"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sábado, outubro 31, 2009

Ex-líder cubano também culpa Canadá e Espanha
Fidel Castro acusa Obama de introduzir gripe A em Cuba
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1406813&seccao=EUA e Am%E9ricas
por Lusa



Fidel Castro afirmou hoje que os turistas de países como o Canadá e a Espanha introduziram a gripe A em Cuba e que Barack Obama também contribuiu para a situação ao aligeirar as visitas de cubanos residentes em Miami.

Num novo artigo divulgado pelos meios de comunicação social cubanos, Castro recorda que “os sintomas iniciais da febre A H1N1 surgiram quase em simultâneo no México, Estados Unidos e Canadá”, a partir do primeiro trimestre deste ano, alastrando depois a Espanha.

“Quando o presidente dos Estados Unidos suprimiu as restrições de visitas a Cuba de cubanos residentes nos Estados Unidos, a epidemia já estava avançada nesse país. Também os quatro países que mais geram turismo em Cuba contribuíram para o alastramento da doença”, escreveu Fidel.

Segundo Castro, “os primeiros portadores do vírus para Cuba foram turistas, porque inicialmente os casos de contágio eram poucos” e sem vítimas mortais na ilha.

“À medida que o vírus se foi estendendo às províncias, sobretudo as com maior número de familiares residentes nos Estados Unidos, foi necessário adquirir novos equipamentos de análises”, acrescenta Fidel Castro no seu artigo.

Segundo o líder cubano, “o mais estranho é que Obama autorizou um maior número de pessoas a viajarem para Cuba mas continua a proibir a compra de equipamentos e medicamentos nos Estados Unidos para combate à epidemia”.

JMS.

"Não importa a idade: qualquer mulher pode dançar no varão"
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1406622

por JOANA FERREIRA DA COSTA


As aulas para ensinar os segredos das danças sensuais são uma das novidades da feira que este ano procura atrair mais público feminino. Na abertura, havia pouco público. Organização espera 20 mil pessoas


"Uma boa música, um bom vinho, fechar os olhos e deixar-se levar é tudo o que é preciso para uma dança sensual". A garantia é dada por Romina, bailarina de dança no varão, responsável pelas seis aulas diárias do V Salão Internacional Erótico de Lisboa (SIEL) que abriu ontem na FIL, em Lisboa.

"Não importa a idade, a altura, o peso ou que o faz. Todas as mulheres podem dançar no varão" explica a brasileira, acrescentando que não é difícil aprender esta arte. "Só ajudo cada mulher a libertar a sensualidade que já possui".

Dito assim parece fácil, mas, na realidade, não é. Romina tem formação em ballet clássico e dedica-se à dança no varão há dez anos. Foi uma amiga que lhe falou na oportunidade de dançar e ganhar muito dinheiro. "Ela disse-me: 'Só tem um pormenor, tem de despir a roupa'". Romina não se incomodou, vem do país do Carnaval, onde o "nu é artístico". A mãe, bancária, aceitou a escolha. O pai só no ano passado soube a profissão da filha e preferia que tivesse acabado o curso de direito. Mas Romina não pensa voltar à faculdade. "Vou trabalhar mais cinco anos e depois volto à minha terra e abro uma Escola de Dança" conta através das lentes de contacto azuis.

Muda-se a cor dos olhos, ganha-se mais dez centímetros de altura com os saltos e reduz-se a quantidade de roupa. Assim se cria a personagem que sobe ao palco e faz concentrar à sua volta os poucos visitantes que ontem apareceram na abertura do evento, onde a organização espera ter 20 mil visitantes até domingo. Eram sobretudo homens, mas também casais e mulheres.

Uma delas é Chris, londrina de 33 anos que está em Lisboa, de visita e decidiu vir com duas amigas. "Nunca tinha estado num evento destes" conta. Mas o espectáculo que observa não é novidade. "Tenho aulas de dança no varão todas as semanas. A diferença é que não tiro a roupa" explica.

Foi a curiosidade que a levou, há três anos, a procurar as aulas. Depois descobriu que se sentia mais confiante e "acabou por se tornar viciante" revela. Mas ontem acabou por não fazer a aula de Romina, por não poder esperar até ao final da tarde.

É a confiança da brasileira que Ana, de 18 anos, confessa procurar. Larga a mão do namorado e confidencia ao DN: "Eu quero fazer-lhe uma surpresa. Já há um tempo que quero aprender, já combinei com uma amiga. Estamos só à procura do melhor curso". E, depois de saber dos workshops dados por Romina, fica interessada. "Gostava de experimentar!", diz entusiasmada. Mas ao saber que o primeira aula só começa às 19.00 desanima. "O meu pai não sabe que vim e depois do trabalho é capaz de cá passar", confessa.

São poucos os visitantes que ao início da tarde passeiam no recinto da FIL. "Cheguei às 14.00 e ainda estavam a montar os stands. Os espectáculos não têm nada de novo. Acho que vinte euros é demais" afirma uma psicóloga de 37 anos.

A opinião é partilhada por outros visitantes do espaço com quem o DN falou. Mas para Joaquim Tavares, que ontem dirigia o stand de material erótico da loja Afrodite, o preço é justo. "Não acho que seja caro. As pessoas não sabem o trabalho que dá ter todas estas lojas e actividades no mesmo espaço, ao mesmo tempo".

terça-feira, outubro 27, 2009

Chicago
A Torre Sears tem uma varanda nova, no 103º andar
http://ipsilon.publico.pt/Artes/texto.aspx?id=242486

09.10.2009


Estruturas suspensas de acrílico transparente dão aos visitantes a sensação de flutuar sobre a cidade, a 421 metros de distância da terra firme


Desde 1973, o ano em que se pôs de pé, que "mais" é o nome do meio da Torre Sears de Chicago: foi o edifício mais alto do mundo durante umas décadas (até 1998, o ano em que as Torres Petronas, de Kuala Lumpur, a ultrapassaram), depois passou a ser o edifício mais alto dos Estados Unidos da América (o que, numa paisagem sob a influência dos arranhacéus, é absolutamente do domínio da proeza). Desde há umas semanas, acumula esse recorde com outra impressionante façanha: a varanda mais vertiginosa do planeta também é lá, no 103º andar.

"A Torre Sears sempre teve a ver com superlativos - a mais alta, a maior, a mais icónica. Hoje continua a sêlo. Com esta varanda, a Torre Sears passa a ter a vista mais espantosa do mundo, a vista mais vertiginosa do mundo, a vista mais 'uau' do mundo", disse à Associated Press John Huston, um dos proprietários do edifício (que, entretanto mudou de nome para Torre Willis, embora Chicago ainda não se tenha habituado à nova identidade do edifício).

As novas varandas do 103º andar são estruturas suspensas (já têm uma alcunha, "the ledge", que à letra significa "prateleira") de acrílico transparente que dão aos visitantes a angustiante (ou não) sensação de flutuar sobre a cidade, a 421 metros de distância da terra firme. O primeiro passo, dizem, é um pequeno passo para a Humanidade mas um grande salto para o homem: "A primeira sensação é: vou cair daqui abaixo", explicou Margaret Kemp, uma californiana que continuava em taquicardia minutos depois de ter saído da "prateleira".

Além das novas varandas e do novo nome, a Torre Sears tem mais planos para o futuro: nos próximos cinco anos, os proprietários vão gastar cerca de 238 milhões de dólares num plano de renovação que vai tornar o edifício mais verde, através da instalação de turbinas eólicas, jardins e painéis solares.

Jitish Kallat é imune à crise
http://ipsilon.publico.pt/artes/texto.aspx?id=242763

12.10.2009 - Vanessa Rato


Kallat, de 35 anos, triplicou os seus anteriores recordes de vendas


A avaliar pelas primeiras vendas de Outono, os especuladores do mercado da arte vão ter que continuar à procura de uma luz ao fundo do sombrio túnel da actual crise económica mundial. Segundo dados da ArtPrice, uma das grandes analistas do sector, os resultados dos primeiros leilões de Setembro tanto da Christie’s como da Sotheby’s foram “pálidos”, confirmando ainda o que já todos sabíamos: que tempos de recessão não deixam margem para riscos.

Dois nomes em destaque: como seria de esperar, o de Andy Warhol, que continua a ser visto pelos compradores como a aposta mais segura no sector da arte ocidental do pós-guerra; a surpresa do arranque da temporada vem do mercado asiático, com o jovem artista indiano Jitish Kallat a bater recordes, ainda que apenas os seus, e a parecer, assim, imune ao mau momento.

A 16 de Setembro, Kallat, de 35 anos e um nome já bastante conhecido tanto na Europa como nos Estados Unidos, vendeu “Dawn Chorus – 7” na Christie’s de Nova Iorque por 320 mil dólares (algo mais de 217 mil euros), triplicando uma expectativa máxima de venda estimada a partir dos seus anteriores recordes. Isto quando segundo a ArtPrice ficou provado o baixo momento para a arte asiática: o leilão de 2009 da Christie’s para a Arte Moderna e Contemporânea Asiática fez metade do valor conseguido pelo seu homólogo de 2008, caindo de 10,3 milhões de dólares (7 milhões de euros) para 5,1 milhões (3,3 milhões).

Quanto a Warhol: uma tela da série das flores datada de 1964 chegou aos 895 mil dólares (608,5 mil euros) no dia 23 na Christie’s enquanto no dia seguinte uma das suas latas de sopa de tomate Campbell chegou aos 310 mil dólares (210,7 mil euros) na Sotheby’s. Isto com a venda de Arte Contemporânea e do Pós-Guerra da Christie’s a mostrar uma quebra geral de 5,2 milhões em 2008 para 3,5 este ano e a da Sotheby’s de 8,5 milhões para 4,4 milhões, havendo a ressalvar que ambas leiloeiras tinham também menos lotes à venda (a Sotheby’s, por exemplo, cuja quebra é mais acentuada, tinha menos 100 lotes do que em 2008).

Ainda segundo a ArtPrice, os resultados de artistas como o britânico Damien Hirst e o chinês Lijun Fang no leilão da Phillips de Pury, no dia 26, foram “tranquilizadores” para os nomes afirmados do mercado contemporâneo, restando esperar pelas vendas de Londres, este mês (dias 16, 17 e 18) para a análise completa do momento.

O futuro da Europa amarrado ao passado
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/27-10-2009/o-futuro-da-europa-amarrado-ao-passado-18094747.htm
Por Edward Cody Friday

O Tribunal Constitucional checo decide hoje sobre um recurso que poderá vencer a resistência ao tratado do Presidente, Vaclav Klaus, baseada num episódio de 1945


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O passo mais recente da Europa em direcção a um futuro mais unido, o Tratado de Lisboa, que parecia estar perto de ser alcançado após inúmeros adiamentos, ficou atolado num capítulo esquecido do passado sangrento do continente: a expulsão dos alemães da Checoslováquia a seguir à II Guerra Mundial.

Este embaraço inesperado relembrou que as nações da União Europeia (UE) estão apenas a uma geração de distância dos horrores da II Guerra Mundial e da Guerra Fria. Quem reacendeu a memória desses dias tempestuosos foi o Presidente do que é hoje a República Checa, Vaclav Klaus, conhecido como um nacionalista e um eurocéptico, que não acredita nos poderes supranacionais da UE.

Embora o Parlamento checo tenha votado a favor do tratado, Klaus recusou-se até agora a ratificá-lo, não obstante já tenho dado sinais de que irá ceder. Hoje, o Tribunal Constitucional checo avaliará um recurso do qual está dependente a possibilidade de Klaus vir a assinar o documento.

Antes de o fazer, Klaus disse que quer ver acrescentada uma excepção, relativa à Carta dos Direitos Fundamentais. Esta adenda de última hora, dizem fontes oficiais em Praga, isentaria a República Checa de indemnizar ou de devolver terras aos cerca de 2,5 milhões de alemães expulsos da região dos Sudetas em 1945, ao abrigo dos decretos Benes, baptizados com o nome do Presidente checoslovaco à época, Edvard Benes.

Estas expulsões foram uma das inúmeras limpezas étnicas ocorridas na Europa Central a seguir à guerra de 1939-1945, para desfazer (e também como uma forma de vingança) o que tinha acontecido quando essas regiões foram ocupadas ou anexadas pelo III Reich. Ainda que relegadas para os livros de história, estas questões ainda causam inquietação nas regiões da fronteira ocidental da República Checa, que foram o palco da maioria dessas expulsões.

