"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, janeiro 30, 2008

um ano de vida

O dia em que Hitler foi chamado ao poder
http://dn.sapo.pt/2008/01/30/internacional/o_em_hitler_chamado_poder.html
LUÍS NAVES

um novo chanceler, adolfo
as razões desta escolha são complexas
(ninguém poderia imaginar as consequências)

um terço da população no desemprego
uma derrota militar (sem explicação)
e o medo do comunismo

em dezanove a figura fazia discursos
e levantamento mal organizados

dois motivos para a benevolência:
o partido era o maior da alemanha
(com a classe média)
e ele era um desordeiro
(da classe baixa)

no fim do ano a democracia estava acabada

por exemplo

Cinzas de Gandhi vão ser lançadas ao mar
http://dn.sapo.pt/2008/01/30/internacional/cinzas_gandhi_ser_lancadas_mar.html
POR Abel COelho de Morais

o corpo foi espalhado por várias urnas
por admiradores em várias cidades do país

por exemplo
a autobiografia vende 200 mil exemplares por ano
(em diferentes línguas)
o nome é o mais procurado
e há muitos livros sobre o espírito, a sua família e os seus últimos momentos

a forma

A curva da felicidade tem a forma da letra...
http://dn.sapo.pt/2008/01/30/ciencia/a_curva_felicidade_a_forma_letra.html
Entre 40 e 50 anos é a pior fase da vida

há um padrão mundial extraordinario
na depressão e na felicidade

a felicidade tem a forma de um U (invertido)
com os pontos altos no princípio e no fim (da vida)

a pergunta na maérica?
de uma forma geral diria que está muito feliz
mais ou menos feliz
ou nada?
a pergunta na europa
tudo visto
está muito satisfeito
suficientemente ou pouco satisfeito
ou nada?

a infelicidade está dentro dos sesres humanos
pois pode encontrar-se infelicidade
com crianças em casa
com dinheiro
e depois de mudar de emprego

algumas pessoas sofrem mais que outras
tanto mulheres como homens, ricos como pobres
ninguém sabe a causa de tanta consistência

aos setenta,
e fisicamente em forma
as pessoas são tão felizes (mentalmente) como aos vinte

são precisos dadores vivos

Em 2007 houve cerca de 100 dadores vivos e 750 dadores cadáveres
Não há órgãos suficientes e são precisos dadores vivos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1318062&idCanal=62
29.01.2008 - 17h09 Lusa

um apelo: sejam dadores vivos
ou nunca vai haver órgãos suficientes
para satisfazer os pedidos
é preciso que os maridos ofereçam às mulheres
os amigos aos amigos

o número de dadores vivos foi 100
e o de cadáveres 750
(os dadores vivos podem viver mais tempo que as outras pessoas)
nos estados unidos fazem-se mais transplantes

os dadores já não são jovens vítimas
a idade média é de 48 anos e são normalmente vítimas
em muitos casos recolhe-se mais do um órgão
em média: três

não existe limite de idade, é preciso recolher todos os órgãos
lembro: no ano passado, dos pedidos de fígado, morreu uma pessoa sem resposta
e dos de coração, faleceram três sem resposta

terça-feira, janeiro 29, 2008

Contra o assédio sexual, México lança autocarros só para mulheres
http://jornal.publico.clix.pt/
29.01.2008, Natália Faria


Nem soutiens queimados nem luta pelo direito à igualdade: as mexicanas querem
é ver-se livres do assédio masculino. Por isso pediram ao Governo que criasse autocarros
só para mulheres. A medida teve tanto sucesso que deverá agora ser alargada aos táxis


Para cortar pela raiz o problema do assédio sexual, na capital do México começaram a circular autocarros só para mulheres. A medida, em vigor desde 21 de Janeiro, veio responder às queixas de milhares de mexicanas cansadas de serem empurradas, assediadas e violadas por homens durante o trajecto.
Até agora, no metro da Cidade do México as três primeiras carruagens já eram interditas a homens. E o sucesso do alargamento desta medida aos autocarros é tal que o Governo está a pensar fazer o mesmo nos táxis. Dentro de pouco tempo, 50 destes veículos deverão passar a ser conduzidos por mulheres e só aceitarão transportá-las a elas e às crianças que as acompanhem.
"Agora sim, tratam-nos como mulheres", congratulou-se uma passageira ao jornalista do El Financeiro que andou pelas ruas da Cidade do México para colher reacções. "Havia dias em que sentia alguém a tocar-me nos seios ou mais abaixo e quando olhava à volta não havia ninguém para culpar", recordou outra, para acrescentar: "E não adiantava gritar por ajuda, porque, como a maioria dos passageiros era homens, ninguém ajudava. Bastava que a camisola subisse um pouco ao entrar no autocarro, para haver logo alguém a dizer que nos queria comer".
A única coisa que diferencia estes autocarros é uma placa cor-de-rosa na frente com o aviso "Só para mulheres". Mas a ideia, conforme assegurou ao La Jornada a directora da Rede de Transportes Públicos (RTP), Ariadna Montiel, é que os autocarros sejam pintados de cor-de-rosa para melhor identificação. Agora, qualquer homem que procure entrar é imediatamente posto fora pelo único homem, além do motorista, autorizado a viajar no meio das mulheres: um funcionário da RTP. Não são abertas excepções sequer para os idosos. E, entre o ruído provocado pelos aplausos generalizados de milhares de mexicanas, os anciãos já disseram que também querem autocarros só para eles. Tudo bem, responderam as mulheres, desde que não se misturem. É que "há velhinhos muito abusadores", justificou Maria Palafox, uma ajudante de cozinha citada no El País.
Na fase inicial, o Governo aplicou a medida a apenas duas das 88 rotas que ligam os vários pontos da capital mexicana - uma cidade por vezes próxima da ingovernabilidade onde, todos os dias, 21 milhões de pessoas viajam no metro e no autocarro. A ideia é, até Abril, estender os autocarros rosa a mais 15 rotas.
Até aqui, exceptuando as carruagens do metro onde os homens já não podiam entrar, as viagens nos transportes públicos eram um verdadeiro pesadelo para as mulheres. E não era só por causa dos engarrafamentos. Há mais de uma década que as autoridades locais vêm somando denúncias de delitos sexuais no metro, autocarros e nos táxis. Incluindo violações, nalguns casos perpetradas por grupos organizados.
No primeiro semestre de 1998, segundo os números avançados pela Cimacnotícias - um órgão de informação mexicano com "perspectiva de género" -, houve cinco mil queixas relativas a delitos sexuais. Só em Julho desse ano, as autoridades registaram 70 violações no metro e autocarros. E as reivindicações das organizações defensoras dos direitos das mulheres ganharam maior fôlego quando Hernández Landa - uma consultora da Organização das Nações Unidas que se encontrava na Cidade do México para participar num seminário internacional sobre as questões de equidade - acabou por ser assassinada dentro de um táxi. O corpo foi encontrado dias depois nos arredores da cidade. Mostrava sinais de violação.
Números alarmantes
Com as violência contra as mulheres a aumentar de ano para ano, o governo do distrito federal propôs-se reduzir as agressões recomendando-lhes que não frequentassem "lugares não aconselháveis" e policiando as posturas de táxis. Medidas que foram imediatamente contestadas pelas associações feministas, que consideraram que as mesmas responsabilizavam as mulheres pelas agressões de que eram vítimas.
Nem quando as autoridades conseguiram prender dois dos acusados de violar e filmar mulheres em táxis estes passaram a ser locais recomendáveis a mulheres sozinhas. Estas foram aconselhadas pelas autoridades a verificar a identificação do condutor, a evitar veículos com vidros fumados e a tomar nota da placa de matrícula.
Entre 1999 a 2001, o Governo local já tinha lançado uma campanha contra os abusos sexuais no metro, visando não só travar o problema como alertar para a população para o facto de se tratar de um crime, penalizado pela lei, e não uma mera falta administrativa. Em 2001, tinha havido 462 casos de agressões sexuais contra mulheres no metro. No ano seguinte, 468 queixas. Até que, em 2004, as três carruagens dianteiras foram reservadas para as mulheres e crianças, mas somente nas horas de ponta (das seis às dez da manhã e das 18h00 às 22h00). Apesar destas medidas, os delitos sexuais contra as mulheres aumentaram. Em 2006, o abuso sexual ocupou o segundo lugar na lista de delitos praticados no metro. À frente dos roubos.
Numa prova de que o combate é para levar a sério, a campanha Viajamos Seguras, lançada pelo Governo, prevê a instalação de videovigilância nas paragens de metro e autocarro. E a informação que vier a ser recolhida sobre agressores sexuais será canalizada para uma base de dados única. Esta deverá começar a funcionar já a partir de Março. Afinal, agora é o próprio Governo local o primeiro a reconhecer, pela voz da directora geral da Igualdade e Diversidade Social, Martha Fierro, que "a insegurança e a violência contra as mulheres contribuem para a desigualdade".
Além disso, as autoridades mexicanas puseram em marcha o programa Uma cidade para partilhar e desfrutar, que prevê atacar o problema. Como? Criando mil espaços públicos espalhados pela cidade onde os cidadãos são convidados a participar e a "gerar um ambiente de grupo", como descreve a Cimacnotícias. Parece que o Governo decidiu finalmente dar ouvidos aos alertas que especialistas como Ana Falú e Olga Segóvia têm insistentemente lançado: tanto no México como noutros países da América Latina, a luta contra a violência sobre as mulheres tem que sair do reduto familiar para se alargar ao espaço público. Só assim, garantem, "se consegue garantir o direito das mulheres à cidade".

Descoberto cemitério de guerrilheiros incas
http://dn.sapo.pt/2008/01/29/ciencia/descoberto_cemiterio_guerrilheiros_i.html
INÊS DAVID BASTOS

Arqueólogos encontraram 475 corpos
As obras de ampliação da Avenida Javier Prado, em Lima, no Peru, estavam a decorrer quando, de repente, o funcionário que as dirigia mandou parar as máquinas. É que a escavadora tinha acabado de extrair vários crânios e restos de ossos humanos. De imediato, o arqueólogo Guillermo Cock se dirigiu ao local e ficou surpreendido com a descoberta: a escavadora tinha acabado de pôr a nu o cemitério inca de Puruchuco, que tinha sido alvo das suas investigações entre os anos 1999 e 2001.

As escavações de resgate dos corpos começaram no dia seguinte e tiveram como resultado a descoberta de 475 corpos mumificados que vieram juntar-se aos 1836 corpos que tinham sido já achados em operações anteriores. Com a diferença de que os corpos agora descobertos estavam sepultados quase junto ao solo e em "completa desordem", como noticiou ontem o El Mundo.

O arqueólogo, também investigador da Universidade Católica de Lima, e a sua colega Elena Goycochea depararam-se com outro dado novo: as 475 múmias encontradas não estavam envolvidos em panos, como era costume entre os anos de 1480 e 1535, e as ossadas apresentavam "graves feridas, que não podiam ter sido feitas por armas rudimentares com as que possuíam os incas".

Os habitantes do litoral peruano, onde se encontra o cemitério de Puruchuco, tinham por prática enterrar os seus mortos envoltos em panos de algodão, a mais de sete metros de profundidade e na posição fetal.

Nenhuma destas práticas se verificou no recente achado, pelo que os investigadores tenham concluído que aqueles incas tinham sido mortos às mãos dos conquistadores espanhóis. As provas extraídas em laboratório demonstraram que aqueles homens, cujas idades oscilavam entre os 18 e os 22 anos, faleceram em 1536, o mesmo ano que Manco Inca Yupanqui se revoltou contra Francisco Pizarro, estabelecendo um cer- co em torno das colónias de Li-ma e de Cuzco.

