"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, agosto 20, 2008

O que os humanos afinal querem no parceiro sexual
http://dn.sapo.pt/2008/08/20/ciencia/o_os_humanos_afinal_querem_parceiro_.html
RUDOLFO REBÊLO

Pesquisa. Na hora da reprodução, elas preferem os machos com ombros destacados, peito e tronco grande, pernas fortes. Eles preferem as fêmeas humanas com ancas largas. É esta a matriz que os humanos procuram para perpetuar a espécie. Essencial são também as semelhanças físicas
Não se "atrai" quem quer... deixa-se é atrair. Esta é a conclusão de uma equipa de cientistas que tenta descortinar o milenar segredo da "conquista". Claro que os perfumes, o rito da moda, os "jeitos e trejeitos", a colocação de voz, dão uma ajuda na arte da sedução, mas a simetria corporal, dizem os cientistas, é fundamental para ter o chamado sex appeal.

O que elas preferem num homem, num jovem e potencial reprodutor ? As pesquisas de uma equipa da Universidade de Brunel (Inglaterra), publicada nas páginas da Proceedings of National Academy of Science (PNAS, EUA) são taxativas: os machos humanos - em comparação com elas - devem ser fisicamente simétricos, parecidos. Mas não só. É determinante ter ombros bem desenhados , tronco grande, seios pouco expressivos em peitos largos, uma altura mediana - ou acima da média - e pernas fortes.

O retrato-robô feminino, é antagónico. A fêmea humana tem "mais hipóteses" de êxito se, para além da simetria com o macho, apresentar uns bons seios, peitos (caixa de ar) de bom porte e uma boa relação cintura-ancas. E, agora, surpresa: não é determinante, concluem os cientistas, as pernas compridas, como cultivam as top model. Eles, os reprodutores machos, preferem pernas e ancas largas. A explicação, especula-se, é que os quadris e pernas largas terá a haver com maior índice de fertilidade, o que as torna sexualmente apetecíveis.

As fêmeas -atenção, trata-se de uma pesquisa séria - valorizam os traços de masculinidade nos reprodutores machos. Ombros largos e pernas curtas é sinónimo de força, saúde e capacidade de competir com outros adversários machos. Pelo contrário, os machos apreciam mais as fêmeas com menos traços masculinos.

Estas preferências - deles e delas - não são fruto do acaso. Tem muito a haver com a evolução natural da espécie, com a capacidade de transmissão dos genes. O perfil de homem "espadaúdo" e sadio é visto como o garante da perpetuação da espécie...

Ou seja, se a estas características se juntar a simetria então o perfil do par ideal - na hora da reprodução - está encontrado. Já há algum tempo se sabia que a simetria dos rostos é a "chave" que ajuda a desvendar o mistério da atracção sexual. Isto explica porque a fisionomia do casal, após décadas de casamento, tendem a "parecer" um com o outro. |

Estará o homem a fartar-se de ver mulheres nuas?
http://dn.sapo.pt/2008/08/20/media/estara_o_homem_a_fartarse_ver_mulher.html
FILIPE FEIO

Impotência. Apesar de o mercado português não seguir, para já, a tendência, as vendas das revistas masculinas continuam em queda no Reino Unido, e os editores já não sabem o que fazer
Há quem culpe a Internet. Outros, mais extremistas, afirmam que o paradigma do homem moderno se alterou. Independentemente da razão, a verdade é que, no Reino Unido, a população masculina se interessa cada vez menos por revistas como a FHM ou a Loaded, famosas pelas suas capas com mulheres quase despidas. No nosso país, e apesar da ligeira queda nas vendas de revistas masculinas no segundo semestre do ano, os portugueses não seguem, para já, a tendência dos britânicos.

"O mercado português ainda não é afectado", garantiu ontem ao DN o director da Maxmen. Luís Merca afirma que, no entanto, é importante estar atento ao fenómeno, que se iniciou no Reino Unido há cerca de "um ano e meio, dois anos". E se cá chegar? "Já estamos a preparar-nos", garantiu o responsável, que admitiu ser a Internet uma aposta "muito importante", e em estudo pela revista da Media Capital.

Opinião partilhada por Luís Godinho, director da FHM, revista que tem já uma forte presença na Web, muito ao estilo da Monkey ."Não se pode pensar na Internet como um inimigo a abater, mas antes como um aliado". Além disso, afirmou o responsável pelo título da Edimpresa, "o mercado das revistas masculinas em Inglaterra está numa fase completamente diferente do nosso. Existe há muito mais tempo, há muito mais players, publicações semanais, gratuitas..."

"O que espoletou a chamada crise nas revistas masculinas foi o aparecimento da Nuts, uma semanal mais arrojada", afirmou, por mail, Luís Godinho. As revistas mensais "assustaram-se com as vendas que a Nuts estava a conseguir, e seguiram o mesmo caminho: mais corpo à mostra, menos conteúdo", explicou o responsável. As revistas "tornaram-se todas muito iguais, numa competição desenfreada para ver quem mostrava mais. Isto criou saturação nos leitores", explicou. "Além de que mulheres despidas é conteúdo que não falta na Internet", disse o director da FHM portuguesa, e "eu sempre acreditei que para apreciar a beleza de um Ferrari não é preciso olhar para o motor que se esconde por debaixo do capot".

Independentemente do que cada um aprecia, a verdade é que, no Reino Unido, e de acordo com o The Guardian, nenhuma das revistas masculinas tem conseguido segurar os leitores. Loaded, a pioneira, que já chegou a vender meio milhão de exemplares por mês, vende agora 95.371 unidades. A FHM, que já distribuiu 700 mil cópias, perdeu 11% dos leitores nos últimos seis meses, e tem agora uma tiragem mensal de 280 392 exemplares. A Maxim foi aquela que levou o maior golpe: no último ano, as vendas desceram 59,6%, e a revista tem agora uma tiragem de 43 542 exemplares.

Phil Hilton, ex-editor da Nuts, escreveu acerca da crise, no jornal Independent: "É possível que estejamos prestes a assistir a uma daquelas mudanças periódicas na moda e nos costumes, depois da qual o homem não vai continuar a querer ver as mulheres tão destapadas". Será possível? |

terça-feira, agosto 19, 2008

Leis bizarras criam "verão das proibições" na Itália
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u435120.shtml
19 de Agosto de 2008
ASSIMINA VLAHOU
da BBC, em Roma

Com maior poder e autonomia para garantir a segurança pública em suas cidades, os prefeitos italianos deram asas à imaginação aprovando normas polêmicas como a proibição de construir castelos de areia na praia, se beijar dentro de automóveis e andar de tamancos.

Algumas leis que entraram em vigor em agosto, pleno verão europeu, causaram surpresa e irritação nos italianos.

Em determinadas cidades, fica proibido circular com garrafas de vinho ou latas de cerveja na mão, andar sem camisa, soltar fogos de artifício em festas privadas exceto aos sábados entre as 20h30 às 23h e cortar grama aos finais de semana.

Nas turísticas Positano e Capri, usar tamancos pode dar multa de 50 euros (cerca de 120 reais), por causa do barulho que fazem.

Circular em grupos de mais de duas pessoas nos parques públicos de Novara, no norte do país, depois das 23h30 pode dar até 500 euros de multa (cerca de R$ 1.200 reais).

A mesma cifra pode ser cobrada de um casal que se beijar no carro na cidade de Eboli, no sul da Itália.

Autonomia

A onda de legislações bizarras se explica pelo maior poder aos prefeitos concedido pelo pacote de leis sobre segurança pública aprovada pelo governo de Silvio Berlusconi e em vigor desde o final de julho.

De acordo com a nova legislação, os mandatários municipais são encarregados de vigiar "tudo o que possa interessar à segurança e à ordem pública".

A medida está sendo vista como uma contradição do governo Berlusconi, que também instituiu um Ministério especialmente para eliminar leis desnecessárias e agilizar a burocracia italiana.

Em poucas semanas, os prefeitos exercitaram sua criatividade, conforme foi sugerido a eles pelo ministro do interior, Roberto Maroni.

Em Veneza e Assis, terra natal de São Francisco, é proibido pedir esmolas. Em Verona, os clientes de prostitutas podem ser multados em 500 euros, cerca de R$ 1.200 reais.

Flanelinhas, além de multados em cerca de 120 reais, também têm o dinheiro ganho apreendido pela polícia.
Estão proibidas em toda a Itália as massagens profissionais nas praias. Os massagistas podem levar multa de até mil euros (cerca de R$ 2.500) e o tradicional top less, muito apreciado pelas italianas, é vetado no litoral de Ravenna.