"Isto ainda pode despertar emoções na região dos Sudetas, onde a questão é muito sensível, por razões óbvias" disse Oldrich Cerny, que foi conselheiro nacional de segurança do antigo Presidente Vaclav Havel e dirige actualmente o Instituto de Estudos de Segurança de Praga.

As objecções eslovacas

Muitos especialistas mantêm que, mesmo sem um estatuto de excepção, passados todos estes anos a Carta dos Direitos Fundamentais não poria em risco o estatuto dos proprietários sudetas actuais, disse Cerny. Os alemães expulsos não levaram a questão para os tribunais e Berlim não está interessada em reivindicar compensações. Mas Klaus agarrou-se a essa questão como um instrumento de último recurso para atrasar ainda mais a sua ratificação de um documento ao qual se opõe, acrescentou Cerny.

Tomas Valasek, director da secção de política externa e de defesa do Center for European Reform, de Londres, disse que Klaus provavelmente compreendeu que já não podia resistir muito tempo e que a sua insistência nestas alterações ao tratado foi uma forma de salvar a face, quando se tornou evidente que terá de ceder. "Basicamente, isto vai-lhe permitir ratificar o Tratado de Lisboa e, ao mesmo tempo, reivindicar vitória", afirmou Valasek.

Assim, o Presidente checo disse recentemente numa entrevista que a partir do momento em que os direitos dos proprietários de terras na região dos Sudetas estivessem garantidos, provavelmente assinaria o tratado, apesar das suas reservas. "O comboio está a ir demasiado depressa e já foi tão longe que é impossível travá-lo, quaisquer que pudessem ser os nossos desejos", disse numa entrevista publicada no dia 17.

Para complicar as coisas, o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, disse que também ele quer uma cláusula de isenção para proteger a Eslováquia de problemas relativos à expulsão dos alemães, ainda que estes fossem muito menos numerosos do que no que é a actual República Checa. A Eslováquia fazia parte da Checoslováquia no tempo dos decretos Benes [separou-se da República Checa em 1993].

Em parte, Fico terá sido motivado pela perspectiva de ir disputar eleições em 2010 e pretender posicionar-se como um defensor dos interesses nacionais para potenciar a sua popularidade, comentou Valasek. Mas essa tomada de posição reflecte o facto de que se o problema é suficientemente sério para preocupar os checos, então também os eslovacos têm a obrigação de garantir que os interesses dos seus proprietários estão igualmente protegidos.

O Tratado de Lisboa enfrentou inúmeras hesitações de vários países por causa da questão da soberania. Mas após a Irlanda ter referendado o tratado a 2 de Outubro e o Presidente polaco, Lech Kaczynski, o ter ratificado, poucos dias depois, a República Checa passou a ser o único país dos Vinte e Sete que ainda não ratificou o documento.?A Europa vexada

O desafio de Klaus irritou os líderes europeus, que pensavam que a estrada estava aberta depois do referendo irlandês.

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, um sólido adepto da integração europeia, considerou a recusa de Klaus "inaceitável" e avisou a República Checa de que sofreria as consequências, se mantivesse a sua posição.

A exigência eslovaca também irritou os governos europeus, especialmente porque a Eslováquia tinha ratificado plenamente o tratado. Carl Bildt, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia, país que ocupa a presidência da UE este semestre, reagiu com ironia: "Tinha a impressão de que a Eslováquia já tinha concluído o processo de ratificação do tratado."

Fontes europeias disseram, no entanto, que Bildt negociou com os checos as exigências de Klaus e estava disposto a alargar as negociações à Eslováquia. O objectivo, frisaram, é que o tratado possa entrar em vigor pelo menos no princípio de 2010.

A Eslováquia e a República Checa não foram os primeiros países a pedir estatutos de excepção. Depois de ter rejeitado o tratado no primeiro referendo, em 2008, a Irlanda garantiu que seriam respeitadas a sua tradição de neutral e as leis que proíbem o aborto, abrindo caminho ao voto favorável. O Reino Unido, a Polónia e a Dinamarca também negociaram excepções. "A diferença relativamente à República Checa e à Eslováquia é que agora fomos obrigados a voltar ao princípio dois anos depois", disse, sob anonimato, um responsável da UE.

É um gato? É um vírus?É uma experiência quântica!

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/25-10-2009/e-um-gato-e-um-viruse-uma-experiencia-quantica-18077409.htm#

Em 1935, o físico austríaco Erwin Schroedinger imaginou uma experiência conceptual, protagonizada por um gato, para mostrar quão bizarra era a nova mecânica quântica, quando transposta para os objectos quotidianos. Agora, um grupo de cientistas diz que é possível fazer realmente a experiência - com um vírus. Por Ana Gerschenfeld


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A física quântica é uma verdadeira colecção de bizarrias que desafiam as nossas mais íntimas intuições. À escala dos átomos e das partículas subatómicas, tudo é diferente, tudo fica "desfocado", por assim dizer. Um electrão não é como uma bola de ténis, porque, segundo as leis da mecânica quântica, pode estar em vários sítios diferentes ao mesmo tempo - o que não acontece com a bola de ténis.

Uma pergunta que irrita e fascina há décadas muitos físicos é a seguinte: se é verdade (e ninguém duvida) que os objectos quotidianos são feitos de triliões de partículas quânticas, por que é que as leis da física quântica não se aplicam também a esses objectos? Por que é que não podemos, parafraseando a revistaNew Scientist, estar ao mesmo tempo no jardim a cortar a relva e no supermercado a fazer as compras?

Uma das mais famosas peças da galeria de estranhas propriedades não diz respeito às partículas infinitesimais, mas a um gato... O gato é o protagonista de uma experiência mental, uma pura abstracção, imaginada em 1935 por um dos pioneiros da mecânica quântica, Erwin Schroedinger, precisamente para ilustrar o lado bizarro desta área da física.

Oitenta e poucos anos mais tarde, uma equipa liderada pelos físicos espanhóis Oriol Romero-Isart e Ignacio Cirac, do Instituto Max Planck de Garching, na Alemanha, anunciou agora que quer trocar o gato por um vírus e mostrar que é mesmo possível obrigar um organismo vivo ou quase vivo (se não um gato, pelo menos um vírus) a assumir, em simultâneo, dois estados físicos diferentes. Por enquanto, apenas publicaram a descrição da experiência que tencionam fazer para o conseguir no arXiv.org (um sitede pré-publicação de artigos na área da física). Mas o P2 soube entretanto, junto de Ignacio Cirac, que já submeteram o seu trabalho para publicação na revistaNature.

Paradoxo de Schroedinger

Lá vai então a história do gato. Dentro de uma caixa blindada e opaca, lá está ele. Ao pé, mas inacessíveis ao gato, há um frasco cheio de gás de cianeto, uma amostra de material radioactivo, um martelo e um detector de radiação (estes dois últimos objectos ligados um ao outro por um circuito eléctrico). O material radioactivo tem uma probabilidade de 50 por cento de emitir uma partícula de radiação ao longo de uma hora - e a mesma probabilidade de não emitir nada. Passado esse tempo, se a partícula tiver sido emitida, ela terá sido detectada pelo detector, que terá accionado o martelo, que terá esmagado o frasco, que terá libertado o veneno, que terá morto o gato. Se não tiver sido emitida, nada terá acontecido ao animalzinho de estimação, que continuará vivo.

Só que, como o material radioactivo se rege pelas leis da mecânica quântica, ele pode ter emitido a radiação e não a ter emitido, dando origem ao que os físicos chamam uma "sobreposição" desses dois estados. E como os estados de saúde possíveis do gato estão intrinsecamente ligados a esse fenómeno quântico pelo "mecanismo diabólico" da experiência (a expressão é do próprio Schroedinger), o gato também se encontra, simultaneamente, em dois estados radicalmente diferentes: está vivo e morto ao mesmo tempo.

Um pequeno parêntese: é precisamente a possibilidade de sobreposição de estados que está na base de conceitos como o do computador quântico, que, a existir, seria muitíssimo mais poderoso do que qualquer supercomputador convencional. E, a este propósito, diga-se que Ignacio Cirac é considerado um físico brilhante neste domínio. Uma prova entre muitas outras: recebeu esta semana, juntamente com outros dois físicos, a Medalha Benjamin Franklin da Física 2010 - um dos mais prestigiados prémios do mundo - "pela sua proposta teórica e realização experimental do primeiro dispositivo que faz operações elementares de lógica computacional utilizando as propriedades quânticas dos átomos individuais".

Voltando ao gato, a questão é que Schroedinger quis, através desse paradoxo, criticar a chamada "interpretação de Copenhaga" da mecânica quântica (elaborada, em 1927, por outros dois pioneiros da teoria, Niels Bohr e Werner Heisenberg), que estipula que o mundo das partículas é governado essencialmente pelas probabilidades. Segundo esta interpretação, o que acontece é que, mal a caixa é aberta (ou seja, mal uma observação, ou medição do sistema é efectuada por alguém), os estados quânticos simultâneos "entram em colapso", deixando subsistir apenas um dos dois estados possíveis para a fonte radioactiva e para o gato - morto ou vivo. E tudo volta assim à normalidade. Mas Schroedinger, tal como Albert Einstein, não acreditava que o mundo fosse totalmente indeterminista, aleatório, probabilista; pensava, pelo contrário, que o que se passava com a teoria é que ela não descrevia totalmente o mundo físico, que era incompleta e, por isso, não conseguia conciliar as escalas macroscópica e microscópica do mundo físico.

Hoje em dia, apesar deste tipo de dificuldades, a interpretação de Copenhaga continua a ser a mais largamente aceite pela comunidade dos especialistas. Mas existem também propostas alternativas (que são, contudo, ainda mais parecidas com ficção científica...). Uma delas é a chamada many-worlds interpretation (proposta pelo físico norte-americano Hugh Everett em 1957), que especula que o gato bem pode estar morto e vivo ao mesmo tempo - mas em universos paralelos que não têm qualquer hipótese de comunicar entre eles. No nosso universo, o gato estará por exemplo vivo (ou morto), mas existe, fora do nosso alcance, um outro universo onde se verifica a situação contrária.

"Essa interpretação [de Copenhaga] da mecânica quântica é a comummente aceite", diz-nos por email Carlos Fiolhais, físico da Universidade de Coimbra, "mas levanta algumas dificuldades conceptuais. A maior é talvez que, sendo o estado quântico, em geral, uma sobreposição ou mistura de estados puros (...), é a interacção com o observador que determina o resultado da medida. Este "colapso" da função de onda, esta determinação de um mundo indeterminado feita pelo observador, parece prejudicar a existência de um mundo objectivo independente do observador. O paradoxo do gato de Schroedinger surge neste contexto. A questão é: não será absurdo que seja o observador que, quando abre a caixa para ver o gato, o mata?" Ou, dito por outras palavras, será concebível que a realidade seja tributária da consciência humana?

Uma "ratoeira quântica"

Considerações filosóficas à parte, a experiência à qual Cirac, Romero-Isart e colegas tencionam submeter um vírus é a seguinte, como explicam no seu artigo, que se encontra actualmente acessível através do endereço http://arxiv.org/abs/0909.1469. Primeiro, graças ao campo electromagnético criado por um laser - uma "ratoeira quântica", diz Carlos Fiolhais - vão aprisionar um vírus no vácuo. A seguir, com um segundo laser, vão reduzir os movimentos do vírus até o fazer atingir o seu estado de energia mais baixo - ou seja, até ele parar de se mexer quase por completo. E por último, vão alvejar o vírus com um fotão (uma partícula de luz). Como o fotão é uma partícula quântica (e como tal, pode ao mesmo tempo atravessar o vírus sem surtir qualquer efeito e ser reflectida por ele, imprimindo-lhe um movimento adicional), o dispositivo deverá conseguir colocar o vírus numa superposição quântica de dois estados de movimento.

"Há coisas impossíveis, mas esta não parece ser uma delas", explica-nos ainda Fiolhais. "[Mas] os autores, sabendo que não conseguem "caçar" com gato, "caçam" com um vírus e, em vez de falarem do vírus vivo ou morto, falam de vários estados de vibração do vírus, isto é, querem pôr o vírus a abanar tal como uma corda musical."

Existem vírus capazes de resistir a um tal tratamento? Sim, respondem os autores desta ainda hipotética experiência: por exemplo, os vírus da gripe. Possuem as dimensões adequadas (uma centena de milionésimos de milímetro) e têm as propriedades físicas certas para se comportar de forma quântica: entre outras coisas, não conduzem a electricidade e conseguem resistir ao vácuo durante semanas. O vírus do mosaico do tabaco é um outro candidato. Com mais arrojo ainda, os autores referem mesmo a possibilidade de se vir a utilizar uns bichinhos bem maiores: os tardígrados, uns minúsculos animais, com 1,5 mm de comprimento, que vivem nos musgos, nos locais húmidos, e que também são capazes de sobreviver no vácuo.

