"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, junho 25, 2008

Descoberta de uma inscrição em obra-prima de Goya leva Museu do Prado a fazer estudo sobre autoria do quadro
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080625%26page%3D4%26c%3DC
25.06.2008, Nuno Ribeiro, Madrid


Sempre houve dúvidas sobre a autoria de O Colosso, mas agora a releitura de uma inscrição no quadro levou o museu madrileno a lançar uma investigação


A O Museu do Prado, em Madrid, decidiu proceder a um estudo sobre a autoria do Colosso, quadro atribuído a Goya, depois de José Luís Díez, chefe de conservação de pintura do século XIX do museu, ter descoberto uma nova inscrição no canto inferior esquerdo da tela. Com esta descoberta, levantam-se dúvidas sobre a autoria da pintura.
Foi o próprio Luís Díez que fez esta revelação, no decorrer de um encontro de peritos mundiais sobre a obra de Francisco Goya. Segundo Díez, a ampliação de uma foto de um ângulo preciso do Colosso possibilitou ver uma inscrição diferente da referida pelo historiador britânico Nigel Glendinning, que atribuiu a autoria do quadro a Goya.
A inscrição que Glendinning interpretou como "XVIII", e que corresponderia a um quadro titulado Um Gigante no inventário-guia de 1812, seria, afinal, outra. Nada teria a ver com tal inventário, que levou o quadro a ser atribuído a Goya, mas com as iniciais A.J.

O ajudante Juliá
A forma destas iniciais tem semelhanças com inscrições idênticas encontradas em quadros de Asensio Juliá, um dos mais directos colaboradores de Francisco Goya.
Em 1798, Goya recebeu a encomenda de decorar a ermida de Santo António de Florida, de Madrid. A surdez do pintor e a sua saúde muito instável levaram Goya a contratar um ajudante: Juliá, conhecido como El Pescadoret, porventura por ser filho de pescadores valencianos.
Trabalharam juntos nos frescos do templo e o autor dos Caprichos inclusivamente pintou até um retrato de Asensio Juliá.
A tese que atribui a autoria do quadro a Juliá - de que aliás discorda Nigel Glendinning - levou a que no encontro científico os peritos reclamassem prudência e sublinhassem a necessidade de se fazer um estudo mais aprofundado.
Recorda-se que O Colosso é um dos quadros emblemáticos de Francisco Goya e uma das obras-chave na produção do pintor. No entanto, Manuela Mela, chefe de conservação das obras de Francisco Goya no Museu do Prado, não deixou de recordar as dúvidas que sempre existiram sobre a autoria deste quadro.
Razão pela qual o museu espanhol decidiu avançar com os estudos necessários para esclarecer qual será o verdadeiro autor da obra. Os resultados serão publicados dentro de meses, no Boletim do Prado. Segundo o PÚBLICO apurou, a direcção do museu madrileno admite haver probabilidades reais de o quadro ser de Asensio Juliá.
Lor aut nostrud dolummo estis nonsequismod et, quamet ad .
Dui te tem auguerit augueros niat ing exero dolorerit incin utat in heniamconsed magna feum estionum nulputatie ming essenibh er sisi.
Lorem ipsustin ulputat. Duis nonullan volor sit loreet, conum venim zzriusci tie commolut la aliquat, sit ametue volobor ercil del iriure diam, venim quisit, sustio od dolobor riure.Lor suscidunt venis aut wis e

O público e uma garrafa com barco dentro ocupam quarto plinto de Trafalgar Square
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080625%26page%3D4%26c%3DC
25.06.2008, Maria José Oliveira


A partir do Outono, qualquer pessoa poderá subir à coluna e ali ficar durante uma hora



Antony Gormley, o artista britânico que em 1994 ganhou o prestigiado Prémio Turner, chegou ao coração de Londres, e vai instalar-e em Trafalgar Square. Gormley (Londres, 1950) foi um dos dois criadores (o outro é Yinka Shonibare, inglês de origem nigeriana) que viram as suas propostas serem escolhidas para ocupar uma das quatro colunas que flanqueiam a famosa praça londrina.

O anúncio dos escolhidos foi feito anteontem pelo presidente da câmara de Londres, o tory Boris Johnson. Gormley e Shonibare foram os eleitos de uma selecta lista de seis candidatos (Jeremy Deller, Tracey Emin, Anish Kapoor e Bob & Roberta Smith) ao Fourth Plinth Project (Projecto Quarto Plinto), uma iniciativa que a Royal Society of Arts lançou em 1999 com o objectivo de "ocupar" o plinto situado a Noroeste da Coluna de Nelson com obras de arte contemporânea. Construído em 1841, o pedestal deveria ter acolhido uma estátua equestre, mas durante largos anos ficou vazio. Até há quase dez anos, quando a câmara de Londres e uma comissão de especialistas uniu esforços para avançar com um programa de exposições rotativas num dos locais mais turísticos da cidade.
Antony Gormley e Yinka Shonibare serão, a partir do Outono, os sucessores de Thomas Schütte e do seu Model for a Hotel 2007. Uma réplica do HMS Victory, o navio que Horatio Nelson comandou na Batalha de Trafalgar, colocada dentro de uma grande garrafa de vidro, é a proposta de Shonibare. Que, numa homenagem ao multiculturalismo londrino, fez as velas da embarcação com batik, o colorido tecido indonésio que também é utilizado em países da África Ocidental.
A partilhar o pedestal com a garrafa de Shonibare poderá estar... qualquer transeunte. Isto porque o projecto de Gormley, intitulado One and Other, propõe que o plinto seja ocupado, ininterruptamente, por qualquer pessoa que se voluntarie para subir à coluna e ali ficar durante uma hora. Por um período de 100 dias, lê-se no site oficial do Fourth Plinth Project, 2400 pessoas poderão transformar-se em esculturas vivas e ter a sua hora de fama. Por isso, Gormley definiu a sua ideia como um "cruzamento entre a telerealidade e Speaker's Coner", o famoso lugar em Hyde Park. "Ao subir à coluna e ao abandonar o solo, o corpo transforma-se, simultaneamente, numa representação e num representante, estimulando o pensamento sobre a diversidade, a vulnerabilidade e o indivíduo na sociedade contemporânea", explicou o artista.
Estudante de arqueologia, Antropologia e Historia da Arte no Trinity College, em Cambridge, Gormley tem centrado o seu trabalho na reflexão sobre o corpo enquanto lugar de memória e transformação. Neste contexto, o criador defende que a sua ideia para a coluna de Trafalgar Square pretende atrair a maior diversidade de pessoas: "Aquele que procura asilo político, aquele que é sem-abrigo, pessoas que julgam que este tipo de coisas não lhes diz respeito. Precisamos do culturista, mas também do paraplégico, do naturista, do actor shakespeariano", afirmou, citado pelo jornal britânico The Times.
Gormley, 57 anos, considera que One and Other permitirá aos voluntários receber "uma imagem de si próprios". Mas há já quem veja no seu projecto uma ausência total de ideias. O The Times cita um crítico, não identificado, que acusa o artista de ocupar o plinto com "ideias ocas". Escreve o periódico que há muito que Gormley não é alheio a controvérsias - há dois anos, o artista fez uma escultura de neve no Ártico com fundos públicos.
A partir do Outono, a quarta coluna de Trafalgar Square será também a "coluna do povo", numa instalação viva colectiva que, frisa Gormley, será um "retrato do nosso tempo".

