropa papa-as todas e quando não papa pisa e é sempre àviar ai ai que saudades do alfredo

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Diz-me o que vês, dir-te-ei quem és...
Entre três fotografias de Obama (uma "normal", uma clareada e outra escurecida), os mais progressistas escolhem o Obama mais claro e os conservadores o mais escuro. Os resultados de um estudo feito nos EUA dão que pensar. Clique para visitar o canal Life & Style.
http://aeiou.expresso.pt/diz-me-o-que-ves-dir-te-ei-quem-es=f554925
José Cardoso (www.expresso.pt)

Num estudo do cientista do comportamento Eugene Caruso, da Universidade de Chicago, perguntou-se a um grupo de estudantes qual das fotografias de Barack Obama - algumas secretamente clareadas e outras escurecidas - representavam melhor quem ele é. Os resultados foram surpreendentes: os que se afirmavam progressistas tendiam a apontar para as fotografias do Presidente clareadas digitalmente, os conservadores para as escurecidas. Ou seja, quanto mais se concorda com um político, mais claro nos parece o seu tom de pele. A seguir, excerto da conversa com Caruso.

Como é que o estudo foi feito? Queríamos saber se a pertença a um partido político influencia o modo como as pessoas vêem o mundo e os políticos. Mostrámos várias fotografias e concluímos que os que disseram ter uma orientação política progressista indicaram que as fotografias clareadas de Obama eram mais representativas do que as escurecidas. Os mais conservadores consideraram as fotografias mais escuras mais representativas do que as clareadas.

Ficou surpreendido com os resultados? Um pouco. Parte da minha investigação incide sobre a maneira como as pessoas que têm opiniões diferentes sobre um assunto conseguem compreender as opiniões de quem está do outro lado, e a conclusão geral é que as pessoas não se saem muito bem quando se trata de compreender a perspectiva de alguém com quem não estão de acordo. Contudo, para além disso, interessei-me pela ideia das nossas crenças poderem na verdade afectar o modo como vemos o mundo - ou se podem de facto afectar a nossa percepção dos objectos e das pessoas que nos rodeiam. E a conclusão é que podem.

Quais são as grandes implicações destas diferenças de percepção? O partidarismo pode afectar todo o tipo de convicções. Não surpreende que um progressista e um conservador que lêem a mesma lei sobre cuidados de saúde cheguem a conclusões muito diferentes sobre os seus méritos. Ou seja, mesmo alguma coisa que sentimos que devíamos ver de modo semelhante, como a identidade racial ou as características físicas de uma pessoa, pode ser influenciada pelo nosso desejo de ver essa pessoa de modo favorável ou desfavorável.

Imagina campanhas políticas futuras utilizando este tipo de investigação? Penso que as nossas conclusões ajudam a explicar a forma como se pode tentar influenciar o nível de apoio, por exemplo, a um candidato birracial.

Exclusivo Expresso/Newsweek (Tradução de Aida Macedo)

(Texto original publicado na Revista Única da edição do Expresso de 31 de Outubro de 2009)

terça-feira, dezembro 15, 2009

Especialista
Homem em evolução deve "inquietar-se" com o planeta
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1447127&seccao=Biosfera
por Lusa

Por muito que o Homem altere o clima, a Terra não parará de girar, mas a espécie humana, cuja evolução continua "subjugada" por biologia e ambiente, deve "inquietar-se" com o que faz ao planeta, afirma o especialista Yves Coppens.

Em entrevista à agência Lusa, o paleontólogo francês afirmou que "as mudanças climáticas fazem parte da história e as mudanças actuais não obstruem o planeta, mas podem obstruir a humanidade, não no corpo, mas nos hábitos".

"Se os mares subirem, as orlas costeitas estarão condenadas. Muitas populações vivem à beira do mar e será preciso que migrem, e os movimentos de população importantes causam sempre conflitos", frisou.

Referindo-se à maneira como a contínua "exploração empresarial" da Terra é hostil à diversidade das espécies, Yves Coppens defende que "devemos inquietar-nos com as actividades humanas que se verificam em detrimento do próprio Homem".

"Submetido" às leis da biologia e às mudanças no seu ambiente, quer físico quer cultural, o Homem "nunca deixou de evoluir", muitas vezes "de forma discreta", e o ritmo deverá continuar no futuro.

"O cérebro pode continuar a tornar-se mais complexo, mais bem irrigado, mais denso e também tornar-se mais volumoso", estima o palentólogo, afirmando que isso poderá causar problemas para as mulheres na altura do parto, mas que a própria evolução se encarregará de os resolver.

"As mulheres poderão não ter gravidezes tão longas. Em vez de nove meses, poderão ser seis ou oito meses - quem sabe? - e a criança será vulnerável e precisará de assistência durante mais tempo", afirmou, notando que as crias humanas já são "os pequenos mamíferos mais vulneráveis ou dependentes dos pais".

O tempo que as crianças passam à volta de "teclados e écrãs" poderá também ser um factor condicionante da evolução do cérebro, desenvolvendo a "prática táctil", o passo seguinte no percurso que começou com o polegar oponível à mão, permitindo aos antepassados do Homem o acto de agarrar.

Coppens, um dos descobridores, na década de 1970, do esqueleto de australopiteco "Lucy", que provou que os primeiros hominídeos começaram a andar erectos antes de o cérebro se desenvolver, já não acredita num "elo perdido", mas em juntar milhares de peças no "puzzle" da evolução, que ainda guarda muitos mistérios.

"Compreender os mecanismos da evolução" é hoje o principal objectivo de Coppens, com mais de cinquenta anos de carreira.

"O que gostaria de compreender é a maneira como os seres se transformam, as modalidades da evolução. Os fóssesis deram-nos muitos pontos de referência, ao longo da história humana, mas o que não compreendemos, porque é muito mais complexo, é a própria evolução", disse.

Para Yves Coppens, as respostas encontram-se no mundo "infinitamente pequeno dos genes, das moléculas, das células".

Aos jovens e estudantes portugueses, que muitas vezes esbarram na matemática e em outras disciplinas essenciais para as ciências, Yves Coppens recomenda que "não tenham medo da ciência".

"A ciência representa o conhecimento por excelência, e isso é liberdade. Quanto mais soubermos, mais livres somos de ter retorno sobre a realidade das coisas", disse, referindo-se a um caminho que continua milhares de anos depois de um antepassado da espécie ter tido a "audácia" de, pela primeira vez, pegar em dois calhaus e esculpir para si uma ferramenta com a qual começou a mudar o seu mundo.


Tags: Ciência, Biosfera

Discurso
Macacos dão pistas sobre origem da linguagem humana
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1447467&seccao=Biosfera
por PEDRO SOUSA TAVARESHoje


Ao combinar três chamamentos ('hok', 'krak' e 'boom') e um sufixo (oo), o macaco de Campbell produz um conjunto diversificado de 'frases', com significados muito distintos. Esta proto-sintaxe terá sido uma adaptação natural ao meio, permitindo a esta espécie africana comunicar com os membros do seu grupo e alertá-los para predadores e outros perigos iminentes

O macaco de Campbell (cercopithecus campbelli), que vive nas florestas de vários países africanos, poderá ter eliminado mais um suposto marco diferenciador dos humanos em relação a outros seres vivos - a capacidade de desenvolver e utilizar uma linguagem - ao demonstrar possuir o mais complexo tipo de comunicação descrito entre animais.