Vivo ou não?

Há quem ache que os vírus não são realmente seres vivos e que, portanto, o sucesso da experiência com um vírus não significará que foi possível criar uma sobreposição quântica num ser vivo, ao contrário do que anuncia o título do artigo. "Partículas, átomos, moléculas e grandes moléculas têm-se portado como a mecânica quântica diz que se devem portar", explica-nos Fiolhais. Inclusivamente, frisa, foram feitas experiências de sobreposição quântica com moléculas de futeboleno (carbono 60), que são objectos nanoscópicos tais como os vírus. Ao fim e ao cabo, salienta este cientista, "um vírus não passa de uma molécula grande e complexa" e "é discutível se se lhe deve chamar um organismo vivo". "Digamos que está na transição entre o não-vivo e o vivo."

Martin Plenio, físico do Imperial College de Londres, citado pelaNature numa notícia acerca desta pré-publicação, é da mesma opinião: "Estou totalmente convencido que os vírus se comportariam exactamente da mesma forma que as moléculas inorgânicas."

O que não impede, segundo ele, que a experiência seja interessante, na medida em que pode "ajudar os físicos a determinar onde acaba o mundo quântico e onde começa o nosso mundo macroscópico".

"A questão é precisamente até onde é que essas leis [quânticas] são válidas", diz-nos por seu lado, também via email, Yasser Omar, especialista de física quântica da Universidade Técnica de Lisboa. "Recentemente, tem havido um progresso notável e tem vindo a descobrir-se que os efeitos quânticos sobrevivem em objectos muito maiores do que se imaginava, ainda que à escala nanoscópica." E não só. "Foi demonstrada a existência de efeitos quânticos no processo de fotossíntese", acrescenta Omar, "em moléculas grandes, à temperatura ambiente... e em sistemas vivos". "Trata-se de resultados muito recentes, que vêm mais uma vez empurrar a fronteira do mundo quântico (...). O artigo do Cirac é mais uma contribuição nesta direcção (...)."

E acrescenta, com um entusiasmo palpável: "Criar uma sobreposição quântica num ser vivo, como um vírus, a temperatura ambiente, seria um resultado de grande espectacularidade, que demonstraria que a fronteira entre a física quântica e a física clássica está muito para além do que se pensava. (...) Não deixaria de ser uma surpresa para a esmagadora maioria dos físicos e seria certamente um resultado candidato ao Prémio Nobel. Mas o mais interessante é que, se tais resultados forem observados, abrem-se desafios extremamente interessantes para os físicos resolverem. Como, por exemplo, explicar como é que os sistemas quânticos são robustos [não são perturbados] ao ruído exterior - o que poderá ser uma contribuição crucial para a construção de um computador quântico -, e descobrir até onde se podem observar efeitos quânticos, em particular em sistemas ou seres vivos maiores. A priori, poderá não haver nenhuma limitação fundamental à realização deste tipo de experiências com objectos maiores."

Questões filosóficas

Concluem os autores do artigo: "Esperamos que as experiências propostas sejam um primeiro passo para abordar experimentalmente questões fundamentais, tais como o papel da vida e da consciência na mecânica quântica - e até as implicações nas nossas interpretações da mecânica quântica." E, numa versão anterior do texto (que esteveonlineaté há uns dias), também escreviam que, a confirmar-se que um ser vivo pode assumir sobreposições quânticas, poderia mesmo haver maneiras de testar a validade das diferentes interpretações da teoria, nomeadamente a de Copenhaga e a dos multiversos (many-worlds), já aqui referidas.

Carlos Fiolhais mostra-se céptico. "A confusão que podemos ter sobre o comportamento de objectos nanoscópicos", diz-nos, "é natural, pois não estamos habituados ao comportamento do micromundo. (...) "[Mas] não penso que a experiência do vírus possa iluminar questões filosóficas do tipo das que são levantadas pela teoria quântica."

Até porque "o paradoxo [de Schroedinger] pode ser ultrapassado dizendo que falamos de probabilidade de gato morto e probabilidade de gato vivo", explica ainda, "e que, se tivermos muitas caixas com gatos, encontraremos uns vivos e outros mortos na proporção indicada pelas probabilidades". "Esta é uma maneira satisfatória, quanto a mim, de ver o problema [e evita] algumas complicações que vêm da interpretação de Copenhaga. Não é um gato que está meio vivo, meio morto como umzombie, mas um conjunto de gatos que estarão uns vivos e outros mortos. E, quando eu digo que encontramos gatos vivos e mortos, não estou a dizer que o olhar os mata..." E nós arriscamo-nos a acrescentar: também não significa que pertencem a universos paralelos...

"Eu diria", prossegue Fiolhais, "que há um contínuo entre o micromundo das partículas, átomos e moléculas e o nosso macromundo. A teoria quântica não é eterna, poderá um dia ser ultrapassada por outra que a englobe, mas duvido que possa ser ultrapassada por experiências do tipo da que ora foi proposta... O mais natural é que se confirmem as previsões da teoria quântica e, assim, não se avance muito. Para avançar ter-se-ia de encontrar uma falha de previsão, algo que nem Schroedinger, nem Einstein, nem ninguém depois deles conseguiu. Apesar de todas as dificuldades conceptuais, a teoria quântica está bem e recomenda-se."

segunda-feira, outubro 26, 2009

"A beleza dura 5 minutos"
Falámos com Monica Bellucci na véspera da actriz e um dos rostos da Dior soprar 45 velas. A diva italiana garante que se sente hoje muito mais bela do que há 20 anos. E mais feliz. Clique para visitar o canal Life & Style.
Katya Delimbeuf (www.expresso.pt)

http://aeiou.expresso.pt/a-beleza-dura-5-minutos=f543091

9:15 Domingo, 25 de Out de 2009


Mónica Bellucci senta-se ao meu lado - à minha esquerda, para ser mais precisa. Não, não é um sonho, apesar da mulher o ser. A diva italiana, actriz de filmes como "A Paixão de Cristo" ou o polémico "Irreversível", está sentada na cadeira ao lado, numa mesa redonda de entrevistas, com meia dúzia de jornalistas internacionais, no Hotel Plaza Athenée. É mais magra e mais alta do que aparenta nas fotografias. O cabelo longo, esticado, e a franja compõem o visual desta mulher que guarda uma distância sem ser distante, e que se tem dificuldade em situar entre o reservado, o tímido ou o longínquo. Veste um elegante vestido cinza, justo na cintura, a evidenciar-lhe a linha, e garante que não faz "absolutamente nada" para a manter. Nem ginástica, nem dietas, já que detesta a ideia de uma vida formatada, cheia de regras e coletes de forças. Tyen, o director artístico da Dior, amigo de Mónica há 20 anos, sentado frente a ela, afiança que ela come pizza e chocolates sempre que lhe apetece. Que não há de ser assim tantas vezes, imagina-se, a fazer fé no corpo que revelam as fotografias desta mulher de 44 anos... Na verdade, 45. A conversa decorreu na véspera do seu aniversário. Bendita genética...






Por que aceitou, em 2006, ser um dos rostos da Dior, e como se sentiu?

Quando a Dior me convidou, senti-me muito honrada, porque além de ser actriz, sou mulher - e ainda por cima, já tinha 40 anos e tinha acabado de ser mãe. O facto de a Dior escolher uma mulher adulta para a representar fez-me admirar o conceito de beleza da marca. Acho a mensagem muito forte: é uma prova de respeito pelas mulheres, independentemente da sua idade.

O que é para si a beleza?

Vou parafrasear Óscar Wilde: a beleza dura cinco minutos. Se não houver algo forte por trás, não sobra muito. Nas fotografias, como nos filmes, gosto de me abandonar ao fotógrafo, não sou de controlar todo o processo, prefiro surpreender-me com o resultado. Há 20 anos que Tyen (o director artístico da Dior, fotógrafo e responsável pela maquilhagem da marca) e eu trabalhamos juntos - e não sei se ele conhece melhor a minha cara ou a minha alma.

Como lida com o envelhecimento, sendo uma figura pública conhecida pela sua beleza, com contratos de marcas de beleza?

A idade não é um problema para mim. No outro dia, olhando para fotografias minhas feitas pelo Tyen, há 20 anos, achei que estava muito melhor hoje. Pelo menos, sinto-me muito melhor. Mais feliz. Nos dias de hoje, ser uma mulher adulta é uma coisa maravilhosa. Se se tiver 40 anos, podem ter-se filhos, vê-los envelhecer... Esta obsessão pela juventude não me afecta.

Tem algum segredo de beleza? Faz ginástica, ioga, tem cuidado com a alimentação?

Não bebo nem fumo. Tento dormir bem. Mas não vou ao ginásio... Detesto controlar as coisas, ser um soldado com horas para tudo. Não acredito em nada disso.

Teve um ano profissional cheio. Acaba de filmar "The Private Lives of Pipa Lee", de Rebecca Miller, ao lado de Robin Wright Penn, e "O Aprendiz de Feiticeiro", de Jon Turteltaub, ao lado de Nicolas Cage. Para o ano, estreiam também "Get it at Goode's", uma comédia de Bruce Beresford, e "1:30 Train", de Joel Schumacher. Também já trabalhou com realizadores como Mel Gibson, na "Paixão de Cristo", com Giuseppe Tornatore, em "Malena". Que desafios ou que realizadores ainda a seduziriam?




Tenho tido sorte. Mas nunca telefonei a um realizador a dizer: 'Adorava entrar num filme seu'. Prefiro esperar que venham até mim. Tenho muitos projectos para o futuro, dos quais ainda não posso falar. Posso adiantar, no entanto, que comprei os direitos de um livro, que acho que poderá dar um belo filme.

O que a fascina, neste momento?

As crianças. Desde que fui mãe, tudo é mais belo e mais simples - porque o centro deixou de ser eu. Ter uma criança ajuda-te a crescer. E como mulher, dá-te equilíbrio. Desde que a minha filha existe, nunca mais estive triste.

Em que é que a vinda da sua filha alterou a sua rotina de trabalho?

A minha filha Deva viaja comigo para todo o lado. Fiz dela uma pequena cigana. Inclusivamente rodei um filme enquanto estava a amamentar. Já fala três línguas, adora maquilhagem e o 'set' de filmagens.

É uma mãe descontraída ou uma 'mamma' italiana, tradicional?

Muito tradicional. Quero que ela durma bem, que coma bem...

Por que decidiu dar um nome indiano à sua filha?

Não sabia que era um nome indiano (significa "criatura dos céus"). Achava que era um nome italiano antigo.

Pensa ter mais filhos?

Não sei, acho que isso não se planeia. Posso dizer que neste momento me sinto sortuda, porque tenho uma óptima família, tenho uma paixão, que é o meu trabalho... Sinto-me uma mulher completa, feliz.

Esteve em Portugal recentemente (há dois anos) a rodar um anúncio. O que achou do país?

Adoro Portugal. É selvagem. Sinto-me livre. A comida é óptima. E o meu marido (o actor Vincent Cassel, com quem é casada há dez anos) fala a língua.

Como gere a distância do seu marido durante longos períodos?

Estou habituada a essa dinâmica, de estar separada dele durante dois meses, a filmar noutro país, e depois de estarmos juntos durante outro período. É algo que fazemos desde sempre.

Que cor teria a sua vida actual, se tivesse que escolher?

Vermelha.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Agência Espacial norte-americana

Painel de peritos diz que NASA deve largar a Lua
http://www.publico.clix.pt/Ciências/painel-de-peritos-diz-que-nasa-deve-largar-a-lua_1406516

23.10.2009 - 08:46 Por Lusa

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Um painel especial independente disse hoje que o plano da Agência Espacial norte-americana (NASA) para revisitar a Lua é a missão errada com o foguetão errado.NASA/Reuters


Constellation prevê um regresso dos norte-americanos à Lua no horizonte do ano 2020
Esta comissão de peritos independentes - nomeada pelo Presidente Barack Obama para examinar o programa de exploração espacial norte-americano tripulado - divulgou hoje o seu relatório final que difere pouco do resumo já divulgado em Agosto e que concluiu haver um financiamento insuficiente.

No relatório, o presidente da comissão, Norman Augustine, antigo patrão do grupo Lockheed Martin, sustenta que faz mais sentido para a NASA considerar aterrar num asteróide vizinho ou numa das luas de Marte.