Outro achado que surpre-endeu a equipa de arqueólogos foi a de um crânio perfurado por uma bala. O que levou os investigadores a acre-ditarem que se tratou de um homicídio recente ou de uma execução levada a cabo na década de 90 pelos terroristas do Sendero Luminoso. Como tal, participaram o caso à polícia. Mas um dos arqueólogos acabaria por encontrar o resto do esqueleto, que correspondia a um guerreiro (de 18 anos) de Manco Inca, que teria sido baleado por um dos soldados do espanhol Francisco Pizarro.

domingo, janeiro 27, 2008

as outras pessoas

Movimento pró-topless nas piscinas públicas da Suécia
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/225418
POR Maria Luiza Rolim
27 de janeiro de 2008

as suecas ainda lutam
quase cinco décadas depois
o manifesto (há uma versão em inglês)diz que não têm conotações políticas ou religiosas
que as mulheres devem poder mostrar o peito quando os homens ficam sem camisa

e que os peitos não devem ser parte dos genitais
e que a comunidade deve ser equitativa
e que ninguém se deve sentir um objecto
e que a discriminação dever ser abolida
(nas piscinas)

os responsáveis decidiram autorizar
desde que as pessoas presentes não se sintam incomodadas

sábado, janeiro 26, 2008

Mundo: Foi há dez anos que Bill Clinton disse I did not have sex with that woman
http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080125184053&z=1
26.01.2008
Fonte: Youtube

faz hoje dez anos que o presidente dos estados unidos disse
"I did not have sex"
referindo-se a uma estagiária
mais tarde foi provado que os dois tiveram uma relação íntima
embora não uma cópula

Na primeira pessoa Ayman Nimer Conhecem algo que me faça voar de Gaza?
http://jornal.publico.clix.pt/
26.01.2008


Ayman Nimer, muitas vezes intérprete do PÚBLICO em Gaza, passou os últimos dias fechado em casa, com a mulher e as três filhas. Dentro de casa não há luz, fora de casa só há perigo. Por Alexandra Lucas Coelho


Desculpem descarregar este peso, mas gostava de conhecer a vossa leitura da situação, e talvez confirmar as minhas raízes humanas.
Podem imaginar uma saída? Conhecem algo que me faça voar? Pode um homem transplantar asas? Acreditem, todos precisamos de terapia para o resto da vida. Esta é a pior situação que alguma vez vivemos em Gaza.
Vivo no meu pequeno apartamento com a minha mulher, Heba, e as minhas três filhas. Lulu tem dez anos, Mimi oito e Nunu seis e meio. São maravilhosas e têm excelentes notas. Todos os dias me pedem coisas que em qualquer parte as crianças podem ter. Aqui ninguém pode protegê-las, dar-lhes liberdade, educação, saúde.
Às duas da manhã [de quarta-feira] ouvimos nas notícias que tinham feito explodir uma parte da fronteira entre o Egipto e Gaza. Às quatro ouvimos que as pessoas entravam no Egipto à procura de bens essenciais. Agora acho que um quarto de milhão de pessoas estão em Rafah [zona de fronteira] a tentar arranjar tudo o que não havia.
Em Gaza, cerca de 80 por cento das lojas estão fechadas, ou porque não têm o que oferecer, ou porque os donos foram para Rafah abastecer-se. Gasolina, gás, electricidade e todas as fontes de energia desapareceram há semanas.
Por causa das faltas de electricidade não podemos congelar comida. Falta carne no mercado e o preço chegou a 70 shekels por quilo [13 euros], quando o mês passado era metade. Duplicou, como a maior parte das coisas - sal, leite, ovos. Nos últimos dias, as pessoas tentaram alternativas como farinha e arroz. Um saco de 50 quilos de farinha, que comprávamos por 85 shekels [16 euros], custa agora 185 [34 euros]. Cigarros, custavam sete shekels, agora custam 20 [3,6 euros].
Sou funcionário público. Formei-me em Farmácia numa universidade americana das Filipinas em 1991, voltei pouco depois e comecei a trabalhar. [A partir das eleições ganhas pelo Hamas, em Janeiro de 2006] deixei de receber salário. Voltei a receber em Junho, quando foi para o governo Salam Fayyad [ministro das Finanças nomeado pelo presidente Mahmoud Abbas na Cisjordânia, depois de o Hamas tomar Gaza]. Abbas ordenou aos funcionários públicos que não participassem na administração controlada pelo Hamas, portanto não estamos a ir aos nossos empregos.
Quando tomou o poder, o Hamas disse que alguns grupos da Fatah tinham ultrapassado os limites [ao causarem distúrbios de segurança] e que esses eram os visados. Mas agora o Hamas está a forçar as pessoas: ou estão connosco ou contra nós. A maior parte dos problemas de segurança ainda existem, o Hamas detém centenas, senão milhares, de pessoas por apenas irem a cerimónias, desfilarem, clamarem os seus direitos, lutarem contra o governo.
A situação em Gaza não melhorou verdadeiramente [com o governo Hamas], e isto sem falar na deterioração económica. Antes, durante o período da Fatah ou da Autoridade Palestiniana, pelo menos as pessoas conseguiam alguns direitos básicos, podiam ter cuidados médicos, serem levadas para fora para terem meios de assistência mais sofisticados. Agora, é como se a vida estivesse ao nível zero em Gaza. Mesmo tendo dinheiro, o que é muito difícil.
O Hamas vai falhar
Estou muito, muito preocupado com aquela maioria de palestinianos que não é Fatah ou Hamas. Sofre em nome dos interesse de um grupo muito pequeno. O Hamas nunca foi tão teimoso, continua a dizer que controla, quando sabe que não pode controlar por muito tempo. Definitivamente, no fim, vai falhar, porque todo o mundo, incluindo todo o mundo árabe, não está disposto a aceitar o Hamas. Vai ser muito difícil para nós, palestinianos, andarmos para a frente a partir deste ponto. Voltámos talvez uns 30 anos atrás em relação ao ponto em que estávamos com Arafat.
Penso que o Hamas não conseguiria metade dos votos agora. Agora, a maior parte das pessoas que estão com o Hamas são militantes do Hamas, e não muitos dos que votaram pelo Hamas na última eleição. A revolta é maior, as pessoas estão a começar a criticar os mísseis - chamam-lhes mísseis, mas, claro, são rockets caseiros, muito, muito primitivos, que feriram mais palestinianos que israelitas. As pessoas criticam estes mísseis desesperados, estes meios de protesto contra Israel, por não terem trazido nada à comunidade palestiniana senão destruição e nos levarem para o domínio terrorista aos olhos da comunidade internacional. Do ponto de vista europeu, agora temos este sistema sofisticado de mísseis e estamos a atingir Israel, e isto justifica as acções militares de Israel, quando na verdade se trata sobretudo de ruído que deixa em pânico as comunidades [israelitas] na zona de Ashdod. Não justifica que se percam tantas vidas. Há centenas de outros meios contra Israel, a maior parte deles mais eficaz.
Bush foi uma bofetada
A Al-Jazira dizia ontem que 95 por cento do mundo árabe está contra as boas-vindas de herói que Bush recebeu, sobretudo na Arábia Saudita, porque deu luz verde ao Exército israelita para executar a sua última operação em Gaza antes sequer de o seu avião sair dos céus do Médio Oriente. A Liga Árabe há anos que tem uma proposta de paz [para o conflito israelo-palestiniano] e os líderes nem conseguiram dizer a Bush: "Esta é a nossa escolha, é assim que vemos a paz." Não, eles apenas dançaram e se divertiram com ele, enquanto o Exército israelita, que vemos como o braço direito de Bush, está a destruir, a matar, a desperdiçar as vidas aqui. A visita de Bush foi uma bofetada na cara de Abu Mazen [Abbas]. Não acrescentou nada, a não ser mais apoio a Israel.
Tenho muita pena de Abbas. Está entre o Hamas de um lado e Israel do outro, e ninguém lhe dá oportunidade de virar a cabeça. Não tem qualquer forma de fazer o Hamas voltar à casa palestiniana e não pode dar nada a americanos e europeus - eles fazem exigências aos palestinianos, enquanto os israelitas o apunhalam nas costas, quando é suposto serem um parceiro para a paz, mostrarem o que a paz pode trazer. Penso que Abbas agora não pode fazer nada. Esta é a política americana na região, em que a Palestina é um pequeno fragmento e o interesse de Israel estará sempre entre as prioridades americanas.
O Hamas deteve milhares de membros da Fatah em Gaza, e o mesmo faz a Autoridade Palestiniana contra o Hamas, na Cisjordânia. Os israelitas divertem-se com este jogo de wrestling e usam a presença do Hamas para afectar um milhão de meio de pessoas. As negociações são uma perda de tempo.
Gaza está doente
Considero-me um palestiniano com sorte, fui ao Extremo Oriente, à Europa, vi muito deste planeta e nunca quis viver noutro lugar que não Gaza. Mas desde Junho fiquei muito confuso. A verdade é que não se pode viver em Gaza. É muito difícil de descrever. É realmente assustador. Vive-se 24 horas sob pressão, e sinto que a moral, o comportamento mudaram muito. Estamos muito mais agressivos, mais vulneráveis, ao ponto de não nos podermos tolerar. As pessoas lutam por nada, de stress, de medo, não sei.
Não queria que as coisas chegassem a este ponto, mas, como qualquer palestiniano que ainda tenha vários anos para viver, quero viver em qualquer lugar que não seja aqui, neste ambiente perigoso, doente.
Gaza é exactamente como uma ilha rodeada de cercas electrónicas e o mar é patrulhado por esta Marinha israelita muito avançada tecnologicamente que identifica cada mosquito. Não há saída. Não há forma de planear amanhã. Não sabemos como será daqui a duas horas.
Se pudesse, ia-me embora hoje, mas não gostaria de viver na Europa ou nos EUA, talvez fosse para Ramallah ou Nablus, qualquer outra cidade palestiniana mais segura ou estável. Sinto que tenho de fazer crescer as minhas filhas aqui. Sempre lhes disse que esta era a terra delas e não as tiraria das suas raízes. Já não procuro prazeres, só quero dar às minhas filhas as necessidades mais básicas.
Fiquem connosco
Acreditamos que Israel não podia ter existido sem o apoio dos EUA e da Europa. Não queremos eliminar Israel, só que defendam os nossos direitos, de modo a que termine esta miséria. Queremos que escavem a verdade, que não aceitem apenas a agenda israelita. Fiquem connosco. Podemos ter uma vida melhor, se este conflito no Médio Oriente acabar. É óbvio que isto se reflecte em todo o mundo, e nós queremos verdadeiramente paz.
Agora estamos à espera que a luz volte para ver televisão, porque não podemos sair de casa. Não há gasolina, e lá fora não há nada senão perigo. Talvez cozinhemos algo para as crianças e vou ensinar a Mimi algum inglês, porque ela não foi excelente em inglês. Que vais cozinhar, Heba?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

o que é necessário?

O que é necessário para um grupo ser considerado confissão religiosa em Portugal?http://jornal.publico.clix.pt/
24.01.2008



alguns requisitos
(não devemos dizer o que é uma religião)
o nome
(diferente dos que existem)
a sede
os fins e os bens e os serviços
o património
a competência e os poderes dos representantes

bastam documentos?
não
pode ser pedida uma prova dos princípios gerais e dos actos
e, em especial, da sua existência (aqui)

tem todos os direitos das crenças tradicionais?
não
só depois de trinta anos de presença organizada (aqui)

porquê esta polémica ?
não se sabe se é apenas um grupo para conhecimento e cura
vários testemunhos dizem que (quase) não falam em deus
ou qualquer coisa sagrada

Ciências
Cientistas tentam perceber linguagem dos cães
http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080124130804&z=124.01.2008
Fonte: Reuters

os cientistas de uma universidade de budapeste
estão a tentar perceber a linguagem dos cães
a ideia é facilitar a comunicação entre as pessoas e os cães

Árvore de Anne Frank escapa à serra eléctrica
http://dn.sapo.pt/2008/01/24/internacional/arvore_anne_frank_escapa_a_serra_ele.html
CADI FERNANDES

As árvores morrem de pé. Com dignidade. Mesmo que tenham entre 150 e 170 anos, 27 toneladas e um fungo letal que lhe corrói os "ossos". É o caso do castanheiro de Anne Frank, bem no centro de Amesterdão - a árvore que a jovem holandesa judia mirava, quando escondida, durante 25 meses, num sótão, com a família, para fugir à insanidade nazi (1939-45).

Podem aqueles troncos ser história? História? Podem. E assim o entendeu um grupo de empenhados cidadãos holandeses, que, depois de a hipótese ser aventada em 2007, mobilizou esforços nacionais e internacionais para impedir a morte da árvore, com recurso à serra eléctrica.

Espécie de meu - dela - pé de laranja lima, ao qual tudo se desabafa, mas numa versão real e trágica (Anne acabaria por morrer no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha), o castanheiro foi salvo in extremis. Ao contrário da sua menina, cujos dias alegrava, e que acabaria por morrer vítima de tifo.

Mantê-la viva durante, pelo menos, mais cinco, dez, 15 anos, no máximo, vai custar caro, mas não têm preço estas palavras: «Quase todas as manhãs vou ao sótão tirar a poeira dos meus pulmões. Do meu lugar favorito no chão, olho para o céu azul e o castanheiro desfolhado, em cujos galhos brilham pequenas gotas de chuva, como prata, vejo ainda gaivotas e outros pássaros que deslizam no vento. Enquanto isto existir, e quero viver para ver, estes raios de sol o céu azul - enquanto isto durar, não poderei ser infeliz.»

Custar caro significa o quê? Isto, a sair dos bolsos da Fundação de Apoio à Árvore de Anne Frank: 50 mil euros para uma estrutura metal que manterá a árvore de pé; 20 mil euros para os cuidados necessários e outros dez mil anuais para a manutenção. Entretanto, várias amostras do castanheiro foram já retiradas, por forma a deixá-las crescer numa espécie de berçário, para o caso de ser imperiosa a substituição. Concomitantemente, vão ser testados alguns medicamentos susceptíveis de matar o agente causador da infecção, que a deixou parcialmente podre.

Para este desfecho foi necessária a arbitragem legal. De um lado, ecologistas e guardadores de memórias, ecologistas ciosos; do outro, o proprietário, em cujo jardim a árvore se agigantou, temendo a queda e eventuais danos humanos e materiais; no meio, o douto magistrado. Que, sensibilizado, decidiu: salve-se! |

êxodo para o egipto

Êxodo de palestinianos em direcção ao Egipto
http://dn.sapo.pt/2008/01/24/internacional/exodo_palestinianos_direccao_egipto.html
PATRÍCIA VIEGAS

HATEM MOUSSA-AP
"Fui comprar uma porção de queijo branco para vender em Gaza e fazer algum dinheiro para mim. Aqui um quilo custa três shekels (1 dólar) e em Gaza custa cerca de 24", explicou à AFP Oum Hussein Al-Ghoul, uma viúva de 42 anos com oito filhos. E uma das muitas pessoas que ontem cruzaram a fronteira de Rafah para procurar ajuda no Egipto.

