"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, novembro 27, 2009

O livro de instruções foi escrito por um ilusionista no pico da guerra fria

Manual de artimanhas mágicas da CIA à venda nas livrarias norte-americanas
http://www.publico.clix.pt/Mundo/manual-de-artimanhas-magicas-da-cia-a-venda-nas-livrarias-norteamericanas_1411699
27.11.2009 - 11:46 Por Dulce Furtado

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Um ardiloso manual escrito para a CIA com o propósito de ensinar os agentes secretos a usarem truques de magia chegou às bancas nos Estados Unidos mesmo a tempo das compras de Natal.DR


O livro foi feito por um mágico, com truques de magia de palco
Escrito em 1953, bem no pico da guerra fria, pelo ilusionista norte-americano John Mulholland, contém instruções sobre como dissimular, desviar as atenções e iludir à boa maneira dos mágicos de palco.

Ali são explicadas artimanhas várias como a de esconder um comprimido soporífero numa caixa de fósforos e deitá-lo furtivamente na bebida de alguém enquanto se acende um cigarro ao alvo, quais as técnicas de dissimulação para passar papeis e microfilmes a um outro agente sem ser detectado, quais os comportamentos que permitem dar a impressão de se ser meio idiota e absolutamente inofensivo até às tácticas de sucesso garantido para a “remoção sub-reptícia de objectos por parte de mulheres”.

Contém ainda o famoso código de sinais expressos na forma de atar os cordões dos sapatos para “dizer” a um outro agente secreto coisas como “siga-me”, “tenho informações” ou “trago outra pessoa comigo”. Por tudo isto, Mulholland recebeu da CIA o pagamento de três mil dólares, um valor bastante significativo para a época.

Pensava-se que todas as cópias do manual – mais um memorando que lhe foi aditado, exclusivamente sobre a arte de transmitir mensagens dissimuladamente – tinham sido destruídas em 1973 sob ordem da direcção da agência de espionagem norte-americana. Mas uma cópia sobreviveu e o seu conteúdo, já destituído do estatuto de “altamente secreto”, foi descoberto pelo historiador de espionagem Keith Melton e pelo antigo director da CIA Bob Wallace. Agora foi publicado e está à venda desde ontem nas livrarias sob o título “The Official CIA Manual of Trickery and Deception”.

No prefácio, o ex-vice director da CIA John McLaughlin (2000-2004) explica que “a magia e a espionagem são almas gémeas” e que “a escrita de Mulholland sobre como deitar comprimidos, poções e pós [na bebida ou comida de alguém] é apenas um exemplo da pesquisa que se fazia então, e que se expandia para áreas tão diversas como a lavagem cerebral e a psicologia paranormal”. Tanto quanto McLaughlin sabe, as técnicas de uso de comprimidos descritas pelo mágico “nunca foram utilizadas”.

Parte do malfadado MK Ultra
O manual de Mulholland integra de facto um programa mais vasto – e de negra fama para a CIA – que respondia pelo nome de código MK Ultra, o qual tinha o objectivo de encontrar formas de contra-atacar as técnicas de controlo cerebral empregadas pela União Soviética durante a guerra fria.

O MK Ultra, que terá sido desenvolvido desde a década de 1950 até pelo menos ao fim da seguinte, está frequentemente associado a técnicas de interrogatório com recurso a drogas, amiúde psicadélicas como o LSD, e controlo da mente.

Esta não foi, de resto, a primeira vez que um mágico terá sido chamado a dar uma ajuda aos serviços de espionagem de um país ocidental: uma biografia de 2006 narra que o gigante do ilusionismo Harry Houdini espiara militares alemães e russos para a britânica Scotland Yard.

E há teorias de que outro grande mágico do Reino Unido, Jasper Maskelyne, criava ilusões de submarinos e tanques falsos para distrair as tropas do marechal alemão Rommel, a “Raposa do deserto”, durante a Segunda Guerra Mundial, e que terá mesmo conseguido “esconder” o Canal do Suez com engenhosos efeitos de luz.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Definir o que é ser francês servirá apenas para cortar na imigração?
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/25-11-2009/definir-o-que-e-ser--frances-servira-apenas-para-cortar-na-imigracao-18285528.htm
Por Clara Barata

Governo lançou discussão que para muitos tem contornos xenófobos e a esquerda recusa participar. O primeiro grande debate público é hoje

Uma língua de escritores, um país que não reconhece os seus jovens, uma nação ambiciosa
Governo quer punir patrões que empregam "sem-papéis"

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"O que é ser francês?", perguntou Eric Besson, o ministro da Imigração e da Identidade Nacional de França, lançando um debate nacional. "E para que é preciso definir o que é ser francês?", lançaram-lhe, em contra-resposta, a oposição e muitos intelectuais, que acusam o Governo de Nicolas Sarkozy de querer apenas arranjar maneira de cortar na imigração, e até nos benefícios aos cidadãos franceses filhos de imigrantes, os que se revoltaram nos subúrbios, e que são apontados como não estando "integrados".

O debate já começou, nos media, na Internet, em vários sites e em particular no sítio criado pelo Governo (http://www.debatidentitenationale.fr), mas a primeira grande discussão ao vivo e aberta à imprensa acontece hoje, precisamente no ministério de Besson, em Paris.

Mas todas as prefeituras, na França metropolitana e ultramarina, podem e devem organizar o seu debate - para tal, está a ser distribuído um kit com perguntas para organizar as discussões locais entre os cidadãos, que "junta a política à arte de bem viver", explica o jornal Le Figaro.

A perguntas como "o que faz com que nos sintamos próximos dos outros franceses, mesmo sem os conhecermos?", juntam-se referências "à nossa gastronomia", "às nossas igrejas e catedrais", num ensaio de psicanálise colectiva.

Só que muitas dizem claramente respeito à imigração, denuncia um artigo no Le Monde assinado por várias personalidades, entre as quais a escritora Marie NDiaye, cujo pai era senegalês e ganhou o Prémio Goncourt este ano, e Jean-Pierre Dubois, presidente da Liga dos Direitos Humanos.

"Descobre-se uma lista de preconceitos e falsas evidências definindo, à partida, a identidade nacional. São abordados vários temas, mas o tema do "estrangeiro" é, na realidade, central. E algumas perguntas formuladas a esse propósito são orientadas, chocantes e inaceitáveis", escrevem os signatários deste artigo, que incluem vários sociólogos e juristas.

O artigo, com o título "recusemos um debate colocado em termos xenófobos!", exemplifica o problema com uma das perguntas: ""Como evitar a chegada ao nosso território de estrangeiros em situação irregular, em condições de vida precária geradoras de desordens diversas (trabalho clandestino, delinquência) e causando, numa parte da população, suspeição do conjunto dos estrangeiros?". Encontram-se aqui, condensados numa única frase, todos os lugares-comuns do discurso xenófobo".

"Francité"

Ministério da Imigração, da Integração, da Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário é o nome completo da pasta de Besson, um ex-socialista que se tornou num homem-chave da galáxia de Sarkozy (escrevia em Outubro a revista L"Express). Coube-lhe lançar o debate sobre a identidade nacional, que se tornou uma bandeira de Sarkozy - muito útil para conquistar eleitores à direita do seu partido, a UMP, nomeadamente à Frente Nacional de Marine Le Pen. Tanto assim que lhe consagrou um ministério, num país construído na tradição do acolhimento de imigrantes.

"A criação de um Ministério da Identidade Nacional lançou na cena pública palavras que designavam o estrangeiro separado de um "nós" nacional. Foram palavras de um misterioso sector do Governo de que não se via bem a função, submerso em tantos símbolos: "identidade" como causa nacional, "integração" como outra palavra de exclusão, "imigração" como problema identitário", escreveu no Le Monde Michel Agier, da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais, especialista em temas relacionados com refugiados.

O ambiente nos media, percebe-se bem, não é favorável a este debate, que é recusado pela esquerda. Mas muitos intelectuais e académicos têm oferecido um contributo que passa mais por arrasar os motivos do debate do que por oferecer ideias para definir a "francidade" ("francité", como se diz em vários textos publicados, num tom mais ou menos jocoso).

A líder do Partido Socialista, Martine Aubry, não hesitou em dizer, este fim-de-semana, que Sarkozy "fazia a França passar uma vergonha por querer opor a identidade nacional à imigração", denunciando "o clima atroz" em torno da imigração que se está a instalar no país. Aubry está "orgulhosa por ser basca e francesa".

Uma sondagem TNS-Soffres publicada ontem no jornal La Croix revelava que apenas 38 por cento dos franceses reivindicam espontaneamente a sua identidade nacional, enquanto 45 por cento preferem dizer-se de um bairro, de uma cidade ou de uma região. Quando interrogados sobre quais os elementos da identidade francesa mais importantes, 96 por cento consideravam os direitos do Homem o mais importante, à frente mesmo da língua francesa (95 por cento), do sistema de protecção social (94 por cento) e da cultura e património (92 por cento).

Como se conjugam estes resultados da sondagem com os sentimentos e com um clima em que o multiculturalismo, termo tão em voga na última década, é mais sinónimo de tempestade do que harmonia, é difícil dizer.

"Este grande debate deve permitir valorizar tudo o que a imigração trouxe para a identidade nacional, e propor acções que permitam partilhar melhor os valores da identidade nacional em cada etapa do percurso de integração", escreveu o ministro Besson, na proposta de debate.

No início de Fevereiro de 2010, a França deverá estar apta a responder à pergunta "o que é ser francês?"

a caligrafia difícil

Mussolini na intimidade, numa caligrafia apertada e difícil
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/25-11-2009/mussolini-na-intimidade-numa-caligrafia-apertada-e-dificil-18261238.htm


Os diários da amante de Mussolini deram um livro que promete revelar algumas facetas menos conhecidas do ditador italiano e destruir a ideia de que era afável e humano



Se houvesse uma competição dedicada a eleger o maior ditador de todos os tempos, Benito Mussolini, que governou Itália entre 1922 e 1943, teria conseguido, nas duas últimas semanas, subir vários degraus nessa antipática classificação. O livro Mussolini Secreto, recentemente chegado às livrarias, retrata-o a partir dos diários da amante, Clara Petacci (a mesma que foi enforcada ao seu lado em Abril de 1945), e, talvez por isso, exibe-o como um fanfarrão, um racista avant la lettre e um homem um pouco depravado, que coleccionava amantes e desprezava a mulher. Não é um esboço bonito. Mas, tratando-se d""Il Duce", é possível que esta fosse precisamente a imagem que ele gostaria de deixar para a posteridade.

Escrito pelo jornalista Mauro Suttora, Mussolini Secreto gerou, num ápice, uma avalancha de notícias em todo o mundo, citando os excertos revelados no dia 16 de Novembro pelo jornal italiano Corriere della Sera. As 521 páginas da obra são o culminar de vários meses de trabalho, durante os quais Suttora estudou as mais de duas mil páginas com as confissões de Claretta (assim ficou conhecida), numa caligrafia "apertada e difícil".

Estas confissões, escritas entre 1932 e 1938, terão sido deixadas pela amante do ditador a uma amiga quando a Segunda Guerra Mundial se aproximava do fim e o regime de Mussolini tinha já caído. Encontrados em 1950, os diários permaneceram até agora no arquivo estatal italiano, em Roma.

Conflito com o Vaticano

Quem já tenha visto imagens de Mussolini de braços cruzados, o queixo orgulhosamente erguido, sacudindo a cabeça com trejeitos de brigão num baile de aldeia não se surpreenderá por aí além com as frases de Claretta Petacci. O ditador considerava-se o nec plus ultra do fascismo e detestava ser visto como alguém que se limitava a seguir os ditames de Adolf Hitler. "Eu já era racista em 1921, não sei como podem pensar que imito Hitler se ele ainda nem tinha nascido" politicamente, cita Claretta na entrada relativa a 4 de Agosto de 1938.