Para Augustine, isso pode ser feito mais depressa do que regressar à Lua no período de 15 anos traçado pela agência espacial norte-americana.

O relatório de 155 páginas sobre o futuro da NASA elaborado pela comissão sugere oito opções e deixa a escolha ao Presidente Barack Obama.

“A primeira constatação é que o programa de voos humanos dos Estados Unidos não é realizável no actual estado das coisas”, repetiu Augustine.

Por outras palavras, os objectivos da exploração espacial habitada do programa Constellation, lançado em 2004 pelo antigo presidente George W. Bush, são demasiados ambiciosos em relação ao orçamento atribuído à NASA.

Constellation prevê um regresso dos norte-americanos à Lua no horizonte do ano 2020 e, para lá dessa data, missões tripuladas para Marte.

O orçamento actual da NASA é de cerca de 18 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil milhões de euros) por ano, ou seja, menos de um por cento do orçamento total dos Estados Unidos.

Segundo a comissão, seriam necessários mais três mil milhões de dólares para a agência especial realizar os objectivos do programa Constellation ou de outros voos humanos além da Estação Espacial Internacional (ISS).

quinta-feira, outubro 22, 2009

Todos somos mentirosos (uns mais do que outros)
O homem, esse grande comunicador, é uma espécie vocacionada para a mentira e falsidade. O que é afinal um mentiroso e como pode ser detectado?

http://aeiou.expresso.pt/todos-somos-mentirosos-uns-mais-do-que-outros=f542770

Christiana Martins (www.expresso.pt)

9:04 Quinta-feira, 22 de Out de 2009 Última actualização há 30 minutos





Mentir. Todos nós, mentirosos. Grandes ou pequenos. Não, leitor, não se trata de nenhum insulto, mas tão-somente de uma constatação. Mentirosos, sim. Quotidianamente. Intencionalmente. Sem qualquer dúvida, pelo menos uma vez na vida, todos já mentimos. Não diga que não. O mais provável é mesmo mentir-se várias vezes ao dia. Se calhar até muitas vezes. A mentira, falsidade, distorção da realidade ou, apenas e simplesmente, a versão mais utilizada da mentira, que atende pelo nome de omissão, são atitudes que fazem parte da relação do ser humano com os seus semelhantes. A partir do momento em que o homem começou a comunicar, a mentira passou a fazer parte do seu discurso. Nem que seja sob a forma discreta do silêncio.

A história está carregada de mentirosos. Desde episódios célebres como o de Orson Welles - que em 1938 recriou na rádio a invasão do mundo por extraterrestres, conforme relatado em "A Guerra dos Mundos", de H.G. Wells - a casos de foro criminal, como os de Mário Conde, em Espanha, Vale e Azevedo, Dona Branca ou Pedro Caldeira, em Portugal. Todos os cantos do planeta têm o seu mentiroso de estimação. E estes são apenas os falhados. O verdadeiro problema são os mentirosos ainda não identificados.

A sociedade repugna-se perante os mentirosos. Ostraciza-os. É o filho que mente ao pai. O marido que mente à mulher. O ladrão que mente ao polícia. Mas todos nós mentimos. A pior falsidade talvez seja aquela em que o sujeito mente a si próprio, uma realidade que pode atingir foros patológicos. Contudo, estas são excepções, o normal é irmos mentindo. "A mentira é um processo com uma função social. Existe, faz parte do nosso comportamento e da nossa relação com os outros", afirma a psicóloga da Polícia Judiciária, Cristina Soeiro.



Os políticos e a mentira
Na política, a mentira compulsiva desacreditou toda uma classe. No jornalismo, é a morte do artista. Na arte, pode fazer parte do negócio e atender pelo nome de ficção. Literária ou revelada nos ecrãs do cinema ou nos palcos do teatro. Há quem diga que a mentira é piedosa. Quem defenda a mentira branca, dita inofensiva. A sabedoria popular garante que a mentira tem perna curta e que mais fácil se apanha um mentiroso do que um coxo. Mas, se todos mentimos e mentimos tanto, ou andamos distraídos ou preferimos fingir que não vemos o que realmente se passa nas nossas relações interpessoais.

Nos Estados Unidos, a série televisiva "Lie to Me" tem como personagem principal Dr. Lightman, um estudioso da expressão corporal a serviço do FBI. Ele procura na fisionomia e nos movimentos corporais pistas para identificar os mentirosos. Mas, para além de ser mais uma série policial, a graça de "Lie to Me" está na partilha com a opinião pública de truques para decifrar situações de fingimento e dissimulação. E os sinais da mentira são mostrados não só através de personagens ficcionadas como também de pessoas reais, como Marilyn Monroe ou George W. Bush.

A perseguição de indícios traídos no gestual do mentiroso é um desafio antigo. Tão antigo quanto a tentativa de encontrar uma forma científica de atestar se alguém está a mentir. Até hoje não foi possível encontrar uma técnica 100% confiável. Os polígrafos sempre causaram grande excitação, mas revelaram-se incapazes de garantir a veracidade dos seus resultados. Tecnicamente, terão uma margem de 80% de acerto.

Os psicopatas, grandes mentirosos por excelência, apresentarão alterações do sistema límbico, que rege as reacções emocionais, e para revelarem medo precisam de mais estímulo que as pessoas ditas normais. Têm ausência de remorsos, usam a mentira de forma sistemática e, sobretudo, apresentam uma imagem deles próprios completamente distorcida. Têm níveis de auto-estima muito elevados, explica Cristina Soeiro, psicóloga da Polícia Judiciária, que trabalha em um departamento cuja função é justamente estudar os perfis de criminosos.

O que é uma mentira?
Apesar de recente, o estudo da área estabeleceu alguns parâmetros incontornáveis. Para ser considerado mentira, o acto tem de ser intencional. A falsificação de uma realidade não pode acontecer por engano, tem de ter um objectivo, mesmo que seja proteger o outro envolvido. Além disso, tem de visar alterar o comportamento do interlocutor. Orientar a sua reacção de acordo com a intenção do mentiroso.

Mentiras há muitas, mas... Estão identificados três grandes tipos de mentira. A omissão, considerada a mais simples. A sobrevalorização ou subvalorização de um determinado contexto em que os interlocutores se encontram envolvidos e ainda a falsificação completa de uma situação.

A mentira visa sempre salvaguardar o mentiroso e fazer com que este alcance determinados ganhos. Não há esse argumento de uma mentirinha inocente. Não há inocentes nesta história. Só talvez os enganados, mas mesmo estes podem ser considerados culpados por permitirem que o mentiroso ganhe espaço. O jornalista e dramaturgo brasileiro Nélson Rodrigues parece ter encontrado uma fórmula de resumir os interesses envolvidos numa relação com fugas à realidade. "Perdoa-me por Me Traíres" é o título de uma peça de teatro deste autor, capaz de expressar a forma como o mentiroso se aproveita da licença que lhe é dada para expandir a sua capacidade de falsificação. Há que sublinhar, no entanto, que mentir nem sempre é crime e mesmo a questão de ser pecado cabe apenas aos crentes discutir. Pode não ser crime nem pecado, mas é sempre socialmente uma atitude condenada. De forma transversal e em praticamente todas as culturas.

Começa cedo. A primeira mentira surge a partir dos quatro anos, explica Cristina Soeiro. Esta idade é considerada a charneira porque representa um patamar do desenvolvimento cognitivo associado à compreensão da intencionalidade. Até porque este é um comportamento complexo, que exige a activação das vertentes emocional e comportamental e ainda das capacidades de autocontrolo e argumentação rápida. Ou seja, todos mentimos, mas há uns que mentem mais e melhor do que os outros. É por isso que a psicóloga da PJ afirma que "os estudos indicam que o homem é bom a mentir e mau a detectar a mentira". Um momento especialmente crítico é a adolescência, sobretudo à volta dos 12 e 13 anos, considerada uma idade de risco para a adopção de comportamentos desviantes. É quando a estrutura da personalidade pode estar mais exposta ao aliciamento de grupos anti-sociais.

Os melhores mentirosos são aqueles com traços de personalidade mais manipuladores. Em último grau, estes mentirosos são os psicopatas. A psicopatia, explica Cristina Soeiro, "é uma malformação da personalidade, cujas características mais evidentes são a grande capacidade de manipulação". Estas pessoas são consideradas, tecnicamente, predadores sociais: usam os outros para atingir os seus objectivos. É possível ainda refinar a análise e identificar diferentes tipos de mentirosos, tendo presentes as suas características individuais. Os introvertidos mexem-se muito enquanto mentem, já os extrovertidos ficam mais à vontade. Há ainda os ditos manipulativos. São os mais bem sucedidos, que revelam estratégias intuitivas, sorriem mais, são capazes de olhar o seu interlocutor fixamente nos olhos, deitando por terra o mito de que os mentirosos olham por baixo...

Como se detecta?
Mas a psicóloga da Polícia Judiciária sublinha um aspecto determinante na investigação do tema: "A dificuldade da detecção da mentira está associada ao facto de não existirem critérios específicos que permitam a sua identificação."


Além do mais, os traços da linguagem não verbal não são completamente racionais. "Cerca de 60 a 70% da informação enviada ao interlocutor resulta de linguagem não verbal", afirma Cristina Soeiro. E é justamente este aspecto do comportamento humano que contextualiza o emocional.

Movimentos corporais, utilização da voz, maneira de se sentar são apenas alguns dos aspectos que devem ser analisados por quem tentar encontrar um mentiroso. Há protocolos que associam determinada acção com um potencial significado. Destes, aquele que é considerado mais fácil de manipular é a movimentação do corpo. O mais difícil de trabalhar é o uso da voz. A gravação, por exemplo, de uma voz emocionada, mesmo que em língua estranha, é capaz de transmitir o essencial dos seus sentimentos.

Também a utilização dos músculos da parte superior do rosto pode ser reveladora. Os músculos à volta dos olhos, por exemplo, são considerados de movimentação involuntária. Mas os mentirosos pestanejarão mais do que o habitual. E usam com grande eficácia as pausas no discurso. Ao contrário do que se poderia prever, o mentiroso tende a fazer mais e mais prolongadas interrupções no discurso. Uma estratégia que lhe permite ganhar mais tempo para reflectir e reagir de forma a não ser apanhado.

Interessante é pensar que, como explica Cristina Soeiro, "as técnicas de interrogatório procuram mostrar que existe uma vantagem maior em contar a verdade do que em insistir na mentira". Uma verdadeira arte da negociação, que passa pela compreensão da história de vida, da personalidade do potencial mentiroso e da percepção da possibilidade de este ser um comportamento reincidente. "A comunicação é uma ferramenta natural que garante a sobrevivência da espécie", afirma a psicóloga da PJ. É por isso mesmo que a mentira surge: para utilizar a comunicação de forma a gerir situações difíceis.

Obama declara guerra à Fox News e lança debate sobre liberdade de expressão
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/22-10-2009/obama-declara-guerra-a-fox-news-e-lanca-debate-sobre-liberdade-de-expressao-18063468.htm#

Por Joana Amaral Cardoso

Casa Branca acusa canal de ser "uma ala do Partido Republicano" e vai tratá-lo como "um adversário". Tensão entremedia e Administrações não são novidade nos Estados Unidos


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A longa corrida à Casa Branca entre 2007 e 2008 foi apelidada de "a melhor série na televisão". Mas desde a eleição e tomada de posse de Barack Obama, a profunda divisão ideológica entre os canais de notícias tornou-se numa das novelas mais comentadas dos EUA. Há duas semanas, ganhou novo fôlego: a Casa Branca e Barack Obama declararam guerra à Fox News, o canal de cabo de orientação conservadora de Rupert Murdoch.

A tensão está de tal forma elevada que ontem o senador republicano Lamar Alexander disse à Reuters que a Casa Branca de Obama lhe começa a parecer a de Nixon, guiada por um sentimento de "estão todos contra nós e temos de os apanhar". O senador, um dos líderes da representação republicana no Congresso, sugeriu que o Presidente "recue" e "não comece uma lista de inimigos", referindo-se à paranóia da presidência de Richard Nixon e à sua infame lista - com jornalistas e comentadores.

A batalha dura há semanas nos velhos e novos media, com a Casa Branca a dedicar uma secção do seu blogue The Briefing Room à correcção do que considera serem os erros ou mesmo as "mentiras" da Fox News - comlink para o Truth-o-Meter (um "verdadómetro") de um jornal que analisa questões semelhantes.