O prefeito da cidade de Verona, Flavio Tosi, um dos mais ativos na promulgação de normas para garantir segurança e a "compostura", multa também quem for pego andando sem camisa ou comendo e bebendo perto de monumentos.

"É uma legislação em prol da compostura. É o povo que pede estas medidas", disse Flavio Tosi, do partido conservador e separatista Liga Norte, ao jornal "La Repubblica".

Ele reivindica mais poder "para colocar na cadeia, por 24 horas, vândalos, bêbados e quem cria confusão".
Segundo Tosi, medidas do gênero são tomadas também por prefeitos da esquerda.

Confusão

Como mudam de cidade para cidade, as medidas impostas pelos prefeitos geram confusão nos italianos e nos milhões de turistas que freqüentam o país.

Em Gênova, por exemplo, é vetado circular pelas ruas com garrafas de vinho ou latas de cerveja na mão.

Em Eraclea, perto de Veneza, o prefeito decretou que é proibido fazer castelos de areia na praia. Quem colher conchas e levar areia para casa pode pegar multa de 25 a 250 euros (R$ 75 a R$ 750).

O problema de leis diferentes nas diversas cidades chamou a atenção de alguns prefeitos, que sugerem a adoção de legislações semelhantes.

"É necessário tornar mais uniformes as normas aprovadas pelas várias cidades", admitiu o prefeito de Roma, Gianni Alemanno ao jornal "La Repubblica".

Nepal abre estrada para atrair turismo rico ao Annapurna
http://jornal.publico.clix.pt/
19.08.2008


Automóveis vão poder chegar a estâncias às quais hoje só se chega
a pé, depois de dias de caminhada


Está a tornar-se cada vez mais difícil fazer trekking no famoso circuito do Annapurna, nos Himalaias, um dos picos mais altos do mundo (8091 metros), desde que os responsáveis pelo turismo no Nepal decidiram abrir uma nova estrada, que permitirá aos automobilistas chegar à estância montanhosa de Manang que, até aqui, só podia ser atingida a pé ou pelo ar.
Segundo o The Guardian, a abertura da estrada, que atravessará o coração dos Himalaias, está a indignar os praticantes de trekking, que afirmam que a zona será destruída pela poluição. Mas as autoridades nepalesas argumentam que, para o desenvolvimento da área, é necessária uma maior abertura a outro tipo de turistas - em particular os que têm generosos cartões de crédito e que, em muitos casos, preferem um meio de transporte menos cansativo para subir às montanhas.
"Depois da construção da estrada, o número de caminhantes reduzir-se-á", admite Aditya Baral, conselheiro do Governo nepalês para os Negócios Estrangeiros, citado pelo diário britânico. Mas, acrescenta, "temos que ter aqui um compromisso entre o desenvolvimento económico e de infra-estruturas e os efeitos no turismo e no ambiente. Temos que criar atracções alternativas que vão para lá do trekking". Estas atracções alternativas passam, por exemplo, por pacotes de turismo que incluem esqui e golfe. "Estamos a tentar criar atracções turísticas que não sejam apenas naturais, parques temáticos, desportos de adrenalina, como bungee jumping e rafting", explica ainda Baral.
Para os caminhantes habituados a subir o Annapurna ao seu ritmo - o que significa cinco dias de caminho até Manang, que fica a uma altitude de 3500 metros, e mais duas semanas até à estância de Pokhara -, os planos divulgados por Baral são o equivalente a uma descrição do inferno. Emmanuel Deghary, de 29 anos, de Marselha, já fez o percurso quatro vezes, e, em declarações ao Guardian, lamentou a construção da nova estrada: "Vai haver autocarros, tractores e carrinhas a cuspir fumo dia e noite. É assim que queremos tratar o nosso planeta?".
Os defensores do plano dizem que a chegada de novos turistas é essencial para a sobrevivência das localidades dos Himalaias, mas os adversários - entre os quais o Projecto para a Conservação da Área do Annapurna - afirmam que os lucros irão beneficiar apenas alguns operadores turísticos e os hotéis de luxo.
De acordo com o jornal Rising Nepal, os trekkers já estão à procura de caminhos alternativos para subir o Annapurna.

segunda-feira, agosto 18, 2008

As revistas pornográficas de Franz Kafka saíram do armário onde ele as fechava
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20080817%26page%3D10%26c%3DC
17.08.2008, Inês Nadais


Excavating Kafka, a nova biografia, é o elefante na loja de porcelanas dos estudos kafkianos


Imaginávamos Kafka fechado em casa, sim (como Gregor Samsa, o rapaz-insecto de A Metamorfose), mas não imaginávamos que, se pudéssemos espreitar pela fechadura, íamos apanhá-lo de calças na mão, a devorar as revistas pornográficas que assinava a meias com o amigo Max Brod (há uma carta em que lhe pergunta: "A Amethyst nunca mais chega? Já tenho o dinheiro") e que guardava num cofre secreto da estante de casa dos pais. James Hawes, um romancista britânico que passou anos a estudar os diários de Franz Kafka, espreitou pelo buraco da fechadura e agora conta o que viu em Excavating Kafka, uma nova biografia do autor checo que está a pôr a intelligentsia dos estudos kafkianos à beira de um ataque de nervos.
Excavating Kafka chegou às livrarias na quinta-feira com esta missão: demonstrar que todo o edifício dos estudos kafkianos (uma espécie de polvo: tirando Shakespeare, sublinha James Hawes, "não há nenhum escritor que tenha dado tantas teses de doutoramento, tantas biografias, tantos álbuns de capa dura") foi construído em cima das premissas erradas. O homem que encontramos em Excavating Kafka não é o zombie urbano-depressivo neurótico e acossado do costume: é um rapaz do tempo dele, com um belo salário de funcionário público, um pai normal e, cereja em cima do bolo, uma colecção de revistas pornográficas que os académicos, acusa James Hawes, passaram este tempo todo a fingir que não existia.
"Toda a indústria que se alimenta de Kafka prefere que não se saibam coisas deste género sobre o seu ídolo. Talvez os biógrafos não gostem da ideia de Kafka ter recorrido a este tipo de materiais no início da carreira. Todos os postais que ele mandou, todas as páginas de diário que ele escreveu, todos os relatórios que ele preencheu são vistos como uma espécie de Arca de Noé. Mas nunca ninguém quis saber da pornografia. Há uma conspiração para censurar este assunto", diz o autor de Excavating Kafka que (o diabo está nos detalhes) também é professor de escrita criativa e autor de romances humorísticos. Também ninguém quer saber da pornografia agora: o meio académico (e sobretudo o meio académico alemão, tradicionalmente mais empenhado na descodificação da obra de Kafka) olha para a nova biografia, olha para o autor da nova biografia e responde, encolhendo os ombros: escrita criativa.
Embora os achados de Hawes não estejam a ser levados a sério - nas "revistas pornográficas" que Kafka coleccionava, a Amethyst e a Opale, havia desenhos de uma mulher com corpo de ouriço-cacheiro a fazer sexo oral e de um golem [uma figura do folclore judaico] a apalpar o peito de uma rapariga, mas também havia poemas de Paul Verlaine e trabalhos do artista belga Félicien Rops, coisas suficientemente iconoclastas mas talvez não ao ponto de poderem ser consideradas hard-core - o debate está instalado nos jornais alemães.
"Hawes deixou-nos espreitar pelo buraco da fechadura e viu Kafka com as calças na mão. Mas chamar pornografia hard-core às revistas ilustradas que ele assinava é como comparar um poema de Heinrich Heine a um slogan publicitário da McDonald's", escreveu a investigadora americana em estudos kafkianos Anjana Shrivastana no Der Spiegel. "James Hawes é um idiota que não sabe nada acerca de Kafka mas escreve sobre ele como se soubesse", comentou Klaus Wagenbach, o biógrafo "oficial" de Kafka (foi um livro dele, publicado em 1958, o primeiro a divulgar a carta em que Kafka perguntava a Max Brod pelas revistas), ao Frankfurter Allgemeine.
O teor das imagens que Hawes encontrou na British Library, em Londres, e na Bodleian, em Oxford, é o tema mais fracturante do debate (Rainer Stach, outro biógrafo de Kafka, já veio frisar que as tais "imagens pornográficas" são "caricaturas, desenhos humorísticos" e que o barulho à volta do lançamento de Excavating Kafka é "uma inacreditável campanha de marketing"), mas há outros capítulos em que a nova biografia não coincide com o retrato oficial do artista quando jovem. Hawes contradiz as teses de que Kafka era oprimido pelo pai ("Deixou-o estudar o que queria, entrar e sair da casa quando queria e viver sem pagar aluguer durante anos, quando para todos os efeitos Kafka ganhava bem") e de que vivia obcecado pela sua condição judaica ("Kafka estava perfeitamente integrado na cultura alemã"). Não, ele não passava a vida fechado em casa: frequentava os bordéis e os clubes nocturnos, como qualquer rapaz com dinheiro da idade dele. Ignorar isto, argumenta Hawes, é ignorar Kafka: "É preciso deixar de olhar para o mito e olhar para o que Kafka realmente escreveu".
Quando a poeira assentar em cima da nova biografia de Kafka, talvez possamos olhar para o que Kafka realmente escreveu e encontrar coisas que até aqui não estavam lá. "Existe o mito de que Kafka era uma espécie de santo. É saudável reunir provas de que ele era um ser humano", disse ao The Times Ritchie Robertson, autor de Kafka: A Very Short Introduction. Vale a pena abrir o armário e tirar de lá a pornografia? Pode ter a sua utilidade, acrescenta: "Kafka tinha uma imaginação visual fortíssima e a importância que as artes visuais tinham para ele ainda não foi suficientemente explorada".

