"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, outubro 31, 2007

Deus em onda curta
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Ffd%3DNEXT%26page%3D20%26dt%3D20071031%26c%3DA
31.10.2007, Kevin Sullivan em Homoíne

Nunca houve tantas estações e tantas redes de rádio religiosas a difundir tantos programas, em tantas línguas, para tantos lugares. Das florestas de Moçambique aos desertos da Mongólia, são a maneira de escapar ao isolamento devido à distância, à falta de dinheiro ou à língua que falam
Quando o crepúsculo cai, Jaime Jeremias Matsimbe senta-se na terra cor-de-rosa, no meio da floresta de mangueiras e palmeiras, e começa a dar à manivela do seu rádio de onda curta, em busca da palavra de Deus.
Depois de girar várias vezes o pequeno manípulo, carregando o rádio como se estivesse a dar corda a um relógio, a voz de um pregador ecoa através do pátio cheio de cabras e de perus, a 30 quilómetros de distância da estrada alcatroada mais próxima. Matsimbe sorri, enquanto ouve o sermão de um pregador do Texas sobre Jesus e S. Paulo traduzido para uma língua local que é apenas falada nesta região, no interior de Moçambique."Fico muito contente por esta pessoa nos ter trazido a sua mensagem", diz Matsimbe, um agricultor de 59 anos e com 24 netos cuja língua materna, o xitshwa, é falado apenas por um milhão de pessoas. "Sentimos que há alguém que se preocupa connosco".Das florestas de África aos desertos da Mongólia e ao Médio Oriente, nunca houve tantas estações e tantas redes de rádio religiosas a difundir tantos programas, em tantas línguas, para tantos lugares.Apesar da globalização da fé estar a ser cada vez mais impulsionada pela Internet e pela televisão por satélite, as emissoras de rádio religiosas estão a gastar centenas de milhões de dólares num dos mais antigos meios de comunicação de massas."Nos países em desenvolvimento, para muitas pessoas o rádio é o único dispositivo disponível", diz Robert Fortner, especialista em rádio religiosa e director do Media Research Institute americano. "As pessoas ficam agarradas ao rádio como se fosse um barco salva-vidas depois de um tsunami".A rádio está a ajudar a apoiar o crescimento mundial da religião à medida que as emissoras religiosas vão expandindo a popularidade, o alcance e a influência das suas igrejas. E já atingem muitos milhões de pessoas, nos cantos mais distantes do mundo, que se encontram praticamente isoladas do resto do planeta devido à distância, à falta de dinheiro ou à língua que falam."Estes programas estabelecem uma ligação entre estas pessoas e o resto do mundo que, de outra forma, não existiria", diz Fortner. "Os destinatários dos nossos programas ficam a saber que existem outras pessoas no mundo que se preocupam suficientemente com eles para preparar programas na sua língua e falar com eles acerca dos seus próprios problemas."Para chegar aos "inatingíveis" das áreas rurais, onde a electricidade é ainda um sonho distante e mesmo as pilhas são um luxo, estas emissoras estão a distribuir centenas de rádios de manivela que custam 50 dólares.Na vila de Homoíne, 500 duros quilómetros a nordeste do Maputo, os pastores locais da igreja Metodista Unida e da igreja anglicana receberam novos rádios no mês passado e agora reúnem os seus paroquianos para ouvir os programas evangélicos."Isto traz mais pessoas à igreja" diz Xavier Muaga, o pastor anglicano. "Algumas pessoas começaram a ir à igreja e desistiram, mas estes programas convenceram-nas a voltar. Outros, que antes nunca vieram à igreja, agora vêm ouvir isto e querem tornar-se cristãos."Corão e músicaO crescimento das emissões religiosas deve muito à liberalização do espectro radioeléctrico que teve lugar nos anos 90, segundo analistas da indústria. Graham Mytton, que dirigiu o departamento internacional de estudos de mercado da BBC durante mais de 25 anos, faz notar que África tinha apenas duas estações de rádio não-estatais no final dos anos 80. Agora tem pelo menos 3000.Desde a dissolução da União Soviética em 1991, cerca de 2000 estações de rádio privadas, muitas deles com programação religiosa, desabrocharam nas quinze antigas repúblicas soviéticas, onde a liberdade de culto praticamente não existia antes disso. "As coisas começam a mudar lentamente, depois a mudança transforma-se numa cavalgada", diz Mytton.O cristianismo, a maior religião do mundo, com cerca de 2000 milhões de aderentes, é quem tem a maior presença nas emissões religiosas globais.Os programas cristãos vão desde leituras da Bíblia a cursos para pastores que não completaram a sua formação. Mas há também estações muçulmanas que emitem recitações do Corão, notícias e música. E existem em todo o mundo emissões de rádio patrocinadas por budistas e por seguidores de muitas outras religiões.Para além dos temas espirituais, as estações religiosas abordam questões práticas, têm programas sobre sida, cuidados básicos de saúde, higiene e aconselhamento familiar. Nalgumas estações, as notícias difundidas são escolhidas de acordo com critérios religiosos. Durante a controvérsia que teve lugar no ano passado, por exemplo, quando um jornal dinamarquês publicou caricaturas do profeta Maomé, alguns pregadores das rádios islâmicas ajudaram a mobilizar e a canalizar a indignação dos muçulmanos, que deu origem a violentos protestos em todo o mundo.Das 314 estações de rádio do mundo autorizadas a difundir os seus programas para além das fronteiras do país onde se encontram, 83 (26 por cento) são estações religiosas, de acordo com o World Radio TV Handbook. Pelo menos uma dúzia de grandes redes internacionais de rádio cristãs operam em centenas de países e difundem programas em pelo menos 360 línguas. A maior parte é oriunda dos Estados Unidos - que possui mais de 2000 estações de rádio religiosas - mas há muitas que são britânicas ou suecas. Dezenas de emissoras internacionais de menor dimensão funcionam em nações que vão do Canadá ao Chile e às Filipinas.A Trans World Radio, uma rede protestante aberta a todas as denominações e com sede nos EUA, é uma das maiores. Tem um orçamento anual de 40 milhões de dólares, obtidos através de doações, e emite para mais de 200 países.A Trans World opera hoje cerca de 2800 estações a nível global, mas eram 1600 em 2001, diz-nos Bill Damick, um responsável da rede que trabalha na Grã-Bretanha. Damick pensa que a programação cristã - em estações patrocinadas por denominações que vão dos Adventistas do Sétimo Dia ao Vaticano - está a crescer mais depressa em África e na América Latina que noutros países, mas ela está também a explodir na Ásia e na Europa do Leste. As redes de rádio islâmicas, na esmagadora maioria financiadas por governos, também cresceram nos últimos anos no Médio Oriente, África e Ásia, particularmente nos locais mais remotos. Estas tendem a concentrar-se em leituras do Corão, especialmente em nações como a Arábia Saudita, onde Estado e religião se encontram estreitamente ligados.Ao contrário da filosofia evangélica das rádios cristãs, as rádios islâmicas tendem a concentrar-se nas pessoas que já são muçulmanas. Ebrahim Moosa, director-adjunto do Centro de Estudos Islâmicos de Duke University, diz que a rádio permitiu que muitos muçulmanos aprofundassem os conhecimentos que possuem da sua fé, assim como a sua devoção. Muitas das estações muçulmanas estão também a difundir cada vez mais talk shows islâmicos e música pop, especialmente na Jordânia e noutras sociedades mais seculares. Estrelas como Sami Yusuf, um cantor pop britânico islâmico de 27 anos, cujas letras em louvor de Alá fazem sensação, agitam as ondas hertzianas. Muitas grandes emissoras de rádio hindus nos Estados Unidos, Europa e Índia também misturam orações com música pop, e notícias de Bollywood com programas sobre cozinha vegetariana. Estações budistas difundem cânticos tibetanos e notícias por todo o mundo, incluindo emissões clandestinas dirigidas ao interior do Tibete. As estações governamentais, comerciais e religiosas há muito que usam emissões em onda curta para atingir sociedades fechadas como Cuba ou a Birmânia - que recentemente foi palco das maiores manifestações anti-governamentais dos últimos 20 anos, lideradas por monges budistas."Esta é a única maneira que temos de fazer chegar a informação às pessoas na Birmânia", diz Htet Aung Kyaw, editor da Democratic Voice of Burma, uma rádio laica instalada na Noruega que emite em onda curta para o interior da Birmânia.Rádio-novela e sidaEm países como Moçambique, onde as rádios foram liberalizadas no início dos anos 90, a FM é uma verdadeira feira de religiões. No Maputo, os ouvintes podem escolher entre uma estação católica, duas protestantes e uma nova emissora islâmica.A Rádio Comunitária de Homoíne transmite desde o fim de 2001 e no ano passado a Trans World Radio começou a comprar tempo de antena na estação para emitir um novo programa cristão sobre HIV e sida, que é uma praga em ascensão nesta região de África. É Preciso Coragem é uma rádio-novela, produzida por um pastor local e com actores locais, que promove a moralidade, a fidelidade conjugal e defende a abstinência antes do casamento. Muitas pessoas disseram que era a primeira vez que ouviam um verdadeiro programa educativo sobre sida na sua própria língua."Era melhor do que um panfleto a dizer "Usa um preservativo"", diz Hussene Algy, o director de programas da rádio. "Este programa chegou a pessoas iletradas, que sabem muito pouco sobre HIV e sida e ensinou-as a recear a sida da mesma maneira que receiam o diabo".Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