Este domingo, David Axelrod, o principal conselheiro político de Obama, disse na ABC que a programação da Fox News "não é verdadeiramente de notícias" mas sim "promoção de um ponto de vista". No mesmo dia, o chefe de gabinete de Obama, Rahm Emanuel, dizia na CNN que a Fox News "não é uma empresa noticiosa", mas sim tendenciosa. Quando a directora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn, disse ao New York Timesque a Administração vai tratar a Fox News "da mesma forma que [trata] um adversário" e afirmou àTime que o canal faz "opinião mascarada de notícias", alguns analistas começaram a preocupar-se com a atitude da Administração Obama.

A Casa Branca declarou a Fox News sua inimiga, isto depois de ter anunciado que ia ser mais agressiva na sua reacção a notícias com imprecisões ou desfavoráveis em geral.

Nobel, olímpicos e saúde

A relação entre Obama e a Fox News tem sido tensa desde a corrida às primárias. Os seus comentadores, como Glenn Beck e a sua afirmação de que Obama é racista ("Tem um ódio profundamente enraizado pelos brancos"), bem como as escolhas noticiosas do canal foram alimentando essa tensão - sendo as famigeradastea parties de contestação às políticas de Obama, nomeadamente quanto à reforma do sistema de saúde, um dos aspectos mais recentes dessa tensão, sem que tenham merecido resposta directa da Casa Branca. Mas a cobertura do canal sobre o Prémio Nobel da Paz para Obama, sobre a derrota de Chicago para anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2016 e o facto de a Fox ter sido o único generalista a não fazer um directo com a ida de Obama ao Congresso para explicar a sua reforma da saúde foram os pontos de ruptura.

Nada disto é novo em termos históricos ou internacionais. No caso dos EUA, as relações tensas ou de suposto favorecimento entre os presidentes americanos, candidatos e osmediaremontam aos primeiros presidentes. Vão desde o tempo de John Adams (1789-97) até à lista secreta inimigos de Richard Nixon, passando pelo Presidente Harry S. Truman, que bania os jornalistas de que não gostava (tinha um ódio especial peloChicago Tribune) do seu iate. Franklin Roosevelt relegava os repórteres mais críticos da sua Administração para o fundo da sala das conferências de imprensa.

E durante 2007 a CNN era apelidada por alguns críticos como Clinton News Network pela ampla cobertura dada a Hillary. Já durante o mandato de Bill Clinton, a sua batalha retórica com o comentador conservador Rush Limbaugh foi constante.

Nile Gardiner, analista de assuntos internacionais, escreve agora no Telegraph que a atitude da Casa Branca representa "uma campanha abertamente política - e que está condenada ao falhanço". "Os EUA são um país erguido sobre os princípios da liberdade de imprensa, governo limitado e livre empreendedorismo e é altamente inusual que uma Administração lance uma vingança autoritária contra uma única estação de notícias", frisa o comentador.

Maioria conservadora

Jacob Weisberg, naNewsweek, considera por seu turno que este é um "debate falso" sobre um canal "não americano" e tendencioso. Já o colunista John Nichols, da revista de esquerdaThe Nation, vê o ataque da Casa Branca à Fox como "uma resposta radicalmente errada" e aconselha o Presidente a dialogar com o canal ao invés de o ignorar - em Setembro, Obama deu entrevistas a todos os programas de informação dominicais dos principais canais, excepto à Fox News. "As críticas da Administração ainda trazem mais atenção para o canal e reforçam o agudo sentimento de vitimização dos seus telespectadores", atenta Alan Schroeder, professor de Jornalismo da Universidade Northwestern, referindo-se à maioria conservadora dos EUA (segundo as sondagens da Gallup) que não se revê nas políticas Obama.

Glenn Beck já denunciou que está em causa um ataque à liberdade de imprensa. Lloyd Green, que trabalhou no Ministério da Justiça durante o mandato de George H. Bush, postula nosite da Fox News: "Nixon era censório e corrupto. Até agora, Obama é simplesmente censório."

Depois de Dunn ter dito no dia 11 à CNN que o canal de Murdoch é "uma ala do Partido Republicano", o CEO da News Corp respondeu-lhe este fim-de-semana, dizendo numa reunião com accionistas que os comentários vindos da Casa Branca aumentaram "de forma tremenda as audiências" do seu canal de cabo. Por seu turno, o vice-presidente da Fox News (disponível em Portugal no Meo, na ARTelecom, Vodafone, Cabovisão e Clix), Michael Clemente, apelou a que se distinguisse entre as notícias e a opinião na Fox News e chamou a atenção para o facto de Administração estar "a atacar o mensageiro, [algo] que ao longo do tempo nunca funcionou".

quarta-feira, outubro 21, 2009

Cientistas criam "peças" do corpo para idosos
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/21-10-2009/cientistas-criam-pecas-do-corpo-para-idosos-18056757.htm

Por Andrea Cunha Freitas

O objectivo do programa de 54 milhões de euros no Reino Unido é assegurar qualidade de vida a todos os que, no futuro, poderão viver até aos 100 anos


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A esperança de vida aumenta, mas o "prazo de validade" dos nossos corpos nem por isso. Enquanto o avanço da Medicina nos prolonga os anos de vida com mais e mais respostas para os problemas de saúde, espera-se também que invista na qualidade de vida. De que serve ter mais anos para viver se for em más condições?

É por essas razões e outras que uma equipa de investigadores da Universidade de Leeds vai receber cerca de 54 milhões de euros para os próximos cinco anos. O projecto quer responder a uma das principais necessidades dos idosos apostando no desenvolvimento de próteses de anca e joelho quase vitalícias e em válvulas do coração (entre outros implantes) apoiadas na Medicina regenerativa.

O lema da equipa de cientistas é 50 anos activos depois dos 50 anos. Assim, o programa divulgado ontem pela BBC parte do princípio de que serão cumpridas as expectativas já conhecidas em que metade dos bebés nascidos actualmente no reino Unido vai poder chegar aos 100 anos de vida. Para que a segunda metade da vida seja ainda bem vivida é preciso assegurar muitas condições.

As questões propostas pela Universidade de Leeds são apenas algumas das situações que poderão prejudicar o gozo deste suposto privilégio de viver mais. Assim, os investigadores querem ajudar a fornecer melhores implantes e próteses aos muitos idosos que acabam por precisar destas ajudas. Porque os ossos gastam-se e quebram-se (entre muitas outras causas, está a osteoporose que atingirá cerca de 800 mil portugueses) e os tecidos perdem a força e deixam de cumprir a função. Depois de prolongar a vida, está na hora de prolongar a vida dos "materiais de suporte".

Na lista de "partes do corpo anti-envelhecimento" estão tecidos que podem ser transplantados para o corpo sem o risco de rejeição, como válvulas do coração. Há ainda próteses de anca feitas com materiais mais resistentes e que poderão durar toda a vida, ultrapassando o actual limite da validade destas soluções que se situa nos 20 anos. O mesmo se aplica a joelhos artificiais. Os cientistas querem ainda "criar" ligamentos e tendões que possam substituir os eventualmente danificados e até vasos sanguíneos artificiais. Por fim, há ainda o campo dos transplantes de tecidos para reparar lesões na pele e outros órgãos.

Medicina regenerativa

Se no caso das próteses o progresso será feito com novos materiais mais resistentes, no caso de válvulas cardíacas e outros implantes entra-se no promissor campo da Medicina Regenerativa em que se pretende ajudar o corpo a regenerar partes danificadas.

Segundo Pedro Granja, investigador do Instituto de Engenharia Biomédica, a tecnologia anunciada tem sido experimentada por várias equipas pelo mundo fora (já se conseguiu uma bexiga artificial, um transplante de traqueia e um coração inteiro de um ratinho), mas, desta vez, há diferenças que podem ser inovadoras. Porém, avisa o especialista, estas técnicas podem demorar anos a chegar ao mercado comercial e, nalguns casos, fazem com que a prática clínica esbarre nos limites impostos pela disponibilidade de tecidos e órgãos de dadores.

Exposição em Versalhes para um rei
que estava apaixonado pelas artes
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/21-10-2009/exposicao-em-versalhes-para-um-rei-que-estava-apaixonado-pelas-artes-18054739.htm

Por Luís Miguel Queirós


É a primeira vez que o palácio onde o Rei-Sol instalou a corte de França evoca o seu patrono


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O Palácio de Versalhes inaugurou ontem a exposiçãoLuís XIV: O Homem e o Rei, que reúne mais de 300 peças - incluindo pinturas, esculturas, jóias, tapeçarias, móveis e outros objectos -, muitas delas nunca antes expostas. No conjunto, traçam um retrato surpreendente daquele que a si próprio se chamou Rei-Sol, mostrando que o monarca absolutista foi também um requintado cultor das artes e das letras.

Jean-Jacques Aillagon, ex-ministro da Cultura e actual responsável da instituição, hoje convertida em museu, argumenta que "era uma anomalia e um paradoxo que o Palácio de Versalhes nunca tivesse dedicado uma exposição a Luís XIV", que está na origem da sua criação. Foi este monarca que transformou o modesto pavilhão de caça de Luís XIII, seu pai, no gigantesco e sumptuoso palácio que acolheu a corte de França e foi o centro de poder do Antigo Regime.

O interesse de Luís XIV (1638-1715) pelas artes obedecia a uma estratégia de construção de imagem, mas correspondia também a uma paixão genuína, herdada do seu padrinho, o poderoso cardeal Mazarino, que foi um dos maiores coleccionadores de arte do seu tempo. O gosto do rei desenvolveu-se também no contacto directo com alguns dos grandes criadores franceses da época, que integravam o seu círculo de amigos íntimos, como os pintores Charles Le Brun e Pierre Mignard, os arquitectos Louis Le Vau e Jules Hardouin-Mansart, o paisagista André Le Nôtre, o compositor Lully ou o dramaturgo Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière. Muitos deles, como Le Brun, Le Vau e Le Nôtre, estiveram directamente envolvidos na construção e decoração do Palácio de Versalhes.

Um rei envelhecido

Algumas das mais de 300 peças escolhidas para esta exposição, comissariada por Nicolas Milovanovic e Alexandre Maral, fazem parte do acervo de Versalhes, mas outras tinham saído há muito do palácio e foram agora emprestadas por museus e por coleccionadores privados, incluindo a própria Rainha de Inglaterra.

Para abrir o percurso, os comissários elegeram o conjunto escultóricoApolo e as ninfas, de Girardon e Regnaudin, que associa Luís XIV ao deus grego do sol, da luz e da beleza.

Entre as peças que representam o próprio Luís XIV, algumas das mais notáveis são o busto criado por Bernini em 1665, pelo qual o rei tinha uma especial predilecção, ou o retrato pintado em 1702 por Hyacinthe Rigaud, que mostra um monarca já envelhecido. Luís XIV encomendou-o para o oferecer ao seu neto Philippe d"Anjou (Filipe V de Espanha), mas gostou tanto do trabalho de Rigaud que resolveu conservá-lo.

A mais impressionante imagem do rei agora exposta em Versalhes talvez seja, no entanto, o retrato em cera colorida realizado por Antoine Benoist, quando o soberano teria cerca de 65 anos. Cumprindo os desejos do rei, que não apreciava que os seus retratistas tentassem rejuvenescê-lo, Benoist mostra-nos um Luís XIV mal barbeado e com o rosto sulcado pelas cicatrizes da varíola.

Outras peças a destacar sãoMercúrio carregando Psique para o Olimpo, um bronze de Adriaen de Vries, ou um magnífico tapete de nove metros de comprimento e 4,5m de largura, tecido a partir de um desenho de Charles Le Brun.

terça-feira, outubro 20, 2009

Vídeo: Indianas são barrigas de aluguer para ocidentais
Todos os anos inscrevem-se numa clínica na Índia cerca de 250 mulheres para serem mães de aluguer. Uma 'barriga alugada' aqui custa cinco vezes menos.
AFP
http://aeiou.expresso.pt/video-indianas-sao-barrigas-de-aluguer-para-ocidentais=f542513
20 de Out de 2009


É a uma pequena clínica na Índia que recorrem casai infertéis vindo do Ocidente, mas também mulheres indianas que querem melhorar de qualidade de vida.

Todos os anos, a clínica recebe cerca de 250 mulheres para serem mães de aluguer. Neste momento, há 50 à espera de engravidarem ou de darem à luz.

Para mães como Cristhine, que não conseguiram engravidar, o que acontece aqui é um milagre. Depois de tentar, sem sucesso, a fertilização in vitro no Canadá, Cristhine e o marido vieram à procura de um bebé na Índia. Biologicamente, os gémeos são filhos do casal, mas foi Opina quem deu à luz.