quarta-feira, agosto 13, 2008

Caça extinguiu cangurus-gigantes
http://dn.sapo.pt/2008/08/13/ciencia/caca_extinguiu_cangurusgigantes.html

Pesquisa. Animais pré-históricos devem a sua extinção à caça e não às alterações climáticas, revela um estudo do Proceedings of the National Academy of Science. O exemplo da ilha da Tasmânia sustenta a teoria dos cientistas
O Homem foi o principal responsável pela extinção dos animais gigantes que viviam na pré-história. A revelação é feita num estudo publicado ontem pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), citado pela agência noticiosa EFE, levado a cabo por cientistas britânicos e australianos.

Estes novos dados deitam assim por terra as teorias existentes que durante anos defenderam que foram as alterações climáticas as grandes responsáveis pela extinção de seres vivos como os grandes dinossauros.

O melhor exemplo que comprova a nova teoria é o dos cangurus-gigantes e outros marsupiais que há milhões de anos habitaram a Tasmânia, uma ilha a sul da Austrália que na época era ligada a esse continente. Até agora acreditava-se que, quando o Homem chegou àquela região do globo, há cerca de 43 mil anos, os animais já estavam extintos. No entanto, a pesquisa feita pelos cientistas veio revelar que a espécie existia há 41 mil anos e que se extinguiu cerca de 2 mil anos depois dos humanos terem começado a povoar a região.

Outra evidência que vem reforçar a tese agora apresentada é a de toda a região da Tasmânia não sofreu uma alteração climática no período em análise. Um facto que reforça a tese de que o fim das espécies se deveu sim à caça excessiva.

"O argumento de que a mudança climática foi a causa de uma extinção em massa perdeu força de modo considerável", defende Chris Turney, da Universidade de Exeter (Reino Unido), um dos cientistas do estudo.

O exemplo da Tasmânia poderá agora ser aplicado a outras regiões do mundo, dizem os investigadores que pretendem assim concluir que a acção do Homem pré-histórico foi a principal razão da extinção de animais da época. Os defensores da teoria da alteração climática tem agora também um desafio grande que é provar o contrário.

'Reality show' para converter ao cristianismo
http://dn.sapo.pt/2008/08/13/media/reality_show_para_converter_cristian.html

Reino Unido. Programa controverso do reverendo George Hargreaves
O tema é, no mínimo, polémico. O Channel 4, no Reino Unido, está a emitir um reality show com um conceito controverso: converter os participantes ao cristianismo, noticia o El Mundo. O programa, intitulado Make Me a Christian ("Torna-me cristão", em português), é da responsabilidade do reverendo George Hargreaves, que considera que o país está em declínio moral. Por isso, vê este programa como uma forma de voltar a instituir os valores entre os britânicos. O formato, dividido em três partes, vai contar com um grupo de participantes que deixaram as suas vidas quotidianas para trás para se converterem ao cristianismo.

Com a Bíblia como base de todo o programa, o formato desafia pessoas dos mais diferentes quadrantes. Os participantes - nenhum cristão - têm perfis considerados um pouco invulgares: um ciclista tatuador e ateu; um jovem que foi educado no cristianismo e que agora tem uma namorada que está grávida de dez semanas; um agente de dança que é "viciado" em comprar sapatos de marca; um casal que dedica pouco do seu tempo aos filhos; um homem de 20 anos que, sem conhecimento da namorada, sai à noite para estar com outras mulheres, e uma lésbica que ocasionalmente também se envolve com homens são os concorrentes.

O programa começou por levar os participantes a uma catedral com mais de mil anos de existência, onde celebraram uma eucaristia. De seguida, regressaram à cidade de Leeds, de onde são naturais, e foi- -lhes oferecida uma Bíblia, que têm de ler todos os dias.

A vida diária dos concorrentes é depois acompanhada, nas suas casas, e os seus estilos de vida serão cuidadosamente analisados pelos representantes do reverendo Hargreaves. De acordo com a vida de cada um, recebem instruções sobre a melhor forma de viverem como cristãos e as câmaras de televisão comprovam se os participantes seguem, ou não, essas indicações. A título de exemplo, aos pais demasiados ocupados, ser-lhes--á pedido que passem pelo menos 15 minutos com cada um dos filhos, enquanto que à participante lésbica os representantes do reverendo sugerem que deite fora todas as imagens explícitas que tenha.

Este não é um projecto pioneiro. O mesmo canal já realizou o formato Make Me a Muslim ("Torna-me muçulmano"), em que seis participantes viveram de acordo com a religião islâmica. Resta saber se os concorrentes vão seguir uma vida cristã ou voltarão aos velhos hábitos.|- M.D.

Pequim falsificou cerimónia de abertura dos Jogos
http://dn.sapo.pt/2008/08/13/desporto/pequim_falsificou_cerimonia_abertura.html

ABEL COELHO DE MORAIS
Propaganda. Responsável justifica decisão com necessidade de transmitir "imagem perfeita"
A criança de voz perfeita que se ouviu na abertura dos Jogos e os fogos--de-artifício ainda mais perfeitos que se viram, nada disto é tão perfeito como pareceu aos três mil milhões de telespectadores que seguiram a cerimónia de Pequim.

A voz não era a da criança em destaque na cerimónia e as imagens dos fogos foram manipulados. Tudo em nome "do interesse nacional", disse ontem o responsável musical do espectáculo, Chen Qigang.

"Quisemos projectar uma imagem perfeita, pensámos no melhor para a nação", explicou Chen para justificar a presença em cena Lin Miaoke, de nove anos, ouvindo-se em playback a voz de Yang Peiyi, de sete anos. Decisão tomada ao mais alto nível por um elemento da instância dirigente do Partido Comunista Chinês presente no ensaio final.

Sem revelar o nome do dirigente, Chen limitou-se a dizer que lhe foi comunicado ser "um problema" a presença de Yang em palco, "um problema que era preciso resolver, e nós resolvemo-lo", disse este responsável.

O "problema" de Yang é que o seu rosto arredondado e uma dentição irregular perturbavam a imagem de perfeição que era imperioso traduzir. Chen justificou as suas declarações de ontem para que a contribuição de Yang não fosse esquecida. Até "porque a sua voz é perfeita, na opinião de todos os membros da nossa equipa".

O caso foi revelado na Internet depois de a imprensa chinesa ter louvado em linguagem quase hiperbólica as qualidades de Lin, não fazendo qualquer referência a Yang. Dois comentários sobre o sucedido traduzem a dimensão da indignação: "O sucedido é um insulto para a verdadeira cantora e para todos aqueles que seguiram" o espectáculo.

Ontem, na televisão nacional chinesa, Yang foi finalmente entrevistada. Como seria natural, declarou estar satisfeita com o facto de a sua voz se ter ouvido, ainda que não fosse vista. Por seu lado, Lin disse estar emocionada por "ter ficado tão bonita com o meu vestido vermelho".|

Denúncia de organização britânica
115 milhões de animais usados em investigação em 2005
13.08.2008 - 19h34 PÚBLICO
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338894

Cerca de 115 milhões de animais foram usados em investigação científica em todo o mundo só em 2005, de acordo com uma estimativa que teve em conta o número de artigos científicos publicados e que envolviam animais, revelou a União Britânica para a Abolição da Dissecação e testes em animais, num estudo citado pelo jornal “The Guardian”.

Segundo o relatório, a maioria dos animais eram roedores, que representavam 83,5 por cento. Os primatas ocupam 0,15 por cento dos casos, os gatos 0,06 e os cães 0,24.

