"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Como será o mundo em 2030
http://jornal.publico.clix.pt/
28.12.2007


Comida de laboratório, mais energias renováveis, casas flutuantes e tecnologia mais inteligente do que os humanos. Ray Hammond sabe como vai ser o futuro. E diz que ele mete respeito. Por Raquel Almeida Correia, em Bruxelas


Enquanto alguns começam a fazer planos para o ano que aí vem, há um homem preocupado com os próximos 20. Chama-se Ray Hammond, embora muitos prefiram chamar-lhe simplesmente "o Futurologista". Para 2030, o britânico prevê mais catástrofes e mais desigualdades sociais. A bem do equilíbrio do universo, nem tudo são más notícias. Vamos ter uma vida mais confortável e mais longa, graças à ajuda dos nossos melhores amigos: as máquinas.
"Quanto mais se olhar para o passado, mais se saberá do futuro." A frase é de Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a II Guerra Mundial, e serve na perfeição a ciência que seduziu Hammond na década de 80, altura em que escreveu o livro The Musician and The Micro sobre a crescente influência da informática na música. Perante 100 curiosos, convidados a ouvir o autor, na barroca Maison du Spectacle, em Bruxelas, o pano das previsões vai subindo durante o lançamento de mais um título: The World in 2030.
"Haverá mais de oito mil milhões de pessoas, que precisarão de dois planetas Terra para sobreviver." Em 1986, o mundo excedeu a capacidade para hospedar seres humanos. Em 2030, o cenário será "caótico", alerta o futurologista de 59 anos, nitidamente habituado à condição de speaker. "Como é que vamos encontrar água, comida e ar limpo para todos?" A plateia, confortavelmente instalada, partilha, por momentos, esta preocupação. "Sobrevivência", diz Hammond.
A explosão populacional, que se senta no banco dos réus quando a sustentabilidade do ambiente é posta em causa, acabará por solucionar, indirectamente, parte dos problemas. A necessidade de suportar temperaturas extremas ou de viver com menos recursos, por exemplo, levará à construção de casas flutuantes, que se desloquem para geografias menos austeras, ou à produção de carne em laboratório, sem ter de matar um único animal. "É o futuro, meus caros", diz, em jeito de advertência.
Mutação social
Foi numa conferência nos Estados Unidos que ganhou o estatuto de futurologista, quando o moderador o apresentou como tal. "Se calhar, é isso que sou", pensou na altura. Dos seus 1,60 metros de altura, vestido de preto, Hammond tem o poder de provocar sensações em catadupa em pouco mais de 45 minutos. "O que está para vir mete medo às pessoas. Sentem que não têm controlo", explica, à margem da conferência. Até ele já se enganou, quando, em 1985, previu que as moedas e as notas iriam desaparecer até ao ano 2000, com a consagração do "dinheiro de plástico", como os cartões de débito. Errou... E assume.
Passou 12 meses a trabalhar no novo livro, lançado em finais de Novembro e acessível gratuitamente na Internet. De todas as conclusões, a que mais o perturba é o aumento das desigualdades sociais. "Haverá mil milhões de pobres e será impossível melhorar a sua qualidade de vida. Se pudesse, tiraria esse ponto do futuro", diz. A pobreza afectará, sobretudo, os países menos desenvolvidos, mesmo que, neste momento, a sua economia esteja em franco crescimento.
É que, em 2030, haverá cerca de 55 milhões de imigrantes provenientes de regiões mais pobres e com destino aos países ricos. E vão trazer nas malas cada vez mais conhecimento e capital. A população suíça, por exemplo, vai crescer nove por cento graças a este fenómeno, prevê o futurologista. Já a Europa do Leste terá comportamento contrário. "Os polacos serão um quinto do que são actualmente", assegura.
A balança ficará, porém, mais equilibrada com o rápido envelhecimento populacional no mundo desenvolvido. Daqui a 22 anos, uma em cada oito pessoas será idosa. A faixa acima dos 65 crescerá 140 por cento em países como a Alemanha. E, mais uma vez, a sociedade tenderá a adaptar-se a esta evolução. "Entrar na reforma aos 65 anos parecerá ridículo em 2030. Com essa idade estaremos provavelmente a mudar de carreira", acredita o britânico. Isto porque a esperança média de vida vai aumentar. E a tecnologia é a grande responsável.
Eu, tu e a Maria
Curar doenças antes da nascença, comprar robôs capazes de executar tarefas de enfermeira ou produzir ossos, órgãos ou tecido humano a partir de células estaminais está perto de ser uma realidade. A revolução na medicina e o desenvolvimento tecnológico vão dar um impulso à longevidade dos seres humanos, mas também os tornarão, progressivamente, mais dependentes da inteligência artificial. "Nos próximos oito anos, a tecnologia vai evoluir a um ritmo semelhante ao dos últimos 20", diz o autor. Consequências? "Computadores 500 vezes mais poderosos, máquinas com o mesmo nível de inteligência que as pessoas e... A Maria." A plateia converte-se a um sorriso contido.
Maria não é mais do que o nome que Hammond escolheu para exemplificar até onde poderá ir o progresso tecnológico. "A princípio, ela não era lá muito esperta. Conseguia marcar números de telefone se eu seleccionasse uma tecla ou dissesse "telefonar ao meu irmão"", explicou, garantindo que, pouco a pouco, a Maria se foi actualizando. "De repente, já sabia tudo sobre mim. A que acções da bolsa queria estar atento, quantas pessoas conhecia e de que informação precisava rapidamente. Por volta de 2020, dei por mim a falar com ela como se fosse um ser humano. Ríamos e chorávamos juntos. E foi aí que decidi, por meio de cirurgia plástica, colocá-la por detrás da orelha. Ela está em todas as ocasiões da minha vida - agenda as minhas reuniões, marca as viagens de avião e faz um diagnóstico da minha saúde diariamente. Desconfio, há já algum tempo, de que a Maria é mais esperta do que eu, mas é suficientemente esperta para não deixar que eu perceba."
The World in 2030, financiado pela associação europeia da indústria de plásticos, Plastics Europe, tem um forte argumento científico. Foi validado por um júri composto por Allison Druin, nomeada pela Casa Branca para dirigir a Comissão Nacional de Informação Científica dos Estados Unidos, Mike Childs, presidente da organização não-governamental Friends of the Earth, e I. M. Dharmadasa, especialista em questões energéticas e professor da Universidade de Sheffield Hallam, no Reino Unido. E todas as previsões são suportadas por análises de entidades como a Organização das Nações Unidas ou o Banco Mundial, e por comentários de especialistas, o que dá ao autor uma margem de "50 a 60 por cento de concretização futura".
A lei da sobrevivência
Quanto ao clima, já não há muito a fazer, a não ser encontrar soluções para sobreviver a um planeta desregulado. "Estamos perante uma crise, uma catástrofe, um cataclismo do ambiente e esse continuará a ser um dos pontos mais frágeis com que teremos de lidar", refere Hammond. As temperaturas atingirão máximos e mínimos históricos, haverá mais tsunamis, mais furacões e mortes. As habitações e os meios de transporte terão, por isso, novas configurações, tornando-se mais resistentes a condições desfavoráveis e até flutuando para garantir a sobrevivência dos seres humanos. Por esta altura da apresentação, a plateia já nem reagia.
Será na produção de energias renováveis que o Homem terá uma acção mais expressiva no prolongamento da vida na Terra. "Vento, água e sol serão as novas forças energéticas do futuro", garante o autor. Os combustíveis fósseis serão cada vez menos explorados, dada a sua extinção e utilização crescente em processos de valor acrescentado. E o petróleo, esse, "não se vai esgotar", ao contrário do receio generalizado. Hammond entende que o preço dos barris continuará a aumentar nos próximos anos, passando posteriormente por uma fase de estagnação e, finalmente, tenderá a descer, à medida que se forem consagrando alternativas mais limpas.
A mão humana será igualmente importante numa nova tipologia de sociedade que o futurologista prevê que se constitua. A zero waste society [sociedade de desperdício zero] é uma questão de atitude. "Em 2030, todos os bens terão uma segunda, terceira e quarta vida." Um cenário pouco real no presente. Os processos de reciclagem e de reutilização, hoje confinados a quem tem tecnologia, serão generalizados, permitindo que, a partir de nossas casas, possamos aproveitar tudo o que agora é considerado desperdício.
Ray Hammond gosta de prever o futuro do mundo, mas é reservado quando os holofotes apontam para ele. Antigo jornalista e futurologista quase por imposição, vive de plateias como a de Bruxelas, com uma boa dose de alarmismo e outra de gargalhadas. Em 2030, terá 81 anos e "netos felizes", espera. A Maria lá estará, esperta e infalível. Aquecimento global, sobrepopulação e escassez de recursos à parte, o Homem sobreviverá, pelo menos, mais alguns anos. O futuro depois do futuro só ao futuro pertence.

