"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sábado, maio 30, 2009

Se não comes a sopa chamo um terrorista
http://jornal.publico.clix.pt/
30.05.2009, Autor do texto


Já suspeitávamos, mas agora a ciência confirma-o, sem margem para dúvidas: eles, os mais pequeninos, já não têm medo do lobo mau. Em idades cada vez mais precoces, os medos viram-se para coisas reais e actuais. São os raptos, os terroristas, as doenças como a sida,
os furacões ou a morte que lhes roubam o sono. Por Andrea Cunha Freitas


Os monstros do armário ou os que vivem debaixo da cama podem estar a perder poderes. Um trabalho que envolveu mais de mil crianças entre os sete e os 18 anos resultou num novo top dos medos. Os raptos, o terrorismo, os furacões, os tiroteios, a sida, estão no topo da lista. A investigadora Joy Burnham tem mais de uma dezena de artigos publicados sobre os medos contemporâneos das crianças e diz que a culpa destas mudanças é, em grande parte, da televisão. Por cá, a pedopsiquiatra Paula Freitas, docente no Instituto de Ciências Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, simplifica: "Os medos não mudaram, são os mesmos. São os rostos desses medos que podem ser diferentes". E pergunta: "Qual é a diferença entre o terrorista e o homem do saco das histórias antigas?".
Foi o El Mundo que o colocou em título: o lobo já não mete medo. Tudo por causa de uma nova investigação que apresenta os novos medos das crianças do século XXI. Segundo Joy Burnham, os terrores dos mais pequenos são cada vez mais reais e as personagens do imaginário estarão a perder o poder do susto em idades cada vez mais precoces. Quem sabe se, um dia, numa mesa de família, vamos ouvir: "Come a sopa, João. Come a sopa, ou vem aí um terrorista!".
"Alguns medos são normais em certas idades (o medo do escuro, de monstros ou de barulhos, para os mais novos). No entanto, nos últimos tempos, cada vez mais cedo as crianças revelam medo por coisas reais e não imaginadas", explica Joy Burnham numa conversa por correio electrónico com o P2. O estudo mais recente da investigadora sobre os medos contemporâneos das crianças foi publicado no Journal of Counselling and Development e chamou a atenção da imprensa internacional. A investigação é sobre os cinco medos mais citados em três grupos etários distintos: entre os sete e os 10 anos, entre os 11 e os 14 e entre os 15 e os 18. O projecto envolveu 1033 crianças e adolescentes de 23 colégios norte-americanos. Resultados? Eles hoje têm medo do rapto, de ataques terroristas, da sida, de serem ameaçados por uma arma e da morte. Olhando para o mesmo medo em diferentes idades, Joy Burnham encontrou a sida entre os cinco "maiores" medos nos sete, dez, 11, 14, 15 e 18 anos de idade.
"Acho que as mudanças na sociedade, as grandes preocupações mundiais e a exposição aos meios de comunicação fazem a diferença. Depois do 11 de Setembro, o medo de ataques terroristas aumentou. Percebi que, nas áreas afectadas pelo Katrina, os medos relacionados com estes fenómenos também aumentaram", nota. Sobre a influência das mudanças na sociedade na criação de novos pânicos entre os mais novos, Joy argumenta que hoje há mais crianças que dizem ter medo do divórcio dos pais. E, sobre os media, Joy não hesita: têm um papel central na formação dos medos contemporâneos destas crianças. É o acesso fácil e imediato à realidade que lhes inspira os terrores. Finalmente, os acontecimentos mundiais como as crises, os desastres, os furacões, as epidemias (agora, se calhar, encontramos crianças que estarão com pânico de gripe ou que têm medo de se raptadas como Maddie), também ajudam a formar medos, segundo esta especialista.
"Agora quero comparar os medos das crianças norte-americanas com os medos das crianças colombianas e, na fase seguinte, comparar os medos das crianças colombianas entre si. Estou também a conduzir uma nova sondagem para acrescentar alguns itens à lista de medos que consta no artigo publicado recentemente", adiantou ao P2. E as crianças europeias serão diferentes? "Há vários estudos que analisaram e compararam crianças norte-americanas e britânicas e também norte-americanas e australianas. Em muitos aspectos, os medos são idênticos nos vários países", diz Joy Burnham.
Apesar de ter constatado que o medo de coisas reais faz-se presente em idades cada vez mais precoces, Joy Burham acredita que os pânicos mais clássicos coexistem com os terrores contemporâneos. O medo do escuro, da trovoada, dos fantasmas, por exemplo, ainda estão lá. Serão apenas, cada vez mais cedo, "substituídos" por outros.
O homem do saco
"Preocupa-me que a instabilidade social e a insegurança dos adultos e os medos dos adultos transformem o mundo num mundo que é percepcionado pela criança como um mundo mais inseguro e mais ameaçador. Um mundo em que estes adultos, que também se sentem inseguros, não oferecem uma âncora suficientemente forte e protectora para a criança", diz Paula Freitas, pedopsiquiatra e docente de Saúde Mental no ICBAS. A médica sublinha o papel e o poder dos pais na construção de um sentimento de segurança dos seus filhos e contextualiza a transformação anunciada pela investigadora da Universidade de Alabama. "O que pode, de facto, estar a mudar é onde vamos buscar o medo. O medo é do lobo mau ou de sermos raptados ou de ser roubados? O que é o terrorista? Qual é a diferença entre o terrorista e o homem do saco das histórias antigas?", contrapõe. Por fim, dá a sua resposta: "Talvez o medo seja o mesmo. O medo do desconhecido. O rosto é que pode ser outro".
Quanto ao medo da sida, das doenças e das catástrofes naturais, Paula Freitas acredita que estamos perante uma constante actualização e que, "quando surgem devastações naturais, estes medos aparecem fortalecidos". "Não só na criança, nos adultos também", acrescenta.
"Muitas destas catástrofes chegam até nós pela televisão", admite a pedopsiquiatra, defendendo, no entanto, que este acaba por ser apenas o meio em que a realidade confirma os medos que temos.
Assim, a pedopsiquiatra não está surpreendida com os resultados do estudo norte-americano, ainda que não sinta estes novos medos tão presentes nas crianças portuguesas. "É normal que os medos se adaptem à realidade. É normal que a roupa que esses medos vestem tenha a ver com a realidade. Se nós vivemos num mundo que sentimos como mais inseguro, que faz com que os adultos se sintam mais inseguros, isto acaba por ter reflexos nas crianças." Se falássemos das crianças portuguesas, Paula Freitas juntaria o medo do "estrangeiro" a este top norte-americano. "O rosto do medo tem a ver com a cultura que vivemos e, por cá, os mais novos expressam muito o medo pelo que é diferente, nomeadamente de outras culturas e etnias. O estrangeiro dá um rosto para a ameaça. A maior diversidade étnica e o maior número de imigrantes poderão justificar este medo do "estranho", afirma.
Mas há medos comuns a todas as crianças. Paula Freitas aponta para o exemplo dos animais: aos três, quatro anos, há o medo do leão e do lobo. Quando crescem, ficam com medo de animais mais pequenos e, na idade escolar, não gostam nem de ouvir falar de aranhas ou cobras. Já o medo da morte, das doenças e contágios, refere a especialista, surge por volta dos sete e nove anos de idade.
E o que é que os pais devem fazer para ajudar os mais pequenos a gerir este mundo assustador de medos clássicos e contemporâneos? "Quanto mais seguros os adultos se conseguirem sentir, maior segurança conseguem transmitir à criança." E se os pais tiverem medo, devem fingir? "Não. As crianças não são estúpidas. Percebem muito bem essas coisas e não se deixam enganar facilmente. A criança tem menos amortecedores para as emoções e, por isso, menos capacidade de autocontrolo. Tanto exprime uma alegria esfuziante como um medo aterrorizador e compete ao adulto conter esse excesso de expressão emocional. O papel do adulto é regular o medo quando ele é excessivo em relação aos perigos reais", aconselha a especialista, alertando também para o "efeito protector do medo". "É importante que a criança não atravesse a estrada sem medo de ser atropelada." Fica o aviso: "Uma criança sem medo é um perigo".

Paula Rego pintora
De tudo. Do escuro, do diabo que vinha pelo corredor abaixo. Do cão muito pequenino que os meus pais me compraram e que tinha tendências suicidas. Das moscas. De sair à rua para o jardim no Estoril. Não passou. As crianças sabem o que é o medo melhor do que ninguém.

Adolfo Luxúria Canibal músico
Quando era criança vivia na serra, num meio isolado, na zona de Vieira do Minho. Tinha basicamente três medos. Tinha medo do escuro que, no fundo, é medo do desconhecido. Tinha medo dos ciganos pelas histórias que se contavam na altura. Diziam que roubavam, que levavam as criancinhas. Por causa desse medo tinha medo dos padres. Sempre que via um homem de batina, vestes escuras e colarinho, fugia. Não com medo do padre mas do cigano. E, finalmente, tinha medo do lobo, do animal selvagem que andava por lá perto, que matava cães e que, por vezes, via da janela.

valter hugo mãe escritor
Tinha medo do escuro. Não era capaz de me levantar, de me mexer para acender a luz. Não tinha candeeiro na mesinha de cabeceira e partilhava o quarto com o meu irmão que ficava mais perto do interruptor. Esperava as horas que fosse preciso até que alguém acendesse a luz mas não me levantava. Tinha medo dos fantasmas ou que algum bicho me agarrasse e levasse sei lá para onde... para os sítios onde os bichos vão. Vivíamos numa casa muito grande, com muitos quartos fechados, com um sótão onde nunca íamos, com muitos sons.

Albuquerque Mendes artista plástico
Nasci numa vilória nos anos 50. Os meus medos eram muito diferentes dos que sentem os que viviam na cidade. Nunca tive medo dos bichos, nem dos ruídos da casa - havia sempre muitos barulhos no sótão -, nunca tive medo do escuro porque brincava na rua e a noite era normal, tínhamos sempre a luz da lua e não havia persianas. A única coisa que me fazia medo era uma coisa que não entendia: o cemitério. Não era o local em si mas no Verão vi fogo a sair das campas e isso fazia-me medo. O fogo dos cemitérios. Cheguei a sonhar com isso, sonhava que aquelas chamas avançavam Trancoso. Hoje adoro cemitérios.
Paulo Ribeiro coreógrafo
O meu medo... era que os meus pais desaparecessem. Tinha medo que um dia eles não voltassem para casa. Sempre tive um ambiente familiar muito estável, eles viveram sempre juntos. Não me lembro de ter medo de monstros, do escuro, de fantasmas, bichos ou do lobo mau. Esse era o meu medo. Que um dia eles não chegassem a casa.

Júlio Machado Vaz psiquiatra
Tinha um medo que prima pela falta de originalidade: medo do escuro. Lembro-me que, quando andava pela casa, assobiava para espantar o medo. Não era medo do papão, era uma sensação inespecífica de ameaça, sentia que - porque estava escuro - qualquer coisa de mau me podia acontecer. Depois, lembro-me que tinha outro medo. Vivia com os meus pais e a minha avó materna e, raramente, os meus pais íam jantar fora ou ao cinema. Sempre que isso acontecia e eu ia dormir sem que eles tivessem chegado fazia o mesmo sonho: sonhava que estava a ser perseguido em casa por assaltantes e que, acerta altura, tropeçava e caía e ia ser apanhado. Acordava angustiadíssimo.
Era uma sensação de falta de protecção - o que é extremamente injusto para a minha avó que era uma mulher de armas e que me protegeria sempre - e não é preciso ser psiquiatra para fazer essa leitura. Nunca sonhei isso com os meus pais em casa.

sexta-feira, maio 29, 2009

Estados Unidos
FBI alimenta a lenda de Bonnie e Clyde
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1247337&seccao=EUA e Am%E9ricas
por HELENA TECEDEIRO

Polícia federal americana divulgou mil páginas com documentos sobre a operação que pôs fim a um ano de fuga do mais famoso casal de fora-da-lei, que ainda hoje fascina.

A imagem de uma mulher frágil a apontar uma grande espingarda a um homem de chapéu, divulgada pela polícia americana na Primavera de 1933 depois de revelarem um rolo deixado numa casa ocupada por um grupo de assaltantes fez de Bonnie Parker e Clyde Barrow o mais famoso casal de fora-da-lei da História dos EUA.