Porque é que se chamava Manhattan o projecto que deu origem à bomba atómica?
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Ffd%3DNEXT%26page%3D20%26dt%3D20071031%26c%3DA
31.10.2007, Andréia Azevedo Soares

Porque foram lá feitas as primeiras experiências atómicas. Um nome tão óbvio protegeu durante décadas a operação secreta dos Aliados EntradaEstudos ditados pela II Guerra Mundial
Os norte-americanos chamaram “Rapazinho” e “Homem Gordo” às bombas nucleares que, em Agosto de 1945, aniquilaram duas cidades japonesas. Os nomes de código são assim mesmo, pouco ou nada têm a ver com aquilo que designam – ou, como revelou ontem o New York Times, têm realmente tudo a ver. O famoso (e então ultra-secreto) Projecto Manhattan chamou-se assim precisamente porque nasceu na ilha de Nova Iorque. Um nome tão, mas tão óbvio, que nunca ocorreria a ninguém que poderia referir-se ao local que acolheu as primeiras experiências atómicas que levariam à vitória aliada na Segunda Guerra Mundial.“Quando pensamos na corrida entre os cientistas da Alemanha e dos aliados para a construção da primeira arma nuclear, vem-nos logo à cabeça a base de Los Álamos”, afirmou ao PÚBLICO o matemático e divulgador científico Nuno Crato. O laboratório criado nas montanhas do Novo México é, de facto, uma coordenada crucial no mapa da primeira bomba atómica; mas o verdadeiro berço doprojecto científico está em Nova Ior-que. A informação esteve, afinal, du-rante quase 60 anos debaixo dos nos-sos narizes.É Robert S. Norris, historiador da era atómica, quem chama a atenção para o detalhe no seu livro The Manhattan Project, publicado em Setembro nos Estados Unidos. A obra revisita vários lugares nova-iorquinos que, de alguma forma, condicionaram a história do mundo a partir da Guerra Fria. De armazéns recheados de urânio a laboratórios que en-saiavam a cisão de átomos, havia umquartel-general a funcionar nas ime-diações da câmara municipal. O primeiro pólo ficava num 18.º andar da Broadway.“Era algo ultra-secreto. Pelo menos cinco mil pessoas trabalhavam ali, sabendo apenas o estritamente necessário para cumprir as suas tarefas”, afirma Robert S. Norris ao New York Times. De acordo com o historiador, a escolha de Manhattan deveu-se ao facto de estarem ali reunidas e disponíveis todas as peças necessárias para o sucesso da operação: várias unidades militares, um cais para re-ceber os melhores cérebros que fu-giam da Europa e um operariado “de-sejoso por trabalhar pela causa bélica”. Ao todo, envolveu mais de 130 mil pessoas na sua idealização e concretização, que culminou com as bombas lançadas três anos mais tarde sobre Hiroxima e Nagasáqui. “Muitos dos problemas que temos hoje”, admitiu Norris, começaram naquele tempo e espaço.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Incêndio e êxodo

Incêndios levam a êxodo de um milhão de pessoas na Califórnia
http://dn.sapo.pt/2007/10/25/internacional/incendios_levam_a_exodo_um_milhao_pe.html
POR Helena Tecedeiro

as autoridades estão a tirar um milhão de pessoas das habitações
estamos a ficar loucos
e ver se está tudo bem
quanto às celebridades, tiveram de fugir

há quem tenha a certeza de ter perdido a sua casa
depois de soltar os cães
e ajudado os vizinhos deficientes

as gravações continuam interrompidas
se procuram erros, temos todos os aviões necessários

quarta-feira, outubro 24, 2007

Cão morre

Cão morre numa exposição
Uma estranha forma de arte
http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/149040
24 de Outubro de 2007
POR Paula Cosme Pinto

o cão foi capturado num bairro pobre
o artista, mais conhecido, deixou um cão morrer à fome durante uma exposição,
o mesmo cão

o artista recusou a libertar o animal
porque se tratava de uma homenagem e o cão está mais vivo do que nunca
e dá que falar
(o cão morreu)

á entrada, ironicamente, os visitantes podiam ler que eram o que liam

terça-feira, outubro 23, 2007

Antes da natureza

Alan Weisman, autor de "O Mundo sem nós"
http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/147103
"Devemos pensar em reduzir a população antes que a Natureza o faça"
22 de Outubro de 2007


Se nada fizermos para travar a explosão demográfica e a sobre-exploração dos recursos, bastarão algumas décadas para a Humanidade entrar em colapso.
Nelson Marques
15:35 Segunda-feira, 22 de Out de 2007