Estudos realizados durante dois anos no Tai National Park, na Costa do Marfim, revelam que o símio em questão não só é capaz de emitir seis tipos distintos de chamamentos de alerta, como os combina em sequências vogais. Por outras palavras: constrói frases rudimentares.

A investigação foi coordenada por peritos em etologia (comportamento animal) do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) francês, em articulação com universidades da Escócia e da Costa do Marfim.

O processo consistiu no registo dos diferentes sons produzidos pelos macacos de Campbell, tendo depois sido testada a sua reacção a gravações e estímulos visuais. Por exemplo, recorrendo a sons e até exemplares empalhados de predadores presentes no seu habitat natural.

Os testes permitiram identificar três "vocábulos' básicos, todos com um significado específico: hok, krak e boom, que são duplicados em mais três pelo uso do sufixo 'oo'". Mas o que verdadeiramente impressionou os investigadores foi a capacidade dos animais para combinarem estes termos de diferentes formas, com uma variedade de significados distintos (ver caixa), no que descreveram como uma "proto-sintaxe" desta espécie.

De resto, ficou demonstrado que só raramente os macacos emitem estes sons de forma isolada, sendo muito mais frequente a sua combinação em sequências de até 25 chamamentos.

Os autores do estudo - publicado na página da Internet da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, dos Estados Unidos - admitem que esta capacidade de combinar diferentes sons terá sido desenvolvida para compensar uma limitada flexibilidade vocal. Quando comparados, por exemplo, com as aves, os macacos são mais limitados no tipo de sons que podem emitir.

Um argumento que conduz, inevitavelmente, à hipó-tese de a linguagem humana ter tido, na sua origem, vocalizações animais bastante mais primárias.

No caso específico do macaco de Campbell, uma espécie arborícola (que vive sobretudo nas árvores), a reduzida visibilidade do seu habitat torna particularmente importante a existência de uma forma alternativa de manter o contacto e trocar informação - sobretudo alertas - com os da sua espécie.

Este símio vive em grupos de até 10 elementos, habitualmente constituídos por um único macho dominante, várias fêmeas e os descendentes ainda jovens.

Até agora, as tentativas de ensinar as bases da sintaxe humana a animais - não confundir com a capacidade de imitação demonstrada por várias espécies de aves - revelaram-se pouco produtivas.

Ao longo dos anos, realizaram--se várias experiências com chimpanzés - o animal geneticamente mais próximo do homem -, treinados para reconhecer e reproduzir sons humanos com o auxílio de equipamentos (como computadores). Mas, embora sendo capazes de reconhecer o significado de várias palavras, estes não conseguiam combiná-las em frases. .

Tags: Ciência, Biosfera

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Quem colonizou o Brasil? Sei lá!
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-12-2009/quem-colonizou-o-brasil-sei-la-18409746.htm
Por João Manuel Rocha

Maioria dos latino-americanos, brasileiros incluídos, não sabe de que país se tornaram independentes. Atenção comissões comemorativas

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A maior parte dos brasileiros não sabe de quem o seu país se tornou independente. Só 43 por cento responderam correctamente a uma pergunta colocada no Latinobarómetro, um estudo alargado de opinião sobre a América Latina. Mas não estão sós: exactamente 43 por cento é também a percentagem de respostas certas obtidas no conjunto dos 18 países em que a questão foi posta.

Os resultados podem parecer estranhos, mas "não devem surpreender porque o nível de educação médio na região ronda os sete anos", adverte o barómetro divulgado na sexta-feira em Santiago do Chile a partir das respostas a 20.204 entrevistas presenciais.

No caso do Brasil, o facto de se estar ainda a cerca de doze anos da efeméride, em 2022, pode ser visto como uma atenuante. E os resultados são até bastante mais animadores do que em países que este ano assinalaram já o bicentenário do início dos seus processos de independência, Equador e Bolívia, onde as respostas correctas se ficaram pelos 39 por cento.

Nos cinco países que assinalam o bicentenário no próximo ano - Argentina, Chile, Colômbia, México e Venezuela - os níveis de conhecimento são muito diversos: o Chile, com 71 por cento, e a Argentina, com 63, têm resultados francamente positivos. Os chilenos são mesmo os que mais sabem qual o momento fundador do seu país. Mas nos outros Estados que se preparam para assinalar 200 anos de independência em 2010, as respostas certas alcançaram níveis inferiores: 55 por cento na Venezuela, 40 por cento no México, 35 na Colômbia. Os resultados são "desoladores para os comités organizadores dos festejos", observou o diário espanhol El País.

Os mais alheados da data em que se quebrou a relação com a antiga potência colonizadora são os dominicanos: só 11 por cento responderam correctamente que o país foi colónia de Espanha, ainda que estejam a uma razoável distância da data do bicentenário da proclamação da independência em 1844. Os mesmos dominicanos fazem, no entanto, uma apreciação bastante positiva sobre o significado da efeméride e a influência da Espanha no seu país.

Um total de 37 por cento dos mais de 20 mil entrevistados na região não sabem ou não responderam à questão e 17 por cento erraram ao responder ao nome do colonizador.Menos que Obama

Tendo em conta as respostas a outra pergunta, o Latinobarómetro destaca que, apesar do fraco conhecimento sobre quem os colonizou, a maioria dos habitantes da região, 57 por cento, considera "muito significativo" ou "bastante significativo" o dobrar do bicentenário e 20 por cento "algo significativo", contra doze por cento que afirmaram que isso nada representa. Onze por cento dos entrevistados não responderam à pergunta.

O Brasil é, de todos os 18 países considerados, aquele em que o bicentenário é considerado "significativo" por mais gente: 77 por cento, segundo a pesquisa que no país de língua portuguesa foi feita pelo instituto Ibope, à frente da República Dominicana, cujos cidadãos, em 70 por cento, atribuem importância à efeméride. A Colômbia surge na cauda da lista, com 36 por cento.

A terceira pergunta sobre o tema visava avaliar a apreciação que os latino-americanos têm da influência da Espanha desde a descoberta da América. O resultado global foi de 57 por cento de opiniões "positiva" e "muito positiva", com uma avaliação particularmente simpática por parte dos dominicanos, 73 por cento, e dos salvadorenhos, 70. Brasil, 45 por cento, Equador, 44, e Peru, 43, surgem nos lugares do fundo.

"Espanha e o bicentenário parecem ter menos presença na opinião pública que a eleição de Barack Obama", refere o Latinobarómetro, que, a partir das respostas a outras questões do estudo, concluiu que o Presidente dos EUA é o político mais popular na região, à frente do Presidente do Brasil, Lula da Silva, e do Rei Juan Carlos, de Espanha.

O nível de conhecimento dos povos sobre o bicentenário "deixa muito a desejar e diz muito sobre a identidade cultural da América Latina e a sua vinculação a Espanha", refere também o Latinobarómetro. A leitura positiva que os cidadãos das suas ex-colónias fazem da influência de Espanha é explicada pelo estudo com a ideia de que uma imagem "se forma pelos actos do presente e não do passado". As entrevistas foram realizadas em todos os países latino-americanos, excepto em Cuba. Foram consideradas as datas de independência referidas no Latinobarómetro.

sábado, dezembro 12, 2009

Memórias que provocam medo podem ser apagadas
Cientistas descobriram que as memórias traumatizantes podem ser neutralizadas num determinado período de tempo. Clique para visitar o canal Life & Style.
http://aeiou.expresso.pt/memorias-que-provocam-medo-podem-ser-apagadas=f552571
Isabel Lopes (



As memórias associadas a sentimentos de medo já podem ser neutralizadas, segundo anunciaram cientistas da Universidade de Nova Iorque. Esta descoberta poderá constituir um avanço fundamental no tratamento do stress pós-traumático.