Tentar tudo para que os pandas esqueçam o terramoto

Pandas traumatizados
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080625%26page%3D4%26c%3DC
25.06.2008


Os pandas da reserva de Wolong já não mostram sinais de pânico, mas o seu futuro preocupa a China. Os tratadores têm intensificado a terapia "do coração amoroso". Tocar, mimar e tentar tudo para que os pandas esqueçam o terramoto. Por Jill Drew


Com um dedo, o homem afaga a pata da panda enquanto ela bebe um preparado de leite de uma tigela de metal. Quando ela termina, abana-lhe a cabeça e tenta limpar-lhe o focinho, mas ela afasta a mão e enrosca-se e rebola para a frente, escondendo a cara. Depois é altura de a panda se voltar e tentar agarrar as botas dele, em mais uma sessão do seu jogo favorito: o de puxar e empurrar. Enquanto vemos Qing Qing a brincar com o seu tratador, Li Guo, é fácil esquecermo-nos do imenso terramoto que teve o seu epicentro a alguns quilómetros desde centro de pesquisa sobre pandas, numa área remota da província de Sichuan. Há apenas um mês, a cria de 16 meses atirou-se em pânico para o colo de Li após um outro tratador a ter tirado do tecto do seu cercado, que abanava de modo instável após ter sido atingido por blocos de pedra do tamanho de camiões.
Mas basta um olhar para as encostas das montanhas para nos recordarmos. Pequenas derrocadas de pedras continuam a atingir os cercados dos pandas ensanduichados num estreito vale, enquanto réplicas do tremor e chuvas intensas desgastam camada após camada de terra crua, expostas em grandes cortes na montanha pelo primeiro terramoto, de uma magnitude de 7,9. Enquanto os geólogos percorrem o vale à procura de um local mais seguro para reconstruir o mais conhecido de todos os centros de turismo e investigação de pandas, os tratadores concentram-se em proteger os animais e em aliviar os seus traumas. Os tratadores utilizam uma espécie de terapia do toque para reconfortar os ursos, que são considerados na China como tesouros nacionais, e no resto do mundo como símbolos da boa vontade chinesa.
E estes esforços estão a dar resultados. Os 47 pandas gigantes que actualmente aqui vivem estão a recuperar o apetite e a voltar aos jogos e às brincadeiras. O som do motor de um carro ou o abanão de uma réplica já não os levam a fugir aterrorizados. Agora, Qing Qing, tal como muitos outros, agarra um punhado de bambu e deita-se de costas para mascar calmamente, com a barriga exposta ao sol. "Ela ficou muito nervosa após o terramoto", afirma Li Guo. "Não gostava que lhe tocassem. Ainda não está tão activa como antes do terramoto, mas cada dia parece melhor."
Zhang Hemin, director da Reserva Natural de Wolong, dedicou os seus últimos 25 anos à protecção dos pandas. Actualmente, tem a seu cargo tanto o centro de investigação sobre pandas como as 4500 pessoas que vivem na zona de Wolong e que agora necessitam de ser reinstaladas dentro dos limites da reserva. Esta comunidade teve sorte: apesar de muitas infra-estruturas terem sido gravemente danificadas, a perda de vidas foi reduzida. Zhang tem esperança de que Wolong, à medida que se vai reconstruindo, se torne um modelo de protecção ambiental e desenvolvimento sustentável de que a China se possa orgulhar. "Nos anos 80, a China era pobre", declara Zhang numa entrevista dada numa tenda de campanha montada na Baixa de Wolong, onde vive com a sua equipa. "Quando dizíamos: 'É preciso proteger os pandas, proteger o ambiente', as pessoas não entendiam. Mas hoje a protecção ambiental está bem entranhada nas cabeças das pessoas."
Nos dias que correm, são necessários muito trabalho duro e coragem para proteger os pandas [Ontem, os media da zona, citados pelo South China Morning Post, informavam que todos os pandas iam ser evacuados temporariamente]. A simples recolha de bambu, que constitui mais de 90 por cento da alimentação dos animais, já é um grande desafio. O centro de reprodução costumava trazer de camião a comida para os pandas em cativeiro, deixando o bambu que cresce naturalmente nos 200 mil hectares da reserva para os 150 pandas selvagens que percorrem as suas encostas. Antes, demorava duas ou três horas a transportar o bambu até Wolong, mas o terramoto destruiu a estrada. Agora, um carregamento de 3,5 toneladas de bambu tem que fazer um difícil trajecto, dentro de um contentor refrigerado puxado por um tractor, através de uma estrada traiçoeira que atravessa dois desfiladeiros e é frequentada por cabras e iaques. O transporte do bambu demora nove horas num bom dia, quando a chuva não é forte.
Coração amoroso
Os desmoronamentos de terras e pedras são também um perigo. A 17 de Maio, cinco dias após o terramoto, um deslizamento esmagou a vedação de um cercado e a sua ocupante, Xi Xi, fugiu. Zhou Minghua, que é tratador de pandas há 26 anos, percebeu na manhã seguinte que ela tinha escapado. "Foi tão doloroso, nem consigo descrever o que senti", diz ele. "A única coisa que podia fazer era procurá-la." Na noite de 25 de Maio, uma equipa avistou um panda numa zona rochosa a menos de dois quilómetros do centro de reprodução. Ao amanhecer do dia seguinte, dois grupos de salvamento saíram em busca de Xi Xi e, através do rasto das suas fezes e urina, conseguiram encontrá-la duas horas depois. Estava desconfiada, pelo que tiveram que a anestesiar com um dardo tranquilizante. Fugiu em pânico mas foi abrandando à medida que o sedativo começava a fazer efeito. Cambaleou e caiu numa fenda com cerca de seis metros. A equipa de salvamento usou cordas para a retirar do buraco, e depois chamou uma brigada da polícia para ajudar a carregar a ursa de 130 quilos pela íngreme encosta, de volta ao centro.
Pelas contas de Zhou, ao todo estiveram envolvidas 100 pessoas no salvamento de Xi Xi. Enquanto o calmante ia desaparecendo, Zhou embalou-a, gentilmente chamou-a pelo nome e disse-lhe para não ter medo. Deu-lhe pedaços de bambu e pão, que ela gradualmente começou a comer. E a comer. E a comer. "Parece que tudo estava a voltar ao normal", lembra Zhou. A técnica que o tratador utilizou é o que o director Zhang chama "técnica do coração amoroso", uma espécie de terapia que começou a utilizar nos pandas em 2005. "Disse à minha equipa para lhes tocarem, para os mimarem, para lhes falarem suavemente", conta Zhang. "Então eles terão confiança em nós e acalmar-se-ão."
Zhang introduziu esta terapia como uma forma de reduzir as doses de calmantes necessários quando a sua equipa retira sangue para análises ou realiza testes nos pandas de cativeiro. Agora, as jaulas estão equipadas com descansos para os braços, e os pandas são treinados para estenderem os braços para receberem carícias enquanto são alimentados. Estas carícias, quando aplicadas durante os procedimentos médicos, já reduziram as doses de sedativos utilizados para um décimo, segundo afirma o director. Actualmente, os tratadores aplicam a "técnica do coração amoroso" para ajudarem a acalmar os pandas traumatizados pelo terramoto. Até terem cerca de dois anos de idade, pode-se abraçar e brincar com as crias de panda, embora as suas travessuras possam ocasionalmente causar algumas feridas. Já o tamanho e a força de um panda gigante adulto impedem contactos sem protecção, e os tratadores fazem a maior parte dos afagos e conversas com os animais adultos através das barras das jaulas ou atrás de um vidro de protecção.
Cada um dos 38 tratadores do centro de reprodução tem a seu cargo um ou dois pandas, que tratam como se fossem irmãos mais novos. De facto, um dia na creche para pandas ao ar livre - equipada com baloiços, escorregas, um balancé e um cavalo de plástico amarelo para trepar - parece-se muito com uma saída de crianças e pais ao parque da cidade. "Brincamos muito com eles, tentamos que eles se sintam descontraídos", diz o tratador Wei Ming.
Esmagadas pelo medo
Nos dias que se seguiram ao terramoto, "eles estavam realmente muito sensíveis ao barulho e estavam muito nervosos". "Agora estão muito melhores", assegura Wei enquanto se debate com um panda que lhe tenta morder o joelho.
Depois de evacuarem as dúzias de turistas que se encontravam no centro na tarde do terramoto, os tratadores correram de volta para socorrer os pandas. Nenhuma das catorze crias estava ferida, mas os tratadores encontraram algumas a tremer em cima de árvores e outras deitadas, quietas e silenciosas, no estrado de um ginásio para alpinistas - sinal de que estavam esmagadas pelo medo. Carregaram cada uma das crias para fora do ginásio, colocaram-nas num autocarro e levaram-nas para a cidade de Wolong, onde os ursos e os seus tratadores passaram a noite. As crias foram devolvidas ao centro de reprodução no dia seguinte, quando foi decidido que a área da creche estava relativamente segura. Os pandas adultos cujos cercados haviam sido danificados foram colocados em jaulas e passaram a primeira noite no exterior do principal escritório do centro. Mais tarde, foram transferidos para cercados localizados mais longe dos deslizamentos de terras.
Uma panda do centro, Mao Mao, de nove anos, morreu durante o terramoto. O seu tratador, He Changgui, recorda: "Os olhos delas conseguiam falar. Ela dava-se muito bem com os seres humanos." O seu coração parou quando, semanas após a catástrofe, trabalhadores descobriram pêlos de panda enquanto escavavam por baixo das paredes desabadas do cercado de Mao Mao. "Tinha esperança de que não a conseguiríamos encontrar, o que seria um bom sinal, sinal de que ela teria fugido para o exterior, para viver no mundo selvagem", diz He Changgui. A panda havia acasalado antes do terramoto, e apesar de ser ainda muito cedo para saber se ela efectivamente chegou a ficar grávida, o tratador tinha esperanças de que isso pudesse ter acontecido. Mao Mao foi enterrada poucos dias depois.
Habitat muito afectado
Perder um panda pode parecer de pouca importância num terramoto que devastou cidades inteiras, rachou montanhas e causou mais de 85 mil mortos ou desaparecidos, mas o efeito do tremor de terra na precária população de pandas é ainda desconhecido. Com uma baixa taxa de natalidade e uma escassa população - estima-se que vivam menos de dois mil pandas em liberdade e cerca de 230 em cativeiro -, as hipóteses de sobrevivência da espécie são reduzidas. O terramoto ocorreu em plena época de acasalamento e passou mesmo pela principal zona do habitat do panda selvagem.
Zhang organizou uma expedição que em breve partirá para quantificar o impacto do terramoto nos 150 pandas selvagens que vivem na reserva. As primeiras estimativas dos serviços florestais da China indicam que mais de 80 por cento do habitat dos pandas foi afectado e 10 por cento terá mesmo ficado destruído. No entanto, o director da reserva dá graças pelo facto de a destruição no centro de pesquisa não ter sido maior. Das 40 pessoas que morreram durante o terramoto na área de Wolong, cinco eram elementos da sua equipa - nenhum deles se encontrava então no centro. Nenhum turista se feriu, e apenas morreu um dos 63 pandas que aí se encontravam. Um outro, Xiao Xiao, continua desaparecido.
O tratador de Qing Qing, Li Guo, fecha o cercado onde o animal que tem à sua guarda passa a noite, certificando-se de que ela tem bambu suficiente para uma ceia. "Para se ser um bom tratador, tem que se pensar do ponto de vista do animal", afirma Li. "Tem que se tratar o panda como um amigo." Como uma criança, exausta após lutar com o tratador ao longo de todo o trajecto até entrar na sua jaula, Qing Qing enrola-se na sua cama e em menos de um minuto está a dormir.