Agora, 75 anos depois da emboscada que pôs fim às suas vidas e a uma fuga de mais de um ano, o FBI revelou quase mil novas páginas de documentos - inclusive recortes de imprensa e fotografias como a do carro com as marcas de balas no vidro - com pormenores sobre a cooperação entre polícias na operação que terminou a 23 de Maio de 1934.

"Estas páginas descrevem o envolvimento do Bureau na perseguição a Bonnie e Clyde", pode ler-se no site do Federal Bureau of Investigation (FBI, na altura apenas Bureau of Investigation), que assinala o Ano do Bandido. A informação fora compilada pela delegação de Dallas, no Texas, uma das mais importantes na operação policial que levou à morte do casal de assaltantes depois de uma caça ao homem através de oito estados americanos. Foi preciso um forte aparato policial e uma cortina de balas para parar o Sedan no qual seguiam Bonnie e Clyde, num cruzamento de uma estrada de terra batida perto de Sailes, na Luisiana.

Assim terminava uma história que ainda hoje faz parte do imaginário americano - como prova o regresso ao cinema da dupla em A História de Bonnie e Clyde, com estreia marcada nos cinemas em 2010, depois do filme de 1967 com Faye Dunaway e Warren Beatty e de vários livros e canções inspirados nas suas aventuras.

Mas a realidade é menos glamourosa do que a ficção. Bonnie Parker nasceu no Texas em Outubro de 1910. Aos quatro anos perde o pai e aos 15 apaixona-se de tal forma que manda tatuar na coxa o nome de Roy Thornton. Devia ter esperado. Porque um ano depois do casamento já o marido a deixara. Quando conheceu o belo Clyde Barrow na casa de um amigo comum, em 1930, a jovem Bonnie já tinha atrás dela uma longa história de sofrimento.

Só e deprimida, não resistiu ao charme deste filho de um agricultor texano, que aos 12 anos deixou a escola e cedo começou a ter problemas com a justiça. Juntos, embarcaram numa aventura que só tinha um final possível: a morte. Foi Bonnie quem levou a Clyde a faca com quem este se evadiu a primeira vez da prisão. Depois disso, ambos foram trocando de parceiros - entre os quais o irmão de Clyde, Marvin, e a mulher deste - num ano de fuga que os levou por oito estados. Para trás, deixaram vários bancos assaltados e uns quantos cadáveres, sobretudo de polícias que se cruzaram no seu caminho. Várias vezes surpreendidos, ambos foram baleados, mas conseguiram sempre escapar.

Até 23 de Maio de 1934. Todos os anos, nessa data, a cidade de Gibsland, no Luisiana organiza um festival em homenagem à dupla de assaltantes. Esta é apenas uma das manifestações culturais que o casal inspirou. Um fascínio que Joseph Geringer, o autor de Bonnie and Clyde - Romeo and Juliet in a Getaway Car disse ficar-se a dever ao "entusiasmo dos americanos pelas suas aventuras à Robin dos Bosques. A presença de uma mulher, Bonnie, aumentou a aparência de sinceridade das suas intenções para as tornar únicas - por vezes mesmo heróicas", escreveu Geringer.

Estados Unidos
Fotos secretas mostram violações de prisioneiros
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1247341&seccao=EUA e Am%E9ricas
por LUMENA RAPOSO, Hoje

Antonio Taguba, o general que investigou a violência dos americanos contra os prisioneiros, acabou por revelar a existência de fotos onde é possível ver-se militares a violar detidas e a sodomizar jovens presos. Escândalo que Obama terá dificuldade em abafar.

"A simples descrição dessas fotografias é suficientemente horrível, acreditem-me", afirmou o general americano Antonio Taguba ao diário britânico Daily Telegraph. O militar que investigou os abusos cometidos por soldados dos EUA contra prisioneiros no Iraque e no Afeganistão disse concordar com a decisão do Presidente Barack Obama de impedir que fotografias, onde se vêm os detidos a ser violados, sejam tornadas públicas. O que já mereceu algumas críticas.

Antonio Taguba, que se reformou em Janeiro de 2007, não está seguro quanto à utilidade da publicação das ditas fotos, "para além de uma questão legal. E a consequência seria colocar em perigo as nossas tropas, únicos protectores da nossa política externa, quando delas mais precisamos e as britânicas que tentam construir a segurança no Afeganistão".

Obama está a tentar impedir que sejam tornadas públicas duas mil fotografias, relacionadas com 400 alegados casos de violação, abusos e violência ocorridos entre 2001 e 2005 na prisão iraquiana de Abu Ghraib e em outras seis prisões. O relatório elaborado pelo general em 2004, após ter investigado as denúncias feitas, continha depoimentos das vítimas de violação e abusos mas nunca foi revelada a existência de fotografias a atestar tais violências.

Em uma dessas fotografias, cuja publicação é exigida por alguns responsáveis, é visível uma prisioneira iraquiana a ser violada por um militar americano enquanto outra fotografia mostra um tradutor americano, de ascendência egípcia, a sodomizar um detido que teria entre 15 e 18 anos. O tradutor está a ser objecto de um processo cível num tribunal dos EUA.

Outras fotografias mostram prisioneiros a serem abusados sexualmente com objectos como cacetes, arames e tubos fosforescentes. Há ainda uma outra em que se pode ver uma prisioneira a ser violentamente despida.

A União Americana para as Liberdades Civis (ACLU) criticou a recente decisão de Obama que, em Abril, se afirmara determinado em publicar todas as fotografias, mantendo a promessa de que a sua administração seria transparente. Mas ainda mal terminara o mês e já o Presidente recuava. E justificava-se: "Libertá-las iria inflamar a opinião pública anti-americana e pôr as nossas tropas em risco". E Obama disse mais: "Quero sublinhar que estas fotos não são particularmente sensacionais, especialmente quando comparadas com as dolorosas imagens de Abu Ghraib que recordamos". Uma declaração algo infeliz.

Em 2004, ao falar perante a ACLU, Seymour Hersh - o jornalista que primeiro denunciou a situação nas páginas da revista New Yorker - contou que "mulheres passavam mensagens" para fora de Abu Ghraib pedindo que as matassem tal era a situação que viviam na prisão iraquiana.

A ACLU e o Comité de Defesa da Carta de Direitos, este pela voz do seu presidente Chip Pitts, insistem na publicação das fotos porque "transparência e responsabilidade não podem ser apenas temas para bonitos discursos".

Entretanto, Ali Kadom, funcionário do Ministério dos Transportes em Bagdad disse à CNN que o Governo iraquiano "deve exigir a reabertura do escândalo de Abu Ghraib". Um outro responsável iraquiano defendeu que as fotos devem ser publicadas para acabar com a possibilidade de novo escândalos. Até porque, como escreveu Frank Rich no New York Times, inevitavelmente, alguém as irá publicar .

Por seu turno, um militar americano em Bagdad disse que as fotos de que se fala não são as que Taguba conhece.

quinta-feira, maio 28, 2009

Beleza física não é decisiva, diz a Igreja a Berlusconi
http://jornal.publico.clix.pt/
28.05.2009




A Igreja Católica entrou indirectamente na campanha eleitoral italiana, ao condenar a "beleza como elemento decisivo de escolha de um candidato político", numa alusão à escolha de modelos e estrelas de televisão para as listas do Povo da Liberdade, o partido de Silvio Berlusconi.
"A beleza pode ter a sua importância mas não pode ser o único elemento decisivo de escolha de um candidato político", disse ontem o monsenhor Diego Coletti, responsável pela pastoral para a educação da Conferência Episcopal Italiana.
Não é o primeiro ataque da Igreja ao Governo Berlusconi: o endurecimento das políticas contra a emigração já tinha sido objecto de crítica. E a referência à escolha de candidatas ao Parlamento Europeu como a ex-
-Miss Itália Barbara Matera.
As declarações de monsenhor Coletti - que fala numa "ruína cultural e educacional" - surgem num momento em que o envolvimento com uma aspirante a modelo de 18 anos, Noemi Letizia, que trata o primeiro-ministro por Papi, está a transformar-se numa das crises políticas mais graves que Berlusconi já enfrentou: já é mesmo contestado por adeptos do AC Milan, clube de que é proprietário, diz o El País. Sobre esta questão, a Igreja referiu que ninguém tem "imunidade moral". O primeiro-ministro suspendeu todas as actividades de campanha e disse que vai preparar o contra-ataque e contar toda a verdade sobre este caso, segundo o diário espanhol.
A crise que começou quando a mulher de Berlusconi, Veronica Lario, pediu o divórcio, a 3 de Maio, pode afectar o resultado das eleições europeias, embora Berlusconi continue à frente nas sondagens.


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sexta-feira, maio 22, 2009

no meio do lago uma casinha para patos

Reino Unido
Dinheiro público usado para construir jardim privado
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1240635&seccao=Europa
por LUÍS NAVES

Um deputado conservador, também banqueiro, gastou 38 mil euros pagos pelos contribuintes no relvado de casa, incluindo um dispendioso lago. No meio, havia a casinha para os patos.

A ilha dos patinhos de Sir Peter Viggers, igual à da imagem ao lado, ficava bem em qualquer lago de jardim. O pior é que esta custou 1800 euros e terá sido paga pelo contribuinte britânico, ao abrigo do sistema de despesas da segunda residência dos deputados. A construção do lago artificial e do jardim custaram mais de 38 mil euros. Este episódio, denunciado pelo Daily Telegraph é o mais recente do escândalo que está a abalar a política no Reino Unido.

Viggers, membro do Partido Conservador e banqueiro, foi a última vítima do caso dos gastos parlamentares. O deputado não se irá recandidatar pela sua circunscrição de Gospost, que representava desde 1974. A confiança foi retirada pelo próprio líder conservador, David Cameron, que ficou furioso com o caso. O partido já pediu eleições antecipadas e organizou uma comissão interna para analisar as despesas dos seus próprios deputados, mas este caso embaraçoso ameaça destruir todos os esforços de Cameron de se demarcar do escândalo.

O exemplo de Viggers é um dos mais gritantes dos gastos absurdos, pois o deputado conservador gastou cerca de 38 mil euros em despesas de jardinagem, ao longo de três anos, incluindo 28 toneladas de estrume, no valor de 550 euros, tudo pago pelo contribuinte.

O esquema das despesas atinge cerca de 150 deputados, mas com diferentes graus de gravidade. Não escapa nenhum dos partidos e a questão abrange muitos dos políticos de destaque, incluindo os próprios líderes. Nos próximos dias são esperadas mais demissões.

Cinco deputados do Sinn Fein, incluindo Gerry Adams, reclamaram meio milhão de libras (mais de 550 mil euros), ao longo de cinco anos em despesas, mas nunca compareceram em sessões do Parlamento; o deputado John Austin redecorou por 11 mil euros o seu apartamento em Londres (que era a 15 quilómetros da sua casa principal) e depois vendeu-o com lucro; o ex-primeiro ministro Tony Blair reclamou o pagamento de uma parte dos juros da hipoteca da sua casa; o primeiro-ministro Gordon Brown mudou a segunda casa para primeira, de maneira a poder cobrar ao Parlamento mais de seis mil libras em despesas.

A lista de truques parece não ter fim. Há despesas de piscinas e um deputado que se separou foi ressarcido pela compensação paga à namorada por metade da casa. Houve um ministro que se fez pagar pela despesa de imposto de selo e muitos dos deputados não gastaram um tostão do seu bolso nos seus belos jardins.

O líder conservador, David Cameron, está entre os deputados que se mantiveram dentro das regras do sistema de gastos, mas mesmo ele tem uma factura de 600 libras para remover uma praga, dinheiro que o próprio reconhece ser para manutenção da casa e que, de acordo com o sistema, não estava dentro das despesas admissíveis. A verba será devolvida. Numa tentativa de parecer o partido mais moralizador, a oposição conservadora obrigará os seus prevaricadores a devolver o dinheiro mas para muitos deles será o fim da carreira.

Tags: Globo, Europa

quarta-feira, maio 20, 2009

Sondagem
Os grandes ícones do século XX
http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1238089
por A.M.Hoje

O povo votou, o povo decidiu: os grandes símbolos da moda na segunda metade do século XX vão de Marlene Dietrich (anos 40) a Kate Moss (90). A lista inclui as mais ou menos óbvias Brigitte Bardot e Madonna.