"Os italianos deviam ter mais consciência de raça para não criar mestiços, que vão estragar aquilo que temos de bonito", terá dito Mussolini à amante, segundo a qual o Papa Pio XI conseguiu enfurecer "Il Duce" quando defendeu os casamentos interraciais. Pio XI - que antecedeu Pio XII, mais benevolente com a perseguição xenófoba que estava para começar - havia defendido que todos os católicos são espiritualmente judeus e advogou que os hebreus são pessoas iguais às outras, o que desagradou a Mussolini. "Se os do Vaticano continuam assim, vou romper relações com eles. São uns miseráveis hipócritas. Proibi os casamentos mistos e agora o Papa defende que se casem italianos com negras. Não! Vou partir-lhes a cara a todos!", citou Claretta, ainda a 4 de Agosto de 1938.

Nas conversas com a amante, "Il Duce" descrevia Hitler como um "velho sentimental" que, às vezes, era acometido por acessos de fúria a que só ele conseguia pôr cobro. Dois meses mais tarde, o registo do diário diz respeito à conferência de Munique em que foi discutida a invasão da antiga Checoslováquia e reza assim: "A recepção em Munique foi fantástica e o führer foi muito agradável. No fundo, Hitler é um velho sentimental. Quando me viu, tinha lágrimas nos olhos. Ele realmente gosta muito de mim".

O ditador espanhol Francisco Franco também não escapa à jactância de Mussolini. A 22 de Dezembro de 1937, pouco tempo depois do fim da guerra civil em Espanha, o diário regista que, para "Il Duce", "Franco é um idiota". "Acredita que ganhou a guerra com uma vitória diplomática, porque alguns países o reconheceram, mas tem o inimigo em casa. Se tivesse metade da garra dos japoneses, tinha tudo resolvido em quatro meses, mas os espanhóis são apáticos e indolentes, têm muito de árabes (...). É essa a razão pela qual comem e dormem tanto."

Numa entrevista ao jornal espanhol El País, Mauro Suttora considera que os relatos de Claretta destroem, de uma vez por todas, a ideia segundo a qual Benito Mussolini era um ditador humano, um fascista afável e de pequena escala e uma espécie de irmão mais novo de Hitler, que só aprovou leis contra os judeus para agradar ao líder nazi.

"Temos de destruir todos estes judeus nojentos", terá dito, segundo Claretta Petacci (16 de Novembro de 1938). Noutro momento, Mussolini chama aos judeus "répteis" e "inimigos".

Amante arrebatado

Piero Melograni, um historiador citado pela Associated Press, autor de vários livros sobre o fascismo e a Segunda Guerra Mundial, concorda com o diagnóstico de Suttora, mas acrescenta que os episódios íntimos da relação de Mussolini e Claretta acabam por humanizar "Il Duce". E há ainda a possibilidade, recordada por outro historiador, Giovanni Sabbatucci, de os registos da amante não reflectirem o verdadeiro pensamento político do líder fascista, uma vez que as frases citadas podem resultar de simples bazófia amorosa.

Independentemente da interpretação política destas confissões, os diários de Petacci parecem estar repletos de descrições da vida íntima do fascista. "Sabes, amor? Ontem à noite, no teatro, despi-te pelo menos três vezes. Olhava para ti, tirava-te a roupa mentalmente e desejava-te como um louco", terá dito Mussolini no dia 5 de Janeiro de 1938.

Nos diários, o ditador surge como um amante arrebatado e capaz de proferir frases como "o teu pequeno corpo enlouquece-me, amanhã será meu, todo meu; vou tomá-lo e seremos um só". Ainda assim, o mui católico Benito mostra-se totalmente incapaz para a prática da fidelidade. Na entrada relativa a 19 de Fevereiro de 1938, Claretta conta que Mussolini lhe confessou ter outras amantes: "Adoro-te e sou um louco. Não devia fazer-te sofrer. Sim, meu amor, agi mal e cada vez te amo mais e sinto que me és mais necessária do que nunca."

Já outros homens viram a sua intimidade revelada pelas amantes, mas, se houver uma competição para eleger o ditador mais concupiscente da História, é provável que Mussolini esteja agora à frente do campeonato.Clara Petacci foi uma das muitas amantes de Benito Mussolini. Os dois foram executados em Abril de 1945 e os seus corpos expostos durante dias na Praça Loreto, em Milão

segunda-feira, novembro 23, 2009

O Quénia está mais quente, mas Deus também pode estar zangado
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/23-11-2009/o-quenia-esta-mais-quente-mas-deus-tambem-pode-estar-zangado-18261524.htm
Por Edmund Sanders

Em Muranga, num planalto com vista para o Monte Quénia, os quenianos que continuam a adorar a montanha como morada divina olham ansiosamente para o cume de neve a derreter e questionam-se: será que Deus morreu?


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As primaveras muito quentes e os leitos de rios secos estão a tornar a vida muito difícil para os sete milhões de quenianos que dependem do escoamento das águas do pico da segunda montanha mais alta de África para sobreviver. Em Nairobi, capital do país, os descongelamentos reduzidos têm contribuído para faltas de energia, quando os caudais dos rios alimentados pela montanha não são suficientes para fazer funcionar as centrais hidroeléctricas.

Mas para os quenianos que continuam a praticar religiões tribais e veneram o Monte Quénia como a morada de Deus, as alterações ambientais significam mais do que uma ameaça ao seu modo de viver. Para eles, a neve a derreter e outras mudanças na sua montanha estão a causar uma crise de fé.

"Este é o sítio onde o nosso Deus habita, e está a ser destruído", declara Mwangi Njorge, de 95 anos, um daqueles quenianos, sobretudo idosos, que continuam a fazer sacrifícios à divindade que, acreditam, mora no Monte Quénia. Está preocupado de que a neve a desaparecer seja um sinal da fúria de Deus. "Deus está muito zangado e, se as coisas não se alterarem, temo que ele nos possa abandonar para sempre."

A comunidade científica está dividida quanto às causas do derreter das calotas de gelo em África, mas muitos especialistas acreditam que a diminuição de neve no Monte Quénia é um dos exemplos mais flagrantes em todo o continente no que toca às alterações climáticas e ao aquecimento global.

A montanha, de 5200 metros de altura e localizada na linha do equador, perdeu 92 por cento da sua cobertura glacial ao longo dos últimos cem anos, e especialistas prevêem que em 2050 a neve terá desaparecido completamente. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas avisou num relatório de 2007 que países como o Quénia sofrerão muito com a subida das temperaturas e apontou especificamente para a vulnerabilidade de ecossistemas montanhosos como o do Monte Quénia.

As histórias dos adoradores do Monte Quénia colocam rostos e nomes de pessoas concretas na crescente oposição entre países desenvolvidos, que são acusados de contribuírem para a maioria das alterações climáticas do globo através das suas emissões de dióxido de carbono e outra poluição, e as regiões em vias de desenvolvimento, como África, que estão a pedir 67 mil milhões de dólares por ano como compensação pelos custos económicos e sociais.

Os adoradores da divindade do Monte Quénia já incorporaram a neve derretida nas suas tradições orais, explica Jeffrey Fadiman, professor da Universidade do Estado da Califórnia em San José, que passou vários meses naquele majestoso ponto de referência geográfico a recolher as tradições e histórias orais das tribos locais.

"Os anciãos consideram o glaciar a derreter como uma punição aos mais novos, por estes terem abandonado e violado as suas tradições", diz Fadiman.

Não surpreende que os primeiros povoadores chegados ao Quénia venerassem a montanha. Envolto em neblina e coberto ao longo de todo o ano com uma brilhante cobertura de neve, o Monte Quénia causou admiração e inspirou lendas a cada tribo que dirigiu o seu olhar para a montanha. Os habitantes chamam-lhe Kirinyaga, ou seja, "montanha do brilho".

Os académicos conseguem datar as tradições orais referentes ao Monte Quénia até há cerca de 500 anos, quando tribos como os Kikuyu e os Meru chegaram à região. A vida e a religião centravam-se na montanha. Rezavam virados para o Monte Quénia e orientavam as suas casas em direcção ao pico. Os animais destinados ao sacrifício eram colocados face à montanha antes de serem mortos.

Ao longo dos anos, o extinto vulcão permaneceu como o centro da história do país. Os rebeldes Mau Mau esconderam-se nas suas florestas durante a luta pela independência face ao regime colonial britânico. Jomo Kenyatta, o primeiro Presidente do Quénia, deu à sua autobiografia o título De Frente para o Monte Quénia.

"Era tão branco, tão belo, podíamos vê-lo de qualquer sítio", recorda Mwangi Njorge.

Quando era um miúdo, conta Joaquim Gitonga, de 76 anos, padre católico reformado, todos aqui na aldeia de Muranga se maravilhavam com a misteriosa fonte dos picos brancos do Monte Quénia. Vivendo no equador, ninguém na aldeia tinha noção do que era o gelo ou a neve, por isso assumiam que os brilhantes picos brancos eram um sinal da natureza divina da montanha.

Hoje, o Monte Quénia dificilmente inspira a mesma admiração, dizem os idosos.

"Olhe só para ele", diz Mwangi Njorge, mirando a montanha através da névoa do fim de tarde. "Tão castanho e árido. É uma imagem muito feia."

Gitonga, que foi convertido por missionários cristãos quando era criança, diz que a regressão dos glaciares poderá ser o golpe final nos tradicionais adoradores do Monte Quénia, cujo número está já a diminuir devido ao cristianismo, ao secularismo e ao maior acesso à educação. "Lentamente, os costumes tradicionais estão a desaparecer."

Florestas abatidas

Em geral, crê-se que o aquecimento global está a contribuir para que o gelo do Monte Quénia se derreta - mas parte das transformações ambientais da montanha é causada por actividades locais, afirmam alguns especialistas.

Vastas florestas verdes foram abatidas. O desenvolvimento - de plantações de marijuana, de pastagens para o gado, e para o turismo - tem cobrado o seu preço.

O activista ambiental Fredrick Njau afirma que o abate e transporte de troncos de árvores, a produção de carvão e outras explorações comerciais se desenvolveram desenfreadamente durante a presidência de Daniel Arap Moi [de 1978 a 2002], quando responsáveis governamentais deram carta branca aos seus amigos e aliados para lucrarem com as florestas do Quénia.

"O Governo efectivamente deu um tiro no próprio pé", declara Njau, coordenador de projectos no Movimento Cintura Verde, baseado em Nairobi.

Não se sabe exactamente quanto da floresta do Monte Quénia se perdeu, mas uma pesquisa do Serviço de Vida Selvagem do Quénia em 1999 referenciou quase 80 mil quilómetros quadrados de terras cujas árvores tinham sido recentemente abatidas. Hoje, no sopé do monte, os cepos são quase tão comuns quanto as árvores.

"Isto é um pecado contra Deus", clama John Irungu, um lavrador local que ajuda a manter um santuário onde se acredita que os primeiros Kikuyu se terão instalado.

Para os adoradores tradicionais, a pior afronta chegou há uma década, quando um empresário imobiliário com bons relacionamentos no mundo da política começou a construir uma estalagem nos terrenos do santuário.

"Deus interveio", diz Allen Kamau, chefe de um grupo de oração que se reúne regularmente no santuário. No meio da construção, um gigantesco ramo de árvore caiu em cima do hotel e o empresário abandonou o projecto.

"Parece que Deus não queria este edifício", diz Kamau, sorrindo.

O ramo de árvore caído é apenas uma parte dos castigos de Deus, opina Kamau. Ele e outros do seu grupo crêem que a causa da maioria dos problemas do Quénia - incluindo uma devastadora seca e os distúrbios após as eleições de 2008, que causaram mais de mil mortos - se deve ao abandono das tradicionais religiões do Monte Quénia e à destruição da montanha.