Exclusivo PÚBLICO/
The Washington Post

domingo, junho 15, 2008

Ajudar oitocentos

UM DADOR PODE AJUDAR 800
http://dn.sapo.pt/2008/06/15/centrais/um_dador_pode_ajudar_800.html
PATRICIA JESUS

UM DADOR PODE AJUDAR 800

Doação de órgãos e tecidos. A escassez de órgãos para transplante é um problema que afecta quase todos os países. Em 2007, Portugal teve 24 dadores por milhão de habitantes, abaixo dos 35 da Espanha, que lidera a nível mundial. Um único cadáver pode, teoricamente, beneficiar até 800 pessoas: córneas, rins e pulmões para dois, um fígado para outro, um coração... e assim por diante

O transplante mais comum é o das córneas
Em 2007, o número de transplantes realizados em Portugal subiu de 673 para 806, mas ainda há listas de esperas para todos os órgãos. O transplante de córneas é o mais comum: realizaram-se 525 no ano passado. O transplante de rim é o segundo (466), seguido do de fígado (266), coração (51) , pâncreas (18) e pulmões (quatro). Em Portugal, como em quase todos os outros países, há uma enorme desproporção entre os órgãos disponíveis e o número de doentes necessitam de ser transplantados. Em 2007, foram colhidos 252 órgãos, segundo a Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação (ASST). Este número representa um aumento de 25% em relação a 2006, mas ainda está longe de ser suficiente para fazer face às necessidades. A idade média do dador português é de 47 anos e cada um dá em média três órgãos. O rim foi o órgão mais colhido (430), seguido do fígado (199) e do coração (46). Nos tecidos, sobressai a recolha de córneas. No ano passado, Portugal teve 23,9 dadores por milhão de habitantes, abaixo dos 35 da Espanha, que lidera a nível mundial a actividade de procura de órgãos e tecidos para transplante. O chamado "milagre" espanhol resulta de uma organização robusta e mantida durante muitos anos, salienta a ASST. Os tecidos ou órgãos doados podem provir de uma pessoa viva ou de alguém que acabou de morrer. Anteriormente, a dádiva de órgãos só era permitida quando entre dador e receptor houvesse uma relação de parentesco até ao terceiro grau, mas agora já é possível entre casais ou amigos. No entanto, órgãos vitais como o coração só podem vir de alguém que tenha morrido recentemente. Um único cadáver pode, potencialmente, beneficiar até 800 pessoas: teoricamente um dador poderia fornecer córneas para duas pessoas, rins para outras duas, um fígado para outra, pulmões para dois, um coração, etc.

quinta-feira, junho 12, 2008

Macacos entendem e recorrem a símbolos
http://dn.sapo.pt/2008/06/12/ciencia/macacos_entendem_e_recorrem_a_simbol.html

Experiência. Cientistas ensinaram macacos-capuchinhos a entender e manejar peças dotadas de valor simbólico, trocando-as por alimentos. Estes eram valorizados em função do número de peças que davam em troca, cumprindo uma regra base das escolhas económicas

Teste à capacidade de escolhas qualitativas

Um grupo de investigadores dos EUA e de Itália testou em macacos-capuchinhos a capacidade destes elaborarem escolhas económicas básicas.

O estudo foi publicado no mais recente número de PLoS One, sob o título Preferecence Transitivity and Symbolic Representation in Capuchin Monkeys (Cebus appela) - Representação Simbólica e a Transitividade de Preferência nos Macacos-capuchinhos.

A experiência consistiu em oferecer aos capuchinhos três variedades de alimentos - A, B ou C - em quantidades distintas, e desenrolou-se em dois planos: um, o considerado real, o segundo, o simbólico.

No primeiro, os macacos-capuchinos podiam escolher entre os alimentos A, B e C; no plano simbólico, foi-lhes oferecido objectos sem real valor intrínseco, fichas de jogo, que representavam a alimentação real. Depois de escolherem um determinado tipo de ficha, os capuchinhos podiam trocá-la pelo alimento correspondente.

O objectivo era observarem se os capuchinhos actuavam, em ambos os planos, de acordo com o princípio da transitividade - uma regra elementar das escolhas económicas. A transitividade postula que se A é preferido a B e B a C, então A é preferido a C. Se preferimos bananas a tangerinas e tangerinas a morangos, também preferimos bananas a morangos.

As opções dos capuchinhos cumpriram os requisitos da transitividade, duplamente, isto é, no plano real e no plano simbólico. Os macacos envolvidos na experiência, de forma sistemática, preferiram A a B e B a C; finalmente, A a C, quer quando se tratou de alimentos reais, quer quando se tratou das fichas.

A conclusão é que foram capazes de operarem escolhas qualitativas em ambos os contextos. Quando estavam a escolher alimentos reais, resultou indiferente um pedaço de queijo ou duas bolachas, indicando que o valor de um pedaço de queijo equivalia a duas bolachas. Mas, no plano qualitativo, quando tinham de escolher entre peças que representavam aqueles alimentos, resultou indiferente a escolha entre uma peça representativa de um pedaço de queijo ou quatro peças a representar as bolachas, mas isto significa que as bolachas valem mais. O que prova que os capuchinhos possuem capacidade cognitiva para a representação simbólica. - A.C.M., com agências

quarta-feira, junho 11, 2008

Logical Fallacies

Readers often ask about critical thinking and how to reason better. One of the best ways is to learn about logic, which is both fun and useful. Following are examples of the most common logical fallacies. You can use them as exercises to find the flaws in your own thinking.

Printer-friendly version
Add a comment (6 current comments)

Simple errors arising from ambiguity.