A organização adianta ainda que a compilação dos dados não foi fácil uma vez que apenas 37 dos 142 países analisados dispunham de registos nacionais. “É chocante verificar que tão poucos países considerem importante este tipo de registo sobre os animais que sofrem nos laboratórios”, acrescentou a organização. “É difícil traçar uma realidade sobre o uso de animais em laboratório, em pleno século XXI quando os números apresentados estão tão subestimados”.

A organização lembra ainda que não estão também incluídos os animais nascidos por técnicas laboratoriais ou aqueles que são mortos para que os seus órgãos ou sangue sejam testados.

O “Guardian” lembra que no Reino Unido os investigadores têm de fazer o registo, bem como dos procedimentos usados e os animais criados por técnicas de manipulação genética. Mas nos EUA, o maior utilizador de animais de laboratório, os números oficiais, que são 17 milhões do total apurado, não incluem ratos, ratinhos, aves, peixes, répteis e anfíbios.

Em Portugal a portaria 1005/92 de 23 de Outubro, nos seus artigos 24º e 25º obriga a que todos os trabalhos de laboratório que recorram a animais sejam previamente comunicados à Direcção Geral de Pecuária, e esta está obriga a apresentar “periodicamente” a relação dos animais usados bem como o uso a que se destinaram. Cumprindo legislação europeia em vigor.

O Liechtenstein e a República de San Marino são os únicos dois países que baniram totalmente o uso de todos os animais em investigação.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Descoberta em ratos capacidade de decisão
http://dn.sapo.pt/2008/08/11/ciencia/descoberta_ratos_capacidade_decisao.html

Surpreendente. O estudo de um cientista da Fundação Champalimaud, que sai hoje na edição 'online' da 'Nature', mostra que as opções do cérebro, fruto do nível de confiança, não são, afinal, exclusivas do ser humano

O estudo é publicado hoje na 'Nature'

Um estudo coordenado por Zachary Mainen, investigador do Programa Champalimaud em Neurociências, concluiu que a capacidade de confiança na tomada de decisões não é só humana, comprovando que os ratos têm diferentes níveis de confiança. Os resultados do estudo "Elucidando como o cérebro gera confiança", obtidos em Cold Spring Harbour Laboratory, nos EUA, são agora publicados na revista Nature.

A capacidade de confiança numa decisão é considerada uma característica humana: que caminho seguir ao chegar a um cruzamento depende da confiança em cada alternativa. Mas os investigadores treinaram ratos para escolherem, mediante uma recompensa, o composto químico de odor mais intenso numa mistura de dois compostos e concluíram que essa capacidade não é exclusiva dos humanos. Segundo Zachary Mainen, "ao variar a composição da mistura, foi possível manipular o grau de dificuldade da decisão e o grau de incerteza na decisão". Uma situação "equivalente a pedir a uma pessoa que decida se determinada mistura de tons verdes e azuis é mais verde ou azul. Quando a mistura é predominantemente verde ou azul, a confiança é mais elevada. Pelo contrário, na presença de quantidades equivalentes das cores, a incerteza é maior".

A equipa de investigadores registou a actividade de um pequeno grupo de células localizadas no chamado córtex orbitofrontal, zona existente em ratos e humanos. Nas experiências com odores verificaram a correlação entre a velocidade de disparo das células (medida da sua actividade) e o grau de indecisão dos animais ao escolherem o odor mais intenso.

"Estas células pareciam ser activadas após a decisão estar tomada, como se estivessem a indicar quão confiante está o animal que receberá o prémio aguardado", diz Zachary M. A melhor explicação, acentua, "é que estas células assinalam a confiança que o rato tem na sua decisão", acrescenta o cientista.

A equipa mostra que estimar confiança numa decisão pode ser um componente neurológico básico, característica partilhada por todos os ani- mais. -L.M.

Cientistas criam material que confere invisibilidade

11.08.2008
http://jornal.publico.clix.pt/



Duas equipas de cientistas a trabalhar nos Estados Unidos desenvolveram um material que pode tornar os objectos invisíveis. Esta investigação, publicada nas revistas científicas Nature e Science, é financiada pelo exército norte-americano e, daqui a uns anos, pode ter aplicações inéditas em termos militares.
Tanques e navios invisíveis - se recobertos com este material, que faz curvar a luz em torno dos objectos, de forma a escondê-los dos observadores. O princípio foi explicado ao jornal britânico The Times por Xiang Zhang, o cientista do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley dos EUA.
"Para ser usado em mantos ou escudos de invisibilidade, o material teria de curvar as ondas de luz completamente em torno de um objecto, como um rio flui em torno de uma rocha", diz. Um observador desse objecto coberto pelo manto da invisibilidade veria apenas a luz surgir por trás dele - o que o tornaria indetectável pela sua vista, explica o Times.
Metamateriais é como os cientistas chamam a estes produtos da tecnologia capazes de agarrar a radiação electromagnética para a deflectir. Não existem na natureza, são produtos da nanotecnologia, que permite manipular a matéria átomo a átomo, para produzir efeitos muitas vezes surpreendentes.
Estas experiências seguem-se a outros trabalhos desenvolvidos no Imperial College de Londres, que conseguiram produzir um certo grau de invisibilidade como micro-ondas. Conseguir o mesmo efeito com a luz visível é um grande passo em frente nesta área de investigação científica.

sexta-feira, agosto 08, 2008

China promete distribuir 50 mil bíblias aos atletas
http://jornal.publico.clix.pt/
08.08.2008





São duas faces da mesma moeda: no final de Julho, desapareceram mais dois padres da Igreja Católica clandestina da China, depois de terem sido detidos. Ao mesmo tempo, o Governo promete distribuir gratuitamente 50 mil bíblias a atletas e turistas e batem-se recordes de impressão da Bíblia no país, em exemplares destinados aos cristãos chineses (ver caixa).
A operação de distribuição de bíblias pretende calar as vozes dos que condenam a política da China no que diz respeito ao direito de professar uma religião. Relatórios sucessivos sobre a liberdade religiosa no mundo têm colocado a China na lista dos países que mais atentam contra este direito fundamental.

A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), uma organização internacional dependente do Vaticano, mas com autonomia de funcionamento, lançou uma campanha de apoio aos católicos na China, para a fazer coincidir com os Jogos Olímpicos. Notando um enorme crescimento do número de católicos - cada ano, há cerca de 100 mil novos baptismos -, a instituição nota, no entanto, que essas pessoas correm "muitos riscos", quando decidem tornar-se cristãs e que "a perseguição continua".
A AIS, que tem publicado anualmente um relatório sobre a liberdade religiosa no mundo, afirma que, actualmente, há "pelo menos 12 bispos" detidos "em prisão domiciliária, na prisão ou forçados a viver na clandestinidade". Na China, há uma estrutura católica clandestina e uma outra - a Associação Católica Patriótica - que é controlada pelo Governo comunista. Mesmo assim, esta não se "livra de sofrer também violências e abusos", lê-se no relatório de 2006 (o último disponível). Mas as perseguições e ameaças atingem por igual cristãos (católicos e protestantes), muçulmanos, budistas (como no caso do Tibete) ou membros de grupos como a Falun Gong.
Estimativas do Vaticano apontam para a existência de 12 milhões de católicos na China, cerca de um por cento da população do país. As bíblias que serão distribuídas durante os Jogos são bilingues, mas não ficará por aqui a operação de simpatia para com os crentes cristãos: igrejas e lugares de culto na capital e nas restantes cidades olímpicas ficarão abertos à disposição de quem queira, ao contrário do que é normal.

quinta-feira, agosto 07, 2008

De três em três meses Pequim precisa de um novo mapa

07.08.2008, Francisca Gorjão Henriques, em Pequim
http://jornal.publico.clix.pt/

A capital cresce a um ritmo alucinante. Na voragem cria-se uma monumental ausência
de passado, as referências perdem-se por entre as artérias que trespassam a cidade.
Mas esta é a era do possível. "Os chineses são loucos por coisas novas"