Link permanente:
x
Ana Baião
Alan Weisman: "Estamos a causar a destruição de outras espécies, incluindo espécies que precisamos, e, por isso, não conseguiremos sobreviver"
Alan Weisman passou mais de três anos a viajar pelo mundo e a conversar com centenas de especialistas para responder a uma pergunta: como evoluiria o planeta se os humanos desaparecessem? A resposta está em "O Mundo sem nós", um livro tão fascinante quanto provocador que chega esta semana a Portugal com a chancela da "Estrela Polar".
De passagem pelo nosso país, a convite da APDC-Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, onde participará, esta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na conferência "As TIC ao serviço do ambiente", Weisman falou ao Expresso.
O que o levou a escrever este livro? Há anos que escrevo sobre o Ambiente e cubro assuntos ambientais em todo o planeta. Estas são questões urgentes que as pessoas necessitam saber. Quando olhamos para a questão do aquecimento global, percebemos que os assuntos ambientais estão todos relacionados entre si. Há pormenores que podem ser muito deprimentes, muito assustadores para as pessoas. Muitas pessoas que precisam saber o que se está a passar no nosso planeta, não querem pegar num livro que descreve em detalhe esta crise ambiental global. Por isso, tenho andado à procura de uma forma de escrever sobre isso sem afugentar os leitores e também conquistando uma audiência mais vasta que as pessoas que já têm consciência ambiental.
Porque decidiu criar um cenário onde a Humanidade já tinha desaparecido? O que fiz foi, em vez de escrever um livro que afugenta as pessoas porque elas, ao lerem-no, pensam "Oh, este é um livro que diz que se não mudarmos o que estamos a fazer vamos todos morrer", escrever um livro em que já estamos todos mortos. A partir daí, o planeta começa a recuperar sem nós. Como se desenvolveria o resto da Natureza sem a pressão que lhe impomos todos os dias? Como lidaria com as coisas que deixaríamos? Por exemplo, lançamos muito dióxido de carbono na atmosfera. Quanto tempo levaria a Natureza a reabsorver esse dióxido de carbono? E em relação aos químicos, plásticos e material radioactivo? Poderá a Natureza curar-se do que lhe fizemos? E todos os nossos edifícios, todas as nossas cidades? O que lhes aconteceria? Poderia a Natureza apagar todos os nossos vestígios? São perguntas como essas que o livro tenta responder. As pessoas podem olhar para o futuro sem se preocuparem com o que lhes vai acontecer. No livro, já estão todas mortas.
As suas conclusões são baseadas em factos científicos? Todo o que está no livro resulta de uma apurada pesquisa. Foram quase três anos e meio de investigação, mas muita da pesquisa que fiz no passado foi útil. Visitei muitos lugares em todo o Mundo e falei com centenas de cientistas e pessoas. Perguntei-lhes o que aconteceria se todos desaparecêssemos subitamente.
De certa forma, essa viagem ao futuro é também um regresso a um passado sem humanos. No livro, falo com muitos paleontólogos e paleoecologistas para perceber como o mundo era antes das pessoas. Fui, por exemplo, a África para perceber como as pessoas evoluíram e fui a outros continentes, como a América do Norte, para perceber que animais viveram aqui antes da chegada dos humanos. Existiam muitos mais animais grandes, com mais de uma tonelada, que desapareceram com a chegada dos humanos.
Que conclusão o surpreendeu mais? Diria duas coisas. Em primeiro lugar, fiquei muito surpreendido por perceber que havia tanto plástico no Mundo. A maioria dos resíduos de plástico acaba rapidamente a boiar no mar, porque é muito leve. Porque não temos micróbios na Terra capazes de comer o plástico - pode demorar milhares ou centenas de milhares de anos até tal acontecer -, este é quebrado pela força do mar em pedaços mais pequenos, que são comidos por muitas criaturas marinhas. É algo que me preocupa muito. A segunda situação é muito reconfortante. A vida é extremamente resistente. Tem uma força enorme e surpreendente. Irá encontrar sempre uma forma de regressar, mesmo quando acontecerem coisas más. Não estou preocupado com o planeta, porque a vida na Terra já passou por várias extinções e depois de partirmos a vida voltará. Poderá é ser diferente do que vemos hoje.
Ou seja, há vida na Terra para lá dos humanos. Há, mas isso não quer dizer que não tenhamos que cuidar melhor o planeta. Não escrevi este livro porque pense que as pessoas devam desaparecer. Acredito que pertencemos a este planeta como as outras espécies. Trabalhamos muito para nos desenvolver, mas crescemos demasiado e tornamo-nos tão poderosos que estamos desequilibrados em relação ao resto da Natureza. Estamos a causar a destruição de outras espécies, incluindo espécies que precisamos, e, por isso, não conseguiremos sobreviver. O que espero que os leitores vejam no meu livro é como o mundo recuperaria e seria bonito sem os humanos e, com isso, pensar se existe uma forma de ficarmos na Terra e deixar que o resto da Natureza floresça de novo para que tenhamos um ambiente mais saudável.
É uma questão para desenvolver num próximo livro? Talvez. No final deste, levanto uma questão que tem a ver com o facto de, a cada quatro dias, haver mais um milhão de pessoas na Terra. Deixo o leitor pensar como seria o Mundo se não nos estivéssemos a reproduzir à velocidade que estamos. Sempre que, na história da Terra, uma espécie cresceu demasiado, a sua população entrou em colapso. Algumas espécies extinguiram-se por completo. Se os seres humanos continuarem a crescer da forma que estão a crescer, se atingirmos nove mil milhões de seres humanos a meio deste século, isso talvez seja demasiado e a nossa população entre em colapso. Acho que devemos pensar em reduzir a população antes que a Natureza o faça por nós.
Devemos estar preocupados com o fim da Humanidade? Acho que toda a gente já está. Mesmo os mais egoístas sabem que estamos a usar demasiados recursos e a criar demasiada poluição. As pessoas estão hoje muito preocupadas com o aquecimento global, muito mais que há 10 anos. Estas ideias são hoje importantes para muita, muita gente. O livro tem sido um "best-seller" nos Estados Unidos, no Canadá e na Alemanha, e está agora a ser publicado em 27 línguas diferentes. Não é apenas um livro para ambientalistas e ecologistas. O facto de estar a vender tantas cópias é a prova que muita gente está atenta, não apenas as pessoas que amam as árvores e a Natureza.
Esperava este sucesso? De certa forma. Não queria escrever mais um livro sobre o ambiente que apenas algumas pessoas lessem. Quis escrever um livro que fosse acessível a muita gente e que fosse, simultaneamente, um livro interessante de se ler e não afugentasse os leitores. Estou muito grato por isso ter sido conseguido.

sábado, outubro 20, 2007

Desfibrilhadores implantáveis
Doente vai receber sinal sonoro em caso de avaria

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/144445

Médicos vão activar um alerta nos aparelhos da Medtronic colocados em 506 cardíacos portugueses. A medida surge após cinco mortes no estrangeiro.
Vera Lúcia Arreigoso
20:37 Quinta-feira, 18 de Out de 2007






Link permanente:
x
Os médicos portugueses que colocaram desfibrilhadores implantáveis da Medtronic em doentes cardíacos estão a receber indicações para activarem um alerta sonoro no aparelho como forma de aviso em caso de avaria.
A recomendação começou a ser feita esta semana após terem sido reveladas cinco mortes entre portadores daquele dispositivo, implantado em 268 mil doentes, 506 dos quais portugueses. Os especialistas do laboratório verificaram que os eléctrodos (Sprint Fidelis) usados nem sempre resistem às contracções do coração: fracturam-se, impedindo a descarga eléctrica necessária para corrigir a arritmia.
A notícia alarmou os doentes mas a comunidade científica garante que a substituição dos eléctrodos (um fio colocado no interior do coração que faz a ligação à pilha do lado de fora) é mais perigosa do que a hipótese de avaria.
"O risco não dista muito do que é esperado nestes equipamentos e os doentes devem ter os cuidados habituais, apenas com uma vigilância mais apertada", explicou ao Expresso o presidente do Instituto Português do Ritmo Cardíaco, Daniel Bonhorst.
Com a programação do alerta sonoro, o doente saberá que houve uma avaria e contacta imediatamente o médico. "O aparelho pode ser programado para avisar vários tipos de falhas. É só aproximar o programador do dispositivo e activar essas funcionalidades, neste caso o sinal sonoro", acrescenta. O processo é todo feito a partir do exterior, ou seja, não obriga a cirurgia.
A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) está a acompanhar o processo e a Medtronic garante que todos os doentes, registados numa base de dados do laboratório, estão a ser contactados. Estes desfibrilhadores são colocados em 11 hospitais portugueses e são pagos pelo Serviço Nacional de Saúde.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Freiras evangelizam em restaurante
http://dn.sapo.pt/2007/10/18/cidades/freiras_evangelizam_restaurante.html

as irmãs cozinham e servem
abordam temas do evangelho
e convidam à oração
um grupo de oito evangeliza no restaurante

há restaurantes em muitos locais do mundo,
por exemplo em paris

Desaparecido

Ladrão de 'mapamundis' ainda em liberdade
http://dn.sapo.pt/2007/10/18/artes/ladrao_mapamundis_ainda_liberdade.html
DIREITOS RESERVADOS (imagem)


as autoridades procuram
o ladrão de dois mapa-mundis diferentes
(ambos de ptolomeu)

aparentemente desaparecido na argentina

quarta-feira, outubro 17, 2007

Declarações polémicas ao “Sunday Times”
James Watson diz que os negros são menos inteligentes que os brancos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1307829
17.10.2007 - 12h12 PUBLICO.PT