The same word may be used in different senses (called equivocation): “Marriage is a subject of great gravity, so getting married will make us gain weight.” Or a sentence construction may produce a double meaning (amphiboly): “We’re having some friends for dinner.” Or a word may be emphasized inappropriately (accent): Contrast “I just love my dog!” with “I just love my dog!” Or words that are similar in form may not be similar in sense (figure of speech): “Does he have cold feet?” Who asked: Your husband’s mother or his doctor?!

Confusing the parts with the whole.

We may mistakenly assume that what is true of the parts must be true of the whole (composition): “A chimpanzee is an intelligent animal and even grasps certain numerical concepts, such as the difference between one and two. So a dozen chimpanzees probably would be able to divide a dozen bananas among themselves equally.” Not too likely, right?! But what about this? “Every member of a congressional committee is bright and understands fiscal policy. So the committee likely would be able to successfully restructure the country’s fiscal policy.” It’s the same fallacy.

And sometimes we assume that what is true of the whole must be true of the parts (division): “A group of musicians is wildly popular. Therefore, if they break up, each will be wildly popular.” Of course, that’s incorrect. But how about this? “A corporation consisting of several subsidiaries produces goods of high quality and is profitable. Therefore, each subsidiary can be expected to produce goods of high quality and be profitable.” Again, it’s the same fallacy.

Considering the form of an argument.

We’ve all heard of “if-then” arguments: If this is so, then that must be so. One source of error is assuming “this” defines the only way in which “that” can occur (affirming the consequent): “If a person has full-blown AIDS, then his or her T-cell count will be low.” True. But the following is false: “A person has a low T-cell count. Thus, he or she has AIDS.” Other conditions cause low T-cell counts. A twin error occurs in the opposite manner (denying the antecedent): “A person does not have AIDS. Thus, he or she does not have a low T-cell count.” False, and for the same reason: Other conditions cause low T-cell counts.

Learning about deductive reasoning.

Have you ever heard this? “Every man is mortal; Socrates is a man; therefore, Socrates is mortal.” It’s a famous “syllogism,” a form of deductive reasoning that consists of a major premise, a minor premise, a “middle,”and a conclusion. (The “middle” appears in both premises, linking them.)

An error occurs when the middle contains a term used in two different senses (four terms): “Wool coats shrink if they get wet. Sheep have wool coats. Thus, sheep get smaller when they stand in the rain.” Obvious, right? But what about this? “Many people pay no taxes. The working class is composed of many people. Thus, the working class pays no taxes.” Obviously wrong!

Or the middle term may be used inappropriately to link the two premises (undistributed middle): “Truffles often are found by dogs trained to locate them by scent. Illegal drugs often are found by dogs trained to locate them by scent. Thus, truffles are often illegal drugs.” Oops! This is wrong, just as wrong as the following. “Executives often are ambitious and want to make a lot of money. Criminals often are ambitious and want to make a lot of money. Thus, successful executives are criminals.”

One error occurs when the conclusion is broader than the major premise allows (illicit major): “Politicians are actually reasonable people and not biased nitwits. All politicians are human beings. Therefore, no human beings are unreasonable or biased nitwits.” Another error occurs when the conclusion is broader than the minor premise allows (illicit minor): “Politicians love power. All politicians are human beings. Therefore, all human beings love power.”

Considering the fabric of an argument.

Capital punishment is the source of many an argument, both good and bad. Following are some bad ones, all containing an irrelevant conclusion (ignoratio elenchi). In this one, the opponent is attacked instead of the premise of the debate (argumentum ad hominem): “Capital punishment is wrong because people who favor it tend to be less religious.” And in this one, the opponent is attacked by means of a countercharge (tu quoque): “Capital punishment is right because those who oppose it are more likely to be criminals themselves.”

Abortion is also the source of many bad arguments. The following contain irrelevant conclusions, too. This form uses an appeal to pity (argumentum ad misericordium): “Abortion is wrong; what have these innocent babies ever done to deserve such a cruel fate?” And this form uses an appeal to popular passion (argumentum ad populum): “Pro-choice is right; if your daughter became pregnant as the result of a rape, should she be forced to bear the child?” This form relies on an authority (argumentum ad verecundiam): “Abortion is wrong because my religion says so.”

One last form of irrelevant conclusion is used by just about everyone, so let’s look at an example that is hard to criticize. This form maintains that because a premise is not known to be untrue, it may indeed be true (argumentum ad ignorantium): “No one has ever disproved the existence of the Tooth Fairy. Therefore, it won’t hurt to put your grandfather’s previous set of false teeth under your pillow every night. After all, she may be easy to fool.”

Circular Arguments

Scientists and creationists are always at odds, of course. The following fallacy is called “vicious circle.” In it, the conclusion also appears as an assumption (circulus in probando): “The story of divine creation as related in Genesis must be true because God would not deceive us.” Another fallacious argument is called “begging the question.” The conclusion appears as an assumption, but in a different form (petitio principii): “Miracles cannot occur because they would defy the laws of nature.” (All those talk show hosts who say, “And that begs the question...” when they mean, “And that prompts the question...” are simply wrong.)

Errors of Principles

Evolution has long been the target of illogical arguments that use presumption (secundum quid). One is called “direct accident,” in which the truth of an abstract principle is applied to a specific circumstance: “The theory of evolution maintains that man evolved from apes. Thus, the apes in our wildlife preserves will someday be found reading the newspaper.” Wrong, right?! So is the one called “converse accident,” which is the reverse: “Because the apes in our wildlife preserves will never be found reading the newspaper, man did not evolve from apes.”

Contradiction, Diversion, and Superstition

In one fallacy, the argument declares that an assumption is false if a contradiction can be drawn from it (reductio ad absurdum): “Intelligent people have open minds. Politicians are supposed to be intelligent. But anyone who says that recreational drugs should not be legalized has a closed mind. Therefore, politicians are not intelligent people.” In another fallacy, the argument takes the form of a question phrased so that a direct reply (instead of a denial) supports the implications of the question (plurimum interrogationum): “How many family members have you put at risk with the handgun you bought for self-defense?” Yet another fallacy (“after this, therefore because of it”) is the source of much of the world’s superstition, a legacy from early times (post hoc, ergo propter hoc). Can you imagine the audience reaction if a speaker were to be struck by lightning while denouncing creationism from an outdoor podium? It would make news all over the world!

That just doesn’t follow!

And in the notorious fallacy of non sequitur, the conclusion doesn’t follow from the argument, as in this example: “Because fish have gills and birds have wings, because dinosaurs are extinct and snakes are not, because the duckbilled platypus and the spiny anteater have characteristics of both reptiles and mammals, because animals need the waste products of plant respiration to survive and plants need the waste products of animal respiration, because plenty of plants need insects for fertilization but earthworms don’t even need another earthworm, because dolphins are intelligent and whales can sing, because crustaceans look so much like big bugs and primates look so much like humans, and because nearly every meat on the planet doesn’t taste all that much different from chicken, the theory of evolution is correct.” That just doesn't follow!