40 anos, calças pretas, camisa preta. Em muitas cidades do mundo este poderá ser o retrato de um arquitecto. Em Pequim também. Zhang Hong oferece-nos peixe com picante, arroz, legumes e sopa de galinha com gengibre no restaurante ao lado do seu atelier. Com uma calma amável, fala da voragem desta cidade que às vezes o torna quase estrangeiro. "Acontece não encontrar um sítio porque de repente está rodeado por edifícios novos, mais altos, que eu não conhecia. É frequente perder-me em Pequim."
Percorrem-se alguns metros até ao Standard Architecture para provar que a mudança pode não implicar destruição. O atelier, instalado num antigo auditório de tijolo dos anos 1950, não apagou a memória desse espaço, se os nossos olhos forem capazes de se desviar das maquetas, fotografias e desenhos que estão pendurados na parede. Numa delas há até um papel a dizer, mesmo assim, em português: "Embaixada." É o resultado de uma parceria com o atelier de Lisboa com o mesmo nome que está a desenvolver alguns projectos na China.
Numa mesa comprida onde estão pousados hotéis e edifícios de apartamentos em ponto pequeno, Zhang Hong e o seu sócio Zhang Ke (não são parentes, o apelido Zhang é partilhado por 270 milhões de chineses) resumem assim a evolução da sua cidade: "Entre as décadas de 1960 e 1980 o mapa era actualizado a cada dez anos; entre os anos 80 e 90, a cada cinco; depois de dois em dois até ao ano 2000; voltou a ser actualizado em 2001 e desde 2002 que são necessárias quatro actualizações por ano."
Isto significa que de três em três meses há novas informações a acrescentar à capital do país mais populoso do mundo. É por isso que em Pequim o passado pode querer dizer 3000 anos, ou 100, ou apenas algumas semanas. É fácil perderem-se as referências numa cidade que nunca dorme, porque está 24 horas sobre 24 horas sob o som das escavadoras e dos pneumáticos.
O crescimento económico da China, o país que consome metade da produção mundial de betão, está reflectido na expansão da sua capital, onde hoje vivem mais de 17 milhões de pessoas. Não foram apenas os Jogos Olímpicos que desafiaram os limites da engenharia, os arranha-céus nascem como cogumelos. Pequim cresce na vertical e estica os seus limites até à exaustão.
A duas velocidades
A cidade não se cristalizou com a tomada de poder do regime comunista, em 1949. A começar por Tiananmen, onde a República Popular foi anunciada, mesmo em frente à exuberância da Cidade Proibida. Era preciso espaço para exibir o orgulho militar em paradas e o apoio maciço do povo aos seus líderes. Mao Zedong mandou traçar largas avenidas, apesar dos poucos carros a circular (hoje parece que toda a cidade foi feita para eles), e erguer edifícios de monumentalidade estalinista.
Mas nos anos 70 e 80 "houve um desenvolvimento muito lento, que guardou muitos traços históricos, como os hutongs", as casas térreas com um pátio no centro, "com muita gente a insistir na tradição", continua Zhang Hong. "A partir de 1996 é que as coisas começaram a mudar. E a mudança foi radical em 2000, quando se começou a pensar que Pequim devia ter uma nova face. Decidiu-se manter algumas partes velhas e modernizar o resto."
O novo rosto veio trazer ainda mais circulares que se impõem sobre a cidade como os muros construídos ao longo da dinastia Ming (1368-1644). Dois quarteirões vizinhos podem estar inexoravelmente separados. Quatro faixas para um lado, quatro faixas para o outro. São seis anéis que dão a volta à capital (a sexta circular, terminada recentemente, tem 130 quilómetros) e que se tornaram nas suas novas referências. Não há muito tempo foi terminada uma avenida que para atravessar é preciso percorrer 200 metros.
A cidade tem uma área total de 16.808 quilómetros quadrados: 180 quilómetros de norte a sul e 160 de leste a oeste. Cresce também em altura. "Até 1950 Pequim tinha uma forma horizontal. O edifício mais alto tinha 38 metros - o tecto da Cidade Proibida. Nenhum podia ser mais alto e os prédios tinham no máximo três andares", diz Zhang Ke. Agora, a Torre 3 do World Trade Center tem 74 andares, e 330 metros de altura, e há pelo menos 35 edifícios com mais de 120 metros.
Copiar, copiar, copiar
A escala de tipo soviético manteve-se, esmagadora, e é agora enfeitada com outdoors de villas nos subúrbios, de estilo americano (o Governo mandou retirar alguns anúncios para não suscitar invejas a quem não tem bolso para tanto) e com os grandes símbolos do consumo capitalista. O pastiche não é a excepção, é a regra, porque não há limites para o que é possível misturar.
"Para os chineses, as cópias são tão boas como os originais", diz o canadiano Shelly Kraicer, sentado no Bookworm, um café-restaurante-livraria de uma das zonas mais ocidentalizadas da cidade, sobre a qual diz estar desactualizado por ter acabado de passar um mês fora. Vive há cinco anos no país e é um dos maiores especialistas em cinema chinês: "O passado só existirá em Pequim quando for uma cópia de si próprio. E será todo em forma de parques temáticos."
E há precisamente um filme para ilustrar o que diz Kraicer. O Mundo, do realizador Jia Zhangke, reflecte o impacto da globalização numa sociedade tradicionalmente conservadora. O próprio Jia Zhangke diz que o filme se passa em Pequim - num verdadeiro parque temático com réplicas dos edifícios mais emblemáticos do mundo, como a Torre Eiffel ou as pirâmides do Egipto -, mas poderia ser em qualquer lugar do planeta. É isso que muitos temem - que a capital do Império do Meio possa ser reduzida a um lugar como qualquer outro de tanto absorver o que vem de fora.
Zhang Ke concorda: "O problema com a arquitectura é o mesmo da música: os estilos copiam-se muito. A maioria dos arquitectos é pouco conscienciosa e a forma mais rápida de produzir é copiando. Já há montes de Ninhos de Pássaro [Estádio Nacional] e CCTV [sede da televisão oficial] por todo o país."
Há outras consequências desta abertura ao Ocidente. O regime não se coibiu de chamar a Pequim grandes arquitectos estrangeiros para erguer as novas obras mais espectaculares da cidade. Como diz Zhang Hong, os clientes gostam de ser surpreendidos. O novo edifício construído por Rem Koolhaas para a CCTV tem 465 mil metros quadrados - o segundo maior edifício de escritórios do mundo a seguir ao Pentágono. Desafia as leis da gravidade com as suas duas torres inclinadas e unidas na base e no topo.
Recordes olímpicos
Os Jogos Olímpicos foram um novo pretexto para a modernização de Pequim e encarados como a montra do desenvolvimento chinês (o país em maior aceleração económica do mundo). A cidade olímpica tem seis vezes o tamanho da criada em Atenas. Catorze dos 37 estádios dos Jogos são novos, e o orçamento de 35 mil milhões de euros é o maior de sempre. O Estádio Nacional conhecido como "Ninho de Pássaro", e construído pela dupla de arquitectos Herzog & de Meuron, tornou-se um dos mais emblemáticos; será lá, com 91 mil pessoas a assistir, que decorrerá a cerimónia de abertura e encerramento dos Olímpicos.
"Os chineses são loucos por coisas novas. Talvez seja uma coisa do subconsciente, por causa da Revolução Cultural. Foi toda uma década em que não houve educação e a falta de consistência cultural veio destruir o que tinha ficado. Depois foi preciso reconstruir o ambiente físico, que levou décadas a acompanhar as mudanças [sociais e económicas]", diz Zhang Ke.
Um realizador da CCTV, Li Ye-mo, conta uma história antiga para falar de uma cidade nova. Durante a dinastia Ming, começa, a parte ocidental de Pequim tinha cinco torres. Em contrapartida, a oriental não tinha nenhuma. Um carpinteiro, Lu Ban, decidiu por isso percorrer todo o país à procura de uma torre. Encontrou-a em Hangzhou, num lago, onde estava um homem alto e forte. Mandou-o levá-la para o Leste da cidade, onde tinha que chegar antes de o galo cantar. O homem andou mil quilómetros numa noite e quando chegou a Pequim, à porta de um templo, viu um grupo de homens a jogar a dinheiro. Pensou: "Que interessante." E ficou a ver. O que ganhou ria muito. O homem alto e forte distraiu-se e de repente o sol nasceu, o galo cantou e ele transformou-se numa torre de pedra. "A torre acabou por ficar fora do Leste da cidade. E há 20 anos foi destruída. É a civilização."
Será que os chineses não gostam do seu passado? A resposta de Li Ye-mo é outra: "A cidade quer ficar mais forte e construir coisas novas. Por isso arrasa as antigas. As pessoas preocupam-se mais com as suas casas, com o dinheiro, em ter ou não um carro do que com a civilização antiga. Não têm tempo mental para isso."
O realizador procura mitos de Pequim para passar no seu programa de televisão. Todos os dias, de segunda a sexta-feira, uma história de 30 minutos sobre o passado da cidade. Esta é também uma forma de procurar a alma da capital, perdida na permanente construção de edifícios, nos gigantescos outdoors, na velocidade com que todos se movem.
Fachada sem tradição
Uma das coisas que podem surpreender um visitante das cidades chinesas é a "monumental ausência de passado", uma fachada "desprovida de qualquer carácter tradicional", diz o sinólogo Simon Leys (Ensaios sobre a China, Cotovia 2005). Tendo interiorizado a ideia de que nada escapa ao passar do tempo, os chineses "decidiram ceder ao seu impacto para melhor o inflectir ou neutralizar". A arquitectura é feita de materiais perecíveis que exigem reconstrução - "a eternidade não deve habitar a arquitectura, mas sim o arquitecto".
Assim, a tradição, mais do que nos edifícios, encontra-se no que cada chinês transporta consigo. "O passado que continua a animar a vida chinesa de um modo tão surpreendente, inesperado e subtil, mais do que as pedras parece habitar os homens." E é isso que explica o facto de desde há mais de dois mil anos a língua se escrever praticamente da mesma maneira, ou de se poder encontrar raviolis iguais aos que eram cozinhados há 20 séculos.
Leys interroga-se se "não existirá uma certa relação entre o inesgotável génio criador de que a civilização chinesa deu provas ao longo dos tempos e o fenómeno periódico de tábua rasa que impediu esta cultura de sufocar sob o peso dos tesouros acumulados pelos séculos". E conclui: "Com efeito, pensar é eliminar."
Zhang Hong acrescenta outro factor para a forma descomprometida com que as construções mais antigas são arrasadas. "Os chineses tentam preservar, mas a verdade é que são muito abertos." E exemplifica com a sua própria experiência de arquitecto: "O cliente só fica contente se lhe apresentarmos uma coisa totalmente nova. Só os templos são construídos para viverem muito tempo."
Ao lado, Zhang Ke completa: "Uma superestrutura ocupou a antiga. É uma outra cidade, que tem o mesmo nome. Em termos de planeamento, é uma cidade irrelevante, porque despreza a sua existência anterior." Diz também que se antes as referências eram os muros e a Torre do Tambor (do século XIII), agora são a CCTV e o Ninho de Pássaro. Pode não ser por muito tempo, porque o ritmo de mudança está bem instalado. "Pequim vai continuar a transformar-se e até a CCTV será enterrada à sombra de outro ou outros edifícios mais ambiciosos. E Pequim será outra vez uma nova cidade. É como o terramoto: passada a fase de choque emocional fica-se à espera do novo momento." A cidade está, portanto, a aguardar pelas réplicas.