James Watson, Nobel da Medicina em 1962, um dos homens responsáveis pela descoberta da estrutura molecular do ADN, a dupla hélice da vida, precursor da genética, acredita que os negros são menos inteligentes que os brancos. As suas declarações, publicadas num trabalho no “Sunday Times”, de domingo passado, estão a envolver o cientista, mais uma vez, numa acesa polémica.
Não é a primeira vez que James Watson, já com 79 anos e responsável pelo prestigiado laboratório de Cold Springs, suscita polémica com as suas declarações politicamente incorrectas. Em 1997 afirmou, também numa entrevista ao britânico “Telegraph”, que, se um dia se descobrisse que a homossexualidade está gravada nos genes, então que as mães de bebés com esses genes deveriam ter o direito de abortar: “Disse que deviam ter esse direito porque quase todas gostavam um dia de ter netos”, recordou agora na entrevista de domingo do “Sunday Times”.Agora Watson, que se prepara para publicar mais um livro (“Avoid boring people: lessons from a life in Science”), e que anseia pelo dia em que os cientistas deixem a tarefa de falar politicamente correcto... para os políticos, defende que, geneticamente, os brancos são mais inteligentes que os negros.“Toda a nossa política social está baseada no facto da inteligência deles [dos africanos] ser a mesma que a nossa. Mas todas as experiências dizem que não é bem assim”, afirma, para depois acrescentar: “Quem tenha que lidar com empregados negros sabe que isto não é verdade”.Segundo a Unesco, a descriminação de raças com base em pressupostos científicos carece de fundamento e é contra os princípios morais e éticos da humanidade. Mas Watson não entende assim a questão: “Tudo o que conta para mim é a ciência pura”, diz na entrevista. Citado pelo “Independent”, Steven Rose, investigador em biologia da Open University e membro da Sociedade para a Responsabilidade na Ciência, uma das vozes que se insurgiu contra as declarações, afirma: “Se Watson lesse com atenção tudo o que tem sido publicado nesta área concluiria que não percebeu nada do que foi descoberto até agora”.

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
Milhões contra as desigualdades

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/142415

"Levanta-te e faz-te ouvir" é a acção global que decorre até às 21h desta quarta-feira, convidando a que ninguém fique em silêncio nem permaneça sentado face às desigualdades sociais.
Maria Luiza Rolim
7:14 Quarta-feira, 17 de Out de 2007






Link permanente:
x
Até às 21 horas desta quarta-feira, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, "Levanta-te e faz-te ouvir" contra as desigualdades e a favor da justiça. A iniciativa, que irá decorrer em todo o mundo, mobiliza milhões de vozes para, em uníssono, recordar aos líderes mundiais que uma em cada seis pessoas vive em condições de pobreza extrema, não tem acesso a medicamentos nem à educação básica.
A campanha visa, em especial, chamar a atenção dos Governos para que cumpram as suas promessas de alcançar os "Objectivos do Desenvolvimento do Milénio" até 2015, que continuam por cumprir, tais como o perdão da dívida aos países pobres, um comércio mais justo, e a ajuda pública ao desenvolvimento.
Mais de 20 milhões contra a pobreza
A acção "Levanta-te e faz-te ouvir" pretende mobilizar mais de 23,5 milhões de pessoas, superando, assim, o anterior recorde mundial de pessoas que se levantaram em prol de uma causa, obtido em 2006.
Somente em Portugal - onde a organização do evento está a cargo da associação "Pobreza Zero" - , mais de 45 mil pessoas já estão inscritas para as várias acções que vão decorrer em todo o país. Os organizadores apelam a todos os que adiram à campanha para trazerem uma fita branca, símbolo da luta contra a pobreza.
Trata-se de uma proposta da "GCAP - The Global Call to Action Poverty", a maior aliança da sociedade civil, composta por empresas com práticas de responsabilidade social, autarquias, grupos de jovens e organizações não-governamentais de mais de 30 países.

terça-feira, outubro 16, 2007

Os insectos podem fazer espionagem?
http://dn.sapo.pt/2007/10/16/ciencia/os_insectos_podem_fazer_espionagem.html
16 de Outubro de 2007

Insectos controlados por controlo remoto? Parece um produto da ficção científica, mas, na verdade, é uma invenção dos serviços secretos norte-americanos. Primeiro é preciso ter larvas de insectos de grandes dimensões (como borboletas ou libélulas) em cujos sistemas nervosos são inseridos chips de silicone. Depois, quando os insectos crescem, monta-se-lhes uma microcâmara para que voem à procura de informações. Para já, a Agência de Projectos Avançados de Defesa (DARPA é a sigla em inglês) já conseguiu criar os insectos com chips no interior. Mas ainda não teve sucesso no controlo à distância dos animais.A verdade é que esta seria uma conquista inédita. Até agora, ninguém conseguiu "robotizar" animais, ou seja, fazer com que eles cumpram ordens que são transmitidas aos seus músculos ou ao sistema nervoso. Mas, como explicou ao Washington Post Antonio Méndez, ex- -membro da CIA, "tudo pode funcionar se lhe dedicarmos tempo e dinheiro suficientes". Segundo Méndez, "a CIA e outras agências" do Governo norte-americano também estão a desenvolver experiências semelhantes. Os estudos da DARPA concluem que é possível aproveitar a metamorfose dos insectos - durante as quais os animais reorganizam totalmente os seus organismos - para inserir no seu sistema nervoso e nos seus músculos equipamentos electrónicos através dos quais será possível, posteriormente, conduzir os seus movimentos. Nas borboletas, por exemplo, pode-se optar por aplicar minúsculas luzes sobre os olhos - uma vez que elas são atraídas pela luz, um jogo de luzes correcto poderia levá--las numa direcção ou noutra. Existe ainda uma outra possibilidade, que tem a ver com o uso da nanotecnologia para criar robôs com o tamanho e o aspecto de insectos e utilizá-los como espias ou, até, para guiar bombas (se bem que correm o risco de ser comidos por algum predador). Aliás, embora nenhum organismo oficial admita a sua utilização, o Washington Post recolheu testemunhos de pessoas que garantem ter visto robôs com forma de insectos a fazer espionagem.Nos Estados Unidos já é possível comprar por 50 dólares (35 euros) um robô em forma de libélula que voa exactamente como o insecto mas é muito maior e, logo, não poderia ser usada em missões de espionagem. E na Feira de Insectos e Robôs Voadores, que se realiza em Agosto na localidade suíça de Ascona, já foram apresentados outros microrrobôs voadores de fabrico caseiro. Dito de outra forma, os robôs-insectos já são uma realidade: agora, o objectivo são os insectos-robôs.