Ter um QI elevado é maravilhoso

Ter um QI elevado é maravilhoso
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080609%26page%3D4%26c%3DC
09.06.2008, Ana Gerschenfeld


Lor sum ad te modo od tat ex et, velenis odolore diat, venisim endiam dunt lore tat essequat nonse essequisis ectet er sit niat


Marilyn vos Savant aceitou responder por email, desde Nova Iorque onde vive, às perguntas do P2. Sobre a sua vida passada e actual, quotidiana e profissional. Sobre o que pensa do QI e do facto de se ser inteligente.
O seu QI ainda é o mais alto jamais registado?
Não sei. Não dou muita atenção ao assunto. O valor publicado foi de 228. Obtive esse resultado quando era criança.
Como é que entrou no Guinness Book of World Records?
Muita gente conhecia os resultados do meu teste de QI em criança e em adulta. Houve pessoas que escreveram ao editor do Guinness Book e lembro-me de ter, mais tarde, trocado cartas com ele. Peço desculpa por não me recordar de mais pormenores, mas como disse, os meus resultados de QI não têm tido grande interesse para mim. São apenas uma parte da minha maneira de ser.
É possível preparar-se para um teste de QI?
Fiz muitos testes de QI ao longo da minha vida, mas nunca me tentei preparar para eles. Não penso que isso seja possível. No entanto, convém valorizarmos coisas como a lógica e o raciocínio nas nossas actividades quotidianas.
Fez algum teste de QI recentemente?
Parei de fazer testes há mais de 10 anos porque já tinha feito muitos. Havia sempre alguém a querer testar-me e eu fazia-lhes a vontade. Mas na realidade, não gosto nada de testes \u2013 para mais, demoram imenso tempo. Fico feliz quando penso que nunca mais vou ver um teste de QI na vida!
Acha que o QI é realmente uma medida da inteligência? Quais são as principais falhas e enviesamentos dos testes de QI?
Acho que nenhum teste consegue medir correctamente a inteligência, mas actualmente não temos nada melhor do que os testes de QI. Acho que os testes de QI não têm muitas falhas nem enviesamentos, mas possuem uma visão muito estreita. É um problema inerente aos testes que servem para avaliar grandes números de pessoas, mesmo quando essas pessoas são testadas individualmente, como foi o meu caso. (Por \u201Cindividualmente\u201D, quero dizer que as pessoas são testadas uma de cada vez por uma pessoa treinada para o efeito.)
Qual é a sua definição da inteligência? Existe uma inteligência \u201Cgeral\u201D ou será que ela depende sempre do contexto?
Penso que a inteligência \u201Cgeral\u201D existe, mas também que existem aptidões individuais. Porém, suspeito que essas aptidões são uma função da personalidade de cada um.
O facto de se ser excepcionalmente inteligente permite alcançar mais facilmente a felicidade?
Penso que a inteligência \u2013 como o dinheiro \u2013 podem ser, conforme os casos, uma grande ajuda ou um grande obstáculo para atingir a felicidade!
Quando era pequena, o que é que queria fazer na vida?
Em criança não tinha quaisquer planos profissionais. Os meus pais \u2013 sobretudo a minha mãe \u2013 mantinham um controlo muito apertado sobre mim e eu não fazia ideia de que tivesse sequer a possibilidade de escolher o que iria fazer na vida. Isso só mudou quando fui viver para outra cidade.
Por que é que abandonou a universidade? Está arrependida por o ter feito, ou pensa que teve assim a possibilidade de aprender mais coisas e mais depressa?
Nunca consegui suportar a rigidez académica. Claro que isso era um problema meu, não da escola. Olhando para atrás, gostaria de ter conseguido tolerá-la, mas infelizmente, não fui capaz. Não sei como poderia ter alterado essa situação na altura. Só se um mentor mais velho e mais sábio me tivesse descoberto e tirado de lá ou enviado para um sítio especial, com professores mais experientes em lidar com jovens como eu. Também havia outro problema: os professores que me tratavam como se eu nunca fosse conseguir ser tão boa no que fazia como os rapazes. Eu detestava isso.
Qual tem sido a sua experiência enquanto pessoa com um QI recorde? Isso fez alguma diferença na sua vida?
Do ponto de vista profissional, o meu QI recorde é uma chatice porque há muita gente que sabe disso e que se delicia a tentar apanhar-me num erro. E claro que às vezes eu também me engano! Mas em termos pessoais, o facto de ter um QI elevado tem sido maravilhoso. Adoro!
A inteligência pode ser um fardo? Acontece-lhe perguntar-se por que é que os outros não percebem isto ou aquilo?
Nunca achei que a inteligência fosse um fardo. É mesmo precisamente o oposto \u2013 uma benesse. Mas não gosto muito que as pessoas saibam que tenho um QI recorde. Gosto de saber que o tenho, mas não que os outros saibam!
Já lhe aconteceu fingir que é menos inteligente do que realmente é para não intimidar as pessoas à sua volta?
Não. Mas já me aconteceu ficar calada em certas circunstâncias.
As crianças e as pessoas super-dotadas são muitas vezes retratadas como tendo dificuldades de adaptação à sociedade. Não seria melhor, por vezes, ser um pouco mais \u201Cmédio\u201D?
Não! Quando alguém tem um problema, a culpa não é da sua inteligência. É da sua personalidade \u2013 ou talvez dos seus pais!
Acha que podemos \u2013 e devemos \u2013 fazer os possíveis para melhorar o nosso QI? Como?
Acho que podemos provavelmente melhorar o nosso desempenho intelectual, mas à custa de esforços contínuos \u2013 o tipo de esforço que os jovens devem fazer na escola. Mas duvido que a maior parte dos adultos esteja disposta a dedicar o tempo que esse esforço exige. Muitos nem sequer estão dispostos a dedicar tempo a manter uma boa forma física, por exemplo. Isso não é surpreendente: o esforço físico não tem muita graça enquanto a nossa forma não for excelente. Só a partir daí é que ela não custa a manter.
Na sua crónica semanal na revista Parade, escreve sobre as mais variadas questões. Quais são as suas áreas de especialidade? E os seus temas preferidos?
Os especialistas são pessoas que dedicam a sua vida a um tema em particular. Nesse sentido, não sou uma especialista. Mas adoro responder a perguntas sobre filosofia, ética, temas de actualidade e a condição humana.
Quais são as suas leituras preferidas? É uma grande leitora?
Costumava adorar ler livros, mas hoje tenho raramente tempo para isso. Já me custa arranjar tempo para me manter em forma física \u2013 mas disso não posso prescindir. A minha rotina é correr vários quilómetros por dia no Central Park.
Quando tem um problema para resolver, o que é que faz para conseguir pensar melhor?
Não faço nada de especial, mas tento evitar qualquer tipo de música de fundo.
Qual foi o problema mais difícil que já teve de resolver?
Não me vem à ideia nada de particularmente notável.
Qual foi a coisa mais estúpida que já fez na vida?
Não quero ferir os sentimentos de ninguém!
Considera-se mesmo como a mulher viva mais inteligente do mundo?
Não. E nunca pensei que fosse.

Marilyn vos Savant A pessoa mais inteligente do mundo é uma mulher
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080609%26page%3D4%26c%3DC
09.06.2008


Se aceitarmos o "quociente de inteligência" - o célebre QI - como uma medida da inteligência humana, Marilyn vos Savant é a pessoa mais inteligente do mundo. Entrou no Guinness com o seu QI recorde de 228, obtido quando era uma miúda de 10 anos. Por Ana Gerschenfeld