Direitos ressalvados
Em média nascem aqui três bebés por mês. As mães biológicas vêm de Anand e outras vilas perto. Habituadas a viver com 34 euros por mês, aqui conseguem chegar aos 5 mil euros com uma gravidez.

Apesar das barrigas de aluguer não serem proibidas na Índia, estão a ser desenvolvidas medidas para ressalva dos direitos de quem dá à luz.

Uma mãe de aluguer aqui custa cinco vezes menos do que no Ocidente.

Estudo
Um antibiótico teria evitado a morte de Mozart

por Lusa
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1338504&seccao=Sabia%20que
18 Agosto 2009

Um antibiótico teria evitado a morte de Mozart

Um tratamento com antibióticos, se os houvesse na altura, teria evitado a morte de Mozart, devida, segundo um estudo de investigadores holandeses, a uma infecção bacteriana desencadeada por uma simples inflamação de garganta, noticia Il tempo online.

Segundo o número 18 da revista médica norte-americana Annals of Internal Medicine que publica o estudo citado pelo jornal italiano, Wolfgang Amadeus Mozart sucumbiu provavelmente a uma infecção de estreptococos.

A investigação publicada na revista chega àquela conclusão baseando-se, não apenas nos sintomas que Mozart apresentava, mas numa análise histórica das causas de morte da população de Viena entre Novembro de 1791 e Janeiro de 1792.

Relembra Il Tempo que sobre a morte do genial compositor de "As Bodas de Fígaro" já se disse de tudo, incluindo que ela se deveu a envenenamento (às mãos do rival Antonio Salieri).

Além de envenenamento, falou-se também de sífilis, dos efeitos de um tratamento com sais de mercúrio, de febre reumática, de insuficiência renal, de infecção devida a uma sangria, de infecção de larvas devida ao consumo de carne de porco mal cozida (triquinose).

Mozart não tinha ainda 35 anos quando adoeceu, a 22 de Novembro, em Viena, dois dias depois da sua última actuação em público.

Tinha regressado pouco tempo antes de Praga, concluíra entretanto "A flauta mágica" e começara a compor o "Requiem", que deixaria incompleto. Morreu no dia 5 de Dezembro de 1791.
Anos depois, a cunhada do compositor recordaria que o corpo de Mozart inchara e tinha febre alta, pelo que o médico recomendara a aplicação de pachos de água fria. A causa da morte indicada foi "febre e eczema".

"Como todos, tomámos em consideração os sintomas, mas também aquilo de que morriam as pessoas em Viena naqueles anos", esclareceu Richard H. C. Zegers, chefe da equipa holandesa responsável pelo estudo.

Concretamente, a equipa analisou os registos da morte de 5.011 pessoas com mais de 18 anos, naquele período (Novembro 1791-Janeiro 1792), comparando-os com as causas de morte nos anos precedentes e seguintes, no mesmo período.

As causas mais comuns indicadas eram tubercolose, fome, edema (inchaço dos tecidos subcutâneos), problemas gastro-intestinais e doenças vasculares.

No inverno de 1791-1792, segundo o estudo citado pelo jornal, registou-se uma maior incidência de edemas, o que faz pensar na epidemia de uma doença infecciosa. Os outros sintomas de Mozart - náusea, dores de costas e edema - são compatíveis com uma infecção de estreptococos.

O "streptococcus pyogenes", o mais comum, pode desencadear patologias cutâneas, febre reumática e a glomerulonefrite, uma infecção que afecta os rins e provoca edema.

Uma vez que o estreptococo não é resistente ao antibiótico, se este medicamento existisse em vida de Mozart o compositor austríaco teria por certo vivido mais alguns anos.

Biologia
Confirma-se: as pessoas tendem a andar em círculos
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1340765&seccao=Sabia%20que
por Lusa
20 Agosto 2009

Um estudo de cientistas europeus usou software de posicionamento global (GPS) para confirmar o mito de que as pessoas acabam por andar em círculos, por muito que queiram caminhar em frente.

O trabalho foi realizado por investigadores do Instituto Max Planck para Cibernética Biológica, da Alemanha, e publicado na edição de hoje da revista Current Biology. "O que descobrimos é que as pessoas andam realmente em círculos", afirmou o principal autor da investigação, Jan Souman.

O estudo de nove pessoas a caminhar no deserto e numa floresta mostraram que todos tendiam a andar em círculos e/ou a desviar-se de uma linha recta quando nada tinham para os guiar, explicou.

No deserto, foi dito a duas pessoas para caminharem sempre a direito durante o dia. Neste caso, embora nenhum tenha percorrido um círculo completo, ambos se desviaram de uma linha recta. Outro voluntário caminhou durante a noite, em fase de lua cheia, mas desviou-se várias vezes sempre que o luar era tapado por nuvens e acabou a dirigir-se ao ponto de partida.

Noutro teste, seis estudantes foram levados para uma floresta grande e plana, tendo-lhes sido pedido para caminharem em linha recta. Quatro deles fizeram o percurso sob céu nublado, com o sol encoberto por árvores ou nuvens. Todos acabaram por andar em círculos apesar de pensarem que seguiam em frente.

Os outros dois conseguiram andar relativamente a direito, mas porque havia sol, justifica Souman. "As pessoas que caminhavam em círculos na floresta não conseguiam ver o sol", afirmou.

Todos os nove foram seguidos com GPS, tendo as suas rotas sido mapeadas digitalmente. Como os do deserto, os que caminharam na floresta conseguiram manter-se em linha mais recta quando havia sol descoberto.

Todavia, com uma venda nos olhos e tampões nos ouvidos, "as pessoas fazem todo o tipo de coisas", segundo o autor. "Fazem em círculos ou ziguezagues e é realmente difícil encontrar um denominador comum", realça.

Quanto ao motivo da realização dos estudos, Souman explicou que estes resultados, juntamente com os de futuros testes, servirão para compreender como é que o cérebro humano se serve dos estímulos sensoriais, desde a visão à audição, para ajudar à orientação.

aprender malabarismo

Estudo
Aprender malabarismo aumenta poder do cérebro

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1394079&seccao=Sabia%20que
18 Outubro 2009

Neurocientistas registaram um aumento de 5% da massa branca após seis semanas de aulas.

Uma equipa de neurocientistas da Universidade de Oxford descobriu que aprender a fazer malabarismo provoca alterações na massa branca - as fibras nervosas que ajudam as diferentes partes do cérebro a comunicar umas com as outras. Mudanças na massa cinzenta (as células neuronais) já tinham sido demonstradas. Segundo os cientistas, as alterações na massa branca significam que o cérebro se mantém "plástico", isto é adaptável, para lá da infância.

O estudo foi simples. Os cientistas pegaram em 48 jovens adultos que não sabiam fazer malabarismo e mapearam o seu cérebro com uma ressonância magnética. Depois, metade dos voluntários teve aulas durante seis semanas para aprender a fazer malabarismo com três bolas, sendo ainda aconselhados a praticar 30 minutos por dia. No final, uma nova ressonância magnética mostrou um aumento de 5% na massa branca.

A chamada massa branca é constituída por fibras nervosas de cor branca (feixes de axónios envolvidos em mielina), sendo responsável pela troca de informações entre as diversas áreas do córtex cerebral. Ou seja, pelas ligações. "Mostrámos que é possível que o cérebro condicione o seu próprio sistema de ligações de forma a operá-lo de forma mais eficiente", disse uma das autoras do estudo, Heidi Johansen-Berg.

quarta-feira, outubro 14, 2009

quando morrerem os animais perigosos

Donos de circos revoltados com proibição de animais
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1390027
por BRUNO ABREU, Hoje


Quando morrerem os animais perigosos dos circos portugueses, a actividade pode estar em causa. Pode ainda demorar vinte anos, mas os donos dos circos mais conhecidos do País já criticam a nova lei, que entrou em vigor ontem

Os donos dos circos portugueses mais famosos estão revoltados com a nova lei que proíbe a posse e reprodução de animais considerados perigosos. Os circos passam a estar impedidos de comprar novos macacos, elefantes, leões, tigres ou hipopótamos. Ou seja, quando morrerem os animais que estão agora a actuar nos espectáculos, não pode ser criado ou adquirido mais nenhum.

Miguel Chen, do circo com o seu nome, fala mesmo em discriminação: "Há registo de mais acidentes com touros e ninguém lhes faz nada", alega, garantindo que não tem nada contra as touradas e exigindo apenas ser tratado da mesma forma.

De entre a lista dos animais que o circo Chen apresenta nos seus espectáculos, há uma espécie que fica proibida: o tigre siberiano. Neste grupo circense há cinco destes animais.

Já o circo Cardinali vai ter mais problemas: dos animais que fazem parte do espectáculo, só os camelos não entram na lista. De resto, elefantes, leões e tigres não podem ser mais adquiridos ou reproduzidos. Mas Victor Hugo, responsável pelo Circo Cardinali, diz esperar que a lei mude. "Vou apelar a quem de direito" para continuar a ter animais no circo, avisa.

Victor Hugo aproveita para criticar os espectáculos que não usam animais. "Posso fazer algo como o Cirque do Soleil, que é feito para os intelectuais de Lisboa e do Porto. Mas experimentem levar o Cirque do Soleil a Portalegre e os meus amigos alentejanos vão perguntar 'que porra é essa?'".

A partir de hoje, os circos estão impedidos de comprar estes novos bichos, mas podem manter os animais que já detinham antes da entrada em vigor da portaria 1226/2009. A reprodução de animais em cativeiro também passa a ser proibida. Para Victor Hugo esse não é o problema porque não a fazia."Comprava os animais sempre que necessário", diz, revelando que apenas estava a pensar na inseminação dos elefantes, que são todos fêmeas.

Já Miguel Chen admite que vai deixar os animais no estado natural, "como eles se sentem bem". "Esteriliza-los ou separa-los é contra-natura, por isso vou deixá-los viver a vida deles e que façam o quiserem". Chen aproveita e deixa o recado: "o ministro se quiser que venha cá tratar do assunto e separa-los".

Por seu lado, a Animal congratulou o Governo por ter dado "um importante primeiro passo para corresponder às muitas queixas e denúncias" feitas pela associação de defesa dos direitos dos animais, apesar de considerar uma lei moderada. E sentencia dizendo que se trata do "fim do uso de animais em circos em Portugal". No entanto, segundo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), s circos vão continuar a ter elefantes, leões e tigres nos próximos 10 ou 20 anos. Isto, explica o instituto, depois de fazer contas baseadas na idade dos animais que vivem actualmente nos circos.

"Tentámos que houvesse uma adaptação dos circos ao novo regime, não queríamos uma mudança brusca. O grosso dos animais detidos pelos circos são felinos, embora um circo tenha um elefante. Estes animais devem durar mais 10 ou 20 anos", afirmou à Lusa João Loureiro, do ICNB.

Também a partir de hoje, circos e lojas de animais têm de registar no ICNB os animais que a portaria enumera (ver lista). Até agora não existia um registo obrigatório dos circos, nem das lojas. Mas nos últimos quatro anos o ICNB recolheu sete leões e quatro tigres abandonados na via pública, encontrados em jaulas que indiciavam ser de circos, mas nunca confirmou.

Os parques zoológicos,centros de recuperação de animais e outras entidades licenciadas pelo ICNB, são os únicos a quem a lei permite actualmente deter animais como os felinos, hipopótamos ou elefantes.

Justiça seria não ter passado anos no corredor
da morte
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-10-2009/justica-seria-nao-ter-passado-anos-no-corredor-da-morte-18011818.htm
Por Fernando Sousa


Teve a vida por um fio. Joaquín José Martínez esteve três anos como condenado à morte nos EUA. Foi depois considerado "não culpado"

Ressentimentos e pesadelos
Cabala montada pela polícia
Erros judiciais

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Joaquín José MartínezJoaquín José Martínez, equatoriano de nascimento, trocou, em miúdo, a Espanha pelos Estados Unidos à procura de uma vida nova. Mas foi lá que quase a perdeu em 1997, aos 26 anos, condenado à morte por um duplo assassínio de que seria ilibado depois de uma campanha mundial e de muita "sorte". Justiça? Justiça seria não o terem feito passar cinco anos na Prisão Estadual da Florida, incluindo três no corredor da morte, disse ao PÚBLICO, em Lisboa, onde veio falar, a convite da Amnistia Internacional Portugal. Fala do que passou, dos amigos que lá deixou, mortos, da angústia que enganava lendo cartas, muitas de portugueses, das noites em que, às escuras, sussurrava com os companheiros das celas ao lado. Hoje, aos 39 anos, é um adversário da pena de morte, luta de que fez uma espécie de profissão para ver se tira da Florida os amigos que ainda lá deixou vivos. Ao princípio perdeu a esperança. Hoje sobra dela: acredita que mais cedo do que tarde os Estados Unidos passarão para a lista dos países abolicionistas. Já dorme melhor. Mas qualquer tilintar de noite o faz saltar na cama, quando às vezes é só o fio que Mónica, a actual companheira, traz ao pescoço. Olha com impressão para o número 202, da porta do quarto do hotel, o mesmo da cela onde esperou por um milagre. Mas abraça com entusiasmo os dias que faltam para o fim da pena de morte no mundo.