Isto é feio
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20071016%26page%3D4%26c%3DC
16.10.2007, Isabel Coutinho, em Frankfurt

Umberto Eco esteve na Feira do Livro de Frankfurt a lançar e a falar sobre a sua mais recente obra História do Feio, que amanhã vai para as livrarias portuguesas numa edição da Difel. A obra segue a mesma lógica que a História da Beleza, numa revisitação do feio através da história da arte ocidental
Umberto Eco a dançar sem parar em Frankfurt? Esta é uma das histórias que os editores portugueses gostam de relembrar sobre os bons momentos que passaram na feira do livro. Nas conversas sobre Frankfurt surge sempre aquele ano em que Umberto Eco, o autor de O Nome da Rosa, esteve na festa mais badalada da feira - o jantar que o grupo Bertelsmann/Random House organiza no Hotel Arabella - e não parou de dançar a noite toda.
Este ano, o semiólogo e escritor Umberto Eco regressou à feira para lançar o seu mais recente livro História do Feio. Não o vimos a dançar na festa da Bertelsmann (que continua a ser a mais badalada das festas), mas andou a mostrar a feira a um grupo de alunos e deu uma entrevista ao Das blaue sofá, o programa de televisão sobre livros organizado pelo Der Club Bertelsmann e a ZDF, e que é gravado num espaço aberto na feira com público a assistir. História do Feio vai para as livrarias portuguesas amanhã numa edição da Difel, o livro ilustrado está a ser publicado em vários países europeus ao mesmo tempo. Foi por uma data de razões que Umberto Eco depois de fazer a História da Beleza partiu para a História do Feio. "Quando fizemos a História da Beleza, achávamos que era um bom projecto mas nunca suspeitámos que fosse um livro que viria a ter 27 traduções para outras línguas. E o meu editor - vocês sabem como são os editores, eles também andam à procura de ter lucro -, disse-me: "Agora temos que fazer outro livro"", explicou Umberto Eco na conversa no sofá azul. ""Olha que a História da Beleza não vendeu pelo seu conteúdo mas pelo título", disse. Podíamos colocar lá dentro a lista telefónica que ninguém se importaria, porque o título funcionava tão bem, e não existem muitos temas tão bonitos como a história da beleza". Então tivemos subitamente esta iluminação de fazer a história do feio [ri-se]. E foi uma grande surpresa para mim descobrir como era muito mais divertido estar à procura do feio, porque o feio é muito mais interessante que o belo. A beleza é frequentemente monótona!" Mas há o outro lado do espelho: "Ao fazer este livro, não fui perturbado por desejos sexuais", confessou em Frankfurt. "O belo mesmo mudando ao longo dos séculos sempre correspondeu a uma norma", explicou o professor universitário italiano. "O corpo humano não pode ser maior do que isto e menor do que aquilo, o nariz tem que ser mais ao menos assim; enquanto no feio há uma infinidade de deformações que podem acontecer. Podemos ter um gigante ou um anão, alguém com um nariz como o de Pinóquio, há uma infinidade de variações, a fenomenologia do feio é muito, mas muito mais rica do que a da beleza."O feio também não é o mesmo para todas as pessoas. O conceito de fealdade, como aliás o de beleza, é relativo, varia com as diversas culturas. Por exemplo, há quem considere que o kitsch é bonito. O kitsch é uma distinção de classe e sempre aconteceu os membros das classes altas julgarem desagradáveis ou ridículos ou de péssimo gosto os gostos das classes baixas. "Alguém de uma classe mais baixa, do ponto de vista intelectual e não necessariamente com pouco poder económico, considera bonitas coisas que a classe mais alta, os happy few, consideram feias, mas se formos subindo na escala social até pode ser considerado camp (é belo porque é horrível). Por isso, é interessante, há um mercado flutuante, uma espécie de bolsa de valores para o que é bonito e o que é feio. Não só o belo e o feio varia de país para país e através dos tempos mas também através dos estratos sociais."Hoje, disse Eco, se calhar não gostaríamos de ter um caso amoroso com uma das mulheres pintadas por Rubens por causa da imensa celulite, mas naquela época era considerado muito bonito. Tal como a anorexia há uns anos atrás era bela e agora está a começar a ser considerada feia.A mulher no quadro Mulher a Chorar de Picasso (1937) é feia ou não? Umberto Eco colocou esta imagem no livro para mostrar como é difícil julgar o que é bonito ou feio em épocas remotas e em períodos mais antigos da história. "Se alguém vindo do espaço olhasse para esta representação de mulher na obra de Picasso, acreditava que gostávamos de mulheres como estas, o que não é verdade. Mas posso comentar esta imagem de outro modo. Esta imagem é aquilo que consideramos uma pintura bonita, mas, tenham atenção, se o meu avô aqui estivesse acharia esta pintura horrível. Agora achamos que é bonita. Será que representa uma mulher feia? Não temos a certeza. Se representa uma mulher, talvez seja uma mulher bonita, mas é-o através da maneira cubista de olhar o mundo. Existem três aspectos: é uma bonita representação de uma pessoa que não sabemos se é bonita ou se é feia. Porquê? Olhem para o outro quadro, o Retrato de Velho com Neto, de Domenico Ghirlandaio (1490). Isto é uma bonita pintura, é uma bonita representação de uma pessoa feia e com um nariz horrível mas é uma qualidade de feio de que nós não desgostamos. É agradável. E temos esta representação da criança pequena que abraça este avô feio e mostra que há caras feias de que nós gostamos. Ele é feio mas gostamos dele. É por isso que a fenomenologia do feio é muito complicada."A fealdade de CristoNa antiguidade os deuses eram símbolo de beleza, mas com o cristianismo a representação de Deus pode ser feia. "Há um capítulo muito interessante na Estética de Hegel em que ele diz que o cristianismo começou a glorificação da fealdade do corpo divino, mas não só do corpo de Cristo, porque também os inimigos de Cristo são representados feios. Os santos também são habitualmente representados a sofrer, torturados, feridos, como se a apreciação do feio fosse um elemento positivo, usado para fins moralistas. É ambíguo porque temos o feio sagrado e também o feio do Inferno; há o feio do Diabo e o feio do Cristo." Na Idade Média, há muitas representações da mulher velha e da mulher feia. No Renascimento, a feiura feminina torna-se objecto de diversão burlesca. E, no século XX, no caso da fotografia Budapeste (o modelo), de Andres Serrano, que mostra uma mulher velha, ela é feia? "Se nós a vestirmos, ela fica com imensa dignidade, poderia ser uma Virginia Woolf de outros tempos. Transformou-se em feia porque está representada de uma forma lasciva, como se fosse uma cortesã, a fumar. Se estivesse vestida não seria feia. Tornou-se feia na representação do artista", continuou Umberto Eco. Eco, que é um conhecido coleccionador de livros e tem imensos livros sobre monstros, fez um capítulo só dedicado ao tema - "A mitologia dos monstros: o feio, o cómico e o obsceno". No livro fala de uma "estética do desmedido", de como Santo Agostinho dizia que os monstros eram belos enquanto criaturas de Deus. E dos monstros de hoje em dia: Drácula, Frankenstein, King Kong e mortos-vivos, algumas representações a meio caminho entre o mito e a ciência. O mistério do charmeÀs vezes não é fácil falar do feio. Esta mulher, por exemplo, diz o entrevistador alemão a apontar para Jurado nº4 (espírito de raposa), de Daniel Lee (1994), tem uma cara feia mas o corpo é belo... "É consigo. O que prefere?", riposta Eco. "Eu ficaria embaraçado se jantasse com ela. Mas este é um borderline, entre a beleza e o feio. E outra categoria sobre a qual seria muito difícil fazer um livro é o charme. O charme é uma qualidade misteriosa. O Gérard Depardieu e a Barbra Streisand são bonitos ou são feios? Estão para além destas categorias: eles têm charme. Mas este charme é fascinante, é uma qualidade misteriosa que pode depender dos olhos, de um pequeno movimento dos lábios, um movimento das mãos. Seria muito difícil definir o charme. E esta rapariga pode ser de alguma maneira charmosa."Mas nem sempre a beleza é charmosa. "Não quero ofender ninguém mas podia dizer-lhe uns quatro, cinco nomes de actrizes consideradas excepcionalmente bonitas mas com quem eu nunca quereria ter um affair porque, como dizemos em Itália, elas "não são o meu tipo", não são o meu género, não sinto o seu charme embora possa reconhecer que tecnicamente elas são muito bonitas.""Esta é o seu tipo?", pergunta-lhe, provocador, o entrevistador alemão e mostra-lhe uma imagem de uma mulher gorda, o quadro Mulher de Fernando Botero (1979). "Bem. Ela não é anoréctica, podia ser usada numa campanha contra a anorexia. Mas não me mostre só mulheres!" Porque é que as pessoas se põem feias? A próxima fotografia comentada é a de um punk com piercings. Eco colocou ao lado, em contraponto, pormenores de um quadro de Hieronymus Bosch, onde também se vêem rostos perfurados com anéis de vários géneros, porque o pintor representava os perseguidores de Jesus como criminosos, piratas e bárbaros. "O jovem contemporâneo de certa maneira quer ser atraente. Ele não me atrai a mim, mas parece que atrai muitas pessoas." "Não existe o absolutamente bonito e o absolutamente feio. Há muitas variações pelo meio, como eu e você, por exemplo", diz Eco, provocando imensas gargalhadas no público. O PÚBLICO viajou a convite das Edições ASA

sábado, outubro 13, 2007

De pé há 21 milhões de anos
http://dn.sapo.pt/2007/10/13/ciencia/de_ha_milhoes_anos.html
FILOMENA NAVES