Angelina Jolie é a mais admirada pelo trabalho humanitário
http://jornal.publico.clix.pt/
28.12.2007

Angelina Jolie foi a melhor classificada num inquérito do site da Reuters AlertNet sobre o trabalho humanitários dos mais famosos. O levantamento, realizado junto de 606 pessoas, entre 7 e 19 de Dezembro, colocou a actriz americana, de 32 anos, no topo dos mais solidários com os males do mundo pelo trabalho como embaixadora de boa vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e por mostrar ao mundo o sofrimento das populações africanas.
Jolie ultrapassou o cantor Bono, o arcebispo Desmond Tutu e o fundador da Microsoft, Bill Gates. Os inquiridos mostraram menos entusiasmo por Madonna, apesar de ter recolhido milhões de dólares para órfãos no Malawi. A sua imagem terá sido afectada por denúncias de que utilizou a fama e riqueza para contornar a legislação sobre adopções.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Dados da resseguradora alemã Munich Re
Planeta sofreu mais cem catástrofes naturais este ano do que em 2006
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1314966&idCanal=62
27.12.2007 - 12h54 AFP, PUBLICO.PT

o planeta sofreu mais cem catástrofes que no ano passado
as catástrofes custaram mais caro
o número de mortos baixou para 15 mil pessoas
devem ser esperados mais fenómenos extremos no futuro

Relatório da Direcção-Geral de Saúde
Mulheres queixam-se de mais dor e homens nascem e morrem mais
Documento provisório do projecto "Saúde, Sexo e Género" avança com primeiras previsões de um conjunto de estudos.
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/202379
Quinta-feira, 27 de Dez de 2007



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Tiago Miranda
Sala de espera da urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa
As mulheres sentem e queixam-se mais vezes da dor e o número de nascimentos e mortes ao longo do ciclo de vida é maior no sexo masculino, que recebe melhor tratamento de Saúde, conclui um relatório português.

Estas conclusões integram um documento provisório, que resulta de um conjunto de estudos elaborados no âmbito do projecto "Saúde, Sexo e Género - PROSASGE", a decorrer na Direcção-Geral da Saúde (DGS), desde Maio de 2006.

Datado deste mês, o documento intitulado de "Saúde, Sexo, Género; Factos, representações e desafios" lembra que o actual desafio em relação ao género é desenvolver estratégias para o colocar nos programas de política de saúde e assim uma melhor adaptação dos cuidados prestados a homens e mulheres.

Citando um estudo de 2005, o documento da DGS refere que as mulheres são mais sensíveis e menos tolerantes à dor, queixando-se mais frequentemente, com maior duração e maior severidade.

Em termos de tratamento, "parece haver também evidência científica que as mulheres serão mais inadequadamente tratadas do que os homens" e que os efeitos de alguns analgésicos, segundo alguns autores, variam com o sexo e os efeitos adversos parecem ser mais frequentes nas mulheres.

Sobre mortalidade e morbilidade (relação entre os casos de doença e número de habitantes), sublinha-se que as diferenças são encontradas por influência biológica, genética, hormonal e metabólica, como em situações de cancro do colo do útero e cancro da próstata.

São concebidos mais embriões do sexo masculino, numa proporção calculada de 120/100, mas face à maior vulnerabilidade destes fetos a morte dentro do útero é mais frequente. Regista-se, porém, mais nascimentos de rapazes numa proporção de 105/100.

Ao longo do ciclo de vida, os homens lideram as taxas de mortalidade nas várias regiões do mundo e em todos os grupos etários.

Em Portugal, segundo dados de 2004, esta tendência apenas apresentou uma excepção nas idades mais avançadas, sendo no total que a diferença de mortalidade masculina é 4,5 por cento superior à feminina. A maior diferença é encontrada entre os 15 e os 54 anos.

Dados da Organização Mundial da Saúde referem que, em média, morreram 1,42 vezes mais homens que mulheres, encontrando-se os limites desses valores em África (1,09 vezes mais) e na Europa (2,33).

A explicação para estes indicadores pode estar numa maior vulnerabilidade dos homens face a algumas doenças ou ao aparecimento destas em idades mais jovens ou ainda pelo sexo masculino estar mais exposto a determinados riscos, muitas vezes voluntariamente para demonstração de "masculinidade".

Entre as principais causas de morte na Europa, segundo a OMS, estão as doenças cardiovasculares, matando 55 por cento de mulheres e 43 por cento de homens e os tumores, que vitimam cerca de 17 por cento e 21 por cento, respectivamente.

Quanto a causas "externas", na Europa o valor da mortalidade entre os homens é sempre superior, excepto acima dos 75 anos, assim como em termos de acidentes rodoviários e de suicídio.

Em Portugal, morreu-se mais em 2004 devido a doenças cerebrovasculares e tumores. Nas causas de morte violentas, onde se incluem os acidentes de trânsito e lesões auto provocadas intencionalmente, a sobremortalidade masculina é mais evidente.

Este padrão havia já sido constatado a propósito da mortalidade em idades jovens. Entre 1992 e 2001, quanto a óbitos por acidentes de transporte nos grupos etários 15-19 e 20-24 anos, foram observados nos homens valores superiores em 80 por cento aos verificados nas mulheres.

Em 2005, segundo o Instituto Nacional de Estatística, a esperança de vida à nascença foi de 81,4 anos, no sexo feminino, ao passo que no sexo masculino não ultrapassou os 74,9 anos.

No entanto, a sobrevida nas mulheres não significa, necessariamente, que estas vivam com "mais saúde" do que os homens e com a chegada da menopausa, deixa de haver uma tão marcada protecção hormonal dos estrogénios, nomeadamente em termos de doenças cardiovasculares.

Ao apresentarem sintomas ou sinais diferentes dos homens quanto a estas doenças, poderá haver uma sub-diagnosticação no sexo feminino.

Não alheio a este cenário está também uma habitual adopção por parte dos profissionais de saúde de uma "perspectiva masculina nos 'hábitos de pensamento', que cria uma 'norma masculina', consubstanciada na tendência para usar o homem como standard".

"Tal viés repercute-se também no acesso aos cuidados, no emprego dos recursos de diagnóstico e nos processos terapêuticos", lê-se no documento.

O uso de um "modelo feminino" também acontece, mas de forma muito restrita como na osteoporose. Esta doença quando relatada na literatura científica é usualmente ilustrada por figuras de mulheres, enquanto em outras patologias a norma é usar figuras masculinas.

São ainda apontadas diferenças na investigação centrada no caminho que os medicamentos seguem no organismo (farmacocinética), ao serem usados nos estudos, de "forma largamente maioritária", indivíduos do sexo masculino, embora "as conclusões sejam generalizadas a ambos os sexos e a utilização dos fármacos sigam os modelos desse modo produzidos".

Em Setembro último, o Comité Regional para a Europa aprovou uma resolução que exortava os Estados-membros a tomar uma série de iniciativas para integrarem a análise baseada no género em matérias de saúde e mesmo "concretizar progressos no sentido da igualdade de género no sector da Saúde".

A forma do berço favoreceu a humanidade
http://dn.sapo.pt/2007/12/27/ciencia/a_forma_berco_favoreceu_a_humanidade.html
27 de dezembro de 2007

LUÍS NAVES
Na discussão sobre as razões que favoreceram determinado "berço" para a humanidade, costumam surgir argumentos sobre clima, fauna, vegetação. Porquê a África Oriental? As condições de savana eram as certas para a nossa espécie, o clima adequado. Mais raro é surgir uma teoria que liga o aparecimento dos humanos a condições geológicas ideais.

Dois geólogos da Universidade de Utah, Royhan e Nahid Gani, traçam uma ligação directa entre a forma do berço e o nascimento. Num artigo publicado na Geotimes, revista do Instituto Geológico Americano, o casal de origem bangladechiano afirma que a humanidade foi favorecida pelos movimentos tectónicos que estão a moldar a paisagem conhecida por Barreira de África.

Esta é uma longa linha de montanhas e vulcões paralela ao Grande Vale do Rift, conjunto de desfiladeiros e lagos que se prolonga entre a Etiópia e o Norte de Moçambique. Os movimentos da crosta resultam do choque de placas (da Arábica com a Africana), mas também da fragmentação da placa africana em duas, o que está a formar desfiladeiros e a favorecer enormes cursos de água.

Nesta zona foram encontrados os mais antigos fósseis de hominídeos e dos seus antepassados. "Por causa dos movimentos tectónicos na África Oriental, a paisagem mudou de forma dramática nos últimos sete milhões de anos", explica Royhan Gani, citado no site da sua universidade.

Segundo o casal Gani, a barreira impede a passagem de humidade do oceano Índico, criando um ambiente mais seco, com menos floresta e mais savana. A nova paisagem favoreceu a espécie humana, cuja postura erecta tinha vantagens energéticas e era possível naquele ambiente de campo aberto.

"A paisagem controlou o clima numa escala local a regional. E essa mudança impulsionou os antepassados humanos a evoluírem dos macacos", sustentam os Gani. As anteriores discussões sobre as consequências dos efeitos geológicos na evolução humana sublinhavam mudanças climáticas, mas não referiam efeitos a escala apenas local.