PÚBLICO - Teve mesmo a vida por um fio...

Joaquín José MartÍnez - Estive muitas vezes na minha vida perto da morte. Mas a experiência do corredor da morte da Prisão Estadual da Florida superou realmente tudo.

Foi vítima de uma cabala?

Fui um bode expiatório. Precisavam de encontrar um responsável pelo crime de que me acusaram. Fui o décimo segundo. Havia mais suspeitos. As vítimas foram um rapaz, Douglas Lawson, que traficava droga, e umastripteaserde umcabaret de Brandon. Acontece que ele era filho do xerife da cidade onde as coisas aconteceram...

Sim, mas também teve contra si pessoas muito próximas, como a sua ex-mulher e a sua noiva na altura.

Ao princípio foi só a minha ex-mulher. Dois dias antes telefonou ao procurador para mudar o seu testemunho contra mim.

Pressionada a isso?

Sim.

O que sentiu quando ouviu a sentença de morte?

Senti-me traído. E também uma agonia muito grande.

Traído?

Sim, pelo país que apoiava, pelo país em que acreditava. Eu até era a favor da pena capital, veja lá!

A circunstância de ser imigrante e equatoriano pesou?

Pesou. Eu era um hispânico. Dizem muitas vezes que a questão racial não é importante, mas é.

Como foi consigo?

No meu passaporte, eu não aparecia como equatoriano mas como espanhol. Eles comentavam: "Mais um espanhol!" Sei lá quantas vezes ouvi isso! Mas disseram coisas muito piores de "assassino" em diante...

E quem é que lhe chamava isso?

A polícia, os guardas.

Mas o segundo julgamento esclareceu tudo.

Sim. A minha ex-mulher voltou atrás. A minha noiva também. E o mesmo aconteceu com doze presos que tinham assinado declarações contra mim.

Também constrangidos?

Todos escreveram nos testemunhos que tinham sido aliciados com a promessa de uma redução das penas. Um dos que acabaram por dizer a verdade foi morto depois. Chamava-se Neil Ebling.

Morto, como?

Ele cumpria quatro anos. Disseram-lhe que se testemunhasse contra mim lhe reduziam a pena, que faria só quatro anos, numa prisão do Alasca, e seria solto. Mas ele enviou uma carta a contar tudo. Foi morto, a tiro, no dia 1 de Janeiro de 2001, quando, segundo a polícia, tentava escapar.

No segundo julgamento declararam-no "não culpado". Por que não "inocente"?

Nunca o fariam. Porque com isso reconheceriam que tinham cometido um erro. Ora, os norte-americanos não cometem erros... [Ri-se] Muita gente pergunta porque é que falo assim. Acontece que vivi muitos anos nos Estados Unidos e sei como são os americanos. Fui um deles, sabe? Não, eles não cometem erros...

Mas não sente que acabou por se fazer justiça?

Não. Isso é o que dizem os diplomatas. Estendem-me a mão, sorriem e dizem que se fez justiça, de outro modo não estaria livre.

O que é justiça para si?

Olhe: é dar a cada um o que cada um merece, e eu não merecia cinco anos e meio na prisão, incluindo três no corredor da morte.

Pelo meio teve um mundo inteiro a seu lado, os reis de Espanha, o Parlamento Europeu, o Papa...

É verdade.

A certa altura, o que teve foi muita sorte.

Ah, sim, mais sorte do que outra coisa! Houve uma combinação perfeita para me livrar, os meus pais, que se esgotaram em sensibilizar as pessoas, e osmedia, sem os quais o meu caso não seria conhecido, foram decisivos.

Recebia muitas cartas?Muitas! Cartas e postais, que partilhava com os outros. Recebi também muitas daqui, de Portugal, de grupos da Amnistia Internacional de Lisboa, do Porto. Impressionante, o que fizeram por mim! Chegavam aos montes! Às vezes perguntam-me para que é que isso serviu na prática. Para quê? Faziam-me sentir forte! As pessoas cá fora não podem entender.

Como é o corredor da morte? É assim um piso frio, comprido e de luzes mortiças?

É pior. Quando lá cheguei tinham queimado um homem, um ou dois meses antes, na cadeira eléctrica, e o caso estava no Supremo Tribunal do estado. Todas as semanas testavam o sistema. A gente via as lâmpadas do corredor a apagarem-se e a acenderem, e tudo outra vez, como se estivesse a haver uma execução. Uma, duas, três vezes... Os juízes tinham que decidir se a cadeira eléctrica era um castigo justo e humano, ou desumano, porque nessa execução tinham saído chamas do capacete de metal do condenado.

Houve execuções enquanto lá esteve?

Logo na primeira semana, três. Numa delas, a cadeira voltou a funcionar mal. Foi então que o tribunal ordenou a sua substituição pela injecção letal.

Que era o que o esperava...

Que era o que me esperava.

Como eram as últimas horas dos condenados?

Nos filmes perguntam-lhes o que é que querem para a sua última refeição, não é? Na realidade, não querem nem comer.

Quando tempo esteve no corredor?

Três anos.

E durante esse tempo quantas pessoas foram mortas?Oito.

Via-as da sua cela a caminho da sala de execução?

Via-as, sim. Choravam e tremiam. Urinavam-se enquanto caminhavam. A minha cela ficava na esquina em que se virava para a sala - nos dois primeiros anos estive na 202, o mesmo número deste quarto [de hotel] em que estamos a falar. Na da direita estava um árabe, Akeem Muhamed, e na da esquerda, um cubano, Rigoberto Sánchez. Mas via mais: do outro lado havia uma janela para o pátio e via os familiares dos condenados a chegarem. E a seguir, a partirem.

Como passava os dias? Lia? Rezava? É crente?

Lia muitas cartas, estudava o mais que pudesse. Sim, sou crente.

O que é que estudava?

Ciência Política.

Os presos conviviam uns com os outros?

Éramos, no nosso pavilhão, cada um na sua cela. Ao todo, em todos os pavilhões, uns cinquenta. Saíamos duas vezes por semana para o pátio, umas ou duas horas de cada vez. Mas se estivesse a chover, não saíamos. E se o céu estivesse nublado, também não.Quem eram os seus companheiros?

A mim, como era um dos piores casos, puseram-me junto de assassinos em série e outros muito violentos. Três converteram-se nos meus melhores amigos.

De todos os dias que lá passou, qual foi o pior?

Aquele em que mataram o meu melhor amigo, Benny Temps. Tinha-o visto antes com a sua família, os seus filhos, a despedirem-se. Foi ainda na cadeira eléctrica. Estávamos todos a olhar para as lâmpadas, em silêncio, eram sete da manhã. Elas piscaram três vezes, apagaram-se e voltaram a acender-se.

Como uma tortura...

Era uma tortura. Desde que saí, e em minha casa, não uso lâmpadas dessas. Só de halogénio.

Perdeu a esperança alguma vez?

Sim, logo no primeiro mês. Estava só, sem cartas, nem visitas, nem nada. Era só o medo. Estás só e vais-te abaixo porque não sabes o que te espera. Era só o medo.

Mulheres reaisvsmodelos ideais
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-10-2009/mulheres-reaisvsmodelos-ideais-18012787.htm
Por Joana Amaral Cardoso

O que separa um tamanho 34 de um 38/40? A revistaBrigittevai deixar de ter modelos e recorrer a mulheres comuns. A longa série do debate do peso tem mais um episódio


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O corpo da mulher. É disto que falamos. Balzaquianas ou mulheres magríssimas, Kate Moss ou Sophie Dahl, Beyoncé ou Flor, Sophia Loren ou Twiggy. A discussão sobre a influência da moda sobre as jovens mentes femininas (e as masculinas que idealizam sobre as jovens donas dessas mentes) não sai de moda. Desta vez, a culpa é da revista feminina alemãBrigitte,que, num passe de marketing ounum ataque de responsabilidade social, decidiu que a partir de 2010 não vai mais trabalhar com modelos de corpos irreais. E passa a preferir mulheres "reais", conhecidas ou leitoras.

"Há anos que temos de usar o Photoshop para engordar as raparigas, especialmente nas coxas e decote. Isto é perturbador e perverso - e o que é que tem a ver com as nossas verdadeiras leitoras?", questiona o director da revista, Andreas Lebert.

As leitoras queixam-se dos corpos que vêem na revista. Elas já "não querem ver ossos protuberantes" de modelos que "pesam à volta de 23 por cento menos do que as mulheres normais", sublinha Lebert, dizendo que procura agora "mulheres com a sua própria identidade", pagas como as manequins.

Estes são os factos, revelados na semana passada. Entretanto, as reacções surgiram e o mundo continuou a girar. A decisão originou um chorrilho de comentários elogiosos no sitedaBrigitte e noutros jornais, espelho de uma aceitação genérica pelo senso comum: clap, clap, clap, acabe-se com as modelos 32/34, com aqueles ossos salientes e pernas de alfinete. Na altura decorria a semana de moda de Paris, iniciava-se a ModaLisboa e as marcas trabalhavam as suas campanhas publicitárias.

Em Paris, as manequins continuaram com "caras Prada" - muitas modelos vindas do Leste da Europa, cabelos escorridos e olhos inocentes, Bambis à espera do seu close-up. Também okaiserKarl Lagerfeld, que há alguns anos saiu de uma dieta com menos 40 quilos, continuou fiel a si mesmo. Atirou, em reacção ao anúncio daBrigitte, que esta coisa das críticas às modelos magras é fruto de "mães gordas que estão sentadas em frente à televisão com os seus pacotes de batata frita" e que a moda é ilusão e sonho - "ninguém quer ver mulheres redondas", postulou.

Dias depois, na ModaLisboa acontecia o desfile de fatos de banho da Cia. Marítima, que escolheu a top modelIsabeli Fontana para estrela dapasserelle. Fontana, de 26 anos, abriu e fechou o desfile. No meio, uma outra modelo desfilou e tinha mais carne na zona da cintura, destoando das restantes manequins. Antes do desfile, o P2 perguntou a Isabeli Fontana sobre o que acha desta tendência das mulheres "reais"versusmanequins. "O mais importante é sentirmo-nos à vontade com a roupa que usamos", comentou, contida, do alto do seu 11º lugar na lista das 15 modelos mais bem pagas do mundo da revistaForbes (2008). Mas a modelo que vale três milhões de dólares acha "lindo uma mulher que faz exercício, que se cuida". "Não precisa de ter corpo de modelo, muito magra. Eu às vezes sinto-me mal por ser muito magra, mas como trabalho com o meu corpo já me acostumei. Eu, se não trabalhasse na moda, seria mais cheiinha, mais musculosa", ri-se.

Numa passerelleou numa campanha publicitária, o corpo feminino é escrutinadíssimo e tem tal influência cultural que ajuda a definir os ideais de beleza de uma dada época. Segunda-feira, ocorria mais um episódio desta longa análise do ideal de corpo feminino XXI: a Ralph Lauren, depois de muito estrebuchar contra ossites que denunciaram a maldade com o Photoshop, lá admitiu que tinha manipulado digitalmente a cintura da modelo Filippa Hamilton de tal forma que ela ficou mais pequena do que a sua cabeça e mais surreal do que um efeito espartilho do século XVI. O resultado foi "uma imagem distorcida do corpo da mulher", admitiu a empresa americana.