Foram cerca de 350 mil os palestinianos que, desde o amanhecer, passaram para o outro lado para ir comprar comida e bens materiais. Tal só foi possível, indicou o Times, porque, durante meses, militantes do Hamas danificaram parte da base do muro com um maçarico e ontem de madrugada fizeram-no explodir.

As forças de segurança do Egipto, desta vez, não tentaram deter o êxodo dos palestinianos e o chefe do Estado, Hosni Mubarak, declarou que as forças de segurança do seu país "acompanharam os palestinianos que [neste momento] sofrem de fome devido ao bloqueio israelita".

E esclareceu as suas ordens: "Eu disse-lhes para os deixarem entrar, desde que não tragam armas, para que possam comer e comprar produtos e depois voltar a casa". Interrogado sobre a solução para Gaza, sob bloqueio israelita desde dia 17, em retaliação pelo disparo de rockets contra território do Estado hebreu, respondeu que ela passa por uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Palestiniana (AP).

O ex-primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, já pediu uma "reunião de urgência no Cairo" com o líder da AP, Mahmud Abbas, bem como com os responsáveis egípcios. Os grupos palestinianos também se reuniram ontem em Damasco e o Irão anunciou uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros islâmicos na próxima semana.

O Hamas tomou o controlo de Gaza, com 1,4 milhões de habitantes, a 15 de Junho do ano passado. E logo foi isolado por toda a comunidade internacional e, em especial, por Israel. O Estado hebreu já manifestou ontem a sua preocupação com o possível aproveitamento da destruição do muro para fazer entrar novos carregamentos de armas em Gaza. Ao mesmo tempo em que era acusado pela Agência da ONU para a ajuda aos Refugiados, a Unrwa, de não facilitar a entrada da assistência humanitária necessária ao território. "Apenas 13 dos 50 camiões com ajuda humanitária [comida e medicamentos] diária chegam", disse, à AFP, o porta--voz Christopher Gunness.

Rafah, entre Gaza e o Egipto, é o cordão umbilical que liga os palestinianos ao mundo exterior. A cidade é dividida pelo muro de betão e aço que tem sete quilómetros de extensão e oito quilómetros de altura. E que ontem foi feito explodir.

O terminal que ali funcionava desde 2005, ano da retirada israelita, ficou a ser controlado pela AP, o Egipto, as câmaras de vídeo de Israel, e os observadores europeus. Mas desde que o Hamas tomou o poder o controlo jurídico tornou-se impossível - tal como a passagem de pessoas.

E se alguns aproveitaram a brecha apenas para fazer compras, desde cabras, a colchões e bilhas de gás, outros aproveitaram para sair de vez: "Nós vamos ter com a nossa família. Eles estão todos ali. Não os vemos há cerca de dez anos", disse, à BBC, uma palestiniana de Gaza, na altura em que atravessava a fronteira.|

Será um marciano?
http://dn.sapo.pt/2008/01/24/ciencia/sera_marciano.html
SUSANA SALVADOR

Para os cépticos é apenas uma rocha, um jogo de sombras ou simplesmente um bom trabalho de photoshop. Mas para os crentes, é a prova da existência de vida em Marte - para lá da, cada vez mais provável, vida microbiana.

Uma imagem enviada do Planeta Vermelho pelo veículo robotizado da agência espacial norte-americana Spirit, quando ampliada, mostra uma figura remotamente humana no seu canto inferior esquerdo. As fotografias surgiram ontem em vários jornais britânicos.

A imagem original foi divulgada no site da NASA no início do ano e mostra mais uma parte da vermelha e poeirenta superfície de Marte. Mas segundo o Daily Express, um entusiasta percorreu todos os pormenores da fotografia para encontrar o "marciano" e divulgou-a num site chinês. Rapidamente, vários internautas comentaram-na: "Estas imagens são espectaculares. Não conseguia acreditar nos meus olhos quando olhei e vi o que parece um extra- terrestre nu a correr na superfície de Marte." Outro dizia incrédulo: "O meu primeiro pensamento - é o Bigfoot [o abominável homem das neves]. Se me mostrarem outra rocha noutra foto de Marte ou da Terra que naturalmente pareça igual, irei reconsiderar." Um outro resumia a visão de todos os cépticos: "Ah, o olho humano pode ser enganado tão facilmente."

O Spirit e o irmão gémeo Opportunity foram lançados em Junho e Julho de 2003. A sua missão, prevista para durar apenas três meses, prolonga-se, contudo, há mais de quatro anos, a mais de 450 milhões de quilómetros da Terra, em lados opostos do Planeta Vermelho.

Além destes dois robôs, estão actualmente em órbita de Marte três sondas activas, que recolhem e registam todos os dados possíveis e detalhes da sua geologia, clima, regime de ventos, química do solo ou morfologia. A Mars Odissey, da NASA, já enviou mais de 130 mil imagens para a Terra e a Mars Reconnaissance Orbiter, também da agência norte-americana, termina este ano o mapeamento da superfície marciana e passará a funcionar como backup para comunicações.

Já a Mars Express, da Agência Espacial Europeia, tem duas grandes descobertas no currículo: água e metano. Para Março deste ano está prevista a aterragem da Phoenix Mars Lander numa região polar marciana para analisar a água que se sabe existe no subsolo - e procurar provas de vida passada ou presente.|

quarta-feira, janeiro 23, 2008

a espada mais antiga

Escavações em Xuchang, na província de Henan
Caveira com mais de cem mil anos descoberta na China
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/223291
23 de janeiro de 2008

os restos incluem dezasseis partes de uma caveira quase completa
com sobrancelhas
e testa
e uma membrana que permitirá o estudo do sistema nervoso dos nossos antepassados
é uma descoberta desde que foram encontrados restos de um homem no início do século vinte

os restos estiveram enterrados a cinco metros
com outros artefactos de osso e pedra
na semana passada outra equipa descobriu a espada mais antiga da china
num túmulo
e espera continuar com as descobertas

a mensagem

Esforços serão agora concentrados em mensagens vídeo e áudio
China fechou 44 mil sites pornográficos em 2007
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317465
23.01.2008 - 11h07 PUBLICO.PT, Agências

as autoridades fecharam um lugar com pornografia
prenderam 33 pessoas em 2007 e antes 868
encerraram 44 mil outros lugares
e outras 1911 pessoas receberam outras penalizações
a polícia investigou mais de 500 casos
440 mil mensagens foram apagadas
e um realizador foi obrigado a retirar cenas de sexo de um filme chamado luxúria

o governo dispõe de dezenas de pessoas dedicadas a ler mensagens contrárias ao governo
ou prejudiciais
(em geral)
as investigações vão prosseguir até à data dos jogos olímpicos

novidades no carnaval do rio de janeiro

Novidades no Carnaval do Rio de Janeiro
http://dn.sapo.pt/2008/01/23/internacional/novidades_carnaval_rio_janeiro.htmlSÉRGIO BARRETO MOTA, Rio de Janeiro

o mais alegre carnaval do mundo prepara-se para uma festa com novidades
as escolas têm feito ensaios e desfiles
o povo mais humilde vê a festa pela televisão
(excepto o que desfila)

vai-se festejar a chegada de um rei
a abertura dos portos às nções amigas
e o comércio
há duzentos anos

no lado negativo houve oito mortes por causa da febre, que se julgava extinta
embora o mal ocorra no interior e não nas cidades
os visitantes do exterior podem confundir as coisas
e cancelarem viagens a capitais

estará proibida a venda de alcoól nos bares à beira da estrada
um dos destaques é a alegria expontânea
para evitar que sujem a cidade
criou-se um concurso para que as pessoas se divirtam divirtam na sua própria região
e um de músicas
embora as mais cantadas sejam as mais antigas
como a da cidade maravilhosa

uma novidade para os turistas é a instalação de uma roda gigante, vinda da alemanha
que propicia uma bela vista a 250 pessoas vindas da alemanha
(a viagem dura três minutos)
a roda gigante deixa a cidade após o carnaval
pelo menos sete navios com turistas passarão pela cidade
quem vem de navio fica apenas um ou dois dias e nem sequer paga para dormir

o mapa mais detalhado

A caminho do mapa mais detalhado de sempre do ADN
http://jornal.publico.clix.pt/
23.01.2008, Ana Gerschenfeld


Um consórcio internacional vai sequenciar na íntegra o ADN de 1000 pessoas, criando um mapa de alta resolução para estudar as raízes de muitas doenças


Uma empresa norte-americana financiada pelo Google propõe desde ontem na Europa, através da Internet, sequenciar o ADN de qualquer um de nós por menos de 700 euros. A empresa chama-se 23andMe, foi lançada em Novembro passado nos EUA e é co-dirigida por Anne Wojcicki, mulher de Sergey Brin, co-fundador do Google.
Garante que, com base no nosso cuspo, que podemos enviar pelo correio graças a um kit, vamos conseguir saber não apenas quem eram os nossos antepassados, mas também quais as doenças que poderemos vir a ter. E até vai ser possível comparar o nosso genoma com o de outra pessoa - um amigo, por exemplo -, desde que ela o autorize!
A análise genética não consiste em mapear os genes de doença propriamente ditos, mas sim uma série de mutações pontuais que têm sido associadas a riscos acrescidos face a doenças como a diabetes ou certos tipos de cancros (ver acima). Esta estreia europeia poderá suscitar uma séria controvérsia no Reino Unido, noticiava ontem o Guardian, visto que, no mês passado, as autoridades de saúde britânicas alertaram para o facto de as consequências destas variações genéticas ainda não terem sido totalmente desvendadas. Qualificavam o recurso a este tipo de serviços como "um desperdício de dinheiro" e propunham a sua regulamentação. A.G.
a Dentro de três anos, estará on-line, à disposição da comunidade biomédica, um mapa do genoma humano "que deverá permitir aos investigadores localizar mais rapidamente as variantes genéticas associadas a doenças, acelerando os esforços de desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico, de tratamento e de prevenção". O anúncio foi feito ontem, num comunicado do Wellcome Trust britânico, a maior associação sem fins lucrativos do mundo dedicada ao financiamento da investigação em saúde humana.
Baptizado 1000 Genomes Project, o ambicioso empreendimento é liderado por instituições como o Instituto Sanger do Wellcome Trust, os Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos e o Instituto de Genómica de Pequim, na China.
"O Projecto 1000 Genomas teria sido impensável há dois anos", disse Richard Durbin, do Instituto Sanger e co-presidente do consórcio. "Hoje, graças aos espantosos avanços nas tecnologias de sequenciação, na bioinformática e na genómica das populações, está ao nosso alcance. Vamos examinar o genoma humano com um pormenor sem precedentes."
A maior parte dos estudos genéticos actuais centra-se, por um lado, na identificação de mutações muito raras, que provocam efeitos hereditários graves, como a doença de Huntington. Por outro, procura identificar mutações mais comuns, mas que individualmente só contribuem de forma limitada para uma dada doença (por exemplo, a susceptibilidade à diabetes aumenta com uma série de mutações concorrentes).
"Entre estes dois tipos de variantes genéticas - as muito raras e as relativamente comuns -, há uma lacuna no conhecimento", diz David Altshuler, de Harvard, outro co-presidente. "O Projecto 1000 Genomas vai preenchê-la."
Os genomas de duas pessoas quaisquer são idênticos em mais de 99 por cento. No resto, dois tipos de variabilidade genética fazem de cada um de nós o que somos individualmente: as alterações de apenas uma "letra" da sequência do ADN e as alterações estruturais, que surgem quando segmentos inteiros de ADN foram apagados, duplicados ou baralhados entre si.
À "caça" das doenças
Nos últimos anos, colaborações internacionais como o HapMap (do qual o novo projecto é a continuação) mapearam as variações pontuais, evidenciando dezenas de regiões do ADN com variantes que aumentam o risco da diabetes, doença coronária, cancros da próstata e da mama ou artrite reumatóide, entre outras.
Por seu lado, o projecto Copy Number Variation do Wellcome Trust revelou que algumas variantes estruturais poderão contribuir para doenças tão complexas como o autismo.
O novo mapa irá referenciar ambos os tipos de variantes. O custo total da sequenciação deverá rondar os 20 a 35 milhões de euros.

domingo, janeiro 20, 2008

Séries médicas dão visão distorcida da realidade
http://dn.sapo.pt/2008/01/20/media/series_medicas_visao_distorcida_real.html
MARIA JOÃO ESPADINHA

Ficção pode dar origem a médicos frustrados
As séries com médicos "oferecem com frequência uma imagem destorcida da realidade", tanto no que diz respeito aos tratamentos como na profissão médica. A conclusão é da Organização Médica Colegial espanhola (OMC), que analisou a imagem de séries como Dr. House, Anatomia de Grey ou Serviço de Urgência, elaborando um relatório sobre o assunto.

Segundo o jornal El Mundo, o documento indica que este tipo de ficção pode criar "falsas expectativas nos pacientes" e promove cirurgias e tratamentos "desnecessários". A OMC recorda ainda que é "necessário ser extremamente cuidadoso quando se tratam de assuntos de saúde", para que não "sejam enviadas mensagens erradas ou confusas aos telespectadores sobre a assistência hospitalar que os cidadãos recebem". Assim sendo, a organização assinala como exemplo a reanimação cardiopulmonar, "que é significativamente mais alta nas séries televisivas do que na vida real, criando desta forma expectativas exageradas de êxito nos pacientes e familiares que passam por uma experiência deste tipo".