O apelido parece mesmo feito à medida, mas é genuíno - e até, por coincidência, duplamente genuíno. A mãe de Marilyn vos Savant (savant = sábio, erudito) chamava-se Mary vos Savant e a sua avó materna Mary Savant. E Marilyn trocou o apelido do pai, Mach, pelo outro, duplamente materno - e mais em sintonia com a sua pessoa.
Acontece que Marilyn vos Savant, hoje com 61 anos, jornalista, escritora e dramaturga norte-americana, mulher de Robert Jarvik, célebre inventor de corações artificiais, é a pessoa com o maior QI de sempre.
Começou a bater recordes nos testes de QI em criança, tendo atingido, aos dez anos, um resultado nunca visto \u2013 nem ultrapassado desde então \u2013 de 228 pontos. Mas foi em 1986 que se tornou famosa, quando entrou no Guinness daquele ano como recordista do QI. Permaneceria listada nessa categoria \u201Cdurante cinco anos\u201D, lê-se no seu site na Web (em www.marilynvossavant.com), não apenas pelo seu QI em criança mas também em adulta, acabando por ingressar no Guinness Hall of Fame, a galeria de notáveis de todos os tempos do Guinness.
Claro que há quem recuse a validade dos testes de QI. Por um lado, ninguém sabe ao certo o que é o QI \u2013 será que mede inteligência ou apenas o jeito para fazer testes de QI? Por outro lado, os testes de QI perdem precisão quando se trata de resultados tão fora da norma como os de Marilyn vos Savant. Mas uma coisa é certa: tanto o resultado desse primeiro teste como os dos outros que ela fez ao longo da vida foram sempre extremamente elevados.
Apesar dos seus dotes intelectuais, Marilyn vos Savant não iria dedicar a vida nem à física nuclear nem à matemática. Abandonou a universidade a meio e enveredou por outras vias. Mas o valor do seu QI moldou sem dúvida a sua vida: quando a sua performance foi divulgada pela primeira vez no Guinness, a revista Parade convidou-a a escrever uma coluna semanal, que ainda hoje mantém, intitulada Ask Marilyn. Marilyn vos Savant responde aí a todo o tipo de perguntas, das ciências duras à ética e à filosofia, passando por questões mais pessoais dos leitores. E as suas respostas não são triviais.
O famoso problema
A coluna que talvez a tenha consagrado como uma autodidacta de inteligência superior remonta a 1990 e desencadeou um debate tão aceso à escala dos EUA que foi objecto de um grande artigo no New York Times no ano seguinte.
Tudo começou quando Marilyn vos Savant respondeu a uma pergunta acerca de um problema de teoria de probabilidades, que ficaria conhecido por "Problema de Monty Hall" em referência ao apresentador de um famoso concurso televisivo da altura. O problema enuncia-se da seguinte maneira: você participa num jogo onde pode escolher abrir uma de três portas (duas delas escondem um cabra; a terceira, o prémio (um carro). Suponhamos que escolhe a porta 1 (que permanece fechada). A seguir, o apresentador abre a porta 3, mostra uma cabra, e pergunta-lhe se quer alterar a sua escolha inicial (ou seja, escolher agora a porta 2 em vez da porta 1) antes de ele revelar onde está o prémio.
A pergunta do leitor da Ask Marilyn era: é ou não mais vantajoso alterar a escolha? Marilyn vos Savant respondeu que sim, argumentando que, se ficasse pela escolha inicial, o concorrente tinha uma hipótese em 3 de ganhar o automóvel e se escolhesse a outra porta duplicava as suas chances.
A reacção foi notável: nos meses que se seguiram, Marilyn vos Savant receberia umas 10 mil cartas de críticas, lê-se na edição do diário nova-iorquino de 21 de Julho de 1991. Mais de mil cartas, as mais violentas - e mesmo insultuosas - eram assinadas por cientistas e matemáticos, por vezes com o cabeçalho da sua instituição. Mas Marilyn vos Savant... tinha razão.
A sua incursão pelo célebre último teorema de Fermat foi menos bem sucedida. Quando em 1993 (séculos após o teorema ter sido enunciado), o britânico Andrew Wiles anunciou que o tinha finalmente demonstrado, Marilyn vos Savant publicou um livro, The World`s Most Famous Math Problem, onde punha em causa a validade da demonstração de Wiles. Os seus argumentos podem não ter sido válidos, mas a prova de que as coisas não eram assim tão simples é que Wiles teria de dedicar mais dois anos a finalizar a demonstração, que ainda padecia de uma falha entretanto detectada por outros matemáticos. Seja como for, desta vez os argumentos dos especialistas terão convencido Marilyn vos Savant, que na sua edição do livro de 1995 reconhece que o teorema foi efectivamente demonstrado.

Todos os rostos do Renascimento no Museu do Prado
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080607%26page%3D8%26c%3DC
07.06.2008, Nuno Ribeiro, Madrid


Não são só retratos de reis e de papas. Captam-se amigos, famílias ou amantes. A exposição sobre o retrato no Renascimento no Museu do Prado mostra a democratização deste género de pintura durante este período



São 127 obras de 70 artistas, de Jan van Eyck, Rubens, Piero della Francesca, Durer, Antonio Moro, Rafael, Sandro Botticelli, Ticiano, Lorenzo Lotto, Holbein, Giovanni Battista Moroni e outros importantes pintores dos séculos XV e XVI. Pinturas, esculturas, medalhas, desenhos e gravuras, são as peças de um percurso exaustivo pelos ambientes artísticos dos Países Baixos, Alemanha e Itália. Até 7 de Setembro, o Museu do Prado, em colaboração com a National Gallery de Londres, expõe a mostra O Retrato do Renascimento.

"Nunca houve tanta obra-prima numa mesma exposição em qualquer outro momento da história do Prado", assegura Miguel Zugaza, director do museu madrileno. "Esta mostra inclui muitos dos melhores exemplos da produção de cada artista, entre os quais estão algumas das imagens mais belas de todo o Renascimento", prossegue Zugaza. Uma exposição que, nas palavras do principal responsável do Prado, "eleva a autoridade intelectual do museu".
O motivo de tamanho contentamento é explicável. "O retrato é um dos temas mais importantes da história da arte, mas nunca foi objecto de uma exposição como género pictórico autónomo no Renascimento", sublinha o comissário da mostra, Miguel Falomir, chefe do departamento de pintura italiana do Renascimento do Prado e responsável das recentes exposições de Ticiano e Tintoretto.
A mostra abarca obras de 1400 a 1604. No primeiro caso, está a Dama de Perfil, de um anónimo flamengo, e a mais recente é o retrato de Brígida Spínola Dória, de Rubens. Este percurso de dois séculos de evolução da forma de retratar é marcado por dois vectores: democratização e tamanho.
"Até ao Renascimento, só se faziam retratos de príncipes, reis e papas, mas a partir do Renascimento os artistas começaram a receber encomendas de pessoas de quase todo o espectro social", salienta Miguel Falomir. É o que o comissário apelida como "retrato democrático".
O retrato, até então reservado aos poderosos e às famílias com mais dinheiro, passou a representar outra gente. Os que têm interesses intelectuais, claras aspirações sociais - do alfaiate ao talhante -, ou desejam manifestar as suas devoções religiosas. Foi então que o retrato passou a ter as funções que ainda hoje se lhe atribuem: memória, identidade e imagem. Capta amigos, famílias ou amantes. Retrata a amizade, o amor, o quotidiano e as devoções. É também abordado o denominado "contra-retrato", aquele cuja intenção de representação é o anti-ideal. Ou seja, os retratos de anões, bobos e as representações satíricas. Há ainda o auto-retrato, cujo expoente máximo na mostra do museu madrileno é o de Durer.
O tamanho importa
A revolução no tamanho é outra das características que a mostra evidencia. No início, o retrato era de pequeno tamanho, de 30 a 40 centímetros, pensado para ser guardado em caixas, ao estilo dos actuais álbuns de fotografias. Era algo de uso comedido, quase privado. No entanto, com o avanço do século XV, ao ser alterada a sua função, aumenta o tamanho. Os retratos são encomendados para serem mostrados e contemplados, num claro sinal de prestígio. É assim que, na exposição do Museu do Prado, os quadros de Ticiano, que ocupam a última sala, alcançam os três metros de altura.
"Esta exposição explica os modelos do retrato através da sua função social muita variada, o que nos permite a introdução nos mecanismos da vida do quotidiano", assinala o crítico Francisco Calvo Serraller.
Com 40 por cento das obras expostas pertencentes aos fundos do Prado, a crítica destaca, para além da importância do auto-retrato de Durer, alguns quadros importantes. Do Museu do Louvre, de Paris, veio a obra Sigismondo Pandolfo Malatesta, de Piero della Francesca. Da National Gallery londrina estão O Alfaiate de Giovanni Battista Moroni e Retrato de Mulher Inspirada em Lucrécia, de Lorenzo Lotto. "A grande ausente é La Gioconda, de Leonardo da Vinci, pois o Louvre nunca a empresta", lamenta Miguel Falomir.

segunda-feira, junho 09, 2008

O SEXO OU A PÁTRIA?
http://dn.sapo.pt/2008/06/09/centrais/o_sexo_a_patria.html

MARCOS CRUZ
A ilha da polémica. Lesbos, terceira maior ilha grega, com 90 mil habitantes, está na origem do termo lésbica, que designa as mulheres lá nascidas e as que assumem a sua homossexualidade. Entre as primeiras, e respectivos familiares, há quem não goste da partilha. O duelo de significados segue amanhã num tribunal de Atenas

Grupo de residentes na ilha grega de Lesbos leva lésbicas a tribunal

Para muitos - ou, pelo menos, para muitas - será a sétima maravilha do Mediterrâneo. Para todos, é a sétima maior ilha do Mediterrâneo. Lesbos, pedaço de terra (1630 quilómetros quadrados) alojado no Nordeste do mar Egeu, deve a sua fama à interpretação dos poemas de Safo, mulher a quem se atribuem amores homossexuais e que se calcula ter ali nascido entre 630 e 612 a. C., mais precisamente em Eressos, cidade costeira.