"Todos os nossos problemas estão relacionados com isto", afirma Kamau. "As pessoas estão a adoptar um modo de vida moderno. Viraram as costas às tradições e deixaram de fazer sacrifícios. Fingem que são deuses."

A alguns quilómetros dali, numa floresta do Monte Quénia, centenas de vaqueiros do Norte do país dirigem as suas reses montanha acima à procura de pastos. De regiões afectadas pela seca muitos pastores têm afluído ao Monte Quénia ao longo dos últimos seis meses, trazendo com eles dezenas de milhares de vacas, cabras e outros animais para se alimentarem com a erva e até mesmo com os rebentos das árvores que os ambientalistas plantaram para recuperar a floresta.

Quando lhe disseram que estava a invadir uma montanha que alguns quenianos consideram ser a casa de Deus, Lenaipoya Kaelo olhou para a direita, depois para a esquerda, e depois encolheu os ombros.

"Não vejo Deus por aqui", respondeu. "Para além disso, é a religião deles, não a nossa. Sou cristão. Estamos apenas a tentar que os nossos animais se mantenham vivos. Vão ter que aguentar connosco."

No santuário, os adoradores dizem que a única coisa que podem fazer é rezar. Cerca de uma dúzia de homens e mulheres reúnem-se solenemente, viram-se para o Monte Quénia e iniciam um sacrifício especial para pedir chuva.

Há meses que a seca não dá tréguas, e até o lendário ribeiro Gathambara, que se diz nunca secar, é agora apenas um fiozinho de água.

Um dos homens mais idosos entoa uma oração e os outros elevam as mãos em direcção à montanha, uma cabra sacrificial é conduzida até um leito de folhas. O grupo demorou semanas até conseguir reunir dinheiro suficiente para comprar uma cabra saudável e totalmente branca para ser morta e queimada como oferenda.

Antes do sacrifício, a cabeça do animal foi suavemente colocada na direcção da montanha, enquanto uma profetisa local, com a cabeça enrolada por um lenço multicolorido, prevê um rápido êxito desta acção, e que em breve choverá.

Mas o serviço já terminou, os adoradores já regressaram a casa, e o céu continua azul e sem nuvens.

Semanas depois, os adoradores continuam à espera de chuva, e de Deus. Os seus olhos, cheios de esperança, estão virados para o distante pico da montanha.


Exclusivo PÚBLICO/Los Angeles Times

sábado, novembro 21, 2009

cirurgia

algum desconforto com roupa justa,
nas relações sexuais

segundo os ingleses as mulheres estão a pagar 3 mil euros para ter uma área genital mais bonita




Cirurgia vaginal é a nova moda
21 de Novembro de 2009
http://aeiou.expresso.pt/cirurgia-vaginal-e-a-nova-moda=f548690
Por Mariana Cabral

a bailarina

a dança, o movimento, a epilepsia, tudo físico
uma actuação de 24 horas, sem medicamentos,
até ao momento excêntrico

os convidados assistirão à tentativa de adoecer em palco
com recurso a luzes,
programas informáticos,
jejum, álcool e tabaco
(o perigo de parar a medicação é evidente)
artistas entreterão os espectadores enquanto esperam pela doença

num certo momento, a bailarina poderá sofrer
e aí soa o alarme
acendem-se luzes
(a música pára)
haverá assistência médica apropriada

os espectadores são encorajados a recordar as imagens
mais tarde
nos telemóveis




Bailarina Rita Marcalo terá um ataque epiléptico no teatro The Bradford Playhouse
20 de Novembro de 2009
http://www.publico.pt/Cultura/bailarina-rita-marcalo-tera-um-ataque-epileptico-no-teatro-the-bradford-playhouse_1410689
Por Daniel Rocha

surpresa e perplexidade na europa

títulos da imprensa europeia,
rivais também
têm palavras exactas para descrever líderes europeus

um jantar dos mais rápidos da história,
os chefes de estado a agradarem a eles mesmos
alguém imagina uma corrida para aprender quem são os dois desconhecidos
irónica, a soberania dos estados põe a europa a dormir
nomes, desafios,
alguns políticos dizem que acabou a europa
(um exagero)
(referem-se à europa política)

e a auto-satisfação da véspera?
entre eles, nem uma voz discordante
as personalidades melhores,
o motor verdadeiro,
a certeza de que não se dirá disparates
(decisão sábia)

vindos de países importantes
embora não dos mais importantes, acrescenta um francês
(para que ninguém se sinta excluído)
as ilhas britânicas no coração da europa,
diz-se,
como um facto

porquê?
se a UE queria elevar-se à dignidade dos actores
(como a china, por exemplo)
e o que consegue é encarnar figuras
afastar-se da mesa dos grandes, falhando
observada de longe por gémeos em washington e em pequim

porquê, então?
(esta é a pergunta seguinte)
um académico diz que foi uma escolha doméstica
não uma decisão, na verdade
mas uma sombra preocupada com a sua presença nos palcos
venceram os sindicatos, os chefes, os diplomatas
ontem uma americana ansiosa por trabalhar
acenou com uma lista concreta:
afeganistão, irão, médio oriente
(continua)

há aqui muito pouco que leve alguém a acreditar

caso encerrado?
(última pergunta)




Reacções à escolha do presidente da UE e da chefe da diplomacia
Surpresa, perplexidade e desilusão em toda a Europa
21 de Novembro de 2009
http://www.publico.pt/Mundo/surpresa-perplexidade-e-desilusao-em-toda-a-europa_1410759
Por Teresa de Sousa

Crimes
Determinar a idade dos mortos e dos vivos sem papéis
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1426393
por CÉU NEVES


Idade, estatura, causa e forma de morte? Eis algumas das perguntas a que a antropologia forense tenta dar resposta. Respostas sempre com um intervalo de aproximação, alerta Eugénia Cunha, consultora do Instituto Nacional de Medicina Legal.


"Faz-lhe confusão o cheiro?" É a pergunta de Eugénia Cunha, antropó- loga forense. E justifica: "É que esti- ve a macerar os ossos!" Assim, de chofre, mal se entra na sua sala de trabalho na delegação sul do Insti- tuto de Medicina Legal. O cheiro é desagradável, mas tem de se suportar. Os ossos que esteve a macerar são de um homem que foi encontrado no Algarve e que terá morrido de forma violenta. Homicídio!

Macerar ossos significa cozê-los ligeiramente em água, para que se possa retirar os tecidos moles que os envolvem. Só depois é que são observados, analisados, parte por parte, osso por osso, e radiografados, para se poder estimar a idade, a estatura (através do fémur), a origem geográfica (afinidades populacionais) e, eventualmente, o modo e a causa de morte. Em resumo, dar uma identificação ao corpo, muitas vezes encontrado anos depois da morte e em avançado estado de decomposição.

"Mas não pense que podemos dizer que o corpo pertence a um indivíduo com 57 anos, 1,76 m e que nasceu em Portugal. Podemos chegar a intervalos de aproximação, o que, também, depende da idade do indivíduo e do tipo de vida que levou. Não pense que é como nas séries televisivas. Não é assim", adverte Eugénia Cunha. Isto porque é inevitável a comparação com Bones Temperances, a famosa antropóloga forense da série Ossos, que consegue sempre identificar ao pormenor as vítimas que estuda.

É impossível dar uma informação assim tão precisa e estamos em Portugal, onde os antropólogos ainda não vão ao local do crime e não têm uma base de dados da PJ tão sofisticada, nem nada que se pareça.

O corpo em causa será o de um homem que desapareceu há seis meses. Há uma ficha de desaparecidos da PJ em consta o nome de um indivíduo com características semelhantes ao corpo encontrado.

Mas a antropóloga forense prefere desconhecer os dados biográficos dos corpos que analisa. Para testar ao limite as capacidades da ciência na descoberta de informação que ajude a deslindar uma morte.

No caso em concreto, o corpo está bem tratado, estima-se que seja de um indivíduo rico e preocupado em manter-se bem fisicamente.

Esse dado vai tornar mais difícil apurar com rigor a sua idade. E o que o perito poderá dizer é que a pessoa terá entre 55 e 65 anos, por exemplo, a estatura aproximada e que será europeu.

A identificação dos corpos é uma das área de intervenção de Eugénia Cunha, consultora de antropologia forense do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) desde 1997 e responsável pelos casos de antropologia forense da delegação Sul desde 2004.

É chamada sempre que é encontrado um corpo e se suspeita que tenha havido crime. E muitas das situações são de sem-abrigo, o que significa que este não é procurado por familiares, tornando quase impossível a sua identificação.

Mas os antropólogos forenses não estudam apenas os mortos. São cada vez mais chamados a intervir para investigar as características de indivíduos vivos mas que não possuem documentos.

Nestes casos, a estimativa da idade implica a aplicação de métodos que se baseiam em várias alterações dentárias e ósseas.

Os cálculos tornam-se mais fiáveis para as crianças e jovens, cujo crescimento é acompanhado por uma evolução clara em termos dentários.

"Quanto mais velho é um indivíduo, mais falíveis são os métodos usados na determinação da idade, remetendo para um intervalo tanto mais amplo quanto mais idoso for o indivíduo em causa", sublinha Eugénia Cunha.

Enquanto a pessoa envelhece, não só as capacidades físicas vão diminuindo como os ossos se deterioram e a estrutura óssea se altera. Não são precisas rugas, para que um antropólogo possa chegar a conclusões sobre a idade.

E, sabendo-se que as socieda-des, sobretudo as europeias, estão cada vez mais envelhecidas, o desafio que se coloca à disciplina, sublinha Eugénia e Cunha, é o desenvolvimento de métodos que permitam distinguir indivíduos com 70, 80 e 90 anos.

Tags: Ciência

Oprah chorou quando anunciou o fim do seu programa
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/21-11-2009/oprah-chorou-quando-anunciou-o-fim-do-seu-programa-18260911.htm
Por Susana Almeida Ribeiro

Depois de mais de duas décadas de transmissões regulares, a apresentadora diz que "está na altura de dizer adeus"


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O anúncio veio em directo, no final do programa de ontem: "Depois de muitas orações e meses de ponderação, decidi que a próxima temporada, a 25.ª, será a última do Oprah Winfrey Show. Durante os próximos meses ouvirão muita especulação na imprensa acerca das razões pelas quais estou a tomar esta decisão agora, mas serão só conjecturas."

Depois do anúncio, foi a vez de Oprah chorar, enquanto recordava os últimos anos: "Estes anos com vocês, os telespectadores, enriqueceram a minha vida para lá de todas as medidas. Então porquê acabar? Eis a verdadeira razão. Eu amo este programa. Ele é a minha vida. E amo-o o suficiente para saber que está na altura de dizer adeus."

Anos a fio a mostrar a uma audiência média semanal cifrada em mais de 40 milhões de pessoas momentos emblemáticos da televisão americana, a rainha da TV desce do seu trono.

Para trás ficam imagens como a do actor Tom Cruise a saltar em cima do sofá do estúdio declarando o seu amor pela namorada (e actual mulher) Katie Holmes - o que até deu origem à expressão "jumping the couch", que entrou no léxico coloquial dos americanos quando estes se querem referir a alguém que perdeu a cabeça.

Outro dos momentos que vai ficar para a história da televisão americana aconteceu em 2004, quando Oprah ofereceu a todos os membros da plateia um carro novo, originando uma sessão de histeria colectiva entre o público.

A sua entrevista a Michael Jackson, em 1993, quando o cantor decidiu falar pela primeira vez sobre o facto de a sua pele estar a tornar-se gradualmente mais branca devido a uma doença chamada vitiligo, foi a mais vista de sempre na televisão nacional: 62 milhões de americanos em frente ao ecrã e perto de 100 milhões de pessoas no resto do mundo.

O apoio expresso que Oprah deu a Barack Obama durante a campanha para as presidenciais foi considerado fundamental para a sua vitória.