Num artigo publicado na revista "Nature", a equipa liderada pela psicóloga Elizabeth Phelps explica que as más memórias podem ser "apagadas" por um período de até, pelo menos, um ano.

A técnica, que explora o modo como o cérebro humano armazena e recorda as memórias, só funciona se for aplicada num máximo de seis horas após ser relembrada a experiência traumatizante. Esse período temporal é designado por "janela de reconsolidação" e trata-se de transformar algo negativo em algo positivo.

Durante a investigação, um grupo de voluntários foi ligado a eléctrodos e recebeu choques enquanto era exposto a quadrados de cores diferentes que correspondiam a imagens traumatizantes.

No dia seguinte, foi iniciada a terapia de neutralização dos traumas. As memórias de medo foram estimuladas com a exposição aos mesmos quadrados coloridos, mas desta vez sem a parte dos choques eléctricos. Esta técnica foi repetida várias vezes.

Ao terceiro dia a reacção de medo face à visão dos quadrados havia desaparecido, sugerindo que o processo de recordação estava bloqueado.

Este tratamento está, no entanto, longe de poder ser aplicado sem mais investigação, como admite a própria Elizabeth Phelps: "Vai ainda levar tempo até percebermos exactamente quando, como e onde esta técnica funciona para criar algo que seja realmente útil em termos clínicos".

No início deste ano foi divulgado um estudo que usava drogas para apagar as memórias traumatizantes: trata-se do propanol, um medicamento usadao para a hipertensão, mas que não funciona em todas as pessoas

Coimbra
A mesma boneca já deu 'à Luz' em dez cursos
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1445380
por PAULA CARMO


Projecto único no País existe há um ano e é uma verdadeira revolução no ensino médico. No Centro de Simulação Biomédica fazem-se simulacros de nascimentos difíceis para evitar erros

"Ai, ai, vai nascer, ui..." Há uma grávida [boneca], já em pleno trabalho de parto. Sem hesitação, apara-se- -lhe o sofrimento com incentivos: "Vamos lá fazer força, muito bem!" E, esforço consumado, eis que surge, ensanguentado, mais um bebé: "Nasceu!" Mãe e filho são bonecos, a maternidade é virtual, mas o treino é feito por profissionais que todos os dias trabalham nos hospitais e centros de saúde portugueses.

Quem realizou o parto? A enfermeira Maria João Tomás. Quem fez de pai? João Dinis, do 5.º ano do mestrado integrado de Engenharia Biomédica. Para a enfermeira, que trabalha nas urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), que já tem a especialidade de obstetrícia e que há 12 anos presta serviço no INEM, esta vertente formativa em simulação é crucial: "Colaboro na formação dos cenários e colaboro como participante. Para nós é uma mais-valia." Acrescenta: "Treinar estes cenários em equipa, viver as diversas dificuldades que temos em conjunto. O parto pode ser uma intervenção de ansiedade e de sofrimento para a mãe, temos de estar com atenção para com a criança que está a nascer, e para tudo o que nos rodeia." Para ela esta componente de treino das equipas de saúde é também de grande valor nas situações de urgência pré-hospitalar.

No Centro de Simulação Biomédica dos HUC decorreu, ontem, mais um curso. O décimo, desde que esta unidade foi criada a 10 de Dezembro de 2008. Desta vez, destina-se a testar acontecimentos críticos em obstetrícia. Porque o parto é um momento muito delicado, ali treinam-se técnicas e procedimentos de equipa para que se torne sempre um momento sem erros. Há, ali, uma sala de partos, um bloco operatório, uma enfermaria pós--parto (puerpério). Cenários que se assemelham, em tudo, à realidade. "Trata-se de uma estratégia nacional para evitar o erro médico", explica ao DN, Martins Nunes, director deste centro e, também, o actual director do Serviço de Anestesiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). "Formula-se um conjunto de cenários com situações críticas e raras, com recursos tecnológicos sofisticados, equipamentos de alta fidelidade, das várias especialidades médicas e de enfermagem, tudo em nome da segurança do doente." E depois é feito o treino em equipa.

A simulação médica pode ter inúmeras aplicações e já está a provocar algumas alterações ao nível do bloco central operatório dos HUC: "Lançámos há cerca de seis meses um programa-piloto de check-list - pondo em prática uma recomendação da Organização Mundial de Saúde -, uma avaliação do bloco operatório central dos HUC. Vamos lançar no dia 16 um programa de rotina no bloco operatório", explica. Vinte cinco por cento dos profissionais que ali passaram são dos HUC, os restantes do resto do País. "Este ano formámos mais de 500 médicos, 120 enfermeiros, de várias especialidades, 80 por cento são já especialistas. O feed-back é muito bom. Vamos fazer em 2010 uma avaliação pedagógica dos conteúdos formativos."

Segundo o coordenador-geral do Centro de Simulação Biomédica, António Augusto, as parcerias com empresas privadas são cruciais. A ambição de futuro é alargar, entre outros aspectos, para outros profissionais, como os bombeiros. O centro multidisciplinar nasceu exclusivamente com verbas das fundações Calouste Gulbenkian, EDP e Luso-Americana para o Desenvolvimento.

Tags: Ciência

Saúde
Os ricos vivem mais dez anos do que os pobres
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1445549
por ANA BELA FERREIRAHoje


A maior diferença na longevidade é determinada pela classe social. Estudo único em Portugal analisou os registos de duas mil pessoas que morreram em dois hospitais


Os portugueses mais ricos e com mais escolaridade vivem em média mais dez anos que os mais pobres. Esta é uma das conclusões da tese de doutoramento do enfermeiro e sociólogo Ricardo Antunes, que estudou dois mil óbitos ocorridos num hospital de Lisboa e noutro do Alentejo. Os números, apesar de inéditos em Portugal, acabam por quantificar a percepção que os médicos têm pelo contacto com populações mais pobres e mais ricas.

Ricardo Antunes passou um ano a analisar o historial clínico das pessoas que morreram nos dois hospitais. Focando a sua pesquisa nos idosos, que representam a grande maioria dos óbitos, o enfermeiro procurou informações que o ajudassem a perceber como as pessoas chegaram ao hospital e o que lhe provocou a morte. "Vi se vivam em lares ou sozinhos, que profissão tinham, se eram fumadores", explica o investigador.

As diferenças entre classes sociais foram as mais significativas que encontrou. "As classes são o que traduzem a vida das pessoas", refere. E aí Ricardo Antunes concluiu que "as pessoas com mais recursos económicos e educacionais vivem mais tempo". E garante: "essa é uma diferença maior do que a diferenças entre homens e mulheres e entre regiões do País".

No estudo, o profissional concluiu, por isso, que "em média, as pessoas com mais recursos vivem mais dez anos".

Para justificar essa diferença na longevidade, os médicos encontram várias explicações. Que não têm só a ver com o poder económico. "É uma questão de literacia, de assumir a responsabilidade que cada um tem na construção da sua própria saúde", defende Helena Cargaleiro, directora do centro de saúde da Venda Nova, na Amadora.