Nova tese faz recuar bipedismo 15 milhões de anos
O andar bípede, que permite à espécie humana manter o tronco direito durante a locomoção, é uma das características-chave que, justamente, definem o ser humano como tal. Mas esta é também uma especificidade cuja origem, no decurso da evolução, está ainda envolta em algum mistério. Um biólogo americano veio agora dizer que o bipedismo surgiu há cerca de 21 milhões de anos, ou seja, algo como 15 milhões de anos antes do que professam as actuais teorias sobre a questão, que atribuem aos primeiros hominídeos essa nova capacidade entre os primatas.A nova tese, proposta Aaron Filler, do Museu de Zoologia Comparada de Harvard e do Centro Médico Cedars Sinai, baseia-se no estudo de um total de 200 fósseis de mamíferos, cujas idades cobrem um período de 250 milhões de anos.Filler, que publica o seu trabalho na revista científica Plos One, sustenta que um antigo símio que existiu há 21 milhões de anos - e cujos restos fossilizados foram descobertos no Uganda, na década de 60 - terá sido o primeiro a erguer-se e a caminhar. E baseia a sua tese no estudo das vértebras fossilizadas desse espécime .Esse primeiro bípede na história da evolução, o Morothopithecus bishopi, teria sido assim, diz Filler, um antepassado comum dos seres humanos e dos chimpanzés.A característica do bipedismo teria surgido nesse avoengo remoto através de uma mutação genética na fase de desenvolvimento embrionário, produzindo as alterações necessárias nas vértebras para uma locomoção completamente distinta da que existia até então."O que aconteceu ao nível embrionário é literalmente impressionante", comentou o investigador, que é especialista nos processos biológicos ligados à coluna vertebral e espinal medula, citado pelo El Mundo. E sublinhou: "Creio que a origem do andar bípede aconteceu durante o período de uma só geração, através de uma mutação genética, no período do Miocénio."As teorias mais consensuais sobre a a data do aparecimento do bipedismo colocam-na numa altura muito mais recente na evolução, há seis milhões de anos, quando já seria possível aos hominídeos locomover-se mais livremente, à medida que as florestas se tornavam menos cerradas.A expansão crescente das savanas terá, aliás, sido determinante para que essa habilidade dos hominídeos fosse vantajosa para a espécie em termos evolutivos.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Prevenção de doenças

China diz não a anúncios 'sexy' na TV e rádio
http://dn.sapo.pt/2007/10/12/media/china_nao_a_anuncios_sexy_tv_e_radio.html
'Spots' sobre prevenção de doenças banidos

o sexo sugestivo prejudica a sociedade e os espectadores
os dois desprotegidos contra o aparecimento de mulheres nuas, brinquedos sexuais e roupas vulgares,

medicamentos para tomar na cama

os anúncios com sexo e maus induzem erros,
prejudicam a moral e a indústria
proibiu-se o sexo numa província do sudoeste da china
o governo observa, quando se aproxima o congresso

os noticiários louvam o trabalho dos que governam

Texto a admitir massacre

EUA e Turquia dedicados a evitar que Congresso aprove texto a admitir massacre
Casa Branca fará tudo para impedir reconhecimento de genocídio arménio
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1307264
11.10.2007 - 20h03 Agências

O Governo de George W. Bush garantiu hoje que fará tudo o possível para impedir a adopção final pelo Congresso norte-americano de um texto a reconhecer o genocídio arménio no início do século XX, um passo que já levou a Turquia, um aliado estratégico dos Estados Unidos, a manifestar a sua indignação.
A Casa Branca afirmou-se “desiludida” com a realização de uma primeira votação pelo Congresso a reconhecer como genocídio o massacre de arménios entre 1915 e 1917 pelo Império otomano, ao qual a Turquia sucedeu em 1923. Estima-se que mais de 1,5 milhões de arménios morreram às mãos das tropas turcas, um número reduzido para 500 mil pela Turquia que recusa a utilização do termo genocídio, já reconhecido pela França, Canadá, Parlamento Europeu e por uma comissão do Congresso norte-americano, ainda que sem carácter vinculativo.“Estamos desiludidos com a votação de ontem”, disse Scott Stanzel, porta-voz da Casa Branca, um dia depois de o texto ser submetido a aprovação pelo Congresso, apesar das ameaças da Turquia e da pressão de Bush, que receia represálias diplomáticas do seu aliado. Um outro porta-voz da administração Bush, Gordon Johndroe, avançou, por sua vez, que o Presidente vai “reiterar a sua oposição” ao texto aprovado pela comissão no Congresso e que será agora remetido para votação em plenário na Câmara dos Representantes.A agência noticiosa Anatolia avançou esta tarde que a Turquia pediu ao seu embaixador em Washington, Nabi Sensoy, para regressar a Ancara, após a votação do texto pelo Congresso. "Não estamos a retirar o nosso embaixador. Pedimos-lhe que viesse à Turquia para algumas consultas", disse, em Ancara, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Levent Bilman. Segundo Bilman, o embaixador permanecerá na Turquia durante cerca de uma semana, para discussões sobre o voto da resolução.O Presidente turco, Abdullah Gul, qualificou de “inaceitável” o documento norte-americano. Em comunicado, o Governo de Ancara afirmou que a promoção do texto “colocará em perigo, num período muito sensível, uma parceria estratégica” entre os Estados Unidos e a Turquia. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou, tal como Bush, que tudo fará para impedir a aprovação final do documento pelo Congresso, antecipando que se tal acontecer serão tomadas medidas, mas sem as concretizar.O voto no Congresso norte-americano foi recebido, por sua vez, com satisfação pela Arménia. “Saudamos essa decisão”, disse o Presidente arménio, Robert Kotcharian, aos jornalistas em Bruxelas. O chefe de Estado espera que este passo leve “ao reconhecimento completo pelos Estados Unidos dos efeitos do genocídio”. “O facto da Turquia se recusar a reconhecê-lo não lhe permite que obrigue outros países a negarem também uma verdade histórica”, acrescentou.