A Barreira de África começou a formar-se há 30 milhões de anos e estudos recentes mostram que o essencial da elevação da cadeia montanhosa ocorreu num período entre 2 e 7 milhões de anos, numa altura que os hominídeos se tornaram bípedes, desenvolvendo cérebros maiores. "A natureza criou a barreira e, então, os humanos podiam evoluir, andar de forma erguida e pensar em grande", explica Royhan Gani. A datação deste crescimento acentuado da barreira é crucial na tese dos dois geólogos, assim como a identificação das alterações climáticas locais produzidas pelos movimentos tectónicos.

Pensa-se que os hominídeos têm entre 4 e 7 milhões de anos. O mais antigo Homo surgiu há 2,5 milhões de anos. E o Homo sapiens , a nossa espécie, tem 200 mil anos.|

Iraqi hairdressers are forced underground
Extremists target salons, viewing them as Western corruption
http://www.msnbc.msn.com/id/22399894/?GT1=10645
27 de dezembro de 2007

BAGHDAD, Iraq - Umm Doha cuts hair and waxes eyebrows in secret from her living room because making women look pretty can get a person killed in her Sunni-dominated Baghdad neighborhood.

Hardline Muslim extremists who believe it is sinful for women to appear beautiful in public have forced many beauticians to move their trade underground.

Sunni and Shiite militants began blowing up salons roughly two years ago. They killed several stylists and bullied others into putting down their scissors and makeup brushes for good, all in an effort to stamp out what they view as the corrupting spread of Western culture.

Besides beauty salons, militants have also targeted liquor stores, barber shops and Christian churches.

In the past year, most beauty salons in the Shiite-dominated southern city of Basra went underground, as they did in the Sunni-controlled neighborhood of Dora in west Baghdad.

To those outside of Iraq, the prospect of being killed just for frequenting a hair salon might seem a convincing reason not to go. But despite being targeted by militants, stylists say women here still want to look good — and stylish. Refusing to get a haircut or having their makeup done would be giving in to the violence and despair surrounding them.

"See this salon?" said the stylist Kifah, as she deftly lopped off a woman's dark hair into smart layers in her east Baghdad establishment. "It's never been empty, not through the Iraq-Iran war, the Gulf war or this war. Women are women, they always want to look good."

Hairdresser killed Dec. 13
Despite her bravado, Kifah, like all the hairdressers interviewed, asked that her full name not be used because she feared retaliation by extremists.

The latest attack on a salon was Dec. 13, in the city of Mosul, northwest of the capital. Gunmen entered the home of a woman who was running a beauty parlor out of one room. They killed her.

Last year, extremists blew up Umm Doha's beauty parlor in west Baghdad after she did not heed their warnings to close shop.

"They didn't want a ladies salon there," said Umm Doha, 42. Two other salons were also blown up.

Umm Doha said hardline Muslims were offended by the sight of freshly made-up women leaving her salon, including brides heading to their weddings — even though they were conservatively veiled while outside.

Days after her small shop was destroyed, she converted a room in her home into an underground salon. She said she had no choice: Her husband's low-paying clerk's job does not pay enough to keep food on the table for their three children.

It isn't known how many secret salons exist in Iraq, but many women bullied out of their shops work on customers at home. Such an arrangement cuts into profits because the beauticians will deal only with women they already know.

Umm Doha said she has recently been earning only about $200 a month. The brides are the real salon money-spinners: They must be fully waxed, eyebrows shaped, have a fancy hairstyle and a makeover — all for about $65. Umm Doha now sees just two or three brides a month instead of every week.

While danger is rife for beauticians, those plying their trade in areas that have been secured by Iraqi and U.S. troops, or controlled by Sunni tribal groups opposed to al-Qaida in Iraq, seem to have more latitude to work.

Checkpoint protection
A few roads down, the hairdresser Shams runs a salon in an area protected by a checkpoint separating her part of the neighborhood from the extremists who have forced her colleague into hiding. "I've been here for four years and I've never been threatened," Shams said.

Across town in a Shiite neighborhood in east Baghdad, Kifah's salon sits wedged between a mechanic's shop and a shuttered store.

Inside, a cluster of women wait, wet hair wrapped in towels. One woman leans back on a chair as a beautician applies a white paste to her face. Another sits with a plastic cap on her hair, strands pulled out to be lightened. A table next to the window holds the ubiquitous pot of sweet Iraqi tea.

Many of the customers in Kifah's shop said they were war-weary refugees from Sunni western Baghdad, from Shiite families, or Shiites married into Sunni families who fled into more secure eastern Baghdad.

One of those women lay back in Kifah's chair. She asked not to be named, fearing identification by the extremists her family had fled.

But the woman said the strife made her want to look her best. She said she could not stop the war, but she could boost her morale by looking good.

Iraq's violence, she said, was like a person suffering from a high fever. "The fever will break and Iraq will return to normal. But until then, we want to be stylish and look good," she said.

"Here, we give women hope," Kifah said. "They feel like women, even during the worst tragedy."

Kifah's own niece and nephew have disappeared. Another niece was kidnapped and later found dead, even after Kifah's family paid a ransom, she said.

Still, her salon must stay open.

"If we give some hope here, it helps us carry on," she said, dusting off the salon chair to prepare for her next customer.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Vindos do Curdistão tinham como destino o Norte da Europa
Dezassete imigrantes clandestinos descobertos dentro de camião frigorífico
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1314880&idCanal=62
26.12.2007 - 17h04 AFP

A polícia italiana descobriu ontem um grupo de 17 imigrantes clandestinos dentro de um camião frigorífico grego descarregado de um comboio. O grupo tinha como destino o Norte da Europa, informou a agência Ansa.

Os 17 imigrantes, seis dos quais menores, são todos originários do Curdistão e resistiram a uma temperatura de um grau negativo. De acordo com as autoridades, os imigrantes só sobreviveram porque viajaram muito juntos para tentar manter o calor.

Por sorte, o condutor do camião apercebeu-se de algo anormal na parte de trás do veículo durante uma paragem numa área de serviço perto de Rimini, na costa adriática, e alertou as autoridades.

A polícia excluiu, assim, a possibilidade do condutor tentar introduzir imigrantes na Europa sem terem de passar no controlo das fronteiras.

domingo, dezembro 23, 2007

O ano passado já tinha sido emitida em podcast
Rainha de Inglaterra transmite mensagem de Natal no You Tube
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1314736&idCanal=62
23 de dezembro de 2007

a rainha prepara o seu discurso
para conhecer a sua figura
mantém-se actualizada
acrescentando cada dia uma nova imagem

o prícipe confidencia:
na hora do discurso, a mãe sai da sala
para se rever e verificar se a mensagem saiu como imaginada

Vês a moeda?

See a penny? Pick it up!
http://blogs.moneycentral.msn.com/smartspending/archive/2007/12/14/see-a-penny-pick-it-up.aspx
POR Donna Freedman