A OMC recomenda ainda que os diagnósticos, cirurgias e tratamentos mostrados nestas ficções sejam "proporcionais" às doenças apresentadas, de forma a que os telespectadores, quando se encontrarem na mesma situação, não exijam tratamentos desnecessários.

Outra das advertências da organização, que enviou o relatório às produtoras de televisão, é que este tipo de séries pode despertar o interesse em muitos jovens de seguirem uma carreira em medicina. "Criar falsas expectativas sobre esta população poderá originar médicos frustrados, que acabam por abandonar a profissão", conclui a OMC.

Filho de Nabokov pode queimar romance do pai
http://dn.sapo.pt/2008/01/20/artes/filho_nabokov_pode_queimar_romance_p.html
Polémica sobre manuscritos póstumos divide mundo literário

Queimar ou não queimar The Original of Laura, eis a questão que coloca Dmitri Nabokov, filho e único herdeiro do criador de Lolita (e também seu tradutor), sabendo que o escritor quis destruir, antes de morrer - e disse-o explicitamente em 1977-, o seu manuscrito inédito.

The Original of Laura compõe-se de 50 fichas - equivalentes a 30 páginas manuscritas - guardadas desde a morte de Nabokov numa caixa-forte, com duas chaves, num banco da Suíça. A viúva, Vera, foi incapaz de cumprir os desejos do autor russo nacionalizado norte-americano e, quando morreu, em 1991, deixou nas mãos de Dmitri, agora com 73 anos, a complexa tarefa de saber o que fazer com o texto. Não se sabe quem possui a outra chave.

A decisão poderá surgir em breve, assegura-o Ron Rosenbaum, jornalista norte-americano que, há dois anos, começou a cruzar mensagens com Dmitri Nabokov, e acaba de publicar na revista online Slate (www. slate.com) um artigo em que, apoiando-se nas últimas comunicações com o herdeiro, assegura que este tenciona cumprir os desejos do pai: destruir o manuscrito.

Nessa decisão, segundo Rosenbaum, pesam os intentos de Dmitri de proteger o legado do pai, assumindo a perda que seria destruir aquilo que assegura ser "um livro brilhante, original e absolutamente radical, muito diferente do sentido literário do resto da obra".

A questão liga-se ao controlo do destino da obra. Quem o possui?, pergunta Ronsebaum. Se Max Brod tivesse cumprido os desejos de Kafka que teria sucedido? Kafka não seria Kafka e a literatura seria outra. O mesmo com Virgílio...

Há, no entanto, uma vontade expressa de Nabokov sobre um texto que o filho considera ser "a mais concentrada depuração da criatividade do pai." E aí surge o dilema, porque estaríamos não só perante uma narrativa inovadora do ponto de vista formal, mas reveladora no que concerne à restante obra.

Não se trata de um mero capricho - disse Dmitri , em 2004, ao Corriere della Sera : "O meu pai quis que o original fosse destruído porque não queria publicar obras incompletas."The Original of Laura é a história de um indivíduo que envelhece, mas não perdeu o amor pela vida. O destino do livro divide o mundo literário americano, que se interroga sobre a necessidade ou não de sobrevivência dos romances póstumos. A mesma polémica tem rodeado a obra de Carver e de Kerouac. - A.M.G.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Fidel admite que saúde só lhe permite escrever
http://dn.sapo.pt/2008/01/17/internacional/fidel_admite_saude_lhe_permite_escre.html
SUSANA SALVADOR

Fidel admite que saúde só lhe permite escrever

Castro é candidato à Assembleia nas eleições do próximo domingo
O amigo Lula da Silva dizia à saída do encontro com Fidel Castro, na terça-feira à noite, que o líder cubano tem uma saúde "impecável" e que ele está "prestes a assumir um papel político". Mas foi o próprio "comandante" que desmentiu o Presidente brasileiro em mais uma das suas "reflexões" no jornal Granma, admitindo que a sua saúde só lhe permite escrever e não exprimir-se em público.

"Não tenho a capacidade física necessária para falar directamente com os habitantes do município onde estou inscrito como candidato para as eleições do próximo domingo. Faço o que posso: escrevo", indica o texto ontem publicado, mas com data de segunda-feira. Fidel Castro, com 81 anos, está afastado do poder há 17 meses por motivos de saúde.

Ausente também dos ecrãs da televisão cubana (e mundial) desde Outubro, Fidel aproveitou a visita de Lula para mais uma "prova de vida". No vídeo de apenas um minuto e meio, vê-se o líder cubano a tirar uma fotografia ao Presidente brasileiro (que depois faz o mesmo ao seu interlocutor). "Senti-me muito bem", refere depois ao despedir-se. "Ele tem a lucidez de todos, como nos seus melhores momentos", afirmou o Chefe do Estado brasileiro: "Ele falou duas horas e eu meia hora."

No domingo, os cubanos vão eleger a nova Assembleia Nacional, que terá depois 45 dias para designar os 31 membros do Conselho de Estado e o seu Presidente, cargo ocupado desde 1976 por Fidel Castro. Este cedeu provisoriamente o poder ao irmão, Raúl, em Julho de 2006. A 18 de Dezembro, Fidel disse que não queria "agarrar-se" ao cargo, deixando antever uma eventual passagem oficial de testemunho. Com agências

Casa onde 'nasceu' Peter Pan está à venda por nove milhões de euros
http://dn.sapo.pt/2008/01/17/internacional/casa_onde_nasceu_peter_esta_a_venda_.html
CADI FERNANDES

Bem no centro de Londres, foi ali que Barrie escreveu a obra, em 1902
Quanto custa a fantasia? Depende da moeda, que tudo se negoceia: 6,75 milhões de libras, e não se fala mais nisso. O correspondente a 8,88 milhões de euros e a 13,22 milhões de dólares. É por este preço que está à venda a casa de Peter Pan, em Londres, na Estrada de Gloucester.

A residência, de estilo vitoriano, dispõe de seis quartos de dormir e oferece um jardim "encantador", no dizer da agência imobiliária que a transaciona , a Foxtons. Mas não é por isso que custa o que custa. É pela história de encantar que lhe está associada. Por Pan, pela fada Sininho - sobretudo pelo verdinho de sete anos e pela criaturinha que sopra pó de ouro -, pelo Capitão Gancho, por Wendy, pelo crocodilo Tic-Tac, pela Terra do Nunca e por todos os meninos que não querem crescer. "Perdidos", como no livro do escocês James M. Barrie, escrito naquela morada, tendo por inspiração um episódio triste de infância e, depois, a alegria que lhe seria transmitida pelos filhos de um casal vizinho.

O episódio triste consistiu na morte de um dos nove irmãos do autor, David, aos 13 anos, drama do qual a mãe nunca recuperaria, imaginando que o rapaz estava vivo e que nunca cresceria, mantendo-se sempre ao seu lado. James, Jamie, ficou destroçado, sentindo-se preterido pela mãe. Criou um mundo só seu.

E cresceu diferente. Enquanto os seus colegas adolescentes eram espalha-brasas, rabos-de-saia altos e atléticos, ele era precisamente o oposto, baixote, magricela, sem qualquer interesse pelo sexo feminino. Chegaria a casar , em 1894, com a actriz Mary Ansell, mas o divórcio foi decretado em 1909.

Era impotente, soube-se depois. Também há suspeitas de que, à semelhança do americano Lewis Carrol, que escreveu Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, James, mais tarde Baronete Barrie, fosse pedófilo, gostando de manter amizades próximas com crianças, sobretudo do sexo masculino. Como Peter Pan, ou melhor, Peter Llewellyn Davies, um menino de cinco anos, que o terá inspirado.

Verdade ou não, tinha um sentido de humor desarmante. Quem esperaria ouvir, como ouviu H. G. Wells, seu amigo e autor de A Guerra dos Mundos, "está tudo muito bem quando se é capaz de escrever livros, mas consegues abanar as orelhas?" E, questionado porque estava sempre a pedir couves de Bruxelas ("Brussels sprouts", em inglês), Jamie respondeu: "Não consigo resistir. As palavras são tão bonitas de se dizer."

O actor Robin Williams, que foi Pan no cinema, estará interessado?

terça-feira, janeiro 15, 2008

Uma aldeia onde os ricos podem viver como pobres
http://dn.sapo.pt/2008/01/15/internacional/uma_aldeia_onde_ricos_podem_viver_co.html
HELENA TECEDEIRO

Por cem euros por noite, os visitantes ordenham vacas e guardam perus
"As únicas ocasiões em que [os jovens indianos das cidades] vêem perus é em cima da mesa no Natal", explicou Ram Kumar ao programa Cultura Shock da BBC. Foi para remediar esta situação que este antigo publicitário teve a ideia de criar uma aldeia na qual os mais ricos podem conhecer os prazeres da vida no campo. Ordenhar vacas, guardar perus ou passear em carros de bois são actividades diárias em Hessargatta, nos arredores de Bangalore. Mas a simplicidade paga-se caro: seis mil rupias por noite (o equivalente a cem euros).

Pensada para preservar algumas das mais antigas tradições da Índia rural, a aldeia oferece aos visitantes um espaço ao ar livre onde podem praticar jogos tradicionais e lançar papagaios de papel. Ram Kumar também não esqueceu um templo muito especial. "A única diferença é que o nosso templo é um pouco mais secular. Além dos deuses hindus, tem uma imagem da Virgem Maria e símbolos islâmicos", explicou Kumar. Amiga do ambiente, Hessargatta exibe ainda uma piscina ecológica, cuja limpeza é garantida por plantas aquáticas em vez de químicos.

Para o analista Martin Raymond, parece haver uma "necessidade de regresso à vida do campo". "Na Índia, uma classe média de 25 milhões de pessoas é o alvo ideal para esta oferta", disse, referindo-se à "síndroma de Maria Antonieta", rainha de França que mandou construir uma quinta para "viver como camponesa".

Para o analista, a aldeia de Hessargatta é um "paradoxo", uma vez que há pessoas "a pagar seis mil rupias por noite para viver em condições às quais os camponeses procuram escapar". Apesar do rápido crescimento económico da última década (9,4% em 2006), 25% da população indiana continua a viver na pobreza. O salário mínimo não chega às 1100 rupias. Paradoxos de um gigante com 1100 milhões de habitantes.

Compatibilidade quase perfeita
http://jornal.publico.clix.pt/
15.01.2008, Ana Gerschenfeld


Simples e elegante q.b. Pegou-se no "esqueleto" de um coração, injectaram-se células cardíacas "bebés" e colocou-se tudo numa incubadora. Dias depois, o novo coração começou a bater


O facto de se "repovoar" um invólucro cardíaco com células vindas do doente permitiria reduzir drasticamente os riscos de rejeição imunitária. Segundo disse Doris Taylor ao New York Times, mesmo em caso de rejeição o mais provável é que o uso de medicamentos imunossupressores seja temporário. Isto porque o único componente susceptível de provocar uma rejeição é a matriz extracelular, vestígio do coração "estrangeiro" utilizado para fabricar o coração bioartificial. Ora, como o organismo renova ciclicamente, em meses, todas as suas proteínas, as proteínas da matriz acabarão por ser substituídas por proteínas fabricadas pelo organismo do doente, que passará a considerar o transplante como totalmente
seu. A.G.
a Uma descoberta publicada pela Nature Medicine poderá finalmente permitir o fabrico de órgãos artificiais para transplantes. Os resultados são ainda muito preliminares, foram obtidos com corações de ratos e vão demorar anos a serem aplicados a seres humanos. Mas as opiniões são consensuais: trata-se de uma abordagem extremamente promissora e que pode vir a gerar um dia, no laboratório, peças sobressalentes para o corpo humano, órgãos bioartificiais em tudo semelhantes aos naturais e feitos à medida de cada doente.
Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas com insuficiência cardíaca muito grave morrem à espera de um transplante de coração. A penúria também vale para os rins e outros ór-
gãos. Para mais, depois de um trans-
plante cardíaco, impõe-se um tratamento vitalício com imunossupressores para evitar a rejeição, o que con-
dena muitos doentes à diabetes, hipertensão, problemas renais, etc.
A engenharia dos tecidos não é algo novo: usa-se pele artificialmente gerada para tratar grandes queimados e estão actualmente em curso testes de bexigas artificiais fabricadas a partir das células dos doentes. Mas no artigo anteontem publicado on-line pela equipa de Doris Taylor, da Universidade do Minnesota, há pelo menos duas novidades cabais: por um lado, os corações gerados têm a arquitectura de um coração natural; por outro, batem como um coração.
"O que fizemos foi simplesmente pegar nos tijolos de construção da própria natureza para construir um novo órgão", diz Harald Ott, do Hospital Geral do Massachusetts e co-autor do estudo, citado por um comunicado da Universidade do Minnesota. "Quando vimos as primeiras contracções, ficámos sem fala."
Em vez de tentar produzir um coração de raiz, com toda a sua intricada estrutura, utilizando somente células precursoras das células cardíacas, os investigadores aproveitaram a estrutura tridimensional cardíaca de base para construir o órgão. Utilizando corações de ratos, começaram por os despir de todas as suas células com detergentes especiais - técnica que também não é nova, chamada "descelularização". No fim desta fase, só restava dos órgãos originais um "esqueleto", uma matriz de tecido extracelular, com as suas câmaras, as suas válvulas e a sua estrutura vascular.
Órgãos-fantasma
A fase seguinte consistiu em reconstruir um coração novo com base nes-
tes órgãos-fantasma. Para isso, recorreu-se a células cardíacas imaturas vindas de ratos recém-nascidos. Os cientistas injectaram centenas de milhões destas células dentro das matrizes vazias e introduziram os objectos bioartificiais dentro de máquinas incubadoras capazes de simular o ambiente em que um coração se desenvolveria naturalmente.
Quatro dias mais tarde, observaram as primeiras contracções; oito dias depois, os corações começaram a bombear sangue com uma potência equivalente a dois por cento de um coração de rato. Mesmo assim, uma proeza. "Quando cortamos estes no-vos corações às fatias, lá estão as células", diz Taylor, citada pelo mesmo documento. "Elas possuem uma série de marcadores cardíacos e parecem saber qual deve ser o comportamento do tecido cardíaco."
Para os cientistas, o passo seguinte consiste em construir um coração já não com células cardíacas imaturas, mas com células estaminais - que são ainda mais primordiais e capazes de dar origem a todos os tecidos do organismo. "O nosso objectivo é utilizar as células estaminais dos doentes", diz Taylor. Extraídas, por exemplo, da medula óssea. Hoje em dia, este tipo de procedimento ainda é proibitivo em termos de custos e de tempo, mas os cientistas esperam que se torne fazível regenerar um coração à medida do doente em poucos meses.
Já vislumbram o futuro: utilizar como "andaime" corações de porco, muito semelhantes ao humano. E gerar "rins, fígados, pulmões, pâncreas". "Esperamos poder fabricá-los todos um dia", diz Taylor