Chineses rendidos avançam com chapéus-de-chuva e impermeáveis
http://dn.sapo.pt/2008/08/07/desporto/chineses_rendidos_avancam_chapeusdec.html

RUI HORTELÃO,
enviado a Pequim
Cerimónia de abertura. Plano de contingência contra o mau tempo está definido

Chineses rendidos avançam com chapéus-de-chuva e impermeáveis

Sete mil canhões, mais de quatro mil lança mísseis, trinta aviões, 30 mil soldados, um satélite que identifica nuvens num raio de 44 km2 e um computador que faz previsões meteorológicas a cada hora. É esta a artilharia que Pequim tem, desde há semanas, a tentar impedir que chova durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos (JO), agendada para amanhã, às 20.00 locais, menos sete em Portugal.

No entanto, apesar de todos os esforços e injecções de iodeto de prata nas nuvens, a natureza parece continuar a levar vantagem neste duelo. Os chineses começam a conformar-se e revelaram ontem oficialmente, pela primeira vez, o plano de contingência para a chuva. A estratégia ainda não é pública, mas o DN sabe que a prevenção não passa por nenhuma solução tecnologicamente milagrosa. Pelo contrário. A organização mais não tem para oferecer do que vulgares guarda-chuvas e impermeáveis. Estes equipamentos vão ser distribuídos a todos os que participarem no desfile, que terão ainda ao dispor uma área alargada coberta no Estádio Olímpico.

Desfile desgastante

Com chuva ou sem chuva, o desgaste para quem for amanhã participar no arranque dos JO está garantido. O DN apurou que a operação implica seis a sete horas de ausência da Aldeia Olímpica (AO), grande parte das quais à espera de vez para dar entrada no palco do espectáculo. E, apesar de a organização disponibilizar água, alimentação e casas de banho, o DN sabe que a missão portuguesa está a preparar ao detalhe a ida ao Ninho de Pássaro. Ao contrário de Atenas 2004, os atletas estão autorizados a regressar à AO a pé ou por meio próprio. Mas os responsáveis portugueses devem desaconselhar essa opção com receio da confusão e demora que se registará à entrada da AO, devido ao controlo de segurança. Um processo do qual estão livres os que se desloquem de autocarro, por haver a garantia de que foram inspeccionados e não voltaram a sair do perímetro olímpico reservado. |

Criação de retina artificial fica mais próxima
Inventada máquina fotográfica com campo de visão semelhante ao do olho humano
07.08.2008 - 11h47 Lusa
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338042&idCanal=13

Cientistas norte-americanos desenvolveram o protótipo de uma máquina fotográfica que tem um campo de visão muito semelhante ao olho humano e representa mais um passo para criar uma retina artificial, informa hoje a revista “Nature”.

O protótipo tem aproximadamente o tamanho e forma de um olho, e uma “retina” curva sensível à luz, segundo a equipa investigadores em ciência de materiais das Universidades de Illinois e Northwestern responsável pelo projecto.

As câmaras convencionais usam lentes curvas para focar imagens numa superfície plana onde a luz é captada por filme ou sensores digitais. Todavia, essa focagem distorce a imagem, sendo necessárias mais lentes para reduzir as distorções, o que aumenta o volume e preço do dispositivo.

Em comparação, a visão humana usa uma única lente e não faz distorção porque foca as imagens numa superfície curva na parte de trás do olho.

A chave da invenção consistiu em vencer os obstáculos técnicos à colocação de fotodetectores de silicone (píxeis) em superfícies curvas, em vez de planas, o que permitiu obter melhor nitidez de imagem e maior campo visual. Este material fotossensível só se podia aplicar até agora em superfícies planas por ser muito frágil e não ter flexibilidade suficiente para se curvar.

Minicâmaras e imagiologia biológica

Segundo os cientistas, esta nova tecnologia ajudará a simplificar e a aperfeiçoar o desenho de minicâmaras fotográficas e ser também usado em imagiologia biológica.

Poderá ainda ser aplicado em robôs como olhos artificiais, fazendo lembrar o computador que no filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, espiava a tripulação da nave espacial.

A solução encontrada consistiu em montar os componentes electrónicos numa membrana elástica previamente esticada mas capaz de voltar a qualquer momento à sua forma curva inicial.

Os elementos rígidos do sistema foram dispostos como se fossem colunas numa superfície curva e as estruturas de silicone foram ligadas por pontes de fio fino para poderem ser dobradas sem quebrar. Todo este conjunto foi então transferido da membrana para um cristal curvo que serve de base e unido depois à lente e aos elementos electrónicos externos.

Campo de visão muito mais amplo

“As simulações ópticas e os estudos de imagiologia mostram que estes sistemas proporcionam um campo de visão muito mais amplo, melhor uniformidade de iluminação e menos distorções do que as câmaras planas de lentes semelhantes”, explicou John Rogers, professor de Ciência e Engenharia de Materiais na Universidade de Illinois e um dos um dos autores do protótipo.

É por isso que “os dispositivos de detecção hemisféricos são muito mais indicados para implantes de retina do que os planos”.

O facto de se poder aplicar dispositivos de silicone de alta qualidade em superfícies complexas e em tecidos biológicos proporciona, segundo este cientista, “enormes capacidades ao desenho de dispositivos electrónicos e opto-electrónicos e muitas novas aplicações”.

O protótipo actual tem apenas 256 pixels, mas, segundo os investigadores, é possível desenvolver outros com muito maior densidade.

Paris Hilton responde a McCain com mensagem "totalmente sexy"

07.08.2008
http://jornal.publico.clix.pt/

Depois de McCain ter dito que Obama era uma celebridade como Paris Hilton, a socialite veio dizer que o republicano é a mais velha celebridade do mundo



Um vídeo da socialite Paris Hilton é notícia, mas desta vez a celebridade fala de política. É a resposta ao candidato republicano à presidência dos EUA, John McCain, que tinha comparado na semana passada o candidato Barack Obama a Hilton (e também a Britney Spears) pelo seu estatuto de "estrela pop".