I'm superannuated enough to remember penny candy. Finding a cent was cause for celebration, because it would buy Squirrel Nut Zippers (the candy, not the band), Smarties, Pixy Stix or a host of other treats.
I still pick up pennies. Also nickels, dimes and any other American paper or specie I see on sidewalks, in parking lots or pooled in the rejected-change bin of those Coinstar change-counting machines.
All "found" money goes into a vase my daughter gave me when she was about 8 years old. (She got the vase from the "free" box at a yard sale. That's my girl!) Each December, I donate my finds. This year, $24.14 will go to PetSmart Charities.
Ain't too proud to bend
Some of you are probably thinking, "Eeewww, pick up dirty coins off a dirty street? Who'd do a thing like that?" A whole lot of Smart Spending message board readers, that's who.
In a thread called "Do you pick up pennies?," readers wrote about how and where they find funds. Some real hot spots: near parking meters, in vending machines, under fast-food drive-through windows and in parking lots (especially tavern parking lots, the morning after). Also check college campuses, amusement parks and the area around the self-service vacuum at car washes.
A reader posting as "retireddad" scores paper money in a brambly lot near an ATM: "The most I have found at one time is three twenties." He gets free blackberries there, too. (Note, however, that some states have laws requiring those who find more than $10 or $20 to advertise the lost cash or turn it over to the police.)
"Sunset Hiker" has fond childhood memories of the ball-crawl play area at Chuck E. Cheese. "The bottom was always loaded with money ... a few dollars' worth of change and several bills every time."
"Thrifty in ATL" and her boyfriend look for coins while they walk their dog. They're trying to train the pooch to become the pecuniary equivalent of a truffle hound. "If successful," she writes, "we would have three sets of eyes and one nose searching (for coins) on our walks."
And yeah, some families and friends are completely embarrassed by such behavior. "Suzeeque" says her teens consider coin retrieval as more proof "that their mother is an embarrassing dork."
But "drkonijn" did the math -- one second to pick up a penny -- and now has a snappy comeback. "I tell them I make $36 an hour picking up pennies. Since there are a lot of people who would jump at $36 an hour, why not bend down for it?"
What they do with what they findMany readers give it away: school "penny drives," donation jars, organized charities. Reader "Toy Maker" lets the kids pick the charity; in addition, the family matches whatever is found that year.
Some set up funds for their kids or other young relatives. "Waslostnowfound," saving since the birth of a now 13-year-old son, has accumulated nearly $1,600 "for his first car." Reader "decayschampion" calls spare change a "college fund" for a couple of nephews.
Others save it for themselves. "Sangria" opened an investment account just for found money; after five years, the account is worth nearly $650. "Johnny Walker" and his wife call dropped coins their "retirement fund," even though they’re already retired.
And some people spend the money outright. "ItsEasyOnceYouStart" will put nearly $50 toward this year's Christmas presents. "Ponophob" uses it for movies or other entertainment, "things that I wouldn't have done had it not been for the extra money." And "PensionPete" dines out on free cash.
As a struggling single mother, "Emilysmom128" once dined in on found funds. At a financial low point, that's how she paid for a jar of cheap spaghetti sauce and some noodles, which stretched for several days. "Thank God for dropped (coins)," she writes. "Every penny matters!"
Take the dropped-coin challengeMaybe these stories will encourage you not to walk by that nickel in the parking lot.
Or maybe you're more like "flygrl7112003," who claims to have passed at least a dozen $1 bills in the past year. "My motto is, 'If it's less than $5, I won't waste my time on it'," she writes, adding that "maybe when I get older, I might consider picking up a dollar."
I'm already older, and I won't pass up even a penny. That’s just how I roll, so to speak. And I'd like to propose a challenge to those of you who aren’t germphobic or proud: Start picking up any money you find.
Save it in a coffee can or a mayonnaise jar, and count it every few months. Put it against credit card debt, if you have any, and in your emergency fund if you don't.
So what if it's only $5 or $10? Baby steps, people, baby steps.
Hint: Don’t forget to look under the couch cushions.

Não sei se alguém faz mais que a europa

Cimeira UE-África
Louis Michel ao Expresso
"Não sei se alguém faz mais do que a Europa"
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/188736
9 de dezembro de 2007

POR Luísa Meireles e Margarida Mota

as negociações continuam
a proposta está na parte de cima da mesa desde que começámos a discutir
eles existem
e o desaparecimento das trocas será uma catástrofe para os nossos amigos

a maior parte de áfrica são ilhas
a nossa oferta é a mais generosa

não se pode ser mais generoso que a europa

A doença

Seropositivos têm centro de emprego próprio
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/200037
23 de Dezembro de 2007

a população adulta está infectada
e surgiu uma ideia na cabeça de um habitante
que queria fazer alguma coisa
nas primeiras semanas enocntraram trabalho para vinte pessoas
notável para um país onde um emprego é a diferença entre a vida e a morte
(sem a alimentação correcta o medicamento tem efeitos inesperados)

o objectivo é ajudar só os infectados
um é um jardineiro desesperado
e agora sente que a sua vida melhorou
"posso dizer a toda a gente que estou doente"

um outro exemplo
é uma mulher que contratou uma doente e se sente feliz
a sua irmã morreu
e numa sociedade tolerante ela teria sobrevivido

quinta-feira, dezembro 20, 2007

O antepassado

O antepassado das baleias era parecido com uma raposa
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20071220%26page%3D7%26c%3DC
20.12.2007, Teresa Firmino

Todos os animais terrestres vieram do mar. As baleias, pelo contrário, descendem de animais terrestres que voltaram à água. Agora descobriu-se o primo dessas baleias arcaicas
Há 48 milhões de anos, o Indohyus passava grande parte do tempo a chapinhar na água e a procurar as refeições nas costas do Norte da Índia. Apesar de gostar do meio aquático, também ia a terra comer vegetação, como os actuais hipopótamos, e não era um nadador exímio, pelo que se mantinha em águas pouco profundas e precisava de assentar as patas no fundo. Só com imaginação se encontra alguma semelhança entre este mamífero, do tamanho de uma raposa, com pêlo, e as actuais baleias. Mas o Indohyus terá partilhado um antepassado - em terra - com as baleias primitivas, revela hoje na revista Nature uma equipa americana.Sim, os antepassados das baleias eram animais terrestres, algo que se sabe desde o século XIX. "A maioria das pessoas tem a noção de que a vida terrestre surgiu a partir de vertebrados que deixaram o ambiente aquático. Todos os animais que ocuparam e ocupam o ambiente terrestre descendem desses primeiros colonizadores", comenta o paleontólogo português Luís Azevedo Rodrigues, do Museu de História Natural de Lisboa. "O que a maioria das pessoas não sabe é que o grupo de animais a que pertencem as actuais baleias descende de um grupo que "decidiu" voltar a ambientes aquáticos, donde tinham saído há mais 250 milhões de anos."Talvez essa lacuna de conhecimento se justifique pelo facto de a actual locomoção das baleias em nada remeter para um passado terrestre. Mas não pode dizer-se o mesmo das baleias primitivas, surgidas há pouco mais de 50 milhões de anos. "No período Eocénico, entre os 55 e os 34 milhões de anos, os cetáceos apresentavam diversas morfologias corporais e modos distintos de natação, que iam do balanço da barbatana caudal até ao simples remar com quatro membros", diz Luís Rodrigues, que tem escrito sobre a evolução dos cetáceos no seu blogue Ciência ao Natural. Da terra para o marUm dos avanços no conhecimento destas baleias antigas deu-se em 1983, quando um dos grandes gurus em evolução de cetáceos, Philip Gingerich, do Museu de Paleontologia da Universidade do Michigan, anunciou a descoberta, no Paquistão, do fóssil de uma baleia com cerca de 52 milhões de anos. O Pakicetus inachus, do tamanho de um cão (embora só se tivesse o crânio e a mandíbula), é a baleia mais arcaica que se conhece. Gingerich foi ainda quem descreveu, em 1990, as patas traseiras mais completas numa baleia, a Basilosaurus isis, do Egipto, com 40 milhões de anos. Outro avanço ocorreu em 1994, com a descoberta da primeira baleia anfíbia, a Ambulocetus natans, com 49 milhões de anos, também no Paquistão. Era do tamanho de um leão-marinho e as patas tanto lhe permitiam deslocar-se em terra como nadar. Tais aptidões reflectiram-se no seu nome científico, que significa "baleia caminhante que nada", e a sua descoberta coube ao paleontólogo Hans Thewissen, o líder da equipa que hoje faz novas revelações sobre o passado dos cetáceos. Todas estas criaturas (já se vai em mais de uma dúzia) contam a história da transição evolutiva das baleias, de terra para o mar. Mas continuava a faltar uma importante peça no puzzle: quem eram os antepassados terrestres?O Indohyus dá uma resposta para a etapa anterior na saga das baleias, enquanto parente mais próximo dos primeiros cetáceos. O Indohyus ainda não é bem o elo perdido das baleias, mas é já uma criatura muito próxima desse misterioso antepassado. "Como os fósseis do Indohyus têm 48 milhões de anos e as baleias mais antigas têm cerca de 50 milhões de anos, o Indohyus não pode ser o seu antepassado", diz-nos por e-mail Thewissen, das Universidades do Nordeste do Ohio, EUA. Mas é uma boa indicação quanto ao aspecto do elo perdido.Mistério em abertoPara tirar as ilações sobre o primo direito das primeiras baleias, os cientistas verificaram, por exemplo, que os ossos do crânio e dos ouvidos do Indohyus apresentam muitas semelhanças com os daquelas baleias arcaicas. Ao analisarem a presença de certos átomos no esmalte dos dentes, os cientistas também determinaram que Indohyus devia passar muito tempo na água e conseguiram ter uma ideia do tipo de comida que ingeria. Mas o que terá conduzido os antepassados das baleias a voltar ao mar? Esse mistério continua em aberto, embora alguns cientistas especulem que a causa de tal transição terá sido a procura no mar de uma dieta à base de peixes. Não é o que pensa Thewissen: "O Indohyus era herbívoro e já era aquático. A mudança para uma dieta baseada na caça de animais, como fazem as baleias modernas, surgiu depois da mudança de habitat para a água".Desse mundo perdido, herdámos as mais de 70 espécies de baleias actuais, de que a baleia-azul, o maior animal da Terra, com 33 metros de comprimento e 190 toneladas, é um emblema. E o hipopótamo é agora o parente mais próximo dos cetáceos. Qualquer semelhança...