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Oscar Pistorius
Atleta amputado proíbido de correr nos Jogos Olímpicos
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/216051
A Federação Internacional de Atletismo chumbou, hoje, a intenção do atleta sul-africano, de 21 anos, disputar os 400 metros em Pequim, alegando que as suas próteses lhe dão vantagem competitiva.
Isabel Paulo
16:16 | Segunda-feira, 14 de Jan de 2008



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Os 28 membros do Comité Técnico da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) concluíram que as já famosas cheetahs" de oscar Pistorius garantem-lhe uma clara vantagem mecânica" em relação aos atletas normais. Fabricadas em fibra de carbono ultra-leve (menos de um quilo), as próteses do sul-africano foram rejeitadas pela IAAF ao abrigo da regra dos seus estatutos (144.2) que proíbe a utilização de qualquer equipamento que incorpore molas, rodas ou outro elemento que garanta ao seu utilizador vantagens competitivas sobre os outros concorrentes.

A decisão do Comité Técnico, integrada entre outros por Sergei Bubka e Sebastian Coe, presidente da Comissão Instaladora dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, teve por base um estudo científico da Universidade do Desporto de Colónia, orientado por Peter Bruggemann e que contou com a participação de dez especialistas em fisiologoa e biomecânica. Os testes efectuados em Novembro com a concordância e participação de Pistorius e de outros cinco atletas normais levaram a IAAF a concluir que o sul-africano era capaz de correr as mesmas distâncias e à mesma velocidade com menos esforço, ou seja, consumindo menos 25% de energia do que os seus adversários.

O estudo revelou ainda que as cheetahs flex foot" - próteses flexíveis em forma de lâminas curvas - devolvem 30% mais energia do que a carga de retorno do impacto do pé humano quando toca no solo, vantagem encarada pela IAAF como uma espécie de doping-mecânico. Este resultados têm, contudo, gerado grande controvérsia nos meios científicos, sobretudo por não levarem em conta as desvantagens da utilização das próteses, tais como a menor inércia nos primeiros 30 metros da prova, a fricção e perda de energia na ligação do equipamento aos cotos ou maior instabilidade em piso molhado e sujeito a ventos.

Amputado aos 11 meses por ter nascido sem perónio, Oscar Pistorius viu ruir aos 21 anos o maior sonho da sua vida, após ter ganho as provas de 200 e 400 metros em jogos paralímpicos. Resta saber se, apesar do desaire, vai continuar a lutar para galgar os 61 segundos que o separam do mínimo olímpico estipulado para a prova de 400 metros em Pequim (45,95 segundos enquanto o seu recorde é de 46,56 segundos).

Cuba mostra documentário até aqui censurado
http://jornal.publico.clix.pt/
14.01.2008

Um documentário até agora censurado sobre os jogadores de basebol cubanos que fugiram do país e hoje triunfam nas grandes ligas dos EUA foi mostrado no sábado à noite pela televisão estatal, o Canal Habana, e fez a alegria dos fanáticos deste desporto. Foi a primeira vez desde a revolução cubana, há 50 anos, que a televisão governamental difundiu testemunhos de desportistas que deixaram a ilha, habitualmente qualificados de "desertores" ou "traidores" pelo regime comunista.
Fuera de Liga, o documentário lançado há quatro anos, conta a história dos Industriales - nome da equipa de basebol mais popular de Cuba. E recolhe declarações das estrelas conhecidas deste desporto, entre as quais Orlando, conhecido por "El Duque", Hernandez e René Arocha, de quem os cubanos não tinham notícias até agora.
"É fabuloso. Isto mostra que um cubano permanece um cubano antes de mais", declarou à AFP Ramon Gutierrez, de 47 anos. O documentário contém ainda entrevistas com vedetas dos Industriales, como Agustin Marquetti e Rey Vicente Anglada, que ficaram na ilha apesar dos contratos que sabiam poderiam ganhar nos EUA. AFP

O Papa Bento XVI celebrou missa de costas para os fiéis
http://jornal.publico.clix.pt/
14.01.2008

O Papa Bento VXI celebrou ontem a festa do baptismo de Jesus Cristo baptizando 13 crianças na Capela Sistina, do Vaticano, numa missa solene que teve a particularidade de usar o antigo altar que ali está junto à parede desde o tempo de Miguel Ângelo. Portanto, de costas para os fiéis, como antigamente, antes do Concílio Vaticano II.
Foi a primeira vez nas últimas décadas que um chefe da Igreja Católica Apostólica Romana não esteve a celebrar virado para os cristãos, se bem que toda a cerimónia tenha decorrido de acordo com o rito introduzido pelo Papa Paulo VI depois do histórico concílio do século passado.

Até agora, era costume recorrer a um altar móvel, especialmente colocado para a ocasião nas proximidades da parede em que o artista Miguel Ângelo pintou o Juízo Final. Foi isso o que fizeram João Paulo II e, depois dele, o próprio Bento XVI, nos primeiros dois anos do seu pontificado.
Desta vez, porém, foi decidido utilizar o antigo altar para "não alterar a beleza e a harmonia desta jóia arquitectónica", segundo explicou o Gabinete de Celebrações Litúrgicas, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.
O Soberano Pontífice leu a homilia num trono colocado na parede direita da capela; e não ao centro da mesma, tendo concelebrado com o vice-camerlengo da Santa Sé, monsenhor Paolo Sardi, e com o esmoler pontifício, Feliz del Blanco Prieto.

ZOOS DEVEM SALVAR CRIAS REJEITADAS?
http://dn.sapo.pt/2008/01/14/centrais/zoos_devem_salvar_crias_rejeitadas.htmlRITA CARVALHO
DANIEL KARMANN-EPA

Ainda não tem nome mas a sua história já corre mundo, ilustrada por milhares de imagens televisivas. Já tem até um namorado encomendado. A ursa polar que nasceu há dias em Nuremberga e foi rejeitada pela mãe, levando o zoo a optar por cuidar dela, é mais um caso a apaixonar a opinião pública, depois do famoso Knut. E a relançar a questão da intervenção do homem no curso normal da natureza.

Primeiro Wilma deu à luz dois ursos polares. Mas a suspeita de que os filhos estavam doentes levou-a a rejeitá-los e a comê-los, acreditam os tratadores do zoo de Nuremberga. Dias mais tarde, outro nascimento no zoo alemão: Vera, outra ursa polar, teve um bebé. Ao verem a mãe a carregar nas garras a sua cria, os responsáveis perceberam que algo de estranho se passava e temeram que Vera não conseguisse tratar da cria. Mas decidiram não intervir no curso da natureza, deixando mãe e filha entender-se sem perturbações exteriores. Mais tarde, e depois de uma enorme pressão mediática, voltaram atrás e resolveram separá-la da mãe e criá-la artificialmente, alimentando-a com um biberão.

"A segurança dos animais novos é a nossa prioridade", afirmou Helmut Maegdefrau, director do zoo. Uma afirmação polémica, que é subscrita por uns e contestada por outros.

Se os zoos não servem para salvar a vida aos animais, então servem para quê? É esta a questão deixada por quem considera que um urso polar bebé não pode ser deixado à morte só porque a mãe não soube cuidar dele. E como deixar a natureza actuar quando as condições em que vive um animal em cativeiro nada têm a ver com o habitat natural? Mas outras vozes de protesto se levantam, questionando até onde deve intervir o homem na relação natural que liga mãe e cria. Além disso, dizem estes defensores, os animais aprendem com os erros e, se à primeira não sabem lidar com a maternidade, à segunda actuarão de modo diferente.

Para Eric Ruivo, a discussão não pode situar-se ao nível do sim ou não, pois "cada caso é um caso, que tem de ser ponderado". Ao DN, o responsável pela colecção animal do Zoo de Lisboa afirmou que retirar um animal da mãe e criá-lo artificialmente deve ser o último recurso, pois ele será sempre perigoso e problemático. "O mais importante é preservar o património biológico da terra, a diversidade genética." E as espécies vão perdendo características quando crescem em ambiente artificial. Em caso de perigo de extinção o salvamento pode ser crucial. Mas se houver repovoamento, estes indivíduos terão de ser fortes para desempenhar essa tarefa.|

Celebridades curam vícios na televisão
http://dn.sapo.pt/2008/01/14/media/celebridades_curam_vicios_televisao.html
CATARINA VASQUES RITO
MATT SAYLES-AP

Se pensa que já viu de tudo, engana--se. Agora, as celebridades norte- -americanas, ou pelos menos algumas delas, decidiram entrar num reality show chamado Celebrity Rehab with Dr. Drew, onde o objectivo é curarem-se dos seus vícios como o álcool a droga ou a dependência de comprimidos. O programa, que se estreou na passada quinta-feira, nos Estados Unidos da América, no canal de música VH1, conta com a participação de oito personalidades.

Uma delas é actriz e ex-mulher do também actor Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen, que começou a beber durante o seu último casamento. Como a própria afirmou no programa da modelo Tyra Banks, "o álcool foi o meu refúgio devido à minha falta de coragem em acabar com uma relação que não me fazia feliz. Mas pelos meus filhos decidi adiar a decisão de me divorciar e o meu vício foi--se acentuando", confessou Nielsen.

Entre as participantes está a ex- -concorrente do concurso American Idol Jessica Sierra, que foi presa em Dezembro por ter violado a liberdade condicional e resistir à prisão. Infelizmente, para esta concorrente o programa não surtiu o efeito desejado, como aconteceu com Brigitte Nielsen.

As regras deste reality show são as de qualquer programa deste género. As câmaras de filmar estão ligadas o dia inteiro e presentes em todos os espaços da clínica de reabilitação em Pasadena, na Califórnia, onde é gravado Celebrity Rehab with Dr. Drew.

A série está dividida em oito episódios de uma hora, mostrando como cada participante lida com o seu vício. Ainda antes de se ter estreado, este reality show gerou alguma polémica, devido a questões ligadas à violação da ética e da privacidade de uma clínica de reabilitação para entretenimento televisivo.

Para o apresentador e médico responsável pela cura destas celebridades, Drew Pinsky, "o objectivo é mostrar às pessoas como a reabilitação realmente é". "Sou responsável pelo tratamento destas pessoas e não por fazer um bom programa de televisão", adiantou ao L.A. Times.

Outra das celebridades é o actor Jeff Conaway, que ficou conhecido, na década de 70, pela sua participação na série de comédia Taxi. O actor aderiu ao programa por ser dependente de álcool e comprimidos. O seu estado de saúde é tão decadente que a produção teve de colocar legendas para o telespectador compreender o que ele dizia.

Um dos factos curiosos é que Drew Pinsky acaba por ser mais conhecido do que muitos dos participantes no programa.|

domingo, janeiro 13, 2008

Rumores de um romance entre Hugo Chávez e Naomi Campbell
http://dn.sapo.pt/2008/01/13/internacional/rumores_um_romance_entre_hugo_chavez.html

SUSANA SALVADOR
O romance de Nicolas Sarkozy e de Carla Bruni já é coisa do passado. E não é porque o Presidente francês tenha rompido a sua relação com a modelo/cantora, mas simplesmente porque há rumores da existência de um novo casal, do outro lado do Atlântico. Segundo a imprensa venezuelana, o Presidente Hugo Chávez, de 53 anos, namora há dois meses com a modelo britânica Naomi Campbell, 15 anos mais nova.

"Futuro black & white?", questiona o jornalista do El Universal Nelson Bocaranda, que dizem ser um dos mais bem informados sobre o Chefe do Estado venezuelano. "O caudilho apaixonou-se fortemente pela rapariga de ébano do jet-set internacional", acrescenta, revelando que o cupido terá sido Andrés Izarra, o ex-director da estação Telesur, promovido "por esses favores de alcova" a ministro da Informação na remodelação de há uma semana, segundo um dos saneados do Governo.