O vídeo começa com uma imagem de McCain e uma voz off dizendo "ele é a mais velha celebridade do mundo... tipo, supervelho". "Mas estará ele pronto para liderar?", pergunta a voz off, numa referência directa ao vídeo de McCain, em que o candidato democrata Barack Obama era apresentado como "a maior celebridade do mundo" com imagens da sua visita a Berlim junto com imagens de Paris Hilton e de Britney Spears.
"Eh América!, eu sou a Paris Hilton e também sou uma celebridade", diz Paris, lábios cor-de-rosa, deitada numa espreguiçadeira, vestindo um triquini com estampado leopardo, e sapatos de salto dourados. "Mas eu não sou do antigamente, nem ando a prometer mudança como o outro tipo. Eu sou apenas boa." Como "aquele tipo de cabelos brancos me usou na sua campanha, isso quer dizer que eu estou a concorrer à presidência".
Energia e bronzeado
Hilton começa por apresentar a sua política energética. "Mas só quando acabar de ler este artigo sobre para onde posso voar para conseguir o melhor bronzeado", diz, pegando numa revista de viagens. "OK, então cá vai a minha política", diz, pousando a revista. "Barack quer investir nas novas tecnologias para reduzir a dependência do petróleo estrangeiro, e McCain quer perfurações em alto mar. Bem, porque não fazemos um híbrido das ideias de ambos os candidatos?", pergunta Hilton. "Podemos fazer perfurações limitadas no mar, com estrita supervisão ambiental, e criar incentivos fiscais para que Detroit [a cidade da indústria automóvel] fabrique carros híbridos e eléctricos." Mais alguns pormenores e... "crise energética resolvida".
"Vemo-nos na Casa Branca - se bem que eu posso pintá-la de cor-de-rosa", diz, acrescentando ainda que está a pensar em Rihana para vice-presidente. O vídeo acaba com Hilton noutra pose, a imitar o final dos anúncios de campanha: "Eu sou Paris Hilton e aprovo esta mensagem porque é totalmente sexy."
O vídeo foi ideia de um responsável do site Funnyordie.com, Adam McKay, que depois de ver o spot de McCain contactou Hilton. Ela achou que esta era uma boa resposta, diz a AFP.
Antes, a mãe de Paris, Kathy Hilton, tinha criticado o anúncio - Kathy e o marido doaram 6400 dólares para a campanha de McCain. M.J.G.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Metade dos macacos em risco de extinção

http://dn.sapo.pt/2008/08/06/ciencia/metade_macacos_risco_extincao.html
Relatório. 48% das espécies de macacos estão em vias de extinção, revela um estudo da União Internacional para Conservação da Natureza. Enquanto África e Ásia são os continentes mais afectados, há casos de sucesso no Brasil
Quase metade das espécies mundiais de macacos (48%) enfrentam um cenário de extinção, de acordo com um estudo mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Apesar de a principal ameaça para os primatas continuar a ser a destruição do seu habitat natural, outros factores, como a caça e o comércio ilegal de espécies selvagens, estão a contribuir para este cenário catastrófico, afirmou Russell Mittermeier, presidente do grupo de conservação especialista em primatas.

Jean-Christophe Vie, responsável pelo programa de espécies da UICN, afirmou que é muito difícil inverter a tendência de desaparecimento que os macacos estão a enfrentar, pelo facto de o seu tempo de vida ser bastante longo.

A desflorestação é um dos principais factores que contribuem para a extinção das espécies, uma vez que não só reduz os habitats como permite o avanço de pessoas para locais anteriormente inexplorados. Para além disto, os macacos são uma espécie relativamente fácil de caçar: são diurnos, movem-se em grupo e fazem barulho e, por isso, tornam-se alvos apetecíveis.

A Ásia é a região com maior número de espécies ameaçadas -cerca de 71%-, sendo que também os cinco países que lideram o ranking de espécies em perigo são asiáticos: Camboja (90%), Vietname (86%), Indonésia (84%), Laos (83%) e China (79%).

Por seu turno, no continente africano, nomeadamente em Zanzibar (Tanzânia), 11 em cada 13 espécies de colobos-vermelhos estão "criticamente em perigo", e os especialistas temem mesmo que desapareçam, tendo em conta que algumas subespécies já não são vistas há mais de 25 anos.

No meio de todo este cenário negro, ainda há um resto de esperança: a lista vermelha da UICN conseguiu um número considerável de casos bem-sucedidos de conservação. No Brasil, o mico-leão-dourado e o mico--leão-preto passaram de espécies criticamente em perigo para o grau imediatamente anterior, de espécies em perigo, "resultado de décadas de esforço", segundo Christophe Vie.

A espécie estava a desaparecer na floresta, mas, como era popular nos jardins zoológicos, estes decidiram unir-se para levar a cabo um programa de criação em cativeiro e posterior reintrodução na Natureza. No início, não foi fácil, pois os macacos não sabiam sequer como procurar comida. Apesar de muitos terem acabado por morrer, aos poucos o número começou a aumentar, num processo que envolveu muito tempo, dinheiro e esforço, de políticos cien- tistas e voluntários no terreno.

Os resultados do estudo serão apresentados em Outubro, no Congresso de Conservação Mundial da UICN.|- C.M. e V. M.

A FÉ NO NÚMERO MÁGICO
http://dn.sapo.pt/2008/08/06/centrais/a_no_numero_magico.html

ISILDA SANCHES
Sorte. Os chineses acreditam há muitos séculos que o número 8 é o melhor de todos. Números de telefone e matrículas de automóveis com 8 valem pequenas fortunas. E até os Jogos Olímpicos de Pequim são marcados por essa superstição: vão começar à oitava hora do oitavo dia do oitavo mês do oitavo ano. A escolha da data da cerimónia de abertura tenta aproveitar os melhores auspícios deste algarismo. Já o 4, pelo contrário, só pode trazer azar

A FÉ NO NÚMERO MÁGICO

Cada cultura tem as suas superstições, mas crenças associadas a números parecem ser comuns a todas. Se, no Ocidente, 13 é o número do azar e 7 o número da sorte, no Oriente azar e sorte têm números diferentes: 4 é o primeiro, 8 o segundo. Tanto é assim que os chineses escolheram a data de 8-8-2008 para dar início aos Jogos Olímpicos de Pequim, garantindo assim que nada irá falhar. A fé no 8 vai ao pormenor: a cerimónia de abertura começa às 08.08 da tarde.

Esta simbologia dos números pode ter várias origens e ser diferente de cultura para cultura. No Ocidente, o azar ou sorte de um número é normalmente ditado pela religião mas na China o processo prende-se quase sempre com a figura ou o som das palavras. O 4, por exemplo, é visto como um número mau, porque a sua leitura fonética (si) é muito parecida com a de morte. Da mesma maneira, o 8 (ba) é visto como bom porque tem um som semelhante ao de fortuna e prosperidade (faat em mandarim, baat em cantonês). A homofonia da palavra é confortável e simbólica para os chineses.

Assim se explica a veneração pelo 8. Viver num número 8 é uma benesse muito cobiçada, tal como ficar no oitavo piso de um hotel, e só tem 8 no número de telefone quem paga a taxa extra pelo número mágico.

A simbologia do 8 é tão forte que as matrículas de carros com este número são leiloadas por quan- tias verdadeiramente astronómicas.

A verdade é que ostentar esses números em público confere estatuto. Por isso, até mesmo pessoas menos abonadas estão dispostas a usar as suas economias como investimento, sobretudo em matrículas de automóvel, já que este se tornou no bem mais desejado pelos chineses (a China tem actualmente mais de 20 milhões de carros a circular, 3 milhões só em Pequim, o que representa um crescimento de quase 20% ao ano).

Mas a histeria do 8 já não é exclusiva dos chineses. Na era da globalização, as crenças são vividas colectivamente, e a exposição mediática desta ajudou a que o eco se sentisse em toda a parte.

Aproveitando os Jogos Olímpicos e o 8 como número de boa fortuna, descobriram-se todo o tipo de oportunidades de negócio. Do pequeno mercado às grandes corporações, vendem-se jóias e amuletos mais ou menos sofisticados com oitos para dar sorte, T-shirts e outros souvenirs, e até as empresas patrocinadoras das equipas e do evento olímpico oferecem prémios com base na força do 8. As grandes marcas de moda também não desperdiçaram a oportunidade e, aproveitando o consumo crescente de produtos de luxo na China, até foram criadas colecções especiais alusivas aos Jogos Olímpicos sob o signo do 8, como aconteceu com a Gucci, que criou 8 peças alusivas ao 08-08-2008.

Até agora, no entanto, 2008 não está a fazer justiça à fé depositada nele enquanto ano de sorte. Mas os chineses esperam que Agosto, o mês 8, reverta a tendência de azar que tem sido verificada até agora. |

Cientistas da Coreia do Sul
Cão de estimação clonado pela primeira vez
06.08.2008 - 09h19 Joana Azevedo Viana
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1337871

Booger, o pit-bull terrier da norte-americana Bernann McKinney, foi o primeiro cão clonado por encomenda. Foram cientistas da Coreia do Sul que conseguiram o feito, repetido cinco vezes.