Milionário americano compra Magna Carta
http://dn.sapo.pt/2007/12/20/artes/milionario_americano_compra_magna_ca.html
PAULA LOBO JUSTIN LANE-EPA/LUSA (imagem)

O advogado e magnata americano David Rubenstein, co-fundador do grupo financeiro Carlyle e antigo conselheiro de assuntos internos do presidente Carter, comprou por 21,3 milhões de dólares (14,8 milhões de euros) a única cópia da Magna Carta que estava na mão de privados.Leiloado na terça-feira à noite pela Sotheby's, em Nova Iorque, este exemplar manuscrito de 1297 da primeira lei inglesa não ultrapassou o valor de base estimado: 20 a 30 milhões de dólares. Mas acabou por ser um bom investimento para o multimilionário texano Ross Perot - que, conta o The Times, o adquiriu em 1984, por 1,5 milhões de dólares, aos herdeiros de James Thomas Brudenell, 7.º conde de Cardigan. A família, refira-se, teve em sua posse esta cópia durante mais de 500 anos.Com 35,6x40,6 centímetros e escrito sobre pele de animal em latim medieval, este documento com 710 anos apresenta-se em notável estado de conservação, ostentando apenas algumas manchas castanhas e uns pequenos rasgões. Depois de o ter exibido no Independence Hall de Filadélfia, Perot (mundialmente conhecido por se ter candidatado duas vezes à Casa Branca) emprestou-o aos Arquivos Nacionais de Washington, onde foi visto, ao lado da Declaração de Independência e da Constituição dos EUA, por mais de um milhão de pessoas. Agora, adianta a Bloomberg, os 21,3 milhões de dólares (comissões incluídas) angariados no leilão serão usados pela Fundação Perot para financiar pesquisas no campo da medicina e apoiar veteranos de guerra.David Rubenstein fez questão de licitar pessoalmente a Magna Carta, e já garantiu que vai depositá-la nos Arquivos Nacionais. "Estava preocupado com a possibilidade de que a única cópia que temos pudesse sair dos EUA", declarou o magnata, cuja fortuna pessoal, avaliada em 2,5 mil milhões de dólares, lhe deu este ano o 165.º lugar na lista dos americanos mais ricos, feita pela revista Forbes. Esta é uma das 17 cópias sobreviventes do texto e só há outra fora de Inglaterra: foi doada ao povo australiano e encontram-se no Parlamento, em Camberra. As restantes estão na Biblioteca Britânica, Arquivos da Catedral de Salisbury, arquivos Públicos de Londres e Biblioteca Bodleian da Universidade de Oxford.

Os novos habitantes

Os novos habitantes do 'Mundo Perdido'
http://dn.sapo.pt/2007/12/20/ciencia/os_novos_habitantes_mundo_perdido.html
POR Helena Tecedeiro

O rato gigante da espécie dos mallomys é cinco vezes maior do que o rato que se encontra nas cidades, enquanto o gambá-pigmeu de tipo cercartetus é um dos mais pequenos marsupiais do mundo. Em comum têm o facto de viverem nas florestas tropicais da Papua indonésia e de terem sido descobertos em Junho por um grupo de cientistas americanos e indonésios, anunciou a organização Conservation International."É bom saber que ainda existem na terra lugares isolados que permanecem sob o reinado absoluto da natureza selvagem", disse o líder da expedição Bruce Beehler, citado pelo site da revista National Geographic. Esta foi a segunda viagem dos cientistas da Conservation International às montanhas Foja, na zona ocidental da ilha da Nova-Guiné. A primeira expedição, em 2005, revelara um "Mundo Perdido" onde foram encontradas dezenas de novas espécies de rãs, borboletas e palmeiras. Em Junho deste ano, os cientistas decidiram regressar ao local, um dos mais isolados do mundo. E não deram a viagem por perdida. Durante vários dias receberam a visita no seu acampamento de um rato gigante. O roedor, "cinco vezes maior do que um rato da cidade", como explicou ao Science Daily Kristopher Helgen, do instituto Smithsonian em Washington, parecia não ter qualquer medo dos humanos. Com perto de dois quilos, o rato gigante parece mesmo estar bastante à vontade nas mãos de Matua Sinaga, um cientista indonésio, especialista em mamíferos. Além deste rato de dimensões mais semelhantes às de um gato, os cientistas americanos e indonésios descobriram ainda uma espécie desconhecida de gambá-pigmeu. Ambos os animais estão agora a ser analisados por especialistas que deverão confirmar que eram, de facto, desconhecidas até agora. Acompanhado por uma equipa de filmagens, o grupo de cientistas recolheu as primeiras imagens dos rituais de acasalamento de espécies raras de aves."Jardim do Éden"A acreditar nos cientistas, estes dois animais prometem não ser os últimos exemplares raros descobertos nos bosques tropicais da Papua indonésia. A região, com uma das maiores biodiversidades do mundo, foi explorada pela primeira vez pela equipa da Conservation International em 2005. Descrita por Beehler como um "Jardim do Éden", os seus 42 milhões de hectares de floresta tropical estão ameaçadas pelo abate ilegal de árvores que dão lugar a plantações de palmeiras destinadas à produção de óleo de palma."Foram poucos os cientistas que entraram nesta região devido à dificuldade de acesso", explicou à Reuters Mathua Sinaga. O cientista do Instituto de Ciências indonésio acredita que "a probabilidade de virmos a encontrar mais espécies novas é muito elevada".

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Biólogos estudam mestiçagem
http://dn.sapo.pt/2007/12/19/ciencia/biologos_estudam_mesticagem.html

Uma equipa de investigadores está a tentar, em Cabo Verde, identificar os genes que estão na origem da cor da pele e dos olhos. Se o conseguir, será a primeira vez a nível global, já que o assunto tem sido tabu. A equipa, chefiada pela bióloga portuguesa Sandra Beleza, escolheu Cabo Verde porque a sua população tem uma das mais altas taxas de mestiçagem conhecidas.A procura dos genes da pigmentação e da cor dos olhos também está a ser feita nos Estados Unidos, em populações afro-americanas, onde a mistura de raças é mais baixa que em Cabo Verde. Essas populações são, segundo Sandra Beleza, 80% de africanos e 20% de europeus. Em Cabo Verde atingem os níveis representados são de 60% africano e 40% europeu. O projecto está a ser levado a cabo por uma parceria entre a Universidade de Cabo Verde e a Universidade do Porto. "Estrutura Genética de Cabo Verde e suas Implicações para o Estudo de Características Complexas: Vantagens para a Investigação Biomédica e Antropológica" é o título do projecto.Com este estudo pretende-se "mapear genes de características que diferem entre populações europeias e africanas e as principais têm a ver com a cor da pele e dos olhos, mas também a obesidade e a hipertensão", disse Sandra Beleza. Segundo a investigadora, as populações africanas têm mais tendência para a obesidade e para a hipertensão do que as europeias, "porque haverá um património genético que os torna mais sensíveis às condições ambientais, ao excesso de alimentação e ao sedentarismo".Sandra Beleza diz que estas diferenças têm que ver com a história e com a geografia. Na Europa, a agricultura apareceu há 10 mil anos e em África apenas há 5000, por isso os europeus actuais já tiveram mais tempo para se adaptarem. A maior hipertensão em África tem que ver com o calor.A forma mais fácil de descobrir as características diferenciadoras é, diz Sandra Beleza, nas populações miscigenadas. "Como têm as duas cargas genéticas, no genoma vamos apenas à componente africana, é uma forma de encontrar os genes de características complexas", diz.Até Maio, Sandra Beleza que ter as 2000 entrevistas feitas, todas as medições, todas as amostras de sangue, todas as fotografias dos olhos (para inferir o índice de melanina). Posteriormente, serão estudados 400 mil marcadores genéticos ao longo de cada genoma.O estudo ficará completo com amostragens idênticas feitas em Portugal, nas zonas de arrozais para onde terão sido levados escravos, que depois se misturaram. É que nos vales do Tejo, Sado e Guadiana foram encontrados os genes de um tipo de anemia que apresenta o mesmo padrão das populações africanas. LUSA e OMAR CAMILO-LUSA (imagem)

Cientistas observam força incomensurável
http://dn.sapo.pt/2007/12/19/ciencia/cientistas_observam_forca_incomensur.html
MÁRCIO A. CANDOSO