Oglamour de Miller

Um mês antes, nos EUA, a revistaGlamourpublicou uma foto de Lizzie Miller, manequim de 20 anos, sem lhe retocar a carne da cintura - que, como a da maioria dos mortais, se dobra e pende sobre o ventre. Ela (e a revista) tornou-se uma espécie de super-heroína das tais mulheres ou medidas "reais". É ainda preciso voltar ao Verão para recordar a carta da editora daVoguebritânica, Alexandra Shulman, que pedia às principais casas de moda do mundo que ajudassem a pôr fim ao culto do "tamanho zero" através do fabrico de peças 36 ao invés dos 34 ou 32. O "tamanho zero" está em voga desde os anos 1990 e tornou-se manchete em 2006 após as mortes de várias modelos no seguimento de dietas - a que se seguiram medidas de auto-regulação naspasserelles em Madrid e Milão, o aumento do tamanho dos manequins de loja na Zara e na Mango e várias acções, em França, EUA ou Austrália, para delimitar idades e pesos para as modelos.

Mas tal como aconteceu em 2006, o casoBrigittevolta a atenção para o elo mais fraco. Ao falar-se em "mulheres reais", como as das campanhas da Dove, é como se, por oposição, as manequins não fossem reais, seres humanos, questiona a colunista doTelegraph Bryony Gordon.

Elas são as protagonistas sem voz, na sua maioria sem qualquer poder no sector e que se limitam a responder aobriefingdo cliente depois de terem sido detalhadamente escrutinadas, e são "reconhecidamente, a não ser pelos mais vulneráveis, ideais inatingíveis", esclarece Janice Burns, editora de moda do jornal australianoThe Age. "Não as odeiem porque são belas", apelava em título Bryany Gordon noTelegraph.

Quando Shulman mandou a sua cartinha aos criadores de moda a pedir roupas de tamanho acima, odesigneritaliano Kinder Aggugini, que trabalhou com John Galliano e Calvin Klein, afastava o ónus da sua profissão. "Se amanhã todas as revistas, agências de modelos estylistsusassem raparigas maiores, então os criadores também o fariam." Agora que mais uma revista insiste nesta tecla, de que lado docourt está exactamente a bola?

Aeroporto testascanner que "despe"
os passageiros
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-10-2009/aeroporto-testascanner-que-despe-os-passageiros-18012132.htm
Por Isabel Gorjão Santos




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Primeiro tira-se o casaco. Depois o cinto e talvez os brincos. Finalmente os sapatos. Olha-se com atenção para a caixa onde se pôs tudo, a deslizar pelo tapete rolante, para ver se não fica nada para trás. Passar pela segurança dos aeroportos é geralmente um processo demorado e aborrecido, mas agora está a ser testado no aeroporto de Manchester, no Reino Unido, umscanner que simplifica o processo. E que está a causar polémica porque põe os passageiros "a nu".

A nova máquina regista, através de raios X, a imagem de corpo inteiro do passageiro, detecta se estiverem a ser transportados explosivos ou armas, mas também permite ver com nitidez a forma do corpo e até os implantes mamários, ospiercings ou o contorno dos genitais. É uma alternativa ao processo que é hoje usado, evita que os passageiros sejam apalpados por agentes de segurança mas desagrada a muitos viajantes, apesar de os responsáveis do aeroporto defenderem que as imagens recolhidas não são pornográficas e que são destruídas de imediato.

O scanner está a ser testado no Terminal 2 do aeroporto de Manchester e os passageiros poderão recusar-se a usá-la e optar pelo sistema tradicional, explicou à BBC Sarah Barret, responsável pela relação com os clientes neste aeroporto. "As imagens não são eróticas ou pornográficas e não poderão ser guardadas de qualquer forma", adiantou. Para além disso, as imagens serão vistas à distância por um agente de segurança que não está no local por onde passa o passageiro e não poderá identificá-lo.

Cada máquina, produzida pela RapiScan Systems, custará cerca de 86 mil euros e a sua utilização é segura, garante Sarah Barret. "Os passageiros podem passar 5000 vezes por ano por esta máquina sem terem de se preocupar. A quantidade de radiação emitida é muita baixa."

Impressão digital pode ser de Leonardo da Vinci
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/14-10-2009/impressao-digital-pode-ser-de-leonardo-da-vinci-18010486.htm
Por Alexandra Prado Coelho

Peritos convencidos de que retrato de jovem do século XIX é da autoria do mestre do Renascimento


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É um pormenor tão invisível que poderia ter passado despercebido para sempre. Uma impressão digital no canto superior esquerdo do quadroJovem em Perfil com Vestido Renascentistaparece indicar que a obra, até aqui identificada como "Escola alemã, início do século XIX", pode ser de Leonardo da Vinci, revelou a publicação especializada britânicaAntiques Trade Gazette.

De repente, o quadro, que em 1998 foi levado a leilão pela Christie"s em Nova Iorque, e vendido por 19 mil dólares (cerca de 13 mil euros), tornou-se o centro das atenções e os peritos admitem que o seu valor dispare para mais de cem milhões de euros se a recente atribuição for aceite pela comunidade e mercado da arte antiga.

A descoberta foi feita por Peter Paul Biro, especialista forense de arte baseado em Montreal, que observou imagens da pintura captadas por uma câmara multiespectral da empresa Lumière Technology. Este tipo de análise de enorme sofisticação, explica oTimes Online, revela cada camada de cor e permite identificar as misturas de pigmentos de cada pixel sem ser preciso retirar amostras. A técnica, acrescenta oGuardian, capta frequências de luz às quais o olho humano não é sensível.

Foi assim que Biro deparou com a impressão digital, que corresponderá à ponta do dedo indicador ou do médio, e que é "altamente comparável" a outra encontrada no quadro de S. Jerónimo que se encontra no Vaticano. EsteS. Jerónimoé considerado um quadro do início da carreira de Leonardo, um período em que o pintor ainda não teria ajudantes, o que leva a crer que a impressão digital nele gravada seja do mestre. A confirmar-se a descoberta, este é, sublinha oGuardian, o primeiro grande trabalho de Leonardo a ser identificado nos últimos 100 anos. Carlo Pedretti, director da Fondazione Pedretti para o estudo de Leonardo, e considerado um profundo conhecedor da obra do pintor, admite que "esta pode ser a mais importante descoberta desde que no início do século XIX se estabeleceuA Dama com Arminho como um Leonardo genuíno".

Um dos defensores mais acérrimos da tese de que a obra é do grande mestre do Renascimento é Martin Kemp, especialista em história de arte da Universidade de Oxford, que acaba dedicar ao assunto um livro (ainda não publicado).

Ao princípio o próprio Kemp achou que a descoberta "era boa de mais para ser verdade". Mas depois "tudo começou a encaixar-se". Foi este especialista quem rebaptizou o retrato como La Bella Principessa, depois de a ter identificado "através de um processo de eliminação", explica oTimes. A jovem de rosto seráfico e longa trança seria, de acordo com Kemp, Bianca Sforza, filha de Ludovico Sforza, duque de Milão (1452-1508), e da amante deste, Bernardina de Corradis.

No leilão de 1998 o quadro - que tem 33x23cm e é executado sobre pergaminho - foi comprado pela negociante de arte nova-iorquina Kate Ganz. Em Agosto de 2008, Ganz, que em Janeiro de 2007 voltara a vender a obra pelo mesmo preço que tinha dado por ela, dizia ao The New York Timesnão acreditar que se tratasse de um trabalho de Leonardo. O actual proprietário é Peter Silverman, canadiano a viver na Europa, especialista em arte.

domingo, outubro 11, 2009

O sabor à boleia de 100 milhões de bolhas
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/11-10-2009/o-sabor-a-boleia-de-100-milhoes-de-bolhas-17987882.htm

Por Ana Gerschenfeld

Pop! Pchhhhfttttt... Glu-glu-glu. Aaahhhh! Salta a rolha. Verte-se o champanhe no copo e ouvem-se as bolhinhas. Bebe-se. Gosta-se. A química mostrou que a alma

do champanhe está no pchhhhfttttt...


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A rebentação das ondas do mar cria uma fina bruma salgada que, transportada pelo vento para a costa, leva com ela a maresia, o cheiro tão característico e relaxante do oceano. Foi com base nesta analogia que uma equipa de investigadores europeus decidiu estudar o que se passava... num copo de champanhe. Os resultados mostram que, ao contrário do que se pensava, as bolhas da bebida com maisglamour do mundo não se limitam a fazer-nos cócegas no nariz: são um veículo essencial do aroma do champanhe.

"Ao estabelecer um paralelo entre a espuma do oceano e a espuma do champanhe, o nosso estudo evidenciou uma relação entre as bolhas que rebentam e o efeito de libertação de aromas frequentemente atribuído a este vinho", escrevem Gérard Liger-Belair, físico da Universidade de Reims Champagne-Ardenne (como não podia deixar de ser) e colegas na revistaProceedings of the National Academy of Sciences. "Isto reforça a ideia de que, num copo de champanhe, as bolhas que ascendem e rebentam à superfície funcionam como elevadores perpétuos para os aromas."

Liger-Belair já estudou muitos aspectos das bolhas de champanhe: como se formam, como se deslocam, etc. Em 2004, publicou o livro Uncorked: the Science of Champagne. Mas ainda tinha de resolver uma importante questão: a de saber se as bolhas tornam o champanhe agradável simplesmente por que são refrescantes e picam o nariz e a língua, ou se o seu efeito se deve a fenómenos fisico-químicos mais complexos.

Não se trata de uma questão retórica, uma vez que cada garrafa de 75 centilitros de champanhe contém cinco litros de dióxido de carbono e é capaz de produzir 100 milhões de bolhas (cada uma com 0,5 milímetros de diâmetro médio), depois de a rolha ter saltado. Ninguém questiona que o champanhe deve grande parte do seu atractivo à sua característica espumante, mas os investigadores quiseram saber mais sobre a acção das bolhas.

Para o fazer, não olharam a meios: com a ajuda do espectrómetro de massa de ultra-alta definição do Centro Helmholtz de Munique, na Alemanha, a mais poderosa máquina do género na Europa (a espectrometria de massa permite identificar as substâncias que compõem uma amostra), analisaram os componentes dos aerossóis que pairam à superfície do champanhe. E, quando os compararam com os compostos no corpo líquido da bebida, descobriram que as concentrações de várias dezenas de moléculas aromáticas ou precursoras de aromas eram muito mais elevadas na "bruma" criada pelas bolhas de champanhe, mesmo junto das narinas e das papilas gustativas de quem bebe, do que dentro do copo.

Química fina

"É a primeira vez que conseguimos detectar a química fina dos aerossóis de champanhe, que são realmente a essência desta bebida", diz Ligier-Belair, citado pelaBBC News- confessando, desta vez aosite Figaro.fr, ser "o primeiro a ficar surpreendido com todas as coisas [descobertas] acerca do champanhe".

A explicação dos cientistas para o fenómeno agora posto em evidência é a seguinte: as moléculas dos componentes aromáticos possuem uma extremidade que gosta de água (hidrófila) e outra que evita o contacto com a água (hidrófoba). Ora, essa extremidade que não gosta de água é atraída pelo gás, o dióxido de carbono, contido nas bolhas de champanhe. Assim, essas substâncias aromáticas ficam literalmente com uma ponta espetada nas bolhas e, quando as bolhas sobem, são arrastadas com elas para cima, até à superfície do líquido. Aí, as bolhas rebentam, libertando os ditos componentes e gerando os aromas essenciais característicos do champanhe e dos vinhos espumantes em geral. Para perceber por que a quantidade de compostos aromáticos assim arrastados pelas bolhas é tão grande, basta pensar nos já referidos 100 milhões de bolhas produzidas por cada garrafa de champanhe. Os cientistas explicam que elas somam, no total, uma superfície de perto de 80 metros quadrados susceptível de se ligar quimicamente aos compostos aromáticos.

"No passado, pensávamos que o dióxido de carbono nas bolhas apenas servia para dar ao champanhe o seu travo ácido e picar a língua", diz Jamie Goode, jornalista especializado em vinhos e criador do sitewineanorak.com, também citado pelaBBC News. Para ele, os resultados agora publicados também mostram que a forma dos copos de champanhe não é uma mera questão de etiqueta. "Os copos que estimulam a subida das bolhas serão sempre melhores", salienta.

Ligier-Belair acrescenta por seu lado, como refere o Times online, que intuitivamente a utilização de copos estreitos para beber champanhe "faz sentido, porque estes copos concentram os aromas numa pequena área".

Por enquanto, os cientistas estudaram cinco tipos de champanhe e vinhos espumantes topo de gama. Mas, ainda segundo o Times, já estão a estudar outros vinhos espumantes, para os quais o efeito parece ser semelhante. Quanto às bebidas gasosas não alcoólicas, é provável que o efeito seja menos pronunciado, explica Ligier-Belair, uma vez que estas bebidas não possuem tantos componentes aromáticos como os vinhos.