Na sexta-feira da próxima semana, dia 29, serão atribuídos em Londres os prémios Clothes Show Style, uma espécie de Óscares da indústria britânica da moda. Estilistas, modelos e toda a fauna que gira o ano inteiro em redor desse mundo de fantasia (mas, afinal de contas, bem real pelos milhões de euros, libras ou euros que faz mover) suspiram pelo evento.

Para animar as hostes na edição deste ano, a empresa que organiza a entrega dos prémios teve um assomo de criatividade e encomendou uma sondagem para saber quem foram os ícones da moda no século XX. Não todo o século XX, mas metade: entre os anos 40 e 90. Os resultados foram interessantes, esclarecedores e, em alguns casos, inesperados.

A figura de longe considerada como o grande símbolo da moda nos anos 40 foi a actriz Marlene Dietrich, a protagonista de O Anjo Azul. O "glamour e o aspecto exótico" de Marlene superiorizaram-se ao par Fred Astaire-Ginger Rogers, a Lauren Bacall e ao britânico David Niven.

Os anos 50 foram dominados por Audrey Hepburn, a modelo que se tornou actriz e brilhou em Boneca de Luxo, Férias em Roma, Como Roubar um Milhão e My Fair Lady. Atrás dela ficaram Grace Kelly (que, pelo casamento, trocou o reino de Hollywood pelo casino de Monte Carlo), James Dean (que fez três filmes - A Leste do Paraíso, Fúria de Viver e O Gigante - e morreu) e Ava Gardner (que Jean Cocteau definiu como "o mais belo animal do mundo").

A década de 60 teve um ícone óbvio: Brigitte Bardot. Ultrapassou os Beatles e Twiggy, a portadora da primeira e mais famosa minissaia da história.

Debbie Harry, cantora da banda Blondie, domina os 70, muito à frente do camaleónico David Bowie, da musa de Mick, Bianca Jagger e da líder das Supremes, Diana Ross.

A década seguinte tem também o seu ícone mais ou menos óbvio: Madonna. A cantora de Like a Virgin foi mais votada do que Diana de Gales, Joan Collins (esta ficou em terceiro aí umas boas décadas depois da idade mais evidente) e Jane Fonda (idem).

Chegámos aos 90. Ícone mais votado: Kate Moss. É a década da ilusão e da aparência, o reino da moda. A Kate seguem-se Linda Evangelista, Erin O'Connor e Victorias Beckham. De que reino sairá o ícone desta primeira década do novo milénio?

Tags: Pessoas

Ida, a nossa tia-avó de há 47 milhões de anos
http://jornal.publico.clix.pt/
20.05.2009, Nicolau Ferreira


Fóssil descoberto na Alemanha em estado quase perfeito poderá revelar
uma parte escondida
da evolução dos primatas que antecederam o homem


Ida não conseguiu segurar-se quando os gases venosos do lago Messel, na região da Alemanha, a intoxicaram. A primata, que não teria mais de nove meses e 53 centímetros de comprimento, caiu nas águas, foi coberta pelo lodo, acabou por fossilizar e só passado 47 milhões de anos, em 1983, é que foi trazida à luz do dia. Mas a aventura do que pode ser o antepassado do grupo dos primatas superiores de que o Homem faz parte não acabou aqui.
O fóssil foi descoberto por um coleccionador privado que dividiu as ossadas em duas metades. Uma foi restaurada e vendida como se estivesse completa, acabando por ser adquirida por um museu privado em Wyoming. Em 2000, descobriu-se que era uma fraude. A outra metade, que era maior, foi comprada há dois anos pelo museu de Oslo, na Noruega.
"O meu coração começou a bater muito depressa", disse aos jornalistas Jorn Hurum, referindo-se à compra do fóssil. "Eu sabia que o vendedor tinha nas mãos um acontecimento mundial. Não consegui dormir durante duas noites", explicou o investigador do Museu de Oslo que esteve à frente da investigação, que foi ontem publicada na revista Public Library of Science. Quando o grupo começou a estudar o fóssil, rapidamente chegaram à conclusão que era a parte que faltava à metade já conhecida.
Ida, como a baptizou Jorn Hurum, é um verdadeiro achado. 95 por cento do esqueleto está bem preservado devido às condições fora de série do lago que existia na região durante a época do Eocénico (há 56 a 34 milhões de anos) e que lançava gases venenosos por haver actividade vulcânica no local. É possível ver os contornos dos pêlos e a última refeição vegetariana da primata.
Mas o que a torna tão especial é que parece ser uma antepassada do grupo de primatas superiores a que o Homem pertence, na altura em que se separou da linhagem que deu origem a espécies como os lémures, primatas inferiores e mais afastados do Homem.
Ao contrário dos lémures, Ida não tinha uma garra no segundo dedo do pé, nem tinha dentes fundidos. Por outro lado, os olhos já estavam no mesmo plano, oferecendo uma visão parecida com a nossa, e não se situavam mais lateralmente, como acontece nos lémures. A nível do esqueleto o fóssil já tinha talos, um osso do tornozelo que aparece ainda mais desenvolvido nos humanos.
"Isto mostra uma parte da nossa evolução que tem estado escondida até agora porque os únicos especímenes [encontrados] estão tão incompletos ou partidos que não há nada para estudar", explica o investigador. Os investigadores resolveram chamar à nova espécie Darwinius masillae, em honra aos 200 anos do nascimento do evolucionista Charles Darwin.
Jens Franzen, um dos investigadores, salientou que Ida não é uma antepassada directa. "Ela pertence ao grupo a partir do qual se desenvolveram os primatas superiores e os seres humanos, mas a minha impressão é que ela não faz parte da linha directa", disse, citado pela BBC News.
Mas a descoberta está a ser um êxito. Foi ontem mostrada em Nova Iorque no Museu de História Natural pelo presidente da cidade, Michael Bloomberg, e a seguir volta para Oslo. "São necessários um ou dois ícones para arrastar as pessoas para o museu. Isto é a nossa Mona Lisa e vai ser a nossa Mona Lisa nos próximos cem anos", concluiu Jorn Hurum.

General Franco, tal como Hitler, "só tinha um testículo"
http://jornal.publico.clix.pt/
20.05.2009




Francisco Franco tinha mais em comum com Adolf Hitler do que previamente se sabia. Depois de um ferimento numa batalha ficou com um testículo. A revelação consta de um livro do historiador espanhol José Maria Zavala, citado ontem pela BBC.
Foi em Junho de 1916, durante combates em El Biutz, próximo de Ceuta, na costa mediterrânica de Marrocos que Franco, então capitão do Exército, ficou ferido no baixo-ventre. Os seus biógrafos especulavam há muito sobre se este incidente lhe teria afectado os órgãos reprodutivos, apesar de ter sido pai de Carmen Franco y Pólo, nascida em 1926.
A revelação sobre o "generalíssimo" surge depois de, em 2008, terem sido divulgados documentos que incluem a confissão de um médico que tratou Hitler na Batalha de Somme, em 1916. Johan Jambor, o médico, disse ao seu padre que Hitler, após ter sido ferido no abdómen e perdido um testículo, a primeira pergunta que lhe fez foi: "Poderei ter filhos?".
O historiador Zavala cita, por seu turno, a médica Ana Puigvert, que se recorda da confidência do seu avô, Antonio Puigvert, urologista conhecido por ter Franco como paciente: o homem que governou Espanha entre 1939 e 1975 "só tinha um testículo".

terça-feira, maio 19, 2009

Destinos
A queda estrondosa de um 'bunker' de luxo
http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1205019
por RITA ROBY GONÇALVES
18 Abril 2009

A dona da loja mais luxuosa do Brasil foi condenada a 94 anos e seis meses de cadeia por crimes de fraude fiscal. Apenas 38 horas depois de ingressar na prisão de Carandiru, a empresária regressou ao seu condomínio de luxo. Por estes dias, no Brasil não se fala noutra coisa.

Carregava apenas uma Bíblia e remédios para o cancro que lhe invade silenciosamente a coluna quando entrou na prisão feminina de Carandiru, em São Paulo, dia 26 de Março. Eliana Tranchesi, dona da maior loja de luxo do Brasil, começava assim a cumprir a pena de 94 anos e seis meses de prisão por crimes financeiros. Assim que foi detida, a empresária montou uma mise en scène à altura do seu império. Deu uma entrevista, rezou com duas reclusas, mandou um bilhete para a imprensa a dizer que a sua detenção era uma barbárie e anunciou o seu primeiro projecto assim que saísse da prisão: começar a evangelização das favelas de São Paulo.

Apenas 38 horas depois de vestir o uniforme branco e bege de reclusa, Eliana Tranchesi regressou ao seu condomínio de luxo no bairro do Morumbi, em São Paulo, paredes-meias com a favela Paraisópolis. Agora, já se fala na possibilidade de a empresária passar incólume perante as acusações de fraude fiscal no valor de pelo menos 600 milhões de reais (207 milhões de euros).

Considerada pelo New York Times "um oásis de indulgência no meio da pobreza", a Daslu é um ícone de ostentação criticado por algumas franjas da sociedade brasileira que agora aplaudem de pé a prisão da empresária.

Meca do consumo instalada numa mansão de 20 mil metros quadrados, a Daslu vende marcas de luxo como Chanel, Gucci e os famosos sapatos Manolo Blahnik, helicópteros e penthouses no Leblon e Ipanema e ilhas em Angra dos Reis. O cúmulo do luxo decadente da megaloja fica bem patente no último andar, onde foi instalado um heliporto para os super-ricos pousarem o seu meio de transporte favorito para uma tarde de compras.

A Daslu nasceu em 1958. Na altura, a socialite Lúcia Albuquerque (mãe de Eliana Tranchesi) e a sua amiga Lurdes Aranha montaram uma pequena boutique numa das salas de casa de Lúcia. Sem grande imaginação, baptizaram o espaço de Daslu, inspiradas no seu próprio petit nom, "Lú". Em 1983, Lúcia morreu e o negócio passou para os filhos. Eliana, na altura com pouco mais de vinte anos, sonhava ser artista plástica, mas cedo percebeu que tinha queda para o negócio. Assim que o presidente Collor de Mello permitiu a importação de produtos estrangeiros, em 1990, a empresária rumou para a Europa a fim de adquirir para a sua loja marcas italianas e francesas de alta qualidade. Ávidas por produtos europeus de griffe (como se diz no Brasil), as socialites faziam desaparecer num ápice o stock dos stilletos Manolo Blahnik e dos tailleurs Chanel. Assim, em pouco tempo, as vendas anuais da Daslu chegaram a 400 milhões de reais por ano (138 milhões de euros).

O azar chegou em 2004. Na altura, um contentor com uma encomenda Gucci chegou ao aeroporto de Guarulhos contendo no seu interior a factura correspondente, originária de Itália. Não sabendo que essa nota de encomenda tinha sido encontrada pelas autoridades, os responsáveis da Daslu apresentaram à fazenda brasileira uma factura falsa que indicava que a tal encomenda entrara no Brasil através de Miami e com um valor muito inferior ao verdadeiro. A partir daí as autoridades brasileiras ficaram de olho em Eliana e no seu irmão António Carlos Albuquerque. Em 2005, escutas telefónicas mostraram que ambos se preparavam para queimar documentos incriminatórios. A fim de evitar o desaparecimento de provas, em Julho desse ano, teve lugar a operação "Narciso" da polícia de receita fiscal brasileira com o objectivo de desmascarar as fraudes da Daslu. Eliana foi presa durante dez horas.

Quatro anos mais tarde, voltou para trás das grades por um curto período de tempo. Entre as duas ordens de prisão, a empresária ganhou muitos adeptos principalmente depois de ter anunciado publicamente que sofria de cancro do pulmão, em 2006, do qual se curou. Recentemente, revelou ter metástases na coluna.

Para já fazem-se apostas: será que Eliana alguma vez será presa? A maioria acredita que não.

monumentos contemporâneos

Arquitectura
Júri do Memorial da Unidade Alemã rejeitou projectos
http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1215694&seccao=Arquitectura
29 Abril 2009


O concurso para erigir um Memorial da Unidade Alemã em Berlim fracassou, porque o júri de 19 políticos, historiadores, arquitectos e artistas considerou "inadequados" todos os 532 projectos apresentados, anunciou hoje o Senado da capital alemã.