Vários telescópios de longo alcance detectaram ontem um fenómeno cósmico de rara violência e até agora inédito nos registos científicos. Trata-se de um ataque de um buraco negro que, a partir do centro da galáxia de que faz parte, lançou uma violenta saraivada de partículas de alta energia e fortes campos magnéticos, contra uma galáxia próxima. O ataque libertou enormes quantidades de radiação, essencialmente assumindo a forma de raios X e gama.O ataque deu-se sobre uma galáxia mais pequena. Os cientistas estimam que qualquer vida que estivesse no caminho dos jactos de partículas desapareceria por completo. O fluxo devoraria toda a camada de ozono existente em planetas como a Terra, deixando milhões de quilómetros literalmente sem vida.A observação foi feita com o auxílio da base espacial Chandra, bem como dos telescópios Hubble, Spitzer, VLA e Merlin. O fenómeno passou-se a uma distância de 1,4 mil milhões de anos-luz da Terra."Já tinham sido observados fenómenos produzidos por buracos negros, mas esta é a primeira vez que se observa um ataque desta natureza", referiu Dan Evans, investigador do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian (Estados Unidos), que dirigiu o estudo. "Este fenómeno pode causar imensos problemas à galáxia atingida", referiu.O sistema de galáxias envolvidos - giram uma à volta da outra - é conhecido por 3C321, mas os cientistas criaram-lhe a alcunha de "estrela da morte". As partículas são lançadas praticamente à velocidade da luz e mesmo assim podem ter demorado milhares de anos terrestres a atingir o seu alvo, tais são as distâncias a percorrer.A maior parte das galáxias - ou talvez a sua totalidade -, incluindo a Via Láctea, a que pertence a Terra, têm no seu interior buracos negros. Neste caso, trata-se de uma galáxia maior atacando uma mais pequena."Os buracos negros são famosos por criarem devastação à sua volta", referiu Neil Tyson, director do Hayden Plenetarium de Nova Iorque. "Neste caso é como um cobarde que dá um murro num ser mais pequeno que lhe passa por perto", afirmou.Ainda há muitas perguntas sem resposta, no que diz respeito ao conhecimento dos buracos negros. Os cientistas pensam que, com a presente observação telescópica, se poderá avançar muitíssimo.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Estudo publicado na “PLoS Biology”
Os macacos também sabem somar

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1314141
18.12.2007 - 08h54 Teresa Firmino

Os macacos sabem fazer contas de somar de cabeça tão bem como qualquer estudante universitário – é a conclusão de um estudo de Elizabeth Brannon e Jessica Cantlon, da Universidade de Duke (nos EUA), publicado na revista online “PLoS Biology”.A equipa testou quatro macacas “rhesus”. Quanto aos humanos, escolheram-se 14 estudantes da Universidade de Duke. Para testar as capacidades aritméticas de macacos e humanos, a equipa colocou-os em frente a um ecrã táctil, no qual ia surgindo um número variável de pontos. Em seguida, esses pontos desapareciam do ecrã, para aparecer um número diferente de pontos. Por fim, era-lhes mostrado um terceiro ecrã com duas caixas: numa estava a soma dos dois conjuntos de pontos, na noutra surgia outro número. Se os macacos tocassem na caixa com a soma correcta, eram recompensados. Já em relação aos estudantes, foi-lhes pedido que escolhessem a soma correcta sem contar os pontos individualmente. Os humanos acertaram em 94 por cento das vezes, contra 76 por cento nos macacos, mas o tempo de resposta foi idêntico em ambas as espécies (cerca de um segundo). Já se sabia que humanos e animais partilhavam a capacidade de representar mentalmente números e de os comparar, mas desconhecia-se se os animais também sabiam fazer operações mentais de aritmética. Quais são as origens evolutivas da aritmética?“Sabíamos que os animais conseguem reconhecer quantidades, mas não era claro que tivessem capacidade de levar a cabo tarefas matemáticas explícitas, como a adição”, sublinha Jessica Cantlon, citada numa nota da sua universidade. “O nosso estudo mostra que sim.” Para mais, em termos evolutivos, os macacos até estão mais distantes de nós do que os chimpanzés, os nossos parentes mais próximos. Portanto, este resultado significa que humanos e macacos terão partilhado um antepassado que já possuía noções básicas de aritmética.

domingo, dezembro 16, 2007

Figuras de pé

China ameaça processar museu alemão por fraude
http://dn.sapo.pt/2007/12/16/artes/china_ameaca_processar_museu_alemao_.html

em vez das figuras originais
oito dos guerreiros chineses não eram de nenhum século
nem tinham 2200 anos
nem guardaram o túmulo de um imperador

Fontes cruciais para a História de África estão em Portugal
http://dn.sapo.pt/2007/12/16/artes/fontes_cruciais_para_a_historia_afri.html
POR Leonor Figueiredo

Afirmação é de autor de 2 volumes sobre evolução do continente negro"Portugal é provavelmente o país onde estão as fontes mais importantes para a História de África", confessa Elikia M'Bokolo, o historiador francês de origem congolesa director na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. M'Bokolo falava ao DN após o lançamento em Português do 2.º volume da História de África, o grande projecto da sua vida. Em curtas declarações ao DN, o historiador dá o exemplo "dos dez volumes da Monumenta Missionária Africana, de António Brásio (1958- -68), que até hoje não foram verdadeiramente estudados". Cita documentos redigidos em Português desde o século XV "que permitem a datação exacta dos factos em África, onde as fontes orais e a arqueologia só dão datas aproximadas". Porque, pormenoriza, "há países de que pouco se sabe porque não há documentos escritos e, devido ao clima, as fontes materiais desapareceram".A elaboração da História de África, concebida nos anos 60, amadurecida nos 80 e escrita nos 90, surgiu porque "não havia uma obra completa e sintética com uma abordagem moderna e interdisciplinar da História da África Negra". Produtor desde 1963 de um programa de rádio internacional participado por imigrantes, M' Bokolo sentiu, também ali, a necessidade de esta comunidade se rever num passado credível. Mas M' Bokolo tem grande esperança no futuro, defendendo que a "renascença africana" acontecerá com as novas gerações. Sem ideias feitasTradutora do 2.º volume, a historiadora Isabel Castro Henriques considera que esta obra significa "um momento fundamental da história da construção da historiografia africana que vem pôr de lado uma série de ideias feitas, fazendo a síntese necessária dos trabalhos que se foram publicando a partir dos anos 70, com recurso a áreas como a linguística, sociologia ou antropologia". Em sua opinião, é "a melhor história de África publicada, que se centra nos africanos e não na velha questão dos africanos contra qualquer coisa..." Também Alfredo Margarido, historiador que o Estado Novo rotulou de "maldito" e expulsou das colónias, classificou M' Blokolo de historiador "absolutamente excepcional" que "interverteu os ponteiros do relógio da história", porque esta, ao longo dos séculos, "diabolizou os negros" e ignorou que antes de chegarem os europeus "havia História em África".

Memórias

Memórias de um oficial nazi
por Jonathan Littell http://dn.sapo.pt/2007/12/16/artes/memorias_um_oficial_nazi_jonathan_li.html
JOÃO CÉU E SILVA

Memórias de um oficial nazi por Jonathan Littell
O relato "autobiográfico" e desgraçado de um actor da II Guerra Mundial
Está há uma meia dúzia de dias nas livrarias um calhamaço de 895 páginas de capa vermelho/bordeaux, dividido em oito capítulos sem muitos parágrafos e dois apêndices, que tem na capa, além do cavaleiro símbolo da editora Dom Quixote, mais vinte e nove letras que compõem o nome do autor e o título do livro: Jonathan Littell - As Benevolentes. É um volume que não deverá passar despercebido ao leitor português, quanto mais não seja pela sua espessura, e que surge traduzido por Miguel Serras Pereira um ano depois da sua publicação em França. Uma edição que surpreendeu os habitantes daquele país por ser inesperado o aparecimento de um "primeiro romance" de um autor desconhecido - não fosse o apelo do nome paterno (Robert Littell), ninguém imaginaria de onde surgia esta estrela cadente - que chocou os sobreviventes do segundo grande conflito bélico do século passado pela recuperação de uma temática que já se considerava enterrada e suficientemente (de)cantada em romances, biografias, memórias e ensaios; que espantou os leitores de meia idade por terem à mão um novo e denso texto que revela particularidades inesperadas sobre factos da vida que os seus pais e avós não lhes tinham contado; que aos mais novos fez descobrir um momento da história do planeta que apenas é um bom ponto de partida para uma óptima trama livresca... E que deixou em estado de aflição o mercado literário gaulês por ser grandioso, inesperado e arrebatador de todas as atenções da rentrée literária de 2006, visto não ser normal um livro escrito por alguém nascido em Nova Iorque (em 1967) vir baralhar o momento mais aguardado pelos editores daquele país.Confesso que, tal como os críticos da revista Lire se surpreenderam e, decorrentemente, abriram o apetite aos que ainda lêem magazines literários, fiquei extremamente curioso em ler Les Bienveillants. Fiz a primeira leitura por meio livro importado, um dos habituais volumes de capa amarela editados pela Gallimard, e terminei-o agora nesta edição nacional de capa discreta mas sedutora. E a leitura que se completou mostra que este será um dos livros do ano editados em Portugal, porque é impossível resistir à dramática descrição dos últimos meses da vida de guerra contados na primeira pessoa por um oficial nazi que colaborou na escrita das páginas mais negras de um regime totalitário que um senhor de bigodeco e nariz pouco ariano (como bem e ferinamente descreve o autor à página 871) tentou implantar na década de 30 a partir da Alemanha.É bom que esta tradução intitulada As Benevolentes tenha sido apenas publicada por cá neste período de Natal e em fim de ano para que o interesse que venha a despertar não provoque o mesmo fenómeno de sucção que criou em França, onde a habitual onda de interesse criada pelos novos livros lançados após as férias de Verão se esfarelou ainda em mar alto porque os leitores franceses ficaram submersos pela grandiosidade do livro e ignoraram a maioria dos outros volumes publicados em simultâneo, tal foi a ocupação mental que este livro de Littell fez nos cérebros franceses. Por cá, decerto que não superará em vendas os êxitos de José Rodrigues dos Santos, Miguel Sousa Tavares e J. K. Rowling e não se tornará, por isso, um dos quatro cavaleiros do Apocalipse ao serviço dos lucros do mercado editorial. Mas, com toda a certeza, será um livro que irá despertar interesse porque é impossível ignorá-lo tal é a força da sua prosa. O plot que Jonathan Littell descreve ao correr de tantas páginas é imperdível e faz lembrar que existe na nossa história mais recente uma guerra colonial que merecia ser contada deste modo, com todos os seus pormenores sórdidos. Diga-se que este As Benevolentes nasce de um longo período de maturação por parte de Jonathan Littell. Segundo o autor, a sua génese está nos tempos de faculdade, quando se deparou com uma fotografia que mostrava um russo morto pelas tropas nazis, uma imagem que servia de ícone à propaganda de guerra soviética. Uma dúzia de anos de maturação serviram de incubadora para o romance que viria a escrever após um ano e meio de pesquisa e num fôlego de (apenas) quatro meses para uma primeira versão. A estrutura do livro foi buscá-la a Ésquilo e à sua Oréstia, a vivência dos tormentos da guerra vieram de uma viagem de seis meses pela Ásia Central, de seis meses de entrega ao cuidado de órfãos russos, de quinze meses a ver de perto o conflito com a Chechénia e de uma passagem por Sarajevo. Depois destas visões do mundo actual, o filho do escritor de romances de espionagem Robert Littell (que alguns apontaram como sendo o verdadeiro autor da obra) estava pronto para fazer a descrição dos últimos dias de guerra do oficial alemão, de origem francesa, Maximilien Aue e contar as suas memórias ao serviço das SS. E assim nasceu As Benevolentes que, inesperadamente, ganhou o Prémio Goncourt e o da Academia Francesa, galardões que os franceses não estão acostumados a dar a estrangeiros e que este mereceu por ter sido escrito na sua cada vez mais ignorada língua.Um livro para começar a ser lido ainda antes do fim deste ano de 2007!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A separação das espécies