Os dois têm sido vistos juntos em várias ocasiões (desde Caracas a Havana), tendo a modelo entrevistado o Presidente para a revista GQ (na sexta-feira, foi a vez de Cristina Kirch-ner, a Chefe do Estado da Argentina, mas o seu grande objectivo é entrevistar o líder cubano, Fidel Castro).

Naomi, que reconheceu recentemente que o grande amor da sua vida foi o actor Robert De Niro, com quem esteve seis anos, qualificou Chávez de "anjo rebelde", dizendo que se não fosse Presidente seria "um cantor latino de muito sucesso".

A modelo de origem jamaicana contou ainda que Chávez não é um "gorila", sendo mais parecido com um "touro". Isto depois de afirmar que a atraem os "homens fortes" (ela que é conhecida pelos seus problemas na justiça por causa da violência) e que aquele com quem se casar "deve ser sincero e ter muita energia". Chávez, divorciado por duas vezes, tem quatro filhos e três netos.|

Desempregado é autor de letra para hino de Espanha
http://jornal.publico.clix.pt/
13.01.2008, Nuno Ribeiro, Madrid


Tema ainda não foi aprovado mas será interpretado, pela primeira vez este mês, pelo tenor Plácido Domingo


"Viva Espanha!
Cantemos todos juntos
com diferente voz
e um só coração/
Viva Espanha!
Desde os verdes vales
ao imenso mar,
um hino de irmandade/
Ama a Pátria
pois sabes abraçar,
sob o seu céu azul,
povos em liberdade/
Glória aos filhos
que à História dão
justiça e grandeza
democracia e paz"
a Um desempregado de 53 anos é o autor da letra para o hino espanhol, uma iniciativa conjunta do Comité Olímpico de Espanha (COE) e da Sociedade Geral de Autores. Se conseguir o meio milhão de assinaturas indispensável, a letra será apresentada como iniciativa popular ao Parlamento, que, depois, a votará.
"A minha pátria é a da gente que paga hipotecas e anda de metro, é a pátria da gente média", disse, esta semana, Paulino Cubero, o autor da letra. Cubero escreveu uma das sete mil letras submetidas à análise de um júri, presidido por Emílio Casares, catedrático e musicólogo, das quais saíram 1400 para, depois, se proceder à escolha definitiva.
Foi um trabalho intenso, o de Casares e os outros cinco membros do júri: o historiador Juan Pablo Fusi, Aurora Egido, catedrática de Literatura, o compositor Tomás Marco, Jiménez de Parga, antigo ministro do Trabalho, embaixador e ex-presidente do Tribunal Constitucional, e a campeã olímpica Theresa Zabell. O objectivo era encontrar uma letra de consenso entre as várias sensibilidades políticas e sociais, respeitosa para todas as comunidades autónomas e que não incomodasse os idiomas do país.
Uma espécie de "quadratura do círculo" que, apesar do sucesso da transição democrática, por não ter sido desenhada no passado, impediu que o hino nacional de Espanha fosse cantado com letra. Situação que, na Europa, os espanhóis compartilham com os cidadãos da Bósnia e os naturais de São Marino.
Assim, os impulsionadores da iniciativa estão longe dos corredores da política. "Caiu-me a alma aos pés no Mundial de Futebol da Alemanha de 2006 quando vi os 30 mil adeptos espanhóis a cantarolarem um hino sem a força das palavras", reconheceu Alejandro Blanco, presidente do COE. Então nasceu a ideia. Não é a primeira vez que, em Espanha, se tenta dotar o hino com uma letra. No segundo Governo de José Maria Aznar, entre 2000 e 2004, Jon Jauristi, director da Biblioteca Nacional, integrou uma comissão para o efeito. Trabalho impossível.
Exaltação da natureza
O apelo à cidadania foi a fórmula encontrada para evitar escolhos. A letra vencedora (ver caixa) não é um primor. Não exalta feitos históricos, as habituais referências a proezas militares sanguinárias comuns a muitos hinos. Refugia-se na exaltação da natureza, dos verdes vales ao mar imenso. Inscreve valores consensuais - justiça, democracia e paz -, como os defendidos pelo homem comum. Como comum é o seu autor, Paulino Cubero. Mas dá vivas a Espanha, fala da Pátria e da sua grandeza. Suficiente para reparos e críticas.
"Tem um sabor reaccionário", criticou Gaspar Llamazares, dirigente da Esquerda Unida, que engloba os comunistas. A Esquerda Republicana da Catalunha não se pronuncia... pronunciando-se: "Não é o hino da nossa Pátria." O Governo recordou que é apenas uma proposta e que tem de ser votada no Parlamento. E até Mariano Rajoy, líder do conservador Partido Popular, escudou-se nos seus poucos conhecimentos para não avaliar o trabalho de Cubero. Assim, não se sabe com que moral Plácido Domingo interpretará o hino, a 21 deste mês, na gala do Comité Olímpico Espanhol. O tenor, que interpretou a Marselhesa, em 1981, na cerimónia da tomada de posse de François Mitterrand como Presidente da República, tem pela frente um difícil début.

domingo, janeiro 06, 2008

Polémica nas exumações de soldados alemães
http://jornal.publico.clix.pt/
06.01.2008, David Keys


Mais de 60 anos depois, os corpos dos militares fiéis ao Eixo estão a ser retirados de valas comuns e trincheiras e sepultados em cemitérios militares



Um milhão de soldados alemães da Segunda Guerra Mundial estão a ser reenterrados - mais de 60 anos depois da queda do III Reich. E, para criar ainda maior controvérsia , entre eles estão milhares de agentes das Waffen-SS, as tropas de elite nazis, cujos corpos se encontram espalhados por vários países europeus.

A operação está a decorrer em toda a Europa de Leste, onde mais de 15 milhões de civis foram mortos pela máquina de guerra alemã. Em muitos países o programa de exumações está a ser altamente contestado.
Até agora, foram exumados 520 mil corpos de valas comuns, velhas trincheiras e campos com sepulturas individuais por identificar, para depois serem devidamente enterrados em cemitérios alemães criados para o efeito. Mais 400 mil deverão vir a ser exumados nos próximos oito anos e pelo menos mais 100 mil depois disso.
As equipas alemãs de exumações estão actualmente a recuperar esqueletos do maior conflito mecanizado (com mais armamento pesado) da Segunda Guerra Mundial - a Batalha de Kursk, em que milhares de soldados do Exército alemão morreram. O primeiro cemitério oficial de Kursk deverá abrir no próximo ano. As exumações em massa estão a ser realizadas em outros campos em que ocorreram batalhas cruciais, incluindo Estalinegrado (actual Volgogrado).
Criminosos de guerra
Contudo, o projecto tem sido envolvido em grande polémica e desconfiança. Na Polónia, as autoridades verificam cuidadosamente o nome de cada um dos soldados alemães que devem ser sepultados nos novos cemitérios (cada um traz ao pescoço uma placa que o identifica) para garantir que nenhum criminoso de guerra figura nos monumentos que homenageiam outros soldados.
Na Bielorrússia e na República Checa não há ainda nenhum acordo intergovernamental envolvendo as exumações alemãs. Na realidade, na Bielorrússia, que perdeu 25 por cento da sua população na Segunda Guerra Mundial, apenas 2000 dos 150 mil alemães que ali morreram voltaram a ser sepultados.
No Sul da Rússia, foram precisos seis anos de negociações para convencer os habitantes locais de que o novo cemitério não serviria para glorificar os soldados alemães da Segunda Guerra. Finalmente, depois de algumas visitas à Alemanha, foi autorizada a construção de um cemitério militar alemão em Krasnodar, no Cáucaso. Vai abrir em breve.
Por todo o lado, na Rússia, a polémica tem marcado as operações sempre que se trata de dar nova sepultura a várias centenas de soldados das Waffen-SS. O Governo holandês recusou-se a ajudar a localizar familiares desses militares, argumentando que todos os holandeses que se juntaram aos nazis abdicaram automaticamente da sua cidadania e, por isso mesmo, eram exclusivamente da responsabilidade dos alemães.
Os russos que lutaram do lado alemão na Segunda Guerra Mundial também são controversos. Tem sido impossível contactar os seus familiares porque as autoridades russas recusam-se a reconhecer que do seu lado também havia colaboradores. Centenas destes russos e ucranianos que optaram por combater os aliados, membros do Russian Liberation Army (inicialmente formado pelos alemães na Segunda Guerra com propósitos propagandísticos), morreram a combater o Exército Vermelho na Polónia em 1944.
O programa alemão de exumações e novas sepulturas também abrange a polémica história de uma divisão de soldados espanhóis que foi enviada por Espanha, um país supostamente neutro, para combater ao lado de Hitler. De um total de 45 mil, cerca de 5000 foram mortos em combate na frente de Leninegrado (actual São Petersburgo). Actualmente estão a ser sepultados em Novgorod, a sul da cidade dos czares.

Os cruéis ocupantes aliados
http://jornal.publico.clix.pt/
06.01.2008, Por Patricia Meehan


Giles MacDonogh quis mostrar a vivência dos alemães na derrota. E conseguiu. Mas também atraiu novas atenções para os actos questionáveis da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos durante a ocupação. Execuções encenadas (ou não), espancamentos, violações, milhares de militares e civis transportados em camiões de gado ou mortos à fome e ao frio. A Segunda Guerra Mundial vista do outro lado. Por Patricia Meehan