A decisão de recusar todos os projectos foi tomada por unanimidade pelo colectivo de juízes, indicou o senador para a cultura, André Schmitz, que também integra o júri.

"Não recomendámos nenhum projecto e ficámos com a consciência tranquila, porque sabemos que conceber monumentos contemporâneos é muito difícil", disse Schmitz hoje a jornalistas em Berlim.

Solidariedade
Celebridades em cadeia de greve de fome pelo Darfur
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1237101
por HUGO COELHOHoje

A actriz Mia Farrow começou o jejum. O milionário Richard Branson tomou o lugar. Hoje é o segundo e penúltimo dia do nadador Josh Davis. E agora todos perguntam quem será a próxima vedeta americana a carregar o testemunho. Uma coisa parece certa: a causa da guerra no Sudão está de novo a mobilizar os famosos na América.

Quando Josh Davis acordar hoje, estará há dois dias sem comer. O nadador americano, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atalanta em 1996, é a celebridade que está a liderar a cadeia de voluntários que fazem greve de fome em solidariedade com as vítimas da guerra no Darfur.

Davis recebeu, há dois dias, o testemunho do consultor John Prendergast, que sucedeu ao músico Peter Gabriel, que se seguiu ao congressista afro-americano Donald M. Payne, que antes rendera o milionário dono do império Virgin, Richard Branson, que, por sua vez, tomara o lugar da actriz Mia Farrow, a activista americana que começou tudo, a 26 de Abril deste ano.

Desde então, mais de 400 anónimos, em 25 países, inscreveram-se na lista e o calendário está preenchido até final do mês de Junho (ver site fastdarfur.org). Na América pergunta-se: quem é a próxima celebridade a levar o testemunho?
Farrow começou um jejum de 16 dias para pressionar o Sudão a aceitar o regresso das 16 organizações humanitárias. O Governo de Cartum expulsou essas organizações, em Março, em represália contra a emissão de um mandado de captura internacional contra o Presidente Omar al-Bashir.

Bashir é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade pelo apoio às milícias islâmicas que mataram 300 mil pessoas naquela região ocidental do Sudão. O conflito étnico já fez cerca de três milhões de refugiados que dependem da ajuda internacional para sobreviver, segundo estimativas da ONU.

A antiga mulher de Frank Sinatra e ex-namorada de Woody Allen foi obrigada a interromper a sua mediática greve de fome ao 12.º dia, por ordem do médico. Num vídeo difundido no YouTube, em que parecia mal se aguentar de pé, Farrow confessou-se desapontada: "Milhões de pessoas no Darfur estão a morrer de fome, enquanto eu posso acabar o meu jejum. Eles é que não têm opção."

Ao passar o testemunho a Richard Branson, que se ofereceu para cumprir a promessa por ela, Farrow começou, sem se aperceber disso, a cadeia de voluntários e mostrou como o Darfur continua a ser a causa das celebridades americanas.

A guerra naquela região do ocidente do Sudão mobilizou mais activistas nos EUA do que qualquer outra crise humanitária a seguir à guerra do Vietname nos anos 1960 e 1970.

A campanha Save Darfur ganhou visibilidade, logo em 2003, quando a Administração de George W. Bush - no que foi visto como uma tentativa para desviar as atenções da invasão do Iraque - usou a palavra "genocídio" para descrever o massacre.

O Darfur confirmou o estatuto de causa dos famosos nos Estados Unidos um ano depois, e à custa de uma outra tragédia africana: o Ruanda. Hollywood ficou chocado com Hotel Ruanda, um filme sobre o dono de um hotel que protegeu centenas de tutsis e hutus moderados, durante o genocídio de 1994.
Don Cheadle, o herói do filme, tornou-se depressa numa das personagens principais da campanha contra o conflito no Darfur.

O actor realizou o documentário Not on Our Watch (Não à Nossa Frente), que seria a palavra de ordem dos 15 mil manifestantes que, a 30 de Abril de 2006, se juntaram em frente ao Capitólio para exigir a George W. Bush que travasse o genocídio.

Nessa altura houve quem criticasse a hollywoodização do conflito no Darfur e denunciasse a inutilidade de tanto mediatismo. Mas os cépticos encontraram pela frente um inimigo de peso: Steven Spielberg.

O realizador de E.T. era o director artístico dos Jogos Olímpicos de Pequim e ajudou a convencer a China - protectora da ditadura sudanesa, por ter nela um principais fornecedores de petróleo - a permitir o envio de forças da ONU para o Darfur. Spielberg acabaria por se demitir do cargo meses depois, mas ao fazê-lo deixou uma nódoa no Jogos que na América ficavam conhecidos por "Olimpíadas do Genocídio

Havia excertos da Bíblia nos relatórios de Rumsfeld
http://jornal.publico.clix.pt/
19.05.2009




A ideia não foi dele e não é certo se alguma das citações foi inscrita pelo próprio, mas Donald Rumsfeld terá acarinhado a ideia e os documentos em causa eram muitas vezes entregues em mão por ele a George W. Bush. São relatórios com informações classificadas preparados pelo Pentágono para o Presidente e animados com excertos da Bíblia e estão desde ontem disponíveis no site da revista GQ.
A ideia foi do major Glen Shaffer, director para os serviços secretos ao serviço do Chefe de Estado-maior Interarmas e do Pentágono, escreve na GQ o jornalista Robert Draper, autor do livro Dead Certain, sobre a presidência Bush. Rumsfeld, secretário da Defesa entre 2001 e 2006, sempre mostrou menos a sua fé do que Bush, mas, assegura Draper, "a hábil associação entre a frieza das informações e o sentido religioso da virtude têm uma assinatura, a de Donald Rusmfeld".
No site podem ver-se alguns destes documentos, de Março e Abril de 2003: por cima de uma fotografia de um tanque que avança para Bagdad, pode ler-se um excerto do Livro de Isaías 26:2 "Abri vós as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade"; por cima de um soldado o provérbio "Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus pensamentos serão estabelecidos".
"Pelo menos um analista muçulmano [do Pentágono] ficou profundamente ofendido" com as citações e "outros exprimiram em privado receios" sobre as consequências que resultariam da eventual divulgação dos documentos em plena guerra com um país muçulmano, escreve a GQ.

quinta-feira, maio 14, 2009

Nova escultura da Vénus com 35 mil anos é a mais antiga representação humana da Europa e do mundo
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14.05.2009, Nicolau Ferreira


Estatueta descoberta
no Sudoeste da Alemanha tem características
sexuais exageradas


Quando se olha para a nova Vénus de Hohle Fels é impossível não nos lembrarmos da fotografia icónica da arte figurativa pré-histórica - a Vénus de Willendorf, descoberta na Áustria em 1908 e que tem 28 mil anos. A nova figura feminina tem as proporções dos caracteres sexuais femininos ainda mais exageradas e estima-se que foi esculpida há mais de 35 mil anos.
"Não há nenhuma dúvida de que a representação de um peito aumentado, das nádegas e genitália acentuadas resultam de um exagero deliberado das características sexuais da figura", disse Nicholas Conard no artigo publicado hoje na revista Nature. O investigador da Universidade de Tubinga (Alemanha) estudou detalhadamente a figura, que foi um dos seis fragmentos de marfim encontrados em Setembro de 2008 no Sudoeste da Alemanha.
A descoberta foi feita nas grutas de Hohle Fels em estratos do Paleolítico Superior, poucos milhares de anos depois dos primeiros Homo sapiens sapiens - o homem moderno - terem colonizado a Europa. A escultura, que tem menos de seis centímetros e 33 gramas, é a representação mais antiga conhecida de arte figurativa.
"É incontornável que a Europa tem as manifestações artísticas figurativas mais antigas", disse ao PÚBLICO Mariana Diniz, arqueóloga e professora da Faculdade de Letras de Lisboa.
O que há de especial no continente que não existia no Médio Oriente ou em África, onde populações geneticamente idênticas existiam há mais tempo? Uma pressão maior nas populações humanas a nível climático, devido à era glaciar que se vivia, refere. Mas "como é que estas coisas se cruzam ainda não se sabe".
As populações humanas que viviam nesta altura no Centro da Europa tinham, diz Mariana Diniz, "um grau cultural considerável". Eram sociedades de caçadores-recolectores segmentadas em grupos de cerca de 25 pessoas, com ritmos de deslocação certos e que trocavam frequentemente ideias, objectos e experiências.
Foi neste contexto que a Vénus de Hohle Fels terá sido esculpida. O que continua a ser controverso é o porquê a sexualidade feminina exacerbada.
"A representação clara das características sexuais sugere que são uma expressão directa ou indirecta da fertilidade", defende Conard no artigo. Como a Vénus de Willendorf, não são só certas características que estão sobrevalorizadas, partes anatómicas como os pés e pernas são minimizadas. A cabeça, neste caso, transforma-se num pequeno anel que parece servir para pendurar o objecto. Mariana Diniz avança com o nome de "amuleto erótico", no qual "a cabeça, que seria aquilo que individualizava as pessoas, não está lá".
Uma das características destas figuras é a representação da gordura. Muitas vezes é tão realista que os investigadores defendem que quem esculpiu terá de ter visto alguém com um nível de obesidade raro nestas sociedades. Isto, segundo Mariana Diniz, mostra que a gordura era apreciada, talvez porque a obesidade era algo que não se tinha e podia estar associada "ao poder, aos que não têm de trabalhar".

Prefeito quer mudar metade da sua cidade no Nordeste do Brasil para outro sítio
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14.05.2009, Isabel Gorjão Santos


Marajá do Sena fica alagada sempre que chove e agora há um projecto para a tirar do fundo do vale. É uma das cidades atingidas pelas cheias dos últimos dias


As cheias no Nordeste brasileiro já atingiram nos últimos dias mais de um milhão de pessoas em 357 cidades. No Maranhão, um dos estados mais afectados, o responsável da autarquia de Marajá do Sena quer mudar boa parte da cidade para outro local, mais longe do vale que, sempre que chove, fica alagado.
Marajá do Sena tem 6790 habitantes e este ano metade da população já foi atingida pelas enchentes. Cerca de 1900 pessoas ficaram desalojadas. O município só existe desde 1994, depois de a cidade se ter separado de outra autarquia vizinha, Paulo Ramos, mas as cheias são uma constante e parte do problema está na forma como a cidade foi construída.
"O pessoal construiu a cidade no local errado, um vale que sempre alaga. A solução é mudar o centro administrativo [prefeitura e secretarias] e as casas para três quilómetros daqui, lá em cima do vale", disse à versão on-line do Folha de S. Paulo o prefeito Manoel Oliveira da Costa. O objectivo é que os prédios municipais sejam abandonados e que as famílias recebam um sítio para as novas casas.
Ali os mantimentos só chegam depois de uma viagem de cinco horas de barco mais hora e meia de burro, ou então de helicóptero. Não há quase nada que ligue Marajá do Sena a outros locais. Pode andar-se de mota mas não há estradas, nem foram destruídas pelas cheias. Nunca houve.
Ontem, cerca de 50 casas estariam alagadas, apesar de não chover há várias horas, contou ao PÚBLICO o vereador William Martins Chaves. No centro da cidade, banhada pelo rio Grajaú, mora cerca de 15 por cento da população. São 350 casas que quase sempre ficam alagadas quando chove.
Num dos povoados, Catitu, João Posto, 51 anos, atende o telefone da cabine pública e explica que tem cinco filhos, já todos abrigados numa casa mais longe da zona inundada. "Há quatro casas alagadas no povoado e uma é a minha", diz. "Há gente desalojada e tem morrido muito gado."
Quanto ao projecto do prefeito da autarquia, o vereador Martins Chaves diz que será uma solução, mas que "terá de ser concretizada com apoios do Governo federal". Mudar parte das casas é um projecto que custará cerca de dez milhões de reais (ou 3,5 milhões de euros), quase três vezes o que cabe à autarquia através do Fundo de Participação dos Municípios.
A Secretaria Nacional de Defesa Civil anunciou que 300 mil pessoas tiveram de deixar as casas devido às chuvas em 13 estados. Mais de 196 mil ficaram desalojadas e 100 mil tiveram de ser acolhidas em abrigos públicos. A situação é pior no Ceará, onde houve 75 cidades atingidas e 12 das 42 mortes que se verificaram no país.
13
estados brasileiros foram atingidos pelas cheias nos últimos dias, que afectaram mais de um milhão de pessoas

Organização de defesa dos direitos civis tinha acordado divulgação com o Pentágono
Obama não quer divulgação de fotografias de abusos a detidos
http://ultimahora.publico.pt/noticia.aspx?id=1380456&idCanal=11
13.05.2009 - 18h24 PÚBLICO

O Presidente norte-americano, Barack Obama, não quer a divulgação de fotografias de militares americanos a maltratar prisioneiros. No mês passado, o Pentágono tinha decidido pela divulgação destas imagens.