A especialista alerta ainda para os muitos efeitos negativos da falta de literacia na saúde, que se reflectem até "na própria percepção da saúde". "Muitas das pessoas que usam os nossos serviços aparecem só por causa de um espirro e não aparecem quando os sinais de alarme são graves", concretiza. A médica acrescenta ainda que algumas pessoas não seguem os tratamentos, porque depois de irem ao médico sentem que a responsabilidade já não é deles.

Já a população com mais escolaridade tem uma melhor percepção do seu estado de saúde. "A educação ajuda a perceber o que se passa", reconhece João Sequeira Carlos, médico no Hospital da Luz, em Lisboa. Além disso, as pessoas com mais recursos também adoptam estilos de vida saudáveis mais cedo, porque percebem os efeitos que isso terá, adianta Ricardo Antunes.

"As pessoas com mais rendimentos deixam de fumar mais cedo, mudam os hábitos alimentares e começam a fazer exercício físico", explica o investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.

A população mais rica começa também a praticar exercício físico, mais cedo, uma aposta que a s pessoas com menos escolaridade não faz. A acrescentar a estes comportamentos, as pessoas com menos poder económico fumam mais e durante mais anos, diz Ricardo Antunes.

O acesso a um seguro de saúde também tem vantagens. A ida a um hospital privado depende muitas vezes desse seguro e aí os tempos de espera são mais reduzidos e a lista para cirurgias também. Por outro lado, as pessoas com mais nível educacional fazem mais rastreios e estão mais sensibilizadas para a importância dos diagnósticos precoces, que "salvam muitas vidas e aumentam a longevidade", avisa Ricardo Antunes.

O que não tem influência nesta diferença de uma década de vida são as doenças que afectam as duas classes. Tanto os mais ricos como os mais pobres têm os mesmos problemas, à excepção da tuberculose (ver caixa ao lado), que continua a ser associada às piores condições de vida.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

11 de SetembroSe alguém escreve "Diz-me se estás bem", isso é de interesse público?
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/11-12-2009/11-de-setembrose-alguem-escreve-dizme-se-estas-bem-isso-e-de-interesse-publico-18391381.htm
Por Rita Siza, Washington

Confissões, pedidos de desculpa, declarações de amor. A divulgação de 570 mil mensagens enviadas no dia 11 de Setembro de 2001 suscitou a polémica. A vida íntima de muitas pessoas foi devassada, com a divulgação de nomes e números de telefone de quem as escreveu. E a segurança do país foi posta em causa, argumentam os críticos. Foi pedida uma investigação

Desabafos, alertas e súplicas: "Se não me ligas já para me dizeres que não estás morto, mato-te"

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Vários advogados americanos puseram em causa o interesse público da publicação de milhares de mensagens alfanuméricas de pager trocadas ao longo do dia 11 de Setembro de 2001, enquanto os Estados Unidos viviam o primeiro atentado terrorista da sua história. A divulgação da informação, por ordem cronológica, desde as três da manhã até à mesma hora do dia seguinte, foi feita pelo site Wikileaks.

A informação, cuja fonte não é atribuída, é essencialmente anódina no que diz respeito à explicação do que aconteceu naquele dia. Não introduz nenhum novo elemento nem acrescenta nada à vasta quantidade de informação disponível sobre o que se passou - o que poderá, talvez, explicar a indiferença com que os media norte-americanos lidaram com o assunto. Nem mesmo os adeptos das teorias da conspiração lhes encontraram, por enquanto, utilidade. A sua publicação não deixou, contudo, de estar rodeada de controvérsia, e mereceu já comentários a vários especialistas jurídicos, que alegam que o direito à privacidade de milhares de pessoas foi violado sem que tal facto fosse justificado pelo interesse público das suas comunicações particulares.

O pacote de mais de 570 mil mensagens, que sem dúvida serão acrescentadas à colecção de factos do 11 de Setembro, pode não contar nenhuma história nova, mas abre uma minúscula janela para as histórias dos milhares de pessoas envolvidas e/ou afectadas pelos acontecimentos daquele dia. Pessoas que, surpreendidas, assustadas ou desesperadas pelas imagens transmitidas pela televisão, usaram os seus pagers para trocar mensagens obviamente pessoais e íntimas: confissões, pedidos de desculpa, declarações de amor...

A maioria das mensagens corresponde, no entanto, a alertas automáticos e protocolos de resposta de sistemas informáticos, a números telefónicos ou códigos usados pelas autoridades e serviços de emergência. A sua divulgação no site http://911.wikileaks.org/ levanta algumas questões de segurança. "Temos de nos perguntar como foi possível aceder a estas mensagens. E temos de nos perguntar até que ponto as comunicações sensíveis em redes à partida protegidas podem ser tão facilmente interceptadas", comentou um especialista em segurança na Internet.

O congressista republicano de Nova Iorque Pete King pediu a abertura de uma investigação. "Houve uma óbvia fuga de informação com ramificações na vida pessoal de milhares de pessoas e mais significativamente na segurança doméstica do país e esse facto não pode passar impune", considerou.

Pouco tempo depois de dois aviões embaterem contra as torres do World Trade Center, tanto o serviço de Internet como os sinais de telefone fixo e móvel foram cortados; as telecomunicações em Nova Iorque ficaram circunscritas às frequências de emergência e aos pagers alfanuméricos. As redes da Skytel, Arch Wireless e Metrocall continuaram activas, enquanto todos os outros serviços falharam. Essas três empresas compõem a chamada rede Mobitex, que começou a ser usada pelos serviços de emergência e militares no início da década de 90.

A companhia de telecomunicações USA Mobility, cujas mensagens de pager constam entre aquelas publicadas, tornou público o seu "desconforto" pelo facto de o seu arquivo poder ter sido acedido, copiado e publicado na Internet.

Devassa da intimidade

O site Wikileaks, criado em 2006, tem por missão a promoção da transparência entre os governos, as instituições, as empresas e o público em geral. É mantido segundo o princípio da fuga de informação (leak, na gíria jornalística norte-americana) principalmente por fontes anónimas, que disponibilizam relatórios, pareceres e outro tipo de documentos confidenciais ou sob reserva que, de outra maneira, estariam inacessíveis à maior parte da população.

Os gestores do site recusaram-se a revelar como tiveram acesso a estes milhares de mensagens, mas sublinharam confiar que o material é fidedigno. "Pelo contexto que a nossa fonte nos forneceu, temos fortes razões para acreditar que todas estas mensagens são verídicas", referiu um porta-voz do Wikileaks, acrescentando que essas mensagens foram originadas no Pentágono, FBI, Federal Emergency Management Agency, departamento de polícia de Nova Iorque e bancos de investimento dentro do World Trade Center.

O mesmo porta-voz justificou a decisão de publicar as mensagens alegando que se trata de "informação com valor histórico". E acrescentou: "Estas mensagens são um registo significativo e completamente objectivo de um dos momentos mais determinantes do nossos tempos."

As autoridades norte-americanas não confirmaram se as mensagens são ou não genuínas. A polícia e os bombeiros da cidade de Nova Iorque disseram que não podiam garantir que correspondiam às reais comunicações dos respectivos departamentos e os serviços secretos simplesmente escusaram-se a falar sobre o assunto.

Vários analistas independentes validaram, contudo, a veracidade das mensagens, mas questionaram o seu real valor. E as suas dúvidas nem dizem tanto respeito à possível exposição dos códigos das agências de segurança.