Tendo Lesbos, segundo a mitologia, sido o deus patrono da ilha grega, e assim dado nome aos seus habitantes, Safo foi quem a celebrizou no mundo, inspirando a aplicação do termo lésbica para designar mulheres homossexuais. Sobre o mito, então, outro mito se criava: o de Lesbos como "santuário" das lésbicas. A abençoá-lo, a coincidência simbólica de dois picos montanhosos de altitude semelhante, como seios, dominarem o seu terreno de origem vulcânica e hoje coberto, a 40%, por oliveiras e árvores de outros frutos e, a metade dessa percentagem, por florestas de pinheiros e carvalhos. Há acasos fantásticos.

Claro está que, do ponto de vista turístico, a ideia (de alguém, não se sabe quem) trouxe proventos. Mas, como todas as ideias vivas, também trouxe maus ventos. Por um lado, a ilha ter-se-á convertido, para algumas lésbicas de todo o mundo, no que o túmulo de Jim Morrison representa para alguns fanáticos dos The Doors, ou seja, um local de visita obrigatória. Por outro, a sua colagem a uma orientação sexual que esse mesmo mundo nunca confiou verdadeiramente ao domínio da "normalidade" tornou-se um peso contínuo sobre os ombros de alguns habitantes, em particular de alguns homens casados e respectivas mulheres, pais e respectivas filhas, irmãos e respectivas irmãs.

Espanta é que, tendo isto tanto tempo, e estando o planeta numa era de abolição de fronteiras (geográficas, raciais, religiosas, sexuais, etc.), tal peso venha hoje, em pleno século XXI, à tona judicial e, logo, mediática. Mas aconteceu, recentemente. Foram três os naturais de Lesbos que levaram um grupo de defesa dos direitos homossexuais a tribunal por usar a palavra lésbica para definir mulheres que desejam sexualmente mulheres. Um deles, Dimitris Lambrou, queixou-se de que a irmã "não pode dizer que é lésbica", explicando não ser o recurso à justiça "um acto agressivo contra as mulheres homossexuais", mas apenas uma reivindicação para que aquele grupo, especificamente, retire a incómoda referência do seu título (chama-se Comunidade Lésbica e Homossexual da Grécia).

A justificação de Lambrou radica na História. "A nossa designação geográfica foi usurpada por certas mulheres que não têm ligação de espécie alguma a Lesbos", reclama. Para ele, nem mesmo Safo as... safa: "Ela não era gay, mas, mesmo que fosse, como podem as pessoas da ilha ser consideradas, por isso, homossexuais? Nós somos lésbicos há milhares de anos, ao passo que essa conotação é recente." O caso vai à barra de Atenas a 10 de Junho. Portugal que se cuide, não vá o Diabo tecê-las...

Humor à parte, é de amor que se fala. De amor próprio. De amor à liberdade. De ambos os lados: se umas (e uns, em sua defesa) lutam por se desprender de um estigma, outras (e outros, em sua defesa) lutam por se desprender de outro. Umas querem ser lésbicas no significado afectivo/sexual, outras querem sê-lo no significado patriótico. Umas querem o contrário das outras. Uma palavra divide-as. Pelos vistos, uma palavra também pode valer mais que mil imagens.

Acasalamento de pandas em filme

Acasalamento de pandas em filme
http://dn.sapo.pt/2008/06/09/ciencia/acasalamento_pandas_filme.html

TIAGO PEREIRA
Documentário. Não é a primeira vez que imagens de pandas são captadas enquanto estes cumprem os seus rituais de acasalamento. Mas aquelas que a BBC divulgou recentemente são, certamente, as mais completas até ao momento

Produção integra o programa da BBC 'Wild China'

O ritual de acasalamento dos pandas e todas as suas etapas, desde o exuberante início até ao final ruidoso, foi filmado na natureza para aquela que poderá ser uma estreia em televisão. A equipa de História Natural da BBC captou os momentos nas profundezas da floresta de bambu que rodeia as montanhas Qinling, na China.

As imagens mostram um panda macho enquanto luta contra a concorrência que quer cortejar a mesma parceira. A sequência, registada para o programa Wild China, da BBC2, ilustra uma série de comportamentos que são raramente captados num jardim zoológico. Entre estes contam-se os chamamentos ruidosos entre pandas que, afirma a produção, poderá levar alguns espectadores a lembrar-se de Chewbacca, uma personagem da saga Guerra das Estrelas que pertencia à espécie (de ficção) dos wookie. "É como encontrar uma série de Chewbaccas num pub enquanto armam uma cena de pancadaria", afirma o produtor de Wild China, Gavin Maxwell.

"Na maior parte do tempo, os pandas vivem sozinhos", explica. "É apenas na época de acasalamento que se juntam. E é nessa altura que provocam estas vocalizações extraordinárias", diz. Tratam-se de sons pouco habituais no reino animal e, confirma Gavin Maxwell, "são a última coisa que esperamos de um panda". Tudo se torna ainda mais complexo quando dois ou três machos estão perto de uma fêmea, altura em que "o ruído é, de facto, impressionante".

A maior dificuldade que a equipa da BBC encontrou para captar estas imagens foi descobrir e manter a posição e o local ideais para o objectivo em questão. Foram necessários meses de pesquisa, trabalho de reconhecimento do terreno e negociações com as autoridades chinesas. O registo da sequência de imagens precisou também de boas doses de paciência e sorte.

As montanhas Qinling estão rodeadas de ravinas e o crescimento de bambu é tão intensivo que torna o acesso às zonas habitadas por pandas muito difícil. Captar imagens é apenas mais um passo nesta complicada missão. A aproximação tem que ser feita de forma subtil, caso contrário os pandas fogem muito rapidamente. "Cada animal destes parece uma moto-quatro, que ultrapassa obstáculos com muita facilidade e é quase impossível de seguir", disse Gavin Maxwell.

Esta não é a primeira vez que o acasalamento entre pandas foi filmado mas é, provavelmente, o conjunto de imagens mais completo de sempre e que revela os pandas num ambiente que é menos conhecido.

terça-feira, junho 03, 2008

Encontrada a maior pirâmide do Egipto
http://dn.sapo.pt/2008/06/03/ciencia/encontrada_a_maior_piramide_egipto.html

LUÍS NAVES
História. Uma equipa internacional de arqueólogos investigou as ruínas de Abu Rawash, perto de Gizé, e descobriu que ali se ergueu a mais alta pirâmide egípcia, construída pelo misterioso faraó Djedefré, filho e sucessor do grande Queóps
Uma equipa internacional de arqueólogos, chefiada pelo francês Michel Valloggia, afirma que a pirâmide arruinada do faraó Djedefré, em Abu Rawash, era sete metros mais alta do que a grande pirâmide de Quéops, em Gizé, que tinha originalmente 146,6 metros de altura. Esta sensacional descoberta é contada pelo El Mundo, na sua edição de ontem, e resulta de 12 anos de escavações. Os pormenores serão objecto de um documentário do Canal História, a transmitir dentro de meses.

A investigação dos arqueólogos em Abu Rawash desfez vários mitos. Pensava-se que estas ruínas, que se situam a oito quilómetros de Gizé, pertenciam a uma pirâmide com altura entre 57 e 67 metros e base de apenas 106 metros de lado. Os novos dados indicam que os lados da base tinham na realidade 122 metros e a inclinação era muito mais acentuada.

Mais importante ainda, para a compreensão da história da IV dinastia, sabe-se agora que a pirâmide foi completada e a sua destruição não resultou de conflitos no Antigo Egipto, mas de uma pilhagem muito posterior, que começou durante a ocupação romana.

Abu Rawash, um pouco a norte de Gizé, sempre constituiu um mistério para os egiptólogos. Pensava-se que as ruínas da pirâmide de Djedefré eram o resultado de esta não ter sido concluída. Admitia-se também que o faraó, que reinou apenas oito anos, teria sido assassinado pelo seu meio-irmão e sucessor, Quefrén, que deu nome à segunda maior pirâmide de Gizé.

Estas ideias perderam agora a sustentação e surge um retrato bem mais pacífico da dinastia. Mantém-se o mistério pelo facto de Djedefré ter escolhido um local diferente para erguer a sua pirâmide. O pai do faraó, Queóps, construíra o seu gigantesco túmulo em Gizé, e o sucessor de Djedefré, Quefrén, regressara ao local. Daí ao mito da conspiração familiar foi um pequeno passo.