Espécie teria tido 13 a 14 metros de comprimento
Descoberto um dos maiores dinossauros carnívoros no Níger

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1313581
12 de Dezembro de 2007

descobriram-se ossos do crânio de um dos maiores
de uma nova espécie
da altura de um autocarro
junta-se a outros
grandes, famosos
um tipo de reis

os primeiros vestígios foram dois dentes
perdidos
e outros bocados
destruídos num bombardeamento de munique
em 1944

desde então apareceu um crânio no deserto
há 95 milhões de anos as temperaturas eram mais altas
e os continentes eram divididos por mares pouco profundos
permitindo separações

a temperatura e o mar estão a subir

Medo

Ciências
Japoneses criam rato sem medo de gatos
http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20071212170643&z=1
12 de Dezembro de 2007

os cientistas criaram um rato que não tem medo de gatos
o segredo está no cheiro
os cientistas descobriram que o medo dos animais vem do olfacto
o rato sem medo não cheira

terça-feira, dezembro 11, 2007

A pele pode ser uma resposta

Estudo divulgado na revista "Science"
Pele pode ser uma resposta para a anemia falciforme
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1313103
07.12.2007 - 19h01 Andrea Cunha Freitas


primeiro, uma equipa
transforma células da pele em algo semelhante
com vantagens óbivas
(não é necessário recorrer a embriões)

a notícia corre mundo
agora, um grupo apela a um entusiasmo cauteloso
(é preciso substituir o gene culpado por outro que funcione)
há um caminho para levar esta técnica até aos humanos

estas limpezas têm efeitos:
a capacidade de alterar outras partes do corpo
segundo os especialistas, há perigo de silêncio
ou outros perigos
apesar disso o estudo representa mais um passo

Uma explosão social na primavera

"Se não for antes, na Primavera há uma explosão social"
http://dn.sapo.pt/2007/12/11/internacional/se_for_antes_primavera_uma_explosao_.html
11 de Dezembro de 2007

ANDRÉ CUNHA, em Pristina

cada data acalma
o autocarro parte
há um restaurante com o nome de um ditador
o aquecimento funciona
muita gente nem acorda para entrar na província
os cinzeiros estão cheios
há rakija aguardente local em alguns locais
e café
a voz de um velho ancião ferve como a água
esta é uma nova ocupação, como outra
um amigo lamenta-se na mesma mesa que o estrangeiro
o que é que se passa ali?
a bandeira ao alto está prometida
depois um novo parlamento
se não for antes, na primavera
depois da ponte há um sinal decisivo no trânsito
em que a cidade sobrevive, 20 anos depois de sair do mapa
em baixo, setas
na esquina seguinte, três albaneses chamam a atenção
é um pequeno protesti
oito anos depois da última guerra na europa, regressam pássaros
quase às duas da tarde
vários cartazes com gritos
queimado no inferno para sempre
a excepção à regra
mas não importa

Todos

Somos todos mutantes
http://jornal.publico.clix.pt/
11.12.2007

Desde que o Homem moderno surgiu, há 40 mil anos, pensava-se que os genes humanos pouco ou nada tinham mudado. Cientistas norte-americanos afirmam agora que a nossa evolução genética nunca foi tão rápida como nos últimos milénios - com um ritmo 100 vezes mais intenso do que em qualquer outra altura da saga humana. Por Ana Gerschenfeld
O homem (e a mulher) já não são o que eram há uns meros 1000 ou 2000 anos. Uma equipa de investigadores, que publicou ontem os seus resultados na Proceedings of the National Academy of Sciences, diz que desde que o Homo sapiens reina na Terra, foi submetido a pressões evolutivas intensíssimas devido ao crescimento populacional e às alterações culturais - e que isso tem alterado substancialmente os seus genes."Não somos as mesmas pessoas de há 1000 ou 2000 anos", diz Henry Harpending, da Universidade do Utah e um dos principais autores do trabalho, num comunicado daquela instituição. Para ele, esta evolução acelerada e recente poderá explicar, em parte, a diferença entre os ferozes Vikings e os pacíficos suecos actuais. "O dogma tem sido dizer que essas diferenças são puramente culturais", frisa Harpending, "mas quase todos os traços temperamentais observados estão sujeitos a uma forte influência genética".Um outro co-autor do estudo, Gregory Cochran, da mesma universidade, diz: "A História está a ficar cada vez mais parecida com um romance de ficção-científica, com mutantes constantemente a surgir e a substituírem os humanos normais. E nós somos esses mutantes."Estes mesmos dois cientistas já tinham suscitado controvérsia, em 2005, quando da publicação de um outro estudo, onde argumentavam que os judeus asquenazes actuais (originários da Europa do Norte) têm uma inteligência acima da média porque sofreram, durante a Idade Média, uma pressão selectiva que advinha de terem de desempenhar actividades que puxavam mais pelo cérebro. Terão sido os mais bem sucedidos deles que sobreviveram melhor, que tiveram famílias maiores e que transmitiram os seus genes às gerações seguintes. (O senão, contudo, é que também passaram na sua herança algumas doenças genéticas graves.)No presente estudo, os investigadores alegam que os humanos de diferentes continentes estão actualmente a evoluir em direcções diferentes: "As populações estão a divergir umas das outras", diz ainda Harpending (em inglês, a infeliz palavra que utiliza é races). "Os genes estão a evoluir muito depressa na Europa, Ásia e África, mas quase todos são específicos do seu continente de origem. Estamos a tornar-nos menos parecidos e não a fundirmo-nos numa única e misturada humanidade."Para que não haja dúvidas, porém, esclarecem logo, no mesmo documento, que as diferenças genéticas entre seres humanos "não podem ser usadas para justificar qualquer discriminação. Os direitos inscritos na Constituição não se baseiam na igualdade absoluta. As pessoas têm direitos e devem ter oportunidades seja qual for o grupo a que pertencem."O roteiro da evoluçãoSeja como for, estes cientistas chegaram às suas conclusões analisando certas características do genoma humano a partir dos dados obtidos por um projecto internacional de mapeamento genético designado HapMap. O objectivo principal do HapMap é identificar, através do estudo dos genes de diversas populações do globo, aqueles que afectam a saúde humana. Mas, graças a este projecto, os cientistas têm agora também à sua disposição um autêntico "roteiro" das alterações genéticas que se verificaram no ADN humano - ou seja, nos nossos cromossomas - ao longo dos últimos 80 mil anos. Diga-se já agora que, na realidade, apenas 0,1 por cento da sequência molecular do ADN é diferente de uma pessoa para outra; os restantes 99,9 por cento são comuns a toda a espécie humana.Os genomas de duas pessoas diferem ao nível de minúsculas variações, de mutações pontuais chamadas SNP (single nucleotide polymorphisms). Estima-se que os SNP sejam cerca de 10 milhões e já foram mapeados, graças ao HapMap, uns quatro milhões. O HapMap foi construído a partir dos genomas de 270 pessoas originárias da China, do Japão, da África e da Europa do Norte.Isto permitiu detectar as regiões do ADN que foram recentemente alvo de selecção evolutivas. "À medida que o tempo [e as gerações] passam, os cromossomas vão sendo segmentados e recombinados", explicou Harpending ao PÚBLICO. "Mas se, a dada altura, surge uma mutação vantajosa num dado cromossoma numa população, vai reproduzir-se mais rapidamente do que outras, atingindo uma elevada frequência - sem que tenha havido tempo para essa região ser segmentada e recombinada. E as cópias desse gene na população serão todas descendentes recentes da mutação original." Foram esses sinais, essas marcas de mutações recentes, seleccionadas pela evolução, que os cientistas procuraram. E detectaram-nos em cerca de 1800 genes: cerca de sete por cento dos genes humanos!Foi a agriculturaOs motores dessas novas mudanças são as grandes alterações culturais recentes por que tem passado a espécie humana - em particular, o aparecimento há 10 mil anos da agricultura, que modificou a nossa dieta. "Por exemplo", diz-nos ainda Harpending, "a maior parte dos europeus do norte apresenta hoje uma tolerância à lactose [porque possui um gene activo de uma enzima, a lactase, que permite digerir a lactose]. A frequência da mutação é superior a 90 por cento na Dinamarca e na região à volta. Ora, essa tolerância provém de uma mutação que aconteceu há apenas sete ou oito mil anos." As doenças têm sido um outro motor da evolução, com os seres humanos a adaptarem-se geneticamente para lhes fazer face. Um exemplo conhecido é o da resistência à malária. Um outro exemplo é o do gene CCR5, recentemente identificado porque confere resistência ao vírus da sida, mas que teve origem há uns 4000 anos e que hoje existe em cerca de 10 por cento da população da Europa. Poderá ter surgido da necessidade de o organismo lutar contra a varíola.O que faz estas alterações acontecerem tão depressa é o crescimento demográfico - algo que já tinha sido percebido por Darwin. Quanto maior a população, maior a variabilidade genética - e maiores as hipóteses de alguns indivíduos terem a conformação genética que lhes permita sobreviver às novas pragas. Ora, a população humana passou de apenas alguns milhões há 10 mil anos para 6500 milhões na actualidade...A evolução acelerada vai continuar provavelmente durante algum tempo. "Alguns genes implicados na função neuronal, no tamanho do cérebro, etc., estão a mudar rapidamente", diz-nos Harpending. "Mas ainda não sabemos bem o que eles estão a fazer. Estamos também a evoluir no sentido de lidarmos com o álcool."