As suas reservas têm a ver com a divulgação não autorizada dos números telefónicos, endereços de e-mail e das relações pessoais e detalhes da vida privada das pessoas apanhadas nestas "escutas".

Um blogue mantido por elementos do exército norte-americano lamentou que estas trocas pessoais estejam agora disponíveis no ciberespaço. "Não há nenhuma razão para a partilha destas mensagens, a não ser a alimentação do sensacionalismo e do voyeurismo sobre a vida de pessoas comuns, que nem sequer sabemos se sobreviveram ou não aos ataques. É uma devassa total da sua intimidade e uma exploração dos seus sentimentos mais profundos", critica um militar da Navy Seal (a tropa de elite da Marinha).

Para alguns críticos, a decisão da Wikileaks de disponibilizar este material veio ferir a sua própria credibilidade. "É uma leitura interessante, mas isso não pode escamotear o facto de que a sua publicação é errada. São mensagens pessoais que não têm relevância para o interesse público. O Wikileaks desceu ao nível dos tablóides", comentou um dos utilizadores do site.

Um outro deixou uma dúvida: "Só porque alguém escreve "Diz-me se estás bem" no dia 11 de Setembro, isso é do interesse público? Isso tem valor histórico?" E lembra que o nome e o número dessa pessoa está identificado nesta lista. "E se a mensagem não foi para a mulher, mas sim para a amante?", questiona.

O professor de Ciências da Computação Eugene Spafford, da Universidade de Duke, diz que a lição a tirar deste caso é que "os utilizadores de mensagens de texto, em pagers ou telemóveis, já não podem esperar que a sua privacidade esteja protegida".

"Aquilo que enviamos ou recebemos nos nossos aparelhos pode ser interceptado e disponibilizado em tempo real", avisa este professor. "Ou então a informação pode ser guardada e recuperada muitos anos depois, como agora. Num ou noutro caso, a conclusão é a mesma: a privacidade nas telecomunicações não existe."

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Fenómeno raro
Icebergue com 140 km2 dirige-se para a Austrália
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1442514&seccao=Biosfera
por LusaOntem


Um icebergue com 140 quilómetros quadrados que se desprendeu da Antárctida está hoje a deslocar-se em direcção ao sul da Austrália, proporcionando um espectáculo considerado "único", segundo os especialistas.

De acordo com o cientista Neal Young, trata-se de um fenómeno "muito raro e pouco usual", que poderá demorar muito tempo até voltar a repetir-se, pelo que se trata de uma visão que "se pode ver uma única vez na vida".

Os especialistas, que baptizaram o glaciar de B17B, divulgaram já que o bloco de gelo possui 19 quilómetros de largura e oito de comprimento, dimensões que o transformam num dos maiores a ser avistado na Austrália.

Esta "ilha de gelo" desprendeu-se de um icebergue com o triplo do seu tamanho, em 2000. Nos últimos cinco anos, o bloco permaneceu imóvel devido às correntes oceânicas daquela zona.

Young, tal como outros cientistas, estão convictos de que o B17B irá apresentar rachas e fendas, como consequência do trajecto que irá percorrer junto ao litoral australiano.

Nobel da Paz
Noruegueses consideram decisão de Obama indelicada
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1442734&seccao=Europa
por LusaOntem


Mais de metade dos noruegueses consideram indelicada a decisão de Barack Obama de encurtar consideravelmente a participação no programa oficial desta semana em Oslo para a entrega do prémio Nobel da Paz, indica uma sondagem hoje publicada.

Premiado inesperado com o Nobel da Paz, que lhe será entregue na quinta-feira, Obama vai reduzir ao estritamente necessário a participação nas cerimónias oficiais de entrega do prémio.

Confrontado com duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, e com as sequelas da crise económica nos Estados Unidos, o presidente norte-americano renunciou ao pequeno-almoço com o rei da Noruega, a uma conferência de imprensa e a assistir ao concerto Nobel.

Segundo a sondagem realizada na terça-feira pelo instituto InFact e publicada no jornal Verdens Gang (VG), 44 por cento das 1000 pessoas inquiridas consideram «pouco polido» da parte de Obama não partilhar a mesa com o soberano norueguês, contra 34 por cento que pensam o contrário.

Mais de metade (53 por cento) dos inquiridos também considera "pouco polido" recusar o convite para assistir ao concerto dado em honra do laureado na sexta-feira, contra 27 por cento.

Esperado na quinta-feira em Oslo, de onde partirá na sexta-feira de manhã, Obama ficará pouco mais de 24 horas na capital norueguesa enquanto o programa oficial habitual para a cerimónia de entrega do Nobel da Paz dura três dias.

"Uma avaliação friamente calculada e estratégica de 'realpolitik' esconde-se por trás desta decisão", considerou o especialista de relações públicas KJell Terje Ringdal citado pelo jornal noreguês VG.

"É inteligente da parte dele, visto que quer adoptar um 'low profile' e que quer evitar que a medalha brilhe demasiado", adiantou.

Obama vai receber o Nobel da Paz nove dias depois de ter decidido intensificar as operações militares no Afeganistão com o envio de mais 30 mil soldados.

vinte e sete anos depois

EUA
Candidato ao Senado posou nu para revista feminina

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1443149&seccao=EUA e Am%E9ricas


Vinte e sete anos depois de ter sido capa da Cosmopolitan, a revista acaba por dar uma ajuda ao político republicano moderado.


O homem mais sexy da América, em 1982, foi escolhido pelo Partido Republicano para disputar, a 19 de Janeiro, o lugar deixado vago no Senado pela morte de Edward [Ted] Kennedy. Scott P. Brown tem como adversária a democrata e procuradora-geral de Massachusetts, Martha Coakley.

Apesar do estado do Massachusetts ser tradicionalmente democrata, Brown, de 50 anos, conta com um apoio de peso: a revista feminina Cosmopolitan. Nos últimos dias da campanha - pouco interessante, segundo alguns - a revista deu um novo fulgor à corrida ao lembrar as fotografias que publicou em 1982 do então estudante de Direito, que se preparava para os exames finais do curso, e que fizeram dele o homem mais sexy da América. Como a própria publicação refere, Brown - antigo atleta de triatlo e advogado especializado em questões militares - "parece estar em muito boa forma para a idade que tem".

Scott P. Brown, casado com Gail Huff, repórter da WCVB-TV, e pai de duas filhas - uma das quais foi finalista dos Ídolos em 2006 -, é contra o casamento homossexual, que é legal no Massachusetts, e apoia a lei da interrupção da gravidez.

"Ele é um republicano atraente, eloquente e moderado, que pode cativar eleitores indecisos. Será um erro terrível para os democratas pensar que a vitória é certa", disse Philip W. Johnson, antigo presidente estadual democrata.

Tags: Globo, EUA e Américas

As dez profissões com mais divorciados
As profissões com maior taxa de divórcio são as de mais stress e com maior contacto humano. Os engenheiros agrícolas ou dentistas têm uma probabilidade reduzida de se divorciar, ao contrário dos dançarinos, coreógrafos ou massagistas. Clique para visitar o canal Life & Style.

http://aeiou.expresso.pt/as-dez-profissoes-com-mais-divorciados=f551979
Raquel Albuquerque (www.expresso.pt)

12:39 Quarta-feira, 9 de Dez de 2009

Excluídos quaisquer sentimentos, a fórmula correlaciona apenas as profissões com o número de divórcios e separações. A ideia veio de um psicólogo da Universidade de Radford no Estado norte-americano de Virgínia, Michael Aamodt. O artigo, a publicar no Journal of Police and Criminal Psychology citado em primeira mão pelo Guardian , conclui que as profissões com maior taxa de divórcio são as de mais stress e com maior contacto humano.