quarta-feira, outubro 10, 2007

O amor também mata
http://dn.sapo.pt/2007/10/10/ciencia/o_amor_tambem_mata.html


Relações negativas aumentam risco de cardiopatiaOs casais cujas relações estão na mó de baixo têm mais possibilidades de vir a sofrer de doenças cardíacas. A imagem milenar do desamor como "mal do coração" ganha agora contornos científicos.Uma equipa de cientistas britânicos, que publicou esta semana um artigo no Archives of Internal Medicine, estudou, durante mais de 12 anos, 9011 concidadãos. A ideia era verificar se as pessoas que mantêm relações afectivas tumultuosas durante um largo período de tempo tinham, ou não, mais possibilidades de, no futuro, vir a sofrer de problemas coronários.A equipa escolheu 6114 homens e 2897 mulheres, todos funcionários públicos do Reino Unido. Dos 8499 que, no início da pesquisa, não apresentavam qualquer problema cardíaco, 589 tiveram problemas de coração durante os anos em que a observação durou.Depois de ter levado em conta outros factores que poderiam ter interferido e provocado um aumento do risco cardiovascular, os cientistas assumiram que quem apresentava problemas nas suas relações mais íntimas tinha mais 34% de possibilidades de desenvolver uma enfermidade relacionada com o coração do que os restantes membros da pesquisa.No início do trabalho científico, os investigados tiveram de revelar dados sobre as suas relações, tais como o apoio mútuo, a confiança entre os membros do casal, que tipo de interesses compartilhavam e se consideravam que havia reciprocidade na relação. Para além disso, os cientistas trabalharam dados como a idade, o sexo, o tipo de trabalho efectuado ou se os indivíduos se tinham divorciado recentemente."Os resultados da investigação indicam que as interacções negativas nas relações íntimas incrementam o risco de incidência de uma enfermidade cardiovascular", lê-se no estudo. "O efeito é independente de qualquer característica sociodemográfica, factores biológicos ou psicos- sociais, bem como de comportamentos ligados à saúde", tais como ingestão de álcool, obesidade ou tabagismo. Os investigadores levaram ainda em linha de conta, estatisti- camente, os indivíduos com colesterol a mais, diabetes, consumo regular de fruta e legumes e pessoas que fazem ou não exercício físico. Variáveis como a tendência para a depressão e para a afectividade negativa ou a existência de níveis elevados de stress no trabalho também foram consideradas. "É possível que os aspectos negativos no seio das relações íntimas sejam mais importantes para a saúde devido ao poder que essas relações têm para activar emoções fortes, como a preocupação ou a ansiedade e os correlativos aspectos fisiológicos", explicam os cientistas britânicos.O estudo foi levado a cabo por uma equipa do International Institute for Society and Health e do Department of Epidemiology da University College London. - M.A.C.

"A Casa Branca está cheia de fantasmas"
http://dn.sapo.pt/2007/10/10/internacional/a_casa_branca_esta_cheia_fantasmas.html
POR Helena Tecedeiro


Filha do Presidente Bush diz ter ouvido música sair da lareira do seu quarto
"Não estou a brincar, ouvi mesmo música de ópera a sair da minha lareira", afirmou Jenna Bush numa entrevista à revista Texas Monthly. A filha do Presidente George W. Bush garantiu que o fenómeno se repetiu: "Quando disse à minha irmã Barbara, ela não acreditou. Mas voltou a acontecer na semana seguinte, desta vez com música dos anos 50." A gémea loura admitiu ter medo de dormir na Casa Branca. E não é a única. Ao longo dos anos, foram muitos os que disseram ouvir ruídos e ver fantasmas no edifício construído em finais do século XVIII. O próprio site da Casa Branca (www.whitehouse.gov) dedica uma área aos fantasmas mais famosos da residência oficial do Presidente americano. É que, se Jenna Bush diz ter ouvido música sair da lareira, há quem afirme ter visto Abraham Lincoln nos corredores da Casa Branca. O fantasma do 16.º presidente dos EUA, assassinado em 1865 num teatro de Washington, é um dos mais "assíduos" no 1600 Pennsylvania Avenue. Winston Churchill recusou mesmo dormir no quarto onde ainda existe a cama de Lincoln depois de ter "avistado" o seu fantasma.Em 1946, foi o próprio presidente Harry Truman quem, numa carta à sua mulher Bess, garantia: "Este lugar está assombrado, tão certo como dois e dois serem quatro."Apesar de ser o mais famoso, Lincoln não é único fantasma da Casa Branca. No seu site esta recorda os relatos de pessoas que garantem ter visto Abigail Adams, mulher de John Adams, o segundo presidente dos EUA, a carregar roupa para o East Room. Quando os Adams ocuparam a Casa Branca, em 1800, três anos após John ter sido eleito, aquele era o local mais quente e seco do edifício e, logo, usado para estender a roupa. Outro caso célebre é o de Dolley Madison. A mulher de Woodrow Wilson terá aparecido aos jardineiros da Casa Branca para os impedir de arrancar as rosas que ela plantara um século antes no Rose Garden. Nos últimos anos, não houve notícias de fantasmas. Mas, em 1996, a primeira dama Hillary Clinton admitiu no Rosie O'Donnell Show que a Casa Branca era "assustadora". Nada que impeça a agora senadora de Nova Iorque de estar a fazer tudo para lá regressar em 2009, se vencer as presidenciais do próximo ano.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Monges agredidos para "denunciar os líderes"
http://dn.sapo.pt/2007/10/08/internacional/monges_agredidos_para_denunciar_lide.html
MONY CHRIS, em Rangum

"Espancaram-nos e depois interrogaram-nos para denunciarmos quem eram os líderes." Um jovem monge contou à AFP como, com cerca de mil outros monges, detidos durante as manifestações contra o regime militar, ficou refém durante seis dias num armazém sobreaquecido e sofreu agressões, fome e sede.Uma manhã, os soldados chegaram ao seu mosteiro budista, explicando aos monges que iam levá-los a um almoço oferecido pelo exército.Armadilha grosseira, atrás da qual se escondia um dos ataques das forças de segurança contra 18 mosteiros: ao chegarem a uma escola, os monges foram atirados para dentro de um edifício sobreaquecido, sem janelas, nem casas de banho. Antes de serem obrigados a despir-se e de serem espancados repetidamente."Fomos forçados a ajoelhar, com a cabeça virada para o sol, como os prisioneiros. Ficámos assim durante dois dias, antes de nos despirem", testemunha o monge de 18 anos, que preferiu manter o anonimato."Fomos espancados a murro e a pontapé ou com bastões. Depois fomos separados em grupos de dez e interrogados um a um. Eles queriam saber se tínhamos participado nas manifestações e quem era o líder no nosso mosteiro", diz o monge. No fim dos interrogatórios, os monges eram fechados em salas de aulas em grupos de 60, obrigados a ajoelhar e a fazer as necessidades no chão. Segundo o jovem monge, os soldados budistas confessaram ter vergonha do tratamento que lhes estavam a dar."Alguns soldados budistas vieram pedir desculpas e implorar o nosso perdão. Disseram-nos que se nos estavam a tratar assim era porque tinham recebido ordens superiores", conta o monge. "Alguns monges disseram então aos soldados que iriam para o Inferno e estes começaram a chorar porque sabiam ser verdade." Para obter misericórdia, os soldados levaram água aos prisioneiros.O jovem reconheceu entre os prisioneiros vários monges do mosteiro de Ngwekyaryan, duramente espancados pelos soldados a quem tentaram resistir. "Alguns estavam feridos, com os olhos fechados após terem sido agredidos. Outros estavam feridos na cabeça e nos braços. Alguns apresentavam mesmo fracturas expostas", garante o monge.Os religiosos foram depois separados em vários grupos: no primeiro ficaram os que eram suspeitos de ter participado nas manifestações, noutro os acusados de terem liderado os manifestantes e por fim os suspeitos de os terem apoiado.O jovem monge foi finalmente libertado com outros religiosos do seu mosteiro, após ter garantido aos militares que nunca se tinha manifestado.Enquanto espera o regresso à sua aldeia, onde irá reencontrar toda a calma e segurança, o monge garante não sentir ódio pelos seus torturadores. "Não tenho raiva dos soldados. Envio-lhes mesmo uma mensagem de amor, para que reencontrem a paz, um dia." AFP

quarta-feira, outubro 03, 2007

EUA
Ainda há nazis

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/131559
3 de Outubro de 2007

Um idoso de 85 anos que vive tranquilamente no Sul dos EUA, poderá ser obrigado a abandonar o país, caso se prove ter sido um militar das SS de Hitler.
Pedro Chaveca
Buchenwald foi um dos campos por onde o antigo SS terá passado
17:55 Terça-feira, 2 de Out de 2007