O país submerso

Tuvalu, país submerso duas vezes por ano
http://jornal.publico.clix.pt/
11 de Dezembro de 2007

quem não acredita que as ilhas são vulneráveis
ouça o responsável

de um mini país com ilhotas no meio,
a principal apenas terra com a maioria da população ao nível da água

nas marés da primavera e outono o mar invade a ilha,
chega aos joelhos dos ministros
a agricultura é difícil
há problemas

não é o único
de meia centena de estados de pequenas ilhas
com exposição das belezas e os problemas

vê aquela senhora?
está a construir um muro contra o mar
e a segurar a areia

Os genes negros do nobel branco

Afinal, o Nobel James Watson tem genes negros
http://jornal.publico.clix.pt/
11.12.2007, Teresa Firmino


a análise de quatro letras do alfabeto deum ser vivo
revela que 16 por cento do cientista são negros
(valor 16 vezes acima da média)
cada um tem a sua sequência de letras
com que constrói um ser humano

depois de afirmar que os negros são menos inteligentes
deu uma amostra do (seu) sangue
para uma empresa o entender
e comparar com os europeus brancos

dezasseis por cento é o que se espera de um bisavô africano
e outros nove de um asiático
fez-se também uma lista das doenças
como a diabetes
a esclerose
a artrite e a obesidade

depois o cientista ficou à chuva
mesmo os outros cientistas desmentiram a relação entre a cor e os intelectuais

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Dois amigos

Quer ser amigo do ambiente? Não se divorcie
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20071205%26page%3D18%26c%3DA
5 de Dezembro de 2007
POR Andréia Azevedo Soares

os gastos aumentam se duas pessoas vão para uma nova casa

alguma vez pensou nos danos
conclusão?
quando o amor acaba o planeta sofre
mais casas, móveis e utensílios
quando se acende a luz é o mesmo com duas ou quatro pessoas na sala
cerca de 73 milhões de quilowatts podiam ser poupados
se as pessoas divorciadas
voltassem às casas antigas casas
e aos hábitos

já se estudou como a separação afecta a produtividade
mas niguém pensou nos custos
(esta amostra inclui países desenvolvidos e em desenvolvimento)

boa notícia é quando os separados se voltam a apaixonar

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Como dorian gray

Processo levou duas semanas
Cientistas rejuvenescem pele de ratinhos

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1312462
01.12.2007 - 10h53 Andrea Cunha Freitas

Para já tudo se passa ainda no universo dos ratinhos de laboratório. Mas o sonho de muitas pessoas ameaça abandonar os limites da ficção científica. Uma equipa de investigadores afirma ter encontrado uma forma de reverter o processo de envelhecimento da pele, conseguindo rejuvenescer o tecido (que ficou mais forte e de aparência mais jovem) em apenas duas semanas. O resultado da investigação, divulgada ontem, será tema de capa na edição de Dezembro da “Genes and Development”.Ao que tudo indica, bastou bloquear um só gene (NF-kappa-B) para conseguir o ambicionado efeito. Mas mais do que uma vitória no campo estético, acredita-se que a investigação poderá – mais tarde – ser útil no tratamento de algumas lesões na pele nas pessoas, designadamente, na cicatrização. “Os resultados mostram que o envelhecimento não é apenas o resultado do peso dos anos, mas é também a consequência de um programa genético activo e contínuo que pode ser bloqueado para melhoria da saúde humana”, considera Howard Chang, da Stanford University School of Medicine, que lidera a equipa de cientistas. Porém, o especialista adverte para os eventuais efeitos secundários que poderão advir deste bloqueio, até porque um gene interfere em muitas células, e neste caso específico tratar-se-á de um gene com um papel no sistema imunitário. Assim, sobra a inquietante dúvida: Uma pele mais jovem mas à custa de quê?Os investigadores identificaram o gene em questão como um importante actor na expressão genética associada ao envelhecimento e constataram que o aumento da expressão do NF-kappa-B é comum no processo de envelhecimento dos mamíferos.Com recurso a um modelo transgénico de ratinho – foram usados ratinhos com dois anos de idade – foi testado o efeito de uma inibição deste gene na chamada camada basal da epiderme do animal. Os resultados mostraram que, em apenas duas semanas, as características dos tecidos alteraram-se e reverteram para a pele de um animal jovem.

domingo, dezembro 02, 2007

A maioria desconfia

Investigação
Estudo conclui que maioria das pessoas desconfia dos sorrisos dos políticos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1312467
01.12.2007 - 13h50 Lusa

desconfio do sorriso de políticos quando sorriem

são quase todos falsos
maior quanto mais eles sorriem, conclui um inédito estudo científico realizado pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.As conclusões desta investigação referem que “oito em cada dez pessoas consideram que os sorrisos exibidos pelos políticos são quase todos falsos”.O estudo, hoje parcialmente divulgado à Lusa, envolveu 2610 cidadãos portugueses, em número igual de homens e mulheres, com idades entre 18 e 70 anos.“A desconfiança é idêntica em todas as classes etárias, mas tem uma incidência significativa nos jovens e nos adultos”, salientam as conclusões deste estudo, que utilizou a denominada Escala de Percepção do Sorriso, elaborada pelo psicólogo Freitas-Magalhães, que se dedica ao estudo das funções e repercussões do sorriso no desenvolvimento das emoções e das relações interpessoais.Desconfia-se mais dos mais velhosAs conclusões deste trabalho, que serão integralmente divulgadas no XXIX Congresso Internacional de Psicologia, que se realiza em Julho de 2008, em Berlim, indicam ainda que as pessoas “desconfiam mais do sorriso nos políticos mais velhos do que nos mais novos”.O estudo concluiu ainda que “as mulheres são mais espontâneas na identificação e caracterização dos sorrisos do que os homens”.O psicólogo Freitas-Magalhães, que dirige o Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Universidade Fernando Pessoa, já estudou o efeito do sorriso na percepção psicológica da actividade, dos delinquentes, dos estereótipos e nas diferenças do género, idade, cor da pele e de gémeos.Recentemente lançou um livro, intitulado “Psicologia das Emoções: O Fascínio do Rosto Humano”, que apresenta uma capa inédita, de efeito tridimensional, com um rosto que se altera para exibir as emoções em função do olhar do leitor.