Dançarinos, coreógrafos e empregados de bar têm cerca de 40 por cento de probabilidade de divórcio, próximos dos enfermeiros e psiquiatras. Polícias, escritores e agentes de viagens ficam-se por 16 por cento, ligeiramente acima dos bombeiros e professores.

Já os engenheiros agrícolas, dentistas, optometristas e podologistas (estudo e tratamento dos pés) estão associados a uma probabilidade de 2 a 7 por cento de divórcios.

Com probabilidades semelhantes ficam os chefs, secretárias e matemáticos (20 por cento), jornalistas e urbanistas (18 por cento), bibliotecários, dietistas e personal trainers (17 por cento). Ligeiramente a baixo estão os juízes e magistrados (12 por cento).

Próximo de um chefe executivo (CEO) está um agricultor, com probabilidades próximas dos 10 por cento. Uma psicóloga citada pelo jornal inglês, Caroline Schuster Cotterell, explicou que apesar dos chefes executivos ocuparem cargos de muito stress, os CEO são bons na gestão do tempo e gestão de conflitos, "ingredientes necessários para uma relação de sucesso".

O autor do estudo, Michael Aamodt, inventou a fórmula para determinar a probabilidade de sucesso de um casamento, baseando-se na profissão de um dos parceiros. O psicólogo pegou numa amostra de 449 profissões. "Cheguei à taxa de divórcio para cada profissão, depois de ter analisado características como género, raça, idade ou salário", explicou Michael Aamodt ao Guardian.

Probabilidade de divórcio
1. Dançarinos e coreógrafos - 43.05%

2. Empregados de bar - 38.43%

3. Massagistas - 38.22%

4. Enfermeiros, psiquiatras e assistentes de saúde - 28.95%

5. Artistas e actores, desportistas ou relacionados - 28.49%

6. Paquetes e recepcionistas - 28.43%

7. Operadores de Telemarketing - 28.10%

8. Empregados de mesa - 27.12%

9. Empregados de limpeza ou empregadas domésticas - 26.38%

10. Chefs - 20.10%

quarta-feira, dezembro 09, 2009

a idade adulta

A antiglobalização quer chegar à idade adulta
Há dez anos, uma manhã em Seattle mudou para sempre a forma de organizar mega-eventos internacionais. Mudou também a ideia de que o mundo acreditava na inevitabilidade do pensamento único e do capitalismo como resposta para todos os males. O movimento dos movimentos ou antiglobalização começava a sua ascensão. Os que fizeram refém a cidade de Seattle em 1999 querem agora mais. Querem tomar Copenhaga.

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/09-12-2009/a-antiglobalizacao--quer-chegar-a-idade-adulta-18370494.htm
Por Nuno Sá Lourenço


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30 de Novembro de 1999. Passavam poucas horas do amanhecer, quando as pessoas, sobretudo jovens, começaram a concentrar-se em alguns dos principais cruzamentos de Seattle. Formavam um grupo heterogéneo. Alguns manifestantes corriam em silêncio, todos vestidos de negro, com passa-montanhas, capacetes, mochilas e bastões. Outros vestiam fatos de Carnaval, levavam consigo rádios com o volume no máximo e faziam a festa enquanto caminhavam. Outros ainda vestiam de vermelho, empunhavam bandeiras dos seus sindicatos e gritavam as normais palavras de ordem de uma manifestação sindical ou estudantil.

A princípio, a polícia de Seattle não se preocupou com eles. Há anos que cimeiras internacionais como a da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estava prestes a ter a sua cerimónia de abertura na cidade, atraía um reduzido número de manifestantes que gritava contra a organização.

Só tarde de mais Norm Stamper, chefe do departamento de polícia da cidade, percebeu o que estava a acontecer. Os grupos de manifestantes festivos e barulhentos não se limitavam às dezenas de que estava à espera. Eram centenas. Ainda por cima, em vez de se concentrarem nas praças da cidade, vaiando os carros dos delegados que passavam, sentaram-se à chinês no centro dos cruzamentos, acorrentados uns aos outros, aos postos de electricidade, aos semáforos. Não deixavam passar viatura alguma, bloqueando o trânsito na cidade. Pior ainda, os cruzamentos onde se tinham barricado às centenas eram precisamente as intersecções que os cinco mil delegados e três mil jornalistas de 134 países tinham de atravessar para chegar ao centro de congressos onde se realizaria dali a horas a reunião da OMC.

Os manifestantes ignoraram todas as ordens para dispersar. A polícia disparou gás lacrimogéneo e gás pimenta, mas aquelas centenas de pessoas não se levantaram. Tiveram de carregar sobre elas. Continuaram a resistir. Tiveram de cortar as correntes e deter um a um os manifestantes para os retirar dos cruzamentos. Os polícias ainda estavam nisto quando começaram a surgir relatos de outras zonas da cidade - pequenos grupos de encapuzados estavam a partir os vidros das lojas das cadeias McDonald"s e Starbucks, incendiando e esvaziando caixotes do lixo.

Quando chegou a hora da cerimónia de abertura da OMC, a esmagadora maioria dos delegados não tinha sequer conseguido sair do hall dos hotéis onde estava hospedada.

Entre os delegados retidos no seu quarto de hotel, estava Madeleine Albright, secretária de Estado da Administração Clinton.

A cimeira da OMC - uma das mais poderosas do sistema de governação mundial - terminara antes de começar. Em vez das fotografias de família com líderes mundiais e anúncios de medidas sobre a economia internacional, os jornais, televisões e rádios de todo o mundo noticiavam com espanto que uma cidade norte-americana estava refém de grupos que antes julgavam não ser mais do que "uns malucos radicais". Foi assim durante o resto da semana.

Chegou depois o ajuste de contas de dias de contestação nas ruas. Norm Stamper demitiu-se menos de uma semana depois desse 30 de Novembro. O orçamento inicialmente previsto para a organização do evento foi ultrapassado em três milhões de dólares (pouco mais de dois milhões de euros). Um aumento que se deveu às despesas extra na limpeza da cidade e horas extraordinárias dos agentes da autoridade. Como se tal não bastasse, os prejuízos provocados pelo vandalismo e perda de vendas do comércio atingiram os 20 milhões dólares (13,5 milhões de euros, segundo o Seattle Times, no artigo Five days that jolted Seattle). Dois anos depois Paul Schell, o presidente de câmara, não conseguiu sequer ser reconduzido pelo seu partido para a recandidatura ao cargo.

O impacto destas acções, manifestações e protestos ainda hoje assombra Seattle. Desde 1999, a cidade teve de pagar um total de 250 mil dólares (170 mil euros, dados do Seattle Times) a cerca de 150 activistas que processaram a polícia municipal por detenção ilegal e abuso de autoridade. A conta a pagar pode tornar-se ainda pior. Em 2004 um tribunal federal deu razão a um grupo de organizações que processou a cidade e o seu presidente de câmara pela imposição do estado de emergência. Caso Seattle perca o recurso, a indemnização pode ultrapassar o milhão de dólares (675 mil euros).

A semana que começou a 30 de Novembro de 1999 ficou para a história como a Batalha de Seattle. Tem mesmo direito a sigla: N30. Durante a semana passada, no seu décimo aniversário, foi celebrada por todo mundo com manifestações.