A atmosfera que imprimiu ao seu programa redefiniram os talk-shows americanos, transformando Oprah num fenómeno cultural não só nos Estados Unidos mas em todo o mundo, uma vez que o programa é transmitido em 145 países, incluindo Portugal (SIC Mulher). Mas tudo tem um fim, e The Oprah Winfrey Show também. O programa acaba oficialmente no dia 9 de Setembro de 2011, na recta final da sua 25.ª temporada.

Novo canal

O talk-show de Oprah teve origem em 1984, quando a apresentadora se mudou para Chicago para ser a cara do programa da manhã da WLS-TV, uma estação local, o AM Chicago. Depressa se tornou o talk-show mais visto na região e, passado um ano, tinha expandido o seu formato, passando para uma hora de emissão. Foi rebaptizado de The Oprah Winfrey Show. Em 1986, passou a ser emitido em todo o país, depois de a CBS ter comprado os direitos de transmissão.

Pelo caminho, Winfrey foi igualmente revelando as suas batalhas contra o excesso de peso e relatou os abusos sexuais que sofreu em criança.

Em Agosto de 2004, assinou uma extensão do contrato para que o seu programa permanecesse no ar até 2011. E assim será, sem renovações posteriores.

De acordo com o jornal New York Times, apesar de terminar o programa, Oprah, de 55 anos, não vai largar tudo para envelhecer em frente à lareira. A apresentadora irá dedicar-se a um canal por cabo com o seu nome, o OWN (Oprah Winfrey Network). A Discovery Communications irá ser co-proprietária do canal, que funcionará em regime de pay-per-view.

A saída de Oprah de um canal aberto para um por cabo poderá vir a ser uma boa aposta. A apresentadora parece ter um toque de Midas e os anunciantes irão com ela para onde ela quiser, embora ainda se desconheça, segundo o New York Times, qual o papel que Oprah terá no novo canal.

A única coisa que se sabe, para já, é que The Oprah Winfrey Show, tal como o conhecemos agora, não terá lugar no OWN.

sexta-feira, novembro 20, 2009

a rússia aumentou

o maior país
uma erupção depois de um sismo aumenta o território
restos da lava

não era preciso, o milagre
a quase multiplicação na ponta mais oriental do país
terra seca
e lava
um novo apêndice para a lista dos países gigantes
14 fusos horários da polónia ao alasca
(vendido)

quase todos os estadistas ampliaram fronteiras
reduziram os descampados que distanciam as regiões
um expresso transiberiano
a deportação de cidadãos em vagões de carga
(milhões)
e o seu regresso, mais tarde

muitos jovens se dirigiram então para os espaços vazios e para as florestas
imaginando as sementes do comunismo agrário




Rússia cresce depois de erupção vulcânica
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1425524&seccao=Biosfera
Por Bruno Abreu

Psicologia
A mesma hormona está presente no amor e no ciúme
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1422329&seccao=Sabia que
16 Novembro 2009


A oxitocina, que se sabe ser crucial nas emoções positivas, tem uma função no seu oposto.

A hormona oxitocina, importante no parto humano e também conhecida como "hormona do amor", tem afinal um papel em emoções consideradas negativas, como ciúme ou inveja. Esta descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Haifa, em Israel.

Estudos anteriores tinham identificado a presença da oxitocina em emoções positivas, como a empatia ou a confiança. A hormona é libertada durante relações sexuais ou parto, quando as pessoas se abraçam, e sabe-se que tem a maior importância no estabelecimento de relações sociais.

O novo estudo, publicado na revista Biological Psychiatry, baseou-se numa experiência em que os participantes receberam formas sintéticas de oxitocina e placebos. Os voluntários foram colocados numa situação de jogo que propiciava competição e inveja. Estes sentimentos negativos eram mais elevados na presença da hormona.

Os cientistas explicam o resultado como confirmando o papel social da oxitocina. Mas a sua função dependerá da associação: se for positiva, o sentimento desencadeado será positivo; se a associação for negativa, o sentimento provocado também será negativo. Mais uma vez se confirmam os poetas, segundo os quais o amor também pode ser facilmente o seu contrário.

San Diego
FBI oferece 16 mil por captura do 'Bandido Velhote'
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1425737&seccao=EUA e Am%E9ricas
por SUSANA SALVADOR


O idoso, que terá entre 70 e 80 anos, já assaltou cinco bancos desde Agosto. Nos últimos dois, ameaçou o funcionário com uma arma.

A forma de actuar deste ladrão de bancos é simples: veste um casaco azul e põe um boné de basebol ou uma boina e entra calmamente no banco. Em seguida, aproxima- -se da caixa e pede ao funcionário que lhe dê todo o dinheiro, ameaçando-o com uma arma. Depois, abandona o local a pé. Seria mais um ladrão como tantos outros, não fosse o facto de se encontrar na casa dos 70 anos.

As autoridades norte-americanas emitiram um alerta esta semana na esperança de identificar o idoso apanhado pelas câmaras de vigilância de San Diego, na Califórnia, a assaltar mais um banco. O quinto desde Agosto. "Ele não é só um bocadinho mais velho. Tem mais de 70 anos. É muito magro e tem a pele muito enrugada", disse a agente do FBI April Langwell a um jornal local.

Num dos assaltos, o homem que já recebeu a alcunha de "Geezer Bandit", literalmente, o "Bandido Velhote", apareceu mesmo ligado a uma máscara de oxigénio. As autoridades acreditam contudo que este não é um disfarce bem elaborado, mas a realidade.

"Um idoso, se não planeou e não tem reforma, ou se perdeu a sua reforma por causa da situação económica, tem dificuldades... estes são tempos assustadores para muitas pessoas", indicou também o antigo polícia Kevin LaChapelle. "Parece que deve haver algum tipo de desespero", acrescentou, tentando perceber o que leva este homem a assaltar os bancos. As autoridades não divulgaram o valor do dinheiro roubado.

O primeiro assalto registou-se a 28 de Agosto. O último na passada segunda-feira. Nos últimos dois casos, o idoso usou uma arma para ameaçar o funcionário, daí que as autoridades comecem a ficar preocupadas. "Este bandido em particular tornou-se numa grande preocupação para nós depois do roubo em Santa Fé onde usou uma arma e ameaçou o funcionário", explicou Langwell.

O FBI resolveu então divulgar as imagens das câmaras de vigilância do banco, na esperança de que alguém o possa identificar. Estão a ser oferecidas três diferentes recompensas, num total de 16 mil dólares (mais de dez mil euros), por informações que possam levar à detenção e condenação do "Bandido Velhote".

Na sua ficha do FBI, lê-se que o idoso deve pesar menos de 70 quilos, medindo entre 1,55 e 1,90 metros. Apresenta o cabelo esbranquiçado e não costuma ter a barba feita. Usa várias camadas de roupa, junto com o casaco azul e o chapéu de basebol. Além disso, usa também óculos. As autoridades alertam para o facto de andar armado e de poder ser perigoso.

Segundo o El Mundo, o FBI não mantém qualquer estatística sobre a idade dos assaltantes, explicando que estes casos são raros. Mas não únicos e podem estar a aumentar. Também em San Diego foi detido um homem de 69 anos que acabava de assaltar um banco para poder pagar a hipoteca da sua casa. A polícia encontrou-o perto do lugar do crime enquanto descansava. Ao seu lado estavam cem mil dólares.

domingo, novembro 15, 2009

Como ser bela sem bisturi
Antes um spa do que um bisturi, e há cada vez mais unidades hoteleiras a propor técnicas não invasivas para alisar as rugas, preencher os seios ou esticar a pele flácida. Clique para visitar o canal Life & Style.
http://aeiou.expresso.pt/como-ser-bela-sem-bisturi=f547307
Sana Butler*
12:17 Domingo, 15 de Nov de 2009





Quanto mais velha fico, mais jovem quero parecer. Como mulher que nunca acreditou em usar maquilhagem, sempre assumi que iria envelhecer airosamente e sem me afligir com o facto. Mas esse plano, aparentemente tão infalível aos 20 anos de idade, não me parece tão sedutor agora aos 40, quando a gravidade começa a ganhar a guerra.

Felizmente, já não preciso de me submeter à faca para manter a minha aparência juvenil. Os progressos registados em técnicas não cirúrgicas criaram todo um leque de possibilidades para todos os que procuram uma aparência nova e melhorada, sem necessidade de recorrer à cirurgia plástica. Na verdade, a procura crescente por procedimentos de beleza menos agressivos e menos dispendiosos - desde o lifting facial por ondas de rádio até ao enchimento mamário biodegradável - está a redefinir a lucrativa indústria da cirurgia plástica. No Reino Unido, o número de procedimentos não cirúrgicos mais do que duplicou entre 2006 e 2007, representando mais de 80 por cento do número total de intervenções plásticas. Mesmo durante a recessão mundial, os procedimentos não cirúrgicos no Reino Unido aumentaram, embora mais modestamente, com as pessoas a procurarem a opção mais económica.

Não admira que a maioria destes procedimentos seja disponibilizada em spas de unidades hoteleiras. A Leading Hotels of the World, uma organização de alojamentos de luxo que representa mais de 450 hotéis, estâncias balneares e spas, tem o maior leque de alternativas numa variedade de países. O Hotel Carlsbad Plaza, na República Checa, oferece crioterapia, onde os hóspedes, principalmente locais, ficam durante vários minutos numa sala com temperatura abaixo do grau de congelação. O objectivo é estimular a produção de colagénio, a principal hormona responsável por uma pele sedosa, que existe em grande quantidade na juventude mas que diminui com a idade (carlsbadplaza.net). Os checos não se cansam dos banhos de neve carbónica, em que o corpo é envolvido num saco de plástico cheio de gás natural, reduzindo os inchaços e as reacções alérgicas e sarando cicatrizes. Nas Terme di Saturnia Spa & Golf Resort, em Maremma, Itália, os clientes podem experimentar a isoforese, uma alternativa à lipoaspiração que utiliza ultra-sons para obrigar vitaminas e extractos de plantas debaixo da pele a quebrar depósitos de gordura. Estes dissolvem-se na corrente sanguínea e são eliminados através dos intestinos e dos rins (termedisaturnia.it); a partir de 165 euros.

Gordura boa
Os meus pontos problemáticos - como os de muitas mulheres - são as ancas, a cintura e as coxas. Mas há um lugar onde a gordura é boa, aprendi eu no Pezula Hotel Resort & Spa, da África do Sul: o rosto. O tratamento fornecido aqui, chamado Derma Filler, é como um substituto da gordura, alisando as rugas em volta dos olhos, nariz e boca utilizando uma agulha para acrescentar ácido hialurónico, que levanta e alisa rugas e dobras. Os resultados de uma intervenção de 30 minutos duram no máximo três meses, altura em que o gel se dissolve e é excretado pelo organismo (pezula resorthotel.com). Mas o que fazer com outras partes do corpo resistentes ao exercício? Reparei no ginásio - não que fique a olhar - que as mulheres mais magras têm em geral os joelhos e as mãos mais enrugados. Os médicos do Chiva-Som International Health Resorts Niranlada Medi-Spa, da Tailândia, têm uma solução: o uso de lasers infra-vermelhos como o Titan e tratamentos com frequências de rádio como o Thermage para esticar e suavizar a pele flácida (chivasom.com).

Na terra da beleza, qualquer coisa que apresente resultados instantâneos tem primazia. Razão pela qual, na noite anterior ao dia em que me vou enfiar no meu vestido de casamento, irei procurar um tratamento de Ionitermia reafirmante e tonificante como o proposto pelo Jebel Ali Golf Resort & Spa, no Dubai. O processo envolve a colocação de uma máscara de argila e algas na área que necessita de ser esculpida. Depois é lançada uma corrente eléctrica através da máscara, comprimindo os músculos durante 30 minutos para que sejam libertadas toxinas e água. Consta que as medidas tiradas antes e depois mostram uma perda de 30 centímetros, principalmente em volume de água (jebelali-international.com).