As fotografias mostram incidentes em Abu Ghraib, no Iraque, e em meia dúzia de outras prisões, diz o "New York Times".

“Na semana passada, o Presidente encontrou-se com a sua equipa legal e disse-lhes que não se sentia confortável com a divulgação das fotos porque acredita que irão pôr as nossas tropas em perigo”, afirmou um responsável da administração, sob anonimato, ao "New York Times". “E porque acredita que as implicações em termos de segurança dessa divulgação não foram completamente apresentadas ao tribunal” no processo que opunha a American Civil Liberties Union (ACLU) ao Pentágono. Este processo tinha acabado, entretanto, num acordo para a divulgação das imagens.

“O Presidente acredita que a divulgação destas fotografias, especialmente nesta altura, apenas serviriam o objectivo de inflamar os teatros de guerra”, continuou o responsável, “especialmente em lugares como o Iraque ou Afeganistão”.

O assessor de imprensa do Pentágono comentou: “Especialmente no Afeganistão, é a última coisa de que precisamos.”

As fotografias deveriam ser divulgadas a 28 de Maio. A decisão do Pentágono seguiu-se à vitória da ACLU sobre o Departamento de Defesa num tribunal federal. A ACLU diz que a divulgação é essencial para “ajudar o público a perceber a escala do abuso a prisioneiros e para se conseguir responsabilizar altos responsáveis por permitirem esses abusos”.

Trata-se de pelo menos 44 fotografias ligadas a duas investigações, de 2003 e 2006, e ainda "um número substancial" de outras imagens.

quarta-feira, maio 13, 2009

A prisão onde esteve Adolf Hitler e também Sophie Scholl
http://jornal.publico.clix.pt/
13.05.2009




A A prisão de Stadelheim, em Munique, para onde foi transferido o alegado ex-guarda de um campo de concentração John Demjanjuk, abrigou ao longo dos tempos figuras histórias, incluindo o jovem Adolf Hitler, preso em 1922.
Contruida entre 1892 e 1901, a prisão de Stadelheim podia no início receber 465 detidos. Tinha uma igreja e um espaço destinado a execuções. Com as melhorias e os alargamentos que foi sofrendo, tem hoje capacidade para 1500 prisioneiros.
A lista dos seus detidos "célebres" é um reflexo da história conturbada da Alemanha no século XX.
Pouco depois da Primeira Guerra Mundial, em Abril de 1919, Gustav Landauer e Eugen Leviné, dois dos principais líderes dos Conselhos da Baviera - uma tentativa para transformar a Baviera num Estado socialista - foram assassinados na muralha da prisão por milicianos que os guardas tinham antes deixado entrar.
A breve República Soviética da Baviera, com capital em Munique, surgiu na sequência da revolução alemã de 1918-19 e procurava a independência da recentemente proclamada República de Weimar.
Até 1933, durante Weimar, a prisão de Stadelheim abrigou principalmente pequenos delinquentes e pessoas que aguardavam julgamento.
O mais conhecido preso desta fase é mesmo Adolf Hitler, que ali passou um mês - de 24 de Junho a 27 de Julho de 1922 -, enquanto cumpria uma pena de três meses de prisão, dois dos quais passados em liberdade condicional, por perturbações da ordem pública.
Doze anos mais tarde, Hitler, chegado ao poder, enviaria um comando das SS, a sua guarda pretoriana, para que ali fuzilasse o chefe das SA (Sturmabteilung, unidades de paramilitares conhecidas como "camisas castanhas"), Ernst Rohm.
Durante toda a duração da Segunda Guerra, Stadelheim foi usada para executar condenados à morte, às vezes a um ritmo de 30 por dia. No total, mais de mil foram ali executados. Entre eles contam-se Sophie e Hans Scholl, ambos na origem do movimento estudantil de resistência a Hitler Rosa Branca, que surgiu na Universidade de Munique e ficou conhecido pelos panfletos anónimos que distribuiu por toda a Alemanha e onde se apelava à oposição ao regime nazi. Sophie e Hans foram mortos em 1943, ela com 21 anos, ele com 25.
Em 2001, Stadelheim serviu de tribunal para o processo de Anton Malloth, ex-guarda de um campo de concentração checo que acabou por ser condenado a prisão perpétua. AFP
Hitler esteve preso em Stadelheim, onde mais tarde seriam executados muitos dos seus opositores

terça-feira, maio 12, 2009

Tecnologia
Máquina digitaliza 2.400 páginas por hora sem mão humana
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1223230&seccao=Tecnologia
por Lusa06 Maio 2009

Uma máquina capaz de digitalizar 2.400 páginas por hora sem intervenção humana está, a partir desta semana, disponível em Portugal, afirmou Luís Pereira, administrador da empresa que vai facultar o serviço, à Agência Lusa.

O "Bookscan APT 2400", criado pela empresa internacional Kirtas, incorpora um braço robótico que vai passando as páginas dos livros utilizando um sistema de vácuo que torna o processo "mais suave do que com a mão humana", assegura a Meiostec, que estabeleceu uma parceria com a empresa SGW para apresentar a máquina em Portugal.

Enquanto as páginas passam, vão sendo fotografadas por duas câmaras Canon EOS-1Ds Mark III, com 21.1 megapixel cada, sendo depois submetidas a um software que faz a parametrização do formato das imagens.

"As tonalidades do documento original podem ser mantidas ou alteradas e é possível digitalizar qualquer tipo de material, desde livros (actuais, antigos, capa dura, manuscritos, etc), teses e dissertações, revistas, até documentos raros, únicos e frágeis", garante a Meiostec em comunicado.

O serviço de digitalização automática "não danifica os livros, pois a digitalização é feita na posição de leitura, não havendo qualquer tipo de pressão sobre os volumes", escreve ainda a Meiostec em comunicado.

"O 'BookScan APT 2400' não estava disponível em Portugal e não vamos comercializá-lo. No entanto, qualquer pessoa ou entidade pode recorrer a ele", sendo os serviços de digitalização "orçamentados caso a caso, tendo em conta as necessidades de cada cliente e o tipo de documento", explicou Luís Pereira.

"O certo é que os preços serão sempre mais baixos do que os praticados por quem recorre aos métodos tradicionais, já que, neste caso, praticamente não é necessária intervenção humana", afiançou.

A presença de uma pessoa perto da máquina "é aconselhável apenas para controlar o trabalho, por exemplo na hipótese de o braço passar duas folhas juntas, e para aferir a qualidade final da digitalização", acrescentou.

O administrador da Meiostec considera que o sistema pode ser uma mais-valia para "bibliotecas, museus, universidades ou quaisquer outras entidades que tenham acervos documentais volumosos".

Luís Pereira salvaguarda, no entanto, que a digitalização de 2.400 páginas por hora "é assegurada quando os documentos estão em bom estado, pois, em caso de obras delicadas, o rendimento pode baixar para metade".

O "Bookscan APT 2400", que já tem como clientes o Instituto de Meteorologia e Geofísica e o Museu de Arqueologia, vai ser objecto de uma demonstração pública a 26 de Maio, no Mosteiro dos Jerónimos.

Espécies de árvores de fruto em vias de extinção
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1225407


Os antepassados selvagens das comuns árvores de fruto correm risco de extinção, alertam cientistas citados pela BBC News, que publicaram uma lista de 44 espécies em perigo nas florestas da Ásia Central. Estas árvores resistentes à doença e às alterações climáticas podem desempenhar, no futuro, um papel importante na segurança alimentar mas a desflorestação está a ditar o seu fim. Segundo os investigadores, nos últimos 50 anos destruiu-se 90 por cento das florestas que as acolhem.

Somar e subtrair ao ritmo de um piscar de olhos
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1228938


As acções de somar e de subtrair, enquanto processos mentais, utilizam os mesmos circuitos cerebrais que controlam os movimentos dos olhos, segundo um grupo de investigadores franceses, liderados por André Knops, do instituto francês de investigação médica.

De acordo com a Folha online, a utilização daqueles mesmos circuitos cerebrais parece ser uma espécie de reciclagem de um sistema neuronal que originalmente estava destinado a visualizar os espaço físico e a compreendê-lo.

Como explicação para esta utilização comum, em funções tão diversas, os investigadores avançam a de a escrita e a matemática serem actividades demasiado recentes. Ou seja, a evolução dos sistemas biológicos ainda não teria tido tempo de arranjar mecanismos cerebrais específicos para aquelas actividades intelectuais.

domingo, maio 10, 2009

Se alguém num court de ténis parece ter tiques, isso é treino
http://jornal.publico.clix.pt/
10.05.2009


Basta ver um encontro de ténis, qualquer um, para detectar comportamentos repetitivos dos tenistas entre os pontos.
Parecem tiques. São rotinas. E depois há as superstições... Por Luís Francisco