Oficiais alemães assinam
a rendição definitiva
em Berlim a 8 de
Maio de 1945 (à esq.).
Um americano filma
soldados soviéticos que
celebram a vitória nas
portas de Brandeburgo
(ao centro). Festejos
aliados depois da queda
de Saarbrucken
a Na Primavera de 1945, a Alemanha afundava-se no caos e na derrota. Na própria Alemanha ocupada pelos seus inimigos, o trabalho escravo, os campos de concentração, a fome, as detenções sem acusação formal e as execuções não desapareceram com os nazis. As revelações sobre os campos da morte divulgadas por todo o mundo em Abril de 1945 pelas imagens do documentário sobre Bergen-Belsen pareciam dar carta branca aos que detinham agora o controlo. Giles MacDonogh deu-se ao formidável trabalho de fazer a crónica das vidas dos alemães depois de caírem nas mãos dos vencedores. No seu livro Depois do Reich ele procedeu à tarefa com implacável minúcia. É um compêndio da miséria humana. MacDonogh conhece bem a Alemanha e a Áustria e possui aí muitas fontes. Baseou-se em relatos em primeira mão e memórias privadas que conseguiu acrescentar à sua pesquisa de fontes publicadas.
Já em Janeiro de 1943, os Aliados tinham os olhos firmemente postos numa capitulação incondicional da Alemanha. Estaline considerava essa exigência uma má táctica, mas para Roosevelt e Churchill ela possuía uma carga emocional que obscurecia quaisquer considerações sobre aquilo que poderia implicar. No dia 26 de Julho de 1944, foi assinado um Instrumento de Rendição pelos governos aliados: "O Governo alemão e o alto comando alemão... anunciam por este meio a capitulação incondicional da Alemanha." Mas, quando chegou a ocasião, não havia governo alemão para rastejar aos pés dos Aliados e o alto comando só se poderia render militarmente. O conceito de capitulação incondicional não existia na lei. Assim, foram os próprios Aliados que se apoderaram da soberania. No dia 5 de Junho de 1945, teve lugar em Berlim uma sumptuosa cerimónia de Declaração de Derrota e Assunção de Soberania, com grande pompa militar (e dúbia legalidade).
De acordo com a declaração, a Alemanha seria dividida em três zonas ocupadas sob a Comissão de Controlo para a Alemanha e a Áustria, administradas respectivamente pelos americanos, pelos britânicos e pelos russos. (À França foi posteriormente atribuída uma pequena zona retirada dos territórios britânico e americano.) A Áustria seria separada da Alemanha e seria igualmente ocupada. Berlim ficaria dividida em quatro sectores e aí ficaria instalada a sede do Conselho de Controlo Aliado - o governo de ocupação. Os membros do conselho seriam os quatro governadores militares das zonas. A 17 de Julho de 1945, pouco mais de um mês depois, em Potsdam, um subúrbio de Berlim, os Três Grandes reuniram-se pela última vez, mas sem quaisquer modificações: a Roosevelt, que morrera em Abril, sucedera o Presidente Truman; e já a conferência ia a meio quando o primeiro-ministro Clement Attlee substituiu Churchill, que fora derrotado nas eleições gerais britânicas. Em Potsdam, os Aliados estabeleceram as regras pelas quais iriam controlar todos os aspectos da vida alemã no futuro previsível. Estas regras seriam posteriormente ignoradas, manipuladas, desprezadas, aplicadas com excesso de zelo e, em última análise, abandonadas.
Milhões de deslocados
Em Ialta, em Fevereiro de 1945, os Três Grandes haviam concordado que a Rússia ficaria com uma parte substancial da Polónia a leste e a Polónia receberia uma compensação territorial no Ocidente. A população alemã nessas áreas seria evacuada e forçada a regressar à "pátria" alemã. Populações alemãs "étnicas" também seriam expulsas da Checoslováquia, da Hungria e da Jugoslávia. Em Potsdam foi decretado que as expulsões só começariam um ano após o cessar das hostilidades e que deveriam processar-se de uma forma ordeira e humana durante um período de cinco anos. De facto, a realidade foi muito diferente. É aqui que Giles MacDonogh começa a sua história.
Nos últimos meses da guerra, quando o Exército Vermelho libertou os países da Europa de Leste, ao mesmo tempo que cometia violações e pilhagens, as populações nativas desses países viraram-se contra os seus anteriores governantes e alemães "étnicos" na generalidade com uma ferocidade terrível. Mesmo antes da capitulação da Alemanha, comunidades inteiras de alemães que tinham vivido no exterior do Reich, muitas vezes durante gerações, foram desenraizados à força de armas; no total, entre 13 e 16 milhões de pessoas foram expulsas das suas casas.
Roubados, espancados, esfomeados, velhos, mulheres e crianças foram forçadas a caminhar para ocidente ou a amontoar-se em veículos de transporte de gado nos quais por vezes gelavam até à morte. Um membro do Parlamento descreveu na Câmara dos Comuns as expulsões como "fazendo milhões de pessoas atravessar a Europa como um Belsen arrepiante". MacDonogh conduz o leitor ao longo destas terríveis deslocações, quase aldeia por aldeia, descrevendo uma medonha migração.
Estas "pessoas deslocadas"- à semelhança dos seus judeus anteriormente, foram designados por PD pelo governo de ocupação - chegavam a uma pátria onde se encontravam já milhões de pessoas desenraizadas. Quando os disparos e as bombas paravam, emergiam pessoas das ruínas procurando notícias de quem estava vivo ou tinha morrido. Um oficial dos serviços secretos do Comando Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas (SHAEF) relatou que aquela movimentação descontrolada ao longo de todas as auto-estradas da Alemanha era atordoante. Hordas de trabalhadores estrangeiros, libertados da sua situação de trabalhadores forçados para os nazis, fizeram-se à estrada para regressarem aos seus próprios países - ou para fugir deles. Somados a estes, havia ainda os milhares de refugiados que debandavam para ocidente devido ao avanço do Exército Vermelho. Alguns sobreviventes viviam em covas feitas no chão.
Os membros da Wehrmacht, um exército derrotado de milhões, esperavam em centros para serem libertados. No final da guerra, haviam sido capturados 11 milhões de soldados alemães. Sete milhões e meio estavam nas mãos dos Aliados ocidentais, refere MacDonogh, cinco milhões dos quais foram libertados ao fim de um ano. Cerca de um milhão e meio desapareceu na Rússia soviética e nos países de Leste; na sua maioria nunca regressaram a casa. Mas muitos outros milhares não foram contabilizados dentro do seu próprio país.
A fome e o frio
Na Primavera de 1945, cerca de 40.000 prisioneiros morreram à fome e ao frio nos 12 centros de detenção ao ar livre que os americanos haviam erguido para alojarem cerca de um milhão de homens. Os prisioneiros, escreve MacDonogh, "haviam sido empurrados para vastos recintos ao ar livre perto das margens do Reno descritas como "áreas de concentração" ou "PWTE - Recintos Temporários para Prisioneiros de Guerra"". Os americanos tinham-lhes queimado as roupas e por isso eles não tinham nada que os protegesse dos elementos. Abril e Maio de 1945 foram particularmente frios e chuvosos, e havia muita neve. Os soldados eram forçados a passar por isto em recintos abertos e sem tendas. MacDonogh escreve: "Muitos deles abriram covas no solo com uma colher ou uma lata ou o que tivessem à mão, mas, com a chuva constante, o terreno amolecia e todas as noites essas covas desabavam e as pessoas que aí tinham procurado abrigo ficavam soterradas. Não se passava uma noite sem que morressem homens nesses locais."
Estes recintos eram abandonados ao fim de alguns meses, mas havia outros na zona americana que não eram mais hospitaleiros.
Günter Grass tinha 17 anos, quando foi feito prisioneiro pelos americanos. No seu recente livro, Descascando a Cebola, descreve de forma brilhante a realidade da fome que passou naquele acampamento. Quando os elementos mais jovens da sua família lhe perguntam o que se passou no fim da guerra, responde-lhes: "A partir do momento em que me puseram atrás do arame farpado, passei fome." Nessa altura, o colapso do Terceiro Reich passou-lhe simplesmente despercebido.
Os britânicos e os americanos instituíram também Centros de Interrogatório Directo com o objectivo de investigar atrocidades em tempo de guerra contra prisioneiros de guerra aliados, descobrir criminosos de guerra importantes e desvendar eventuais actividades subversivas que pudessem ameaçar a ocupação. Mas um ano depois do fim da guerra, as prioridades tinham mudado; deviam concentrar-se na recolha de informações sobre os russos. Elementos de qualquer nacionalidade que houvessem tido quaisquer contactos com a zona soviética enquanto desertores, refugiados ou ex-soldados russos e que haviam caído nas mãos britânicas ou americanas podiam ser levados para um desses centros de interrogatório e submetidos a uma terrível brutalidade. Entre eles, estavam agentes soviéticos. O tratamento que levava à tortura seguia um padrão familiar. Os prisioneiros eram preparados para o interrogatório por guardas que tinham as suas próprias contas a ajustar (alguns deles tinham sido prisioneiros dos nazis ou sido forçados a trabalhar para eles). Entre outras coisas, os seus métodos incluíam espancamentos selvagens, privação de alimentos, privação de sono e remoção da roupa. Os homens eram forçados a ficar de pé durante horas. Alguns deles só conseguiam ir para o interrogatório a rastejar. Muitos não saíam dali vivos.
Execuções encenadas
Sobre Schwäbish Hall, uma prisão particularmente infame perto de Estugarda para oficiais suspeitos de crimes graves, MacDonogh escreve: "Os americanos tinham usado métodos semelhantes aos que eram utilizados pelas SS em Dachau. Um deles era manter o prisioneiro durante longos períodos na solitária.... Pior ainda eram as execuções encenadas, em que os homens eram levados com a cabeça coberta com um capuz, enquanto os guardas lhes diziam que estavam a aproximar-se da forca. Os prisioneiros eram mesmo levantados do chão para se convencerem de que estavam prestes a oscilar.
Métodos de tortura mais convencionais incluíam pontapés nas virilhas, privação de sono e alimento e espancamentos selvagens. Quando os americanos instituíram uma comissão de inquérito para analisar os métodos usados pelos seus investigadores, descobriram que, dos 139 casos examinados, 137 "tinham ficado com os testículos permanentemente destruídos por pontapés infligidos pela equipa americana de investigação dos crimes de guerra"."
Nas prisões geridas por britânicos, quando já nada mais conseguia ser extraído a um prisioneiro, este era trazido perante um tribunal militar secreto onde era julgado por uma acusação fictícia; o seu silêncio era punido com uma pena de prisão pesada. O braço político da Comissão de Controlo britânica rapidamente pôs um fim a esta prática. Segundo um documento do braço político, não se poderia atribuir uma pena fosse de que tipo fosse a alguém "cujo único crime era ter a infelicidade de ter adquirido um conhecimento demasiado detalhado dos métodos [britânicos] de interrogatório".
Um relatório sobre os métodos desumanos usados no centro de detenção Bad Nenndorf na zona britânica chegou às mãos de Hector McNeil, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. McNeil advertiu que, se alguma fez fossem feitas denúncias quanto aos métodos da polícia política na Europa de Leste, "seria o suficiente para intervir em "Bad Nenndorf" e não restar [aos ingleses] qualquer resposta". Uma comissão de inquérito produziu um relatório consternador. O coronel Robin Stephens, o comandante do campo de Bad Nenndorf, seria levado a tribunal marcial. No entanto, houve um alvoroço considerável no Foreign Office e no Exército. A existência de centros de interrogatório, a sua táctica para obter informações sobre métodos operativos e os resultados alcançados poderiam ser revelados em tribunal.
A brutalidade tinha objectivos concretos. Os interrogatórios geravam informações sobre detalhes da organização do MGB (Secretaria de Estado da Segurança), o MVD (Ministério de Assuntos Internos na zona soviética) e os seus contactos com o KPD (o partido comunista) nas zonas ocidentais. Aquilo que também foi compilado era o que mais se aproximava de uma quase completa ordem de batalha do Exército Vermelho no Ocidente. O julgamento foi um fiasco e Bad Nenndorf foi encerrado. Restaria um centro de interrogatórios na zona britânica. Quando o secretário de Estado para os Assuntos Alemães, Lord Pakenham, o visitou em 1947, ficou preocupado ao ver que 11 dos 18 interrogadores tinham sido funcionários em Bad Nenndorf. No entanto, o governador militar, Sir Brian Robertson, insistiu em que, embora se opusesse firmemente a métodos brutais, era responsável por fazer com que o centro "servisse eficazmente o objectivo para o qual fora instituído".
O Exército dos Estados Unidos não desejava tirar partido dos seus prisioneiros de guerra. A ideia de trabalho escravo não seria bem recebida no país. Mas os ingleses tinham outros planos para os seus. Eisenhower dera ordens para que os prisioneiros de guerra fossem classificados como "desarmados a aguardar libertação e à discrição dos comandantes-chefe". Mas, se não eram já prisioneiros, não poderiam ser usados como trabalhadores cujo trabalho gerasse compensações.
Trabalhos forçados
Os ingleses calcularam que precisariam de cerca de meio milhão de homens para trabalhar (sobretudo na agricultura) e em finais de 1946, como escreve MacDonogh, havia perto de 400.000 prisioneiros a trabalhar na Grã-Bretanha. Estes homens estavam classificados como prisioneiros de guerra, mas com o fim das hostilidades isso era um pormenor de ordem técnica. De facto, os prisioneiros realizavam trabalhos forçados. Porém, como observou o Foreign Office, "não havia necessidade de o dizer". Muitos prisioneiros alemães repatriados de centros de detenção no estrangeiro não foram libertados, mas antes mantidos em centros transitórios na Alemanha e na Bélgica enquanto esperavam pela deportação para a Grã-Bretanha.
As condições nesses centros de prisioneiros de guerra eram aterradoras. Eram muitas vezes geridos por Dienstgruppen, forças laborais de ex-soldados alemães sob controlo militar britânico. Os guardas alemães, muitos dos quais eram ex-nazis, ficavam com a maior parte dos alimentos. Não havia camas decentes; os homens dormiam sobre palha no chão. Não havia iluminação adequada (apenas quatro lâmpadas eléctricas num campo inteiro). Não havia nem sabonetes nem toalhas: em alguns casos, 500 homens tinham de usar uma única casa de banho ou uma bacia com água corrente que gelava no Inverno. Relatórios destas condições começaram a ser emitidos pela estação de rádio soviética em Berlim. Os ingleses desmentiram-no publicamente. Mas MacDonogh escreve que o uso dos Dienstgruppen levantou suspeitas a Estaline de que os Aliados mantinham o Exército alemão para uma eventual utilização contra a União Soviética.
Cada uma das quatro potências decidiu criar na sua zona uma Alemanha à sua imagem. Os americanos queriam um país auto-suficiente de onde pudessem sair o mais cedo possível. Os ingleses eram mais controladores. Cada alemão era suspeito e por isso todos os alemães em cargos oficiais tinham de possuir um Doppelgänger (duplo) inglês. O contraste entre as atitudes inglesa e americana é demonstrado pelas estatísticas do Conselho de Controlo. No início de 1947, o número de funcionários americanos era de 5008, enquanto o de ingleses era 24.785.