A certa altura, dizem-me, os seios caem como sacos de areia, qualquer que seja o sutiã que use. Embora as mães que amamentam me tenham assustado, já tenho uma solução à minha espera na Harley Street, 98, Londres, e não envolve a colocação de implantes. A Private Clinic da Harley Street (www.theprivateclinic.co.uk) lançou um novo procedimento de aumento dos seios que utiliza uma agulha para injectar o gel Macrolane biodegradável nos seios. O novo enchimento dura entre 12 e 14 meses, antes de voltarem a ficar vazios. Mas vá-se lá saber que novos processos simpáticos não terão sido entretanto inventados?

* Exclusivo Expresso/ Newsweek

(Texto publicado na Revista Única da edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009)

quinta-feira, novembro 12, 2009

Actualidade As palavras que nunca te direi...em inglês « Actualidade « Página Inicial |


As palavras que nunca te direi...em inglês
Um site americano compilou as dez palavras estrangeiras que fazem falta à língua inglesa. A primeira é bem portuguesa: desenrascanço. Mais do que uma palavra, é toda uma cultura.
http://aeiou.expresso.pt/as-palavras-que-nunca-te-direiem-ingles=f546984
Nelson Marques (www.expresso.pt)
16:30 Quinta-feira, 12 de Nov de 2009

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"Dar uma de MacGyver". Quando pensam nessa arte de desencantar uma solução de última hora até para o problema mais previsível, os americanos lembram essa mítica personagem dos anos 1980/90, capaz de enfrentar o mundo com o seu canivete suíço.

Olhando para o dicionário, não encontram uma palavra que melhor defina essa habilidade de desafiar a preparação prévia. Mas se pudessem socorrer-se de outra língua, encontrála-iam no Português: desenrascanço. A capacidade de se desembaraçar, de se livrar de apuros. A arte da solução de último minuto. Mais que uma palavra, toda uma cultura.

Se os americanos pudessem escolher, o desenrascanço português seria a próxima palavra a entrar para o vocabulário da língua inglesa. Isso pelo menos a acreditar no site humorístico cracked.com , que compilou as "10 Palavras Estrangeiras Mais Fixes Que a Língua Inglesa Precisa".

A lista foi elaborada om base na leitura de algumas obras sobre as palavras mais intrigantes do planeta, incluindo "The Meaning of Tingo: And Other Extraordinaire Words From Around the World" ("O Significado de Tingo: E Outras Palavras Extraordinárias de Todo o Mundo", numa tradução literal), um livro inspirado talvez na excentricidade do nome do próprio autor: Adam Jacot de Boinod.






"Tingo", a palavra escolhida para o título, ocupa o 2.º lugar da lista do cracked.com. No idioma rapa nui da Ilha de Páscoa significa "pedir emprestados a um amigo todos os objectos que lhe cobiçamos até não lhe sobrar mais nenhum". Em português seria uma espécie de "dá-se-lhe uma mão, quer logo o braço". Um amigo da onça.

"Shlimazl" ou uma vida que dava um filme indiano
Outro hábito irritante é o de sermos interrompidos quando estamos a meio de uma refeição, seja pela empresa de sondagens que nos liga para o telemóvel, pelo vizinho que bate à porta para pedir algo emprestado ou pelo indiano que, no restaurante, insiste que compremos uma flor para a companhia de ocasião. Um hábito tão irritante merece uma palavra à altura e os escoceses não fizeram por menos: chamam-lhe "sgiomlaireachd" em gaélico escocês. Se os americanos não a conseguirem pronunciar (alguém conseguirá?) emprestamos-lhes o nosso "empata".

Claro que a maioria de nós, colocados perante uma destas situações, dificilmente verbalizaríamos essa palavra, fosse em português, inglês ou gaélico escocês. É o filtro do politicamente correcto. Os japoneses têm para isso duas palavras, "honne" e "tatemae", que representam a diferença entre aquilo em que realmente pensamos e aquilo que dizemos.

Lembram-se do famoso sketch dos Gato Fedorento em que o Sr. Aniceto, criado por Ricardo Araújo Pereira, conta um episódio da sua vida que dava um filme indiano? É a história de um homem que, após sair de casa de manhã, é raptado por quatro indivíduos encapuzados que o espancam numa mata, mais tarde violado por três lenhadores e depois por um urso, perde uma perna numa armadilha e, de regresso a casa, descobre que o "maricas" do filho se inscreveu nos escuteiros.

Uma sucessão épica de azares que a língua ídiche resume numa palavra: "shlimazl". Ocupa o 5.º lugar das palavras de língua estrangeira mais cobiçadas pelos americanos.




"Bakku-shan" ou a bela que afinal é um monstro
Esta sucessão épica de azares poderia incluir conhecer uma rapariga que, vista de costas, nos desperta todas as fantasias mas que, mal lhe conhecemos a cara, nos lembra um cruel pesadelo. Os japoneses chamam-lhe "Bakku-shan".

Claro que, mesmo nestes casos, aconselha a boa educação que não verbalizemos a nossa desilusão. Caso contrário, podemos ser acusados pelos coreanos de ter falta de "nunchi", ou seja, o sentido do socialmente correcto. Estaríamos então a meio caminho de nos tornar um "backpfeifengesicht", que na língua alemã significa alguém a precisar de levar um murro na cara.

Para quem recusa a violência, as palavras podem ser a melhor arma. Mas quantas vezes não tivemos a resposta pronta debaixo da língua para só nos lembramos dela quando o alvo já ia longe? Os franceses chamam a isso "espirit d'escalier".

Se acha que isso é mau, imagina estar perante alguém que o atrai e não ter coragem de lhe dizer? E imagine que do outro lado está alguém tímido e inseguro como você. Desejando-se mutuamente mas sem conseguirem arriscar. A isso se chama "mamihlapinatapai" na língua dos índios Yamana, da Terra do Fogo (Chile e Argentina).

A palavra é complexa e difícil de traduzir, mas é também, segundo o Livro de Recordes do Guiness, a palavra mais sucinta do mundo. Define "um olhar partilhado por duas pessoas em que ambas desejam que a outra inicie algo que ambos querem mas que nenhum quer começar". Falta-lhes...desenrascanço, é o que é.

os feios da europa

Internet

Russos, polacos e britânicos são os mais feios da Europa, segundo o site BeautifulPeople.com

http://www.publico.pt/Tecnologia/russos-polacos-e-britanicos-sao-os-mais-feios-da-europa-segundo-o-site-beautifulpeoplecom_1409555
12.11.2009 - 15:15 Por PÚBLICO

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Os homens russos, polacos e britânicos são considerados os mais feios, e os escandinavos e brasileiros os mais bonitos. A avaliação é feita pelo site de encontros online BeautifulPeople.com, que apenas permite que “pessoas bonitas” - passe a subjectividade da avaliação - se possam juntar à rede social. As estatísticas sobre os candidatos portugueses não foram disponibilizadas.DR


O site foi criado em 2002 na Dinamarca e passou a estar disponível em todo o mundo no mês passado
“Considera o aspecto uma coisa importante?”, “Quer ter a garantia que os seus acompanhantes serão sempre bonitos?”. O repto é lançado na homepage do site, que convida as pessoas a inscreverem-se e a encontrarem outras pessoas bonitas, localmente ou noutras paragens do Globo.

Quem decide quem fica e quem é expulso deste site de encontros considerado de elite são os membros já registados. Durante um período experimental de 48 horas, as fotografias e os perfis dos candidatos são votados pelo sexo oposto. As opções variam entre o “Sim, definitivamente”, “Hmm sim, ok”, “Hmmm não, não me parece” e “Não, definitivamente”.

Se a maioria das pessoas der o seu “sim”, os candidatos passam a fazer parte do sistema. Se, pelo contrário, a maioria dos membros não considerar que eles são “bonitos o suficiente”, os candidatos são vetados e não entram.

No contexto europeu, menos de um em cada oito homens britânicos e apenas três em cada 20 mulheres britânicas que já tentaram registar-se no BeautifulPeople.com foram aceites, indicou o site em comunicado.

Os homens suecos são os que obtêm maiores taxas de sucesso, com 86 por cento de taxa de aceitação; ao passo que as mulheres norueguesas são consideradas as mais bonitas, com uma taxa de aceitação de 76 por cento, indicou o site.

No contexto europeu, apenas os homens russos e polacos tiveram piores taxas de aceitação que os britânicos, apesar de as mulheres russas terem uma taxa de aceitação de 44 por cento.

O site foi criado em 2002 na Dinamarca e passou a estar disponível em todo o mundo no mês passado. Desde essa altura, o site já rejeitou quase dois milhões de pessoas de 190 países, tendo apenas admitido até agora 360 novos membros.

“Eu diria que os britânicos estão a ser rejeitados porque estão a desleixar-se na sua aparência e não praticam exercício físico”, indicou o director-executivo do site, Greg Hodge. “Comparados com os brasileiros e com os escandinavos, os britânicos simplesmente não são tão tonificados nem tão glamorosos”, acrescentou.

um dia vamos esquecer a hepatite

2010 quer ser o princípio do fim do vírus esquecido
Quarenta anos depois de ter descoberto a vacina contra o vírus da hepatite B, Baruch Blumberg lamenta que o investimento até hoje não tenha sido maior, mas deposita grandes esperanças no ano que vem. Lourenço e João contam como é viver com esta doença.
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/12-11-2009/2010-quer-ser-o-principio-do-fim-do-virus-esquecido-18202637.htm
Por Romana Borja-Santos


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Imagine que tem uma laranja esquecida no cesto da fruta lá de casa. Quando a compra, vem viçosa e brilhante. Mas os dias passam e a laranja, pouco a pouco, perde o brilho e fica seca. O cesto está num local pouco visível e ninguém repara. A laranja continua a envelhecer e a casca fica manchada. Depois mirra e, finalmente, ganha bolor. É nesta altura que um mosquito denuncia o fim da vida do fruto. Já não há nada a fazer. A laranja tem de ir para o lixo. A hepatite B é assim. Não avisa. Quando dá sintomas, é porque provavelmente é tarde de mais - um dos motivos para ser conhecida como uma "doença esquecida".

Baruch Blumberg, que recebeu em 1976 o Nobel da Medicina por nove anos antes ter identificado o vírus desta doença, não a esqueceu e faz um balanço - entre o desalento e a esperança - dos 40 anos da descoberta que realizou em 1969: a vacina contra o vírus da hepatite B (licenciada depois em 1981).

À margem do congresso anual da Associação Americana para o Estudo das Doenças do Fígado, que decorreu este mês em Boston, nos Estados Unidos, o investigador admitiu ao P2 que levou algum tempo para a vacina ser aceite e lamentou que, nas últimas décadas, tenha sido pouco o investimento na luta contra a hepatite B - por oposição a outras infecções, como a sida, que parecem afectar menos pessoas, lembra. Acredita, contudo, que em 2010, com várias campanhas, o vírus vai estar no centro das atenções e iniciar um percurso para desaparecer - é pelo menos esta a convicção do Nobel.

Para o próximo ano estão previstas várias iniciativas, a nível mundial, para dar a conhecer a doença, insistir na prevenção e garantir o tratamento aos portadores do vírus.

Algumas estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam para que em todo o mundo existam mais de 350 milhões de pessoas com hepatite B crónica (o HIV afecta 33 milhões), e muitas delas desconhecem que são portadoras do vírus B. As zonas mais afectadas são a China, Índia, África, Alasca, Amazónia e Europa de Leste, mas, com os movimentos migratórios, são cada vez mais os países com bolsas desta infecção, que pode provocar, numa primeira fase, inflamação do fígado e evoluir para fibrose, cirrose e cancro hepático.

Portugal é um dos países onde se regista uma baixa ou média prevalência de hepatite B - ou seja, 120 mil pessoas estão infectadas (o HIV atinge 20 mil a 30 mil).