McKinney, uma ex-rainha de beleza de Hollywood, terá pago 50 mil dólares (cerca de 32 mil euros). "Eles são exactamente iguais ao pai. Estou no céu. Sou uma pessoa feliz", disse McKinney numa conferência de imprensa, com lágrimas nos olhos.

Quando lhe foi diagnosticado cancro, cientistas da Universidade de Seul - onde foi pela primeira vez clonado um cão adulto - tiraram células da pele da orelha de Booger e estas foram implantadas nos úteros de duas cadelas. Todos os clones têm o nome do pai: Booger Bernann, Booger Ra, Booger Lee, Booger Hong e Booger Park.

Apesar de o tema da clonagem gerar muita polémica, McKinney afirmou que, no seu caso, era justificado. Ela e Booger eram muito próximos, sobretudo após ele a ter salvo de um ataque de outro cão. McKinney "queria o amigo de volta".

Esta foi a primeira clonagem de um cão de estimação, mas no passado houve mais casos de sucesso. Em 2006, foram feitos sete clones de um cão usado pela polícia para farejar droga e em 2007 quatro de um cão famoso por conseguir detectar cancro pelo faro.

sexta-feira, agosto 01, 2008

01/08/2008 - 08h00
Não se espante se o médico lhe prescrever um filme, além do remédio
Tatiana Pronin
Editora do UOL Ciência e Saúde
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2008/08/01/ult4477u872.jhtm

Enfrentar uma doença é, na melhor das hipóteses, desagradável. Aprender sobre ela também não é muito empolgante, a não ser que você seja um profissional de saúde com bastante vocação.

A tarefa fica mais fácil quando a lição envolve cenário, maquiagem, trilha sonora, luzes e movimentos de câmera. Talvez por isso seja tão comum médicos e psicoterapeutas indicarem filmes para seus pacientes. Afinal, não é difícil ter pelo menos uma idéia do que é a esquizofrenia depois de assistir ao drama de John Nash, o matemático interpretado por Russell Crowe em "Uma Mente Brilhante". Ou do que é o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), que aflige o personagem de Jack Nicholson em "Melhor é Impossível". E, até para os médicos, os filmes podem ser ferramentas para reflexões sobre ética e valores.

FILMES QUE OS MÉDICOS INDICAM

Jack Nicholson, em "Melhor é Impossível", que conta de forma bem-humorada como são as manias de quem é vítima do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

"Óleo de Lorenzo", famoso entre os que se interessam por medicina. Baseado em fatos reais, conta o drama de um casal em busca de uma terapia para a doença do filho
ÁLBUM DE FOTOS: CINEMA E SAÚDE
FILMES TAMBÉM ENSINAM MÉDICOS
ANOREXIA É TEMA DE "MAUS HÁBITOS"
DEPOIS DO CINEMA, VÁ PARA O DIVÃ
CIÊNCIA NAS TELAS É TEMA DE LIVRO
Difundir conhecimento sobre aspectos ligados a saúde e emoções por meio do cinema foi o objetivo de um projeto criado pelo Centro de Estudo e Pesquisas do Hospital Samaritano, em São Paulo, em 2001. Desde então, uma vez por mês, a equipe coordenada pela psiquiatra June Melles Megre escolhe um filme para ser exibido à comunidade, seguido de um debate. Segundo a médica, é uma forma de estimular a reflexão sobre as patologias e o autoconhecimento. "Poderia ser outra forma de arte, mas achamos que o cinema é mais acessível."

Em uma etapa, o hospital exibiu filmes sobre temas ligados a psiquiatria, como o próprio filme sobre Nash, além de "Garota Interrompida" (sobre transtorno de personalidade 'borderline', ou limítrofe) e "O Lenhador" (sobre pedofilia), entre outros. Nos debates sobre sexualidade, um dos escolhidos foi "A Bela da Tarde". E, quando o assunto foi morte, "A Balada de Narayama" foi um dos pontos de partida.

O que importa, diz ela, não é a qualidade do longa-metragem, mas o quanto é possível extrair sobre determinada condição. É o caso de "Refém do Silêncio", estrelado por Michael Douglas, que, apesar dos clichês, é um dos poucos que trata bem a questão do estresse pós-traumático, na opinião da médica.

O filme que teve maior audiência no hospital, aliás, também está longe de ser uma obra-prima: você se lembra de "Encaixotando Helena", em que o médico interpretado por Julian Sands amputa as pernas e os braços de sua amada para cultuá-la? "O ciúme doentio leva a pessoa a tolher a outra; isso acontece na vida real", justifica a médica.

Megre diz que também indica filmes para seus pacientes de consultório. Por exemplo, quando se trata de alguém que está tentando largar a bebida, uma opção pode ser "O Show Deve Continuar", ("All That Jazz", em inglês). O musical, que também foi exibido nos debates sobre a morte do Samaritano, descreve as fases que em geral as pessoas experimentam ao lidar com algum tipo de perda: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.

Claro que o cinema não tem, necessariamente, compromisso com a verdade, o que envolve riscos quando a idéia é explicar uma patologia para pacientes e familiares. É por isso que os especialistas são unânimes: a conversa depois do filme é imprescindível, para que se separe o joio do trigo, o "colorido" das telas dos fatos reais.

Se não houver orientação, a sugestão pode até atrapalhar, em vez de ajudar. Uma garota com anorexia que assista ao mexicano "Maus Hábitos", atualmente em cartaz, pode encarar a mensagem da personagem doente (uma mulher obcecada por dietas) como um incentivo à recusa em comer. E o simples fato de identificar sua condição nas telas pode gerar um sofrimento que, eventualmente, pode fazer mal ao paciente. "O filme 'Mar Adentro', por exemplo, é belíssimo, mas não é para ser visto a qualquer hora", comenta Megre, referindo-se ao drama de um tetraplégico que luta pelo direito de morrer.

"Filmes sobre doenças, em geral, são feitos a partir de uma pesquisa, mas não há aprofundamento", ressalta, também, a médica de família Priscila Baptistão. Ela cita o clássico "Óleo de Lorenzo" como exemplo de longa que, além de explicar uma doença, revela algo que tem sido cada vez mais comum nos consultórios: "Muitos pacientes fazem pesquisas sobre a doença, nem sempre em fontes confiáveis, e passam a questionar o tratamento", conta.

Na história real que inspirou o filme, o resultado foi positivo: inconformado, o casal mergulha em livros de medicina e acaba colaborando com a descoberta de uma terapia contra a enfermidade do filho. Mas, na maioria dos casos, o profissional tem de convencer os pacientes a tomarem o remédio prescrito, apesar dos efeitos colaterais. Ou explicar que a nova droga, anunciada como panacéia, pode ter efeitos indesejados a longo prazo - como sugere, com os exageros típicos de Hollywood, a ficção "Eu Sou a Lenda" sobre um vírus criado por cientistas para combater o câncer que acaba dizimando a humanidade.

Nunca ninguém a viu

A Terra como nunca ninguém a viu
01.08.2008, Ana Gershenfeld
http://jornal.publico.clix.pt/

Cientistas mostram a Terra nua, como se pudéssemos tirar-lhe a "pele" que normalmente a cobre


Apesar de esta bola ter um aspecto algo bizarro, reconhece-se bem o continente africano, com a Europa por cima. É portanto da Terra que se trata. Só que numa versão inédita: sem vegetação, sem solo, sem água nem qualquer construção humana; despida, nua, como se estivéssemos a vê-la como ela é debaixo da "pele" que normalmente a cobre.
A imagem faz parte do primeiro lote divulgado ontem, em www.onegeology.org, de imagens geológicas digitais do nosso planeta produzidas pelo projecto internacional OneGeology.
Anunciado há pouco mais de um ano, o projecto envolve actualmente um total de 79 países (incluindo Portugal) e tem como objectivo obter um mapa geológico global que compatibilize e reúna, graças a um software comum, todas as informações recolhidas pelos diferentes serviços geológicos nacionais, numa espécie de Google Earth da geologia.
Apoiado pela UNESCO e pelas principais entidades das geociências mundiais, tem tido como promotores personalidades como o britânico Simon Winchester, autor de best-sellers de divulgação das ciências da terra, ou Bill Bryson, célebre escritor de livros de viagens radicado no Reino Unido.
O resultado do primeiro ano de trabalho dos cientistas que participam no projecto será revelado a 6 de Agosto, no Congresso Geológico Internacional, em Oslo, na Noruega. Ao mesmo tempo, será oficialmente lançado o site acima referido, onde os mapas ficarão acessíveis a todos.