O general Templer, conselheiro do marechal Montgomery, comentou com tristeza: "Os americanos dominam a arte do controlo indirecto. É evidente que o mesmo não se passa connosco." O Foreign Office britânico reconheceu em privado: "Os russos foram talvez mais eficazes no seu controlo da Alemanha do que nós e com muito menos governadores militares que tendem a ser mais autoritários do que os seus homólogos ingleses." E, no entanto, o próprio Montgomery advertira o Governo: "[Excepto para certos assuntos de controlo reservados em Potsdam,] as melhores pessoas para lidarem com as muitas dificuldades que atormentam o dia-a-dia na Alemanha e para a defrontarem no futuro não somos nós, mas os alemães. Eles sabem muito melhor do que nós como lidar com os problemas do seu país e não são inferiores a nós quer em inteligência, quer em determinação."
Código de conduta
Em Abril de 1945, o Governo norte-americano emitira uma directiva para o general Eisenhower. Isto fora incorporado pelos chefes de estado-maior num manual - JCS1067 - que os Aliados haviam adoptado como código de conduta da ocupação. A primeira tarefa seria a extinção do governo nazi e das leis nazis, bem como a destituição dos seus líderes. Isso foi feito rapidamente. Membros do partido deveriam ser excluídos de cargos públicos e de cargos de topo nas finanças, na indústria e no comércio, na agricultura, na educação, nas editoras e na imprensa. Mas os Aliados reconheceram que a militância no partido fora praticamente uma condição de emprego e, assim sendo, os membros "nominais" não deveriam ser excluídos destas categorias. Seriam necessários para participar na reconstrução do país. Mesmo assim, o Presidente Roosevelt afirmou que não abriria excepções com base em necessidade ou conveniência administrativas. A sua intransigência (e a de Truman, a seguir à sua morte) revelar-se-ia uma enorme dor de cabeça para os ocupantes, em particular na zona britânica industrializada.
Foi decretado que os que haviam sido afastados dos seus cargos deveriam ser substituídos por pessoas seleccionadas pelas suas "qualidades políticas e morais". Contudo, já ficara decidido que a Alemanha tinha falta de pessoas assim. Um folheto distribuído aos militares prestes a entrar na Alemanha referia que "os alemães não estão divididos em duas classes - bons e maus alemães. Só há bons e maus elementos no carácter alemão, sendo estes últimos geralmente predominantes".
Todos os que se candidatavam a um emprego tinham de ser "desnazificados." O instrumento de desnazificação por excelência era o Fragebogen. Tratava-se de um questionário que requeria respostas a 133 perguntas que cobriam todos os aspectos da vida do candidato e remontavam aos anos de 1920. E, para que nada pudesse escapar, num resumo final pediam-se pormenores de "eventual associação, sociedade, fraternidade, sindicato, câmara, instituto, grupo, corporação, clube ou outra organização de qualquer tipo, fosse social, política, profissional, educativa, cultural, industrial, comercial ou honorária, à qual alguma vez [o inquirido tivesse] estado ligado ou associado". Como resultado das deslocações e da destruição de bens desde 1939, prestar essas informações era obviamente difícil. No entanto, declarações falsas, omissões ou respostas incompletas poderiam resultar em acção judicial. E ser-se rejeitado significava que não se conseguiria trabalho e sem trabalho não se receberia cartões de racionamento.
A desnazificação começou demasiado tarde e durou demasiado tempo. Os alemães gracejavam com o Reich de mil anos de Hitler: 12 anos de nazismo e 988 anos de desnazificação. Em Outubro de 1947, dois anos e meio após o fim da guerra, a tarefa foi finalmente transferida para os estados alemães, Länder, com instruções para ficar terminada no dia 1 de Janeiro de 1948.
Em Potsdam, os líderes aliados haviam decidido que os civis não poderiam ser acusados de qualquer delito criminal, mas os que eram considerados "pessoas perigosas para a Ocupação ou os seus objectivos" deveriam ser detidos e internados. Esta definição abrangente teve como resultado que muitos milhares de homens foram colocados em centros de detenção de civis, onde eram mantidos sem acusação formal, julgamento ou expectativas de libertação. Foram aproveitados antigos campos de concentração para esse fim. Na zona britânica, os civis detidos, jovens ou idosos, eram mantidos em condições medonhas: lotação excessiva, tratamento deficiente, falta de condições sanitárias, falta de iluminação, falta de protecção contra os elementos e pouca água e alimentos. Muitos deles dormiam no chão. Os cuidados médicos não incluíam esterilização, nem anestesia.
Corrupção endémica
Em Janeiro de 1948, o governador militar britânico, Sir Brian Robertson, reconheceu que "os métodos [britânicos] têm sido algo rudes e grosseiros " e que três anos após o final das hostilidades procedimentos não compatíveis com a lei britânica não podiam ser justificados. Foi finalmente decidido que era "politicamente desejável que no dia 1 de Setembro de 1948 se enterrasse o passado".
Nesta sociedade fracturada de ricos e pobres, a corrupção era endémica. Os cigarros eram a moeda de facto. O saque ocorria a todos os níveis. Quando a Villa Hügel em Essen, lar da família de industriais alemães Krupp, foi desocupada pela divisão de controlo do carvão da Comissão de Controlo britânica, haviam desaparecido bens no valor de cerca de dois milhões de marcos. Os serviços secretos britânicos e americanos uniram esforços para investigar um vasto mercado negro. Um relatório confidencial regista este mundo de Harry Lime. Todos traficavam: os Aliados, antigos oficiais alemães das SS, checos, jugoslavos, dinamarqueses, suecos, suíços e até mesmo o pequeno número de chineses que surgiram como aliados em tempo de guerra.
Uma fábrica de plásticos foi construída na Bélgica por americanos com maquinaria alemã transportada através da zona britânica em camiões a funcionar com combustível da ocupação. A lista das mercadorias negociadas era interminável: metais preciosos, antiguidades, quadros, peles, tapetes, binóculos, microscópios, equipamento fotográfico, joalharia e pedras preciosas. Todas as drogas estavam à venda. Até a rádio mudava de mãos. Passaportes, vistos, autorizações de entrada e de saída e documentos de identidade, tudo se arranjava. A quantidade de imobiliário em Berlim adquirida por estrangeiros não era contabilizável. A Comissão de Controlo advertiu que o comércio ilegal ameaçava arruinar o pouco que restava da estrutura financeira e económica da Alemanha.
A ausência, por morte ou aprisionamento, de tantos homens e por tanto tempo deu origem a um vácuo social e moral. Muitas mulheres, agora os ganha-pão das suas famílias, trocavam sexo pelo quer que fosse dos PX ou dos NAAFI, para sobreviver ou vender no mercado negro. O consultor de nutrição da zona britânica, Sir Jack Drummond, estabeleceu sucintamente a ligação: "As doenças venéreas entre as tropas da Ocupação estão intimamente relacionadas com o desenvolvimento de carência alimentar entre a população. Diria, inclusivamente, que cada uma delas pode ser tomada como aferição da outra."
Na presença dos oficiais de topo dos serviços e da Comissão de Controlo, o capelão britânico, coronel Geoffrey Druitt, fez um discurso acusador na igreja em Berlim. O povo alemão, declarou, vivendo assim no meio dos escombros das suas cidades ocupadas por nações incapazes de encontrar uma política coerente, não consegue vislumbrar nem um começo nem um fim: "Uma triste percentagem dos exércitos da Ocupação desempenha um papel vergonhoso ao encorajar a podridão. Demasiadas pessoas exploram com lucros financeiros as necessidades materiais deste povo derrotado... A Alemanha tornar-se-á um perigo, não como potência militar, mas como a latrina da Europa, e isto será suficientemente grave para se afogar a si e aos seus vizinhos."
Oitenta e seis por centro da indústria pesada ficavam dentro da zona britânica, a área que fora mais duramente atingida pelos bombardeamentos. Milhares de civis eram agora sem-abrigo. Os britânicos vieram piorar a situação. Os alemães dessa zona deveriam dar lugar às famílias dos controladores militares e civis que vinham da Grã-Bretanha e viam-se forçados a amontoar-se no primeiro abrigo que encontravam: uma adega em escombros, um quarto numa casa em ruínas com apenas três paredes. Milhares mudaram-se para enormes torres destruídas, um conjunto de passagens de cimento sem aquecimento nem ventilação. Em Hamburgo, 38.200 pessoas foram desalojadas para dar lugar à construção de um vasto complexo do Exército britânico (que nunca foi construído). Administradores seniores no terreno estavam profundamente preocupados, mas tinham de cumprir as ordens provenientes de Londres.
Descontentamento britânico
A população fora não só desalojada, como também tinha fome. A falta de mantimentos de que os alemães sofriam não era deliberada, embora muitos pensassem o contrário. Parecia fazer parte do padrão. A área controlada pelos soviéticos fora o celeiro da Alemanha. À luz das disposições das indemnizações, os russos eram obrigados a enviar mantimentos para ocidente. Nunca o fizeram. Capitulação incondicional significava a obrigação de sustentar a Alemanha, se esta não o conseguisse fazer por si. A Grã-Bretanha aceitou ter carências no seu próprio país, o que enfureceu o ministro das Finanças. Isto era como indemnizar os alemães. O conselheiro político do ministro advertiu-o: "Não é por eles que pagamos. Temos de os alimentar ou sair de lá, mas, se sairmos agora, estaremos a convidar os russos a entrar." Todavia, as forças de ocupação não podiam ser responsabilizadas pelo terrível Inverno de 1946-1947, o mais agreste dos 100 anos anteriores. As vias fluviais a norte da Alemanha ficaram geladas durante meses. O efeito na distribuição de alimentos e combustível foi catastrófico. Para a maioria dos alemães, não havia luz, nem calor, nem comida, nem trabalho nem esperança.
O desemprego vinha juntar-se à falta de um tecto. Após a destruição de fábricas de armamento, a política económica dos Aliados deixava inicialmente aos alemães a capacidade industrial suficiente para alcançarem um reduzido padrão de vida baseado nos padrões de antes da guerra. Qualquer excedente produzido deveria ser partilhado como indemnização com todas as nações aliadas na proporção das suas perdas na guerra. O Presidente Truman declarou que os Estados Unidos não pretendiam obter da vitória nem vantagens materiais nem protecção para os mercados americanos. Os britânicos, no entanto, tinham outros planos. ("O objectivo principal da Ocupação é destrutivo e preventivo," escrevera Lord Cherwell, o general tesoureiro britânico, em Abril de 1945. "Espero que nada façamos para encorajar a reconstrução da indústria alemã.") A retirada de capital poderia captar permanentemente mercados de exportação anteriormente abastecidos pela Alemanha.
Indústria e desemprego
Muito do desmantelamento empreendido não era compreensível para os alemães. Maquinaria pesada vital para a reconstrução estava a ser demolida. Os homens estavam a ser lançados no desemprego sem perspectivas de voltarem a trabalhar. Muitos alemães começaram a temer que o que estava a ser levado à prática era algo como o Morgenthau Plan, proposto por Henry Morgenthau, o secretário do Tesouro de Roosevelt, em 1944, um plano para reduzir a Alemanha do pós-guerra a uma sociedade agrária. Isto nunca se tornou uma política efectiva e foi recusado por Truman. Mas gradualmente tornou-se conhecido pelos alemães. Houve motins e sabotagem em toda a zona britânica, em particular no Ruhr. As tropas tiveram de intervir. Os alemães temiam que o desmantelamento de máquinas industriais pelo Aliados estivesse a prepará-los para um futuro trabalho nos campos.
Um ano depois da Ocupação, Winston Churchill, então na oposição, viu com alarme aquilo a que a Alemanha ficara reduzida desde a sua capitulação incondicional. Discursando na Câmara dos Comuns, disse: "Nem nós nem os Estados Unidos nos podemos dar ao luxo de deixar o caos e a miséria continuar indefinidamente nas nossas zonas da Alemanha. A ideia de deixar milhões de pessoas viveram num estado sub-humano entre a terra e inferno até estarem reduzidas à condição de escravos ou aderirem ao comunismo só gerará, no mínimo, uma pestilência moral e provavelmente uma nova guerra. Deixai a Alemanha viver!"
Duas Alemanhas
Finalmente as coisas começavam a mudar. A importante política de unidade económica estipulada pela Conferência de Potsdam fracassara devido à recusa soviética em colaborar. Em Setembro de 1946, os americanos e os britânicos fundiram economicamente as suas zonas, e em 1948 emitiram uma nova moeda reformada - o marco alemão. Como retaliação, os russos bloquearam a entrada de abastecimentos nos sectores ocidentais de Berlim. Os Aliados reagiram com a ponte aérea de Berlim, uma manifestação espectacular não só do apoio dos Aliados à população alemã contra os russos, mas também da divisão formal do país. Agora passaria a haver duas novas Alemanhas.
Giles MacDonogh declara no início do seu livro que o seu tema é mostrar a vivência dos alemães na derrota. E não há dúvida de que o conseguiu. Mas também atraiu novas atenções para os actos questionáveis da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos durante a Ocupação. Como MacDonogh explica no seu prefácio: "Amigos meus, mesmo historiadores reputados, disseram-me frequentemente que os alemães "tiveram o que mereciam" em 1945. Era uma punição justa pelo seu comportamento nos países ocupados e pelo tratamento dos judeus no seu país. Este livro não se destina a desculpar os alemães, mas também não hesita em expor os Aliados vitoriosos no seu tratamento do inimigo em tempo de paz, pois em muitos casos não foram os criminosos que foram violados, mortos à fome, torturados ou espancados até à morte, mas mulheres, crianças e velhos. Aquilo que registei, e por vezes questiono aqui, é a maneira como muitas pessoas foram autorizadas a levar a cabo essa vingança por comandantes militares ou até mesmo por ministros dos governos; e o facto de, quando o faziam, muitas vezes matavam os inocentes, não os culpados. Demasiadas vezes os verdadeiros assassinos morreram nas suas camas."
As comparações
Por vezes o leitor fica quase entorpecido com as estatísticas envolvidas. Mas estes vastos cálculos são necessários para transmitir algo da escala da desumanidade do homem para com o seu semelhante. (As comparações ajudam: MacDonogh escreve que pelo menos 1,8 milhões de civis alemães morreram durante a guerra. No Reino Unido, o número de civis mortos "devido à operação da guerra" está oficialmente registado como sendo de 100.927.)
MacDonogh forneceu um fundo histórico para as histórias que nos contou, embora, como ele próprio o diz, isto tenha tido de ser feito na generalidade. Houve coisas boas e houve coisas más na Ocupação. Homens esclarecidos no topo do comando aliado na Alemanha esforçaram-se por mitigar o efeito de políticas disparatadas dos governos dos seus países. A um nível mais baixo, Günter Grass conta como um "oficial de educação" do seu centro de detenção tinha imensa dificuldade em explicar a prisioneiros alemães ignorantes a amplitude das atrocidades nazis e o Holocausto; e podemos ter a certeza de que este não é um caso isolado. Terminando a sua história no limiar de uma Alemanha nova, se bem que dividida, MacDonogh oferece-nos o relato de uma experiência humana trágica, e demasiado pouco conhecida, nas palavras daqueles que a viveram. Não é apenas uma história fascinante, mas um documento histórico valioso e único.

Exclusivo PÚBLICO/New York Review of Books