E o problema de Copenhaga é que o movimento internacional que nasceu em Seattle quer ter o seu bar mitzvah na cidade escandinava - quer ser adulto.

Há meses que centenas de movimentos sociais de todo o mundo preparam uma resposta à cimeira das Nações Unidas. Além da contracimeira Klimaforum, convocaram milhares para comparecerem nas inúmeras acções directas de estilo Seattle que planearam.

Só que dez anos depois de Seattle o movimento dos movimentos já não se quer limitar a atrapalhar ou adiar a cimeira-mãe. Os activistas que cresceram a admirar a coragem dos manifestantes de 1999 querem "roubar" a cimeira às Nações Unidas e aos líderes mundiais. O tema é consensual entre a miríade de movimentos e uma bandeira defendida desde o início.

Cheira a SeattleA primeira fase da invasão está marcada para quinta-feira, dia 11 de Dezembro, e a operação tem o nome de código O nosso clima não é negócio vosso. E cheira a Seattle... Os manifestantes deverão concentrar-se na Baixa de Copenhaga, às dez da manhã. Apenas se sabe que os "alvos" desta acção directa serão "reuniões da COP-15 [conferência das partes da Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas] e empresas [localizadas em Copenhaga] culpadas pela destruição do planeta". De acordo com o esquema apresentado há semanas pelos organizadores no site da rede Climate Justice Action, os manifestantes serão divididos em quatro "brigadas": a do Barulho, de braçadeiras verdes, deverá "fazer tanto barulho quanto possível" a caminho do seu "alvo"; a Visual (braçadeiras roxas) servirá para "ilustrar a mensagem" com "faixas, bandeiras, posters e graffiti" à porta das multinacionais para onde se encaminharão; a da Zaragata Exterior (braçadeiras azuis) terá de "dominar o espaço à volta dos alvos e garantir que as pessoas da brigada da Zaragata Interna conseguem fazer o seu papel deles - isto significa "bloquear entradas e, basicamente, causar o caos nas ruas". Resta a brigada da Zaragata Interna: "Será o grupo a entrar dentro dos alvos para confrontar os criminosos ambientais."

Para 16 de Dezembro (a cimeira termina a 18) está agendada a mãe de todas as acções directas em Copenhaga - chamaram-lhe Recupera o poder!. Objectivo: interromper a reunião entre governos e parlamentos de todo mundo, e "abrir um espaço dentro da área das Nações Unidas para organizar uma assembleia", dando "voz àqueles que não estão a ser ouvidos".

A táctica é igual à usada em Seattle. Diferentes grupos partirão de um local central, encaminhando-se para as fronteiras da conferência, mas usando percursos diferentes. "O objectivo é que todos os grupos comecem a tentar entrar na zona da ONU às 10h", para assim se poder organizar a tal assembleia na entrada principal do Bella Center. "Será uma acção directa de massas, confrontacional, de desobediência civil não-violenta", garante a organização.

Estas não serão as únicas acções directas. Está prevista, por exemplo, a ocupação do porto de Copenhaga e do Ministério da Defesa dinamarquês.

Um tanque novo

Pelas tomadas de posição e atitudes dos últimos dias, a polícia dinamarquesa parece esperar o pior. "Tivemos em conta toda a espécie de eventualidades, incluindo as piores, porque esperamos exageros por parte de manifestantes que têm a tendência para procurar a violência", reconheceu há dias às agências noticiosas Morgen Lauridsen, chefe de operações da polícia. Para a cimeira estão mobilizados seis mil agentes, mais de metade da força policial do país (ao todo são onze mil).

As autoridades policiais dinamarquesas começaram, aliás, a agir já contra os movimentos. A 28 de Novembro invadiram um centro social em Malmoe, onde estava instalado um centro de piratas informáticos. Segundo os hackers visados, confiscaram seis computadores e outro material informático. E ainda cinco garrafas de rum... A 4 de Dezembro, detiveram 20 activistas da rede Climate Justice Action em Copenhaga, por suspeita de invasão de propriedade privada (por esta o porta-voz da polícia já pediu desculpa publicamente - os activistas apresentaram um documento em que alegadamente provavam que estavam ali por direito).

Pelo que já se sabe do dispositivo de segurança, os dinamarqueses estudaram as manifestações anteriores para decidir como reagir aos protestos. Vai ser estreado um novo veículo blindado em Copenhaga, de 22 toneladas, equipado com canhões de água e lançador de fumos e granadas de gás lacrimogéneo.

A abordagem parece ser tradicional. Os norte-americanos optaram por inovar em Setembro, em Pittsburgh, perante os manifestantes que criticavam a reunião dos G20. Usaram uma nova geração de armas que, basicamente, produzia sons que tornam impossível a permanência de um ser humano no seu raio de acção.

A polícia não tinha canhões de água em Seattle. Quando se lembrou da solução, e convocou os bombeiros para virar as agulhetas contra os manifestantes, o Sindicato de Bombeiros da cidade emitiu um comunicado recusando-se a fazê-lo com o argumento de que a sua missão não era dispersar multidões.

Quanto aos gases, resta saber como vão reagir os manifestantes. Em Seattle, uma grande parte dos activistas tinha consigo trapos mergulhados em vinagre ou querosene, cortando assim alguns dos seus efeitos nocivos.

Uma das tácticas que, seguramente, vai ser usada pelas autoridades é a chamada no-protest zone. O mayor de Seattle, e todos os responsáveis das cidades que organizaram este tipo de eventos posteriormente, decretaram uma área em que, pura e simplesmente, são proibidos os agrupamentos de pessoas. Durante a Cimeira das Américas, na cidade de Quebeque, Canadá, esta solução foi levada ao extremo e tem sido repetida noutros eventos internacionais. Aí foi erguido o primeiro muro - de mais de três metros de altura - que separava a cidade da área da organização.

As autoridades passaram também a separar e a catalogar os manifestantes. Em 2000, os responsáveis de Montreal tiveram a ideia de dividir os protestos em "verdes" (permitidos), "amarelos" (não permitidos, mas com pouco risco de confrontação) e "vermelhos" (proibidos e com forte probabilidade de choque). A disposição e destacamento das forças policiais na cidade era, assim, decidida de acordo com este sistema de cores.

À espera da "faísca"

"Este é definitivamente um momento do tipo Seattle", garante David Solnit num artigo de opinião sobre Copenhaga na Yes Magazine (The battle for reality). Se alguém sabe o que isso é, esse alguém é Solnit. Este norte-americano foi um dos "generais civis" que idealizaram as acções directas de Seattle, as iniciativas políticas, violentas ou não, inspiradas no movimento anárquico que serviram para atingir objectivos precisos à margem dos habituais canais de decisão.

Seattle é hoje visto como o momento que definiu aquele que viria a ser conhecido como o "movimento antiglobalização". "Foi um momento muito importante para a criação da consciência de que era possível organizar globalmente a resistência ao capitalismo, usando algumas das armas - tecnologias de informação e de comunicação - que tinham estado na origem da fase mais recente do capitalismo global, a que chamámos "neoliberalismo"", explica ao P2 o director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Boaventura Sousa Santos, com trabalhos publicados sobre globalização, entre outros temas.

Foi a "faísca que inflamou o movimento global antimultinacionais", resumiu há poucos dias num artigo na revista Nation Naomi Klein, jornalista e escritora que se tornou numa das referências do movimento graças ao seu livro No Logo.