Dia 3 de Maio de 2009: em Roma, após a final do Open de ténis da capital italiana, a apresentadora do evento, a antiga tenista italiana Lea Pericolli, quebra o protocolo na cerimónia da entrega de prémios. Perante o entusiasmo do público, pede ao sérvio Novak Djokovic, finalista vencido, que faça a sua imitação do espanhol Rafael Nadal, vencedor do torneio. O sérvio é um conhecido clown do circuito, mas hesita. "Normalmente faço isto sem ele estar a ver..." Mas Nadal quer ver. O público também. Djokovic arregaça as mangas para cima dos ombros, desce os calções até aos joelhos e mima alguns dos gestos típicos do espanhol no court. É um sucesso.
Quando a coisa chega a este nível, o assunto já não pode ser tabu. É verdade que muitos tenistas têm tiques em campo, uns mais do que outros, alguns ao ponto de se tornarem irritantes para os adversários e cansativos para os espectadores, mas o tema, agora, pode ser abordado sem medo de ferir susceptibilidades. Mesmo que se leve o assunto ainda mais longe, inquirindo sobre as superstições de cada um, ninguém parece ofender-se com a pergunta.
Ponto de partida: há que distinguir entre o que, no campo, é um comportamento repetitivo e alguma superstição mais disfarçada. Porque uma coisa é o tenista fazer sempre os mesmos movimentos entre os pontos; outra, bem diferente, é ele não fazer a barba durante um torneio, como confessa abertamente o norte-americano James Blake, um dos animadores do Estoril Open.
No primeiro caso, estamos perante rotinas e essas rotinas são encorajadas pelos técnicos. Cristina Rolo, doutorada em Psicologia do Desporto e co-autora, com Dave de Haan, do livro Treino Mental no Ténis: Estratégias Práticas para o Sucesso, que acaba de ser lançado no Estoril Open, diz mesmo que as rotinas "são muito importantes, não só para os profissionais, mas para qualquer um, como forma de potenciar a concentração e a confiança durante os jogos". E explica porquê: "As rotinas entre os pontos são fundamentais para o tenista se abstrair e preparar o ponto seguinte".
O primeiro passo, após perder ou ganhar um ponto, é denominado "Resposta Física", consistindo em virar costas ao adversário, aplaudir uma excelente jogada do oponente ou celebrar com linguagem corporal a conquista de um excelente ponto. A etapa seguinte, "Relaxação", engloba caminhar, relaxar os braços e respirar eficientemente. A terceira etapa, "Preparação", tem início a dois ou três passos da linha de fundo, em que o tenista projecta uma linguagem corporal positiva, pensa ou verbaliza a pontuação, decide para onde pretende servir ou responder e planeia o próximo ponto. A última etapa da rotina entre pontos, denominada "Rituais", inclui o conjunto de rituais automatizados que facilitam a aquisição de um nível óptimo de activação e concentração para o jogador disputar o ponto seguinte.
Em relação às rotinas, Pedro Felner, treinador de ténis, acrescenta: "Há cerca de 20 segundos entre os pontos. É preciso respirar fundo, recuperar fisicamente, esquecer o ponto anterior. E depois, digamos, durante cinco segundos, encontrar concentração para o ponto seguinte. Para o conseguir, cada tenista encontra o seu ritual. Estes comportamentos são consequência do que treinamos para melhorar a concentração", diz Felner. Mas cada atleta tem de encontrar sozinho a sua zona de conforto.
As cuecas de Nadal
É por isso que Nadal dá sempre um jeitinho nas cuecas ou Federer mexe no cabelo. No Estoril Open, vemos Juan Monaco puxar para cima a manga direita antes de receber o serviço do adversário, enquanto Florent Serra caminha decidido até ao final do campo após cada ponto, como se se fosse embora, antes de se voltar para continuar o jogo. Albert Montanes está continuamente a ir buscar a toalha para limpar a cara, Marc Gicquel roda a raqueta duas vezes enquanto espera que o adversário bata a bola de saída.
Elas não são diferentes. A belga Yanina Wickmayer, a campeã desta edição do Estoril Open, parece não saber o que fazer da mão esquerda quando não está a servir: ajeita o chapéu, acaricia a barriga, dá palmadas na coxa... A romena Sorana Cirstea dá uma voltinha no fundo do court entre cada ponto, a eslovaca Jarmila Groth está constantemente a enfiar as unhas nas cordas da raqueta, a israelita Shahar Peer dá palmadas na coxa esquerda. Cada um procura a rotina que lhe permita concentrar-se no jogo. Cristina Rolo: "A rotina certa é a que funciona para um jogador. Isto independentemente do número ou do tipo de gestos. Cada caso é um caso".
E até há casos em que parece não haver qualquer rotina, embora, na verdade, ela exista sempre. James Blake limita-se a caminhar para o outro lado do court quando os pontos terminam. "Acho que as pessoas pagam bilhete para me verem jogar, não para perder 25 segundos entre cada ponto. Eu estou em forma, não preciso de fazer pausas..."
Entram as superstições
Haverá quem precise, talvez, mas nem é tanto uma questão física. É mesmo um exercício de concentração mental, num desporto com encontros muito longos e constantes interrupções. Pode este comportamento "normal" evoluir para algo de doentio? Sim, não é comum, mas acontece. Ou porque o tenista, propositadamente, usa estes expedientes para irritar o adversário e ganhar tempo; ou porque o somatório de pequenos gestos se torna um peso excessivo para o próprio jogador.
Ainda mais raro, este cenário. João Cunha e Silva era particularmente conhecido pelas suas rotinas cerradas durante os jogos, mas fez carreira e teve sucesso. Muito mais problemáticas do que os comportamentos repetitivos podem ser as superstições - e mesmo nessas, técnicos e psicólogos tentam não mexer a não ser que a situação se complique.
"O nosso treino psicológico focaliza-se na prevenção/educação, destina-se exactamente a prevenir que haja pensamentos e comportamentos nocivos. Se eles se instalam, então há que remediar e, por vezes, há mesmo necessidade de recorrer a psicólogos clínicos", salienta Cristina Rolo. Uma das superstições mais comuns entre os jogadores é evitarem pisar as linhas, explica Pedro Felner, que conclui: "Se forem coisas normais, como essa, o treinador não intervem. Só o fará se influenciarem negativamente a prestação dos atletas."
Os desportistas são muitas vezes supersticiosos. E no ténis, uma modalidade individual, isso pode tornar-se particularmente notório. Será superstição ou rotina a forma, ferozmente metódica, com que Rafael Nadal alinha as garrafas junto à cadeira antes de voltar para o campo? Não sabemos. Mas sabemos, porque ela o assume, que a portuguesa Michelle Brito bebe sempre uma bebida isotónica e água alternadamente durante as pausas. Três vezes de cada garrafa.
Parece estranho? Não é nada comparado com o facto de James Blake nunca se barbear durante um torneio, comer sempre o mesmo ao pequeno-almoço e procurar tomar banho no mesmo chuveiro. Ou o francês Richard Gasquet querer usar a mesma bola quando ganha um ponto e serve a seguir. Ou a francesa Tatiana Golovin usar uma jóia diferente para cada torneio. Ou o norte-americano Andre Agassi "estar constantemente a mandar os apanha-bolas para os seus sítios", recorda o jornalista Manuel Perez.
Podíamos continuar quase eternamente. A jovem portuguesa Maria João Koehler confessa que gosta de se sentar "na cadeira à direita do árbitro". "Mas", continua, "se alguém ganhou antes naquele campo sentando-se do lado esquerdo, então quero essa". Então e quando não dá? "Se não dá, não há crise!"
Mas nem todos encaram estas contrariedades sem crispações. Há muitas manias e estranhos hábitos à volta e dentro dos courts. O que não se pode é confundir o que é superstição com o que são rotinas. Nem sempre é fácil. Na dúvida, e como o assunto parece não ofender ninguém, o melhor é perguntar.

sábado, maio 09, 2009

Quando Bollywood vai a votos
http://jornal.publico.clix.pt/
09.05.2009, Francisca Gorjão Henriques


Os actores de cinema indianos não são apenas
semideuses. Tornaram-se máquinas de atrair votos.
Os políticos usam-nos. E eles usam a política. Sempre que, como agora, há eleições legislativas, o mundo do glamour mistura-se com os partidos



Diz um ditado antigo indiano: "Quem não sabe nada de música, literatura ou arte é igual a uma besta, mas sem a cauda nem os dentes." Num país habituado a adorar milhões de deuses, os artistas, em particular os actores de cinema, são também divindades. E são cada vez mais usados, não para conseguir milagres, mas para captar votos.

Chiranjeevi desafiou o destino uma vez: vem de uma casta baixa, a kapu, e conseguiu ainda assim tornar-se num dos actores mais célebres de Tollywood, a indústria cinematográfica do Andhra Pradesh, falada em telugu. Por alguma razão é chamado simplesmente Megastar (e também O Imortal). Aos 53 anos, e ao fim de 149 filmes, quer uma nova ruptura: refazer a estrutura de poder no país, gerida há décadas pelos mesmos partidos e pelas mesmas famílias.
Decidiu criar o seu próprio partido em Agosto do ano passado, o Partido Praja Rajyam (que se diz socialista), e ao primeiro comício conseguiu reunir nada mais nada menos que um milhão de pessoas. Chiranjeevi quer ter agora votos suficientes para jogar numa coligação. "O Governo é autocentrado. Não tem amor nem afecto pelo povo. Eu tenho sempre os pobres em mente", afirmou. E soltou uma frase batida: "Podemos trazer mudanças."
Muitos dos seus seguidores esperam que ele lide com as adversidades da mesma forma que lida com os rivais nos seus filmes: derrubando impiedosamente todos os obstáculos para defender os mais desfavorecidos. "Chiranjeevi cria confiança nas pessoas", explicou à agência Jyoti Prasad um estudante de 22 anos. "Posso fazer o bem, é o que ele me faz pensar."
Imagens da BBC mostram-no em cima de um autocarro a dizer adeus a milhares de pessoas que se juntaram para o ver passar e que lhe lançam pétalas de flores amarelas e gritos histéricos de alegria. Chiranjeevi diz ao jornalista que quer diminuir o fosso entre ricos e pobres que cresce no país, e que é gritante no Andhra Pradesh, onde o centro tecnológico da Índia, Bangalore, está a um par de horas de distância da pobreza rural mais extrema.
A mensagem não é nova, ressalva o repórter, "mas agora há um novo herói em quem acreditar, alguém que já idolatravam antes".
O exemplo de Bachchan
"Os artistas e os actores desempenham um papel enorme na sociedade indiana", afirma ao P2 por e-mail o comentador político Suvrokamal Dutta. "São um modelo... num país onde a cultura e a arte ajudaram a moldar a sociedade."
Quando se entra no blogue de Amitabh Bachchan, uma das maiores celebridades de sempre do cinema indiano, aparece citada esta frase: "Ontem eu era esperto, por isso queria mudar o mundo. Hoje sou sensato, por isso mudo-me a mim próprio." Não sabemos o que ela terá de autobiográfico, mas sabemos que a sua actividade partidária a tempo inteiro pertence ao passado; a lenda de Bollywood não chegou a tornar-se um monstro político.
Mas a sua estreia foi triunfante. Nas primeiras legislativas a que concorreu, em 1984, Amitabh Bachchan conseguiu 68,2 por cento dos votos, derrubando de um só golpe o veterano e rival na corrida para o Parlamento Hemvati Nandan, antigo ministro chefe do Uttar Pradesh. Bachchan candidatou-se pela sua cidade natal, Allahbad, e ganhou o lugar de deputado, para se juntar ao seu amigo Rajiv Gandhi (filho de Indira Gandhi), que nesse ano se tornou primeiro-ministro.
A vida na Lok Sabha (câmara baixa do Parlamento) durou pouco. Ao fim de três anos e de acusações da sua implicação no escândalo de corrupção Bofors, que envolveu Rajiv Gandhi, o actor decidiu regressar aos ecrãs.
A sua passagem pela política deixava, no entanto, uma mensagem forte: as estrelas de cinema são potentes caçadoras de votos. E a partir daí todos os partidos tentam ter as suas durante as campanhas, quer a fazer comícios para arrastar multidões, quer a concorrer para conquistar um lugar no poder.
"Actualmente, os actores e os artistas são muito requisitados por todos os partidos políticos da Índia para dar colorido e grandiosidade aos seus comícios, uma vez que os actores têm um enorme valor de mercado entre os fãs", diz Suvrokamal Dutta. Isso, em contraste com a imagem que os eleitores têm de quem ocupa o poder: "A generalidade dos indianos estão muito desencantados com a política e com os políticos devido ao fraco desempenho e ao alto nível de corrupção na classe."
Ficar ao lado do povo
Conhecido como Shotgun, Shatrughan Sinha é também considerado o actor-político mais bem sucedido do país. Foi a primeira estrela de Bollywood a tornar-se ministro no Governo central (Saúde e Navegação). Ainda faz campanha para o Bharatiya Janata Party (BJP, partido nacionalista hindu), ao qual se juntou na década de 1980, quando tinha apenas dois deputados no Parlamento. Em 1998, o BJP estaria já a governar; e mesmo com a passagem para a oposição, Sinha não abandonou as suas fileiras, e desde há três anos dirige o Departamento de Artes e Cultura.
Sinha é crítico quanto à vantagem de um partido falar através de uma celebridade. "Os partidos acham que as estrelas trazem uma grande multidão, mas essas multidões não são sérias. Dão uma boa fotografia, mas não se traduzem em votos", cita o jornal britânico Sunday Times.
Apesar disso, as estrelas de cinema podem ainda desempenhar um papel importante na vida pública da Índia. Mas a fama tem de ser retribuída com medidas concretas. "Os actores... se querem ficar na política durante muito tempo, têm de fazer um bom trabalho e ficar ao lado do povo", disse ao jornal paquistanês Dawn.
A observação tem particular razão de ser. Suvrokamal Dutta diz que cada vez que há eleições legislativas - como é o caso destas que de 16 de Abril a 13 de Maio decorrem em cinco rondas no país -, o mundo do glamour mistura-se com os partidos. "[Mas] o registo de participação é patético até à náusea; não acho que seja uma mais-valia a longo prazo."
Num artigo escrito recentemente para o canal noticioso Saharasamay, Dutta apresenta vários exemplos de má performance, como o do actor Govinda, que em 2004 se candidatou pelo Congresso, venceu e durante toda a legislatura apenas fez uma interpelação no Parlamento; a sua assiduidade é "negligente". Este ano preparava-se para concorrer novamente, mas desistiu a meio da campanha.
"As únicas celebridades de Bollywood que estiveram bem na política foram o veterano Sunil Dutt do Congresso e Shatrughan Sinha do BJP. Mostraram pela política a mesma paixão que mostram nos seus filmes. Os outros são apenas peças de decoração."
Os políticos ganham votos com as estrelas. E as estrelas o que ganham com os políticos? No site oficial das eleições indianas (indian-elections.com) avança-se com uma possível resposta, num artigo intitulado Celebridades na política: um passo para a degeneração da política?. "Podem receber publicidade, poder e possivelmente benefícios nos impostos sobre os rendimentos, se o lado escolhido tiver sorte nas eleições." Também pode dar dinheiro. "Tem sido noticiado que algumas estrelas recebem cachets altíssimos pela sua comparência nos comícios."
A dança dos votos
As estrelas não vêm apenas do cinema. Vêm também do críquete, o desporto-rei na Índia. É o caso de Dalip Vensarkar, conhecido como Coronel; um mítico membro da equipa que em 1983 venceu o campeonato mundial. Está na reforma e nesta campanha dá a cara pelo Shiv Sena, de extrema-direita.
Este ano, há também um novo fenómeno, saído da dança. Mallika Sarabhai é uma bailarina clássica, conhecida internacionalmente. Desde 1984 que o Congresso lhe pede que se aliste no partido. Sempre recusou, mas agora decidiu concorrer ao Parlamento como independente pelo círculo de Gandhinagar (Gujarat). "Nunca pensei em concorrer como independente a umas eleições, porque sei que os candidatos independentes têm muito poucas hipóteses no nosso sistema político", contou à BBC. "Mas a minha voz interior disse-me que chegou a hora."
Para ser eleita terá de rivalizar nada mais nada menos do que com o líder do BJP, Lal Krishna Advani, candidato a primeiro-ministro. Terá também de esquecer o que Advani significa em gujarati: "não tocar". Muitos têm chamado a este duelo a versão indiana de David contra Golias.
Sarabhai, que se tornou na independente mais famosa do escrutínio e que está habituada a activismo político, aposta no contacto com a população. "Os outros candidatos acenam e vão-se embora. A nossa democracia só tem espaço para líderes, não para pessoas como vocês e eu", disse num comício. "Vim aqui como uma de vocês, como uma irmã."
Num estado com fortes tensões religiosas como o Gujarat, onde em 2002 mais de mil pessoas morreram em confrontos entre hindus e muçulmanos (espoletados com a ajuda do BJP), Sarabhai põe em destaque uma Índia secular e inclusiva.
"O silêncio da classe média da cidade face à violência tem sido espantoso. Ela está a tentar quebrar esse silêncio dando uma alternativa credível", afirmou ao Washington Post Shiv Viswanathan, cientista político do Dhirubhai Ambani Institute of Information and Communication Technology de Gandhinagar. "A sua luta tem muito simbolismo nesta cidade fracturada pela violência." Prefere substituir as referências a castas, religião e etnicidade linguística pela necessidade de afastar os políticos corruptos e ineficazes, avança o mesmo diário.
O BJP diz que ela não chega a poder ser considerada uma rival, classificando-a como "irrelevante" politicamente. "Os meus opositores dizem que eu devia voltar para a dança", comenta Sarabhai. E em jeito de resposta: "Durante demasiado tempo deixámos que os nossos políticos se deixassem levar pela corrupção e pelos que atiçam paixões religiosas."
Também há actores que se envolvem exclusivamente para convencer os indianos a irem às urnas. É o caso do actor-produtor Aamir Khan, que tem feito filmes a apelar à participação dos 714 milhões de eleitores indianos inscritos para votar. "Votem pela integridade, votem em pessoas boas", aconselha. "Os atentados terroristas de Bombaim a 26/11 [26 de Novembro] mudaram a Índia", disse numa entrevista ao Hindustan Times. "As pessoas ficaram mais sensibilizadas e esperam mais dos políticos. Por isso, acho necessário que escolham o tipo de candidato certo."
Aamir Khan garante que não está a dar voz "a nenhum partido em particular, ou a uma ideologia". "Só quero que as pessoas escolham bem." Da lista devem excluir, por exemplo, os que estão a responder a acusações criminais, diz. E não são poucos: quase um quinto dos 5500 candidatos.