Mesmo assim, e apesar das queixas quanto ao investimento, é com um sorriso que Baruch Blumberg admite que as contas feitas apontam para que a sua descoberta tenha salvado mais de 300 milhões de pessoas. E o mais curioso é que o investigador praticamente tropeçou no vírus. "Descobri-o sem procurar directamente", conta o Nobel, de 84 anos. Blumberg estudava o comportamento de várias populações perante algumas doenças, quando identificou no sangue de um aborígene australiano um antigénio que mais tarde mostrou fazer parte do vírus B. "A investigação baseada na curiosidade conduz a descobertas inesperadas", diz.

Este foi o primeiro passo. Mais tarde conseguiu produzir a vacina. "Mas a investigação leva tempo e é necessário acumular dados suficientes para que as pessoas aceitem que há um valor acrescentado." E explica: "Temos de nos convencer a nós próprios, de convencer os outros e de convencer os governos de que é realmente eficaz." E foram necessários 12 anos para que a vacina fosse licenciada. Ao fim de 28, a vacinação em massa ainda não é uma realidade e este continua a ser o principal sonho de Blumberg, visto que a doença não tem cura - apesar de algumas pessoas eliminarem sozinhas o vírus - e os rastreios ainda são poucos para a apanhar numa fase inicial.

É com orgulho que o investigador diz que esta foi também "a primeira vacina contra o cancro" e que, até ao momento, só existe mais uma, a do HPV, relacionado com o cancro do colo do útero. A vacina é dada em três doses e em Portugal faz parte do Plano Nacional de Vacinação para os jovens.

Dois casos silenciosos

Em geral a hepatite B só se manifesta numa fase avançada e já são necessários tratamentos com antivirais. Além da icterícia (tom amarelado da pele), urina escura e fezes claras, pode ter sintomas semelhantes aos de uma gripe: cansaço, febre, dor abdominal e nas articulações ou erupções cutâneas.

Lourenço tem 48 anos e é artista plástico. Só quer ser identificado pelo primeiro nome. João tem 57, trabalhou na área de gestão de crédito, e prefere um nome fictício. Nenhum deles foi salvo pela descoberta do Nobel. Entram nas estatísticas dos que descobriram a doença por acaso e que praticamente a desconheciam antes de saberem o veredicto.

Lourenço deu sangue pela primeira vez há 13 anos. Três anos depois foi dar de novo. "Soube que tinha hepatite B da forma mais cruel. Disseram-me que não podia dar sangue, porque na minha ficha constava que tinha a doença. E eu não sabia, nem nunca tinha tido nenhum indício." Já João comprou uma casa em 1998 e foram as análises que fez para o seguro que lhe revelaram a realidade: "Foi um estrondo. O que me revoltou é que nunca fui uma pessoa de comportamentos de risco e de repente vi-me confrontado com uma doença que para mim significava morte."

"Há uma ideia errada de que é uma doença de prostitutas, drogados e bêbedos", corrobora a presidente da Associação SOS Hepatites. Apesar de se tratar de um vírus transmissível sexualmente, Emília Rodrigues refere que muitos dos casos de infecção são o reflexo de objectos mal desinfectados, infecções em massa na tropa, partilha de lâminas de barbear ou de escovas de dentes. A hipótese de susceptibilidade genética nunca foi comprovada.

E é este preconceito social que leva Lourenço e João a preferirem resguardar-se. Um preconceito que quase levou o casamento de João a juntar-se às crescentes estatísticas de divórcios: "Levou muito tempo até a minha mulher acreditar que eu não tinha tido nenhum caso extraconjugal. Mas continuo sem saber como contraí a doença. Desde pequeno que tinha alguns problemas e até tive de tirar a vesícula. Na tropa tive um problema de icterícia, mas os episódios passaram e sem deixar lesões."

Lourenço suspeita de uma relação sexual desprotegida, mas adaptou-se bem à nova realidade, apesar de não ter dito nada à família e os amigos o terem aconselhado a contar apenas quando é necessário ou houver risco de contágio. "Tenho muita energia, como o que quero e não deixei de beber álcool."

Nenhum dos dois tem sintomas e, não fosse a ameaça do estigma social e o check-up anual a que se devem submeter, esqueceriam a doença. Por agora o vírus está como que adormecido e a sua carga é tão baixa que não justifica qualquer medicação. Devem apenas ter hábitos de vida saudáveis. Mas nem sempre é assim: uma em cada 12 pessoas no mundo tem hepatite B e uma em cada quatro vai morrer com cancro do fígado induzido pelo vírus. Aliás, só o tabaco ganha à hepatite como causa deste cancro.

Para Emília Rodrigues, um dos problemas é os médicos de família raramente fazerem testes de despistagem; além disso, quando se deparam com a doença, nem sempre reencaminham os doentes para especialistas.

Hugo Cheinquer, da Divisão de Gastrenterologia e Hepatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, presente também em Boston, aconselha as pessoas a pedirem ao seu médico "para fazer análise às transaminases [uma enzima do fígado]". "[Muitas ficam] com a falsa impressão de que esta não é uma doença assim tão mortal e acabam por nos chegar às mãos quando a solução é apenas um transplante de fígado."

"Temo-nos movido muito devagar e podíamos ter salvado muitas vidas, se as pessoas tivessem sido vacinadas. É uma doença esquecida. Por termos uma vacina não está tudo feito", acrescenta Samuel So, da Universidade de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos, outro dos participantes no encontro. Defende ainda que é preciso educar a classe médica, pois "40 por cento dos médicos em São Francisco, por exemplo, pensam que há cura para a hepatite B e outros tantos acham que não há nada a fazer". Mas o médico é optimista e também ele acredita que 2010 será "o princípio do fim" do vírus: "Um dia vamos dizer que a hepatite está morta."


A jornalista viajou a convite da farmacêutica Bristol-Myers Squibb

Japão
Óculos para ler em japonês frases em inglês e vice-versa
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1417254&seccao=Tecnologia
por LusaOntem

Investigadores japoneses conceberam um sistema visual e sonoro de tradução instantânea inglês-japonês, e vice-versa, baseado num pequeno estojo portátil associado a óculos que permitem ler numa língua o que alguém diz na outra.

Com este protótipo, desenvolvido pelo grupo de electrónica e sistemas informáticos NEC, é possível conversar na língua materna com um interlocutor estrangeiro, nomeadamente em situações excepcionais que exigem compreensão mútua imediata, como consultas médicas ou diligências administrativas.

"Estamos a trabalhar há uma dezena de anos em ferramentas de tradução automática simultânea", afirmou Kotaro Nagahama, responsável do acompanhamento do desenvolvimento de produtos do NEC.

A ambição do grupo de produzir intérpretes electrónicos remonta a 1977, quando o então presidente, Koji Kobayashi, lançou o conceito "fusão do computador e da comunicação".

Nessa altura, previu que no princípio do século XXI seria possível "falar com qualquer pessoa, em qualquer momento e em qualquer lado, através do olhar", mesmo à distância.

A principal dificuldade residia no facto de um sistema automático de reconhecimento vocal e tradução instantânea dever poder ser usado por qualquer pessoa, sem aprendizagem prévia, e integrar um vocabulário muito variado.

Na prática, seria mais fácil criar um dispositivo que aprendesse a reconhecer a voz e a entoação de uma única pessoa ou, no caso se destinar a várias, reduzir o dicionário a algumas dezenas ou centenas de palavras-chave.

O NEC começou por conceber um software de locuções múltiplas para funcionar num computador, mas acabou por conseguir alojá-lo num assistente digital pessoal, uma etapa que exigiu o desenvolvimento de chips com maior desempenho e a compressão de dicionários e outros ficheiros de dados necessários.

Quanto aos óculos - imaginados em 2005 pela companhia Brother para uma demonstração na Exposição Universal de Aichi, no centro do Japão - permitem uma utilização mais natural do sistema enquanto se continua a olhar o interlocutor.

Assemelham-se a armações tradicionais, mas uma das hastes está equipada com um pequeno projector alimentado em conteúdo pelo assistente digital.

Com eles, o utilizador vê num lado sobrepor-se à visão real um rectângulo onde aparece a tradução.

O mesmo grupo desenvolveu uma ferramenta chamada "Tele Scouteur" que permite a um trabalhador de uma linha de montagem fabricar um aparelho lendo ao mesmo tempo as instruções, sem necessidade de virar a cabeça para as ler no ecrã de um computador.

Estes óculos, facilmente adaptáveis a um telemóvel, poderão ter aplicações múltiplas no domínio da chamada "realidade aumentada": informações escritas sobreponíveis a cenas observadas.

Graças a este dispositivo, um turista poderá por exemplo saber da existência de um restaurante de sushi no último andar de determinado edifício de Tóquio, mesmo sem conseguir vê-lo da rua nem ser capaz de ler as indicações em japonês.


Japão: Óculos para ler em japonês frases ditas em inglês e vice-versa

Tóquio, 11 Nov (Lusa) - Investigadores japoneses conceberam um sistema visual e sonoro de tradução instantânea inglês-japonês, e vice-versa, baseado num pequeno estojo portátil associado a óculos que permitem ler numa língua o que alguém diz na outra.

Com este protótipo, desenvolvido pelo grupo de electrónica e sistemas informáticos NEC, é possível conversar na língua materna com um interlocutor estrangeiro, nomeadamente em situações excepcionais que exigem compreensão mútua imediata, como consultas médicas ou diligências administrativas.

"Estamos a trabalhar há uma dezena de anos em ferramentas de tradução automática simultânea", afirmou Kotaro Nagahama, responsável do acompanhamento do desenvolvimento de produtos do NEC.

A ambição do grupo de produzir intérpretes electrónicos remonta a 1977, quando o então presidente, Koji Kobayashi, lançou o conceito "fusão do computador e da comunicação".

Nessa altura, previu que no princípio do século XXI seria possível "falar com qualquer pessoa, em qualquer momento e em qualquer lado, através do olhar", mesmo à distância.

A principal dificuldade residia no facto de um sistema automático de reconhecimento vocal e tradução instantânea dever poder ser usado por qualquer pessoa, sem aprendizagem prévia, e integrar um vocabulário muito variado.

Na prática, seria mais fácil criar um dispositivo que aprendesse a reconhecer a voz e a entoação de uma única pessoa ou, no caso se destinar a várias, reduzir o dicionário a algumas dezenas ou centenas de palavras-chave.

O NEC começou por conceber um software de locuções múltiplas para funcionar num computador, mas acabou por conseguir alojá-lo num assistente digital pessoal, uma etapa que exigiu o desenvolvimento de chips com maior desempenho e a compressão de dicionários e outros ficheiros de dados necessários.

Quanto aos óculos - imaginados em 2005 pela companhia Brother para uma demonstração na Exposição Universal de Aichi, no centro do Japão - permitem uma utilização mais natural do sistema enquanto se continua a olhar o interlocutor.

Assemelham-se a armações tradicionais, mas uma das hastes está equipada com um pequeno projector alimentado em conteúdo pelo assistente digital.

Com eles, o utilizador vê num lado sobrepor-se à visão real um rectângulo onde aparece a tradução.

O mesmo grupo desenvolveu uma ferramenta chamada "Tele Scouteur" que permite a um trabalhador de uma linha de montagem fabricar um aparelho lendo ao mesmo tempo as instruções, sem necessidade de virar a cabeça para as ler no ecrã de um computador.

Estes óculos, facilmente adaptáveis a um telemóvel, poderão ter aplicações múltiplas no domínio da chamada "realidade aumentada": informações escritas sobreponíveis a cenas observadas.

Graças a este dispositivo, um turista poderá por exemplo saber da existência de um restaurante de sushi no último andar de determinado edifício de Tóquio, mesmo sem conseguir vê-lo da rua nem ser capaz de ler as indicações em japonês.