O movimento foi crescendo em atenção mediática e número de apoiantes à medida que a cada cimeira internacional - OMC, FMI, Banco Mundial, G8, NAFTA, NATO - respondia com contracimeiras organizadas nas mesmas cidades e manifestações que juntavam primeiro centenas de milhares e depois milhões de pessoas. Criou o Fórum Social Mundial em 2001, na cidade de Porto Alegre, no Brasil, como resposta ao Fórum Económico Mundial, de Davos.

Entre aqueles que participaram nas iniciativas, Seattle permanece como um evento "altamente simbólico". As palavras são de David Ávila, que fez parte da direcção da ATTAC Portugal, uma plataforma que defende a Taxa Tobin, um instrumento de regulação dos mercados cambiais.

Entre os participantes no processo encontravam-se membros de partidos de esquerda. Também estes reconhecem o carácter especial do momento. "Nasce ali outra coisa. Outra coisa ainda muito indefinida, mas que era dotada de uma vontade global de responder em escala global a problemas globais", diz ao P2 Miguel Portas, do Bloco de Esquerda. Ângelo Alves e o PCP de que é membro interpretaram Seattle "como uma primeira expressão do estreitamento da base social de apoio do capitalismo": "Passado tão pouco tempo das derrotas do socialismo a leste e na União Soviética, passado tão pouco tempo do discurso do fim da História, do capitalismo como a solução para todos os problemas da humanidade, havia jovens e gente com origens sociais muito diversas que se estavam a manifestar essencialmente contra - não por alguma coisa -, mas contra os efeitos desse próprio sistema."

Movimento desgastado

Os activistas olham para Copenhaga como uma nova oportunidade para colocar as suas reivindicações no centro do debate. "Parecemos estar perante um momento do movimento outra vez", escreveu Naomi Klein noutro artigo, no Huffington Post.

Miguel Portas concorda com a ideia de que Copenhaga tem algo a ver com Seattle. Acredita que o que vai nascer ali vai ter repercussões ao longo de muito tempo: "Copenhaga não vai ser Copenhaga. Vai ser um longo ano de batalha política por um acordo que tenha mínimos de exigência em matéria de combate às alterações climáticas para que não seja uma imensa fraude. A primeira contracimeira de Copenhaga vai ser a primeira contracimeira de um movimento internacional que se vai continuar a desenvolver ao longo de 2010."

Já David Ávila desconfia: "É difícil ver isso acontecer. [Seattle] foi um momento muito especial de convergência de um conjunto de situações que não é fácil [ver repetido]."

Na realidade, o movimento que nas vésperas da invasão do Iraque conseguiu ajudar a montar gigantescas manifestações praticamente simultâneas em todo o mundo, que totalizaram entre 20 a 30 milhões de participantes, tem aqui uma oportunidade que não pode desperdiçar.

O movimento dos movimentos parece já não ter a força que tinha no início do século. A crise de crescimento começou, defende Miguel Portas, "no exacto momento em que o movimento adquire mais força - é capaz de pôr 20 ou 30 milhões de pessoas na rua no mesmo dia [por causa do Iraque] - e em que se percebe, ao mesmo tempo, que, tendo-se tornado num sujeito social incontornável, não tinha ainda a força ou condições para que as opiniões públicas conseguissem impedir uma invasão". "[O movimento]", acrescenta Portas, "não conseguiu mostrar às pessoas que, se nos mexermos todos ao mesmo tempo, pela mesma razão, conseguimos impor a nossa razão aos governos." David Ávila fala em "desgaste": "O ritmo [de eventos internacionais] era muito acelerado para as organizações."

Ângelo Alves tem uma perspectiva mais distanciada: "Este foi um processo que, para nós, olhando para História, é normal. Houve uma vontade de contestação. E, ao desenvolver-se essa contestação, a discussão política surge, não só sobre a caracterização e diagnóstico da situação, mas sobre os caminhos a seguir. Quando esse debate ideológico se começou a aprofundar, começaram a surgir caminhos diferentes."

Já Boaventura Sousa Santos não concorda com a ideia de um movimento em crise. "No início, o FSM [Fórum Social Mundial] foi uma novidade total e por isso atraiu a atenção dos grandes media. Depois, o interesse mediático desvaneceu-se e em boa parte por isso foi-se criando a ideia de que o FSM estava a perder ritmo e capacidade de atracção. Em verdade, o FSM diversificou-se muito ao longo da década com a organização de fóruns regionais, temáticos e locais", explica.

Dentro do movimento já se reconheceu que foi preciso "aprender com os erros" da era anterior. Naomi Klein admite, implicitamente, no artigo publicado no The Nation, alguma razão à crítica feita ao movimento de que mais não era do que "um rosário de queixas e poucas alternativas concretas". Mas escreve que "o movimento que converge para Copenhaga, tece uma narrativa coerente sobre a causa [das alterações climáticas] e a sua cura".

Uma rede de sites como o climate-justice-action.org ou o klimaforum09.org compilam e disponibilizam os factos, estudos, depoimentos e propostas que o movimento debateu durante meses. O movimento defende agora que "o nosso clima mudou não apenas devido às práticas poluentes mas devido à lógica subjacente do capitalismo, que valoriza acima de tudo o lucro rápido e o crescimento perpétuo". "Dez anos depois, talvez o momento do nosso movimento tenha chegado", diz Naomi Klein. Talvez. Uma das 37 jaulas que a polícia dinamarquesa instalou num antigo depósito da Carlsberg. Esta prisão temporária foi concebida para receber os manifestantes detidos durante as manifestações da cimeira de CopenhagaActivistas do grupo Klima-Allianz com máscaras do Presidente Obama, da chanceler alemã, Angela Merkel, e do Presidente chinês, Hu Jintao, alertando para o aquecimento global numa acção de rua na AlemanhaMilhares de pessoas marcharam a 5 de Dezembro junto ao Parlamento britânico numa das muitas manifestações feitas a propósito da cimeira

no futuro deixemos as crianças sujarem-se

No futuro
Deixemos as crianças sujarem-se!
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/09-12-2009/no-futuro-18372820.htm

Confirma-se que o facto de as crianças andarem muito, mas muito sujas, sujas que nem uns porquinhos, poderá ser bom para a sua saúde futura. Cientistas britânicos escrevem na revista BMC Biology que os porquinhos, graças à sua falta de higiene, conseguem apanhar bactérias intestinais "amigas" que os ajudam a desenvolver mais tarde sistemas imunitários robustos. "Até agora, havia muita informação não confirmada em torno da maneira como os micróbios intestinais influenciam a função imunitária e a susceptibilidade às doenças e às alergias", diz uma das co-autoras, Denise Kelly, da Universidade de Aberdeen, citada pela revista Nature. Os investigadores estudaram 54 porquinhos, colocando uns num ambiente exterior, outros no interior e outros em condições de isolamento e sob tratamento diário com antibióticos. E quando estudaram o conteúdo das suas tripas e fezes, constataram que 90 por cento das bactérias intestinais do primeiro grupo tinham a capacidade de limitar a presença de bactérias patogénicas, ao passo que no segundo menos de 70 por cento eram desse tipo e no terceiro pouco mais de 50 por cento. Segundo Kelly, os resultados fornecem a primeira relação directa entre a exposição precoce aos micróbios e a saúde imunitária. Ana Gerschenfeld