"O lado bom da política é ter de inventar o futuro"
http://jornal.publico.clix.pt/
09.05.2009,
Teresa de Sousa (PÚBLICO) e Graça Franco (Rádio Renascença)


Vê a actual crise com preocupação mas também vê nela oportunidades de mudança. O antigo Presidente fala do papel do Brasil, dos EUA e da Europa no mundo de hoje


O antigo Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, que é também um dos intelectuais mais prestigiados do mundo, veio participar nas Conferências do Estoril sobre os desafios da globalização. Falou da forma como vê a actual crise mundial, das suas origens, dos problemas que coloca mas também das oportunidades que abre. Diz que o Brasil já está no presente e que a Europa tem (também) de ser capaz de colocar a sua carta na mesa de um mundo em profunda mutação. Seguem-se extractos da entrevista que deu ao programa Diga Lá, Excelência.
Como é que vê esta crise?
Como todo o mundo - com uma grande preocupação. Ela tem os aspectos característicos de qualquer crise, mas não é uma crise banal. Porque pegou o coração do sistema capitalista, que é o sistema financeiro. Pegou o banco. E porque pegou num momento em que tem imensa globalização, em que você tem a capacidade de transmissão de fluxos e de recursos através da Internet a uma velocidade incrível e numa proporção gigantesca. Quando paralisa esse sistema, dá um choque imenso no paciente, que é a economia. A economia paralisou. As pessoas assustaram-se e interrogam-se como foi possível chegar a este ponto. Espero que, como consequência deste abalo, haja uma reformulação dos termos em que se dá o jogo do sistema financeiro.
Além de abalar o coração do sistema, ela acontece num mundo em profunda mutação, com uma transferência acelerada de riqueza de ocidente para leste. No mundo que vai emergir, já não será o Ocidente a ditar as regras? Isto também é novo?
Sim, sem dúvida. Por isso também não é igual às outras. Esse processo vem de longe. A grande modificação começou nos anos 70, com o computador e a Internet. Isso fez com que houvesse a possibilidade da globalização. Nesse processo, os EUA entraram num mecanismo de auto-endividamento. O sistema financeiro americano e o sistema de produção viveu no "compra, compra, compra, consome, consome, consome, que eu te dou crédito, crédito, crédito". Isso levou a uma expansão enorme da economia americana, que também beneficiou o resto do mudo.
Toda a gente beneficiou...
É, toda a gente. Houve uma redução do nível de pobreza. A China entrou. Foi um modelo capitalista que estava baseado nessa expansão violenta, induzida pelas tecnologias modernas. E quando houve um desfasamento entre o sistema financeiro e a realidade da economia, quando emitiram muitos títulos sem olhar à capacidade de pagamento das pessoas, chegou o momento em que o castelo de cartas caiu. E, quando caiu, os americanos olharam em volta e disseram: "Ai, meu Deus, aqui caiu, mas será que caiu na China, será que caiu na Índia, será que caiu no Brasil?"
E o Ocidente pode já não ter capacidade de ditar as regras...
Por consequência, pode acontecer isso. Até hoje, os americanos ainda podem emitir títulos de tesouro, que toda a gente quer comprar, porque acha que é seguro. Agora, os chineses acabam de dizer uma coisa curiosa: temos tantos títulos do tesouro americanos, será que eles vão valer mesmo ou virá a inflação? Começa uma dúvida sobre a força do sistema americano. Claro que os americanos vão reagir. Se houver inflação, aumentam as taxas de juro. O risco é voltarmos àquela coisa do stop and go, cresce um trimestre, pára no outro. E parece que a China está a reagir mais depressa, aumentando o mercado interno. Se isso acontecer, e tendo a China as reservas que tem, e o Japão as reservas que tem, então eles vão começar a fazer a pergunta que os chineses já fazem: porque não temos uma cesta de moedas em vez de ser o dólar?
O que diz é que o mundo que vai emergir em termos económicos e políticos vai ser outro?
Será outro. O G20 já indica isso. Pôs mais parceiros no jogo. Mas não é só isso. Há um bilião de muçulmanos no mundo. O que podemos fazer com eles?
Na sua conferência em Portugal referiu que vai ser preciso renegociar o poder mundial sem guerra. Com guerra era mais fácil, os vencedores diziam como era... Exclui completamente essa hipótese?
Nunca se exclui a guerra. Guerras localizadas há o tempo todo. A grande guerra é que eu espero que não vamos ver. Mas quais são as áreas "quentes" do mundo? Vão da borda do Mediterrâneo até à Índia, passando pelo Paquistão e subindo até à Ásia Central.
O mundo muçulmano?
O mundo muçulmano e o mundo russo, eslavo, também. Acho que o Presidente Obama percebeu isso. Percebeu que tem de conversar. Mandou enviados especiais, dirigiu-se ao Irão. Não pensa que se pode resolver essa questão bombardeando. Mas vai ser longa, essa negociação. E a Rússia vai ter de entrar nela. A posição ocidental foi um pouco tentar isolar a Rússia e eu acho isso um perigo. Tem de conversar com a Rússia, limitá-la mas colocá-la no jogo.
Disse também que vivemos todos numa grande ilusão. Acha que esta crise marca igualmente uma ruptura no domínio das ideologias? Que vamos ter de inventar ideias novas, à esquerda e à direita, ou pode haver um regresso às velhas soluções?
Há que inventar coisas novas. É óbvio que o liberalismo solto não funciona. Os mercados não têm capacidade para se auto-regularem. O que não significa dizer que os Estados têm. Então, tem de se inventar alguma coisa que não seja nem uma imposição estatal, nem uma liberdade de mercado. Agências reguladoras, maior participação da sociedade. Algo de novo tem de ser criado. E tem de ter alguma utopia, para inventar o futuro.
Falou muito de Keynes, mas nunca se referiu a Marx. Há quem considere que há uma segunda oportunidade para uma velha ideologia.
Ninguém está propondo nada semelhante ao marxismo. Marx tinha o quê? Uma análise crítica do capitalismo, aliás muito bem feita. E havia no lado político a ideia de que era preciso substituir a propriedade privada dos meios de produção pela propriedade colectiva. Ninguém propõe isso hoje. Vamos ter de ter algum tipo de controlo social, algum mecanismo para gerar mais bem-estar social, não pela via só do mercado mas pela via da redistribuição.
Isso obriga a um regresso do Estado, e passámos os últimos tempos a dizer que era preciso reduzir o Estado.
Isso, sem dúvida. O Estado tem que ter um papel maior. Tem que ter. Mas que Estado? O Estado democrático. Se o Estado for totalitário, também não resolve. E esse Estado democrático hoje exige participação da sociedade, mecanismos de parceria, órgãos de Estado e não de governo.
Esses novos mecanismos de participação passam por alternativas ao sistema estritamente partidário?
Acho que sim. A Internet produziu uma revolução no mundo e o sistema partidário está "ilhado", não responde a boa parte da demanda da população porque ela não passa por aí, passa por outros mecanismos. Tenho cinco netos e vivem o dia inteiro no computador. Estão perdendo tempo? Não. Estão conectados. Com quê? Com o mundo. E cada um deles forma opinião e isso não passa pelos partidos.
A eleição de Obama já é isso?
Já é isso. Ele teve o dom de mobilizar a força jovem e os jovens não vêm mais pelo partido ou pelo jornal. [O jovem] quer ter opinião. Ele está isolado mas não está sem compromisso. Não é individualismo. Ele tem um compromisso mas quer saber qual é o compromisso dele, não quer transferir para o partido esse compromisso.
Obama ainda conseguiu trazer isso para o sistema clássico?
A um dado momento, é preciso fazer isso mesmo, porque também não existe democracia sem o esquema clássico. Mas a conexão é que tem de ser feita com novos mecanismos.
Disse que era preciso que os Estados Unidos entendessem que tinham de partilhar as decisões com o mundo, e não impô-las ao mundo. O Presidente Obama já leva mais de cem dias na Casa Branca. Qual é a sua avaliação?
Nessa área, andou pouco. Fez o G20, encontrou-se com os presidentes da América do Sul, mas isso não são instituições. Houve um reforço do FMI em termos de dinheiro, mas não houve mudança no comando, que é dos EUA. Mas também não se pode esperar que o Presidente Obama mude tudo do dia para a noite. Além do mais, ele tem uma batata quente imensa: está botando dinheiro, dinheiro e dinheiro e ainda não acabou de pagar o incêndio. Vai ter de resolver essa questão financeira que é absorvente, e eu acho que vai ter de resolver outra questão: o que vai fazer com a inflação.
Na política internacional já deu sinais importantes de maior abertura em relação ao mundo?
É. Em termos de soft power, do poder simbólico. Mas vamos ver o resto. Tem o Afeganistão, o Iraque, a Palestina e o Estado de Israel. O que vão fazer com a proliferação atómica, com o clima, com o meio ambiente.
Na sua opinião, este ambiente de crise global facilita ou dificulta a resposta a esses desafios?
Facilita. As coisas só mudam na crise. Quando tudo vai bem, ninguém quer mudar nada.
Disse também, na sua intervenção no Estoril, que porventura vão ser necessários novos valores, novos comportamentos, novas maneiras de encarar a nossa vida e a convivência entre culturas diferentes.
Eu gostaria que fosse assim, mas não sei se vai ser. Eu acho que uma das coisas boas do soft power do Brasil é essa. O Brasil tem uma certa capacidade de aceitar o outro. O mundo vai precisar de desenvolver essa capacidade. A Europa precisa. Está tentando. Se não, é a guerra de todos contra todos. É preciso mais espírito de tolerância, mas é preciso também que os grandes líderes se incumbam disso. Obama tem a virtude de ser ele próprio um exemplo disso. Porque ele é negro, viveu na Indonésia, o pai nasceu no Quénia, é doutor em Harvard e é Presidente dos EUA.

quarta-feira, maio 06, 2009

Gripe Suína
Único porco afegão posto em quarentena
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1223352&seccao=M%E9dio Oriente
por AFPHoje

Direcção do zoo de Cabul fechou o porco para que as pessoas não entrem em pânico com medo de serem contaminadas

O medo da gripe dos porcos levou a direcção do jardim zoológico de Cabul a pôr em isolamento o único porco conhecido no Afeganistão.