Tags: Ciência, tecnologia

vida extra-terrestre

Vaticano: Vida extra-terrestre não contradiz a fé cristã
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/12-11-2009/vaticano-vida-extraterrestre-nao-contradiz--a-fe-crista-18203891.htm
Por António Marujo



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A eventual existência de vida extraterrestre não contradiz em nada a fé cristã, diz o padre jesuíta argentino José Gabriel Funes, director do Observatório Astronómico do Vaticano, na sequência de um seminário promovido pela Santa Sé sobre a existência de vida fora da Terra.

"Não podemos colocar limites à liberdade criativa de Deus", acrescentou Funes, 46 anos, citado pelo Catholic News. A haver extraterrestres, eles deverão ser considerados "irmãos extraterrestres". Mas será difícil confirmar a existência de vida em outros lugares, mesmo sob outras formas, disse o director do Observatório Astronómico.

Num seminário sobre astrobiologia, que se realizou de sexta até terça-feira, foram debatidas as "implicações filosóficas e teológicas" da eventual existência de vida fora da Terra. "Mesmo que não se encontre vida, estas pesquisas ensinam-nos muitas coisas importantes e úteis sobre o nosso mundo", afirmou José Funes, citado pela AFP.

O seminário, organizado pela Academia Pontifícia das Ciências, reuniu três dezenas de participantes, entre astrónomos, biólogos, físicos, geólogos e químicos. "Peritos" em cada uma das áreas, aos quais "não foi pedida a certidão de baptismo", disse ainda Funes.

Durante os trabalhos, Chris Impey, astrónomo da Universidade do Arizona (Estados Unidos), manifestou-se convencido de que "daqui a alguns anos - cinco, dez ou até a duração de uma vida humana - encontraremos formas de vida algures no universo, seja no sistema solar ou para lá dele".

Impey argumentou que o primeiro planeta fora do sistema solar foi descoberto apenas em 1995 e neste momento já se conhecem mais de 400. Mas o padre Funes mostra-se "mais céptico" sobre essa possibilidade.

Em Março de 2008, em entrevista ao PÚBLICO, o padre dominicano francês Jacques Arnould, que trabalha no Centro de Estudos Espaciais, dizia também que já no século XIII se debatia em Paris se podia haver outros mundos.

"A resposta foi: não é a nós que compete restringir a capacidade criadora de Deus. Se ele queria criar outros mundos habitados, outros seres, quem o pode impedir?", explicou Arnould.

Detidos à margem da lei nas "prisões negras" da China
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/12-11-2009/detidos-a-margem-da-lei-nas-prisoes-negras-da-china-18203774.htm
Por Francisca Gorjão Henriques



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Não são assassinos, não infringem a lei. No entanto, as autoridades não os querem na rua. Os peticionários chineses cumprem uma tradição milenar de sair das suas terras para procurar justiça em Pequim, ou noutras grandes cidades. O que encontram está mais perto do inferno, segundo a descrição de um relatório que hoje é publicado pela Human Rights Watch.

Chamam-lhe as "prisões negras". Não são as tradicionais cadeias, com polícias à porta, mas geralmente, hotéis estatais, lares ou hospitais psiquiátricos. Sequestram as pessoas na rua, colocam-nas em carros, e fecham-nas durante dias ou meses. Uma vez detidas, são espancadas, violadas, ameaçadas, roubadas.

"Todos os dias, só me deixavam dormir três horas e acordavam-me a qualquer momento para que eu não pudesse fugir. Eu estava sempre com fome, mas não conseguia comida suficiente. A segunda vez que fui detido, por 37 dias, perdi 20 quilos." A Human Rights Watch (HRW) fez esta entrevista a um antigo detido, mas, como nos outros casos, deixou secreta a sua identificação. Nada garante que este ex-preso, como todos os outros, não volte a estar na mira dos guardas.

"Sabemos há algum tempo, pelo menos desde 2003, que a China tem uma história desonrosa de prisões à margem da lei", comentou por telefone ao PÚBLICO a investigadora da HRW Sophie Richardson, a partir de Hong Kong.

É impossível saber quantos estão presos, porque oficialmente não foram detidos. Tudo se passa à margem do sistema judicial, tão à margem que as autoridades governamentais negam que essa realidade exista. "O Governo chinês repudiou publicamente um sistema que permitia à polícia deter migrantes sem qualquer base legal", continua Sophie Richardson, mas sabe e fecha os olhos às "prisões negras".

No relatório de 53 páginas, intitulado "Via para o Inferno", a HRW explica que os detidos são peticionários, a maioria proveniente das zonas rurais, que vão para Pequim ou outras capitais de província à procura de resposta das autoridades aos abusos de que se sentem alvo - desde confiscação de terras, à corrupção governamental. Os responsáveis locais procuram com as "prisões negras" impedir que as suas queixas se façam ouvir, para que não tenham de responder às sanções burocráticas que são impostas quando existe um grande número de petições.

"A grande maioria dos detidos são peticionários, mas também não excluímos a hipótese de que possa haver pessoas que não agradam ao Governo", como dissidentes políticos, adianta Richardson. Da mesma forma, os casos estudados foram de pessoas presas durante dias ou meses, mas isso não quer dizer que alguns passem anos detidos nas "prisões negras".

"Fizemos 40 entrevistas, todos tinham sido detidos sem que lhes dissessem quanto tempo iam estar presos, e todos sem saberem qual era a acusação. Alguns foram sequestrados na rua", continua a investigadora.

Há informações de que entre os detidos há menores de 18 anos, incluindo uma rapariga de 15 que foi raptada em Pequim, onde se preparava para apresentar uma petição por causa do pai, que fora fechado num lar da província de Gansu durante mais de dois meses, onde foi espancado.

cerca de cem milhões de brasileiros

Apagão deixou cerca de cem milhões de brasileiros às escuras
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/12-11-2009/apagao-deixou-cerca-de-cem--milhoes-de-brasileiros-as-escuras-18203696.htm
Por Maria João Guimarães

Problema em três linhas de distribuição da central hidroeléctrica de Itaipu causa falha de energia que afectou meio Brasil e também o Paraguai

Itaipu

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Uma falha na rede distribuidora terá sido a causa do apagão que anteontem afectou o Brasil e o Paraguai, deixando mais de metade dos 190 milhões de brasileiros sem electricidade durante pelo menos duas horas. O incidente prejudica a imagem do Rio de Janeiro, que se prepara para receber o campeonato do mundo de futebol em 2014 e as olimpíadas em 2016, e deixa a Administração do Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, preocupada em afastar comparações com o período dos apagões de 2001.

No Paraguai todo o país foi afectado, mas o apagão não durou mais de 20 minutos.

O Brasil foi o mais afectado pelo "blecaute", com cerca de 18 dos 26 estados com falhas no fornecimento de electricidade. Eram cerca de 22h20 locais, quando as luzes se apagaram em várias cidades brasileiras, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo.

O resultado foi o caos no trânsito, com carros e autocarros a buzinarem nos cruzamentos escuros, alguns acidentes, pessoas presas em elevadores e no metro - acabaram por sair das carruagens e andar pela linha até à estação mais próxima - bares e restaurantes com pessoas a beber, à luz de velas, cerveja que aquecia rapidamente e uma série de roubos e arrastões, especialmente na zona perto do estádio do Maracanã, no Rio. A polícia militar foi enviada para as ruas para tentar impedir crimes oportunistas.

Duas horas depois, as luzes reacenderam-se. Na praia de Ipanema uma pequena multidão aplaudiu. Cinco horas depois do início do apagão, a situação era considerada resolvida, e começou a procurar-se a causa.

O que falhou?

Os media brasileiros interrogavam-se sobre as razões da falha. Sabe-se que o problema terá estado em três linhas de transmissão da central de Itaipu, e não na própria central hidroeléctrica. Mas a causa exacta das falhas nas linhas não era ainda conhecida.

Como o sistema brasileiro é interligado, ter-se-á registado um efeito dominó - quando há algum problema na rede é difícil isolá-lo, dizem especialistas citados pela Folha de São Paulo.

O Governo de Lula tentou evitar ao máximo comparações com a crise energética de 2001 que forçou as autoridades a introduzirem o racionamento de energia eléctrica (havia então um Ministério do Apagão).

"Não tivemos falta de geração de energia. Tivemos um problema na linha de transmissão", sublinhou Lula. Questionado sobre uma possível falta de investimento no sistema - que já estava a servir para ataques da oposição -, Lula respondeu que em sete anos o Governo investiu em linhas de transmissão "o equivalente a 30 por cento de tudo que foi feito em 123 anos".

O assunto é mais sensível politicamente para o PT de Lula: a "presidenciável" Dilma Roussef foi responsável pelo esquema de segurança do sistema eléctrico, enquanto foi ministra das Minas e Energia, lembra Josias de Souza no seu blogue no jornal O Globo.

a capacidade de falar

Amanhã na Nature

A origem da nossa capacidade de falar poderá residir num único gene

http://www.publico.pt/Ciências/a-origem-da-nossa-capacidade-de-falar-podera-residir-num-unico-gene_1409416

11.11.2009 - 18:49 Por Ana Gerschenfeld

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Geneticamente, somos muito parecidos com os chimpanzés. Mas há pelo menos uma coisa que nos distingue radicalmente desses nossos “primos”: nós falamos e eles não. Como é que essa profunda transformação surgiu ao longo da evolução?Manuel Roberto


Os efeitos distintos de um gene nos macacos e nos humanos pode explicar a razão de nós falarmos e eles não
Pouco se sabe ainda sobre os mecanismos biológicos da emergência da fala. Mas resultados publicados na edição de amanhã da revista Nature por Dan Geschwind, da Universidade da Califórnia, e colegas, sugerem que ela se deverá, em parte, à evolução de um único gene. Mais precisamente: o desenvolvimento da capacidade de falar nos seres humanos modernos, concluem os cientistas, terá começado com umas alterações num gene chamado FOXP2, surgidas depois de o nosso ramo evolutivo se ter separado do dos outros primatas.

Essas alterações no FOXP2, por sua vez, provocaram duas mudanças na proteína fabricada pelo gene, que terão desencadeado uma série de acontecimentos celulares no cérebro humano e levado ao desenvolvimento da fala. “O nosso estudo é o primeiro a analisar o efeito nas células humanas destas [alterações] na proteína FOXP2” diz Geschwind num comunicado.

Já se sabia que o FOXP2 estava envolvido nas capacidades linguísticas, porque no ser humano as mutações neste gene provocam perturbações da fala e da linguagem. Agora, os cientistas compararam o efeito das duas versões do gene – a “ancestral”, dos chimpanzés, e a humana actual – em células humanas e em tecidos humanos e de chimpanzé. E descobriram que os efeitos de cada versão do gene são diferentes: a proteína FOXP2 humana, cuja função é activar certos genes cerebrais e desactivar outros, não apresenta o mesmo padrão de activação que a proteína dos chimpanzés. “Descobrimos que um número significativo dos genes-alvo [da proteína FOXP2] têm uma expressão diferente nos cérebros humano e de chimpanzé”, diz Geschwind. “Não só as [duas versões] do [gene] FOXP2 são diferentes, como também funcionam de forma diferente. Os nossos resultados poderão permitir perceber por que os humanos nascem com os circuitos cerebrais necessários à fala e à linguagem, mas não os chimpanzés”, salienta.

“Graças à identificação dos genes influenciados pelo FOXP2”, diz Genevieve Konopka, co-autora, “temos um novo conjunto de ferramentas para estudar como a linguagem humana é regulada ao nível molecular.” O que poderá permitir, segundo o mesmo documento, perceber as perturbações da fala associadas ao autismo ou a esquizofrenia – e talvez, um dia, encontrar formas de as atenuar.