Quéops reinou entre 2589 e 2566 a.C. e o seu filho Djedefré foi faraó entre 2566 e 2558. Mas o papel deste na história terá de ser revisto: apontado como um faraó frágil, com problemas de legitimidade, foi afinal um construtor ambicioso, que pode estar ligado à famosa esfinge.

A pedra da sua pirâmide foi usada durante milénios na construção da cidade do Cairo, que é muito próxima de Abu Rawash. Hoje, no local, restam ruínas com escassos metros de altura. Os artefactos foram completamente saqueados. Abu Rawash é uma zona militar, fechada, mas poderá ser visitada por turistas a partir de 2009. Segundo o director das antiguidades egípcias, Zahi Hawass, citado pelo El Mundo, as escavações neste local permitiram compreender melhor "a história da IV dinastia, as lutas pelo poder e parte do mistério da construção das pirâmides".

Crianças influenciam 80% das marcas compradas pelos pais
http://dn.sapo.pt/2008/06/03/sociedade/criancas_influenciam_80_marcas_compr.html

CARLA AGUIAR
Quase metade das crianças até aos 12 anos tem televisor no quarto
As crianças portuguesas entre os 7 e os 12 anos gerem cerca de 5,6 milhões de euros por ano através de mesadas ou semanadas, o equivalente aos lucros diários dos quatro maiores bancos privados, e influenciam cada vez mais as escolhas de consumo dos pais. Segundo um estudo da agência de meios Consumer Insight OMG, as crianças metem a colherada em muitas das escolhas lá em casa: 80% das marcas adquiridas pelos pais são influenciadas pelas crianças. Na compra de automóvel, por exemplo, elas chegam a ter uma influência em 67% das decisões.

Mas, de acordo com o estudo realizado em finais de 2007, esta nova geração de tweens (entre a infância e a adolescência) revela preocupações de poupança e planeamento surpreendentes. Quando questionados sobre o que fariam se dispusessem de uma grande quantia, 66% responderam que "guardariam o dinheiro no mealheiro ou no banco".

As respostas levam os autores do estudo a concluir que esta nova geração, em regra mais informada e selectiva, representa uma "mudança de paradigma", assumindo uma "tendência contrária ao endividamento nacional dos anos mais recentes". Isto, tendo em conta os padrões actuais, medidos recentemente pelo Banco de Portugal, que apontam para uma queda de 7,9% na poupança dos portugueses em 2007 e para o aumento dos níveis de endividamento das famílias para os 129% do rendimento disponível anual.

Para a Consumer Insight OMG, a aparente nova atitude, mais racional, no uso do dinheiro "é também resultado do processo de aprendizagem na gestão das mesadas". O estudo refere que 56% das crianças entre os 7 e os 12 anos recebem dinheiro dos pais para gerir, a título de semanada ou mesada, rondando esse valor, em média, os 30 euros mensais, o equivalente a 360 euros anuais.

Neste escalão etário, que representa 15% da população portuguesa, as crianças estão particularmente expostas aos média, à publicidade e à tecnologia. Quase metade (44%) dispõem de televisão no quarto, sendo que 55% afirmam gostar de ver publicidade. As marcas que gozam de maior notoriedade entre este grupo são, por ordem descendente, os sumos, bolachas, cadeias de distribuição, telecomunicações e congelados.

Outro dado relevante é que uma em cada cinco crianças entre os 5 anos e os 12 anos de idade tem um telemóvel, com 70% a utilizá-lo para enviar SMS várias vezes ao dia. Quanto à internet, daqueles que a ela acedem, a grande maioria (73%) fá-lo a partir de casa, sendo que apenas 23% utiliza a internet na escola. No acesso à internet, existe um elevado grau de autonomia, uma vez que 71% fazem consultas sozinhos, sem a companhia dos pais, o que só se verifica em 24% dos casos.

A chamada geração Net, nascida depois de 1995, nasceu com um rato nas mãos e um écrã de computador como janela para o mundo, ensinando, pela primeira vez, pais, avós e professores.

Corrida democrata chega ao fim em terra de índios
http://dn.sapo.pt/2008/06/03/internacional/corrida_democrata_chega_fim_terra_in.html

HELENA TECEDEIRO
Montana e Dacota do Sul votam hoje. Abandono de Hillary é grande incógnita
Num ano atípico, a corrida à nomeação democrata para as presidenciais americanas foi tão prolongada que até as tribos índias do Montana e Dacota do Sul têm uma palavra a dizer. Estes estados vão hoje a votos, encerrando o processo das primárias que determina quem é o candidato do partido à Casa Branca. Mais do que saber quais os resultados - Barack Obama é favorito em ambos os escrutínios - a grande questão agora é saber se e quando Hillary Clinton vai anunciar que abandona a corrida.

Depois da vitória em Porto Rico, que foi a votos domingo, a ex-primeira dama voltou a garantir que não pretende desistir "enquanto não houver um candidato". Em entrevista ao New York Times, Hillary admitiu que Obama tem "uma ligeira vantagem", mas recordou que 17 milhões de pessoas votaram nela, colocando--a à frente no voto popular.

"Na história recente das primárias, nunca houve um candidato que não tenha vencido o voto popular", sublinhou Hillary. Sem hipótese de ultrapassar Obama em número de delegados, a senadora depende dos superdelegados. Estes responsáveis do partido estão livres de votar em quem quiserem na convenção de Agosto em Denver, Colorado, onde será anunciado o candidato às presidenciais de 4 de Novembro.

Numa entrevista ao Washington Post, Hillary pediu aos superdelegados para terem em conta três aspectos: "Que candidato representa melhor a vontade dos eleitores; quem pode vencer em Novembro e quem é mais capaz de dirigir a nação." Mas se a ex-primeira dama continua a dizer que vai lutar "um dia de cada vez", o diário britânico Daily Telegraph garantia ontem que os seus conselheiros estão a preparar a desistência.

Antes disso, falta ainda votarem o Montana e Dacota do Sul, estados onde os índios representam cerca de 5% dos eleitores democratas. Um facto que explica as visitas de Hillary e Obama a reservas nos últimos dias.

segunda-feira, junho 02, 2008

Exposição alusiva ao filme "King Kong" consumida pelas chamas
Incêndio destruiu parte dos estúdios de cinema da Universal
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330815&idCanal=14
01.06.2008 - 20h23 PÚBLICO, Agências
O incêndio que deflagrou ao início da manhã nos estúdios de cinema e televisão da Universal, em Los Angeles, destruiu alguns cenários e uma exposição alusiva ao filme “King Kong”, mas os responsáveis dizem que os danos foram controlados.

O incêndio, que deflagrou cerca das 04h45 (12h45 em Lisboa) foi dado como circunscrito quatro horas depois, mas os 400 bombeiros deslocados para o local tentam ainda extinguir por completo as chamas.

Três bombeiros sofreram queimaduras ligeiras durante o combate ao incêndio, mas os responsáveis dizem que nenhum funcionário ficou ferido.

Em declarações aos jornalistas, Sam Padilla, inspector do departamento de bombeiros de Los Angeles, revelou que foram destruídas cinco estruturas localizadas próximas do local onde deflagraram as chamas, incluindo um conjunto de cenários retratando uma rua de Nova Iorque, onde na última década foram rodadas inúmeros filmes e séries de televisão.

Parcialmente destruída ficou também uma exposição alusiva ao filme “King Kong”, que integra o circuito de visitas guiadas aos estúdios da Universal, e que tem como principal atracção uma enorme réplica animada do conhecido gorila. Parte do cenário do filme “Regresso ao Futuro” foi também destruído e a Universal confirmou ainda a destruição de um estúdio de som e de um cofre que continha arquivos de vídeo. Ainda assim, o presidente da Universal, Ron Meyer, garantiu que nenhuma das produções da empresa “ficou perdida para sempre”, pois os cofres com as películas ficaram a salvo das chamas.

Por apurar estão as causas do incêndio que, em poucos minutos, se estendeu aos cenários vizinhos, construídos com matérias altamente inflamáveis.

O incêndio destrui também um conjunto de cenários representando uma rua de Nova Iorque