Link permanente:
x
Embora sejam cada vez menos, ainda é possível encontrar quem tenha colaborado com o regime nazi. Paul Henss, um alemão de 85 anos, a viver placidamente no estado americano da Geórgia poderá ter sido uma dessas pessoas.
Pelo menos é esta a convicção do Departamento de Justiça norte-americano e que a ser verdade poderá obrigar Henss a voltar à sua Alemanha natal, país que deixou em 1955, uma década depois da Segunda Grande Guerra terminar.
Em declarações à comunicação social, o octogenário que considerou o holocausto "uma catástrofe" nunca negou ter feito parte das tropas de elite nazis, as SS, e de ter realmente treinado pastores alemães e rottweilers, mas refuta em absoluto as acusações de ter sido guarda num campo de concentração ou ter cometido algum crime de guerra.
Para o facto de ser um homem acossado no crepúsculo da vida e do seu nome fazer parte da lista de guardas que passaram pelos campos de extermínio alemães, a explicação de Henss é simples: "Eles encontraram o meu nome porque eu passei lá duas noites".
Herói na frente russa ou cobarde na retaguarda
As noites a que Henss se refere terão acontecido na sequência de ter sido ferido por duas vezes na frente russa, onde alega ter combatido. "Eu lutei na frente e fui ferido duas vezes na Rússia. Depois de algum tempo enviaram-me para um desses campos durante um par de dias", lembra o antigo soldado.
A esposa chorosa a seu lado corrobora as memórias do marido e reforça que ele nunca esteve nem em Dachau nem em Buchenwald e muito menos treinou cães para atacar prisioneiros.
Uma visão completamente oposta à das autoridades americanas que embora não tencionem apresentar qualquer queixa contra Henss querem expulsá-lo do país.
Segundo informações avançadas pela imprensa internacional Paul Henss terá nascido em 1922 e 12 anos depois juntou-se à antecâmara das SS, a Juventude Hitleriana. Em 1940 já era membro do NSDAP, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães ou simplesmente Partido Nazi.
Em 1941, já nas SS, ofereceu-se para ser treinador de cães, actividade que desempenhou de forma competente em dois dos mais terríveis campos de concentração nazis: Dachau e Buchenwald, onde passou dois anos, de 1942 a 1944.
Cães treinados para matar
Os documentos agora em posse das autoridades americanas referem que durante a passagem de Henss por estes dois campos, as suas ordens não podiam ser mais claras. Os cães eram treinados para "morder sem misericórdia e desfazer todas as pessoas que tentassem fugir".
Presume-se que tenham sido milhares os soldados que passaram pelos vários corações da máquina de morte nazi e que contribuiriam para aumentar o sofrimento de milhões de inocentes.
Para além de muitos deste homens terem conseguido escapar às malhas da justiça, Paul Henss terá sido apenas um, mas como sublinhou Eli Rosenbaum, investigador do Departamento de Justiça norte americano, "o brutal sistema dos campos de concentração não podia funcionar sem a colaboração determinante de homens como Paul Henss, que, com os seus cães de guarda, se colocavam entre as vítimas e a liberdade".

Médicos cubanos salvam homem

Médicos cubanos salvam homem que matou Che
http://dn.sapo.pt/2007/10/03/internacional/medicos_cubanos_salvam_homem_matou_c.html
POR Susana Salvador

O nome de Che Guevara é reconhecido mundialmente, mas o do homem que matou há 40 anos o guerrilheiro cubano-argentino tinha caído no esquecimento. Esta semana, Mario Terán voltou para a ribalta, após se descobrir que recuperou a sua visão graças aos médicos cubanos. O soldado boliviano, que sofria de cataratas, foi mais um dos milhares de pacientes sul-americanos a beneficiar do programa "Operação Milagre". "Mario Terán, um homem educado na ideia de matar que volta a ver graças ao médicos seguidores das ideias da sua vítima", escreveu este fim-de-semana o jornal oficial do Partido Comunista Cubano, Granma. "Ancião, poderá voltar a apreciar as cores do céu e da selva, desfrutar do sorriso dos seus netos e assistir a jogos de futebol", acrescenta. O antigo sargento foi operado em Santa Cruz, a segunda maior cidade da Bolívia, a algumas centenas de quilómetros de La Higuera, onde, a 9 de Outubro de 1967, matou Che Guevara - detido na véspera. No centro oftalmológico, onde as fotos do guerrilheiro adornam as paredes, os médicos nem queriam acreditar. "Ficámos indignados. O homem não se apresentou propriamente como o assassino do Che", disse à AFP Margarita Andreu, a directora. Diariamente, são atendidas pelos médicos cubanos cem pessoas. Segundo os registos, há três referências a Mario Terán e os médicos ignoram qual destas se refere ao antigo soldado. A história só foi conhecida após o filho ter publicado no jornal boliviano El Deber um agradecimento aos médicos cubanos, que operaram gratuitamente o pai. Depois dos acontecimentos daquele 9 de Outubro, o sargento continuou a sua carreira militar até se reformar. Apesar da reacção, Margarita Andreu jurou à AFP que teria operado Mario Terán mesmo se soubesse a sua identidade: "É o nosso dever, a nossa obrigação. Além disso, o Che voltou a ganhar outro combate." Esse era precisamente o título do artigo no Granma. O jornal dizia que apesar de recuperar a visão "nunca será capaz de ver a diferença entre as ideias que o levaram a assassinar um homem a sangue frio e as deste homem, que ordenava aos médicos da sua guerrilha que atendessem de forma igual aos companheiros de armas e os soldados inimigos feridos".Cuba está a assinalar os 40 anos da morte de Che, cujos restos mortais foram encontrados em 1997 e enterrados em Santa Clara.-

terça-feira, outubro 02, 2007

Artigo da “Nature”
Chineses já semeavam arroz há 7700 anos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1306328&idCanal=13
02.10.2007 - 11h36 Reuters

Os agricultores chineses já semeavam arroz há 7700 anos e utilizavam o fogo e formas de controlo de inundações para irrigar os seus campos, revelam cientistas num artigo publicado na revista “Nature” da semana passada.
Geógrafos britânicos e chineses descreveram na revista como encontraram artefactos – ossos e ferramentas de bambu usadas para o cultivo – e elevadas concentrações de carvão em Kuahuqiao, zona húmida 200 quilómetros a Sul de Xangai. “Há 7700 anos, as pessoas utilizavam o fogo para abrir campos de cultivo. Não era apenas uma queimada, mas várias ao longo de décadas para manter o solo em condições para semearem arroz”, explicou Zong Yongqiang, da Universidade de Durham, Reino Unido.Também foram encontrados amontoados de madeira que se acredita terem sido usados como suportes no solo pantanoso para erguer plataformas para abrigos destinados aos agricultores e suas famílias.Naquela altura, os agricultores eram capazes de proteger os seus campos das inundações nas zonas costeiras mais baixas.Mas, há 7500 anos, aquela região foi subitamente abandonada, dizem os cientistas que encontraram vestígios da salinidade deixada nos solos pela água do mar. “Podem ver-se vestígios de um aumento abrupto de plantas marinhas, o que significa que as pessoas deixaram de conseguir proteger os seus campos porque o nível das águas do mar continuava a subir, com inundações”, acrescentou Zong.“Eles abandonaram aquele local, que ocuparam durante 200 anos, e mudaram-se para outros, com condições semelhantes”, disse, referindo-se a Hemudu, 120 quilómetros a Este de Kuahuqiao.Agora os investigadores estão a estudar o Lago Taihu, 150 quilómetros a Norte de Kuahuqiao. “Há cerca de seis mil anos, a comunidade era tão activa e a produção de arroz era tão elevada. Mas depois, há quatro mil anos, esta comunidade desapareceu”. Zong questiona se “foi por causa da subida do nível do mar ou do arrefecimento do clima”.