Os pecados do pai de Juan Pablo Escobar
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/12-11-2009/os-pecados-do-paide-juan-pablo-escobar-18202581.htmPor Isabel Gorjão Santos

O realizador argentino Nicolás Entel teve uma ideia que ainda hoje considera "uma loucura", mas não desistiu. Pôs o filho de Pablo Escobar a falar com filhos de homens que Escobar mandou matar. Pecados de Mi Padre estreia hoje na Argentina e não é só um documentário


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É o encontro com ontem, um carregar na ferida para ver quanto dói. O filho do narcotraficante colombiano Pablo Escobar encontrou-se com os filhos de homens que o pai mandou matar. "Senti dez vezes mais medo do que quando vivia escoltado pelos homens do cartel de Medellín." O encontro foi filmado pelo realizador Nicolás Entel e o documentário estreia hoje no festival argentino de Mar del Plata. Chama-se Pecados de Mi Padre porque é disso que se trata: um filho a pedir desculpa em nome do pai.

Juan Pablo Escobar tinha 14 anos quando desafiou o pai pela primeira vez, ao perguntar se era verdade o que ouvia na televisão, se ele era responsável por aquelas mortes. Pablo Escobar passou então a chamar-lhe "o meu filho pacifista".

Aquele que foi um dos maiores narcotraficantes da história era o homem que, à noite, cantava ao filho as canções do simpático rato Topo Gigio, lia contos e mostrava as cores das flores. Ou usava o dinheiro do narcotráfico, muito dinheiro, para montar um jardim zoológico privado com mais de 3500 hectares e 200 espécies exóticas escolhidas da National Geographic. "Sentia que tinha o privilégio de viver na Disneylândia e desfrutei como uma criança de toda essa magia, que não sabia como tinha sido construída. Desfrutei com muita inocência", disse à Reuters Juan Pablo Escobar.

Era com este filho que Pablo Escobar estava ao telefone naquele dia 2 de Dezembro de 1993. Demorou tempo de mais, a polícia colombiana interceptou a chamada e conseguiu localizar aquele que era um dos homens mais procurados do mundo. Minutos depois, Pablo Escobar foi morto no telhado de uma vivenda em Medellín, deixando ao filho uma herança difícil de assumir. Seguiram-se anos de fuga na Argentina, em que Juan Pablo Escobar mudou de nome para Juan Sebastián Santos Marroquín. "Agora é esse o meu verdadeiro nome. Até a minha mulher me chama Sebastián."

Avancemos alguns anos até ao momento em que Sebastíán, agora um arquitecto de 32 anos, resolve deixar o quase anonimato naquela que terá sido uma das decisões mais difíceis da sua vida. O realizador argentino Nicolás Entel estava a tentar convencê-lo havia seis meses e tinha uma ideia: fazer um documentário em que pusesse o filho de Pablo Escobar a conversar com os filhos de dois homens que o chefe do cartel de Medellín mandara matar, os filhos do ex-candidato à Presidência da Colômbia Luís Carlos Galán, assassinado em 1989, e o filho do ex-ministro da Justiça Rodrigo Lara Bonilla, assassinado em 1984.

Primeiro teve muitas dúvidas. "Como é que se escreve aos filhos das famílias que o nosso pai magoou tanto?" ou "como é que se começa esta conversa"? Mais tarde decidiu-se. Já tinha recusado cerca de 50 propostas para fazer um documentário sobre o pai, até que aceitou o convite de Nicolás Entel para um filme sobre o ponto de vista dos filhos.

Foi assim que nasceu Pecados de Mi Padre, que hoje estreia no festival argentino mas que a 21 de Novembro será exibido no Festival de Amesterdão e depois chegará ao país que melhor saberá entendê-lo. Estreia na Colômbia a 10 de Dezembro. "Vai abrir um debate sobre a reconciliação, o perdão e o diálogo", diz Sebastián Marroquín.

A carta aos filhos de Galán e Lara acabou por ser escrita. "E o pedido de perdão que trago não é exclusivo para estas famílias, mas é para todas as famílias colombianas que sofreram com a violência causada pelo narcotráfico e concretamente com a violência causada pelo meu pai", disse à Reuters Sebastián Marroquín.

Os destinatários não esperavam tal correspondência. "Foi corajosa e apanhou-nos completamente de surpresa" adiantou ao Guardian Juan Galán, hoje senador na Colômbia. Um dos seus irmãos, que também esteve no encontro com Marroquín, admitiu que não foi fácil estar diante do filho do homem que mandou matar o seu pai, mas disse-lhe: "Somos todos vítimas do narcotráfico. E não temos nada a perdoar-lhe, porque você não é Pablo Escobar".

Libertar rancor

Depois de receber a carta, em 2008, o filho de Rodrigo Lara, que tem o mesmo nome, decidiu viajar até Buenos Aires para se encontrar com Sebastián Marroquín. Só alguns meses mais tarde os dois se encontraram com o filho de Galán, já na Colômbia. E é Claudio Galán quem hoje diz que esse encontro foi importante. "Ajudou-nos a libertar sentimentos de rancor, em grande parte devido à atitude de Sebástian de reconhecer a responsabilidade do seu pai no assassínio do meu."

Sebastián Marroquín tinha deixado a Colômbia em 1994 e prometera nunca mais voltar. Para trás ficava a "Disneylândia" e muitos maus momentos, como aquele em que esteve escondido numa casa em Medellín com dois milhões de dólares em notas mas sem nada para comer. Ou o dia, a seguir ao assassínio de Lara, em que acabou por acordar no Panamá e passou a visitar o pai de olhos vendados, para não reconhecer o local onde estava escondido. Ou ainda a última lembrança da Colômbia e do pai: estar sentado em cima de um carro blindado, durante o funeral.

A promessa de não voltar à Colômbia foi quebrada por causa de Pecados de Mi Padre, mas não sem muita insistência de Nicolás Entel. Para trás ficavam cinco anos de trabalho, muita persuasão, cerca de 100 viagens. Mas mesmo depois disso o realizador deixa o mérito do documentário para os protagonistas. "A responsabilidade por este encontro não é minha, é deles." Confessa já que, na altura, achou que aquela ideia era "uma loucura".

O documentário também pretende ser "um retrato íntimo" do chefe do cartel de Medellín, um resumo da vida de Pablo Escobar "que é muito diferente de outros documentários sobre ele". Também não foi a primeira vez que Entel se dedicou à questão do narcotráfico, porque antes já tinha feito um documentário com o filho de um narcotraficante do Equador - o mais perto que conseguiu chegar do que realmente queria fazer na Colômbia.

Hoje Sebastián Marroquín recorda os dias em que confrontava o pai com as notícias da televisão e era chamado "filho pacifista". Mas assume que não havia muita coisa que pudesse fazer. "Ninguém podia parar o meu pai", disse ao Guardian. "Nem toda a Colômbia, juntamente com a ajuda da CIA. O que é que o filho de Pablo Escobar podia fazer?"

Com o fornecimento de cocaína aos Estados Unidos, Pablo Escobar fez uma fortuna de milhões e milhões de dólares, mas para que nada se intrometesse nesse caminho ordenou o assassínio de centenas de pessoas. Segundo a revista Forbes, a fortuna do chefe do narcotráfico na Colômbia chegou a atingir os 3000 milhões de dólares, mas o dinheiro do cartel de Escobar "está agora nas mãos do Estado colombiano, todas as propriedades estão confiscadas", diz o filho.

Em Novembro de 1999 a vida de Sebastián Marroquín, da sua mulher e da mãe sofreu uma reviravolta. Viviam na Argentina e foram acusados de lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Esteve preso 45 dias, e a mãe 18 meses. "Metade da nossa vida na Argentina foi passada a responder onde está o dinheiro", recorda.

A Colômbia poderá receber Pecados de Mi Padre de muitas formas, mas nunca com indiferença. "Como membros da família Escobar, temos de aceitar a responsabilidade pelo que aconteceu e pedir perdão por tudo o que a Colômbia sofreu com os crimes do meu pai", disse Marroquín à Reuters.

Quase 16 anos após a morte do mais famoso barão da droga, a Colômbia continua a ser o maior fornecedor de cocaína do mundo. "Houve uma altura em que preservar a minha vida deixou de ser mais importante do que combater algo maior", explica Marroquín. "Posso até ser um sonhador, mas fiz isto com essa convicção." E com um objectivo: "Quis fazer algo positivo para ajudar a sociedade colombiana. Quis mostrar os erros de estar envolvido no tráfico de drogas."

terça-feira, novembro 10, 2009

Berlim

Os semáforos são a vingança do Leste
http://www.publico.pt/Mundo/os-semaforos-sao-a-vinganca-do-leste_1409105

09.11.2009 - 14:43 Por Maria João Guimarães

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O pequeno homem do chapéu que orienta os peões em Berlim é agora a lembrança mais procurada pelos turistas. Quem vai a Berlim traz uma T-shirt, uma caneca, um íman de frigorífico ou o que quer que seja, não com o símbolo oficial da cidade, o urso, mas com o bonequinho dos semáforos.Rui Gaudêncio


A primeira loja abriu em 2004, com todo o tipo de objectos com o boneco da ex-RDA
Muitas pessoas não saberão, no entanto, a história por trás desta figura simpática: o homem dos semáforos (Ampelmann) é uma rara reminiscência da Alemanha de Leste. E, ironicamente, está a transformar-se no símbolo da capital alemã e no seu objecto de merchandising por excelência.

Quando a República Democrática da Alemanha acabou e foi integrada na Alemanha ocidental, a maioria do que era típico do Leste desapareceu. Muitas coisas eram símbolos com carga política, outras eram obsoletas em relação ao que havia no Ocidente, e outras ainda foram simplesmente levadas na voragem da necessidade de tornar o país igual. Hoje restam duas coisas: o homem dos semáforos e o champanhe Rotkäppchen (Capuchinho Vermelho).

A ideia de uniformizar os semáforos surgiu em meados dos anos 1990, quando se programou a substituição de todos os sinais para os peões por uma figura semelhante à do lado ocidental. Enquanto os homens dos semáforos iam sendo retirados, surgiu um movimento a favor da sua conservação, que acabou por juntar alemães de Leste e Oeste num "comité para a preservação do Ampelmann" em 1995.

Os membros do comité esgrimiam argumentos como a maior visibilidade do boneco criado em 1961 por um psicólogo de trânsito da RDA, Karl Peglau. O Ampelmann ocupa uma superfície de luz e cor muito maior do que o seu congénere ocidental, e parece ser mais facilmente reconhecível pelas crianças.

Um designer, Markus Heckhausen, começou entretanto a aproveitar os Ampelmänner retirados e criou a marca registada Ampelmann, o que também teve grande eco mediático.

O peso dos protestos levou a que as autoridades repensassem a decisão e o pequeno homem do semáforo acabou por regressar aos cruzamentos de Berlim em 1997 - não só na parte oriental como em várias zonas de Berlim ocidental.

Pouco a pouco, começaram a surgir objectos com o homem dos semáforos. Primeiro canecas, depois T-shirts e porta-chaves, em algumas pequenas lojas dedicadas à Ostalgie, a nostalgia do Leste. Mas o Ampelmann começou a ganhar estatuto próprio e, enquanto algumas dessas lojas abriam e fechavam, começaram a surgir as lojas da marca registada Ampelmann. A primeira abriu em 2004, na Potsdamer Platz.

Actualmente, há quatro grandes lojas em zonas turísticas, do Gendarmenmarkt à Oranienburger Strasse.

É difícil enumerar tudo o que existe nestas lojas: toalhas, sabonetes, esponjas, passando por alimentos como gomas ou massa em forma de Ampelmann, jarras para flores, candeeiros, ou cadeiras de praia com o estampado do boneco verde ou vermelho: mais de 50 artigos Ampelmann, segundo o site. Há ainda um grande restaurante e uma esplanada Ampelmann.

O pequeno homem dos semáforos que tinha sido condenado ao desaparecimento escapou assim ao seu destino traçado, voltando e em força: o antigo símbolo da Berlim comunista não só tomou conta das ruas do Oeste como é agora o protagonista de um lucrativo negócio do merchandising turístico.