O animal foi fechado numa casa de inverno e impedido de andar na relva com a sua melhor amiga, uma cabra.

“Fechamos o porco temporariamente na sua casa de Inverno por causa da gripe suína”, disse o director Aziz Gul Saquib.

“A maioria das pessoas têm poucas informações sobre a gripe suína e ao verem o porco podem entrar em pânico com medo de serem contaminadas. Para evitar que isso aconteça pusemos o porco longe dos olhares públicos há dois,” acrescentou.

O porco é o único suíno no Afeganistão. O consumo de carne de porco é proibido pelo Islão.

O animal foi oferecido da China ao Afeganistão em 2002. Pequim quis contribuir para a reconstrução do principal zoo da capital, que foi praticamente destruído durante a guerra civil de 1992 1996.

terça-feira, maio 05, 2009

Inteligência
Exercício das mães faz filhos mais inteligentes
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1221785
por C.AHoje

Grávidas que fizeram 30 minutos de exercício diário tiveram filhos com um QI de 8 pontos superiores à média. Estudo revela que as mães influenciam muito mais a inteligência do que os pais.

As mães que praticam exercício durante a gravidez estão, sem o saber, a aumentar o quociente de inteligência (QI) dos seus filhos. A conclusão é de um estudo de psicólogos americanos, que desafia duas concepções convencionais: primeiro, que a inteli- gência é determinada em 80% pela genética e depois, que mães e pais contribuem de igual modo para a inteligência dos seus filhos. No seu novo livro Inteligence and how to get it, Richard E. Nisbett, vem revelar que são as mães que têm o papel central na transmissão dos genes ligados à inteligência, com os pais a terem pouca influência.

Aquele psicólogo constatou que a mãe tem um papel determinante, podendo influenciar a capacidade do seu filho para a aprendizagem pouco tempo após a concepção.

E um desses exemplos é através do exercício. " As crianças cujas mães praticaram 30 minutos de exercício diário ficam classificados oito pontos acima, nos testes standardizados para medir o QI, do que as crianças com mães mais sedentárias", disse Richard Nisbett.

Para servir como termo de comparação, o psicólogo refere que "amamentar até aos 9 meses pode contribuir para aumentar o QI até seis pontos". A conclusão desta pesquisa choca com as ideias dominantes sobre gravidez e ginástica. Várias gerações de mães foram encorajadas a evitar fazer muito exercício após os três primeiros meses de gestação.

Mas as últimas investigações sugerem que utilizar pesos leves, fazer alongamentos e até correr podem ser benéficos para algumas mulheres, se bem que não para todas.

Como lembra o jornal britânico Sunday Times, a recomendação oficial é que quanto mais activa e em boa forma estiver a grávida, mais facilmente poderá recuperar a figura. Do mesmo modo, os médicos alegam que facilita o regresso ao mundo do trabalho.

"Exercitar grandes grupos de músculos aumenta o crescimento dos neurónios e sobe o fluxo sanguíneo para o cérebro." Nisbett considera mesmo que combinar a amamentação com o exercício pode aumentar o QI de uma criança típica 14 pontos acima da média. Do mesmo modo, Nisbett considera que o modo como as mães falam com os seus filhos também tem consequências. Por isso, encoraja os pais a fazerem perguntas para as quais já conheçam a resposta, e explicar os porquês. Deste modo, diz, encoraja-se as crianças a procurarem respostas para as suas próprias questões

Aniversário
'Pipi das Meias Altas' celebrou 50 anos
http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1221891
por J.M.Hoje

Tinha apenas 10 anos quando se tornou um sucesso graças a 'Pipi das Meias Altas'. No entanto, desde então, a actriz sueca nunca mais teve um papel com tanta exposição.

Inger Nilsson, a actriz sueca que interpretou a personagem Pipi das Meias Altas, celebrou ontem 50 anos. Ao jornal Norrköpings Tidningar, a actriz contou que "muitos já não fazem a associação" à personagem que interpretou em criança, no entanto acrescentou: "Quando descobrem quem sou pedem-me desculpa, mas eu fico encantada quando não me reconhecem."

Foi em 1969 que a história criada pela escritora Astrid Lindgren ganhou forma numa série televisiva. O programa tornou-se um sucesso de massas na Suécia e depressa foi exportado para o resto do mundo. Além da série de televisão, a história da rebelde Pipi das Meias Altas foi ainda recriada para o cinema. A actriz tinha 10 anos quando interpretou Pipi e desde então que nunca mais ganhou um papel com tanta exposição.

Poucos foram os produtores e realizadores que quiseram apostar em Ingrid Nilsson, já que a maioria pensava que a actriz não era capaz de desempenhar outro papel.

Devido a estas dificuldades, a actriz dedicou-se ao teatro, tendo pertencido a vários grupos de teatro experimental. A actriz chegou ainda a estudar para ser secretária, mas foi na representação que fez carreira.

Além da representação chegou a gravar um disco, em 1978, mas que teve muito pouca visibilidade. No cinema o seu papel mais recente foi no filme Gripsholm, em 2000, do realizador suíço Xavier Koller.

Já em 2007 protagonizou uma popular série alemã sobre uma médica forense. Desde o final do ano passado que Inger Nilsson integra o elenco da também série televisiva alemã Sommerzeit.

Roma
Berlusconi exige desculpas à mulher
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1221664&seccao=Europa
por LUMENA RAPOSOHoje

Primeiro-ministro indicia estar-se perante uma conspiração, tendo em conta que a campanha para as europeias está à porta. Enquanto circulam rumores de que Noemi Letizia pode ser sua filha.

Transformar-se em vítima e inverter a situação a seu favor. Esta parece ser a estratégia do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, após a sua mulher ter afirmado querer o divórcio. E tudo isto através dos media nacionais.

"Não creio", disse Berlusconi ao ser inquirido pelo Corriere della Sera sobre a possibilidade de uma reconciliação. E adiantou: "Não sei se o quero desta vez. Veronica deveria pedir-me desculpas públicas e mesmo assim não sei se seria suficiente." E Il Cavaliere, de 72 anos, aproveitou a oportunidade para fazer passar a mensagem da conspiração. "É a terceira vez que ela me atinge em plena campanha eleitoral. É demasiado!", disse.

Berlusconi, que já acusara Veronica Lario de estar a ser vítima dos media de esquerda, reiterou ontem ser um "crime de media" e uma conspiração para lhe "criar dificuldades" todo o conflito com a mulher sobre as suas [dele] alegadas infedilidades. E sublinhou: "A verdade virá ao de cima, garanto."

Estas afirmações fizeram com que Dario Franceschini, líder do Partido Democrata (PD, oposição) saísse a terreiro: "Que deixe de dizer essa coisa patética de que há uma conspiração contra ele, inspirada e preparada pela esquerda."

Ao jornal La Stampa, o milionário italiano afirmou-se "preocupado e desiludido. Pelos nossos filhos, mantivemos uma situação difícil juntos, mas agora acabou!"

A gota de água que levou Veronica Lario, ou melhor Miriam Raffaella Bartolini, de 52 anos, a decidir pôr fim ao casamento de 30 anos com o homem que achava "irresistível" prende-se com a eventual ligação de Berlusconi e Noemi Letizia, que fez 18 anos na semana passada, e chama 'papi' ao primeiro-ministro.

"Ainda se fosse filha dele!", confidenciou Lario a uma amiga, indiciando que perdoaria o marido ter ido à festa dos 18 anos da napolitana, a quem deu um colar de oiro. Não sendo: "Não suporto um homem que frequenta menores."

Ontem, circulavam em Roma rumores de que Noemi, que apresenta semelhanças com Barbara - filha de Berlusconi e de Veronica -, seria mais uma filha do Il Cavaliere. Este não esclarece a questão e Anna Letizia, a mãe da jovem, recusa revelar "como, onde e quando" conheceu Berlusconi, limitando-se a afirmar que ele é "uma pessoa honesta, um amigo querido".

Inquirido sobre a razão que leva Noemi Letizia a chamá-lo de 'papi', disse que tudo não passa de "brincadeira", que ela preferia usar o termo nonno (avô) mas "papi é melhor, não acham?". E sorriu.

O divórcio do casal, que tem três filhos, não será fácil: em cima da mesa há uma fortuna de 4, 5 mil milhões de euros, de cuja parte Veronica não quer abdicar, daí ter contratado uma advogada "famosa por ganhar todas as causas

Sondagem
Portugueses são os mais tristes da Europa
http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1222050
por José Miguel AlmeidaHoje

Os portugueses são dos cidadãos mais tristes e desmotivados da Europa e só os povos de leste da Hungria e Bulgária têm valores semelhantes. Tudo isto porque Portugal já foi, em termos de crescimento, ultrapassado por todos os países da Europa, segundo o britânico The Economist.

De acordo com uma sondagem publicada, hoje, no jornal inglês The Economist, 92 por cento dos portugueses vêem a situação económica como má, 95 por cento estão deprimidos e mais de metade estão descontentes com a vida que levam.

Portugal não sentiu um “boom” económico como aconteceu em Espanha e na Irlanda mas existem algumas razões para estar mais animado. Os exportadores portugueses estão a apostar em novos mercados com especial incidência em Angola, onde um crescimento por ano superior a 10 por cento garante aos investidores portugueses boas perspectivas de negócio.


Além disso, a maioria das instituições financeiras portuguesas evitou activos tóxicos o que lhes permite agora não estar dependente de apoios do Estado.


Por último, Portugal está na vanguarda da produção de energias renováveis. Investimentos na ordem dos 14 mil milhões de euros vão criar 22 mil empregos até 2020, altura em que o país será capaz de produzir mais de 60 por cento da sua electricidade através de energia limpa.

Tudo isto não é, no entanto, suficiente para estimular um povo que assiste a um péssimo desempenho da economia ano após ano. As previsões económicas para este ano, actualizadas ontem pela União Europeia, apontam para um défice orçamental de 6,5 por cento e uma taxa de desemprego superior a 9 por cento, valores que sobem para 6,7 por cento e 9,8 por cento respectivamente em 2010.

Para piorar a situação, o país teve, durante a última década, um crescimento muito abaixo da média europeia: longe de uma aproximação aos países de referência, Portugal já foi ultrapassado por todos os países da Europa.

Segundo o jornal inglês, os problemas do país são, na sua génese, domésticos e não globais. Assim, para melhorar o seu desempenho, Portugal precisaria de leis do trabalho mais flexíveis, menos burocracia, uma força de trabalho mais qualificada e maior competitividade. Não obstante todos os problemas, segundo a mesma publicação, José Sócrates vai continuar no poder ainda que venha a perder a maioria absoluta.

O actual primeiro-ministro também tem as suas razões para não estar feliz. O “Caso Freeport”, escândalo de corrupção no licenciamento de um centro comercial na altura em que Sócrates era Ministro do Ambiente, teve igualmente as suas repercussões nos índices de intenção de voto. A morosidade da investigação, iniciada em 2005, é, para o The Economist, mais um problema do país – a ineficácia e os atrasos do sistema judicial português.